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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Riscos do trabalho dos motociclistas profissionais: estratégias de prevenção e regulação

O mundo capitalista tem contribuído de forma contundente na forma de ser e de fazer o trabalho e provocado conflitos e debates sobre as relações entre trabalho-capital. O trabalho constitui um dos vetores essenciais na estruturação das sociedades, o que nos leva a refletir sobre aspectos e processos relacionados à sua precarização, individualização das relações de trabalho, insegurança e vulnerabilidades, além de suas possibilidades de fragmentação da sociedade ou de integração social (TONI, 2003). Diante disso, existem implicações sociais atribuídas às mudanças nas formas de organizá-lo e de geri-lo. A sociedade atual se caracteriza pela urgência, instantaneidade e velocidade, o que traz a necessidade de profissionais que atendam estas exigências. 

De acordo com Soares et al. (2011), diante dessas demandas, o surgimento dos motociclistas profissionais (MP's) foi de extrema importância para atendê-las. Por se tratar de um veículo com facilidade de compra, graças a acesso ao crédito e ampliação dos prazos de pagamento, de acordo com dados do DENATRAN1 , o uso de motocicletas no Brasil apresentou uma tendência de crescimento. Além de um meio de transporte pessoal, as motocicletas servem como instrumentos de trabalho, sendo utilizadas para entregas de mercadorias (motociclistas profissionais), ou transporte de pessoas (moto-táxis). De acordo com Soares et al. (2011), os MP's se destacam nas grandes cidades em razão de uma maior exigência da sociedade local por mobilidade, com rapidez e agilidade, frente ao trânsito caótico, submetidos às precárias condições de trabalho e com alto risco de acidentes de trânsito. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde2 , em maio de 2015, o número de internações hospitalares após acidentes com motos cresceu 115% nos últimos 6 anos, o qual representa metade do total de internações por acidentes de trânsito no país. 

Em Minas Gerais, como relatado no estudo de Diniz, Assunção e Lima (2005, p. 906), em meados de 1999 já havia um expressivo crescimento do setor de motociclistas profissionais, acidentes graves e fatais e ausência de regulamentação das condições de trabalho e dos serviços realizados por esses trabalhadores. Em relação ao trabalho dos profissionais que utilizam motos para desenvolvê-lo, foi descrito no estudo de Drumond Moraes (2008), que por causa do ritmo de trabalho, o qual toma uma forma de ser paradoxal entre angústias e prazeres, os MP's aprenderam a transitar em meios intransitáveis, transformando essa forma de ser em uma ferramenta que atende à demanda de produção.


Autor: Lucas Gabriel de Almeida Carvalho, Geraldo Fabiano de Souza Moraes e Davidson Passos Mendes
Fonte: Sustinere
Sítio Online da Publicação: e-publicacoes UERJ
Data de Publicação: Julho a Dezembro de 2018
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/30170/23150

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Sistema reúne informações sobre usos e riscos dos agrotóxicos


Brasil, importante produtor agrícola, ocupa a primeira posição do ranking mundial em consumo de agrotóxicos – Foto: Pixabay-CC

Os agrotóxicos são, hoje, parte quase indissociável da agricultura, principalmente em se tratando de países destacadamente produtores agrícolas. O uso extensivo dessas substâncias garante maior produtividade dos insumos e diminui o risco de pestes e doenças nas plantações. Apesar dos benefícios proporcionados aos produtores, esses agentes trazem riscos ao meio ambiente e às pessoas que com eles têm contato. O Brasil, importante produtor agrícola, ocupa a primeira posição do ranking mundial em consumo de agrotóxicos.

Adelaide Nardocci, líder do Centro de Pesquisa em Avaliação de Riscos e integrante do Centro de Pesquisas de Desastres da USP, conta que, no cenário mundial, o Brasil é muito pouco restritivo em relação ao registro e regulamentação do uso de agrotóxicos, e que nos últimos meses muitos retrocessos têm sido anunciados. “Existem várias propostas em curso que visam a reduzir e flexibilizar ainda mais as regras para regulação de agrotóxicos”, completa.

É nesse cenário que a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) da Secretaria do Estado de São Paulo, desenvolveu, nos últimos anos, o Sistema de Busca de Informações Sobre Agrotóxicos, lançado em evento na FSP no dia 31 de outubro.

Ariadne, como é chamado o sistema, é um portal on-line que apresenta um conjunto de informações sobre o uso e a aplicação de agrotóxicos; os parâmetros principais do seu comportamento no ambiente; e as propriedades associadas à toxicidade crônica, considerando os riscos à saúde humana causados por exposições a baixas doses em longos períodos de tempo. O sistema apresenta, também, dados inéditos de pulverização aérea no Estado de São Paulo no período de 2013 a 2015. Ainda, o portal direciona o usuário para bases de dados nacionais e internacionais, caso este esteja em busca de informações mais detalhadas.

O sistema, resultado da pesquisa de mestrado de Rubens José Mário Júnior, tem por função facilitar o acesso de gestores de serviços públicos à informações já qualificadas sobre a toxicidade e o comportamento ambiental desses compostos, a fim de contribuir para uma ação mais efetiva na gestão da exposição humana a essas substâncias. É uma iniciativa tida como essencial quando se pensa na construção de modelos de produção mais sustentáveis.


Autora: Jornal USP
Fonte: Jornal USP
Sítio Online da Publicação: Jornal USP
Data de Publicação: 07/11/2017


Publicação Original: http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/sistema-reune-informacoes-sobre-usos-e-riscos-dos-agrotoxicos/.