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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Em um estudo importante, a droga experimental atrasa o diabetes tipo 1




Marcando o ponto culminante de uma odisseia de 33 anos, os cientistas relatam hoje um marco no diabetes tipo 1: a primeira vez que a doença tem sido marcadamente atrasada em jovens de alto risco. Apresentando-se na reunião da American Diabetes Association em San Francisco e publicando simultaneamente no New England Journal of Medicine, os pesquisadores descobriram que duas semanas de um medicamento experimental intravenoso interromperam a doença em uma média de dois anos.


A base do tratamento do diabetes tipo 1 é a insulina, descoberta há 97 anos. Esses resultados abrem um novo capítulo, diz Jeffrey Bluestone, imunologista da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e parte da equipe de pesquisa. "Por um lado", o resultado é "muito emocionante", diz Bluestone. "Por outro lado, agora o verdadeiro trabalho duro começa". Isso significará considerar como levar esse tratamento adiante e sondar quem é mais provável que ele ajude.


O ensaio clínico começou há 8 anos e incluiu 76 pessoas, das quais a mais jovem tinha 8 anos e a mais velha na faixa dos 40 anos. Quase três quartos tinham 18 anos ou menos. Cada um tinha um risco extremamente alto de diabetes tipo 1. Nesta doença auto-imune, o corpo ataca as células do pâncreas que produzem insulina, o que ajuda a manter os níveis de glicose no sangue sob controle. No momento em que o diabetes é diagnosticado, a maioria dessas células produtoras de insulina, chamadas células beta, desaparece.


Mais de um milhão de pessoas nos Estados Unidos têm diabetes tipo 1, que requer atenção constante aos níveis de açúcar no sangue e injeções de insulina para se manter vivo. A condição acarreta um risco de complicações a longo prazo, incluindo doenças cardíacas, cegueira e insuficiência renal. (As pessoas com diabetes tipo 2 mais comum geralmente produzem sua própria insulina, mas seus corpos não podem usá-la adequadamente.)


Com o tempo, os cientistas descobriram que o diabetes tipo 1 começa anos antes de ser diagnosticado. Ataques sutis no pâncreas são liderados pelas sentinelas do sistema imunológico, as células T. Esses ataques são detectáveis ​​através de marcadores de anticorpos no sangue. Durante esta batalha silenciosa, as células beta do pâncreas ainda estão praticamente intactas, oferecendo uma janela crucial para intervir e salvá-las.


Quando os pesquisadores começaram a prever o risco de diabetes em pessoas cujos parentes tinham a doença, a prevenção foi o próximo passo óbvio. Mas uma série de testes de prevenção nos Estados Unidos e na Europa - testando tudo, desde insulina oral a altas doses de uma forma de vitamina B - revelou-se desalentadora: embora houvesse traços de esperança em certos subgrupos de pessoas, nenhum estudo obteve sucesso. . "Esta tem sido uma área completamente decepcionante", diz Kevan Herold, um endocrinologista da Universidade de Yale, que liderou o novo estudo clínico.


Foi uma amizade florescente décadas atrás entre Herold e Bluestone, quando ambos eram recém-formados pesquisadores da Universidade de Chicago, que abriram caminho para o sucesso científico. A Bluestone projetou uma droga de anticorpos em seu laboratório que desativou as células T ativadas. Ele fez isso mirando uma molécula na superfície das células chamada CD3. Ao neutralizar as células T ativadas, esse anticorpo anti-CD3 poderia causar ataques auto-imunes, pensou Bluestone.


Quando ele começou o trabalho, Bluestone imaginou a terapia tratando pessoas que receberam transplantes de rim, porque as células T do corpo frequentemente atacam um novo órgão. Mas drogas eficazes para pacientes transplantados chegaram recentemente ao mercado e as empresas farmacêuticas não estavam interessadas. "Ele caiu", diz Bluestone.


Herold lançou outra ideia para o caminho de Bluestone. E se o anti-CD3 pudesse combater ataques de células T no pâncreas, que levam ao diabetes tipo 1? Em uma espécie de cotovia, no início dos anos 90, o casal injetou anti-CD3 em um modelo de diabetes, antes que os animais ficassem doentes. O tratamento impediu que muitos deles desenvolvessem diabetes.


Outro momento seminal aconteceu em 1994, quando os imunologistas franceses Lucienne Chatenoud e Jean-François Bach no Hôpital-Necker Enfants Malades em Paris relataram que o anti-CD3 reverteu o diabetes em camundongos recém-diagnosticados. A dupla também aperfeiçoou o momento da droga: ela pareceu funcionar melhor em animais cujas células T foram aceleradas e encenar ataques de pâncreas, e que estavam à beira de ou tinham acabado de desenvolver diabetes. "Se você ainda não tem muita ativação [de células T], não há nada para bloquear", afirma Jay Skyler, endocrinologista da Universidade de Miami e parte da equipe de testes reportando hoje. "Se você for tarde demais, isso é demais" para que a droga tenha sucesso.


Em 2000, Herold mudou de ratos para pessoas - mas a pesquisa de prevenção com o anti-CD3 veio com preocupações éticas. Esforços para prever quem desenvolveria diabetes eram incipientes, e a ideia de dar uma droga experimental potencialmente arriscada para pessoas que nunca poderiam adoecer era preocupante. Além disso, o diabetes é uma doença da infância - metade dos pacientes são diag.




Autor: Jennifer Couzin-Frankel
Fonte: Science MAG
Sítio Online da Publicação: Science MAG
Data: 09/06/2019
Publicação Original: https://www.sciencemag.org/news/2019/06/milestone-trial-experimental-drug-delays-type-1-diabetes

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Há relação entre vacinação e redução na incidência do diabetes tipo 1?

Nas últimas décadas, a incidência de diabetes mellitus tipo 1 (DM1) tem aumentado constantemente no mundo, mas as razões para esse aumento são pouco conhecidas. O DM1 é uma doença autoimune crônica, na qual o sistema imunológico do corpo destrói as células do pâncreas que produzem insulina, um hormônio que controla os níveis de glicemia no sangue.

Embora ainda não haja uma confirmação precisa sobre quais fatores ambientais e epigenéticos concorram para o aumento da susceptibilidade da doença, acredita-se ser altamente provável que alguns agentes infecciosos virais, como o rotavírus, possam desempenhar um papel no desenvolvimento do DM1 em indivíduos geneticamente predispostos.

Um recente estudo, publicado pelo JAMA Pediatrics, investigou a incidência de DM1 em crianças australianas antes e após a introdução da vacina contra o rotavírus no Programa Nacional de Imunização (PNI) da Austrália, que ocorreu em 2007. Ao se investigar o número de crianças diagnosticadas com DM1 a cada ano, desde 2000, a equipe de pesquisa observou que, após 2007, a taxa de DM1 diminuiu em 14% em crianças de zero a quatro anos. Em crianças de cinco a nove anos e 10 a 14 anos, não houve mudança no número de incidentes ou diferenças temporais durante todo o período de 16 anos. Isso sugere que as crianças mais novas poderiam ter sido expostas a um fator de proteção que não causou impacto em crianças mais velhas.

Esta é, provavelmente, a primeira evidência de um declínio na incidência de DM1 após a introdução da vacina oral contra o rotavírus em uma rotina de imunização. Isso ocorreu na coorte etária de crianças nascidas após a introdução da vacina contra o rotavírus e é consistente com a hipótese de que a vacina oral para RV possa ser protetora contra o desenvolvimento de DM1 na primeira infância. A vigilância contínua determinará se o declínio na incidência persiste à medida que as crianças avançam em idade.

No Brasil, a vacina monovalente contra o rotavírus foi introduzida no PNI em 2006 e é rotineiramente administrada a crianças com dois e quatro meses de idade, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses, para protegê-las contra uma forma grave e potencialmente letal de diarreia, sendo contra-indicada em pacientes imunossuprimidos e com má-formações do aparelho gastrointestinal não corrigidas.

A despeito da luz que este estudo lança, outros estudos dedicados a avaliar quais agentes infecciosos estão ligados ao DM1 e quais mecanismos imunológicos induzem ou protegem contra a doença são necessários antes que medidas profiláticas e terapêuticas adequadas possam ser adequadamente indicadas com maior força de evidência.


vacinação




Autor: Fernando Costa Araújo
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 19/02/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/ha-relacao-entre-vacinacao-e-reducao-na-incidencia-do-diabetes-tipo-1/

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Estudo aponta potencial de cura para diabetes tipo 1; droga experimental regenera células produtoras de insulina



No canto acima à esquerda, célula sem tratamento é infiltrada por células do sistema imune; já a célula do lado direito, está sob ação do fármaco e tem diminuída as células do sistema imune (pontos escuros). Abaixo, no canto inferior esquerdo, está célula sem a terapia; já no lado inferior à direita, nota-se maior presença de células produtoras de insulina ( pontos em vermelho) (Foto: NADIA COBO-VUILLEUMIER ET AL)

A diabetes tipo 1 é uma forma genética de diabetes que tem uma causa curiosa: o sistema imunológico entende células do pâncreas como "invasoras" e, por isso, as ataca. Um dos grandes desafios da ciência na área, assim, é tentar descobrir que tipo de tratamento pode prevenir esse ataque indevido.

Muitas iniciativas estão em curso. Uma delas foi publicada na "Nature Communications" nesta segunda-feira (16) e mostrou potencial para, de fato, prevenir os sintomas da doença em cobaias e apontar para uma possível cura da condição. O estudo teve a coordenação do Centro Andaluz de Biologia Molecular e Medicina Regenerativa, em Sevilha (Espanha).

Pesquisadores desenvolveram uma droga que impede que o sistema imune ataque as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. A insulina, por sua vez, é um hormônio envolvido no aproveitamento da glicose pelas células. Sem a insulina, pacientes ficam com muito açúcar no sangue, condição tóxica para o organismo, que pode levar à cegueira e a amputação das pernas.

Trata-se de uma pesquisa experimental, feita em animais. A chegada desse tratamento aos pacientes pode levar alguns anos e é possível também que cientistas não observe os mesmos efeitos benéficos em pessoas.



Pacientes com diabetes devem acompanhar níveis de glicose no sangue para uso de medicamento ou insulina. Com nova droga em testes, insulina poderia ser secretada naturalmente (Foto: Reprodução/TV TEM)

A droga usada pelos cientistas utiliza a BL001, uma substância similar a outra do fígado que combate a inflamação em órgãos digestivos e protege células de morte precoce. Em cobaias, a droga foi capaz de impedir a hiperglicemia (aumento do açúcar no sangue) e regenerar as células beta do pâncreas -- aumentando, assim, a secreção de insulina.

Isso significa que, em vez de de injetar insulina constantemente, pacientes que utilizarem a droga no futuro poderiam secretar insulina naturalmente, já que a substância impede a morte de células que produzem o hormônio.

A pesquisa pontua que a maioria das iniciativas que tentaram tratamentos do tipo não sustentaram a produção de insulina ao longo do tempo - mas que, agora, cientistas conseguiram "reverter" a diabetes tipo 1 em ratos.

"Nós mostramos que, com a BL001, prevenimos e revertemos a diabetes em três tipos diferentes de modelos animais com diabetes tipo 1", escreveram os autores no estudo.


Os cientistas acompanharam as cobaias e demonstraram que os exames de sangue não apontavam substâncias consistentes com a presença da diabetes tipo 1. Agora, o próximo passo da pesquisa é o desenvolvimento de uma molécula mais estável da BL001, que poderá ser testada em seres humanos.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 16/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/estudo-aponta-potencial-de-cura-para-diabetes-tipo-1-droga-experimental-regenera-celulas-produtoras-de-insulina.ghtml