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quinta-feira, 12 de maio de 2022

Associação entre níveis de Vitamina D e fatores de estilo de vida em mulheres

 A prevalência de deficiência de vitamina D — essencial para a saúde humana —, é alta até em países de baixas latitudes, como o Brasil, onde a exposição ao sol é maior e mais frequente. A maioria dos adultos também consome poucos alimentos ricos nesse nutriente, o que aumenta ainda mais as chances de desenvolver doenças relacionadas à sua insuficiência (como osteoporose, diabetes, doenças cardiovasculares e até câncer). A deficiência de vitamina D é mais comum em mulheres do que em homens e fatores pessoais, sociodemográficos, ambientais e relacionados a estilo de vida parecem ter associação com a presença dessa condição.

Análise recente sobre vitamina D em mulheres

Em um estudo que fez parte de uma pesquisa multicêntrica desenvolvida pelo convênio entre a Universidade de São Paulo, a Universidade de Surrey, na Inglaterra e a Universidade de Wollongong, na Austrália, avaliou-se de maneira transversal 101 mulheres residentes da cidade de Araraquara, em São Paulo, com 35 anos ou mais, buscando associações entre níveis de 25-hidroxivitamina D (25(OH)D) e alguns fatores. Entre eles: nível de exposição a radiação ultravioleta (UV), tabagismo, consumo de álcool, níveis de atividade física, idade, Índice de Massa Corporal (IMC), estresse e estado de pós-menopausa.

Para tanto, foram realizados questionários sobre estilo de vida, diários alimentares e dosímetros para medir a radiação UV durante quatro dias consecutivos do inverno (julho) de 2019. Não há consenso global sobre os níveis ótimos de 25(OH)D e, neste estudo, foi adotado o valor de < 50 nmol/L como corte para indicar insuficiência de vitamina D. Os critérios de exclusão escolhidos foram fatores que poderiam influenciar no metabolismo da vitamina D, como suplementação, tratamento para osteoporose ou câncer, diabetes, hipertensão e doença cardíaca.

Entre os resultados, encontrou-se o valor de 64 nmol/L como média de concentração sérica de 25(OH)D entre as participantes, com 16% delas ficando classificadas com insuficiência de vitamina D (< 50 nmol/L). De maneira algo inesperada, mulheres mais velhas tiveram concentrações significativamente maiores de 25(OH)D do que as mais jovens (P=0,01), assim como maior exposição à radiação UV (P=0,01) e menor IMC (P=0,005). Os níveis de exposição à radiação UV foram significativamente maiores em mulheres em pós-menopausa (P=0,01) e menores naquelas classificadas como possuindo insuficiência de vitamina D (P < 0,001). Além disso, mulheres da categoria profissional “donas de casa” tiveram maiores níveis de exposição a radiação UV do que aquelas das categorias “Saúde e Beleza” e “Administrativa”.

Os níveis séricos de 25(OH)D foram maiores também nas mulheres sem sobrepeso ou obesidade, além de naquelas em pós-menopausa (P < 0,001) e escore alto no questionário sobre estresse também mostrou associação a menores níveis de 25(OH)D (P=0,001). Olhando especificamente a exposição ao sol, as participantes com níveis de concentração de 25(OH)D entre 25 e 50 nmol/L apresentaram exposição significativamente menor à radiação UV do que aquelas com taxas entre 50 e 75 nmol/L.

Os resultados de melhores concentrações de vitamina D em mulheres mais velhas devem ser olhados à luz de algumas considerações: quando corrigido para as variáveis de radiação UV e IMC, a idade perde significância. Além disso, os critérios de inclusão e exclusão podem ter enviesado essa associação, uma vez que foram selecionadas apenas as mulheres “saudáveis”. Ainda assim, esses achados são relevantes pois sugerem que a deficiência de vitamina D na pós menopausa não é inevitável.

Conclusão

A associação com os tipos de ocupação de cada mulher, bem como a fatores comportamentais e ambientais, como IMC e exposição ao sol, levantam a importância de o médico atuar direcionado a esses fatores no sentido de prevenir a insuficiência de vitamina D, principalmente nas mulheres em pós-menopausa e naquelas com fatores de risco para fraturas. O estresse — e a depressão, como mostram outros estudos — também se destacam aqui nesse sentido, devendo ser abordados e trabalhados devidamente quando identificados.

A deficiência de vitamina D pode causar inúmeros problemas de saúde e sua abordagem deve ser interdisciplinar, pois inclui desde fatores comportamentais até climáticos. Mesmo em países tropicais como o Brasil, o médico deve ficar atento para fornecer as orientações de estilo de vida, que abordem inclusive os fatores de risco identificados neste estudo, de modo a promover saúde e prevenir doenças.





Autor: Renato Bergallo
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 12/05/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/associacao-entre-niveis-de-vitamina-d-e-fatores-de-estilo-de-vida-em-mulheres/

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Vitamina D e covid-19: as falhas que levaram estudo a ser tirado do ar por revista científica



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

A vitamina D está sendo estudada — mas evidências até agora não são robustas o suficiente para sugerir tratamento com ela para a covid-19.


Na medida em que a covid-19 se espalhava pelo mundo ao longo do último ano, outro perigo também se disseminava: a desinformação sobre como tratá-la. Às vezes, a desinformação é criada até mesmo em torno de ideias que contêm algum fundo de verdade — e esse pode ser o tipo de "fake news" mais difícil de combater.

É o caso da vitamina D, alvo de intensos debates sobre um potencial uso como tratamento para a covid-19.

Como se verá mais para frente nesta reportagem, o estudo original que havia mostrado um suposto sucesso da vitamina D tornou-se alvo de críticas porque não seguiu métodos robustos o suficiente para apontar para aquelas conclusões.

Em outras palavras, este estudo, feito na Espanha, não respeitava critérios científicos importantes para que seus resultados pudessem ser indicados com segurança para a população. Ele foi retirado de circulação pela publicação e agora é alvo de uma investigação.

Enquanto isso, no momento, outro estudo mais rigoroso está sendo conduzido na Inglaterra.


Foi a partir dessa controvérsia que informações falsas começaram a se difundir sobre a suposta eficácia da vitamina D contra a covid-19.

Por que vitamina D?



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Peixes gordurosos e derivados do leite estão entre as principais fontes de vitamina D na alimentação — até agora, não há evidências científicas de que suplementação com a vitamina ajude no combate à covid-19


Muitos tratamentos bastante conhecidos pelos brasileiros foram sugeridos para a covid-19.


Hidroxicloroquina, ivermectina e vitamina D — todos esses medicamentos são ou foram, em algum momento, estudados.


É importante lembrar que sugerir que um tratamento possa ser eficaz e depois descobrir que isso não é verdade faz parte do processo científico normal.


O problema é que, hoje em dia, pesquisas online, em fases iniciais ou de baixa qualidade têm sido compartilhadas fora do contexto. E a confusão que isso cria pode ser explorada por pessoas que promovem teorias da conspiração.


Há alguma lógica por trás do motivo pelo qual a vitamina D pode ser útil no tratamento ou prevenção de covid-19.


Ela desempenha um papel na imunidade e já é recomendada, por exemplo, no Reino Unido - onde todos devem tomar o suplemento no inverno (sendo que aqueles com maior risco de deficiência de vitamina D são aconselhados a tomá-la durante todo o ano).


Até agora, porém, nenhuma pesquisa mostrou um efeito suficientemente convincente para apoiar o uso de doses mais altas da vitamina D para prevenir ou tratar doenças, o que pode vir a mudar no futuro.


Assim, é compreensível que o uso de vitamina D para prevenir a covid-19 tenha se espalhado pela internet como conselho de saúde. No entanto, alguns foram muito mais longe, sugerindo em fóruns online como o Reddit que os governos "mal mencionam" a eficácia da vitamina D e, em vez disso se concentram em "vacinas e rastreamento do estado policial".



Ou alegando que a vitamina estaria sendo ignorada porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) é "paga pela grande indústria farmacêutica".


Os argumentos podem ser facilmente derrubados — a começar pelo fato de as próprias vitaminas serem uma indústria que movimenta bilhões de dólares.

O que dizem os estudos?



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Conclusões de estudos associando vitamina D e coronavírus não são robustas o suficiente, dizem cientistas


Muitos estudos mostraram uma associação entre a vitamina D e a covid-19, mas a evidência é meramente empírica — o que significa que outros fatores não estão sendo controlados e monitorados para se determinar com precisão uma relação de causa e efeito.


Ou seja, as conclusões desses estudos não são robustas o suficiente: para isso acontecer seria necessário, por exemplo, um ensaio clínico conhecido como randomizado, no qual pessoas recebem um tratamento ou uma versão simulada, ou placebo, para que os cientistas possam ter certeza de que o resultado é causado pelo tratamento.


Estudos observacionais mostram que certos grupos são mais propensos a ter deficiências de vitamina D e a pegar covid-19 — em geral, pessoas mais velhas, pessoas com obesidade e pessoas com pele mais escura (incluindo pessoas negras e do sul da Ásia).


Pode ser que uma deficiência seja o motivo pelo qual esses grupos correm maior risco, ou pode haver outros fatores de saúde e ambientais que levam à queda nos níveis de vitamina D e maior suscetibilidade ao vírus.


Os níveis da vitamina também podem cair como consequência da doença, em vez de serem a sua causa.


Só seremos capazes de isolar a vitamina D como causa realizando testes controlados randomizados conduzidos adequadamente, como o que está sendo executado no momento na Queen Mary's University, no Reino Unido.

Estudos na Espanha


Um artigo da Universidade de Barcelona chamou atenção, alegando ter conduzido exatamente esse tipo de estudo.


Ele sugere que a vitamina D tem um sucesso impressionante, com uma redução de 80% nas admissões em terapia intensiva e uma redução de 60% nas mortes de covid.


Esse resultado foi amplamente compartilhado pela internet.


Mas, desde então, o estudo foi retirado do ar por "preocupações sobre a descrição da pesquisa". O periódico científico The Lancet, que o publicou originalmente, está agora conduzindo uma investigação sobre o artigo.


O problema é que essa retratação não foi compartilhada da mesma forma que o artigo original.


No estudo, a vitamina D foi administrada a todos os paciente em enfermarias, em vez de aleatoriamente para indivíduos, como deveria ter sido feito em uma pesqusa rigorosa.

Legenda do vídeo,

Chefes de UTIs ligam ‘kit covid’ a maior risco de morte no Brasil


E os pacientes de covid-19 estudaos que morreram já tinham níveis radicalmente diferentes da vitamina antes do tratamento, sugerindo que eles estavam mais gravemente doentes antes mesmo de tomar a vitamina.


Ainda assim, a ideia de que a vitamina D pode ser um tratamento eficaz contra a covid-19 ganhou inúmeros adeptos.


O parlamentar conservador David Davis, que convocou o Parlamento para que a suplementação de vitamina D seja introduzida nos hospitais, disse à BBC que, apesar da retração, ele acreditava que o estudo ainda mostrava que a vitamina D era importante e argumentou que o governo deveria financiar mais pesquisas sobre o assunto.


Aurora Baluja, uma anestesiologista e médica de cuidados intensivos na Espanha, que revisou o estudo de Barcelona para o The Lancet, disse que o tipo de efeito "extremo" encontrado no artigo "nunca foi encontrado" em um ensaio clínico randomizado.


Ela disse que, embora a deficiência de vitamina D fosse um "fator de risco bem estabelecido" entre as pessoas que morrem na terapia intensiva, "a suplementação de vitamina D sozinha sempre falhou em reduzir o risco desses pacientes".


Baluja explica que a deficiência é frequentemente causada por algo muito mais profundo, como desnutrição ou insuficiência renal.


Assim, não seria a deficiência de vitamina D que estaria causando a morte dos pacientes.

Qual é o problema?


Quando algumas descobertas se encaixam na visão de mundo das pessoas — por exemplo, que "as coisas da natureza não podem fazer mal", explicou o professor Sander Van der Linden, psicólogo social da Universidade de Cambridge —, a probabilidade de serem compartilhadas tende a ser maior.


Na internet, há diversos grupos debatendo sobre a covid-19. Alguns advogam medicamentos naturais e medicina alternativa; outros são ideologicamente contra a vacinação. Algumas vezes esses grupos distintos acabam se unindo em torno de uma ideia que se encaixa em ambas crenças.


As pessoas antivacinas estão "profundamente conectadas a outros tópicos — religião, ervas e medicina alternativa, a comunidade natural", disse o professor Van der Linden. Com isso, mensagens do tipo "você não precisa de uma vacina, você pode apenas tomar vitamina D" acabam se espalhando por esses grupos, sem que sejam claramente identificadas como partes de uma campanha contra vacinas.


A vitamina D é relativamente segura (embora altas doses possam causar cálculos renais), portanto, esse tipo de conselho pode não parecer o mais nocivo entre as informações incorretas que circulam pela internet.


O perigo, explica o professor Van der Linden, é quando as pessoas sugerem que o suplemento é uma cura milagrosa e deve ser usado como alternativa a vacinas, máscaras e distanciamento social.







Autor: Rachel Schraer
Repórter de SaúdeFonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 05/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56639392

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Vitamina D: para que serve e benefícios

A vitamina D é sintetizada pelo organismo com a influência da luz solar. Saiba por que ela é importante e veja como adquiri-la

vitamina D

Imagem de Natalie Grainger em Unsplash

O que é vitamina D
vitamina D é um importante nutriente para nosso organismo. Conhecida como a "vitamina do sol", ela tem como sua principal função a absorção de cálcio pelo organismo, que é determinante para o desenvolvimento saudável dos ossos e dentes. É também um nutriente que atua no sistema imunológico, protegendo órgãos como coração e o cérebro, e age como hormônio, mantendo em quantidades adequadas o cálcio e fósforo presentes no sangue.

Deficiência de vitamina D

A falta de vitamina D no organismo pode trazer várias complicações para a saúde, como problemas cardíacos, osteoporose, câncer, gripe e resfriado, e doenças autoimunes como esclerose múltipla e diabetes tipo 1. Em mulheres grávidas, a deficiência de vitamina D eleva o risco de aborto, as chances de pré-eclâmpsia e a probabilidade da criança nascer autista.
Dessa maneira, é muito importante atentar-se ao nível de vitamina D presente no organismo. Fraqueza muscular, doença renal crônica, diabetes e asma são alguns dos sintomas que podem indicar a deficiência da vitamina.
De acordo com a Food and Nutrition Board do Institute of Medicine, dos Estados Unidos, é recomendado que o consumo diário de vitamina D seja de 600 IU/dia e 800 IU/dia em pessoas com mais de 70 anos.

Onde encontrar

A luz solar é a melhor forma de se obter vitamina D. Isso porque 80% da formação de vitamina D provém dos raios solares, pois os raios ultra-violetas do tipo B (UVB) são capazes de ativar a síntese dessa substância em nosso organismo por meio da exposição solar. Porém, o uso de protetor solar bloqueia a síntese de vitamina D no organismo, sendo necessário ficar atento ao horário exato de exposição para evitar problemas futuros. Sol intenso não é muito indicado para sintetizar vitamina D - uma caminhada no fim da tarde ao ar livre, com duração entre 15 a 20 minutos, com braços e pernas expostos e sem bloqueador solar já é suficiente.
Caso o nível mínimo diário necessário de vitamina D não consiga ser atingido apenas com exposição solar, deve-se recorrer ao uso de suplementos. Mas é imprescindível obter orientação médica ou de um nutricionista para o consumo de doses exatas, pois o uso incorreto de suplementos pode causar ainda mais problemas, como excesso de vitamina D, que pode elevar a concentração de cálcio no sangue, podendo levar à calcificação de vários tecidos, como o rim. Falta de apetite, muita sede, vômitos e diarreia, perda de peso, dores nos ossos e problemas musculares são alguns dos sintomas que podem indicar excesso de vitamina D. Vale ressaltar que o excesso desse nutriente se dá devido ao uso incorreto de suplementação. O consumo de alimentos e exposição ao sol excessiva não é o suficiente para tal fato.
Instituto Nacional da Saúde, dos Estados Unidos, diz que a máxima quantidade tolerada de vitamina D no organismo não deve ultrapassar 4000 IU/dia, mas essa quantidade pode variar de pessoa para pessoa, conforme idade ou tipo sanguíneo. Cabe ao médico avaliar a quantidade exata.

Autor: Ecycle
Fonte: Ecycle
Sítio Online da Publicação: Ecycle
Data: 01/04/2020
Publicação Original: https://www.ecycle.com.br/2499-vitamina-d.html

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Vitamina D diminui risco de câncer e doença cardiovascular?




A importância da vitamina D para a saúde óssea já é bem estabelecida, e a correção da deficiência deste componente nos distúrbios osteometabólicos encontra grande respaldo científico. Por outro lado, ainda faltam evidências quando se fala nos efeitos extraesqueléticos da suplementação de vitamina D.

Abaixo estão listados alguns dos motivos pelos quais a suplementação tem sido vista como uma estratégia potencial para prevenir o câncer e as doenças cardiovasculares nos últimos anos:
Entre os pacientes com câncer, níveis mais elevados de 25-hidroxivitamina D no diagnóstico ou tratamento têm sido associados a uma sobrevida mais longa.
Estudos observacionais mostraram associações entre baixos níveis séricos de 25 hidroxivitamina D [25(OH)D] e aumento do risco de câncer e doenças cardiovasculares.
Metanálises com estudos de intervenção sugerem que a correção da deficiência poderia reduzir a mortalidade geral, e que a suplementação poderia ter um papel protetor contra o câncer, especialmente de intestino grosso.
Estudos ecológicos mostraram taxas mais baixas de morte por câncer e doenças cardiovasculares em regiões com maior exposição solar do que em áreas com menor exposição.
Dados de estudos de laboratório e testes em animais sugerem mecanismos pelos quais a vitamina D poderia inibir a carcinogênese e retardar a progressão tumoral, incluindo promoção da diferenciação celular, inibição da proliferação de células cancerígenas e efeitos anti-inflamatórios, imunomoduladores, proapoptóticos e antiangiogênicos, levantando à hipótese de que a vitamina D poderia diminuir a capacidade de invasão tumoral e a propensão a metástases, o que levaria a uma taxa reduzida de morte por câncer.

É importante lembrar que ainda não foi possível estabelecer relação de causalidade quanto a esses fatores, o que motiva a manutenção da recomendação das sociedades pertinentes de que ainda não se justifica a suplementação de vitamina D visando esses efeitos.

Pesquisas de intervenção randomizadas e controladas por placebo ainda são escassas, entretanto, um importante estudo recentemente publicado no New England Journal of Medicine tenta fazer a diferença ao avaliar a relação entre vitamina D, câncer e doenças cardiovasculares.

Diferenciais do estudo:
Este foi o maior estudo já feito com doses altas de vitamina D. Foram incluídos 25.871 homens e mulheres americanos saudáveis ​​com 50 anos ou mais.
Foi analisada uma população com diversidade racial (5106 participantes afroamericanos), étnica e geográfica.
Realizado acompanhamento de longa duração (média de 5,3 anos), com altas taxas de adesão ao regime de estudo, mantendo níveis médios de 25 (OH)D no intervalo alvo.

Para a realização do estudo os participantes foram divididos em quatro grupos e aleatoriamente designados para tomar suplementos ou placebo, conforme descrito abaixo.
Grupo 1 – Recebeu 2.000 IUs (unidades internacionais) de vitamina D3 todos os dias.
Grupo 2 – Recebeu vitamina D e um placebo em vez de ômega-3.
Grupo 3 – Recebeu ômega-3 e um placebo de vitamina D.
Grupo 4 – Recebeu dois placebos.

Resultados e discussão

Este artigo relata os resultados da comparação do uso de vitamina D com placebo. Os desfechos primários foram câncer invasivo de qualquer tipo e eventos cardiovasculares maiores (um composto de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou morte por causas cardiovasculares).

Os desfechos secundários incluíram cânceres de localização específica, morte por câncer e eventos cardiovasculares adicionais. Estudos prévios testando doses de 400 a 1100 UI de vitamina D por dia, com ou sem cálcio, não mostraram benefício significativo com relação à incidência de câncer, mas sugeriram benefício com relação à taxa de mortes por câncer.


Neste grande ensaio de prevenção primária, a suplementação com vitamina D3 não levou a uma incidência significativamente menor de qualquer dos desfechos primários do que o placebo.

A intervenção também não levou a uma menor incidência de mortes totais por câncer ou a uma menor incidência de câncer de mama, próstata ou colorretal do que o placebo. Entretanto, a detecção de uma taxa reduzida de morte por qualquer causa, se presente, poderia exigir um acompanhamento mais longo.

O uso de vitamina D não levou a uma diferença significativa em nenhum dos desfechos cardiovasculares secundários ou na taxa de morte por qualquer causa no coorte geral ou em subgrupos, o que é compatível com resultados de estudos prévios.

Os efeitos não variaram de acordo com os níveis séricos iniciais de 25-hidroxivitamina D. Não foi identificado aumento no risco de hipercalcemia ou outros eventos adversos.

Em estudos observacionais, os níveis de 25 (OH)D associados a risco mais baixo tendem a estar acima de 30 ng/mL para câncer (pelo menos câncer colorretal), e entre 20 e 25 ng/mL para doença cardiovascular. Nesse estudo, a maioria dos participantes manteve níveis de 25 (OH)D dentro desses limites.

Os autores especulam que estudos envolvendo pessoas com níveis de 25 (OH)D abaixo de 20 ng/mL poderiam mostrar efeitos mais significativos no risco de doenças, porém manter os participantes em estado de deficiência de vitamina D por tempo prolongado não seria viável nem ético.

Conclusões

A suplementação com vitamina D não resultou em menor incidência de câncer invasivo ou eventos cardiovasculares do que o placebo.




Autor: Daniele Zaninelli
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 21/01/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/vitamina-d-diminui-risco-de-cancer-e-doenca-cardiovascular/