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segunda-feira, 16 de março de 2020

Pesquisa revela detalhes da produção orgânica de leite no RJ

O crescimento do consumo de alimentos livres de produtos químicos e não-transgênicos e a preocupação da sociedade com a segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental vêm contribuindo para o aumento da demanda por alimentos orgânicos, dentre os quais o leite e seus derivados. Do lado do produtor, o valor agregado do produto orgânico é duas ou três vezes superior ao do leite e derivados produzidos de forma convencional, fato que tem motivado a transição de produtores tradicionais para o sistema orgânico de produção.

Com a finalidade de investigar essa tendência, a médica veterinária Joice Fátima Moreira Silva, contemplada no programa “Bolsa Nota 10” da FAPERJ, foi a campo para conduzir o trabalho “Bovinocultura Leiteira Orgânica no estado do Rio de Janeiro: Caracterização, Aspectos Sanitários e Qualidade do leite”. Pós-graduanda em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), ela defendeu sua dissertação de mestrado em 20 de fevereiro passado.

Segundo Joice, a produção de leite orgânico no Brasil ainda é considerada incipiente, sendo a escassez de informações sobre o setor um dos fatores contribuintes para este cenário. Pela Lei 10.831 de dezembro de 2003 e posterior Instrução Normativa (IN) 46 de 2011, o manejo e o controle sanitário do rebanho para a produção de leite orgânico deve se basear nos princípios do bem estar animal, no manejo de boas práticas nutricionais e de sanidade, e no uso de produtos homeopáticos, fitoterápicos e da acupuntura. “Porém, pouco se conhece sobre as estratégias realmente utilizadas pelos produtores para contornar os problemas sanitários e nem mesmo se elas são efetivas, o que justificou minha pesquisa junto às unidades de produção”, diz a veterinária.

Nas entrevistas, realizadas entre abril e agosto de 2019, e posteriormente confirmadas in loco, foram coletadas informações sobre o produtor e a propriedade; as características da atividade leiteira orgânica na propriedade, da produção e do rebanho; manejo nutricional e aspectos sanitários. Além disso, para a avaliação das condições sanitárias do rebanho e manejo de ordenha, duas amostras de leite foram coletadas em cada propriedade do tanque de resfriamento, uma em época de seca e outra na estação das chuvas. As amostras foram enviadas para a Clínica do Leite (Esalq/USP), vinculada à Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL), localizada em Piracicaba (SP), onde foram realizadas as análises da composição do leite (teores de gordura, proteína e lactose), e dos indicadores estabelecidos pelas Instruções Normativas (IN) 76 e 77 de 2018: Contagem de Células Somáticas (CCS células/mL), Contagem Bacteriana Total em Unidades Formadoras de Colônias (UFC/mL) e resíduos de inibidores (antibióticos) no leite.

O estudo revelou que as principais motivações dos produtores de leite orgânico são a preservação ambiental, a qualidade e o valor agregado do produto, o bem estar animal, o crescimento do mercado de orgânicos e a interação social justa, uma vez que o processo de Certificação Participativa requer a reunião de produtores em grupos ou núcleos que promovem reuniões periódicas. E o próprio grupo garante a qualidade orgânica de seus produtos, ou seja, todos tomam conta de todos e respondem juntos pela qualidade do produto. No que se refere aos desafios, a grande maioria ainda tem dificuldade de obter insumos orgânicos para a alimentação suplementar (grãos, farelos e volumosos). Outros entraves são a falta de assistência técnica especializada, o mercado ainda restrito, a escassez de mão de obra capacitada, as dificuldades para o controle sanitário do rebanho, o transporte e logística dos produtos, a carência de informações e os esforços individuais para conquistar a credibilidade do cliente final. Apesar das dificuldades, a médica veterinária pôde constatar que os produtores são resilientes e já obtêm sucessos capazes de influenciar outros produtores a fazerem a transição do sistema de produção tradicional para o orgânico.


Para controlar as doenças do rebanho, 100% das propriedades usam a homeopatia e 57% ainda complementam com plantas medicinais e fitoterapia


Em suas visitas técnicas a campo, Joice verificou que os produtores entrevistados têm, em média, 60 anos, a maioria (71%) é do gênero masculino e 72% possuem ensino superior completo. O tamanho médio das propriedades é de 149, 5 hectares e a produção média de leite é de 194,3 litros por dia. Para obterem essa produção diária, o número de vacas em lactação no rebanho é de 22 animais, em média, com produção média de 8,7 litros por vaca ordenhada ao dia. Quanto ao tipo de ordenha, 86% das propriedades utilizam a mecanizada. O rebanho, composto em sua maioria por animais mestiços obtidos por cruzamentos variados de Gir leiteiro x Holandês (Girolando), é manejado no regime semi-intensivo, ou seja, com alimentação à vontade em pastagens e suplementação no cocho. A maioria (86% das propriedades) produz de forma orgânica a suplementação de volumoso e concentrado para vacas em lactação durante o ano todo. O produtor que não consegue insumos 100% orgânicos, opta pelo produto produzido de forma tradicional, o que é permitido pela legislação desde que comprovadamente não seja de origem transgênica. Como especificado na legislação, todos os produtores aplicam as vacinas obrigatórias e preventivas, que são consideradas manejo imunológico. A fim de agregar valor ao produto, 70% das propriedades possuem laticínio e vendem sua produção (queijos e iogurtes, principalmente) em feiras orgânicas no Rio de Janeiro. Os 30% demais entregam o leite em cooperativas ou em laticínios de produtos orgânicos.

Para controlar as doenças do rebanho, 100% das propriedades recorrem à homeopatia e 57%, além da homeopatia, fazem uso de plantas medicinais. Entre os principais problemas sanitários, todos os pecuaristas apontaram os ectoparasitas (carrapatos, moscas e bernes) como os principais agentes que determinam prejuízos econômicos na propriedade. Além da homeopatia, alguns produtores utilizam plantas medicinais e fitoterapia como medida preventiva, na forma de extratos à base de plantas, tais como neem, misturas de folha de fumo com citronela e capim limão, entre outras, para pulverizar o gado e fazer um controle ambiental de carrapatos, moscas e demais insetos. A mastite foi apontada como a doença de segunda maior preocupação por 71% dos produtores, mesmo se adotando a ordenha com o bezerro ao pé (junto da vaca). Nesses casos, para contornar o problema eles também recorrem à homeopatia, adquiridas comercialmente para pronto uso ou preparadas na propriedade, de acordo com a necessidade. Para a prevenção da verminose, que acomete especialmente bezerros, a folha de bananeira picada é oferecida por três dias, e repetida a cada 15 dias. A veterinária explica que devido a maior suscetibilidade das bezerras, alguns produtores optam pelo manejo tradicional até a fase de novilha, quando, com maior resistência, os animais podem fazer a transição e ser incorporados ao sistema de manejo orgânico.


Joice espera que sua pesquisa possa contribuir para um melhor entendimento do cenário do sistema orgânico de produção e da qualidade do leite no Estado do Rio


A pesquisadora também deu atenção especial às técnicas utilizadas no manejo dos dejetos, entre elas a chorumeira, composta de tanque que recebe os resíduos líquidos após a lavagem do curral e equipamentos para posterior reutilização como adubo líquido nos pastos. Outras propriedades optam pela câmera de evapotranspiração para receber o material líquido proveniente da lavagem dos equipamentos, conhecido como água cinza. "Nesse sistema, é construído um tanque impermeável, preenchido com diferentes camadas de substrato cobertas com terra, onde são plantadas espécies vegetais de crescimento rápido e alta demanda por água, como bananeiras", explica. Nesse sistema fechado não há infiltração no solo nem excedente de água, que é totalmente eliminada por evapotranspiração. Métodos mais tradicionais como composteira e esterqueira ainda são utilizados, sendo que em uma das propriedades o produtor possui um biodigestor, que gera gás para produzir energia, utilizada no laticínio.

Quanto à qualidade do leite coletado, 100% estavam em conformidade no que se refere à composição (percentuais de gordura, proteína e lactose); 67% atendiam aos parâmetros de Contagem de Células Somáticas (CCS), apresentando mensalmente CCS inferior a 500.000 células por mililitro de leite; e 67% também atendiam aos níveis de Contagem Bacteriana Total (CBT). Quanto à análise de presença de antibiótico no leite, todas as amostras foram negativas.

Complementando o objeto da pesquisa, Joice realizou um estudo de caso em uma das propriedades orgânicas visitadas: a Fazenda Vale das Palmeiras, localizada em Teresópolis, na Região Serrana. “Esta propriedade utiliza um controle específico de mastite através da análise mensal e individual do leite das vacas para acompanhamento da Contagem de Células Somáticas (CCS), o que permite ao produtor monitorar o status sanitário dos animais quanto à ocorrência de mastite e, consequentemente, promover melhorias na qualidade do leite”, explica a veterinária. Joice espera que os resultados de seus estudos possam contribuir para um melhor entendimento do cenário do sistema orgânico de produção e da qualidade do leite, com visibilidade dos seus pontos fortes e fracos, demandas e oportunidades.






Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 12/03/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3939.2.8

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Quem é intolerante à lactose precisa cortar totalmente o leite?




A intolerância à lactose é um problema cada vez mais comum que atinge cerca de 40% dos brasileiros. É uma disfunção que pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente conforme a idade avança, porque à medida que envelhecemos, nosso sistema digestivo tende a apresentar deficiência na produção de algumas enzimas, entre elas a lactase, responsável por quebrar o açúcar do leite.


Atualmente, os exames para diagnosticar o problema são mais precisos e acessíveis. Com uma amostra de sangue de 5ml e um teste que é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já é possível saber se o indivíduo tem a disfunção. Outro exame bastante útil para detecção do problema é o teste respiratório de hidrogênio (H2). Nesse caso, não é nem necessário a coleta de sangue, pois o exame se baseia na quantidade de hidrogênio (H2) – gás produzido quando se é intolerante à lactose – na respiração. No início do teste, o paciente sopra lentamente em um pequeno aparelho que mede a quantidade de hidrogênio na respiração. Em seguida, deve-se ingerir uma pequena quantidade de lactose diluída em água e soprar no aparelho a cada 30 minutos, durante um período de 3 horas. O diagnóstico de intolerância é feito quando a quantidade de hidrogênio medida é 20 ppm (partes por milhão) maior que a da primeira medição.

Por apresentar sintomas bastante inespecíficos, como gases, dor abdominal e diarreia, até a década de 90 a grande maioria dos pacientes ficava sem diagnóstico. Como percebiam que os sintomas surgiam cerca de 30 minutos após o consumo de leite, o que faziam era simplesmente cortar o alimento da dieta.

Mas já é consenso entre a comunidade médica que não é necessário retirar os produtos lácteos das refeições. Como o leite é um alimento muito completo, a recomendação é verificar a quantidade que cada um tolera, pois os níveis de intolerância mudam muito de paciente para paciente, podendo ir desde uma resistência leve, até moderada ou alta.

Como forma de teste, em casa mesmo, o paciente pode começar ingerindo meio copo de leite duas vezes por dia. Para amenizar o efeito, pode consumir alimentos como pães e cereais junto com a bebida. Dessa forma, é possível encontrar um ponto de equilíbrio, o que não acontece quando o paciente tem alergia à proteína do leite. “Pessoas que são intolerantes possuem deficiência ou não produzem a enzima que vai ajudar a quebrar a lactose, mas isso não as impede de consumir algo que tenha leite ou derivados.

Atualmente, é possível fazer uso de enzimas que o paciente pode tomar ou adicionar ao alimento na hora de consumir”, esclarece o Prof. Dr. Paulo Carvalho, gastroenterologista do Hospital Israelita Albert Einstein. “Dessa maneira, ele terá as enzimas que vão quebrar a lactase e permitir sua digestão. Inclusive, não é que os produtos sem lactose disponíveis no mercado não possuam leite; na verdade, só há a adição dessa enzima”, complementa o especialista.

Mas atenção: é sempre recomendável procurar um especialista, pois por trás dessa resistência do sistema digestivo podem estar outras doenças, como colite, Doença de Crohn e outras, que são confundidas com intolerância à lactose.


CUIDADOS ESPECIAIS



Quem tem algum nível de intolerância precisa ter atenção redobrada em relação aos rótulos dos alimentos. Sabemos que queijos e iogurtes passam a ser objeto de atenção para quem é intolerante, mas há alguns produtos em que a presença de leite ou derivados não é tão evidente. A presença do ingrediente pode variar entre uma marca e outra, mas é preciso atenção com produtos muito diversos, como frutas em conserva, chocolates, bisnaguinhas, adoçantes, cereais, maionese, margarina, bolachas recheadas e achocolatados.

E não são somente os produtos alimentícios que podem desencadear o desconforto. “A lactose também é um excipiente muito utilizado na produção de medicamentos. Vale a pena conversar com o farmacêutico na hora que for comprar o produto para verificar se há alternativas”, alerta o especialista.

Sobre o autor: Juliana Conte
Jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.






Autor: Juliana Conte
Fonte: Drauzio Varella
Sítio Online da Publicação: Drauzio Varella
Data: 28/08/2018
Publicação Original: https://drauziovarella.uol.com.br/alimentacao/quem-e-intolerante-a-lactose-precisa-cortar-totalmente-o-leite/

sexta-feira, 16 de março de 2018

Como o leite de um dos bichos mais exóticos do mundo pode ajudar a combater superbactérias




O leite materno do ornitorrinco contém uma proteína capaz de combater superbactérias (Foto: AFP)



Ornitorrincos são criaturas curiosas. Com bico de pato e pés munidos de esporões venenosos, estão entre os poucos mamíferos capazes de colocar ovos. Eles amamentam de uma forma completamente diferente dos outros animais – e isso pode fazer com que se tornem aliados importantes dos cientistas no esforço para combater as superbactérias. Pesquisadores australianos descobriram em 2010 que o leite do ornitorrinco contém uma proteína potente que evita a proliferação de superbactérias. O atributo, diz a equipe à frente do estudo, poderia ajudar na luta contra um dos problemas mais urgentes da humanidade: a resistência desses micro-organismos a antibióticos. Agora, eles conseguiram isolar a estrutura da proteína e acreditam que a descoberta possa levar à criação de um novo tipo de antibiótico.


Ornitorrincos são monotremados, um pequeno grupo de mamíferos que podem botar ovos e produzir leite.


Eles não têm mamilos – em vez disso, concentram o leite na barriga e alimentam seus filhotes pelos poros na região. O leite é liberado por eles, como se fosse um "suor", e aí os filhotes são amamentados "lambendo" o líquido da barriga da mãe. Este sistema de amamentação pode estar ligado às propriedades antibacterianas do leite, de acordo com os cientistas. "Ornitorrincos são animais tão esquisitos que faria até sentido eles terem uma bioquímica estranha", afirmou Janet Newman, da Agência Nacional de Ciência da Austrália (CSIRO, na sigla em inglês), coordenadora da pesquisa. Acredita-se que mamíferos tenham desenvolvido mamilos porque seria uma forma estéril de conseguir dar leite para seus filhotes sem contaminá-los com bactérias e outros micro-organismos. No entanto, o leite do ornitorrinco acaba ficando exposto à sujeira de fora, o que deixaria os filhotes correndo risco de serem contaminados por algum agente patológico. A proteína antibacteriana única que o leite dos ornitorrincos possui é a defesa do animal contra isso, conforme explica Julie Sharp, da Deakin University.




"Nós estávamos interessados em examinar a estrutura da proteína e as características dela para encontrar exatamente qual parte da proteína estava fazendo isso", contou.





"Os pesquisadores encontraram uma peculiaridade que dizem que nunca foi vista em mais de 100 mil diferentes estruturas de proteínas conhecidas pelos biólogos."




Eles a apelidaram de Shirley Temple, por causa de sua forma encaracolada - uma referência à atriz mirim que brilhou nos anos 1930. Newman afirma que a equipe aprofundará os estudos para "buscar informações sobre outras descobertas" nas propriedades do leite do ornitorrinco. A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um relatório em 2014 pedindo urgência na prevenção a uma eventual era "pós-antibiótico", em que as infecções mais comuns que haviam sido facilmente tratáveis por décadas poderiam voltar mais fortes e oferecendo até risco de morte. A resistência antimicrobiana ocorre quando as bactérias acumulam uma tolerância contra os antibióticos e passam essa resistência para a próxima geração de bactérias, produzindo superespécies. Segundo o sistema público de saúde da Inglaterra, cerca de um quinto das prescrições de antibióticos são desnecessárias, já que muitos tipos de doença podem ser curados pelo nosso próprio organismo. Estima-se que cerca de 5 mil pessoas morrem na Inglaterra todos os anos como resultado de infecções "resistentes" a remédios. O leite do ornitorrinco poderia ajudar no combate a esse problema, conforme os estudos dos cientistas têm revelado.




Autor: BBC
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data de Publicação: 16/03/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/como-o-leite-de-um-dos-bichos-mais-exoticos-do-mundo-pode-ajudar-a-combater-superbacterias.ghtml

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Leite materno garante a hidratação de bebês




A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam que até o sexto mês de vida do bebê seja oferecido somente leite materno. Mesmo nos meses mais quentes, de verão, não é indicado dar água, chá, suco ou qualquer outro líquido. Já a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda oferecer suco somente após um ano de idade. Isso porque cerca de 90% do leite materno é composto de água, além de conter todos os nutrientes em qualidade e quantidade necessárias para o crescimento e o desenvolvimento adequado da criança.

“Oferecer água para o bebê antes dos seis meses de vida pode causar sérios problemas à saúde, tais como diarreia e má nutrição. Nem água, suco ou chazinho são necessários nesse período. Isso pode diminuir a vontade de mamar e a consequência é a diminuição na produção de leite. A conta é simples: quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido. Portanto, nada de querer incrementar o cardápio do seu pequenino”, explicou a pediatra do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Marlene Roque Assumpção.

A pediatra enfatiza que o leite materno é o alimento ideal para matar a sede e saciar a fome do bebê. “No início da mamada, ele é mais rico em água e açúcar, saciando também a sede do bebê, e o do final é mais rico em gordura, sendo mais calórico e fornecendo mais saciedade e ganho de peso à criança”, esclarece. Somente depois dos seis primeiros meses que o bebê vai precisar experimentar novos sabores e texturas, quando serão introduzidos papas de frutas e papas salgadas. Marlene Roque lembra que o leite materno deve ser mantido até os dois anos ou mais.

Leia mais sobre introdução alimentar.


Autor: Juliana Xavier
Fonte: IFF/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 29/01/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/leite-materno-garante-hidratacao-de-bebes

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

BEBIDA NUTRITIVA É FEITA COM SOROS DO LEITE

Você sabia que todos os dias são descartados milhões de litros de soros do leite que são jogados fora no ralo das indústrias? No entanto, há na composição nutricional do soro desproteinado uma grande quantidade de nutrientes que poderia ser aproveitado em um alimento refrescante e nutritivo. A partir daí, foi desenvolvido um projeto pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), que aproveita os diferentes tipos desses soros para a elaboração de bebidas lácteas.

De acordo com coordenador do projeto Junio Cesar J. de Paula, a ideia da pesquisa surgiu pelo fato das pessoas não consumirem a quantidade recomendada de lácteos. Por outro lado, segundo ele, é cada vez maior a utilização de tecnologias geradoras de soro desproteinado, que é o último da indústria de laticínios e que são produzidos e descartados em milhões de litros no Brasil. “Porém, nesse soro, a lactose, o cálcio, outros sais minerais e as vitaminas ainda permanecem conferindo considerável valor nutricional”, afirma Junio, ressaltando que, no entanto, o aproveitamento dele na indústria esbarra na indisponibilidade de subsídios científicos.

Com isso, a pesquisa realizada observou que entre as diversas formas de utilização do soro de leite, a elaboração de bebidas lácteas constitui uma das alternativas mais simples e atrativa para o seu aproveitamento. Isso porque, de acordo com Junio, atualmente existe grande possibilidade de uso de equipamentos previamente disponíveis nas indústrias para tal procedimento. “Com isso, tais produtos, por serem de baixo custo e nutritivos, podem incentivar o consumo de lácteos melhorando a nutrição das pessoas além de reduzir problemas ambientais”, garante.

O pesquisador considera como fundamental a participação da FAPEMIG para a execução do projeto, o que, demonstra o compromisso da agência nas propostas. Segundo ele, graças a esse apoio os resultados possuem validade científica para serem publicados e utilizados com segurança e aplicabilidade pelas indústrias de laticínios. “Além de incentivar a inovação tecnológica, o que certamente irá contribuir para evolução do setor em Minas Gerais e no Brasil”, acredita.

A pesquisa que já foi concluída gerou uma dissertação de mestrado. A bebida foi apresentada na última edição do Inova Minas, realizado em setembro em Belo Horizonte. Na ocasião, cerca de 300 pessoas degustaram o produto possibilitando um feedback aos pesquisadores.




Autor: Téo Scalioni
Fonte: Fapemig
Sítio Online da Publicação: Fapemig
Data de Publicação: 21/01/2018
Publicação Original: http://www.fapemig.br/visualizacao-de-noticias/ler/1222/bebida-nutritiva-e-feita-com-soros-do-leite

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Fiocruz realiza encontro de Bancos de Leite Humano




Por: Roberta Raupp (rBLH/ Fiocruz)


Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro de 2017, os coordenadores dos 28 Centros de Referências Estaduais de Bancos de Leite Humano (BLHs) e a Comissão Nacional de BLHs estarão reunidos na cidade do Rio de Janeiro para avaliar o desempenho da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) no decorrer deste ano e planejar as estratégias a serem executadas em 2018. A ocasião marcará o início do processo de implantação do Programa de Certificação de BLHs para o SUS, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno (CGSCAM) do Ministério da Saúde (MS).

O evento é uma iniciativa da Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH), da CGSCAM/ MS e da Fiocruz, por meio de três unidades: o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).

O Encontro Nacional de Referências Estaduais para Bancos de Leite Humano / Fiocruz/ CGSCAM - 2017 acontecerá em cinco sessões: Abertura; Certificação da Qualidade de BLH I: Aspectos Teóricos e Oportunidade de melhorias; Certificação da Qualidade de BLH II: Aspectos Práticos - Parque Tecnológico; Leite Humano e Prematuridade; e Avaliação e Planejamento.

A solenidade de abertura será realizada das 19h30 às 22h e contará com a presença de autoridades do Ministério da Saúde e da Fiocruz. Na sequência, serão apresentadas as inovações da rBLH desenvolvidas em 2017, dentre elas, a publicação Série Documentos sobre a criação da rBLH na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP); o lançamento do Monitoramento da rBLH: Agenda 2030; o pré-lançamento do Aplicativo para Certificação do Parque Tecnológico da rBLH - equipamentos e instalações; e a apresentação da Portaria que define critérios de habilitação de BLHs e e Postos de Coleta de Leite Humano (PCLH).

No dia 30 de novembro, os coordenadores estaduais de BLHs participarão de três sessões. A primeira contemplará os aspectos teóricos e as oportunidades de melhorias da Certificação da Qualidade de BLH - Fiocruz / CGSCAM / MS, perpassando pela apresentação do Programa, que envolve a Certificação em Recursos Humanos, Informação – Credenciamento, Parque Tecnológico, e Produtos e Processos. Além disso, a rBLH apresentará os Ensaios de Proficiência. O período da tarde será destinado ao treinamento para utilização do Aplicativo para Certificação do Parque Tecnológico da rBLH - equipamentos e instalações.

A terceira parte do encontro no dia 30 de novembro será composta pela sessão científica Leite Humano e Prematuridade, que tratará dos desafios de garantir o leite da mãe para o prematuro e do BLH como rede de apoio, com ênfase no compromisso de todos.

A manhã seguinte (1º de dezembro) será dedicada a avaliação e planejamento da rBLH. Temas como as atribuições e responsabilidades institucionais das referências da rBLH, as estratégias para a implementação do Programa de Certificação da Qualidade, workshop estaduais sobre a Qualidade em BLH estarão presentes neste dia, além da avaliação pela Coordenação da rBLH-BR das demandas locais.

Ao final do evento, serão apresentados os resultados do Credenciamento 2017 e a entrega dos certificados dos BLHs credenciados.

As atividades dos três dias ocorrerão no Copacabana Mar Hotel (Rua Ministro Viveiros de Castro, 155 – Copacabana, Rio de Janeiro-RJ). As sessões noturnas serão transmitidas em tempo real pela equipe do Laboratório de Telessaúde da rBLH.

Confira a programação.




Autora: Roberta Raupp
Fonte: rBLH 
Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/fiocruz-realiza-encontro-de-bancos-de-leite-humano