
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Fiocruz deposita patente de dispositivo inovador de coleta não invasiva e indolor de pele

EPSJV/Fiocruz realiza 3ª Jornada Nacional de Iniciação Científica da Rede Provoc
Este é o terceiro ano que a EPSJV reúne jovens de diversas regiões do país para um intercâmbio científico e cultural por meio da Rede Provoc. Instituída a partir de 2022, a Rede Provoc Luiz Fernando Rocha Ferreira da Silva reúne estudantes de 30 escolas de 10 estados onde a Fiocruz está presente.

Programação
A programação tem início às 8h30, com recepção na Tenda Arena da EPSJV, seguida da mesa de abertura do evento, às 9h. Em seguida, serão realizadas homenagens a diretores e pesquisadores de outras unidades da Fiocruz, além de coordenadores, diretores de instituições conveniadas e participantes do Provoc. Ainda pela manhã, estudantes apresentam seus trabalhos de iniciação científica, atividade que se estende também para o período da tarde.
Para a coordenadora do Provoc, Cristiane Braga, o evento ultrapassa o caráter acadêmico. “Realizar a 3ª Jornada é um marco que transborda o aspecto acadêmico; é, essencialmente, um encontro de gerações comprometidas com o futuro da ciência para a sociedade”, afirma. Segundo ela, a presença de jovens de diferentes regiões do país reafirma o impacto da iniciação científica em suas trajetórias. “Ver jovens reunidos, compartilhando pesquisas, expectativas e sonhos, reafirma o papel transformador que a iniciação científica exerce em suas vidas”, destaca.
Por fim, Cristiane reforça o compromisso do Provoc e da Escola Politécnica como um todo com o futuro da ciência: “Que possamos ampliar cada vez mais o alcance deste programa e seguir possibilitando a vivência do cotidiano da pesquisa a esses jovens, fortalecendo o compromisso com uma ciência cidadã, crítica e inclusiva.”
Um programa pioneiro
Criado em 1986, o Programa de Vocação Científica (Provoc) da Fiocruz é coordenado pela Escola Politécnica. Pioneiro no Brasil, o Provoc inicia estudantes do Ensino Médio na pesquisa científica em saúde. “Este ano, a Jornada ganha um significado ainda mais profundo e especial ao celebrarmos os 40 anos do Provoc, este programa pioneiro que serviu de modelo e inspiração para diversas iniciativas em todo o país. São quatro décadas colaborando na formação de jovens pesquisadores e fortalecendo o trabalho de quem faz a educação e a ciência acontecerem no dia a dia”, destaca Cristiane.
Em 40 anos, mais de três mil estudantes das redes pública e privada, além de organizações sociais dos Complexos da Maré e de Manguinhos, no Rio de Janeiro, já passaram pelo Programa e, muitos deles, se tornaram pesquisadores. Ao longo desse tempo, o modelo de iniciação científica que constitui o Provoc não apenas se reproduz pelas instituições da Fiocruz, mas também se qualifica como uma referência para a iniciação científica em território nacional. A partir de 2022, o programa se expandiu com a criação da Rede Provoc Luiz Fernando da Rocha Ferreira da Silva, nomeada em homenagem a um dos idealizadores do Provoc e fundadores da EPSJV.
Autor: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 13/05/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/05/epsjv-fiocruz-realiza-3a-jornada-nacional-de-iniciacao-cientifica-da-rede-provoc
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Fiocruz obtém patente para tratamento contra malária resistente
“A recente aprovação da patente do método de tratamento contra parasitos da malária é um marco importante, pois além de ter baixo custo, essa molécula possui mecanismo único de superar a resistência desenvolvida pelo P. falciparum, parasito causador da malária humana letal caso não seja tratada adequadamente”, afirma a pesquisadora Antoniana Krettli, coordenadora do estudo.
A malária segue como um grave problema de saúde pública global, com milhões de casos anuais. Embora a DAQ não seja uma molécula inédita, uma vez que sua atividade antimalárica já havia sido descrita na década de 1960, o diferencial do estudo foi revisitar o composto à luz de abordagens contemporâneas. “Essa molécula já tinha sido descrita como promissora, mas acabou sendo deixada de lado. O nosso grupo retomou esse estudo e mostrou um mecanismo único de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasito, ao identificar uma característica estrutural decisiva: a presença de uma ligação tripla na cadeia química”, explica o pesquisador colaborador da Fiocruz Minas, Wilian Cortopassi.
Assim como a cloroquina, o DAQ interfere em um processo essencial para a sobrevivência do parasito. Durante a digestão da hemoglobina, o microrganismo produz uma substância tóxica que normalmente é neutralizada. O composto bloqueia esse mecanismo, levando à morte do parasito. Estudos indicam que o DAQ é eficaz contra cepas sensíveis e resistentes do Plasmodium falciparum, com ação rápida nas fases iniciais da infecção.
A pesquisadora Anna Caroline Aguiar ressalta que o composto também demonstrou atividade contra o Plasmodium vivax, espécie responsável pela maioria dos casos de malária no Brasil, reforçando o potencial da molécula em contextos epidemiológicos relevantes para o país. “Nós vimos que a molécula funcionou tanto para falciparum quanto para vivax, o que é extremamente relevante”, afirma a pesquisadora, que participou de uma série de experimentos durante o mestrado e doutorado, realizados sob orientação de Antoniana Krettli.
Outro aspecto relevante é o baixo custo da molécula, uma característica especialmente importante, considerando que a malária afeta majoritariamente países de baixa e média renda. “Esse fator amplia o potencial de aplicação da tecnologia em contextos de maior vulnerabilidade”, ressalta Cortopassi.
Os estudos contaram com a colaboração de instituições como a University of California San Francisco (UCSF), por meio do programa Catalyst Awards, a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). As pesquisas seguem em andamento, com novos estudos conduzidos em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Próximos passos
Apesar dos resultados promissores, o desenvolvimento do DAQ como medicamento ainda exige uma série de etapas. Será necessário avançar nos estudos de toxicidade, definir a dose mais segura e eficaz e desenvolver a formulação adequada. Segundo a equipe, apenas a fase pré-clínica já demanda investimentos significativos.
Nesse cenário, a proteção intelectual se torna estratégica para viabilizar o avanço da tecnologia. De acordo com a coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), Ana Paula Granato, a patente representa um diferencial competitivo e um passo importante na prospecção de parcerias com a indústria farmacêutica. “É, sem dúvida, um reconhecimento importante, pois demonstra a ineditismo e o potencial da tecnologia”, afirma. Concedida em março deste ano, a patente tem validade até 05 de setembro de 2041.
Antoniana Krettli destaca o papel estratégico da Fiocruz nesse processo. “A instituição tem forte atuação na Amazônia, com diagnóstico e acompanhamento de pacientes, além de experiência em testes clínicos. Isso facilita parcerias e o avanço de novos medicamentos”, afirma.
Para os pesquisadores, o estudo também acende um alerta. Embora ainda existam tratamentos eficazes, o parasito continua evoluindo, o que reforça a necessidade de desenvolver novas alternativas desde já, evitando um cenário de escassez terapêutica nos próximos anos.
Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 087/05/2024
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/05/fiocruz-obtem-patente-para-tratamento-contra-malaria-resistente
OMS designa Fiocruz como Centro Regional de Treinamento em Biofabricação nas Américas

Além da Fiocruz para as Américas, também foram designados outros seis centros para a África, Europa, Mediterrâneo e Sudeste asiático (imagem: OMS)
Durante a celebração dos 50 anos de Bio-Manguinhos/Fiocruz, nesta quarta-feira (6/5), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, destacou, em mensagem de vídeo, a importância do trabalho da Fiocruz para as Américas e as expectativas no âmbito da Rede da OMS. “Esta designação da Fiocruz fortalecerá as competências em produção, qualidade e ciência regulatória da Rede nas Américas, bem como o desenvolvimento clínico e o aumento da escala de biofabricação”, afirmou Tedros. Ele ainda declarou: “Das vacinas e anticorpos monoclonais aos medicamentos biológicos avançados, os imunobiológicos estão transformando a prevenção e o cuidado. Mas seu impacto depende da qualidade, equidade e confiança. As desigualdades persistem no acesso a esses produtos que salvam vidas, tanto dentro como entre as regiões. Fechar essas lacunas requer sistemas fortes e integrados em toda a cadeia de valor e, acima de tudo, equipes qualificadas, resilientes e sustentáveis”.
Vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz elucidou alguns fatores para a designação da instituição. "A Fiocruz apresenta uma trajetória de excelência na formação de capacidades produtivas e inovativas no campo das vacinas e medicamentos biológicos, fruto de uma história bem-sucedida de internalização de tecnologia, desenvolvimento tecnológico e produção de insumos estratégicos de saúde para países do Sul-Global. Destaco a tradição da Fiocruz no campo da formação, ressaltando experiências exitosas na capacitação de países na América Latina, em parceria com a [Organização Pan-Americana da Saúde] Opas, e na África", afirmou.
Junto com a Fiocruz, também foram designados os seis centros de treinamento regionais: o Instituto Pasteur de Dakar, no Senegal, e o Conselho para Pesquisa Científica e Industrial, na África do Sul, ambos para a região africana; o Instituto de Ciência e Tecnologia Translacional em Saúde, na Índia, para a região do Sudeste asiático; o Instituto Nacional de Pesquisa e Treinamento em Bioprocessamento, na Irlanda, para a região europeia; o Centro de Desenvolvimento Profissional Continuado, Autoridade Egípcia de Medicamentos, no Egito, para a região do Mediterrâneo Oriental; e a Universidade de Pequim, na China, para a região do Pacífico Ocidental.
Impacto regional para a Rede Global de Força de Trabalho em Biofabricação da OMS
Os centros regionais de treinamento recém-designados deverão operar como parte da rede global coordenada, oferecendo treinamento específico e alinhado às prioridades regionais, aos ambientes regulatórios e aos idiomas. O objetivo é ampliar o acesso ao treinamento e o desenvolvimento de força de trabalho qualificada e sustentável, a partir do estabelecimento de parcerias entre a academia e a indústria, fortalecendo a expertise regional e estimulando a colaboração entre nações. A OMS visa equacionar desigualdades históricas no acesso a produtos de saúde e garantir que os países estejam mais bem preparados para responder, de forma rápida e eficaz, a futuras emergências sanitárias.
Embora operem de forma independente, pretende-se que o trabalho também seja realizado em estreita colaboração com o Centro Global de Treinamento em Biofabricação (GTH-B). Estabelecido em 2022 a partir de uma parceria do Ministério da Saúde e Bem-Estar da República da Coreia com a OMS, GTH-B oferece programas de treinamento padronizados que combinam experiência prática e aprendizado em sala de aula. O Centro já oferece apoio a iniciativa da OMS por meio de programas de formação.
Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 07/05/2024
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/05/oms-designa-fiocruz-como-centro-regional-de-treinamento-em-biofabricacao-nas
Risco de morte em hospitalização é duas vezes maior para indivíduos vulneráveis no espectro autista
Conduzido por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), o estudo (intitulado Taxas de mortalidade entre indivíduos hospitalizados com transtorno do espectro autista ao longo de um período de 10 anos na Coorte Brasileira de 100 Milhões) incluiu 948 indivíduos hospitalizados com diagnóstico de TEA, comparando com os indivíduos não hospitalizados, entre os anos de 2008 e 2018. Os resultados também indicaram que os mais jovens, com idade entre 11 e 24 anos, estão no grupo que mais morreu em internação, assim como pessoas com TEA sem comorbidade. Para chegar aos resultados encontrados, foram cruzados os dados do CadÚnico com os do Sistema de Informação Hospitalar (SIH) e do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM).
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado pela alteração das funções do neurodesenvolvimento, que podem englobar alterações na comunicação, na interação social e no comportamento. Quando comparadas com a população em geral, pessoas com TEA têm um risco aumentado para determinadas doenças - como respiratórias e neurológicas -, aumentando assim as chances de internação hospitalar.
De acordo com o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), de 2022, foram identificados 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico TEA, correspondendo a 1,2% da população brasileira. A maioria dos indivíduos no espectro foram homens e na faixa entre 5 e 9 anos. Apesar do aumento no diagnóstico na população negros (pardos e pretos), ainda assim a prevalência é maior em brancos.
Causas das mortes
Ao analisar os dados de óbito, o estudo evidencia que pessoas hospitalizadas com TEA morreram com maior frequência por doenças respiratórias (24%) e neurológicas (20%), enquanto indivíduos não hospitalizados morreram com maior frequência por doenças circulatórias (27,8%) e neoplasias (17,1%).
Problemas gastrointestinais, embora não estejam entre as maiores causas de morte, são uma das comorbidades que mais levam indivíduos com TEA à hospitalização. Uma explicação para esse fenômeno pode ser a seletividade alimentar observada com frequência nesse grupo, o que pode levar à constipação, refluxo e diarreia crônica, entre outros sintomas.
Questões neurológicas também são comuns em indivíduos com o transtorno, como epilepsia, por exemplo, levando a maior internação.
Desafio ao sistema de saúde
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza atendimento gratuito para pessoas com TEA através da Rede de Atenção Psicossocial há aproximadamente 20 anos, porém, ainda há uma oferta insuficiente desses serviços, tornando os hospitais um recurso comum de última instância. Segundo a pesquisadora associada do Cidacs/Fiocruz Bahia, Camila Bonfim, que faz parte do estudo, esses achados refletem o baixo acesso da assistência à saúde, indicando uma lacuna no cuidado a indivíduos com TEA, especialmente os que vivem em contexto de vulnerabilidade social. Os hospitais e a ambulatórios estão nos grandes centros urbanos, não nos interiores e zonas rurais, o que torna pessoas com TEA de determinadas localidades ainda mais vulneráveis por ter menos acesso à saúde.
“A gente precisa prestar atenção a esse público, na fragilidade dessa rede de atenção psicossocial para o cuidado das pessoas com autismo, porque o que a gente está vendo é que elas estão agravando questões de saúde”, explicou a pesquisadora.
Essa rede de atenção está disponível em todas as regiões, mas as grandes cidades e capitais, especialmente aquelas localizadas nas regiões Sul e Sudeste, têm uma maior concentração de serviços especializados e hospitais equipados para atender pessoas com deficiência, incluindo TEA.
“É importante reconhecer também que este estudo é um dos poucos que incluem apenas indivíduos hospitalizados com TEA que estão cadastrados no CadÚnico, o principal sistema de solicitação de benefícios sociais como o Programa Bolsa Família, e, portanto, representa o grupo de menor renda da população brasileira”, acrescenta Camila.
Atenção para as comorbidades
Apesar do grupo com maior risco de morte não possuir comorbidade, esse fato requer uma atenção maior. Esses resultados podem ser explicados por algumas hipóteses, como o grupo sem TEA não apresentar dificuldades de comunicação semelhantes às dos indivíduos com TEA, o que pode levá-los a buscar atendimento médico com mais frequência e ter mais registros de hospitalização devido a comorbidades e óbitos.
Outro fator pode ser que no grupo com TEA, as hospitalizações devido a comorbidades foram registradas principalmente como diagnósticos secundários e, como essa informação não é obrigatória no SIH, pode refletir uma entrada de dados inadequada.
A presença de comorbidades no grupo com TEA pode levar a uma maior utilização dos serviços de saúde, o que poderia ter contribuído para um risco reduzido de mortalidade em comparação com aqueles que não foram hospitalizados por comorbidade. Ao priorizar o treinamento de equipes de saúde da família para detectar comorbidades precocemente, o sistema de saúde não apenas previne internações evitáveis, como também assegura uma gestão financeira mais eficiente.
Autor: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 07/05/2024
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/05/risco-de-morte-em-hospitalizacao-e-duas-vezes-maior-para-individuos-vulneraveis-no
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Estudo analisa transformação de casas para incorporar espaços de trabalho e sociabilidade
O projeto desenvolvido pela pesquisadora Ana Slade (Prourb/FAU/UFRJ) acompanhou as adaptações feitas por moradores dos subúrbios cariocas, que transformaram suas residências em espaços mistos para moradia e trabalho (Fotos: Divulgação/Ana Slade) |
A necessidade de empreender, de buscar alternativas à falta de oportunidades no mercado de trabalho e até mesmo de oferecer serviços vêm estimulando moradores da periferia e dos subúrbios cariocas – no plural, devido à diversidade dos bairros – a adaptar suas residências, transformando-as em espaços de uso misto voltados à moradia e ao trabalho. Essa iniciativa, que muitas vezes ignora a legislação, ganhou força nos últimos anos e pode ser analisada sob diferentes olhares, já que traz impactos na geração de renda, na oferta de serviços, às vezes escassos, e até mesmo na redução de deslocamentos casa-trabalho entre o subúrbio – tradicionalmente destinado à moradia – e os locais que concentram a maior parte das atividades econômicas e dos empregos, como o Centro e as áreas mais nobres da cidade.
Essas transformações espontâneas feitas pelos moradores dos subúrbios têm sido acompanhadas de perto pela pesquisadora Ana Slade, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU/UFRJ) e do Programa de Pós-graduação em Urbanismo (Prourb/FAU/UFRJ). Ana vem estudando as mudanças no uso e a adaptação da arquitetura de modo a conjugar trabalho e moradia nas casas.
“É comum, nas áreas residenciais periféricas, as casas serem modificadas pelos residentes para adaptar usos comerciais e produtivos mesmo que à revelia das legislações, se misturando com casas de uso estritamente residencial. Os moradores desses locais vão resolvendo do seu jeito o que não foi planejado”, explica Ana, doutora em Urbanismo pelo Prourb/FAU/UFRJ.
É interessante voltar no tempo e lembrar que as unidades habitacionais utilizadas para moradia e trabalho, conhecidas no Rio de Janeiro como “sobrados”, eram muito comuns no início do século XX. Nessas edificações, a moradia ocupava o pavimento superior e o comércio, o térreo, com acesso pela rua. Entretanto, com o passar do tempo, os sobrados foram dando lugar a casas e edifícios estritamente residenciais.
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| A figura reproduz uma esquina do bairro de Irajá, onde foram criados três estabelecimentos comerciais conjugados a imóveis residenciais (Ilustração: Vinícius Medeiros) |
Um dos principais aspectos investigados no projeto é o intenso volume de deslocamentos casa-trabalho-casa característico das metrópoles contemporâneas, e que se constitui em um dos grandes desafios para o planejamento urbano. O estudo propõe a discussão sobre possíveis alternativas: investir em soluções para a mobilidade ou optar por uma reestruturação dos bairros, apostando em espaços que atendam às necessidades de moradia e de trabalho e, desta forma, reduzindo as viagens diárias.
“O trabalho nos estimula a refletir sobre estratégias que possam colaborar para a redução dos deslocamentos nas cidades e para a qualificação de bairros residenciais em subúrbios e nas periferias, a partir da aproximação de moradia e trabalho e do incremento da mistura de usos. O planejamento urbano deve olhar com atenção para essa alternativa”, explica Ana, que participa do núcleo de pesquisa Urbanismo, Crítica e Arquitetura (UrCA) do Prourb/FAU.
O processo de transformação ocorrido no subúrbio carioca pode trazer respostas para que o poder público, gestores, arquitetos e urbanistas possam repensar o projeto arquitetônico, as leis e o planejamento urbano da cidade. Várias dessas respostas estão presentes no livro “Aprendendo com os subúrbios cariocas”, lançado por Ana Slade em 2025. Baseada em sua tese de doutorado, a obra, de 192 páginas, foi publicada pela editora Rio Books, por meio do Programa de Apoio à Editoração da FAPERJ.
