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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Dose fracionada da vacina para febre amarela garante imunidade prolongada

Resultado de imagem para febre amarela

Em 9 de janeiro, o Ministério da Saúde divulgou que adotaria o fracionamento da vacina de febre amarela nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia como parte do enfrentamento ao surto da doença. Durante a divulgação, em coletiva de imprensa realizada em Brasília, o órgão governamental informou que a medida se baseava em estudo clínico desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), que demonstrava a eficácia da medida por pelo menos oito anos. Em paralelo à adoção da medida devido ao quadro epidemiológico, começava a corrida por publicar o trabalho por parte dos responsáveis pelo estudo, com vistas à comprovar para a comunidade acadêmica e os formuladores de políticas públicas de todo o mundo que a aplicação da dose fracionada da vacina de febre amarela atenuada de Bio-Manguinhos/Fiocruz tem respaldo científico e resulta no fundamental: a imunização da pessoa vacinada.

Essa corrida chegou ao fim: na última sexta-feira (18/5), o artigo Duration of post-vaccination immunity to yellow fever in volunteers eight years after a dose-response study foi publicado em acesso aberto na revista Vaccine. O trabalho apresenta o difícil quadro em que se insere a necessidade de imunização contra a febre amarela: a produção anual da vacina, em todo o globo, cobre apenas 17% das doses necessárias para obter uma cobertura de 80% nas áreas onde há recomendação para a mesma (80 milhões de produção anual para uma demanda de 450 milhões de doses.

Maior produtor mundial desta vacina, Bio-Manguinhos/Fiocruz diversificou suas iniciativas para oferecer alternativas à essa demanda de Saúde Pública. O Instituto busca aumentar sua capacidade de fornecimento, como através da construção do novo Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde, no Rio de Janeiro. E também, desde 1988, pesquisa o tema da redução das doses. O estudo agora tornado público é, portanto, o passo mais recente – e preciso – de uma ideia gestada já há 30 anos, mesma idade do Sistema Único de Saúde (SUS).

Desde então o Instituto avalia se doses reduzidas de sua vacina são capazes de obter a mesma eficácia, protegendo o indivíduo vacinado com grau similar ao da dose padrão. Neste estudo, que retoma pesquisa clínica realizada em 2009, foi possível determinar que sim, voluntários vacinados com as doses de 10.447, 3.013 e 587 UI (unidades internacionais) obtiveram imunidade similar àqueles vacinados com a dose de referência para a vacina de febre amarela atenuada de Bio-Manguinhos, de 27.476 UI, na rotina usual de aplicação subcutânea usando o volume de 0,5 ml.

Consultor Científico Sênior de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Reinaldo de Menezes Martins é o principal autor do artigo, escrito à várias mãos, em sua maioria do Instituto: assinam também Maria de Lourdes S. Maia, Sheila Maria Barbosa de Lima, Tatiana Guimarães de Noronha, Janaina Reis Xaviera, Luiz Antonio Bastos Camacho (Ensp), Elizabeth Maciel de Albuquerque, Roberto Henrique Guedes Farias (Exército brasileiro), Thalita da Matta de Castro, Akira Homma. Participou também o Grupo de Colaboração para Estudos sobre a Duração de Imunidade da Vacina de Febre Amarela (Suelen Manhães Pessanha, Maria Letícia Borges dos Santos, Robson Leite de Souza Cruz, Dayana Cristina Vieira de Souza, Ricardo Cristiano Brum, Clara Lucy de Vasconcelos Ferroco, Deborah Araújo da Conceição, Leonardo Secundino, Olindo Assis Martins Filho e Ana Carolina Campi Azevedo).

Em entrevista ao site de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Reinaldo de Menezes afirma que o trabalho prosseguirá através do acompanhamento dos voluntários, o que pode confirmar a hipótese de que as doses fracionadas garantem imunidade similares à da dose padrão por mais do que os oito anos assumidos na campanha do Ministério da Saúde. Confira aqui a conversa.



Autor: Paulo Schueler
Fonte: Bio-Manguinhos/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 24/05/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/dose-fracionada-da-vacina-para-febre-amarela-garante-imunidade-prolongada

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Imunidade adquirida na dengue ajuda a proteger contra o zika, diz estudo



Ilustração mostra a estrutura do vírus da zika (Foto: Kateryna Kon / Science Photo Libra / KKO / Science Photo Library)



Estudo publicado na "Nature Communications" nesta segunda-feira (13) mostra que a imunidade adquirida após uma infecção pelo vírus da dengue pode ajudar a proteger contra o vírus da zika.


Em testes em camundongos, o estudo identificou que cobaias imunes à dengue também desenvolveram proteção cruzada contra o zika. Depois, pesquisadores identificaram também que tipos especificos de células de defesa -- os linfócitos T CD8 -- têm ação combinada contra os dois vírus.


O trabalho teve como primeiro autor Jinsheng Wen, do Instituto de Arboviroses da Universidade de Wenzhou, na China. Wen também é colaborador no Instituto La Jolla de Alergia e Imunologia, na Califórnia (EUA).


Os achados são particularmente importantes para a tentativa do desenvolvimento de uma vacina contra o zika e a dengue em todo o mundo.


Uma segunda importância do estudo é que ele indica preliminarmente que a dengue não aumenta a gravidade de infecções por zika -- uma possível interação entre infecções cruzadas foi uma das muitas hipóteses levantadas durante o início da epidemia por zika no Brasil.


Agora, após o avanço do conhecimento científico, a ideia é outra: talvez seja justamente uma infecção prévia da dengue que impede o zika de ter consequências mais graves, como as anomalias em bebês.



"Em países endêmicos para a dengue, isso pode explicar a razão pela qual algumas pessoas infectadas com zika não desenvolvem a doença ", diz Sujan Shresta, da Universidade de Wenzhou, e autor do estudo, em nota.




"Esse fator também pode ser parte do porquê não é toda a mulher com zika que transmite a infecção para o bebê."



Cérebro apresentava menos cópias do vírus


Pesquisadores fizeram um estudo do tipo controle para testar a possível imunidade "cruzada" entre os dois vírus.


Primeiro, infectaram camundongos com o vírus da dengue. As cobaias ficaram doentes, mas se recuperaram da infecção -- o que demonstra que adquiriram imunidade.



Após a recuperação, animais foram infectados novamente com o vírus da zika. Também um outro grupo, não infectado anteriormente com o vírus da dengue, foi alvo da infecção pelo zika.


Nos resultados, o grupo anteriormente infectado com dengue apresentou carga reduzida de zika no sangue, nos tecidos e no cérebro.


A descoberta dos testes indica preliminarmente, assim, que a defesa adquirida contra a dengue pode ajudar a mitificar os efeitos neurológicos advindos do zika -- já que menos cópias do vírus foram identificadas no cérebro.


Linfócito T: vacina anti-zika também deve ter essa célula por alvo (Foto: NIAID (National Institute of Allergy and Infectious Diseases) )



Vacina deve ter por alvo dois tipos de célula de defesa


Um outro resultado importante da pesquisa é a descoberta da ação dos linfócitos T CD8 na imunidade contra os dois vírus. Isso porque a maioria das vacinas em andamento tem atuação somente contra os linfócitos B.


As células de defesa do tipo B são as que produzem anticorpos após o contato com uma infecção. Essa ação tem por vistas o sistema imune adaptativo: aquele que desenvolve imunidade com vistas a um ataque futuro.


Já as células do tipo T, além de focar infecções futuras, têm uma ação direta sobre o invasor -- sem necessariamente o envolvimento de um anticorpo.


No caso do estudo, cientistas demonstraram que é o linfócito T CD8 que tem ação conjunta. O CD8 é um tipo de proteína que aparece na superfície da célula. Ele tem a função de se ligar a outras proteínas que estão na superfícies de vírus -- num mecanismo chave-fechadura que facilita a destruição dos patógenos.



Jinsheng Wen, primeiro autor do estudo, pontua que foi observada a ação dos dois tipos de célula na proteção. Segundo ele, as vacinas em andamento devem ter por alvo uma ação conjunta entre linfócitos B e T.


Autora: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 13/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/imunidade-adquirida-na-dengue-ajuda-a-proteger-contra-o-zika-diz-estudo.ghtml