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quinta-feira, 29 de julho de 2021

Bebês devem ser estimulados a segurar e alcançar objetos desde o nascimento, sugere estudo



Recém-nascidos e bebês de até três meses de idade já devem receber estímulos para manusear objetos e observar adultos desenvolvendo tarefas do dia a dia. Esse incentivo ajuda no desenvolvimento social, motor e cognitivo. É o que sugerem pesquisadores em artigo publicado na revista científica Infant Behavior & Development.

O estudo propõe que, desde o nascimento, os bebês assistam cotidianamente os adultos em suas atividades diárias, como, por exemplo, na manipulação de utensílios domésticos. Além disso, também devem ter contato frequente com objetos para que desenvolvam as habilidades de segurá-los e de estender os braços para alcançá-los.

Por meio dessas interações sociais, os bebês conseguem desde os primeiros dias de vida aprender a usar o próprio corpo de maneira funcional e a perceber as relações entre seus movimentos e as consequências no ambiente.

“Apresentamos evidências de que as atividades de imitação e manipulação neonatal estão conectadas e propomos práticas de estimulação baseadas em desenhos experimentais, nas quais os bebês devem ser posicionados de maneira favorável a observar as ações das pessoas. Isso terá impacto na forma como entendem o mundo social e a cadeia de ações possíveis nesse ambiente”, escrevem os pesquisadores no artigo Interweaving social and manipulative development in early infancy: Some direction for infant caregiving.

O trabalho teve apoio da FAPESP no âmbito de convênio com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV).

A pesquisadora Priscilla Ferronato, do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Paulista (Unip), primeira autora do trabalho, afirma que o estudo estabelece ligação entre os sistemas social de imitação e o motor de ação manipulativa. “As pesquisas têm demonstrado, desde os anos 1970, que os bebês conseguem copiar expressões faciais logo que nascem. Sugerimos que eles imitam tudo, tanto as expressões como as ações motoras de manipular objetos. Ao ver o adulto usando as mãos, eles copiam e aprendem a usá-las”, disse.

Ferronato explica que, nos primeiros três meses de vida, os bebês, em geral, não conseguem fazer sozinhos movimentos para alcançar objetos. “Os cuidadores normalmente estimulam o uso das mãos a partir do momento em que os bebês aprendem o movimento de alcançar objetos. Nossa proposta é o contrário: incentivar no período em que eles ainda não conseguem”, disse.

No artigo, os pesquisadores fizeram uma revisão de estudos e perspectivas teóricas e apresentaram a nova abordagem como alternativa para compreender a imitação e as atividades manuais.

As sugestões estão baseadas na reprodução de cenários simples e de fácil adaptação, que replicam situações experimentais de estudos clássicos do desenvolvimento infantil.

Um dos exercícios propostos é o de colocar nas mãos da criança um objeto com textura lisa. Em seguida, acrescentar rugosidade à superfície para que ela sinta a diferença na forma de agarrar. Outra sugestão é oferecer um dedo para o bebê segurar e, quando ele conseguir, sorrir para que haja a associação do toque com o estímulo visual.

Mais uma atividade proposta é, em um ambiente com baixa luminosidade, colocar um feixe de luz (com uma lanterna ou o celular) atravessando horizontalmente o bebê na altura do peito para que ele tente controlar os braços ao buscar o feixe de luz.

“O nosso objetivo final é levar essas informações não só a professores de creche para aplicação prática, mas também aos pais, já que, geralmente, os bebês estão em casa nesse período. A maioria dos pais não tem ideia de que os bebês são capazes de aprender logo nos primeiros meses de vida”, disse Ferronato.

Na pesquisa Primeiríssima Infância – Interações: Comportamentos de pais e cuidadores de crianças de 0 a 3 anos, publicada em 2020 pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, 21% dos pais entrevistados disseram que as crianças começam a aprender a partir dos seis meses de idade, e outros 21%, de um ano em diante. Dos 58% que responderam que os bebês aprendem ainda no útero ou logo após nascer, a maioria tem ensino superior e renda mais alta.

Desenvolvendo habilidades

No Brasil, a Lei 13.257/2016 define a primeira infância como o período que abrange os primeiros seis anos completos da criança. Mas pesquisadores e entidades já utilizam o que chamam de “primeiríssima infância”, até os três anos. Nessa faixa etária estão cerca de 10 milhões de crianças no país, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2019.

Ainda antes desse período, os primeiros mil dias de um bebê (da gravidez até os dois anos) são considerados os mais importantes do desenvolvimento físico e mental do ser humano, podendo determinar inúmeros fatores da vida adulta. Conhecido como “intervalo de ouro”, é também marcado pela grande plasticidade cerebral, sendo muito favorável para situações de aprendizagem.

Em fevereiro, a FAPESP lançou o Centro Brasileiro para o Desenvolvimento na Primeira Infância, em parceria com a FMCSV e com sede no Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), em São Paulo.

Entre os seus objetivos estão a realização de pesquisa na área de mensuração do desenvolvimento da primeira infância (DPI) e a integração de dados de DPI registrados por diferentes fontes, além de oferecer cursos e oficinas (leia mais em: https://agencia.fapesp.br/35128/).

O artigo Interweaving social and manipulative development in early infancy: Some direction for infant caregiving, de Priscilla Ferronato, Briseida Resende e Edison de Jesus Manoel, pode ser lido em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0163638321000394?via%3Dihub.





Autor: Luciana Constantino
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 28/07/2021
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/bebes-devem-ser-estimulados-a-segurar-e-alcancar-objetos-desde-o-nascimento-sugere-estudo/36439/

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O dilema ético envolvendo a criação de bebês geneticamente editados

O avanço da ciência permitiu a aplicação da engenharia genética em plantas, animais e até no próprio ser humano - ainda que a modificação genética de embriões seja uma linha que o homem até então não chegara de fato a cruzar.

Agora, um cientista chinês alega ter ajudado a criar os primeiros bebês geneticamente modificados - e tem recebido críticas questionando a ética de seu trabalho. Na última quinta-feira, ele disse ter orgulho do que tinha feito.


O professor He Jiankui removeu uma proteína do DNA dos embriões de duas irmãs gêmeas para impedir que elas contraíssem o vírus HIV. Segundo ele, as meninas nasceram saudáveis.

Ele disse que conduziu seu trabalho na proteína CCR5 sem o conhecimento da universidade em que leciona, a Southern University of Science and Technology, em Shenzen.

Seus estudos envolveram oito casais, cada um deles com um pai HIV positivo e uma mãe HIV negativo.

O pesquisador afirma haver ainda uma segunda gestação envolvendo um embrião geneticamente editado em fase inicial de desenvolvimento.

Ele ainda não providenciou evidência científica de seu achado, e sua universidade planeja investigá-lo por violações acadêmicas.

Mas, se os resultados divulgados pelo cientista forem confirmados, o experimento pode virar um marco científico - e provocar profundos debates éticos.
Gerações futuras

A esperança é que a edição genética de "linhagem germinativa" - a modificação do DNA de um embrião que pode virar uma pessoa - pode consertar mutações genéticas e impedir doenças debilitadoras antes que sejam passadas adiante.


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Edição de DNA de um embrião significa que a mudança pode ser passada a futuras gerações

Mas a prática carrega um dilema ético: significa modificar o código genético de futuras gerações. Não é mais sobre o DNA de uma só pessoa, mas de potencialmente muitos de nós.

Muitos países banem a prática como um todo, permitindo que ferramentas de edição genética sejam usadas só em células adultas não reprodutivas.

No Reino Unido, por exemplo, cientistas podem fazer pesquisas de edição genética em embriões descartados de fertilização in vitro, mas é proibido permitir que se desenvolvam em um feto.

Regras mais relaxadas existem nos Estados Unidos e estão sob discussão no Japão, mas só relacionadas a pesquisa.

O governo na China pediu uma investigação para avaliar se He violou alguma regra ao colocar embriões geneticamente modificados de volta ao útero da mulher para se desenvolverem.

O Ministro de Ciência e Tecnologia da China diz acreditar que sim. Xu Nanping se disse "chocado" e contou à imprensa estatal que o experimento do professor He é proibido segundo leis chinesas.

Ele disse que, como outros países, a China permite pesquisas em células-tronco embrionárias por um período máximo de 14 dias.
'Prevenir sofrimento'

He, no entanto, se diz orgulhoso de ter editado o DNA das irmãs gêmeas para que - segundo ele - elas ficassem protegidas de contrair HIV até mesmo se entrarem em contato com o vírus.


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He defendeu seu trabalho, dizendo que queria evitar sofrimento em crianças

Mas, naquele momento, os embriões estavam saudáveis. Muitos questionam a decisão do professor porque seu trabalho pode trazer consequências desconhecidas.

Para Julian Savulescu, especialista em bioética na Universidade de Oxford, o experimento "expõe crianças normais e saudáveis aos riscos de edição genética em troca de nenhum benefício necessário".

Outros argumentam que hoje é possível viver com HIV no organismo e que o tratamento pode levar o vírus a níveis indetectáveis no corpo.

Alguns cientistas levantam questões especificamente sobre a remoção o gene CCR5 do corpo das gêmeas, já que isso pode aumentar o risco de suscetibilidade a outras doenças, como o vírus do oeste do Nilo e o da gripe.

"A edição genética é experimental e ainda é associada com mutações capazes de causar problemas genéticos no começo ou no fim da vida, incluindo o desenvolvimento de câncer", diz Savulescu.

"Sabemos muito pouco sobre os efeitos a longo prazo, e a maioria das pessoas concorda que experimentos em humanos que poderíamos evitar, conduzidos só com o objetivo de melhorar nosso conhecimento, é moralmente e eticamente inaceitável", diz Yalda Jamshidi, especialista em genética humana na Universidade St. George's, em Londres.
Bebês 'customizados'

He diz que seu trabalho é criação de crianças que não sofreriam com doenças, não criar bebês 'customizados', com determinada cor de olhos ou QI alto.

"Entendo que meu trabalho será controverso - mas acredito que famílias precisem dessa tecnologia e estou disposto a lidar com as críticas por elas", afirma.


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Edição genética em ratos preveniu a falência de fígado nos animais
'Revolução'

Desde que a tecnologia de edição genética CRISPR ficou sob os holofotes em 2012, muitos se questionam se não veremos em breve humanos geneticamente modificados.

A CRISPR usa "tesouras moleculares" para alterar uma parte específica do DNA, por meio do corte, substituição ou modificação dos genes.

Considera-se que ela revolucionou a área porque nunca antes o código genético foi tão facilmente reescrito ou editado.

No começo do ano, cientistas nos Estados Unidos usaram a técnica para prevenir falência de fígado em ratos.

O tratamento tinha funcionado com os ratos depois de seu nascimento - e pesquisadores do Children's Hospital de Philadelphia, nos EUA, estavam mostrando que poderiam fazer essa modificação antes mesmo dos animais nascerem, editando seus genes.

Mas eles disseram que "qualquer tradução" de seu trabalho em humanos implicariam "desafios profundos". Ou seja, iria além de pioneirismo científico.

Nos obrigaria a chegar a acordos em relação a dilemas éticos muito complexos.




Autor: BBC BRASIL NEWS
Fonte: BBC BRASIL NEWS
Sítio Online da Publicação: BBC BRASIL NEWS
Data: 30/11/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46394589

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

No Acre, USP pesquisa malária e a saúde de mães e seus bebês

Instituto de Ciências Biomédicas e Faculdade de Saúde Pública desenvolvem projetos em Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul


Na face mais a oeste do Brasil, no Acre, estão os dois municípios que, atualmente, ocupam a posição de campeões de ocorrência de malária no Brasil: Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul. Em abril de 2018, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP estiveram nas cidades para realizar estudos que visam a entender a ocorrência da doença na região e propor soluções que possam ajudar no combate à malária.

A pesquisa é coordenada pelo professor Marcelo Urbano Ferreira, do Departamento de Parasitologia. Pelos próximos cinco anos, a cada seis meses, uma equipe irá até Mâncio Lima entrevistar e coletar sangue de moradores. Outra vertente do estudo é realizada em Cruzeiro do Sul, a partir do uso de biolarvicidas em tanques de criação de peixes para controle das larvas de Anopheles, o mosquito vetor da doença.

Já a Faculdade de São Pública (FSP) da USP desenvolve, desde 2015, um acompanhamento de longo prazo (coorte) de mães e seus bebês: é o Estudo MINA-Brasil, coordenado pela professora Marly Augusto Cardoso, do Departamento de Nutrição. O objetivo é avaliar aspectos da saúde e da nutrição, desde a concepção dos bebês até os dois primeiros anos de vida (mil dias). Pesquisas indicam esse período como uma “janela de oportunidades” para uma série de intervenções importantes que podem melhorar o perfil de saúde da criança na adolescência e na vida adulta. Atualmente, o projeto envolve a participaçção de cerca de 900 bebês e suas mães.

Uma equipe do Jornal da USP, formada pela fotógrafa Cecília Bastos e a jornalista Valéria Dias, acompanhou as atividades dos pesquisadores em abril de 2018 nas cidades de Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul. Esta reportagem especial é o resultado deste trabalho.

Boa leitura!

Valéria Dias
Subeditora de Ciências do Jornal da USP
São Paulo, 13 de setembro de 2018




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 13/09/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/no-acre-usp-pesquisa-malaria-e-a-saude-de-maes-e-seus-bebes/

terça-feira, 10 de julho de 2018

Bebês que comem alimentos sólidos mais cedo dormem melhor, revela estudo


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Introdução de alimentos sólidos aos seis meses levou a melhoras no sono para bebês e pais envolvidos em pesquisa

Uma pesquisa recém-publicada sobre alimentação de bebês pode indicar o caminho para a revisão de uma máxima, endossada por autoridades mundiais e hoje em voga, sobre a saúde dos pequenos: a de que eles só devem ser alimentados com leite materno até os seis meses de idade.

Em um estudo publicado no periódico JAMA Pediatrics, cientistas britânicos compararam indicadores de sono entre dois grupos: o primeiro, de bebês que, aos três meses, passaram a comer alimentos sólidos além do leite materno; e o segundo grupo, de bebês que só o fizeram a partir dos seis meses.

Foi justamente aos seis meses de idade que as diferenças se tornaram mais evidentes: o primeiro grupo dormiu cerca de 16 minutos a mais por noite (quase duas horas a mais por semana) e acordou com menos frequência durante o período (1,74 por noite contra duas vezes por noite).

No entanto, especialistas ainda indicam que as famílias sigam a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de alimentação exclusiva com leite materno até os seis meses.

O estudo foi conduzido por pesquisadores das universidades King's College e Saint George, em Londres, e acompanhou 1.303 bebês. Famílias preencheram questionários online até os três anos de idade de suas crianças.
Percepção das mães

O estudo confirmou uma percepção que muitos parentes já tinham, pelo menos na Grã-Bretanha.

Apesar das recomendações oficiais, uma pesquisa de 2010 mostrou que 75% das mães britânicas davam alimentos sólidos a seus bebês antes dos cinco meses, sendo que um quarto (26%) justificou a decisão com o argumento de que isto melhoraria o sono dos bebês à noite.

"Os resultados desta pesquisa (publicada no JAMA Pediatrics) apoiam a ampla percepção parental de que a introdução mais precoce de alimentos sólidos melhora o sono", diz Gideon Lack, pesquisador da King's College. "Sugere-se que a recomendação oficial seja reexaminada sob a luz das evidências que reunimos.".

Já Michael Perkin, da Universidade de Saint George, apontou que as diferenças entre os grupos analisados podem parecer pequenas, mas representariam grandes benefícios para os pais.

"Considerando que o sono dos bebês afeta diretamente a qualidade de vida dos pais, até uma pequena melhora pode trazer benefícios importantes", afirma Perkin.

O grupo dos bebês que receberam alimentos sólidos precocemente registrou metade da incidência de problemas no sono como choro e irritabilidade do que o outro grupo - indicando condições mais favoráveis para que os pais pudessem voltar a dormir.


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Irritabilidade e choro apareceram com menor frequência entre aqueles que comeram alimentos sólidos mais cedo

Ao comentar o estudo, Mary Fewtrell, líder no departamento de nutrição do Royal College of Paediatrics and Child Health (RCPCH, na sigla em inglês, órgão que supervisiona a saúde infantil no Reino Unido), destacou que as recomendações sobre alimentação de bebês estão atualmente sob revisão de autoridades britânicas.

"A base de evidências para o conselho em voga hoje pela alimentação exclusiva (até os seis meses) tem mais de dez anos de idade", aponta Fewtrell. "Esperamos ver recomendações atualizadas sobre alimentação infantil em um futuro não muito distante".
Quais alimentos dar ao seu bebê
Os primeiros alimentos podem incluir frutas e legumes amassados ou cozidos e macios - como batata, batata-doce, inhame, cenoura, maçã ou pêra;
Frutas moles, como pêssego e melão;
Cereais para bebês misturados com leite;
Alguns bebês gostam de começar com alimentos amassados; outros bebês precisam de um pouco mais de tempo para se acostumar a novas texturas, então podem preferir alimentos lisos ou apresentados com uma colher no início;
Siga oferecendo diferentes alimentos. Podem ser necessárias várias tentativas antes que o seu bebê aceite a novidade!

A alimentação do bebê nos primeiros seis meses de vida pode ser um assunto controverso; muitas mães acabam sentindo-se julgadas se não conseguem amamentar direito ou se introduzem mamadeiras ou alimentos sólidos.

No mês passado, o Royal College of Midwives (instituição que forma enfermeiras-parteiras no Reino Unido) reagiu a essa pressão sentida pelas mulheres ao declarar publicamente novas diretrizes para que profissionais de saúde respeitem a escolha de uma mãe de não amamentar.

O estudo sobre alimentos sólidos publicado no JAMA Pediatrics foi parcialmente financiado pela Food Standards Agency (FSA, na sigla em inglês, agência de segurança alimentar britânica), que também analisou como as alergias se desenvolvem em bebês.

Um porta-voz da FSA disse: "Estamos encorajando todas as mulheres a seguir os conselhos atuais para exclusivamente amamentar pelos primeiros seis meses de idade".

"Se houver alguma dúvida sobre o que é melhor para o seu bebê, por favor, procure orientação do seu médico ou profissional de saúde."




Autor: Laurel Ives
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data de Publicação: 10/07/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44774647

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Estudo com gêmeos revela três genes relacionados a efeitos da zika em bebês

Tomografia de computador de dois pares de gêmos mostra a diferença do desenvolvimento dos cérebros devido à zika (Foto: Hug-Cell)



Estudando pares de gêmeos, cientistas conseguiram encontrar três genes que podem indicar uma maior suscetibilidade aos efeitos do vírus da zika nos bebês em gestação, causando malformações como a microcefalia.


Os resultados da pesquisa, liderada por Mayana Zatz e Maria Rita Passos-Bueno, da Universidade de São Paulo (USP) , foram publicados na revista "Nature Communications", nesta sexta-feira (2).


Jaqueline Jessica Silva de Oliveira é mãe de um dos casos estudados. Ela engravidou de gêmeos em 2015. Aos sete meses de gestação, descobriu que teria um dos bebês com microcefalia. Ela já tinha dois filhos, Paulo, com 9 anos, e Gabrielly, com 4. Há cerca de um ano, quando aceitou participar da pesquisa, ela contou ao G1 que teve os sintomas nos primeiros meses: dor de cabeça, manchas nos braços e mãos e coceira.




Casal de gêmeos Laura e Lucas: um tem microcefalia, o outro não (Foto: Arquivo Pessoal)

As duas crianças nasceram em 17 de novembro de 2015 e se chamam Laura e Lucas. Jaqueline disse que Mayana "a visitava toda a semana" para buscar informações. Hoje, as crianças têm mais de 2 anos.

"Não teve essa evolução que muitos esperavam ver. Ela [Laura] está bem, do jeitinho que ela é. Mas evolução de sentar, de andar, de falar não teve", disse. "O outro [Lucas] se desenvolveu normalmente: ele fala, ele anda", completou.

Nove pares

Para detectar a propensão genética à síndrome congênita de zika -- nome dado às malformações causadas pelo vírus aos bebês em gestação, inclundo a microcefalia --, as pesquisadoras compararam nove pares de gêmeos.


Dois pares eram gêmeos idênticos, ambos com sequelas do vírus; um par não era idêntico, mas também tinha sido afetado; e seis pares eram não idênticos em que uma criança era afetada, e a outra não.

Elas coletaram amostras de sangue e saliva das crianças.

"Não achamos nenhum gene principal. Concluímos que é uma herança complexa. Vou te dar um exemplo: risco para diabetes. A gente sabe que há um componente genético de aumento do risco para a diabetes, mas não existe só um gene principal", disse Mayana.

A pesquisadora explica que, como concluíram que não havia um gene principal, foram para uma segunda saída. "Estudamos o RNA, que é a expressão dos genes", disse. Ou seja, elas passaram a investigar quais são eram os genes cuja ação era silenciada ou ativada para agir em determinadas células.

O RNA de três pares de gêmeos bivitelinos (não idênticos) foi analisado, entre eles, os de Laura e Lucas. As pesquisadoras conseguiram encontrar uma característica genética em comum nos três bebês que apresentaram microcefalia. Diferentemente de seus irmãos, todos eles tiveram uma alteração no gene DDIT4L.

As pesquisadoras notaram que ele estava muito menos expresso nas células afetadas e isso causou uma mudança com relação à proteína mTor, envolvida no crescimento e na morte celular. Outros estudos já haviam relacionado a mTor à replicação do vírus da zika.

Alterações nos genes identificados como FOXG1 e LHX2 também foram encontradas. Eles atuam no processo de desenvolvimento de áreas cerebrais durante o crescimento. O primeiro deles também é associado a distúrbios cerebrais congênitos.

"Demonstramos que existe um componente genético de suscetibilidade, que não é ao acaso, e a partir daí estamos aprofundando o estudo para tentar entender porque o vírus prefere algumas células no lugar de outras", afirmou Mayana.

Os gêmeos bivitelinos (gerados a partir de dois óvulos e dois espermatozoides diferentes) foram fundamentais para os resultados do estudo, porque estiveram expostos às mesmas condições no ambiente: filhos da mesma mãe, entraram em contato com o zika na mesma época. Mesmo assim, o vírus afetou o cérebro de apenas um dos irmãos.


Autor: Carolina Dantas
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data de Publicação: 02/02/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/zika-virus/noticia/estudo-com-gemeos-revela-tres-genes-relacionados-a-efeitos-da-zika-em-bebes.ghtml

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Leite materno garante a hidratação de bebês




A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam que até o sexto mês de vida do bebê seja oferecido somente leite materno. Mesmo nos meses mais quentes, de verão, não é indicado dar água, chá, suco ou qualquer outro líquido. Já a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda oferecer suco somente após um ano de idade. Isso porque cerca de 90% do leite materno é composto de água, além de conter todos os nutrientes em qualidade e quantidade necessárias para o crescimento e o desenvolvimento adequado da criança.

“Oferecer água para o bebê antes dos seis meses de vida pode causar sérios problemas à saúde, tais como diarreia e má nutrição. Nem água, suco ou chazinho são necessários nesse período. Isso pode diminuir a vontade de mamar e a consequência é a diminuição na produção de leite. A conta é simples: quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido. Portanto, nada de querer incrementar o cardápio do seu pequenino”, explicou a pediatra do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Marlene Roque Assumpção.

A pediatra enfatiza que o leite materno é o alimento ideal para matar a sede e saciar a fome do bebê. “No início da mamada, ele é mais rico em água e açúcar, saciando também a sede do bebê, e o do final é mais rico em gordura, sendo mais calórico e fornecendo mais saciedade e ganho de peso à criança”, esclarece. Somente depois dos seis primeiros meses que o bebê vai precisar experimentar novos sabores e texturas, quando serão introduzidos papas de frutas e papas salgadas. Marlene Roque lembra que o leite materno deve ser mantido até os dois anos ou mais.

Leia mais sobre introdução alimentar.


Autor: Juliana Xavier
Fonte: IFF/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 29/01/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/leite-materno-garante-hidratacao-de-bebes

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Alta taxa de açúcar na gravidez aumenta risco de doença cardíaca em bebês, diz estudo





Níveis altos de açúcar no começo da gravidez podem deflagrar problemas cardíacos em bebês (Foto: Reprodução/TV Fronteira)



Altos níveis de açúcar no sangue no início da gravidez aumentam risco de problema cardíaco em bebês, aponta estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA). A pesquisa foi publicada nesta sexta-feira (15) no "Journal of Pediatrics".


O estudo analisou os efeitos do açúcar na primeira fase da gestação, quando o coração está se formando. A relação encontrada independe da mãe ter diabetes: a cada aumento de 10 miligramas da glicose na fase inicial da gravidez, o risco de um problema congênito no órgão tem um incremento de 8%.


Para chegar aos resultados, a equipe analisou prontuários médicos de 19.107 mães que tiveram bebês entre 2009 e 2015. Os registros continham detalhes do atendimento pré-natal, incluindo resultados de exame de sangue.


Dessa análise, pesquisadores encontraram 811 bebês diagnosticados com doença cardíaca congênita; também foram selecionadas as mães que tiveram a glicose testada no início da gravidez e excluidas aquelas com diabetes já diagnosticada.


O próximo passo da pesquisa será seguir um grupo de mulheres na gestação para ver se os resultados se confirmam. Se se confirmarem, a pesquisa pode ser vir de base para protocolos que exortem médicos a pedirem o exame obrigatoriamente na fase inicial da gravidez.




Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 15/12/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/alta-taxa-de-acucar-na-gravidez-aumenta-risco-de-doenca-cardiaca-em-bebes-diz-estudo.ghtml