segunda-feira, 6 de maio de 2019

Estudos demonstraram os efeitos negativos do glifosato no sistema nervoso e respiratório de peixes nativos da Colômbia

pulverização aérea de agrotóxicos

Glifosato – Estudos realizados por pesquisadores da Universidade Nacional da Colômbia (U.N.) demonstraram os efeitos negativos deste herbicida no sistema nervoso e respiratório de espécies nativas de peixes como o yamú, o peixe fantasma, o bocachico e o cachama blanca.
ABr
“Nossos trabalhos em laboratório baseiam-se na exposição de animais a uma concentração conhecida do agente tóxico. Aplicando as quantidades necessárias e suficientes, conseguimos determinar seu efeito tóxico nos peixes”, explicou o professor Jaime González, da Faculdade de Medicina Veterinária e de Zootecnia da U.N., durante a apresentação do livro Efectos tóxicos del glifosato en ictiofauna nativa de Colombia (“Efeitos Tóxicos do Glifosato na Ictiofauna Nativa da Colômbia”), na Feira Internacional do Livro de Bogotá (Filbo).
O diretor do Grupo de Investigação em Toxicologia Aquática e Ambiental (Aquatica) compartilhou com o público presente no estande da editora da universidade (Editorial UN) os resultados dos projetos que são desenvolvidos desde 2004 no intuito de demonstrar os efeitos negativos do glifosato nesses animais, com o apoio de entidades como a Fundação Internacional para a Ciência (FIC), a Universidade Distrital Francisco José de Caldas (UD) e a própria U.N.
“Para o primeiro projeto tomamos exemplares das espécies yamú e bocachico e fizemos a toxicologia básica. Usamos controles sem glifosato na água e concentrações de 10 e 30 ppm (partes por milhão). Em ambos os casos houve 100% de mortalidade. Com esses resultados, determinamos que essas duas espécies são bastante sensíveis à exposição ao herbicida.”
O professor González explicou que “antes de morrer também apresentaram alterações extremas do sistema nervoso, o que se evidenciou pelo nado frenético dos peixes nos aquários, somado a sintomas de dificuldade respiratória que foram confirmados na necropsia pela cor achocolatada que assumiram as brânquias, uma indicação de que o sangue não estava bem oxigenado. Essas avaliações foram feitas conforme os princípios da bioética.”
Efeitos sobre os peixes fantasmas
Outro dos projetos contidos no livro surgiu da união com a Universidade Distrital para estudar os efeitos do glifosato neste peixe ornamental que se comunica gerando ondas elétricas para se alertar em uma situação de risco.
“Ao contrário do bocachico e do yamú, esta espécie apresentou uma resistência muito maior; foi necessária uma concentração de 90 ppm para que manifestasse sintomas, os quais também foram a alteração do sistema nervoso e dificuldade respiratória. Percebemos que a coloração do sangue se alterava drasticamente; com a concentração de 90 ppm de glifosato, o sangue é muito escuro, um indicativo de que não está oxigenando”, comentou o professor González, que compartilhou com os participantes um vídeo em que o peixe fantasma, ou faca, que é normalmente noturno, deixava seu refúgio em plena luz do dia e subia à superfície do aquário em busca de mais oxigênio.
“Em seguida, medimos a onda elétrica dos controles, que era a parte fundamental deste estudo e que estava entre 800 e 900 Hertz. Contudo, quando começou a ser exposta ao glifosato, a onda chegou a 1.200 Hertz”, explanou o professor, lembrando que quando este peixe emite uma onda de tais valores, está alertando que há algo de errado com o meio ambiente.
Stress oxidativo
O terceiro projeto avaliou o stress oxidativo, que pode ser definido como uma resposta das membranas celulares, as quais “devem permanecer intactas, do contrário as células morrem”, explicou o professor, acrescentando que há agressores químicos, como neste caso o glifosato, que podem começar a quebrar os lipídios e proteínas que compõem estas membranas por efeito de compostos conhecidos como surfactantes, que permitem a ação do herbicida nas plantações.
“O glifosato é projetado para agir sobre a célula vegetal, que ao contrário da animal possui uma parede celular (barreira adicional de proteção), e graças a isso é possível prever que o herbicida age mais facilmente na membrana celular de um animal”, apontou o professor, o que levou os pesquisadores a detectar estresse oxidativo causado pelo glifosato no yamu e na cachama.
“Os peixes não morreram nem apresentaram sinais ou sintomas de intoxicação neste experimento, mas os testes bioquímicos indicam que as membranas celulares das brânquias e do fígado começaram a se alterar, certamente devido à ação do surfactante contido no glifosato”, concluiu.
* Com informações da agência de notícias da Universidade Nacional da Colômbia

Por Agência Brasil* , in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/05/2019

Autor: Agência Brasil
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 06/05/2019 
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/05/06/estudos-demonstraram-os-efeitos-negativos-do-glifosato-no-sistema-nervoso-e-respiratorio-de-peixes-nativos-da-colombia/

Biodiversidade do planeta avança em direção à crise de extinção – 1 milhão de espécies em risco

A diversidade de vida em nosso planeta está se deteriorando muito mais rapidamente do que se pensava anteriormente, com até 1 milhão de espécies ameaçadas de extinção, muitas das quais poderiam se perder “dentro de décadas”, conclui uma nova avaliação científica divulgada segunda-feira em Paris.

Aplicação de agrotóxicos. Foto: Shutterstock


Por Andrew Freedman*, Axios


Por que é importante: O relatório, da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), descobriu que fatores como mudança no uso da terra, sobrepesca, poluição, mudança climática e crescimento populacional estão levando a natureza à beira do abismo. Somente a “mudança transformacional” na maneira como a sociedade opera pode nos colocar de volta no caminho para atingir as metas globais de desenvolvimento sustentável, que quase todos os países da Terra se comprometeram a realizar, conclui o relatório.
Mostre menos


O quadro geral: as conclusões do IPBES chegam a ser o primeiro relatório global sobre o estado da natureza e visam fazer com que formuladores de políticas, ativistas e outros coloquem a perda de biodiversidade em uma posição mais alta na lista de prioridades globais.
A biodiversidade, que é a diversidade dentro das espécies, entre as espécies e os ecossistemas, está declinando no ritmo mais rápido da história humana, segundo o relatório.
Embora muitas das descobertas do relatório sejam sombrias, elas vêm com um pouco de esperança: ainda há tempo para evitar o futuro que ele projeta. Por exemplo, quase 100 grupos em todo o mundo estão trabalhando para designar 30% da superfície da Terra para proteção até 2030 e 50% até 2050, em um esforço para evitar a extinção de muitas espécies marinhas.

Pelos números:
8 milhões: Número total estimado de espécies de plantas e animais na Terra (inclui insetos).
Até 1 milhão: Número total de espécies ameaçadas de extinção.
Dezenas a centenas de vezes: “A medida em que a atual taxa global de extinção de espécies é maior em comparação com a média dos últimos 10 milhões de anos”. Esta taxa está acelerando, o relatório encontra.
40%: espécies de anfíbios ameaçadas de extinção.
25%: “Proporção média de espécies ameaçadas de extinção nos grupos terrestres, de água doce e vertebrados marinhos, invertebrados e plantas que foram estudadas com detalhes suficientes.”
145: Número de autores de relatórios de 50 países nos últimos 3 anos.
310: Contribuindo autores para o relatório.
15.000: fontes científicas, governamentais e indígenas que entraram neste relatório.
130: Governos membros do IPBES, incluindo os Estados Unidos.

O que eles estão dizendo?
“Estamos erodindo as próprias fundações de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo”, disse Robert Watson, presidente da avaliação do IPBES, em um comunicado. “O relatório também nos diz que não é tarde demais para fazer a diferença, mas apenas se começarmos agora em todos os níveis, do local ao global”.
“A rede essencial e interconectada da vida na Terra está ficando menor e cada vez mais desgastada”, disse o co-presidente do estudo e biólogo Josef Settele, em um comunicado.

Detalhes: O relatório recomenda uma série de mudanças em grande escala na forma como administramos nossas terras e mares, e afirma que a mudança transformadora por si só pode colocar o mundo em um curso mais sustentável até 2050.

Segundo Watson, que trabalhou como consultor científico para os governos dos EUA e do Reino Unido e presidiu o painel climático da ONU, o relatório define mudança transformadora como: “Uma reorganização fundamental em todo o sistema entre fatores tecnológicos, econômicos e sociais, incluindo paradigmas”. , objetivos e valores “.

Seja esperto: este relatório provavelmente será descartado por alguns como apenas outro em uma longa linha de terríveis previsões ambientais. Mas seu pedido de mudança sistêmica, ao invés de avanços incrementais, provavelmente dará um impulso aos movimentos ativistas que agora ganham força em todo o mundo, particularmente em torno da mudança climática.

Um desses grupos, que é principalmente ativo na Europa, é apropriadamente chamado para essa tarefa: Rebelião da Extinção .



* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/05/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 06/05/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/05/06/biodiversidade-do-planeta-avanca-em-direcao-a-crise-de-extincao-1-milhao-de-especies-em-risco/

Os extremos climáticos explicam 18% a 43% das variações globais do rendimento das culturas

Pesquisadores da Austrália, Alemanha, Suíça e Estados Unidos quantificaram o efeito de extremos climáticos, como secas ou ondas de calor, na variabilidade de produção de culturas básicas em todo o mundo.

University of New South Wales*

No geral, as mudanças ano-a-ano nos fatores climáticos durante a estação de crescimento do milho, arroz, soja e trigo representaram de 20% a 49% das flutuações de rendimento, de acordo com pesquisa publicada na Environmental Research Letters.

Os extremos climáticos, tais como temperaturas extremas de calor e frio, secas e fortes precipitações, por si só representaram 18% -43% dessas variações interanuais no rendimento das culturas.

Para chegar ao fundo dos impactos dos extremos climáticos sobre os rendimentos agrícolas, os pesquisadores usaram um banco de dados agrícola global em alta resolução espacial e conjuntos de dados climáticos e climáticos de cobertura quase global. Eles aplicaram um algoritmo de aprendizado de máquina, a Random Forests, para descobrir quais fatores climáticos tiveram o maior papel em influenciar o rendimento das culturas.

“Curiosamente, descobrimos que os fatores climáticos mais importantes para anomalias de produção estavam relacionados à temperatura, e não à precipitação, como seria de esperar, com a temperatura média da estação de crescimento e extremos de temperatura exercendo um papel dominante na previsão do rendimento das colheitas”, disse o autor. Elisabeth Vogel, do Centro de Excelência para Extremos Climáticos e Colégio de Clima e Energia da Universidade de Melbourne.

A pesquisa também revelou hotspots globais – áreas que produzem uma grande proporção da produção agrícola mundial, mas são mais suscetíveis à variabilidade climática e extremos.







“Descobrimos que a maioria desses hotspots – regiões que são críticas para a produção global e, ao mesmo tempo, fortemente influenciadas pela variabilidade climática e pelos extremos climáticos – parecem estar em regiões industrializadas de produção agrícola, como a América do Norte e a Europa.”

Para os extremos climáticos, especificamente, os pesquisadores identificaram a América do Norte para a produção de soja e trigo de primavera, a Europa para o trigo de primavera e a Ásia para a produção de arroz e milho como hotspots.

Mas, como os pesquisadores apontam, os mercados globais não são a única preocupação. Fora dessas grandes regiões, em regiões onde as comunidades são altamente dependentes da agricultura para sua subsistência, o fracasso desses cultivos básicos pode ser devastador.

“Em nosso estudo, descobrimos que a produção de milho na África mostrou uma das relações mais fortes com a variabilidade climática da estação em crescimento. De fato, foi a segunda maior variância explicada para a safra de qualquer combinação cultura / continente, sugerindo que é altamente dependente das condições climáticas ”, disse Vogel.

“Embora a participação da África na produção mundial de milho possa ser pequena, a maior parte dessa produção é destinada ao consumo humano – comparado a apenas 3% na América do Norte -, tornando-a crítica para a segurança alimentar na região.”

“Com a mudança climática prevista para alterar a variabilidade do clima e aumentar a probabilidade e a severidade dos extremos climáticos na maioria das regiões, nossa pesquisa destaca a importância de adaptar a produção de alimentos a essas mudanças”, disse Vogel.

“Aumentar a resiliência aos extremos climáticos requer um esforço conjunto nos níveis local, regional e internacional para reduzir os impactos negativos para os agricultores e comunidades que dependem da agricultura para sobreviver”.


Referência:

Elisabeth Vogel, Markus G Donat, Lisa V Alexander, Malte Meinshausen, Deepak K Ray, David Karoly, Nicolai Meinshausen, Katja Frieler. The effects of climate extremes on global agricultural yields. Environmental Research Letters, 2019; 14 (5): 054010 DOI: 10.1088/1748-9326/ab154b
http://dx.doi.org/10.1088/1748-9326/ab154b



* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/05/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 06/05/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/05/06/os-extremos-climaticos-explicam-18-a-43-das-variacoes-globais-do-rendimento-das-culturas/

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Agrotóxicos terão risco reavaliado pela Anvisa e podem ser retirados do mercado



Revisão de risco de agrotóxicos pela Anvisa vai levar em conta possibilidade de provocar câncer e mutações genéticas — Foto: Paulo Filgueiras



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta quinta-feira (2) que vai reavaliar o grau de risco à saúde de alguns agrotóxicos e que pode retirar produtos do mercado até 2020. A expectativa é de que quatro compostos passem pelo "pente-fino" neste primeiro ano.


Segundo a agência, a lista dos compostos que serão reavaliados será divulgada "em breve" e será definida por meio de uma pontuação calculada com base nos princípios ativos contidos na fórmula.


Essa metodologia levará em conta o risco de provocar câncer ou mutações genéticas e o uso do produto fora do setor agrícola, por exemplo, e utilizará referências internacionais de entidades como a Autoridade Europeia para Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (Usepa).


Diferentemente de outros produtos regulados pela Anvisa, o registro de agrotóxicos não prevê legalmente a revisão ou renovação. Por isso, segundo a agência, a revisão será "fundamental para a proteção da saúde da população".


Para Renato Porto, diretor da terceira diretoria da Anvisa, o processo será importante para "retirar do mercado produtos que, de fato, têm grau de toxicidade não mais aceitável", afirmou em nota.


Os critérios para a reavaliação foram discutidos na última terça-feira (29) em Brasília por representantes da Anvisa, do Ministério da Agricultura (Mapa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), além de outros integrantes do setor.




Produtos em análise




A Anvisa reavalia atualmente 4 agrotóxicos: 2,4 D, glifosato, tiram e abamectina. O glifosato está sob consulta pública, enquanto o 2,4 D já teve as consultas encerradas e aguarda deliberação final da agência. Os demais devem ter o processo concluído até dezembro.


Desde 2006, a Anvisa reavaliou 15 produtos, sendo que 12 foram proibidos e 3 três foram mantidos com restrições.


Até 18 de abril, o Ministério da Agricultura havia concedido registro a 124 agrotóxicos. Em 2018, foram 450 produtos liberados.




Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 02/05/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2019/05/02/agrotoxicos-terao-risco-reavaliado-pela-anvisa-e-podem-ser-retirados-do-mercado.ghtml

Nasa reconstrói 13 bilhões de anos em história espacial com imagens do telescópio Hubble

Astrônomos criam "túnel do tempo" com 13,3 bilhões de anos em história espacial



Astrônomos criaram uma espécie de "túnel do tempo" com 13,3 bilhões de anos em história espacial. Elaborando dados produzidos ao longo de 16 anos pelo telescópio espacial Hubble, cientistas da Agência Espacial Americana (Nasa) e da Agência Espacial Europeia (ESA) conseguiram reunir, em uma só imagem, 265 mil galáxias. Segundo comunicado publicado nesta quinta-feira (2), este é o mais completo histórico das galáxias já feito até hoje.


A imagem final é resultado da união de cerca de 7,5 mil fotografias individuais. Com isso, os astrônomos do projeto "Hubble Legacy Field" chegaram a um amplo retrato histórico do universo distante que remete a um passado muito remoto: apenas 500 milhões de anos após o "big bang".


Como a luz emitida nas galáxias foi emitida milhões de anos atrás — às vezes bilhões —, é possível rastrear a formação de partes do universo ao longo dos anos por meio das imagens do Hubble. O telescópio orbita a cerca de 563 km da Terra e cada volta leva 93 minutos.




Evolução das galáxias




Em comunicado, as agências espaciais envolvidas no projeto afirmam que "a história evolutiva do universo também é narrada nessa visão abrangente", pois o retrato "mostra como as galáxias mudam com o tempo, formando-se até se tornarem as galáxias gigantescas vistas no universo próximo".



Segundo o líder to time que unificou as imagens, Garth Illingworth, da Universidade da Califórnia, "esta imagem contém a história completa do crescimento das galáxias no universo, desde quando eram 'criança's até quando cresceram e se tornaram completamente 'adultas'".




Eles acreditam que só será possível superar a qualidade dessa imagem após o lançamento de novos telescópios espaciais, no futuro. O Hubble foi lançado em 24 de abril de 1990. Toda semana, ele transmite cerca de 150 gigabits em dados científicos. Ele passa 250 dias por ano focado em uma única parte do universo.



Telescópio Hubble divulga imagem inédita de nebulosa



Imagem de galáxias distantes produzidas pelo telescópio Hubble — Foto: Divulgação/Nasa



Legado para comunidade científica




"Nós montamos esse mosaico como uma ferramenta para ser usada por nós e também por outros astrônomos", disse Illingworth. "A expectativa é que essa pesquisa leve, nos próximos anos, a uma compreensão maior, mais coerente e profunda sobre a evolução do universo."


Com a imagem em alta resolução, é possível catalogar muitas galáxias distantes — 30 vezes mais do que imagens desse tipo, chamadas de "campo profundo", produzidas no passado. De acordo com Katherine Whitaker, da Universidade de Connecticut, esse tipo de pequisa tende a estimular descobertas imprevisíveis nos estudos sobre a evolução das galáxias.


O estudo permitirá aos astrônomos, por exemplo, traçar um histórico sobre a expansão do universo, obter pistas sobre as propriedades físicas do cosmos, quando os elementos químicos se originaram e quais as condições favoreceram a formação do nosso sistema solar e a vida na Terra.


O mesmo time de astrônomos está trabalhando, agora, em um segundo conjunto de imagens, voltado para uma parte diferente do universo, totalizando mais de 5,2 mil fotografias do Hubble.



Hubble captura imagens da aurora boreal de Júpiter




O telescópio espacial Hubble. — Foto: Nasa


Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 02/05/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/05/02/nasa-reconstroi-13-bilhoes-de-anos-em-historia-espacial-com-imagens-do-telescopio-hubble.ghtml

Castelo ganha iluminação em apoio à vacinação contra Influenza



Por: Aline Câmara (Agência Fiocruz de Notícias)


Nesta sexta-feira (3/5), véspera do Dia D da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza, o Castelo Mourisco da Fiocruz ganhará iluminação especial com as principais cores do Movimento Vacina Brasil. Em tons de verde e amarelo, o monumento, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), integrará o esforço do Ministério da Saúde em alertar a sociedade sobre a importância da imunização contra a gripe como uma medida de saúde pública.

Mais de 36 mil postos de vacinação estarão abertos, em todo o país, para vacinar a população prioritária durante o Dia D, marcado para o próximo sábado (4/5). Com o slogan Não coloque a sua vida e a de quem você ama em risco. Vacine contra a gripe, o Ministério espera vacinar 59,5 milhões de pessoas durante toda a campanha, que se estenderá até o dia 31.

Em tempos de fake news contra as vacinas, o Movimento Vacina Brasil tem como objetivo reverter o quadro de queda das coberturas vacinais, registrado nos últimos anos. A ideia é resgatar o sentimento de segurança, orgulho e comprometimento dos responsáveis em relação à saúde de seus filhos.




Autor: Aline Câmara
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/05/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/castelo-ganha-iluminacao-em-apoio-vacinacao-contra-influenza

Arboviroses: pesquisas alertam para a importância das ações de vigilância



Por: Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

Duas pesquisas recém-publicadas na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz alertam para a importância das ações vigilância para o controle da febre amarela e das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Em um artigo, cientistas relatam a primeira infecção por febre amarela do Rio de Janeiro em 2019. Registrado em um macaco, o caso ocorreu em Casimiro de Abreu, na Região das Baixadas Litorâneas – mesmo município onde, em março de 2017, foram diagnosticados os primeiros pacientes com a doença no estado após mais de 80 anos. De forma inédita, o trabalho revela a persistência do vírus na Mata Atlântica por três estações de transmissão, apontando a possibilidade de circulação silenciosa. Em outro estudo, pesquisadores apresentam um panorama da resistência do mosquito A. aegypti aos compostos que foram, por muito tempo, os principais inseticidas utilizados para controle do vetor no Brasil. Com base em mais de 700 avaliações em 146 municípios, a pesquisa evidencia a difusão da resistência ao larvicida temefós e ao adulticida deltametrina no país. Os dois trabalhos foram liderados por cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Resposta rápida

A combinação de diferentes ferramentas para vigilância permitiu a rápida identificação da primeira infecção por febre amarela do Rio de Janeiro em 2019, registrada em um macaco no município de Casimiro de Abreu, na Região das Baixadas Litorâneas. No artigo recém-publicado, os pesquisadores responsáveis pelo achado relatam que receberam a informação sobre um bugio doente avistado em uma área de mata no dia 9 de janeiro. Em menos de 48 horas, a confirmação do diagnóstico foi informada às Secretarias estadual e municipal de Saúde, permitindo a adoção de medidas para evitar a disseminação da doença. Para chegar ao resultado, os pesquisadores seguiram até a cidade, onde encontraram o animal já morto. O exame de necropsia e a coleta de amostras foram realizados no local. Em laboratório, testes identificaram a presença do genoma do vírus da febre amarela.

A decodificação da sequência genética levou a um achado sem precedentes. Em março de 2017, casos humanos de febre amarela registrados em Casimiro de Abreu marcaram a volta da doença ao Rio de Janeiro após mais de 80 anos. Ao longo de duas estações de transmissão (2016/2017 e 2017/2018), o surto se espalhou por mais de 50 cidades do estado, com cerca de 300 pacientes infectados, incluindo 97 mortes, além de quase cem infecções em macacos. No estudo, os pesquisadores verificaram que o genoma do vírus detectado em 2019 apresentou mais de 99,7% de semelhança com sequências genéticas de vírus referentes a casos de Casimiro de Abreu e cidades vizinhas em 2017, apontando a persistência da circulação viral na região pela terceira temporada de transmissão seguida.

Os autores do trabalho destacam que pesquisas anteriores indicavam um máximo de duas temporadas de transmissão consecutivas na Mata Atlântica, uma vez que a morte dos macacos em consequência da febre amarela leva ao fim o ciclo silvestre da doença. Considerando que não foram detectados casos humanos ou em animais em Casimiro de Abreu em 2018, os pesquisadores alertam para o potencial de circulação silenciosa do agravo. “Nosso estudo claramente demonstra que a circulação do vírus da febre amarela pode ser silenciosa na costa do Sudeste e que a transmissão pode ganhar força e ressurgir como epizootias quando as condições são adequadas. A persistência local do vírus e a possibilidade de re-emergências sazonais reforçam a necessidade de manter vigilância contínua e alta cobertura vacinal”, afirmam os cientistas no artigo.

O estudo foi realizado a partir da colaboração entre quatro laboratórios do IOC/Fiocruz: Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários, Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus, Laboratório de Aids e Imunologia Molecular e Laboratório de Genética Molecular de Microorganismos. O mesmo grupo de pesquisadores publicou, no ano passado, achados importantes relacionados às características genéticas do vírus ligado aos surtos recentes de febre amarela no Brasil e às rotas de dispersão do patógeno. Também colaboraram com a pesquisa o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e a Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ).

Levantamento abrangente

O larvicida temefós e o adulticida deltametrina foram, por muito tempo, os principais inseticidas empregados no combate ao Aedes aegypti no Brasil, mas tiveram que ser substituídos por causa do alto índice de resistência entre os vetores. O levantamento mais abrangente publicado sobre o tema reúne dados de mais de 700 avaliações em 146 municípios das cinco regiões, incluindo resultados inéditos de mais de cem testes e a revisão da literatura científica de 1985 a 2017. De acordo com os autores, o estudo fornece evidências de como a resistência pode se espalhar, o que coloca em questão o controle vetorial baseado unicamente em inseticidas e ressalta a necessidade de monitoramento constante.


Aedes resistentes (vermelho) ou com resistência incipiente (laranja) foram encontrados em todas as regiões do país. Ensaios com larvas (A) apontaram vetores suscetíveis (verde) ao temefós quase exclusivamente em São Paulo e na região Sul. A resistência dos mosquitos adultos à deltametrina foi observada em testes qualitativos (B) e quantitativos (C). (Imagem: Denise Valle e colaboradores / Arte: Jefferson Mendes)

O levantamento aponta que, entre 457 avaliações do temefós, realizadas de 1998 a 2015, 80% indicaram níveis de resistência suficientes para reduzir a eficácia do larvicida. Entre mais de 140 cidades contempladas nas cinco regiões, apenas cerca de 30 apresentaram larvas suscetíveis ao produto em pelo menos um teste, sendo quase todas na região Sul e em São Paulo. Os autores destacam que a região mais fria do Brasil apresenta historicamente menores índices de arboviroses. Já o estado de São Paulo conta com o maior número de municípios monitorados e a maior frequência de avaliações, refletindo um programa forte e coordenado para manejo da resistência.

Com relação à deltametrina, o artigo traz 274 análises, realizadas de 2005 a 2015. Testes com duas metodologias confirmaram a disseminação da resistência entre os mosquitos adultos: o método indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que todas as populações de vetores testadas eram resistentes, enquanto a técnica recomendada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, identificou resistência em mais de 90% dos insetos. A gravidade do problema foi verificada ainda em outro experimento, que aponta a chamada ‘razão de resistência’ – taxa que indica quantas vezes maior é a concentração de inseticida necessária para combater os mosquitos coletados em determinada localidade em comparação com uma população de A. aegypti suscetível mantida em laboratório. Em testes realizados com vetores de todas as regiões do país, o indicador variou entre sete e 95, índices que apontam necessidade de substituição do produto.

Lembrando que existem poucas alternativas disponíveis, os cientistas enfatizam a necessidade de respeitar o caráter complementar do controle químico nas ações de combate ao Aedes. “Os inseticidas devem ser reservados para o tratamento de criadouros que não podem ser eliminados e para locais e situações específicas, como o bloqueio de surtos ou intervenções em pontos estratégicos”, afirmam no artigo. O estudo foi realizado por pesquisadores do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus, Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores, Instituto de Biologia do Exército e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Entomologia Molecular. Os dados inéditos apresentados foram produzidos pelos cientistas como parte das ações da Rede Nacional de Monitoramento da Resistência de Aedes aegypti a Inseticidas (Rede MoReNAa), que atuou de 1998 a 2012, sob coordenação do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde.

Referências:

Abreu FVS, Delatorre E, dos Santos AAC, Ferreira-de-Brito AF, de Castro MG, Ribeiro IP, et al. Combination of surveillance tools reveals that Yellow Fever virus can remain in the same Atlantic Forest area at least for three transmission seasons. Mem Inst Oswaldo Cruz. 2019; 114: e190076.

Valle D, Bellinato DF, Viana-Medeiros PF, Lima JBP, Martins Jr AJ. Resistance to temephos and deltamethrin in Aedes aegypti from Brazil between 1985 and 2017. Mem Inst Oswaldo Cruz. 2019; 114: e180544.

* Edição: Vinícius Ferreira



Autor: Maíra Menezes
Fonte: IOC/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/05/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/arboviroses-pesquisas-alertam-para-importancia-das-acoes-de-vigilancia