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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Depressão pós-parto. Como lidar com esse momento delicado da mulher?

Os indicadores podem ser desânimo, apatia, tristeza profunda e sentimento de culpa

Após a chegada do bebê, muitas mães sentem que algo não está como antes. Não apenas a rotina da família que muda com a chegada da criança, o lado emocional e até mesmo as condições físicas da mulher se modificam com o início da maternidade. De acordo com a psicóloga e professora do curso de Psicologia da Universidade UNIVERITAS/UNG, Silvia Sueli de Souza Maia, essas características podem ser indício de depressão pós-parto, que é uma doença como outra qualquer, exige tratamento com terapia e muitas vezes, com medicamentos. Saiba mais sobre essa patologia e as dúvidas mais frequentes acerca do assunto.

O que é depressão pós-parto?

A depressão pós-parto (DPP) é um transtorno de humor que pode afetar as mulheres após o nascimento do bebê. Não tem uma causa única e, provavelmente, resulta de uma combinação de fatores biológicos, emocionais e sociais. Esta patologia desencadeia sentimentos de tristeza, ansiedade e exaustão, que podem ser extremos e interferir na capacidade de cuidar de si mesma ou do filho.

Geralmente, se manifesta por um conjunto de sintomas como irritabilidade, choro frequente, sensação de desamparo e desesperança, diminuição da energia e motivação, desinteresse sexual, transtornos alimentares e do sono, ansiedade, sentimentos de incapacidade de lidar com situações novas. É importante conhecer estes aspectos que demarcam consequências prejudiciais ao desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças.

Na depressão pós-parto, há um aumento na intensidade e na constância da apatia, sentimento de rejeição, falta de prazer, que intensificam o sofrimento psíquico. Os custos emocionais ligados à doença fazem com que a mãe interaja menos com a criança. Com isso, os filhos de mães que tiveram depressão pós-parto podem apresentar problemas de ajustamento social na adolescência, com maior propensão à depressão, apatia e abuso de substâncias psicoativas.

A depressão pós-parto é uma condição comum?

É relativamente comum a incidência do transtorno da depressão pós-parto. Um levantamento mundial estima que cerca de 60% das mães passam por uma forte melancolia após esse momento, conhecida como baby blues. No Brasil, cerca de 40% das puérperas desenvolvem depressão, sendo que 10% apresentem a sua forma mais severa, denominada depressão pós-parto. Recomenda-se que psicoterapia e acompanhamento médico sejam realizados por mulheres que vivenciam esse tipo de transtorno. Aquelas que desenvolvem depressão pós-parto possuem maior risco de desenvolver depressão em outro momento da vida. Se não for tratada, a doença pode durar vários meses.

A depressão pós-parto costuma gerar muita culpa na mulher. Da mesma forma, o julgamento das pessoas ao redor também pode agravar o quadro. Como podemos explicar que a depressão pós-parto não é culpa da mãe?

Embora sem culpa alguma, as mulheres costumam se sentir responsáveis pelo inevitável afastamento de seus filhos que a depressão pós-parto gera, com descompensações psíquicas e tentativas frustrantes de atenuar as ações do transtorno.

Quanto tempo após o parto a depressão costuma aparecer?

Esse transtorno tem seu início em algum momento durante o primeiro ano do pós-parto, havendo maior incidência entre a quarta e oitava semana após o nascimento da criança e podem durar meses, se não tratado de maneira devida.

Por que a depressão pós-parto acontece?

A depressão pós-parto, via de regra, ocorre quando a mulher e mãe já possui histórico de depressão durante a gravidez ou em outros momentos da vida, possui um diagnóstico de transtorno bipolar ou teve depressão pós-parto após uma gravidez anterior.

Ainda é possível se justificar pelo fato de ter membros da família que tiveram depressão ou ainda outros problemas de estabilidade do humor; se experimentou eventos estressantes durante o período da gravidez, como complicações, doença ou perda de emprego, se o bebê nasceu com problemas de saúde ou alguma deficiência; tem dificuldade em amamentar; está experimentando problemas em seu relacionamento com seu cônjuge ou outro significativo; possui um sistema de apoio fraco, quer do cônjuge ou de familiares ausentes; possui ou está com problemas financeiros ou ainda se a gravidez não foi planejada ou foi indesejada. Os fatores podem ser os mais diversos.

É possível tomar medicamentos para tratar a depressão mesmo durante o período de amamentação?

É possível tomar medicamentos durante a depressão pós-parto no período da amamentação desde que seguindo rigorosamente a orientação de um especialista. O tratamento médico da depressão pós-parto deve envolver, no mínimo, três tipos de cuidados: ginecológico, psiquiátrico e psicológico.

Além da preocupação dos profissionais de saúde com o problema, são muito relevantes os cuidados sociais, comumente envolvidos com o desenvolvimento da depressão no período puerperal. Enfatiza-se a necessidade para o tratamento da depressão pós-parto para preservar uma vida adaptada da mãe, bem como para prevenir distúrbios no desenvolvimento do bebê e um bom relacionamento conjugal e familiar. Para tratamentos, a Psicologia de pacientes com quadro de depressão pós-parto tem-se destacado com o sucesso a abordagem cognitivo-comportamental.

A depressão pós-parto é mais comum no primeiro filho ou pode acontecer em qualquer gravidez?

Não há registro de a incidência da depressão pós-parto ser mais comum após o nascimento do primeiro filho. Pode se desenvolver após o nascimento de qualquer criança.

Como os parentes podem ajudar uma pessoa que tem depressão pós-parto?

Muitos maridos e familiares pensam que algumas mulheres, após o parto, ficam desanimadas, tristes e choram o tempo todo por estarem cansadas, porém pode ser indício de depressão pós-parto. Temos que ficar atentos à falta de apoio da família em alguns momentos complicados, para evitar a ocorrência do transtorno.

Os indicadores de depressão pós-parto podem ser desânimo, apatia, tristeza profunda e sentimento de culpa. Em alguns casos, a mãe rejeita a criança por se sentir incapaz de cuidar do bebê e por não se considerar uma boa mãe. Esse transtorno leva a mudança de humor, que pode ser de grau moderado a grave.

Existe alguma maneira de prevenir a depressão pós-parto?

A depressão pós-parto pode ser evitada. Recomenda-se que sejam criados projetos de apoio à gestante. Faz-se necessário criar programas preventivos de saúde pública com a finalidade de identificar a sintomatologia do quadro. A sugestão do psicólogo Manoel José Pereira Simão, é que se ofereçam às grávidas terapias, grupos de discussão e orientação médica. Ele sugere que sejam criados programas alternativos de tratamento como acupuntura, massagem e relaxamento.

Essas práticas são apontadas por pesquisadores como minimizadoras do sofrimento causado pela depressão pós-parto. Para prevenir esse transtorno é necessário identificar fatores de risco como depressão anterior, conflitos conjugais, ausência de suporte social, ou seja, falta de apoio do pai da criança ou de familiares durante a gestação tendo sido ela planejada ou não.

O que pode acontecer se a depressão pós-parto não for tratada?

São graves e, por vezes, irreversíveis, as consequências do não tratamento da depressão pós-parto. O seu não tratamento pode incluir: suicídio e/ou infanticídio, este em proporção menor, negligências na alimentação do bebê, bebê irritável, vômitos do bebê, morte súbita do bebê, machucados “acidentais” no bebê, depressão do cônjuge e divórcio; já as tardias seriam: criança maltratada, desenvolvimento cognitivo inferior, retardo na aquisição da linguagem, distúrbio do comportamento e psicopatologias no futuro adulto.

Desta forma, as repercussões de uma depressão pós-parto são múltiplas. A mulher que está sofrendo da síndrome corre o risco de suicídio, como em qualquer outra situação depressiva; as relações interpessoais são perturbadas; o casal – se for o caso – também sofre, o que pode provocar uma ruptura e, por fim, as interações precoces mãe-bebê são alteradas, comprometendo o prognóstico cognitivo-comportamental do bebê.

Colaboração de Isabella Araújo, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/05/2018



Autor: Isabella Araújo
Fonte: IBAMA
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 11/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/11/depressao-pos-parto-como-lidar-com-esse-momento-delicado-da-mulher/

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Aborto, saúde pública e saúde da mulher em pauta no Ceensp (18/4)

No Brasil, o aborto é considerado crime, sendo exceções os casos de a vida da mulher estar em risco, gravidez resultante de violência sexual e anencefalia do feto. Ainda assim, centenas de milhares de mulheres apelam para procedimentos abortivos inseguros para pôr fim a uma gravidez indesejada, com ônus para sua saúde e para a saúde pública. Para dimensionar esse cenário e fazer frente às lacunas que ainda existem em relação aos impactos desse procedimento, o Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ceensp/Ensp/Fiocruz), em parceria com o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz), abordará o tema Aborto e saúde pública: pesquisa, atenção e gestão, em 18 de abril de 2018. O evento será realizado das 14h às 17h, no salão internacional da Ensp, no Rio de Janeiro, reunindo pesquisadores, especialistas em direitos reprodutivos e sexuais, profissionais da área de saúde e estudantes. O Ceensp é aberto ao público e será gravado pelo Núcleo Audiovisual da Ensp.

A proposta é ampliar o debate baseado em evidências sobre o tema, com a apresentação dos resultados preliminares dos estudos de dois grupos de pesquisa que organizaram e sistematizaram dados quantitativos relativos ao aborto no país, tanto oficiais quanto resultantes de publicações recentes. O pesquisador Bruno Cardoso, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, apresentará o resultado da análise de bases de dados oficiais sobre o aborto e Sandra Costa Fonseca, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense, o resultado da revisão sistemática sobre estudos quantitativos relativos ao aborto. Para debater com os autores, foram convidadas as pesquisadoras Maria Esther de Albuquerque Vilela e Estela Aquino (ISC/UFBA).

Na abertura do encontro, o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, pesquisador do CEE-Fiocruz, abordará o tema Saúde pública e aborto. Participam da mesa de abertura, ainda, a pesquisadora da Ensp/Fiocruz Maria do Carmo Leal e o pesquisador Alexandre Menezes, da organização Global Health Strategies Brasil.





Autor: Ensp/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 16/04/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/aborto-saude-publica-e-saude-da-mulher-em-pauta-no-ceensp-18-4

segunda-feira, 12 de março de 2018

Nilópolis recebe exposição “A Mulher e o Câncer de Mama no Brasil”



Fonte: COC/Fiocruz


Os seios femininos são fonte de variadas simbologias nas diferentes culturas, mais do que qualquer outra parte do corpo humano. Com 21 painéis, a exposição A Mulher e o Câncer de Mama no Brasil aborda aspectos históricos, médicos e culturais das mamas, com foco especial no câncer e nas ações para o seu controle no País. Com o estigma de doença mutiladora, hoje o câncer de mama pode ser diagnosticado precocemente e dispõe de alternativas de tratamento e de cura.

Fruto do projeto História do Câncer - atores, cenários e políticas públicas, parceria entre o Inca e a Casa Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), a exposição pode ser vista no Prédio da Prefeitura de Nilópolis, onde cumpre temporada a partir desta quinta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, até 2 de maio. Para saber mais sobre esta e outras exposições itinerantes da Fiocruz, visite o site do Museu da Vida.

Partindo da estrutura anatômica da mama, o público confere diversos módulos temáticos, entre os quais: Os seios na arte; Os seios como fonte de vida; Lendas, mitos e religiosidade; Os seios e a emancipação feminina; O câncer de mama na Antiguidade; Cirurgia moderna; Dos raios X à mamografia; Outros meios diagnósticos; Tratamento; Promovendo a autoestima; Fatores de risco e de proteção; Ações nacionais de controle do câncer de mama; Outubro Rosa; Rastreamento mamográfico em debate; Para controlar o câncer de mama no Brasil.

O câncer de mama resulta do crescimento desordenado de células com potencial invasivo, que se dá a partir de alterações genéticas (hereditárias ou adquiridas). Existem vários tipos de câncer de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A maioria dos casos tem bom prognóstico. Por isso, a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.
Serviço

Exposição: A Mulher e o Câncer de Mama no Brasil
Local: Galeria de Arte Willy Voigot - Prefeitura de Nilópolis
Visitação: 8 de março a 2 de maio de 2018. Grátis
Horário: segunda a sexta-feira, das 9 às 17h.
Endereço: rua Pedro Álvares Cabral, 305, Centro

Atendimento à imprensa
Casa de Oswaldo Cruz (COC)
Haendel Gomes (e-mail: haendel.gomes@fiocruz.br | telefone: (21) 3865-2121)

Autor: COC/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 08/03/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/nilopolis-recebe-exposicao-mulher-e-o-cancer-de-mama-no-brasil

quinta-feira, 8 de março de 2018

Mulher estuda mais, trabalha mais horas e ganha menos do que o homem

As mulheres trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, combinando trabalhos remunerados, afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Mesmo assim, e ainda contando com um nível educacional mais alto, elas ganham, em média, 76,5% do rendimento dos homens. Essas e outras informações estão no estudo de Estatísticas de Gênero, divulgado hoje pelo IBGE.

Mais horas de trabalho, menos remuneração

Vários fatores contribuem para as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Por exemplo, em 2016, as mulheres dedicavam, em média, 18 horas semanais a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, 73% a mais do que os homens (10,5 horas). Essa diferença chegava a 80% no Nordeste (19 contra 10,5). Isso explica, em parte, a proporção de mulheres ocupadas em trabalhos por tempo parcial, de até 30 horas semanais, ser o dobro da de homens (28,2% das mulheres ocupadas, contra 14,1% dos homens).

“Em função da carga de afazeres e cuidados, muitas mulheres se sentem compelidas a buscar ocupações que precisam de uma jornada de trabalho mais flexível”, explica a coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, Barbara Cobo, complementando que “mesmo com trabalhos em tempo parcial, a mulher ainda trabalha mais. Combinando-se as horas de trabalhos remunerados com as de cuidados e afazeres, a mulher trabalha, em média, 54,4 horas semanais, contra 51,4 dos homens”.




Mesmo trabalhando mais horas, a mulher segue ganhando menos. Apesar da diferença entre os rendimentos de homens e mulheres ter diminuído nos últimos anos, em 2016 elas ainda recebiam o equivalente a 76,5% dos rendimentos dos homens. Uma combinação de fatores pode explicar essa diferença. Por exemplo, apenas 37,8% dos cargos gerenciais eram ocupados por mulheres; essa diferença aumentava com a faixa etária, indo de 43,4% de mulheres em cargos de chefia no grupo até 29 anos de idade até 31,3% no grupo de 60 anos ou mais.


Outros aspectos, como a segregação ocupacional e a discriminação salarial das mulheres no mercado de trabalho, podem contribuir para a diferença de rendimentos. “Observamos o que se chama de teto de vidro, ou glass ceiling”, explica Barbara Cobo: “A mulher tem a escolarização necessária ao exercício da função, consegue enxergar até onde poderia ir na carreira, mas se depara com uma ‘barreira invisível’ que a impede de alcançar seu potencial máximo”. Na categoria de ocupação com nível superior completo ou maior, a diferença era ainda mais evidente: as mulheres recebiam 63,4% do rendimento dos homens em 2016.

Mulheres têm maior escolarização

Em 2016, as mulheres de 15 a 17 anos de idade tinham frequência escolar líquida (proporção de pessoas que frequentam escola no nível de ensino adequado a sua faixa etária) de 73,5% para o ensino médio, contra 63,2% dos homens. Isso significa que 36,8% dos homens estavam em situação de atraso escolar. Na desagregação por cor ou raça, 30,7% das pretas ou pardas de 15 a 17 anos de idade apresentaram atraso escolar em relação ao ensino médio, face a 19,9% das mulheres brancas. Comparando-se gênero e cor ou raça, o atraso escolar das mulheres brancas estava mais distante do registrado entre os homens pretos ou pardos (42,7%).





Essa trajetória escolar desigual, relacionada a papéis de gênero e à entrada precoce dos homens no mercado de trabalho, faz com que as mulheres tenham um maior nível de instrução. Na faixa dos 25 a 44 anos de idade, 21,5% das mulheres tinham completado a graduação, contra 15,6% dos homens. Desagregando-se a população de 25 anos ou mais de idade com ensino superior completo por cor ou raça, as mulheres brancas estão à frente, com 23,5%, seguidas pelos homens brancos, com 20,7%; bem abaixo estão as mulheres pretas ou pardas, com 10,4% e, por fim, os homens pretos ou pardos, com 7,0%.


Repórter: Eduardo Peret
Imagem: Marina Cardoso (estagiária, sob supervisão de Licia Rubinstein)
Arte: Gráficos adaptados do informativo Estatísticas de Gênero – Indicadores sociais de mulheres no Brasil, produzido pelo IBGE/CDDI/GEDI



Do IBGE, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/03/2018

Autor: IBGE
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 08/03/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/03/08/mulher-estuda-mais-trabalha-mais-horas-e-ganha-menos-do-que-o-homem/

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Fiocruz realiza encontro de Bancos de Leite Humano




Por: Roberta Raupp (rBLH/ Fiocruz)


Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro de 2017, os coordenadores dos 28 Centros de Referências Estaduais de Bancos de Leite Humano (BLHs) e a Comissão Nacional de BLHs estarão reunidos na cidade do Rio de Janeiro para avaliar o desempenho da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) no decorrer deste ano e planejar as estratégias a serem executadas em 2018. A ocasião marcará o início do processo de implantação do Programa de Certificação de BLHs para o SUS, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno (CGSCAM) do Ministério da Saúde (MS).

O evento é uma iniciativa da Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH), da CGSCAM/ MS e da Fiocruz, por meio de três unidades: o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).

O Encontro Nacional de Referências Estaduais para Bancos de Leite Humano / Fiocruz/ CGSCAM - 2017 acontecerá em cinco sessões: Abertura; Certificação da Qualidade de BLH I: Aspectos Teóricos e Oportunidade de melhorias; Certificação da Qualidade de BLH II: Aspectos Práticos - Parque Tecnológico; Leite Humano e Prematuridade; e Avaliação e Planejamento.

A solenidade de abertura será realizada das 19h30 às 22h e contará com a presença de autoridades do Ministério da Saúde e da Fiocruz. Na sequência, serão apresentadas as inovações da rBLH desenvolvidas em 2017, dentre elas, a publicação Série Documentos sobre a criação da rBLH na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP); o lançamento do Monitoramento da rBLH: Agenda 2030; o pré-lançamento do Aplicativo para Certificação do Parque Tecnológico da rBLH - equipamentos e instalações; e a apresentação da Portaria que define critérios de habilitação de BLHs e e Postos de Coleta de Leite Humano (PCLH).

No dia 30 de novembro, os coordenadores estaduais de BLHs participarão de três sessões. A primeira contemplará os aspectos teóricos e as oportunidades de melhorias da Certificação da Qualidade de BLH - Fiocruz / CGSCAM / MS, perpassando pela apresentação do Programa, que envolve a Certificação em Recursos Humanos, Informação – Credenciamento, Parque Tecnológico, e Produtos e Processos. Além disso, a rBLH apresentará os Ensaios de Proficiência. O período da tarde será destinado ao treinamento para utilização do Aplicativo para Certificação do Parque Tecnológico da rBLH - equipamentos e instalações.

A terceira parte do encontro no dia 30 de novembro será composta pela sessão científica Leite Humano e Prematuridade, que tratará dos desafios de garantir o leite da mãe para o prematuro e do BLH como rede de apoio, com ênfase no compromisso de todos.

A manhã seguinte (1º de dezembro) será dedicada a avaliação e planejamento da rBLH. Temas como as atribuições e responsabilidades institucionais das referências da rBLH, as estratégias para a implementação do Programa de Certificação da Qualidade, workshop estaduais sobre a Qualidade em BLH estarão presentes neste dia, além da avaliação pela Coordenação da rBLH-BR das demandas locais.

Ao final do evento, serão apresentados os resultados do Credenciamento 2017 e a entrega dos certificados dos BLHs credenciados.

As atividades dos três dias ocorrerão no Copacabana Mar Hotel (Rua Ministro Viveiros de Castro, 155 – Copacabana, Rio de Janeiro-RJ). As sessões noturnas serão transmitidas em tempo real pela equipe do Laboratório de Telessaúde da rBLH.

Confira a programação.




Autora: Roberta Raupp
Fonte: rBLH 
Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/fiocruz-realiza-encontro-de-bancos-de-leite-humano

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Dia do Doador de Sangue: médica esclarece dúvidas sobre a doação



Para reforçar a importância da doação de sangue, sensibilizar novos doadores e fidelizar os que já existem, o dia 25 de novembro é considerado o Dia Internacional do Doador de Sangue. O sangue funciona como um transportador de substâncias de extrema importância para o funcionamento do corpo e não pode ser substituído por nenhum outro líquido. Por este motivo a doação é tão importante.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o percentual ideal de doadores para um país esteja entre 3,5% e 5% de sua população. No Brasil, esse número é preocupante, pois não chega a 2%. Esta quantidade, ainda sofre uma queda alarmante durante os feriados e as férias, períodos em quem os hemocentros operam com menos que o mínimo necessário. “O baixo estoque impacta diretamente a quantidade de procedimentos realizados, com suspensão de cirurgias e transplantes, afetando, também, a qualidade do atendimento dos pacientes com distúrbios hematológicos, crônicos e agudos. Atualmente, para conseguir atender ao número de hemorragias nas vítimas de violência é necessário um aumento significativo de doadores de sangue”, explicou, a coordenadora de Hemoterapia do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Maria Cristina Pessoa dos Santos.

Com o objetivo de estimular a doação de sangue Maria Cristina Pessoa dos Santos, esclarece os principais mitos em torno da doação de sangue.

Quem doa sangue uma vez tem que continuar doando pelo resto da vida?
Não. A doação de sangue não é vitalícia. O doador tem total liberdade para decidir quando e se tem interesse em doar.

A doação "engrossa" o sangue, entupindo as veias?
Não. A doação de sangue não causa nenhum prejuízo à saúde do doador.

A doação faz o sangue "afinar", "virar água", provocando anemia?
Não. O candidato a doação de sangue é avaliado antes de doar, com exames de sangue e avaliação clínica, para evitar que a doação cause algum mal ao doador. Aqueles com taxas baixas de hematócrito são impedidos de doar.

Doar sangue engorda ou emagrece?
Não. A doação de sangue não é capaz de influenciar no peso do doador.

Mulheres menstruadas não podem doar sangue?
Podem sim, se os valores do exame de sangue (hematócrito) não indicarem risco de anemia.

Posso ficar sem sangue suficiente"?
Não. Em cada doação, são coletados no máximo 450 ml de sangue, o que é menos do que 10% do volume sanguíneo total de um adulto, por esse motivo só é permitida a doação por pessoas acima de 50 kg. A quantidade é calculada conforme o peso do doador.

Os doadores correm risco de contaminação?
Não. Todo material só é utilizado uma vez, é descartável.

Como é realizada a doação de sangue?
A doação segue os seguintes passos:

- Cadastro: o doador, portando um documento oficial com foto, é cadastrado e recebe um questionário para ser respondido. Esse questionário tem o objetivo de avaliar se há alguma situação ou doença que impeça a doação de sangue, portanto as respostas devem ser sinceras e qualquer dúvida deve ser esclarecida na próxima etapa - a triagem clínica;

- Triagem clínica: o doador é entrevistado e examinado por profissional de saúde, em local que garanta a privacidade e o sigilo das informações. Esse profissional verifica as respostas do questionário e avalia pessoas com alto risco de transmitir doenças pelo sangue. O doador deve ser consciente de que as suas respostas são muito importantes para garantir a sua integridade física, bem como a de quem vai receber o seu sangue. A segurança do paciente que recebe transfusão começa com o doador;

- Coleta de sangue: a coleta de sangue dura no máximo 10 minutos. Todo o material utilizado é estéril e descartável. Não há risco de contrair doenças doando sangue;

- Lanche: após a doação o doador recebe um lanche e informações sobre os cuidados básicos que devem ser tomados após a coleta do sangue.

Quanto tempo demora para o organismo repor os níveis anteriores à doação?
A reposição do volume de plasma ocorre em 24 horas e a dos glóbulos vermelhos em quatro semanas. Entretanto, para o organismo atingir o mesmo nível de estoque de ferro que apresentava antes da doação, são necessárias oito semanas para os homens e 12 semanas para as mulheres. Esses são os intervalos mínimos entre as duas doações de sangue.

Há critérios que permitem ou que impedem a doação de sangue, eles são determinados por normas técnicas do Ministério da Saúde e visam à proteção ao doador e a segurança de quem vai receber o sangue, acesse a página do IFF para saber mais.




Autora: Juliana Xavier
Fonte: IFF/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 21/11/2017
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/dia-do-doador-de-sangue-medica-esclarece-duvidas-sobre-doacao