Mostrando postagens com marcador sinusite. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sinusite. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Rinite, sinusite e bronquite: as principais diferenças e por que crescem nesta época



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Doenças que aparecem mais no outono e no inverno têm sintomas distintos e exigem tratamentos também diferentes


É muito comum ver pessoas coçando o nariz, com coriza e se queixando da dificuldade em respirar nesta época do ano.


No outono, devido ao tempo seco, aumento de fuligem no ar, quedas bruscas de temperatura e mais poluentes, as alergias tendem a se manifestar de forma frequente e desencadear problemas como rinite, sinusite, bronquite e outras infecções das vias aéreas.


No inverno, o surgimento dessas condições também são comuns, mas são provocadas por quadros virais, que aumentam consideravelmente com o frio. "Uma onda de frio, onde as pessoas já estão previamente sensibilizadas, fecham as janelas e ficam mais confinadas, (isso) aumenta as crises virais e a sintomatologia do paciente acaba sendo maior", destaca Marco Cesar, otorrinolaringologista do Hospital Universitário Cajuru (PR).


Mas como saber a diferença entre todas essas doenças e procurar tratamento adequado? Normalmente, os sintomas são bem distintos e existem sinais que podem ser percebidos logo nos primeiros dias de incômodo.


Abaixo, listamos quais são as principais inflamações e como reconhecer cada uma delas:

Rinite


Considerada uma doença inflamatória no nariz, que leva a sintomas como obstrução nasal, coriza e coceira interna, ela pode ser provocada por diversos fatores. Quando ocorre na forma alérgica, o contato com poeira, pelos de animais e ácaros aumentam o risco da enfermidade.


Em quadros não alérgicos, pode ocorrer a rinite senil ou vasomotora, que se manifesta devido a uma alteração da saliva. Esta é mais comum em idosos e pode fazer com que as narinas escorram de forma frequente.


Também existem as rinites medicamentosas, que são ocasionadas pelo uso frequente de remédios no nariz. "É uma dependência química e psíquica e a pessoa fica pingando aquilo o tempo todo", diz Cesar, que também é cirurgião do nariz e seios da face e membro Internacional da American Rhinologic Society.


Existe ainda uma rinite química, com a presença de bastante secreção. Geralmente, ela vem de um caso gripal e também por variações de temperatura.


Para tratar a inflamação, a melhor maneira é prevenir as causas da doença. No caso das rinites alérgicas, o ideal é o controle e limpeza do ambiente, além de usar antialérgicos e spray nasal com medicamentos, se orientado pelo médico. Quando a doença é provocada por bactérias, é recomendado o uso de antibióticos, sob orientação do profissional de saúde.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Rinite e sinusite levam à obstrução nasal
Sinusite


É uma inflamação dos seios da face que costuma afetar muito a qualidade de vida da pessoa. Ela pode ser gerada por bactérias, vírus e também por quadros de rinite. "A inflamação da mucosa nasossinusal inibe o movimento de suas células especializadas e responsáveis por empurrar o muco em direção à garganta", destaca Raul Zanini, otorrinolaringologista do Hospital Albert Einstein.


Por causa disso, a sinusite provoca obstrução do nariz, secreção espessa, gotejamento, dor em pressão (que pode irradiar para os dentes), diminuição do paladar e olfato. Nos bebês, desencadeia dificuldades para mamar e má alimentação.


O quadro pode aparecer em qualquer momento da vida, porém, é mais frequente quando ocorrem mudanças bruscas de temperatura e tempo com baixa umidade relativa do ar. O tabagismo ativo e passivo, assim como as partículas no ar devido à poluição, também favorecem a inflamação.


Há, ainda, alterações de anatomia do interior do nariz como desvio do septo nasal, pólipos e o aumento das conchas nasais (que são conhecidas como carnes esponjosas) que aumentam a predisposição da sinusite.


O tratamento recomendado por médicos pode ser com o uso de antibióticos, mas também pode ser feito com soro fisiológico. Este último alivia os sintomas e acelera a recuperação do mucociliar, que age no mecanismo de defesa das vias aéreas. As inalações, também com soro, podem facilitar a saída da secreção dos seios da face.


Em casos mais graves e recorrentes, é necessário procedimento cirúrgico com um profissional especializado.
Bronquite



É uma doença inflamatória dos brônquios do pulmão de caráter viral ou bacteriano. É importante não confundir com a asma, que também é uma condição respiratória, mas que provoca sintomas diferentes e é desencadeada por um processo alérgico.


Na bronquite aguda, o paciente apresenta muito catarro, tosse, peito cheio e são as crianças as mais afetadas. Ela também é mais comum quando ocorrem quedas severas de temperaturas.


Quando o quadro é viral, o recomendado são remédios para febre, nebulizações, fisioterapia respiratória e muita ingestão de líquido. "Quando o quadro é bacteriano, o recomendado é antibiótico", afirma Débora Carla Chong, pneumologista pediátrica e professora da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Faringite




CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Faringites podem ter origem viral ou bacteriana


Ela é a famosa dor de garganta e é muito comum em pacientes que têm obstrução nasal ou que dormem de boca aberta. Geralmente, quando acordam pela manhã, sentem muito incômodo. Além deste sintoma, a pessoa pode ter uma dor de cabeça ao acordar. O problema ocorre ainda mais no outono e inverno.


As faringites podem ainda ser de caráter viral, que são frequentes quando dormimos de cabelo molhado, pegamos sereno ou andamos com os pés descalços.


Também podem ser bacterianas, provocadas pela espécie streptococcus pyogenes. Neste caso, é um quadro súbito, comum em crianças mais velhas, que têm dois anos de idade. "Se não tratada, a inflamação pode evoluir para uma febre reumática, uma reação autoimune, que atinge as articulações, podendo acometer o coração e, em casos graves, o cérebro", reforça o pneumologista. O tratamento deve ser feito com antibióticos, sob orientação médica.
Otites


Esse tipo é caracterizado pela dor de ouvido e muito incômodo na região. A infecção pode ser provocada por vírus, após resfriados.


A otite também é recorrente em crianças e pode ser desencadeada na amamentação. Quando o leite regurgita, vai para dentro do ouvido médio e pode provocar inflamação. "É a primeira infecção da criança e ocorre na faixa etária dos seis aos três anos de idade", explica Chong.


Os sintomas mais comuns são muita dor de ouvido, febre, perda de apetite e secreção local. O tratamento mais adequado é com uso de antibióticos e analgésicos, com sob orientação médica.


Por último, ainda há a inflamação provocada pelo aumento da adenoide, órgão linfático que se localiza atrás das cavidades nasais e acima do céu da boca. Ela prejudica a "comunicação" com o ouvido e nariz e faz com que haja muito catarro na região. O tratamento pode ser feito com remédios e, em casos mais graves, com cirurgia para retirada da secreção, conforme orientação do profissional de saúde.







Autor: Priscila Carvalho
Fonte: Rio de Janeiro para a BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 01/06/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61654913

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A vítima de febre amarela que foi diagnosticada com sinusite, infecção urinária e enxaqueca




Técnico em refrigeração que morreu com febre amarela dizia que doença só afetaria macacos (Foto: Arquivo pessoal)



Na véspera do último Natal, o técnico em refrigeração Anderson Lopes Oliveira dos Santos, de 31 anos, se lembrou que não tinha tomado a vacina contra a febre amarela ao passar em frente a um posto de saúde fechado. Diante da preocupação e constante insistência de sua mulher, a atendente Maria Dolores Faria Moraes, de 26 anos, ele buscou tranquilizá-la.


"Isso aí não pega, não. Se fosse tão sério assim, tava matando gente. Mas só aparece macaco morto. Só mata macaco, Maria", disse Santos, segundo as lembranças de sua mulher. A doença o matou apenas 15 dias mais tarde.


O técnico em refrigeração morava em Mairiporã, cidade que registrou 20% dos 40 casos de febre amarela silvestre do Estado de São Paulo - 21 dos infectados morreram. Tanto Maria quanto os dois filhos do casal, Beatriz, de 8 anos, e Gabriel, de 6, já estavam imunizados. Só faltava Santos - que deixara a vacina para janeiro.


A família organizou uma festa de Ano-novo em casa, mas já no primeiro dia do ano, Santos se sentiu mal. Dores de cabeça, no corpo e febre o levaram ao Hospital Municipal Nossa Senhora do Desterro, no centro de Mairiporã. Em uma consulta rápida, foi diagnosticado com sinusite.




Anderson Santos morreu quatro dias após ser internado em hospital na Grande São Paulo | (Foto: Arquivo pessoal)



Segundo sua mulher, Santos discordou do médico. "Meu nariz não está escorrendo e eu não estou espirrando. Acho que o médico é louco", teria dito. Voltou para casa com uma receita de antiinflamatório e descongestionante nasal.


Nos dias 2 e 3, Santos voltou ao mesmo hospital. Ele piorara: as dores estavam mais fortes e agora se concentravam nas articulações e o técnico passara a ter vômitos e incômodo para urinar. Santos também apresentava visão turva, além da sensação de ter areia nos olhos. O novo diagnóstico foi de infecção urinária.


"Bateu um desespero. A dor nos ossos dos dedos dele era tão insuportável que não podia nem encostar. Como aquilo poderia ser só infecção urinária?", contou a mulher de Santos em entrevista exclusiva à BBC Brasil. Ainda assim, Santos foi mandado para casa.


No dia 4, ele deu entrada mais uma vez no hospital e, dessa vez, ouviu que sofria de enxaqueca. Apenas na madrugada do dia 5, com sintomas avançados, os médicos o diagnosticaram com febre amarela e, horas mais tarde, o transferiram para um hospital estadual no município vizinho, Franco da Rocha, onde ele foi internado.




Paciente com febre amarela chegou a ser diagnosticado com sinusite, hepatite, infecção urinária e dengue (Foto: Arquivo pessoal)


A partir daí, a doença se agravou rapidamente. Santos teve rins e fígado comprometidos. Passou a fazer hemodiálise e a ter problemas no sistema neurológico. Não sabia mais onde estava, apresentava pensamento confuso e não mexia mais os olhos. Respondia às perguntas apenas por meio de movimentos com o braço.



No terceiro dia de internação, um exame de sangue confirmou que o paciente estava com febre amarela. Já era tarde demais. Santos passou a ter hemorragia pelos ouvidos, boca e nariz. Entrou em coma na noite do dia 8 e morreu às 9h15 do dia 9.


Nesta terça-feira, sete dias depois da morte, a mulher de Santos conversava com a reportagem da BBC Brasil na oficina do marido, onde trabalhava como atendente. Ela está esvaziando o local porque o único funcionário era Santos.


"Essa oficina era o sonho dele, mas eu não tenho condições de continuar sozinha. Eu vou fechar e pedir ajuda para conseguir um serviço".


Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde de Mairiporã afirmou que não fornece informações sobre diagnósticos ou condições de saúde de pacientes que tenham passado por alguma de suas unidades de saúde.


Já a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que Santos só chegou à rede do Estado com o diagnóstico de febre amarela e foi encaminhado imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).




Campanha pró-vacinação




A morte do técnico em refrigeração abalou a família e a vizinhança. Segundo Maria, Santos não viajou nos últimos meses, mas a família vive em uma região de mata em Mairiporã - o mosquito que transmitiu o vírus que dizimou macacos na área foi o mesmo que o vitimou. Não há registros de febre amarela urbana - transmitida entre humanos em cidades - no Brasil desde 1942.


Uma semana depois, Maria diz que sua "ficha ainda não caiu", mas que está preparada para ajudar outras famílias.


"Isso marcou minha vida e me dói muito falar, principalmente quando eu lembro da dor que ele passou e o quanto ele sofreu por essa demora do diagnóstico. Pensar que um mosquito está tirando a vida de muitas pessoas é revoltante", afirmou.



O casal estava junto há 12 anos. Para lidar com a dor, ela optou por usar sua página no Facebook para encorajar os amigos a tomarem vacinas e a questionarem os médicos diante de sintomas da doença.


"Falta uma campanha ainda maior. É necessário mais agentes de saúde entrando nos bairros mais afastados, vacinando gente e eu estou disposta a ser voluntária e entrar nesses locais. E eu não vou me cansar de falar o que passei no hospital, dar palestra ou o que mais for necessário. Tudo por causa de uma picada. É inaceitável", diz.




Depois de cinco dias, Anderson foi diagnosticado com febre amarela e internado na UTI (Foto: Arquivo pessoal)




Área de risco




A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar nesta terça-feira a vacinação contra febre amarela para todos os viajantes internacionais que visitem qualquer área do Estado de São Paulo.


A determinação de novas áreas consideradas de risco de transmissão de febre amarela tinha ocorrido em abril de 2017. A recomendação de vacinação já é válida para viajantes internacionais que visitem estados das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, Minas Gerais e Maranhão, além de partes dos estados da região Sul, Bahia e Piauí.


A vacinação deve ser feita ao menos dez dias antes da viagem.


O vírus da febre amarela é considerado endêmico em áreas tropicais do continente africano e nas Américas Central e do Sul. A OMS recomenda que seja tomada uma dose padrão da vacina, o que é suficiente para garantir imunidade e proteção para toda a vida.



O Brasil terá, entre fevereiro e março, uma campanha de vacinação, porém com doses fracionadas. O objetivo do fracionamento é conseguir atender a um número maior de pessoas.


O efeito da dose menor, entretanto, é mais efêmero e tem um período de eficácia variável. Ainda faltam estudos que possam precisar em definitivo o tempo da proteção garantida, se cinco, oito, dez ou mais anos. De acordo com o Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz, que produz a vacina no Brasil, a dose fracionada pode proteger as pessoas por até oito anos.


A vacina de dose padrão confere imunidade eficaz dentro de 30 dias para 99% das pessoas imunizadas.




Febre amarela




O nome "febre amarela" se refere ao sintoma da icterícia, quando a pele adquire coloração amarelada, apresentada por alguns pacientes da doença, como Santos.


O vírus é transmitido por mosquitos infectados e causa febre hemorrágica. Os sintomas incluem dor de cabeça, dores musculares, náusea, vômitos e fadiga.


Uma pequena parte das vítimas chega a desenvolver sintomas graves, com insuficiência hepática e renal, que podem levar à morte. Entre os casos severos, aproximadamente metade deles resulta em morte num período de sete a 10 dias.


Os viajantes com contra-indicações para a vacina contra a febre amarela (gestantes, crianças abaixo de 9 meses ou lactentes, pessoas com hipersensibilidade grave à proteína do ovo e imunodeficiência grave) ou com mais de 60 anos devem consultar um médico para avaliar cuidadosamente a relação risco-benefício.




Autor: G1
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data de Publicação: 17/01/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/a-vitima-de-febre-amarela-que-foi-diagnosticada-com-sinusite-infeccao-urinaria-e-enxaqueca.ghtml