quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Setembro Verde: Cristo Redentor recebe projeção e seminário discute importância da doação de órgãos



Setembro Verde: projeção no monumento do Cristo Redentor selou o compromisso da FAPERJ com o fomento a pesquisas voltadas ao transplante de órgãos e tecidos (Foto: Flavia Machado)

Em um gesto simbólico que uniu ciência, fé e solidariedade, o Santuário Cristo Redentor recebeu na noite de sexta-feira, 26 de setembro, uma celebração eucarística em homenagem ao Dia Nacional da Doação de Órgãos. A missa, realizada aos pés de um dos maiores símbolos nacionais de esperança e compaixão, foi promovida pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro (SECTI), por meio da FAPERJ, em parceria com o Consórcio Cristo Sustentável. Logo após a celebração, o monumento ao Cristo Redentor recebeu uma projeção especial e foi iluminado em verde – cor da campanha nacional de conscientização sobre a importância da doação de órgãos, o Setembro Verde. O momento solene foi dedicado à reflexão, gratidão e reconhecimento à generosidade dos doadores e ao papel fundamental da ciência, da inovação e do Sistema Único de Saúde (SUS) no avanço dos transplantes no país.

Em 2024, o Brasil alcançou um recorde histórico de transplantes, com mais de 30 mil procedimentos, representando um crescimento de 18% em relação a 2022. Somente no primeiro semestre de 2023, foram registrados mais de 1.900 doadores efetivos, o maior número da última década, possibilitando a realização de mais de 4.300 transplantes de órgãos sólidos. Houve crescimento expressivo em diversas modalidades: 30% em transplantes de pâncreas, 20% de rins, 16% de coração e 9% de fígado. Os transplantes de córnea também aumentaram em 15%, com 7.810 procedimentos, e os de medula óssea chegaram a 1.838, um crescimento de 6%.

“A ciência tem sido essencial para o avanço dos transplantes no Brasil. A pesquisa e a inovação possibilitam salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de milhares de pessoas. Esta celebração é um tributo à vida e ao poder transformador da generosidade humana”, destacou a presidente da FAPERJ, Caroline Alves.

Para o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Moraes, o momento representou a união entre fé, solidariedade e ciência. “Reunir pessoas no Cristo Redentor para homenagear doadores e profissionais da saúde é uma forma simbólica e poderosa de mostrar que a ciência caminha junto com o amor ao próximo. Celebramos o que há de mais nobre: doar para salvar vidas.”

A celebração contou com a presença de profissionais da saúde, pesquisadores, representantes de associações de pacientes transplantados, familiares de doadores e beneficiários de transplantes. Em parceria com o Consórcio Cristo Sustentável, a FAPERJ também apoiou o Centro de Acolhimento à Mulher Nossa Senhora do Parto, localizado na Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, no Centro do Rio. A iniciativa acolhe e oferece suporte a mulheres, gestantes e puérperas em situação de vulnerabilidade social, a partir dos 14 anos.

O Consórcio Cristo Sustentável é uma aliança estratégica entre três organizações que atuam de forma integrada com o objetivo de promover ações coordenadas voltadas para a sustentabilidade ambiental, social e econômica. A colaboração interinstitucional entre Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor, Obra Social Leste Um - O Sol e Instituto Redemptor viabiliza mudanças e transformações, acelerando a transição para um futuro mais sustentável, promovendo inovação, inclusão, conscientização e equilíbrio entre progresso econômico e preservação ambiental.

Seminário organizado pela FAPERJ e SECTI na Academia Nacional de Medicina discute importância da doação de órgãos

Como parte da programação do Setembro Verde, a FAPERJ uniu esforços à SECTI e promoveu, no auditório da tradicional Academia Nacional de Medicina (ANM), no Centro, um seminário sobre transplantes de órgãos e tecidos. O evento, realizado antes da solenidade no Cristo Redentor, durante a manhã e a tarde do dia 26 de setembro, reuniu especialistas, pesquisadores, gestores, transplantados e seus familiares.

A mesa de abertura contou com a participação da presidente da FAPERJ, do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, do subsecretário estadual de Atenção à Saúde, Caio Souza; e dos médicos acadêmicos José Hermógenes Rocco Suassuna, Carlos Eduardo Brandão Mello, José Osmar Medina de Abreu Pestana, e do vice-presidente da ANM, Ronaldo Damião, que representou a presidente da entidade e diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, e também é pró-reitor de Saúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Abrindo o seminário, foi apresentado um vídeo sobre a conscientização da necessidade da doação de órgãos, com depoimentos de transplantados e destacando a importância do doador manifestar sua intenção à família, que, em última instância, é quem autoriza a doação. Em seguida, Ronaldo Damião deu as boas-vindas, lembrando que o Brasil é o terceiro país que mais realiza transplantes no mundo, mas que a fila de doentes aguardando órgãos ainda é grande, e torna-se imprescindível aumentar ainda mais o número de doadores.
Mesa de abertura do seminário na Academia Nacional de Medicina: a partir da esq., Alexandre Cauduro, Caio Souza, Anderson Moraes, Ronaldo Damião, Caroline Alves, Hermógenes Suassuna e Carlos Eduardo Brandão, e, no telão, o nefrologista José Medina, em participação online (Foto: Paula Guatimosim)


Em uma apresentação online, o médico nefrologista José Osmar Medina de Abreu Pestana, professor da Escola Paulista de Medicina e diretor do Hospital do Rim, lembrou que 90% dos transplantes no Brasil são realizados pelo SUS, que também fornece gratuitamente os medicamentos necessários ao pós-transplante. Ele destacou a importância da Comissão Hospitalar de Transplantes na cadeia, formada por equipe multidisciplinar dentro dos hospitais, com a função principal de organizar o processo de doação e captação de órgãos e tecidos, incluindo a identificação de potenciais doadores, a abordagem e apoio às famílias.

Em seguida, o hepatologista Carlos Eduardo Brandão Melo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e chefe do Ambulatório de Gastroenterologia e Doenças do Fígado do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, lembrou que o primeiro transplante de fígado entre vivos foi realizado no Brasil, em 1988, por uma equipe liderada pelo acadêmico Silvano Raia no Hospital das Clínicas (SP). “Hoje, o transplante de fígado é uma realidade no Brasil”, afirmou.

O nefrologista Hermógenes Rocco Suassuna, coordenador da disciplina de Nefrologia da Faculdade de Ciências Médicas e do Setor de Hemodiálise do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Hupe/Uerj) afirmou que o estado do Rio de Janeiro tem uma atividade transplantadora sólida. Ele ressaltou a importância do seminário promovido pela FAPERJ, destacando que o evento abre um diálogo com a sociedade, também uma das metas da atual gestão da presidente da ANM, Eliete Bouskela.

A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, que há 10 anos precisou fazer um transplante de fígado, lembrou que desde que assumiu a presidência da Fundação, a pedido do secretário de CT&I e do governador do estado do Rio de Janeiro, assumiu a missão histórica de investir em ciência e inovação de forma concreta, com resultados que chegassem ao coração das pessoas. “Sabemos que a ciência sozinha não caminha. Ela precisa de políticas públicas responsáveis, de recursos financeiros e da união entre governo, universidades, hospitais e sociedade civil”, ressaltou. Entre as ações de apoio da FAPERJ, Caroline destacou o financiamento de grande porte direcionado do edital Fronteiras da Ciência e o apoio ao setor de transplantes de órgãos do Hospital Pedro Ernesto. “Cada transplante realizado é a vitória da vida sobre a doença”, disse Caroline, que também destacou o papel importante e a solidariedade das famílias, que mesmo em um momento de dor profunda, escolhem salvar a vida de outra pessoa.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação parabenizou os médicos e pesquisadores pelos trabalhos que realizam na área de transplantes e colocou a FAPERJ à disposição do setor. “A partir de agora me torno um doador de órgãos”, disse Moraes.

Em seguida, o acadêmico Antônio Braga Neto, diretor da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, que vem desenvolvendo seus estudos por meio do programa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, lembrou que a história do transplante no País muito se deve ao estado do Rio de Janeiro. Destacou a importância do biólogo Peter Brian Medawar, nascido em Petrópolis, que ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 1960 por descobrir os princípios da tolerância imunológica adquirida, fundamental para entender o mecanismo de rejeição de órgãos transplantados. Ele discorreu sobre como funcionam os diversos programas de apoio da FAPERJ, que já financiou 240 projetos e concedeu 389 bolsas a pesquisas relacionadas a transplantes, além de apoiar editais temáticos que se relacionam ao tema e modernizar e ampliar a infraestrutura de hospitais e laboratórios que apoiam a atividade no estado do Rio de Janeiro. “Precisamos chegar a quem precisa”, afirmou.

“Onde estamos e onde precisamos chegar” foi o tema abordado pelo cardiologista pediátrico Alexandre Cauduro, diretor-geral da Central Estadual de Transplantes do RJ. “Os números são positivos, mas a luta é constante para dar acesso a quem precisa”, disse, reconhecendo que o Programa Estadual de Transplantes deu um impulso na atividade no estado, tornando o transplante mais acessível à população, mas que a média estadual é de 23 doadores por um milhão de habitantes, enquanto no estado de Santa Catarina, por exemplo, é de 45 doadores por milhão. Cauduro também apresentou o ranking de hospitais que mais realizam transplante no estado, liderado pelo Hospital Municipal Adão Pereira Nunes, Hospital Estadual Getúlio Vargas e Hospital Geral de Nova Iguaçu.
A presidente da FAPERJ, que já passou por um transplante de fígado, destacou o papel dos cientistas fluminenses para o avanço dos transplantes no estado, e a importância da conscientização social sobre a necessidade da doação de órgãos (Foto: Paula Guatimosim)




O médico destacou a importância da educação continuada das equipes, baseada no modelo espanhol (também adotado por Santa Catarina), com a oferta de cursos de capacitação sobre as diversas etapas do processo de doação de órgãos. Esse aperfeiçoamento da abordagem e convencimento das famílias em doar órgãos de seus familiares fez com que a taxa de negação caísse de 50% para 27%. Cauduro disse que muitas famílias têm dificuldade de entender a morte encefálica, e acreditam que a morte só ocorre com a parada do coração. Mas a parada cardíaca impede que o coração seja aproveitado para doação e pode ser um complicador inclusive para a preservação de outros órgãos. Segundo Cauduro, os órgãos mais transplantados no Rio de Janeiro são rim e fígado, sendo que em 2024 foram realizados 591 transplantes de rim. Só no primeiro semestre de 2025 foram realizados 5.175 transplantes de diversos órgãos, mas o estado possui 9.413 pacientes em diálise. Já quem precisa de córnea aguarda de quatro a cinco anos na fila.

Chefe do Serviço de Cirurgia Abdominal e Transplante Hepático do Hospital Adventista Silvestre, Eduardo Fernandes destacou os avanços técnicos do transplante, como o transplante intervivos e multivisceral, a máquina de perfusão (equipamento que funciona como um coração e pulmão artificiais e aumenta a viabilidade do órgão) e o transplante oncológico, que utiliza células-tronco no tratamento. Em sua apresentação, Fernandes mostrou vários exemplos de transplantes bem-sucedidos, inclusive de órgãos múltiplos. O médico chamou atenção para o que considera a “epidemia do século”, a obesidade, causadora de diversas doenças, como a esteatose hepática e a cirrose, e concluiu ressaltando a necessidade de se estimular jovens médicos a trabalharem com transplantes.

Primeira médica a realizar um transplante de rim no Hospital Geral de Bonsucesso, onde ajudou a criar o programa de transplante renal, Deise Monteiro de Carvalho é a médica responsável pelo maior número de transplantes realizados na história do Rio de Janeiro. Com uma bagagem de mais de dois mil transplantes realizados, ela traçou uma linha do tempo, lembrando que o primeiro transplante de rim realizado no Brasil ocorreu em 1964, no Hospital dos Servidores do Estado (HSE) do Rio de Janeiro. O paciente, de 18 anos, recebeu o rim de uma criança, mas veio a óbito posteriormente. Segundo ela, outro marco foi o ano de 1986, quando foi criado o Programa Integrado de Transplante de Órgãos (Pito), e instituída a fila única. Este ano também marcou a criação da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Onze anos mais tarde, em 1997, ela considera que foi iniciada uma fase mais profissional, com a criação do Sistema Nacional de Transplante (SNT), com a lista unificada nacional.

Na trilha da popularização do transplante e sensibilização de doares, a acadêmica relembrou o Carnaval de 2003, quando a escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel levou para a avenida o enredo "Para Sempre No Seu Coração - Carnaval da Doação", celebrando a doação de órgãos e o transplante. Outro marco importante para a médica foi em 2010, quando foi criado o Programa Estadual de Transplantes (PET) no Rio de Janeiro. Em 2013, segundo ela, o Hospital São Francisco passa a ser uma nova referência entre os 21 outros hospitais credenciados, tendo realizado quase 600 transplantes de rim até hoje. Segundo a médica, 800 milhões de pessoas são doentes renais em todo o mundo, sendo que no Brasil eles chegam a 10 milhões. Ele lembrou que no País há mais de 10 mil pacientes em diálise, dos quais apenas 1658 na fila do transplante renal. A Dra. Deise afirmou que o custo-benefício do transplante é muito superior ao do tratamento com diálise, além de ser ecologicamente correto, reduzindo o uso de água e o descarte de plástico. “Transplante não é cura, é tratamento”, afirmou Deise, ressaltando que o acompanhamento de pacientes e os cuidados pós-cirurgia ainda representam um gargalo no País. Para ela, a doença renal pode se tornar uma epidemia no futuro.

Na sequência, o cirurgião cardiovascular e acadêmico Alexandre Siciliano, do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), atribuiu à estruturação do INC o crescimento sustentável dos transplantes de coração no Rio de Janeiro. Destacou que 46% dos transplantados no estado têm hoje uma sobrevida de 10 anos, muito próximo da média nacional de 50%. Ele acredita que esse sucesso se deve ao crescimento e treinamento das equipes de cirurgiões cardiovasculares, que passaram de apenas uma em 2012 para seis em 2025. Único hospital público que realiza transplantes cardíacos no estado do Rio de Janeiro, o INC é o segundo centro que mais realiza cirurgias de cardiopatias congênitas no Brasil e realiza 100% dos transplantes em crianças. Siciliano contou um dos casos de doação que emocionaram os brasileiros. Trata-se do técnico da equipe alemã de canoagem Stefan Henze, que faleceu durante as Olimpíadas de 2016 no Rio decorrente de um traumatismo craniano em um acidente de automóvel e a família doou seu coração.

Ao fazer um panorama do transplante de pâncreas no Rio de Janeiro, o cirurgião Pedro Túlio Rocha, do Hospital São Lucas, chamou a atenção para o agravamento do problema da obesidade e da diabetes no Brasil. O médico lembrou que a Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, é referência em transplante de pâncreas, no Brasil foi o Hospital Silvestre o pioneiro neste tipo de transplante, tendo realizado 68 transplantes de pâncreas isolado. Segundo ele, o início do Programa Estadual de Transplantes do RJ ajudou a viabilização de 66 transplantes de pâncreas-rins, mas, segundo ele, falta maior participação do estado para aumentar o número de cirurgias, já que o valor pago pelo SUS é insuficiente para remunerar a cirurgia.

Na parte da tarde, a importância da inovação para os transplantes foi tema da apresentação do médico Luís Cristóvão Porto, doutor em Biologia Humana pela Université Claude Bernard-Lyon (França) e coordenador do Laboratório de Histocompatibilidade e Criopreservação do Núcleo Tecnológico em Reparo Tecidual e Histocompatibilidade da Uerj. “Hoje não se vive sem a inovação na área de transplante”, afirmou. Em sua palestra, ele informou que as ferramentas de busca na internet resultaram em 363 publicações para a palavra transplante, mas também outras tantas ligadas a métodos, terapias e células-tronco. Outras áreas que apresentam avanços e devem ser destacadas, na sua opinião, são as células hematopoiéticas (que dão origem a todos os tipos de células do sangue e do sistema imune), o condicionamento dos pacientes para o transplante, a evolução dos procedimentos cirúrgicos, a preservação dos órgãos e a descoberta de novos biomarcadores para auxiliar no tratamento dos pacientes. Tudo isso com a ajuda da Inteligência Artificial e o Aprendizado de Máquina.

Porto discorreu ainda sobre a histocompatibilidade (compatibilidade entre células, tecidos ou órgãos de diferentes indivíduos) de antígenos e de gens, fundamental para a realização de um transplante, lembrando que mesmo entre irmãos apenas 25% têm compatibilidade de genes, mas explicou que a medicina regenerativa vem abrindo novos caminhos a partir das pesquisas com células HLA (sistema de antígenos leucocitários humanos). Ele informou que na Uerj os pesquisadores estão formando um biobanco de células, a partir de seis diferentes linhagens, capazes de atender a 64% da população.

O cirurgião Ronaldo Esmeraldo, chefe do Serviço de Transplante Renal do Hospital Geral de Fortaleza (CE), compartilhou sua experiência à frente da unidade, que já realizou mais de três mil transplantes. Ele explicou as diferenças de transplantes de rim de Doador Falecido (DF) e Doador Gratuito Falecido (GDF). Estes são doadores de órgãos que não têm um parente ou amigo específico aguardando um transplante, ao contrário dos Doadores Falecidos. Esmeraldo contou ainda que o Governo do Ceará investiu na estruturação da Central de Perfusão Hipotérmica do Hospital Geral de Fortaleza, a primeira da América Latina, composta por seis máquinas.

Os fundamentos da Manutenção Clínica do Potencial Doador Falecido foi tema da apresentação do diretor da Central Estadual de Transplantes do Estado do Rio de Janeiro, Alexandre Cauduro. Segundo o médico, que se baseou em aula do professor Glauco Westphal, o processo de morte encefálica provoca uma tempestade simpática que pode comprometer todos os órgãos a serem doados para o transplante, devido à falta de oxigenação. Por isso, esclarece que a principal preocupação com o doador é manter os níveis de oxigênio estáveis.

Cauduro esclareceu que as equipes utilizam o protocolo VIP (ventilação, infusão e pressão) para manter as condições adequadas dos pulmões, por exemplo. No caso de doadores com diabetes insipidus, há possibilidade de combater a doença com hormônios antidiuréticos. Nos transplantes de coração, Cauduro sugere a realização de ecocardiograma para avaliação da contratilidade ventricular de preferência 24 horas após o óbito. Já no caso de paciente falecido devido à sepse ou infecção, a administração de antibióticos associada ao protocolo VIP aumenta a viabilidade dos órgãos. Até mesmo no caso de parada cardíaca, o médico aponta para formas de aproveitamento dos órgãos sólidos e no futuro, até mesmo o próprio coração, no caso de pacientes que venham a óbito no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), que já estejam monitorados.

A parte final do seminário emocionou a todos, com depoimentos de transplantados e familiares de doares. Com uma energia invejável, a empresária do comércio varejista Regina Helena de Oliveira, contou que se tornou paciente renal aos 31 anos, perdeu um rim e passou a depender de hemodiálise. Após um ano, perdeu o outro rim e conseguiu fazer o transplante com o cirurgião Lucio Pacheco. Foram 19 anos de hemodiálise, enfrentando todas as dificuldades e consequências do tratamento, o que não a impediu de viajar pelo mundo e pelo Brasil. Foi apenas no início de 2024 que ela conseguiu outro doador compatível e pôde fazer o segundo transplante. Já Heloisa Helena Barbosa foi trazida de Três Rios, munícipio localizado a 125 km ao norte da capital, para dar seu depoimento, pois quando o assunto é transplante bem-sucedido, Heloisa é garota-propaganda. Ela precisou fazer um transplante renal com apenas 18 anos e hoje, 50 anos depois, já passou por cirurgia para a retirada de um câncer no outro rim. Com 47 anos dedicados ao ensino e à pesquisa na Uerj – cinco como aluna, 42 como docente – recebeu em 2024 o título de Professora da Faculdade de Direito.

Já os irmãos Alexandre e Eduardo da Silva Cardoso se emocionaram ao descrever o doloroso processo de acatarem o último desejo de sua mãe, Selma Maria, de ajudar o próximo mesmo após sua morte. Foram quatro dias até que os irmãos, orientados pela enfermeira Cândida, no Hospital de Tanguá, entenderam o que significava a morte encefálica. Eles apresentaram um vídeo gravado no hospital e a música "Como É Grande o Meu Amor Por Você", de Roberto Carlos, que a mãe sempre cantava para eles.

Por último, “O reverso da medalha: a visão do cirurgião transplantador como transplantado” foi o depoimento do médico Lúcio Pacheco. Chefe de transplantes hepáticos dos hospitais Quinta D’Or e Barra D’Or e com a experiência de mais de 1400 transplantes de fígado realizados, sendo pioneiro no transplante intervivos com monosegmento (pediátrico), Lucio contou que nunca havia passado pela sua cabeça a possibilidade de um dia necessitar de transplante. Foi um exame de sangue de rotina durante a pandemia de Covid-19 que revelou o câncer no fígado. Enquanto o número normal do marcador tumoral é 10, e o dele estava em 10 mil. A notícia foi dada por sua esposa, a hepatologista Elizabeth Balbi, que também integra a sua equipe. Pacheco conta que precisou iniciar quimioterapia, para baixar o marcador tumoral, e na dúvida sobre quem deveria fazer sua cirurgia de transplante foi surpreendido por sua instrumentadora, que elogiou a capacidade de sua equipe, cujo integrante mais velho tinha apenas 39 anos. Foram vários dias conversando com a equipe e alertando para as complicações possíveis, uma vez que ele possuía uma trombose. A cirurgia de transplante foi um sucesso. Apesar de, no pós-operatório, ter precisado tomar 19 medicações diferentes, com um mês e 20 dias de transplantado já estava operando de novo. “Se hoje estou vivo foi porque uma família disse sim à doação”, finalizou.


Autor: Cristina Cruz e Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 02/10/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=876.7.3

Canetinhas para emagrecimento podem auxiliar no tratamento do Alzheimer



A partir da esq., a nutricionista e doutoranda Julie Bittencourt, a professora Márcia Águila, coordenadora do projeto, e a bióloga Thatiany Marinho (Foto: Lécio A. Ramos/FAPERJ)

Elas ficaram conhecidas como “canetinhas do emagrecimento”, mas podem representar algo muito maior: uma possível arma contra doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) estão conduzindo um estudo inédito sobre os efeitos da tirzepatida (Mounjaro). Criados para o tratamento do diabetes tipo 2, esses medicamentos se destacam não apenas pela eficácia contra a obesidade, mas também pelo impacto sobre o metabolismo cerebral.
De onde surgiu a ideia

A professora Márcia Águila, coordenadora do projeto, conta que a pesquisa começou a partir de resultados obtidos com outros análogos do GLP-1, hormônios que regulam glicemia e apetite.

“O primeiro que estudamos foi a liraglutida, usada contra o diabetes do tipo 2. Depois veio a semaglutida, mais conhecida como Ozempic, que já mostrou benefícios não só na glicemia, mas também no controle do peso, na ilhota pancreática e célula beta (que produz insulina) e até da esteatose hepática. A tirzepatida, o Mounjaro, representa a evolução dessa classe, por atuar em dois alvos ao mesmo tempo. Foi aí que pensamos: se funciona em obesidade, diabetes e fígado, por que não investigar também seus efeitos sobre doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer?”, explica.

O modelo em animais

Para avaliar os efeitos do medicamento, a equipe desenvolveu um modelo experimental em camundongos fêmeas obesos, diabéticos e menopausados — condições comuns em pacientes humanos. Duas publicações relevantes foram feitas em 2025 na prestigiosa revista Diabetes, Obesity and Metabolism (ou simplesmente DOM) e também na revista Life Sciences.

“Esse modelo é pouco utilizado, mas muito relevante. Ele nos permite avaliar de forma mais realista os efeitos do medicamento em situações que reproduzem a clínica dos pacientes. E os resultados já mostraram benefícios importantes: redução da glicemia, da esteatose hepática e perda de peso”, relata a nutricionista e doutoranda Julie Bittencourt, que conduz parte do experimento.

Na próxima etapa, os pesquisadores vão investigar a relação entre obesidade, diabetes e alterações cognitivas. Para isso, uma substância será aplicada em animais de laboratório para induzir neuroinflamação, e então será testado o impacto da tirzepatida.

“Queremos verificar se, além dos efeitos metabólicos, a tirzepatida pode ter ação anti-inflamatória no sistema nervoso central. Em modelos de obesidade e diabetes, já observamos alterações cognitivas semelhantes às vistas no Alzheimer. Nossa proposta é analisar se há melhora nesses parâmetros após o tratamento”, detalha Julie.

Para além do peso

A bióloga Thatiany Marinho, que recebe uma bolsa de Pós-doutorado Nota 10 da FAPERJ para a realização de suas pesquisas, também integrante da pesquisa, lembra que a obesidade é um fator de risco que abre caminho para várias doenças crônicas.

“Quando falamos de obesidade, não estamos tratando apenas de estética ou peso corporal. Ela está ligada ao diabetes, às doenças hepáticas e cardiovasculares e, cada vez mais, ao risco de doenças neurodegenerativas. O que buscamos é entender se esses medicamentos podem atuar como prevenção e/ou tratamento, diminuindo a progressão desses quadros”, afirma.

Alzheimer como 'diabetes tipo 3'

A relação entre diabetes tipo 2 e Alzheimer é sugerida há algum tempo. Alguns cientistas, inclusive, já chamam a doença neurodegenerativa de “diabetes tipo 3”, pela semelhança dos mecanismos ligados à resistência à insulina no cérebro.

“Sabemos que há uma ligação importante entre metabolismo e saúde cerebral. Se conseguimos controlar processos como inflamação e resistência à insulina, podemos abrir caminho para novas estratégias de tratamento do Alzheimer”, reforça Márcia Águila.

Ciência feita no Rio

O estudo é liderado pelo professor Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda, um dos cientistas mais produtivos da Uerj, com mais de 380 artigos publicados e reconhecimento internacional. Ao lado de Márcia Águila e de outras jovens pesquisadoras, como Vanessa de Souza Mello e Thereza Lonzetti Bargut (da UFF Nova Friburgo), o grupo se destaca pela abordagem multidisciplinar, unindo morfologia, metabolismo, nutrição e farmacologia. O grupo inclui também a participação de Luiz Eduardo Cardoso, Sandra Barbosa da Silva, Alinne Penna de Carvalho, Pedro Henrique Reis Barbosa e Flavia Veiga da Silva.

Para a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, o projeto tem impacto direto na saúde pública. “É uma pesquisa de enorme relevância social e científica. Estamos falando de doenças que impactam milhões de brasileiros e sobre as quais ainda temos poucas alternativas terapêuticas. Ver que uma linha de investigação da Uerj pode abrir caminhos tanto para a prevenção quanto para o tratamento de condições como Alzheimer, diabetes e obesidade é motivo de orgulho para todos nós. A ciência fluminense mostra, mais uma vez, sua capacidade de inovar e propor soluções para os grandes desafios da saúde pública”, afirma.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 11/09/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=861.7.4

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Escolas Interdisciplinares FAPESP 2025 já estão com inscrições abertas


A FAPESP promoverá nos meses de novembro e dezembro, na cidade de São Paulo, mais uma edição das Escolas Interdisciplinares, que reunirão ao longo de cinco dias bolsistas de pós-doutorado de todo o país e pesquisadores renomados, do Brasil e do exterior, de várias áreas do conhecimento. As inscrições já estão abertas e vão até 30 de setembro.

Entre 10 e 14 de novembro ocorrerá a Escola Interdisciplinar FAPESP 2025: Ciências Exatas e Naturais, Engenharia e Medicina. E de 1 a 5 de dezembro será realizada a Escola Interdisciplinar FAPESP 2025: Humanidades, Ciências Sociais e Artes. Ambas serão sediadas no Instituto Principia, próximo à avenida Paulista. São oferecidas 120 vagas no total, 60 para cada evento.

Inspirada na iniciativa Lindau Nobel Laureate Meetings, a série de encontros busca oferecer a jovens cientistas a oportunidade de conhecer a pesquisa científica de vanguarda desenvolvida no Brasil e no exterior, além de interagir com pesquisadores considerados referências em suas áreas de atuação e com outros pós-doutorandos, de modo a estabelecer laços profissionais duradouros. Os participantes também poderão expor seus trabalhos em apresentações orais e na forma de pôsteres.

“Os palestrantes convidados são grandes lideranças em suas áreas e vão abordar temas atuais com os quais estão trabalhando. Também falarão sobre o desenvolvimento de suas carreiras, mostrando aos jovens cientistas – que em breve estarão buscando se inserir no mercado de trabalho – como chegaram ao ponto que estão hoje”, conta à Agência FAPESP Oswaldo Baffa Filho, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP) e coordenador da comissão organizadora dos eventos.

Baffa também explica que, diferentemente das Escolas São Paulo de Ciência Avançada (ESPCAs), que são focadas em um único tema, tratado em profundidade, as Escolas Interdisciplinares buscam conectar diferentes áreas do conhecimento, mostrar suas características e seus métodos peculiares de investigação.

Processo seletivo

Podem concorrer a uma das 120 vagas pesquisadores em nível de pós-doutorado financiados por agências de fomento nacionais. Os inscritos que atenderem aos critérios de elegibilidade descritos nos editais serão selecionados por sorteio.

Metade das vagas é reservada a bolsistas que atuam no Estado de São Paulo e metade aos demais Estados da federação. Como destaca Baffa, a diversidade étnica e de gênero também será levada em conta no processo seletivo. “Queremos ver refletida entre os participantes a diversidade da população brasileira”, afirma.

Os participantes terão as despesas com deslocamento, acomodação e alimentação totalmente custeadas pela FAPESP. “Os pós-doutorandos que recebem bolsa da FAPESP não precisarão usar recursos da Reserva Técnica. Será oferecido um valor extra para o evento”, diz Baffa.

Temas em destaque

Parte da programação será comum às duas Escolas Interdisciplinares de 2025. A abertura dos eventos contará com a presença do presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, que falará sobre o papel da Fundação no apoio à futura geração de cientistas. Em uma das tardes haverá uma visita guiada ao Museu Paulista da USP, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga. Na ocasião, os participantes poderão conhecer em detalhes como a ciência contribuiu para o processo de restauração do edifício e das peças do acervo. E o professor da USP Emmanuel Burdmann, membro do comitê organizador dos eventos, ministrará um workshop sobre como elaborar um projeto de pesquisa com chances de ser aprovado por uma agência de fomento.

A Escola de Ciências Exatas e Naturais, Engenharia e Medicina terá como palestrantes Felicia Keesing, ecologista e professora do Bard College (Estados Unidos); Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa); Anthony Watts, professor de bioquímica na Universidade de Oxford (Reino Unido) e presidente da Sociedade Europeia de Biofísica; Alysson R. Muotri, professor da Universidade da Califórnia em San Diego (Estados Unidos), onde dirige o Programa de Células-Tronco; Margareth Dalcolmo, médica e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Andrew Smyth, engenheiro e professor da Universidade Columbia (Estados Unidos); Anderson Rocha, professor do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); e Esper Cavalheiro, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Entre os temas previstos estão prevenção de zoonoses, questões éticas relacionadas ao uso de inteligência artificial, envelhecimento e longevidade e cidades inteligentes. Haverá ainda um workshop sobre como combater a desinformação e o negacionismo científico, que será ministrado pela professora da Unifesp Soraya Smaili, também membro da comissão organizadora.

Os palestrantes da Escola Interdisciplinar FAPESP 2025: Humanidades, Ciências Sociais e Artes serão Eduardo Góes Neves, diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP; Dorothy M. Fragaszy, primatologista e professora da Universidade da Georgia (Estados Unidos); Carolyn Parkinson, neurocientista e professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Estados Unidos); Robert Frank, economista e professor da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne; Márcia Thereza Couto, cientista social e professora da Faculdade de Medicina da USP; Gil Jardim, maestro honorário da Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicação da USP; Esper Cavalheiro (Unifesp), Emília Pietrafesa de Godoi, antropóloga e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); e João Ricardo Sato, neurocientista e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC).

“Teremos a apresentação de trabalhos de diferentes áreas – como arqueologia e antropologia, história, psicologia, neurociências, música e ética –, tratando de temas que incluem o uso de ferramentas por primatas, herança cultural, o papel de redes sociais nas conexões interpessoais, relações internacionais, desafios da saúde pública contemporânea, a música de Villa-Lobos, relações entre arte, ciência e educação”, conta a professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Deisy das Graças de Souza, membro da comissão organizadora, que também conta com a participação de Gabriela Pellegrino Soares (USP), João Sette Whitaker Ferreira (USP) e Nancy Lopes Garcia (Unicamp).

Avaliação dos participantes

A FAPESP solicitou aos jovens cientistas que participaram das Escolas Interdisciplinares de 2024 que preenchessem de forma anônima uma avaliação dos eventos, que foram realizados em Itatiba, no interior paulista, entre 8 e 12 de dezembro. Confira abaixo trechos de alguns depoimentos.

“Gostei muito da proposta imersiva de reunir pesquisadores em um local e passar alguns dias entre atividades e trocas de experiências e conhecimentos. Acredito que esse formato é muito mais interessante do que um congresso, colóquio, seminário etc., pois nos estimula a conhecer melhor outras pesquisas que são distantes do nosso campo e que igualmente podem despertar novas ideias, novas metodologias ou também estabelecer outros laços – importantes também em um tipo de trabalho que muitas vezes se faz solitariamente.”

“As palestras das professoras Laura de Mello e Souza e Cristina Rocha trouxeram muitos bons conselhos aos jovens pesquisadores. Foi uma troca entre gerações de acadêmicos em Humanidades, foi muito bom.”

“Antes de participar da Escola eu encarava esse evento como uma despedida de minha carreira científica, pois ser cientista no Brasil é muito desanimador, faltam bolsas, faltam concursos. Eu estava pronto para mudar para a área operacional e abandonar a ciência... e esse evento me mostrou que todos estamos na mesma situação, que é difícil para todos e que precisamos seguir em frente e continuar. Esse evento me ensinou a não desistir por mais difícil que seja e, o que antes era uma despedida, se tornou um renascimento da minha vontade de trabalhar com ciência.”

“Adorei ouvir em detalhes as experiências de pesquisadoras como a Laura de Mello e Souza e Cristiana Bastos. Elas ajudam a enriquecer nosso imaginário sobre dificuldades humanas e metodológicas da pesquisa e meios de lidar com elas.”

“Gostei muito da palestra do Patrick Heller. Sua perspectiva comparada me ajudou a pensar em novas possibilidades analíticas e interpretativas.”

“Foi uma ótima oportunidade de poder apresentar minha pesquisa em outra língua [um bom treino!], como também aproveitar a oportunidade para comentar a pesquisa de colegas, bem como ouvir comentários sobre a minha pesquisa.”

“Eu tentei compreender as pesquisas que não eram relacionadas à minha área, fazer networking, associar áreas diferentes que podem ser de alguma maneira relacionadas à minha.”

“Todos os temas abordados contribuíram significativamente para meu desenvolvimento profissional e acadêmico. A primeira palestra, ministrada por Leandro M. Colli, despertou em mim a ideia de aplicar a análise de probabilidade de risco apresentada em novos contextos, como na avaliação da probabilidade de adoção de tecnologias digitais por pequenos e médios agricultores. Já a segunda palestra, conduzida por Philip Fearnside, destacou, com base em dados e na aplicação rigorosa da metodologia científica, a vulnerabilidade do bioma Amazônia diante das mudanças climáticas. Ele também evidenciou como obras de infraestrutura, como a rodovia BR-319, favorecem o avanço do desmatamento, resultando na perda de estoques de carbono e agravando os efeitos das mudanças climáticas. Por fim, a sensibilidade artística do cineasta Takumã Kuikuro trouxe uma reflexão profunda ao compartilhar suas criações, inspirando-nos a repensar nossas ações em defesa da Amazônia, bem como da rica cultura e dos saberes das comunidades indígenas.”

“A palestra da dra. Sylvie Brouder, por ser mais alinhada à minha área de pesquisa, foi de grande importância para meu desenvolvimento. Porém, a palestra da dra. Annalisa Buffa também mostrou como a interdisciplinaridade é indispensável para nosso desenvolvimento acadêmico, científico e inovativo.”

Mais informações em: fapesp.br/escolasfapesp2025.


Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 16/09/2025
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/escolas-interdisciplinares-fapesp-2025-ja-estao-com-inscricoes-abertas/55879

Para jovens cientistas, abordagem integrada é essencial para mitigar efeitos das mudanças climáticas


Jovens cientistas dedicados ao estudo das mudanças climáticas têm a consciência de que seu trabalho deve ser feito em rede, integrando diferentes conhecimentos e setores da sociedade, longe de ficar restrito aos muros das instituições de pesquisa. Isso é verdade pelo menos para os participantes do encontro “Vozes do Futuro: Perspectivas de Jovens Cientistas FAPESP para a COP30”.

Realizado na quarta-feira passada (10/09) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o evento foi promovido no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). As palestras e debates foram transmitidos on-line, com sessões na parte da manhã e da tarde.

“O evento foi totalmente sugerido e planejado pelos jovens cientistas, pelo fato de a FAPESP ter o Programa Jovem Pesquisador, mas vai além deles. Tem estudantes de mestrado e doutorado que participaram ativamente da organização”, disse na abertura Luiz Aragão, membro da coordenação do PFPMCG.

“As mudanças climáticas têm sido debatidas pelas pessoas que causaram e não viverão essas mudanças. E as soluções estão ancoradas nas pessoas que virão a tomar decisões no futuro. Tendo a COP30 na nossa porta, aproveitamos a oportunidade para trazer esse conhecimento fomentado pela FAPESP para que fosse debatido de forma a gerar informações que pudessem ser utilizadas futuramente”, afirmou Aragão, que é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“Somos de uma geração que não entendia que tinha de cuidar do planeta. Ver essa mudança de comportamento nos jovens de hoje nos deixa muito felizes”, disse Ana Maria Frattini Fileti, pró-reitora de pesquisa da Unicamp.

O caráter multidisciplinar das apresentações deu a tônica da abordagem com que a crise climática deve ser enfrentada, uma vez que os diferentes problemas gerados pelo aumento global das temperaturas exigem soluções complexas, segundo os palestrantes. Mais do que pesquisas, será necessária uma interlocução com diferentes setores da sociedade, terceiro setor, setor empresarial e governos.

“A janela pré-COP é importante para escolher temas críticos e comunicá-los antes do debate dentro da conferência. O objetivo aqui é dar voz a todos os jovens pesquisadores, principalmente nos tópicos de aquecimento global acima de 1,5 °C, redução das emissões de carbono, soluções baseadas na natureza, transição energética, cidades resilientes, biodiversidade, justiça climática e implementação da ciência”, afirmou Jeniffer Natalia Teles, uma das organizadoras do evento, que realiza pós-doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP) com bolsa da FAPESP.

Raquel Tupinambá, liderança indígena e doutoranda em antropologia na Universidade de Brasília (UnB), fez um histórico do processo de ocupação da Amazônia, desde os povos originários até o modelo de desenvolvimento baseado na derrubada da floresta e consequente emissão de gases do efeito estufa. A liderança lembrou a necessidade de justiça climática.

“Grupos que menos emitem gases de efeito estufa são os mais afetados pelas emissões. É uma questão ética e política a reparação de desigualdades históricas e é preciso responsabilizar os maiores emissores, ao mesmo tempo garantindo direitos e reparação para os maiores afetados”, disse.

Multidisciplinar

Os jovens pesquisadores apoiados pela FAPESP que se apresentaram no evento estudam temas tão diversos quanto a previsibilidade das mudanças climáticas e as perspectivas para a biodiversidade e os ecossistemas frente às mudanças globais; desigualdades no acesso aos benefícios da natureza urbana; e recifes de coral num oceano em mudança.

Por sua vez, Monique Ribeiro Polera Sampaio realiza doutorado no Inpe com bolsa da FAPESP sobre a comunicação de riscos de desastres ambientais. Como parte de seu estudo, submeteu um questionário no final de 2024, respondido por 5.344 pessoas em todo o Brasil. Divulgado em fevereiro de 2025 pela Agência FAPESP, teria tido um aumento considerável no número de respondentes, segundo a doutoranda (leia mais em: agencia.fapesp.br/53843).

“Para entender as estratégias da comunicação de risco que de fato estão funcionando, as lacunas que se observam na percepção da população brasileira, é preciso compreender como a população está avaliando as estratégias vigentes de comunicação de riscos”, contou.

A frequência com que as pessoas já passaram por desastres ambientais surpreendeu os pesquisadores, com 67,3% afirmando já ter vivido ao menos um dos desastres listados, como inundação, deslizamento de terra, onda de calor, seca e incêndio. Só entre 2023 e 2024, mais de 50% dos respondentes havia vivido um desastre. Enquanto a inundação era o evento mais recorrente ao longo da vida, as ondas de calor foram mais vividas no último ano.

Por mais de uma vez no evento se ressaltou a necessidade de aplicar as pesquisas em políticas públicas. “Está na hora de o pesquisador sair um pouco do seu laboratório e estar presente como parte ativa do mundo real. É um gasto de tempo e de energia lidar com ONGs, poder público, é uma burocracia adicional. Mas é algo que vale a pena, com seus resultados de pesquisa sendo usados para conservar espécies e áreas que parecem singulares, por exemplo”, disse Thais Guedes, professora do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro, e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

Algumas propostas voltadas para políticas públicas incluem incentivos financeiros para serviços ecossistêmicos, apresentados por Patricia Guidão Cruz Ruggiero, e propostas de exploração bioeconômica de produtos da restauração florestal, apresentadas por Pedro Krainovic (leia mais em: agencia.fapesp.br/55860). Ambos são pesquisadores do BIOTA Síntese, um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) apoiado pela FAPESP.

Para assistir ao evento na íntegra, acesse: youtube.com/watch?v=g5QmQuVAddY (manhã) youtube.com/watch?v=h44F3xzggdw&t=3s (tarde).





Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 17/09/2025
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/para-jovens-cientistas-abordagem-integrada-e-essencial-para-mitigar-efeitos-das-mudancas-climaticas/55873

Projetos bilaterais entre SP e RJ em tecnologias quânticas serão apoiados


Chamada visa fomentar colaborações que favoreçam avanços disruptivos na área e a nucleação de grupos de pesquisa com atuação internacional

A FAPESP anuncia o lançamento de uma chamada em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) que visa apoiar projetos cooperativos entre os estados para pesquisa científica e tecnológica na área de tecnologias quânticas.

As propostas deverão ser elaboradas conjuntamente por um pesquisador responsável (PR) vinculado a uma instituição de ensino superior e pesquisa de São Paulo, de um lado, e por um PR do estado do Rio de Janeiro, do outro.

FAPESP e FAPERJ disponibilizarão, cada uma, R$ 15 milhões para apoio aos projetos selecionados. Os projetos poderão ter duração máxima de 36 meses (renováveis por mais 12) e um teto orçamentário de R$ 3 milhões, excluindo-se valores de Reserva Técnica.

A participação da FAPESP na chamada ocorre por meio do Programa QuTIa (Quantum Technologies InitiAtive) em Tecnologias Quânticas, que visa promover o desenvolvimento de um ecossistema nacional em tecnologias quânticas e impulsionar a liderança científica e tecnológica de São Paulo e do Brasil em múltiplas áreas do conhecimento.

Serão priorizadas propostas ligadas aos três grandes ramos das tecnologias quânticas – sensoriamento, comunicação e computação – sendo que trabalhos competitivos sobre tecnologias Quantum 1.0 a 2.0 também são elegíveis. Propostas teóricas e experimentais serão aceitas, com preferência para experimentos integrados a pesquisas teóricas.

É desejável que os temas de pesquisa complementem de forma disruptiva as iniciativas já existentes nos respectivos estados, promovendo avanços ousados e inovadores em relação ao que já foi desenvolvido isoladamente pelos grupos proponentes.

Espera-se que os projetos submetidos sejam liderados por pesquisadores que demonstrem excelência científica, com histórico comprovado de realizações relevantes na área de tecnologias quânticas ou em tecnologias habilitadoras com aplicação clara e impacto nesse campo. Os proponentes devem apresentar capacidade de liderança e potencial para nucleação ou consolidação de grupos de pesquisa com atuação inovadora e inserção internacional.

Os proponentes do lado paulista também devem atender aos critérios de elegibilidade do instrumento de fomento que será empregado pela FAPESP para esta Chamada – a modalidade Auxílio à Pesquisa – Temático.

Propostas devem ser redigidas em inglês e submetidas até 13 de outubro, simultaneamente, pelo PR paulista por meio do SAGe (fapesp.br/sage) e pelo PR fluminense junto à FAPERJ. A avaliação das propostas ficará a cargo de um painel de especialistas indicado conjuntamente pelas agências de fomento.

A chamada está disponível em fapesp.br/17730.




Autor: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data: 11/09/2025

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Lutando desde o primeiro minuto

Desde o momento em que os ovos eclodem, estes animais têm de lutar pela sobrevivência: o seu objectivo é deixar a praia o mais rápido possível, pois as aves e outros predadores aguardam este momento para se banquetear. De cada cem crias, apenas algumas dezenas conseguem chegar à água, mas isso também não é a salvação definitiva.

Um pormenor crucial é que a sua carapaça ainda não está totalmente endurecida: ao nascer, ela é macia e flexível, o que facilita a eclosão, mas também as torna um alvo fácil. Precisam de pelo menos um ano de crescimento para que comece a endurecer o suficiente para oferecer protecção real. Por isso, durante os primeiros meses de vida, as crias escondem-se em florestas de algas e recifes, alimentando-se de algas, pequenos invertebrados e plâncton, e tentando passar despercebidas até poderem sair para o mar aberto.


Autor: nationalgeographic
Fonte: nationalgeographic
Sítio Online da Publicação: nationalgeographic
Data: 17/09/2025

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Longevidade e Saúde é o tema do 63º Congresso Científico do Hupe/Uerj


Mesa de abertura do 63° Congresso Científico do Hupe: a partir da esq., Rui de Teófilo, Caroline Alves, Cláudia Mello, Gulnar Azevedo, Eliete Bouskela, Ronaldo Damião e José Augusto Messias (Foto: Flávia Machado)

O Brasil deve ter, daqui a 45 anos, cerca de 40% da sua população na faixa etária acima de 60 anos, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para discutir os impactos dessa transição demográfica na área de Saúde, decorrentes do aumento da expectativa de vida e da queda nas taxas de natalidade, o 63º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Hupe/Uerj), apresenta esta semana, até o dia 29 de agosto, uma série de atividades. Com o tema Longevidade e Saúde, o evento reúne mais de três mil participantes no campus do Hupe, em Vila Isabel, com 78 mesas-redondas, 15 conferências, 23 cursos pré-congresso, sete rodas de conversa, 551 apresentações de trabalhos, duas jornadas e a estimativa de mais de 1.700 visitantes nas seis plenárias e no espaço cultural.

O público lotou o Auditório Ney Palmeiro na tarde desta terça-feira, 26 de agosto, para a cerimônia de abertura, que reuniu diversas autoridades, acadêmicos e gestores em Saúde, e assistiu, em seguida, a aula magna do médico geriatra Alexandre Kalache, uma das maiores referências internacionais no assunto. Na mesa de abertura, a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, reconheceu a relevância das políticas de fomento direcionadas às necessidades dos hospitais universitários e destacou o papel do Hupe no estado, para a assistência e a pesquisa em Saúde, incluindo a população em idade mais avançada. “Sabemos da importância dos hospitais universitários e do Hupe, aqui na Uerj, para o desenvolvimento da pesquisa, da ciência e da inovação no nosso estado. Estamos trabalhando para fortalecer políticas públicas que gerem impactos na qualidade de vida da população, que está envelhecendo”, disse.

Diretora Científica da Fundação e presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), a médica Eliete Bouskela recordou sua trajetória como professora titular da Uerj. “Por 40 anos fui professora dessa casa e agora estou aposentada. Mas como envelhecer com qualidade de vida passa pelo contato social, continuo orientando e convivendo com os alunos aqui na Uerj. Tenho muito orgulho do Hupe e da Uerj. No Brasil, diferente do Velho Mundo, somos um país jovem e as nossas instituições têm pouca tradição. O que move nossas instituições são as pessoas que estão à frente delas. E no Hupe, temos a sorte de ter pessoas que fazem com que as coisas funcionem, como o pró-reitor Ronaldo Damião e o diretor Rui de Teófilo”, citou.


O público lotou o Auditório Ney Palmeiro, no Hupe, para a cerimônia de abertura do evento que movimenta mais de 1700 visitantes essa semana no campus Vila Isabel (Foto: Flávia Machado)

A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo, recordou o pioneirismo da universidade na assistência e na pesquisa para a longevidade. “Na década de 1970, o professor Piquet Carneiro, um grande médico humanista, começou a defender que o Brasil precisava se preocupar com as pessoas idosas. Na continuidade desse trabalho, em 1993, o professor e sanitarista Hesio Cordeiro criou a então Universidade da Terceira Idade, a Unati, que hoje se chama Núcleo do Envelhecimento Humano (Nuceh). Dirigido pelo professor Renato Veras, o Nuceh tem o objetivo de oferecer atenção integral à saúde da pessoa idosa, numa ação multiprofissional e interdisciplinar”, contou. “Agradecemos ao apoio da Secretaria de Estado de Saúde e à FAPERJ com editais de fomento para as nossas atividades. Precisamos de políticas públicas voltadas aos idosos”, completou.

O diretor-geral do Hupe, Rui de Teófilo, destacou que todos almejam a longevidade, porém a grande questão não deveria ser viver mais, e sim viver mais e melhor. “Esse congresso tem um tema muito relevante. O aumento da expectativa de vida da população é ótimo, e a Medicina certamente tem muito a contribuir para a melhoria da qualidade de vida na terceira idade, mas a longevidade traz desafios para a Saúde e para diversas outras áreas. Precisamos estruturar as cidades para acolher as necessidades da população em idade mais avançada e estruturar a Previdência, por exemplo. Precisamos pensar em soluções conjuntas”, pontuou. Participaram ainda da mesa de abertura a secretária estadual de Saúde, Cláudia Mello; o pró-reitor de Saúde da Uerj, Ronaldo Damião; e o presidente do 63º Congresso Científico do Hupe, José Augusto Messias.

Na aula magna “A Revolução da Longevidade: Estamos preparados?”, Alexandre Kalache compartilhou sua vasta experiência na área de envelhecimento com a plateia, formada também por acadêmicos de Medicina. Médico carioca formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e radicado em Londres, ele é gerontólogo com Doutorado em Epidemiologia pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Dirigiu por muitos anos o Programa Global de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) e atualmente é presidente do International Longevity Centre-Brasil.


Kalache compartilhou sua experiência profissional à frente da OMS com a plateia e destacou a importância da formação médica em Gerontologia para atender ao crescente envelhecimento populacional (Foto: Débora Motta)

Kalache ressaltou que o Brasil é um dos países que mais vão envelhecer nas próximas décadas. Segundo ele, em 2050 o País terá uma população de aproximadamente 68 milhões de sexagenários. “De 2011 até 2030, vamos dobrar o número de idosos. Mas temos relativamente poucos geriatras. Deveríamos ter 30 mil médicos geriatras para atender toda a população, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, mas só temos 2.200. Por isso, faço um apelo aos médicos mais jovens, a Geriatria é a profissão do futuro”, disse aos estudantes de Medicina presentes na plateia.

Ele explicou que, para envelhecer bem, os fatores relacionados aos bons hábitos para a saúde, como a prática diária de exercícios físicos e a alimentação, são mais determinantes do que a genética. “Por que alguns envelhecem bem e outros não? A genética é responsável por 65% do que seremos, mas o resto vem dos bons hábitos cultivados no dia a dia. O grande desafio, especialmente no caso de um país como o Brasil, é a imensa desigualdade social, que não dá a todos a mesma oportunidade de ter uma infraestrutura básica, de moradia, higiene, alimentação, renda, de educação continuada, para manter esses bons hábitos e chegar à longevidade. O envelhecimento é principalmente uma questão social, e somos uma sociedade ainda preconceituosa em relação a esse tema, que precisa se reestruturar nesse sentido civilizatório”, refletiu.




Autor: Débora Motta
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 28/08/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=850.7.0