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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

A pioneira operação com células-tronco de placenta que pode ter salvado a vida de bebê


Legenda da foto,

Massimo Caputo, da British Heart Foundation, foi pioneiro na técnica de 'andaime' com células-tronco


Um cirurgião cardíaco diz que "provavelmente salvou a vida" de um bebê ao realizar uma operação "inédita" usando células-tronco da placenta.


Massimo Caputo, do Bristol Heart Institute, no Reino Unido, usou um pioneiro "andaime" de células-tronco para corrigir o defeito cardíaco do bebê, chamado Finley.


Ele espera desenvolver a tecnologia para que crianças nascidas com doenças cardíacas congênitas não precisem ser submetidas a tantas operações.


Finley, agora com dois anos, é "um menino feliz em desenvolvimento".


Mas ele nasceu com as principais artérias do coração invertidas e, com apenas quatro dias de vida, foi submetido a sua primeira cirurgia cardíaca de peito aberto no Bristol Royal Hospital for Children, no Reino Unido.


Infelizmente, a cirurgia não resolveu o problema, e sua função cardíaca se deteriorou significativamente, com o lado esquerdo do coração sofrendo uma grave falta de fluxo sanguíneo.


"Fomos preparados desde o início de que as chances de ele sobreviver não eram boas", diz a mãe, Melissa, que é de Corsham, no condado de Wiltshire, no Reino Unido.


"Depois de 12 horas, Finley finalmente saiu da cirurgia, mas precisou de uma máquina de circulação extracorpórea cardíaca e pulmonar para se manter vivo, e sua função cardíaca havia se deteriorado significativamente."


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Melissa celebrando o Natal com o filho, Finley, agora com dois anos


Depois de semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), parecia que não havia uma maneira convencional de tratar a condição de Finley — e ele dependia de medicamentos para manter seu coração funcionando.


Mas um novo procedimento foi tentado, envolvendo células-tronco de um banco de placenta.


Caputo injetou as células diretamente no coração de Finley, na esperança de que ajudassem os vasos sanguíneos danificados a se recuperar.


As chamadas células "alogênicas" foram cultivadas por cientistas do Royal Free Hospital, em Londres, e milhões delas foram injetadas no músculo cardíaco de Finley.


As células alogênicas têm a capacidade de se transformar em tecido que não é rejeitado — e, no caso de Finley, regeneraram o músculo cardíaco danificado.


"Nós o desmamamos de todas as drogas que ele estava tomando, nós o retiramos da ventilação", conta Caputo.


"Ele recebeu alta da UTI e agora é um menino feliz em desenvolvimento."


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O andaime com células-tronco pode ser bioimpresso em qualquer formato


Por meio de uma bioimpressora, é feito um andaime de células-tronco para reparar anormalidades nas válvulas dos vasos sanguíneos e para remendar buracos entre as duas principais câmaras de bombeamento do coração.


Normalmente, um tecido artificial é usado para reparos cardíacos em bebês, mas pode não funcionar e não crescer com o coração — então, à medida que as crianças crescem, precisam de mais operações.


Caputo espera que seja realizado um ensaio clínico com os "curativos" de células-tronco nos próximos dois anos, após um trabalho de laboratório bem-sucedido.


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Louie, de 13 anos, tem vários defeitos cardíacos congênitos


O ensaio clínico do curativo de células-tronco oferece esperança para pacientes como Louie, do País de Gales, que tem vários defeitos cardíacos congênitos.


O menino de 13 anos foi submetido a sua primeira cirurgia cardíaca de peito aberto com Caputo quando tinha apenas duas semanas de vida, e depois novamente aos quatro anos para substituir o material que reparava seu coração.


Mas como os materiais não são completamente biológicos, eles são incapazes de crescer com o paciente, e ele precisa repetir as operações.


Assim como Louie, cerca de 13 bebês são diagnosticados todos os dias no Reino Unido com um defeito cardíaco congênito — condição que se desenvolve antes do nascimento do bebê, de acordo com a British Heart Foundation.


Como os materiais usados ​​para reparar o coração podem ser rejeitados pelo sistema imunológico do paciente, eles podem causar cicatrizes no coração que podem levar a outras complicações, e podem gradualmente parar de funcionar em apenas alguns meses ou anos.


Uma criança pode, portanto, ter que passar pela mesma cirurgia cardíaca várias vezes durante a infância — cerca de 200 operações repetidas para defeitos cardíacos congênitos são realizadas todos os anos no Reino Unido.


Louie espera que a descoberta reduza significativamente o número de operações que ele enfrenta, graças à tecnologia de células-tronco e tecidos capazes de crescer com seu corpo.


"Não gosto de passar pelos procedimentos", diz ele.


"Não é bom a longo prazo, saber que a cada dois anos preciso de uma cirurgia, então isso me deixaria muito mais relaxado."


Caputo e sua equipe dizem que a tecnologia de células-tronco pode economizar ao NHS, sistema público de saúde do Reino Unido, cerca de £ 30 mil (cerca de R$ 193 mil) para cada operação que não for mais necessária, economizando milhões de libras a cada ano.


Stephen Minger, especialista em biologia de células-tronco e diretor da SLM Blue Skies Innovations Ltd, aplaudiu a pesquisa.


"A maioria dos estudos que conheço em adultos com disfunção ou insuficiência cardíaca mostram apenas um benefício terapêutico mínimo com a infusão de células-tronco", diz ele.


"Estou feliz que a equipe clínica vai fazer um ensaio clínico padrão que deve nos dizer se este foi um caso de sucesso isolado, e também nos dar uma melhor compreensão dos mecanismos por trás disso."


- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-64036712







Autor: Matthew Hill
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 20/12/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-64036712

quinta-feira, 7 de março de 2019

HIV: segundo caso de cura é relatado após transplante de células-tronco

Foi publicado este mês na Revista Nature um caso de um paciente que, aparentemente, está livre do HIV após transplante de células-tronco, com substituição dos seus glóbulos brancos por versões resistentes ao HIV. Há 12 anos, este método já havia sido usado em outro paciente. Porém, os pesquisadores alertam que ainda é cedo para dizer que eles foram completamente curados.

Identificado apenas como ‘paciente de Londres’, o indivíduo foi submetido a um transplante de células tronco em maio de 2016 por causa de um linfoma de Hodgkin. Ele teve sua terapia antirretroviral interrompida em setembro de 2017, sem nenhum sinal de que o vírus retornasse 18 meses depois. Conforme reportagem da Nature, a técnica de células-tronco foi usada pela primeira vez há 10 anos em Timothy Ray Brown, conhecido como “paciente de Berlim”, que ainda está livre do vírus.

A chave para o desfecho positivo destes dois casos está na escolha dos doadores da medula óssea, que apresentavam mutação no gene CCR5, que confere às pessoas resistência ao HIV. A mutação, que está presente em cerca de 1% das pessoas de descendência europeia, codifica um receptor que fica na superfície dos glóbulos brancos envolvidos na resposta imune do corpo. Normalmente, o HIV se liga a esses receptores e ataca as células, mas uma deleção no gene CCR5 impede que os receptores funcionem adequadamente.

Em entrevista ao jornal Nature, Ravindra Gupta, médico infectologista da Universidade de Cambridge, Reino Unido, responsável pelo caso, disse que “ainda não é possível dizer se o paciente foi curado. Isso só pode ser demonstrado se o sangue do paciente permanecer livre do HIV por mais tempo”.

Sobre a realização deste tipo de tratamento em pacientes com HIV que não tenham uma outra doença que exija transplante de medula óssea, os pesquisadores apontam que provavelmente não seria um procedimento adequado. Isso porque transplante de medula é uma terapia complexa que pode ter complicações fatais e, em geral, a maioria das pessoas com HIV responde bem ao tratamento com antirretrovirais. Porém, há uma expectativa de que o artigo estimule um interesse renovado nas terapias genéticas que visem o CCR5, o que poderia ser aplicado a um grupo muito mais amplo de pacientes.




Autor: Dayanna de Oliveira Quintanilha
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 07/03/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/hiv-segundo-caso-de-provavel-cura-e-relatado/



quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Centro de Terapia Celular apresenta resultado de estudos e tratamentos


O Centro de Terapia Celular (CTC), em Ribeirão Preto, é formado por pesquisadores da USP e do Hemocentro de Ribeirão Preto interessados na compreensão da biologia das células-tronco e no desenvolvimento de novas técnicas para o tratamento de doenças – Foto: Marcos Santos/USP



Ferramenta traça caminho de tecnologia do laboratório à patente


Tratar esclerose múltipla com células-tronco é mais eficaz que medicação

O Centro de Terapia Celular (CTC) da USP, em Ribeirão Preto, acaba de lançar a publicação Statement of Impact, onde apresenta suas principais atividades de pesquisa, ensino e atendimento a saúde. O CTC é formado por pesquisadores da USP e do Hemocentro de Ribeirão Preto que estão interessados na compreensão da biologia das células-tronco, bem como no desenvolvimento de novas técnicas para o tratamento de doenças. O CTC é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).



O CTC desenvolve trabalhos nas áreas de Biologia Molecular e Celular, Hematologia e Química de Proteínas. A instituição conta com uma equipe interdisciplinar de médicos, biomédicos, biologistas, farmacêuticos, veterinários, engenheiros, entre outros. A reunião e cooperação deste grupo permitiu o estabelecimento de linhas de pesquisa sólidas com forte impacto científico, clínico e social. Os resultados deste empenho e dedicação são estudos para a produção de terapias mais eficientes usando tecnologia brasileira.

Dentre os avanços conquistados nos últimos anos destacam-se o desenvolvimento de uma plataforma de expansão de células T geneticamente modificadas para o tratamento de pacientes com leucemias e linfomas, a descoberta do início do processo de inativação do cromossomo X durante o desenvolvimento embrionário humano e os progressos no tratamento das escleroses sistêmica e múltipla. O CTC também avançou no combate a um dos tipos de tumores cerebrais cancerígenos mais agressivos, os astrocitomas e na a inibição de células de melanoma em cultura. Além dos estudos sobre os telômeros, os pesquisadores formaram um banco de células com a genética da população brasileira.



Transplante de células-tronco é eficiente contra diabete tipo 1


Método ajuda a monitorar identidade de células-tronco

Na parte educacional, a Casa da Ciência aproximou a Universidade da rede pública de ensino. Entre os programas “Adote um Cientista”, “Férias com Ciência” e “Pequeno Cientista” foram mais de 800 alunos do ensino básico e médio diretamente envolvidos, desde 2013. Na atenção à saúde, o trabalho do CTC tem impacto direto na modificação do tratamento de pacientes adicionando a terapia celular. Entre outros resultados, o CTC transplantou 98 pacientes com esclerose múltipla e recrutou 45 pessoas com doença falciforme para transplantes, além de acompanhar e tratar 250 portadores de falência da medula óssea.


Autor: Agência Fapesp
Fonte: Agência Fapesp
Sítio Online da Publicação: Agência Fapesp
Data: 17/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/centro-de-terapia-celular-apresenta-resultado-de-estudos-e-tratamentos/

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Pesquisa investiga transplante de células-tronco no tratamento da esclerose sistêmica


Transplante induziu a produção de novas células pelo timo e medula óssea, levando à remissão da doença, indica estudo feito no Centro de Terapia Celular (ilustração: Blood Advances)
Uma pesquisa feita no Centro de Terapia Celular (CTC) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e sediado na USP – avaliou os mecanismos imunológicos relacionados à resposta terapêutica do transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas em pacientes com esclerose sistêmica.

O trabalho concluiu que esse transplante induz a produção de novas células pelo timo e medula óssea, levando à remissão clínica da doença. Segundo o estudo, a alternativa proporciona uma protocolo clínico mais eficaz e a consolidação desta terapia como tratamento.

Resultados da pesquisa foram publicados na revista Blood Advances, da American Society of Hematology.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, do Hemocentro de Ribeirão Preto e da Universidade Paris Diderot, da França.

A esclerose sistêmica é uma doença autoimune reumática crônica do tecido conjuntivo, caracterizada por lesões microvasculares associadas a diferentes graus de fibrose da pele e dos órgãos internos. Como as causas são desconhecidas, os tratamentos disponíveis têm eficácia limitada no controle da progressão da doença.

Segundo o CTC, os autores buscaram entender por que cerca de 20% a 25% dos pacientes transplantados não respondem bem ao procedimento e não apresentam melhora no estado clínico.

Na pesquisa foi avaliada a função do timo e da medula óssea na produção de novas células em 31 pacientes transplantados, no período de três anos, e comparada em paralelo com os dados de 16 pacientes, também com esclerose sistêmica, tratados com a terapia convencional (imunossupressão).

“Testamos a hipótese de que o transplante seria capaz de reativar a produção de novas células por esses dois órgãos, levando à substituição das células doentes, que atacam tecidos do corpo, por células saudáveis”, disse Lucas Coelho Marlière Arruda, bolsista da FAPESP e um dos autores do estudo.

Os pesquisadores observaram que somente os pacientes transplantados apresentaram aumento na função do timo e da medula óssea, levando à produção de maiores níveis de células T reguladoras e B reguladoras respectivamente. Nenhuma alteração foi notada nos pacientes tratados pela terapia convencional.

O transplante envolve o uso de altas doses de quimioterapia, com o objetivo de destruir por completo o sistema imunológico doente, seguido pela administração das células-tronco do próprio paciente para “reiniciar” o sistema imune e impedir a progressão da doença.

Segundo Arruda, nos pacientes não respondedores, a quimioterapia empregada no transplante não foi capaz de destruir o sistema autoimune, com isso, as células doentes se mantiveram mesmo depois do procedimento, aliadas a uma diminuição dos níveis de células reguladoras.

O artigo Immune rebound associates with a favorable clinical response to autologous HSCT in systemic sclerosis patients (doi: https://doi.org/10.1182/bloodadvances.2017011072), de Lucas C. M. Arruda, Kelen C. R. Malmegrim, João R. Lima-Júnior, Emmanuel Clave, Juliana B. E. Dias, Daniela A. Moraes, Corinne Douay, Isabelle Fournier, Hélène Moins-Teisserenc, Antônio José Alberdi, Dimas T. Covas, Belinda P. Simões, Pauline Lansiaux, Antoine Toubert e Maria Carolina Oliveira, está publicado em www.bloodadvances.org/content/2/2/126.

* Com Eduardo Loria Vidal, do Centro de Terapia Celular.

Autor: Agência FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data de Publicação: 01/02/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/pesquisa_investiga_transplante_de_celulastronco_no_tratamento_da_esclerose_sistemica/27071/