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quinta-feira, 16 de maio de 2019

A comovente história de um transplante: 'Éramos duas jovens esperando para ver quem morria primeiro'


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ALIN GRAGOSSIAN
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Alin Gragossian recebeu um transplante de coração em janeiro de 2019

Alin Gragossian, de 31 anos, tremia ao abrir a carta da família da mulher cujo coração salvara sua vida alguns meses antes.

"Recebi um telefonema do hospital dizendo que a família da minha doadora havia me enviado uma carta. A enfermeira se ofereceu para escanear e me mandar por e-mail imediatamente, mas eu disse a ela que não. Eu simplesmente não estava pronta para ler."

Alguns dias depois, a carta chegou.


"É claro que eu sempre soube que minha doadora era um ser humano, mas ler sobre ela como uma pessoa naquele pedaço de papel deixou tudo muito real de repente."

"Ficava arrepiada a cada linha. Tínhamos muito em comum."

"Éramos apenas duas mulheres jovens em diferentes unidades de terapia intensiva, esperando para ver quem morreria primeiro", refletiu Alin.

Ela publicou um texto sobre a carta nas redes sociais, prometendo fazer "bom uso" do seu novo órgão e "agradecendo do fundo do... nosso coração".

Direitos da imagem @AG_EM33@AG_EM33

Alin, que é da Filadélfia, é uma médica residente que trabalha com medicina de emergência e está se especializando em terapia intensiva.

"Antes disso, eu ligava para a organização responsável pelas doações depois que um paciente morria, como parte do meu trabalho. Agora, eu realmente entendo o poder que esse telefonema pode ter", afirma.

Alin já havia escrito para a família de seu doador, mas não tinha como saber se tinham lido sua carta.

Nos EUA, as informações sobre um doador só são liberadas para o paciente que recebe o órgão se a família do doador solicitar ou concordar entrar em contato.

O processo varia em todo o país, mas os centros de transplante atuam como intermediários entre as famílias doadoras e os receptores.

A Rede Unida para Compartilhamento de Órgãos (Unos, na sigla em inglês), que administra o sistema de doação de órgãos nos EUA, incentiva o anonimato em todos os casos.

Como não havia como entrar em contato com eles diretamente, ela decidiu publicar uma resposta endereçada à doadora em seu blog.


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ALIN GRAGOSSIAN
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Alin Gragossian um mês após receber um transplante de coração

"Eu tinha muitas coisas em comum com você. Muito além do nosso tipo de sangue", escreveu.

"Nós provavelmente teríamos sido boas amigas. Mas, em vez disso, nossos caminhos se cruzaram da maneira mais estranha. No último dia da sua vida, no primeiro dia da minha vida. No pior dia da sua vida, no melhor dia da minha vida."

Alin afirma que respeita o desejo da família de permanecer anônima, e tem tomado cuidado para não revelar o conteúdo da carta.

No entanto, ela admite esperar que a família da doadora veja sua resposta e tenha uma ideia da gratidão que sente.


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ALIN GRAGOSSIAN
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A carta que Alin recebeu da família da doadora

A postagem levou uma série de pessoas a refletir sobre a conexão entre doadores e receptores de órgãos.

Alguns pacientes que receberam transplantes disseram que estavam "com um pouco de inveja" de Alin por ela ter contato com a família de sua doadora.


Direitos da imagem @JJPSM@JJPSM

Lynette Hazzard, de Nevada, sabe como é estar do lado da família do doador.

Seu filho, Justen, morreu quando tinha 20 anos.

Ele estava doente há vários anos e conversou com a família sobre o desejo de ser doador de órgãos.

O coração, o pulmão e os rins de Justen foram doados para quatro pessoas após sua morte.

Lynette escreveu para cada paciente que recebeu um órgão do seu filho.


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LYNETTE HAZZARD
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Justen doou seu coração, pulmão e rins quando morreu aos 20 anos

"Demorei meses para ser capaz de escrever uma carta porque não conseguia encontrar as palavras", explicou Lynette. "Era difícil expressar quem nosso filho era em uma pequena carta."

"Eu queria ter certeza que eles soubessem o jovem amoroso, gentil e forte que ele era. Queria ter certeza que eles soubessem que ele gostava tanto de ajudar os outros, que escolheu ajudar mesmo depois de sua morte."

Para Lynette, saber que seu filho ajudou outras pessoas mantém sua memória viva.

"Sinto que ele ainda está vivo, vivendo através dos outros. Espero que cada beneficiário dê valor a cada momento de sua vida."


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LYNETTE HAZZARD
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Lynette Hazzard com o filho Justen: 'Sinto que ele ainda está vivo, vivendo através dos outros'


Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 16/05/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-48279601

quinta-feira, 7 de março de 2019

HIV: segundo caso de cura é relatado após transplante de células-tronco

Foi publicado este mês na Revista Nature um caso de um paciente que, aparentemente, está livre do HIV após transplante de células-tronco, com substituição dos seus glóbulos brancos por versões resistentes ao HIV. Há 12 anos, este método já havia sido usado em outro paciente. Porém, os pesquisadores alertam que ainda é cedo para dizer que eles foram completamente curados.

Identificado apenas como ‘paciente de Londres’, o indivíduo foi submetido a um transplante de células tronco em maio de 2016 por causa de um linfoma de Hodgkin. Ele teve sua terapia antirretroviral interrompida em setembro de 2017, sem nenhum sinal de que o vírus retornasse 18 meses depois. Conforme reportagem da Nature, a técnica de células-tronco foi usada pela primeira vez há 10 anos em Timothy Ray Brown, conhecido como “paciente de Berlim”, que ainda está livre do vírus.

A chave para o desfecho positivo destes dois casos está na escolha dos doadores da medula óssea, que apresentavam mutação no gene CCR5, que confere às pessoas resistência ao HIV. A mutação, que está presente em cerca de 1% das pessoas de descendência europeia, codifica um receptor que fica na superfície dos glóbulos brancos envolvidos na resposta imune do corpo. Normalmente, o HIV se liga a esses receptores e ataca as células, mas uma deleção no gene CCR5 impede que os receptores funcionem adequadamente.

Em entrevista ao jornal Nature, Ravindra Gupta, médico infectologista da Universidade de Cambridge, Reino Unido, responsável pelo caso, disse que “ainda não é possível dizer se o paciente foi curado. Isso só pode ser demonstrado se o sangue do paciente permanecer livre do HIV por mais tempo”.

Sobre a realização deste tipo de tratamento em pacientes com HIV que não tenham uma outra doença que exija transplante de medula óssea, os pesquisadores apontam que provavelmente não seria um procedimento adequado. Isso porque transplante de medula é uma terapia complexa que pode ter complicações fatais e, em geral, a maioria das pessoas com HIV responde bem ao tratamento com antirretrovirais. Porém, há uma expectativa de que o artigo estimule um interesse renovado nas terapias genéticas que visem o CCR5, o que poderia ser aplicado a um grupo muito mais amplo de pacientes.




Autor: Dayanna de Oliveira Quintanilha
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 07/03/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/hiv-segundo-caso-de-provavel-cura-e-relatado/



sexta-feira, 30 de março de 2018

Doença falciforme: faixa etária para transplante de medula é ampliada

O Ministério da Saúde ampliou a faixa etária para indicação de transplante de medula aparentado para tratamento da doença falciforme - doença genética que atinge principalmente a população negra. Agora a idade não é mais critério de restrição para esse transplante, único método de curar a doença no SUS. Em 2015, foram diagnosticados 1.145 novos casos da doença no Programa de Triagem Neonatal do SUS.

Baseado em evidências científicas, o Ministério da Saúde decidiu ampliar a faixa etária para dar mais qualidade de vida às pessoas com essa doença. A partir de agora, pessoas também acima de 16 anos podem fazer o transplante alogênico aparentado de medula óssea, de sangue periférico ou de sangue de cordão umbilical, do tipo mieloablativo, para tratamento da doença falciforme. Trata-se de mais uma ação do Sistema Único de Saúde (SUS) para fortalecer a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme (PNAIPDF). A conquista é considerada um avanço, já que havia uma reivindicação de especialistas e da sociedade civil. Antes, só podiam fazer o transplante, pessoas abaixo de 16 anos pois não havia dados científicos para atestar segurança e eficácia do procedimento para maiores dessa idade.

A doença falciforme é genética e hereditária. A causa é uma mutação no gene que produz a hemoglobina A (HbA) originando uma outra mutante denominada hemoglobina S. Apesar das particularidades que distinguem as doenças falciformes e de graus variados de gravidade, todas essas doenças têm manifestações clínicas e hematológicas semelhantes e são tratadas da mesma forma.

As pessoas com esse tipo de doença apresentam anemia crônica e episódios frequentes de dor severa, decorrentes do processo de vaso oclusão causados pela forma de foice (daí o nome falciforme) que as hemácias assumem. Além disso, essas pessoas apresentam vulnerabilidade a infecções, o sequestro esplênico (quando o baço acumula sangue), a síndrome torácica aguda (infiltrado pulmonar) e o priapismo (ereção involuntária que causa dor) são algumas das intercorrências frequentes nestas pessoas.

Assistência

A realização do Teste do Pezinho, é fundamental para a identificação precoce e acompanhamento dos casos, bem como para o planejamento e organização da rede de atenção integral. O exame deve ser realizado nos postos públicos de saúde na primeira semana de vida.


Todos os medicamentos que compõem a rotina do tratamento são disponibilizados no Sistema Único de Saúde (SUS). Os que integram a farmácia básica são: ácido fólico (de uso contínuo), penicilina oral ou injetável (obrigatoriamente até os cinco anos de idade), antibióticos, analgésicos e antiinflamatórios (nas intercorrências). A hidroxiuréia, os quelantes de ferro, o dopller transcraniano e transfusões sanguíneas integram os medicamentos e procedimentos para atenção especializada.

O rigoroso programa de vacinação estabelecido no calendário nacional também é outro importante fator de redução da mortalidade infantil por infecções, pois as crianças com a doença falciforme possuem um risco aumentado em 400 vezes em relação à população em geral.


Autor: Carolina Valadares
Fonte: Agência Saúde
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 28/03/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/doenca-falciforme-faixa-etaria-para-transplante-de-medula-e-ampliada

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Pesquisa investiga transplante de células-tronco no tratamento da esclerose sistêmica


Transplante induziu a produção de novas células pelo timo e medula óssea, levando à remissão da doença, indica estudo feito no Centro de Terapia Celular (ilustração: Blood Advances)
Uma pesquisa feita no Centro de Terapia Celular (CTC) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e sediado na USP – avaliou os mecanismos imunológicos relacionados à resposta terapêutica do transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas em pacientes com esclerose sistêmica.

O trabalho concluiu que esse transplante induz a produção de novas células pelo timo e medula óssea, levando à remissão clínica da doença. Segundo o estudo, a alternativa proporciona uma protocolo clínico mais eficaz e a consolidação desta terapia como tratamento.

Resultados da pesquisa foram publicados na revista Blood Advances, da American Society of Hematology.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, do Hemocentro de Ribeirão Preto e da Universidade Paris Diderot, da França.

A esclerose sistêmica é uma doença autoimune reumática crônica do tecido conjuntivo, caracterizada por lesões microvasculares associadas a diferentes graus de fibrose da pele e dos órgãos internos. Como as causas são desconhecidas, os tratamentos disponíveis têm eficácia limitada no controle da progressão da doença.

Segundo o CTC, os autores buscaram entender por que cerca de 20% a 25% dos pacientes transplantados não respondem bem ao procedimento e não apresentam melhora no estado clínico.

Na pesquisa foi avaliada a função do timo e da medula óssea na produção de novas células em 31 pacientes transplantados, no período de três anos, e comparada em paralelo com os dados de 16 pacientes, também com esclerose sistêmica, tratados com a terapia convencional (imunossupressão).

“Testamos a hipótese de que o transplante seria capaz de reativar a produção de novas células por esses dois órgãos, levando à substituição das células doentes, que atacam tecidos do corpo, por células saudáveis”, disse Lucas Coelho Marlière Arruda, bolsista da FAPESP e um dos autores do estudo.

Os pesquisadores observaram que somente os pacientes transplantados apresentaram aumento na função do timo e da medula óssea, levando à produção de maiores níveis de células T reguladoras e B reguladoras respectivamente. Nenhuma alteração foi notada nos pacientes tratados pela terapia convencional.

O transplante envolve o uso de altas doses de quimioterapia, com o objetivo de destruir por completo o sistema imunológico doente, seguido pela administração das células-tronco do próprio paciente para “reiniciar” o sistema imune e impedir a progressão da doença.

Segundo Arruda, nos pacientes não respondedores, a quimioterapia empregada no transplante não foi capaz de destruir o sistema autoimune, com isso, as células doentes se mantiveram mesmo depois do procedimento, aliadas a uma diminuição dos níveis de células reguladoras.

O artigo Immune rebound associates with a favorable clinical response to autologous HSCT in systemic sclerosis patients (doi: https://doi.org/10.1182/bloodadvances.2017011072), de Lucas C. M. Arruda, Kelen C. R. Malmegrim, João R. Lima-Júnior, Emmanuel Clave, Juliana B. E. Dias, Daniela A. Moraes, Corinne Douay, Isabelle Fournier, Hélène Moins-Teisserenc, Antônio José Alberdi, Dimas T. Covas, Belinda P. Simões, Pauline Lansiaux, Antoine Toubert e Maria Carolina Oliveira, está publicado em www.bloodadvances.org/content/2/2/126.

* Com Eduardo Loria Vidal, do Centro de Terapia Celular.

Autor: Agência FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data de Publicação: 01/02/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/pesquisa_investiga_transplante_de_celulastronco_no_tratamento_da_esclerose_sistemica/27071/