Mostrando postagens com marcador sangue. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sangue. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Estudo clínico testa aplicativo para prever níveis de açúcar no sangue

dispositivos colocados no corpo dos pacientes, são monitoradas continuamente a glicemia e a atividade física”, afirma Maria Cristina. Em um aplicativo desenvolvido pela startup, os participantes do estudo fazem o registro da alimentação e das medicações. “Essas informações ajudam a pessoa a ter um controle da evolução da glicemia, das condições alimentares e ajudar na decisão da dose a ser aplicada de insulina, no caso dos portadores de diabete tipo 1”.

Os dados obtidos no estudo clínico servem de base para a equipe multidisciplinar da GlucoGear desenvolver um algoritmo (formulas matemáticas) que possa prever a glicemia. “O algoritmo utiliza recursos de inteligência artificial e modelos matemáticos. A ideia é que ele seja usado para calcular a glicemia futura, ou seja, em que nível estará dentro de algumas horas, a princípio”, destaca a professora. “Desse modo, o paciente poderá prevenir tanto a queda quanto uma elevação indesejável, evitando complicações agudas (hipoglicemia e hiperglicemia).”


GlucoGear foi uma das startups semifinalistas na competição global Diabetes Innovation Challenge – Foto: Divugação / Assessoria de Comunicação do Instituto Sevna
.
Aplicativo

Os responsáveis pelo projeto pretendem integrar a plataforma do aplicativo com sensores de glicemia e smartwatches. Também será criado um portal de acesso para profissionais e pacientes com relatório médico pronto para análise em consulta, facilitando e agilizando o tempo de atendimento do médico.

“Pretendemos disponibilizar o aplicativo e o portal no final de 2019 e partir para uma nova fase de validação científica, via estudo clínico de avaliação de eficácia e segurança, bem como uma avaliação de economia em saúde que a plataforma pode gerar”, afirma Yuri Matsumoto, fundador e CEO da GlucoGear. “Para cumprir tal meta, no próximo ano terá início uma nova rodada de captação de investimento para financiar os novos desenvolvimentos e objetivos.”

Sediada em São Paulo, a GlucoGear é acelerada pelo Sevna Startups, em Ribeirão Preto. O Sevna Startups é um programa de aceleração de startups mantido pelo Instituto Sevna e integra o Global Accelerator Network (GAN). Em operação desde 2015, o Sevna Startup promoveu cinco ciclos de aceleração completos e iniciou o sexto programa, do qual a GlucoGear faz parte, no último dia 8 de outubro. O Sevna possui um portfólio de 27 startups, com valor estimado em R$ 56 milhões.

A sede do Instituto Sevna está localizado no Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto (SP), responsável por atrair e reter empresas tecnológicas, em especial nas áreas de saúde, biotecnologia, tecnologia da informação e bioenergia. O parque é mantido por um convênio entre a USP, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo.




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 28/11/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/estudo-clinico-testa-aplicativo-para-prever-niveis-de-acucar-no-sangue/

sexta-feira, 9 de março de 2018

Alzheimer: exame de sangue poderia prever risco da doença



O novo estudo concluiu que altos níveis de aminoácidos de cadeia ramificada no sangue indicam baixo risco de demência. (iStockphoto/Getty Images)

Em um novo estudo publicado no periódico científico Alzheimer’s & Dementia, pesquisadores identificaram no sangue moléculas que podem servir como biomarcadores precoces do risco de Alzheimer. Este é o primeiro estudo a sugerir que a presença de elevados níveis de aminoácidos de cadeia ramificada podem indicar baixo risco de demência.

“Agora está claro que precisamos olhar para além dos caminhos tradicionalmente estudados da amiloide e da tau e entender todo o espectro de patologia envolvida em pessoas que apresentam sintomas de doença de Alzheimer e outras demências”, observa Sudha Seshadri, professor de neurologia e líder do estudo.




De acordo com Seshadri, há uma necessidade crescente de abordar a prevenção e o tratamento das demências com uma “abordagem de múltiplos elementos”, já que essa não é uma doença com uma única causa. Finalmente os cientistas estão começando a olhar para outros órgãos e tecidos, não só para o cérebro, em busca de marcadores da doença.
A conexão entre sangue e demência

No estudo, cientistas da Universidade do Texas em San Antonio, nos Estados Unidos, analisaram dados de oito estudos que acompanharam grandes grupos de pessoas de origem europeia em cinco países, por um longo período. Eles também tiveram acesso a exames de sangue iniciais e registros da incidência da doença de Alzheimer ou outras formas de demência nesses grupos.

Desta forma, eles foram capazes de analisar amostas de sangue basais de 22.623 participantes que não apresentavam demência no início do estudo e também não tinham antecedentes de AVC ou “outras doenças neurológicas que afetem a função cognitiva”. No total, 995 casos de demência e 745 casos de Alzheimer foram detectados durante o acompanhamento.

Usando ressonância magnética nuclear e espectrometria de massa, os pesquisadores identificaram e quantificaram “metabolitos sanguíneos, lipídios lipoproteicos e lipídios” nas amostras basais de sangue. Os resultados mostraram que algumas das moléculas presentes nessas amostras estavam associadas a um menor risco de demência e doença de Alzheimer, enquanto outras estavam associadas a um maior risco.
Várias moléculas

O menor risco de demência foi associado a: aminoácidos de cadeia ramificada isoleucina, leucina e valina; creatinina; e duas subclasses de lipoproteínas de baixa densidade (VLDL). O risco de Alzheimer inferior foi similarmente relacionado a aminoácidos de cadeia ramificada.

Os aminoácidos de cadeia ramificada são nutrientes essenciais para o corpo obtidos a partir de alimentos ricos em proteínas, como carne e legumes.

Já o aumento do risco de demência foi associado a uma lipoproteína de alta densidade (HDL) e a uma subclasse VLDL. E o de Alzheimer, a uma subclasse HDL.

Eles esperam que esses achados ampliem a busca de novos medicamentos, tão necessária para a doença de Alzheimer e outras formas de demência. “É emocionante encontrar novos biomarcadores que possam nos ajudar a identificar pessoas que estão no maior risco de demência”, disse Seshadri.
Alzheimer e outras demências

A demência é uma doença que afeta o cérebro e gradualmente rouba a capacidade de um indivíduo lembrar, pensar, argumentar, se comunicar e cuidar de si mesmo. O Alzheimer é a forma mais comum do problema. Cerca de 47 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, 65% delas com doença de Alzheimer.


Autor: Veja Abril
Fonte: Veja Abril
Sítio Online da Publicação: Veja Abril
Data de Publicação: 08/03/2018
Publicação Original: https://veja.abril.com.br/saude/alzheimer-exame-de-sangue-poderia-prever-risco-da-doenca/

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Estudos mostram que ter zika pode proteger contra a dengue e vice-versa





Aedes aegypti é transmissor da dengue, zika e chikungunya (Foto: James Gathany)

Uma nova pesquisa brasileira publicada na revista "The Lancet" traz evidências de que a infecção pelo zika pode imunizar contra a dengue. O estudo, com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), analisou dados coletados em Salvador. Além disso, uma outra pesquisa chinesa já havia sinalizado que o inverso também pode acontecer: quem pega dengue pode estar mais protegido contra a zika.


O vírus da zika e o da dengue estão relacionados: as transmissões são feitas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti. O pesquisador Guilherme Ribeiro, da Fiocruz Bahia, realiza desde 2009 junto com um grupo de pelo menos outros dez cientistas, uma análise dos números de pessoas com doença febril aguda que chegam a uma unidade de pronto-atendimento de Salvador.


De acordo com o artigo, até março de 2015, cerca de 25% dos pacientes (484 de 1937) analisados estavam doentes devido à dengue. Essa confirmação ocorria por meio de testes laboratoriais. Nos dois anos seguintes, até 2017, a frequência da dengue foi reduzida para 3% (43 de 1334). O período coincide com a chegada da zika a Salvador.


"Esta ideia faz sentido do ponto de vista biológico, porque o vírus da dengue e o da zika são relacionados. São da mesma família, eles têm uma estrutura semelhante, tanto do ponto de vista genético quanto do ponto de vista da estrutura física. Então, pode ocorrer a criação de uma resposta imune, em que os anticorpos da infecção do zika causem uma proteção contra a dengue", disse Ribeiro.


Segundo o pesquisador, como os casos de chikungunya, também transmitida pelo Aedes, continuaram ocorrendo e crescendo, o mosquito estava presente nessas localidades – o que descarta a hipótese de que a incidência da dengue tenha diminuído em Salvador por não haver mosquitos na cidade.


A prefeitura também ampliou os dados para todo o município, confirmando um declínio para a dengue após a chegada do zika. De qualquer forma, o estudo precisa ser aprofundado para a criação de evidências mais conclusivas.


Pesquisa chinesa


Em novembro do ano passado, Jinsheng Wen, do Instituto de Arboviroses da Universidade de Wenzhou, na China, publicou um estudo na "Nature Communications" com testes em camundongos. A pesquisa indicou, ainda que de forma preliminar, o inverso da pesquisa de Ribeiro: a infecção por dengue ajuda a proteger contra a zika.


Os chineses fizeram um estudo para testar a possível imunidade "cruzada" entre os dois vírus.


Primeiro, infectaram camundongos com o vírus da dengue. As cobaias ficaram doentes, mas se recuperaram da infecção – o que demonstra que adquiriram imunidade.


Após a recuperação, animais foram infectados novamente com o vírus da zika. Também um outro grupo, não infectado anteriormente com o vírus da dengue, foi alvo da infecção pelo zika.


Nos resultados, o grupo anteriormente infectado com dengue apresentou carga reduzida de zika no sangue, nos tecidos e no cérebro.


A descoberta dos testes indica, assim, que a defesa adquirida contra a dengue pode ajudar a mitificar os efeitos neurológicos advindos do zika – já que menos cópias do vírus foram identificadas no cérebro.



Autor: Carolina Dantas
Fonte: G1 Globo Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Globo Saúde
Data de Publicação: 22/02/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/estudos-mostram-que-ter-zika-pode-proteger-contra-a-dengue-e-vice-versa.ghtml

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

'Se matarem macacos, mosquitos vão atrás de sangue humano': como massacre de primatas é tiro no pé contra febre amarela


Direito de imagemGETTY IMAGESImage caption'O macaco é quase um mártir (...) Eles nos indicam onde há infecção', diz pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz

Fotos de corpos de macacos têm se espalhado pela internet desde o aumento, nos últimos meses, dos casos de febre amarela em regiões dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. E muitos desses animais não morreram por causa do vírus: foram executados com pedras, pauladas ou envenenamento. Além de cruel, a medida tem efeito contrário ao imaginado por muitas pessoas: prejudica o combate à doença.

Classificados por pesquisadores ouvidos pela BBC Brasil como "sentinelas" e "mártires", os macacos são o alvo preferido dos mosquitos silvestres que transmitem a febre amarela, que costumam voar na altura da copa das árvores.

Muitos primatas acabam desenvolvendo a doença e morrem. Ao verificar um volume expressivo de corpos deles em determinada região, autoridades sanitárias e pesquisadores conseguem identificar a presença da febre amarela, traçar o possível trajeto do vírus - conforme os corredores da floresta existente - e planejar ações de imunização das pessoas.
Que grupos não devem tomar vacina da febre amarela - e como se proteger
O submundo dos vídeos que humilham e expõem crianças no YouTube

A doença tem tido um impacto tão expressivo na população de macacos da Mata Atlântica que existe o temor, por exemplo, de que todos os bugios desapareçam das florestas do Rio de Janeiro.

Para piorar, os poucos macacos que sobreviveram à febre amarela ou escaparam do vírus estão sendo vítimas da desinformação. Muitas pessoas matam esses animais por acharem que eles são responsáveis pela propagação da doença.


Image captionAo contrário de evitar a propagação da febre amarela, matar macacos pode expor mais os seres humanos à doença | Foto: Vigilância Sanitária do RJ

Só este ano, dos 144 macacos mortos recolhidos pela Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro para testes de febre amarela, 69% foram executados - apresentavam várias fraturas ou veneno no organismo.

Em todo o ano passado, dos 602 animais mortos, 42% foram assassinados, segundo dados do órgão.
Autoridades tentam desvendar mistério da 'bola de fogo' que passou pelo Acre e caiu no Peru

Nem o mico-leão-dourado escapou. Corpos de animais dessa espécie, ameaçada de extinção, também foram localizados com sinais de execução.
Morte de macacos traz risco para humanos

Mas o que os "caçadores" de macacos não sabem é que, ao contrário de evitar a propagação da febre amarela, matar os bichos expõe os seres humanos a riscos maiores de contrair esse mal grave, que pode matar.

A febre amarela é uma doença infecciosa que é transmitida, no Brasil, principalmente por mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que moram na copa das árvores e têm predileção pelo sangue de primatas.

Essa preferência vem de um processo de adaptação genética, ao longo de anos de evolução das espécies. Segundo o professor Aloísio Falqueto, da Universidade Federal do Espírito Santo, esses dois grupos de mosquitos silvestres se adaptaram, há milhões de anos, a se alimentar do sangue de grandes mamíferos e, depois, de macacos.

A preferência se desenvolveu por causa das características do local onde esses mosquitos viviam - inicialmente na África - e da disponibilidade de alimentos. Ao longo dos anos, essa "memória genética" de preferência por primatas foi se transferindo para as novas gerações de mosquitos, que passaram a se alimentar do sangue das novas gerações e espécies de primatas. Ao chegarem ao continente latinoamericano, eles se adaptaram a sugar o sangue dos macacos que vivem nas copas das árvores, inclusive os de pequeno porte.

O Aedes aegypti, que vive em áreas urbanas, também é capaz de transmitir febre amarela, mas até agora não houve contaminação e transmissão por essa espécie de mosquito - desde 1942 que não há epidemia urbana de febre amarela. As pessoas infectadas até o momento teriam contraído a doença em alguma região com mata.


Image captionFebre amarela é transmitida no Brasil principalmente por mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes | Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz

Segundo o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz, tanto o homem quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela em quantidades suficientes para infectar outros mosquitos por cerca de três dias.

Depois disso, o organismo passa a produzir anticorpos e a concentração do vírus diminui. Em cerca de dez dias, macacos e seres humanos terão morrido ou se curado da doença, ficando imunes a ela.

Já o mosquito permanece com o vírus da febre amarela para sempre. Eles podem até passar o vírus para os ovos e, consequentemente, para os filhotes que nascerem.


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionAté mico-leão-dourado, espécie ameaçada de extinção no Brasil, tem sido alvo de violência por causa do pânico e desinformação sobre a febre amarela

Se muitos macacos começarem a morrer, a tendência é aumentar a chance de contaminação de humanos. Sem ter primatas para picar na copa das árvores, os mosquitos buscarão alimento em outras localidades - e o homem vira a próxima opção como fonte de sangue.

Isso porque o homem é um animal que se assemelha ao macaco. Por isso, naturalmente, se torna alternativa para o mosquito da febre amarela, que buscará instintivamente um bicho geneticamente próximo. O que não significa que outros bichos não possam ser, eventualmente, picados pelos mosquitos silvestres da febre amarela. Há evidências de marsupiais que já foram picados, mas eles não são "receptivos" ao vírus e, portanto, não ficam doentes, nem se tornam hospedeiros.

Nesses casos, o vírus da febre amarela não interage com o material genético da célula hospedeira de outras espécies - todo vírus tem uma "chave", ou molécula sinalizadora, que só é reconhecida pela "fechadura" (membrana plasmática) de algumas espécies. A "fechadura" varia conforme a espécie.

No caso da febre amarela, macacos e humanos possuem essa receptividade ao vírus. No caso da gripe, por exemplo, aves, seres humanos e suínos são receptivos. Ou seja, dependendo do material genético do vírus, ele pode interagir com um ou mais hospedeiros de diferentes categorias.

"Mesmo que acabem todos os macacos de uma aérea, durante algumas gerações o vírus vai ficar ali. E o mosquito vai procurar o ser humano para se alimentar", diz Lourenço, autor de pesquisas sobre mosquitos transmissores.

O médico epidemiologista Eduardo Massad, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da britânica London School of Tropical Diseases, reforça esse argumento.

"Suponha que desaparecessem todos os macacos da serra da Cantareira. O mosquito picaria pessoas. Se você diminui a população de macacos, mais gente será picada", disse à BBC Brasil.


Image captionDos 144 macacos mortos recolhidos pela Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro, cerca de 100 foram executados | Fonte: Vigilância Sanitária do RJ
'Sentinelas' da doença

Além de servirem de isca para mosquitos, evitando com isso que mais humanos sejam picados, os macacos alertam para o "trajeto" do vírus pelo país.

Após campanhas de erradicação do Aedes aegypti, o Brasil se livrou da febre amarela urbana na década de 1942 - a doença acabou se concentrando na região amazônica. Nos anos 2000, porém, o vírus começou a "descer" para o leste, alcançado regiões de mata de Minas Gerais, Espírito Santo e, mais recentemente, São Paulo e Rio de Janeiro.


Image captionSem ter macaco para picar na copa das árvores, os mosquitos buscarão alimento nos humanos | Fonte: Josué Damacena/IOC/Fiocruz

O pesquisador Aloisio Falqueto, professor do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) acredita que o vírus migrou para a Mata Atlântica por meio do ser humano.

"A minha teoria é o elemento urbano. Muitas pessoas migram para a Amazônia sem tomar vacina. Uma pessoa pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlântica depois, na altura de Montes Claros (MG), e aqui é um barril de pólvora, pela presença de macacos sem anticorpos e seres humanos. A força de transmissão é muito maior", diz.

Já Ricardo Lourenço acredita que os mosquitos acabaram migrando naturalmente para o Sudeste, por corredores de mata e rios. Conforme foram picando macacos e esses animais morreram, teriam descido cada vez mais para o sul do país em busca de alimento.


Image captionAlém de servirem de isca para mosquitos, evitando com isso que mais humanos sejam picados, os macacos alertam para o 'trajeto' do vírus pelo país | Foto: Vigilância Sanitária do RJ

"Mosquitos se dispersam por dois motivos: para achar lugar para colocar ovo e para achar fonte de alimentação sanguínea. Se começa a morrer macaco, ele começa a buscar sangue em outro lugar", diz o pesquisador, que explica que o mosquito pode voar 3 km por dia.

A única forma de perceber a chegada de mosquitos infectados é pela morte dos macacos. Desde o início dos anos 2000 que pesquisadores alertam o governo federal e governos estaduais para a necessidade de ampliar ações de imunização em cidades com mata onde foram localizados animais mortos.

"Os macacos nos avisam da iminência do vírus. Quando começam a morrer, sabemos da existência e intensidade do vírus naquela região. Podemos calcular por onde ele vai se alastrar e quem devemos imunizar", afirma Aloísio Falqueto.

"A morte do macaco é um aviso de que devemos imunizar as populações nas áreas de risco", explica.

Ricardo Lourenço compara o animal a um "soldado" que atua como vigia da chegada da febre amarela. "O macaco é quase um mártir. É uma vítima e um instrumento de vigilância e de alerta. É uma sentinela do quartel. Eles nos indicam onde há infecção."

Autor: Nathalia Passarinho
Fonte: BBC Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: BBC
Data de Publicação: 01/02/2017
Publicação Original: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-42886676

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

'Se matarem macacos, mosquitos vão atrás de sangue humano': como massacre de primatas é tiro no pé contra febre amarela




Ao contrário de evitar a propagação da febre amarela, matar macacos pode expor mais os seres humanos à doença (Foto: Vigilância Sanitária do RJ)

Fotos de corpos de macacos têm se espalhado pela internet desde o aumento, nos últimos meses, dos casos de febre amarela em regiões dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. E muitos desses animais não morreram por causa do vírus: foram executados com pedras, pauladas ou envenenamento. Além de cruel, a medida tem efeito contrário ao imaginado por muitas pessoas: prejudica o combate à doença.

Classificados por pesquisadores ouvidos pela BBC Brasil como "sentinelas" e "mártires", os macacos são o alvo preferido dos mosquitos silvestres que transmitem a febre amarela, que costumam voar na altura da copa das árvores.

Muitos primatas acabam desenvolvendo a doença e morrem. Ao verificar um volume expressivo de corpos deles em determinada região, autoridades sanitárias e pesquisadores conseguem identificar a presença da febre amarela, traçar o possível trajeto do vírus – conforme os corredores da floresta existente – e planejar ações de imunização das pessoas.




Febre amarela é transmitida no Brasil principalmente por mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes (Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz)
A doença tem tido um impacto tão expressivo na população de macacos da Mata Atlântica que existe o temor, por exemplo, de que todos os bugios desapareçam das florestas do Rio de Janeiro.

Para piorar, os poucos macacos que sobreviveram à febre amarela ou escaparam do vírus estão sendo vítimas da desinformação. Muitas pessoas matam esses animais por acharem que eles são responsáveis pela propagação da doença.

Só este ano, dos 144 macacos mortos recolhidos pela Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro para testes de febre amarela, 69% foram executados - apresentavam várias fraturas ou veneno no organismo.

Em todo o ano passado, dos 602 animais mortos, 42% foram assassinados, segundo dados do órgão.

Nem o mico-leão-dourado escapou. Corpos de animais dessa espécie, ameaçada de extinção, também foram localizados com sinais de execução.

Morte de macacos traz risco para humanos

Mas o que os "caçadores" de macacos não sabem é que, ao contrário de evitar a propagação da febre amarela, matar os bichos expõe os seres humanos a riscos maiores de contrair esse mal grave, que pode matar.

A febre amarela é uma doença infecciosa que é transmitida, no Brasil, principalmente por mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que moram na copa das árvores e têm predileção pelo sangue de primatas.

O Aedes aegypti, que vive em áreas urbanas, também é capaz de transmitir febre amarela, mas até agora não houve contaminação e transmissão por essa espécie de mosquito - desde 1942 que não há epidemia urbana de febre amarela. As pessoas infectadas até o momento teriam contraído a doença em alguma região com mata.



Dos 144 macacos mortos recolhidos pela Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro, cerca de 100 foram executados (Foto: Vigilância Sanitária do RJ)


Segundo o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz, tanto o homem quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela em quantidades suficientes para infectar outros mosquitos por cerca de três dias.


Depois disso, o organismo passa a produzir anticorpos e a concentração do vírus diminui. Em cerca de dez dias, macacos e seres humanos terão morrido ou se curado da doença, ficando imunes a ela.


Já o mosquito permanece com as moléculas da febre amarela para sempre. Eles podem até passar o vírus para os ovos e, consequentemente, para os filhotes que nascerem.

Se muitos macacos começarem a morrer, a tendência é aumentar a chance de contaminação de humanos. Sem ter primatas para picar na copa das árvores, os mosquitos buscarão alimento em outras localidades - e o homem vira a próxima opção como fonte de sangue.


"Mesmo que acabem todos os macacos de uma aérea, durante algumas gerações o vírus vai ficar ali. E o mosquito vai procurar o ser humano para se alimentar", diz Lourenço, autor de pesquisas sobre mosquitos transmissores.


O médico epidemiologista Eduardo Massad, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da britânica London School of Tropical Diseases, reforça esse argumento.


"Suponha que desaparecessem todos os macacos da serra da Cantareira. O mosquito picaria pessoas. Se você diminui a população de macacos, mais gente será picada", disse à BBC Brasil.

'Sentinelas' da doença

Além de servirem de isca para mosquitos, evitando com isso que mais humanos sejam picados, os macacos alertam para o "trajeto" do vírus pelo país.

Após campanhas de erradicação do Aedes aegypti, o Brasil se livrou da febre amarela urbana na década de 1942 - a doença acabou se concentrando na região amazônica. Nos anos 2000, porém, o vírus começou a "descer" para o leste, alcançado regiões de mata de Minas Gerais, Espírito Santo e, mais recentemente, São Paulo e Rio de Janeiro.




Sem ter macaco para picar na copa das árvores, os mosquitos buscarão alimento nos humanos (Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz)

O pesquisador Aloisio Falqueto, professor do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) acredita que o vírus migrou para a Mata Atlântica por meio do ser humano.

"A minha teoria é o elemento urbano. Muitas pessoas migram para a Amazônia sem tomar vacina. Uma pessoa pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlântica depois, na altura de Montes Claros (MG), e aqui é um barril de pólvora, pela presença de macacos sem anticorpos e seres humanos. A força de transmissão é muito maior", diz.

Já Ricardo Lourenço acredita que os mosquitos acabaram migrando naturalmente para o Sudeste, por corredores de mata e rios. Conforme foram picando macacos e esses animais morreram, teriam descido cada vez mais para o sul do país em busca de alimento.

"Mosquitos se dispersam por dois motivos: para achar lugar para colocar ovo e para achar fonte de alimentação sanguínea. Se começa a morrer macaco, ele começa a buscar sangue em outro lugar", diz o pesquisador, que explica que o mosquito pode voar 3 km por dia.


A única forma de perceber a chegada de mosquitos infectados é pela morte dos macacos. Desde o início dos anos 2000 que pesquisadores alertam o governo federal e governos estaduais para a necessidade de ampliar ações de imunização em cidades com mata onde foram localizados animais mortos.


"Os macacos nos avisam da iminência do vírus. Quando começam a morrer, sabemos da existência e intensidade do vírus naquela região. Podemos calcular por onde ele vai se alastrar e quem devemos imunizar", afirma Aloísio Falqueto.


"A morte do macaco é um aviso de que devemos imunizar as populações nas áreas de risco", explica.


Ricardo Lourenço compara o animal a um "soldado" que atua como vigia da chegada da febre amarela. "O macaco é quase um mártir. É uma vítima e um instrumento de vigilância e de alerta. É uma sentinela do quartel. Eles nos indicam onde há infecção."




Áreas com recomendação para a vacina da febre amarela (Foto: Infográfico: Juliane Monteiro/G1)
Autor: Nathalia Passarinho
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: G1
Data de Publicação: 01/02/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/febre-amarela/noticia/se-matarem-macacos-mosquitos-vao-atras-de-sangue-humano-como-massacre-de-primatas-e-tiro-no-pe-contra-febre-amarela.ghtml

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Dia do Doador de Sangue: médica esclarece dúvidas sobre a doação



Para reforçar a importância da doação de sangue, sensibilizar novos doadores e fidelizar os que já existem, o dia 25 de novembro é considerado o Dia Internacional do Doador de Sangue. O sangue funciona como um transportador de substâncias de extrema importância para o funcionamento do corpo e não pode ser substituído por nenhum outro líquido. Por este motivo a doação é tão importante.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o percentual ideal de doadores para um país esteja entre 3,5% e 5% de sua população. No Brasil, esse número é preocupante, pois não chega a 2%. Esta quantidade, ainda sofre uma queda alarmante durante os feriados e as férias, períodos em quem os hemocentros operam com menos que o mínimo necessário. “O baixo estoque impacta diretamente a quantidade de procedimentos realizados, com suspensão de cirurgias e transplantes, afetando, também, a qualidade do atendimento dos pacientes com distúrbios hematológicos, crônicos e agudos. Atualmente, para conseguir atender ao número de hemorragias nas vítimas de violência é necessário um aumento significativo de doadores de sangue”, explicou, a coordenadora de Hemoterapia do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Maria Cristina Pessoa dos Santos.

Com o objetivo de estimular a doação de sangue Maria Cristina Pessoa dos Santos, esclarece os principais mitos em torno da doação de sangue.

Quem doa sangue uma vez tem que continuar doando pelo resto da vida?
Não. A doação de sangue não é vitalícia. O doador tem total liberdade para decidir quando e se tem interesse em doar.

A doação "engrossa" o sangue, entupindo as veias?
Não. A doação de sangue não causa nenhum prejuízo à saúde do doador.

A doação faz o sangue "afinar", "virar água", provocando anemia?
Não. O candidato a doação de sangue é avaliado antes de doar, com exames de sangue e avaliação clínica, para evitar que a doação cause algum mal ao doador. Aqueles com taxas baixas de hematócrito são impedidos de doar.

Doar sangue engorda ou emagrece?
Não. A doação de sangue não é capaz de influenciar no peso do doador.

Mulheres menstruadas não podem doar sangue?
Podem sim, se os valores do exame de sangue (hematócrito) não indicarem risco de anemia.

Posso ficar sem sangue suficiente"?
Não. Em cada doação, são coletados no máximo 450 ml de sangue, o que é menos do que 10% do volume sanguíneo total de um adulto, por esse motivo só é permitida a doação por pessoas acima de 50 kg. A quantidade é calculada conforme o peso do doador.

Os doadores correm risco de contaminação?
Não. Todo material só é utilizado uma vez, é descartável.

Como é realizada a doação de sangue?
A doação segue os seguintes passos:

- Cadastro: o doador, portando um documento oficial com foto, é cadastrado e recebe um questionário para ser respondido. Esse questionário tem o objetivo de avaliar se há alguma situação ou doença que impeça a doação de sangue, portanto as respostas devem ser sinceras e qualquer dúvida deve ser esclarecida na próxima etapa - a triagem clínica;

- Triagem clínica: o doador é entrevistado e examinado por profissional de saúde, em local que garanta a privacidade e o sigilo das informações. Esse profissional verifica as respostas do questionário e avalia pessoas com alto risco de transmitir doenças pelo sangue. O doador deve ser consciente de que as suas respostas são muito importantes para garantir a sua integridade física, bem como a de quem vai receber o seu sangue. A segurança do paciente que recebe transfusão começa com o doador;

- Coleta de sangue: a coleta de sangue dura no máximo 10 minutos. Todo o material utilizado é estéril e descartável. Não há risco de contrair doenças doando sangue;

- Lanche: após a doação o doador recebe um lanche e informações sobre os cuidados básicos que devem ser tomados após a coleta do sangue.

Quanto tempo demora para o organismo repor os níveis anteriores à doação?
A reposição do volume de plasma ocorre em 24 horas e a dos glóbulos vermelhos em quatro semanas. Entretanto, para o organismo atingir o mesmo nível de estoque de ferro que apresentava antes da doação, são necessárias oito semanas para os homens e 12 semanas para as mulheres. Esses são os intervalos mínimos entre as duas doações de sangue.

Há critérios que permitem ou que impedem a doação de sangue, eles são determinados por normas técnicas do Ministério da Saúde e visam à proteção ao doador e a segurança de quem vai receber o sangue, acesse a página do IFF para saber mais.




Autora: Juliana Xavier
Fonte: IFF/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 21/11/2017
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/dia-do-doador-de-sangue-medica-esclarece-duvidas-sobre-doacao

Câncer intestinal poderá ser detectado por uma gota de sangue



O novo teste procura certas moléculas no sangue, conhecidas como biomarcadores, que são liberadas por células cancerígenas (iStock/Getty Images)



Um furinho no dedo, uma gota de sangue e pronto: tem-se o resultado preciso se o paciente com suspeita de câncer de intestino está, de fato, doente.


Tal teste é foco de um estudo britânico pioneiro e que poderá revolucionar o diagnóstico da condição. Além da facilidade, através de material sanguíneo também poderá detectar com mais precisão condições pré-cancerígenas como pólipos.

Além disso, alguns pacientes poderão ser poupados do exame de colonoscopia — de imagem que permite a exploração e a visualização do cólon, para detectar lesões no interior do órgão, realizada com o auxílio de uma sonda, chamada colonoscópio. Caro, em torno de 1500 reais, é considerado desconfortável e invasivo.

Para se ter uma ideia, apenas na Inglaterra são diagnosticados 41 mil casos de câncer de intestino por ano, tornando-se o segundo com maior probabilidade de morte no Reino Unidos. De acordo com dados da instituição Cancer Research UK, cerca de 10% dos casos são detectados através dos programas nacionais de triagem.

Por haver uma resistência natural, muitos casos de pacientes são detectados apenas após apresentarem sangue nas fezes — o que pode indicar doença em estágio avançado.

O novo teste em estudo procura certas moléculas no sangue, conhecidas como biomarcadores, que são liberadas por células cancerígenas. Além disso, os tumores podem produzir substância químicas que alteram a forma como o corpo utiliza ou absorve certos nutrientes dos alimentos no intestino.

O teste, criado pela empresa de biomedicina Universal Diagnostics, mede de 30 a 40 marcadores que são mais propensos a detectar câncer de intestino. Os resultados são devolvidos no prazo de 24 horas.

Estudos anteriores mostram que sua precisão é comparável ao teste de fezes, detectando 87 % dos cânceres colorretais. Os pesquisadores explicaram que também rastreia 83 % dos pólipos que podem se transformar em câncer e precisam ser removidos, em comparação com uma taxa de detecção de apenas 42 %, por meio de exames comuns de fezes.

Isso significa que os médicos podem identificar potenciais cânceres em um estágio muito anterior, removendo pólipos e prevenindo o câncer antes de a doença ser deflagrada.

A triagem pelo Imperial College Healthcare irá coletar 660 amostras de sangue de pacientes encaminhados para colonoscopia, após um resultado positivo sobre alterações. Todos receberão colonoscopia, bem como o exame de sangue. Após o teste, o novo exame de sangue pode ser usado em programas de rastreio generalizados.

“Detectar câncer colorretal precocemente é vital para proporcionar uma maior chance de sobrevivência”, diz o Dr. James Kinross, consultor cirurgião colorretal da Imperial College Healthcare NHS Trust, que lidera os estudos. “Existe uma grande necessidade de um teste simples, não invasivo e preciso.”

Ainda não há data de quando estará disponível no mercado e, tampouco de quando chegará na América Latina.



Autora: Redação
Fonte: Veja Abril
Sítio Online da Publicação: 
Veja Abril
Data de Publicação: 21/11/2017
Publicação Original: http://veja.abril.com.br/saude/cancer-intestinal-podera-ser-detectado-por-uma-gota-de-sangue/

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Avaliação multicêntrica de uma nova plataforma para testar HbA1c

Objetivo: Este estudo multicêntrico não intervencional com sobras de amostras anonimizadas de pacientes foi realizado para avaliar a confiabilidade e o desempenho analítico do teste HbA1c no novo analisador cobas c 513.






Métodos: Foi realizada uma avaliação de desempenho em três centros de estudo europeus para validar a funcionalidade geral do sistema, a interação do usuário e o desempenho analítico do novo analisador cobas c 513 usando o ensaio Tina-quant® HbA1c Gen. 3. Esse ensaio já estabelecido é padronizado com o método de referência aprovado pela IFCC para medição de HbA1c no sangue humano, e está aprovado para monitorar o controle glicêmico de longo prazo em indivíduos com diabetes mellitus, sendo um auxiliar no diagnóstico da doença e ajudando a identificar pacientes sob risco de virem a desenvolver diabetes. A determinação da HbA1c se baseia no imunoensaio de inibição turbidimétrica (TINIA) para sangue total hemolisado. O novo analisador tem capacidade de processar até 400 amostras por hora de sangue total ou hemolisado para testar HbA1c. Os resultados são dados em mmol/mol de hemoglobina A1c (IFCC) e porcentagem de HbA1c (DCCT/NGSP). Foram realizadas comparações do método com os analisadores de HbA1c disponíveis no mercado: cobas INTEGRA® 800 CTS, Tosoh G8 e Menarini HA-8180V usando amostras residuais de rotina de sangue fresco e congelado de doadores anônimos. Também foi feita a análise de facilidade de uso e praticidade do teste.

Resultados: As aplicações de HbA1c tanto para amostras de sangue total quanto hemolisado mostram uma recuperação muito estável do analito para os valores visados ±1 DP (~5,5% ± 0,34 e ~10% ± 0,6) e alta precisão, usando materiais de controle de qualidade e diferentes concentrações de sangue total em pool ou hemolisado. A repetitividade e a precisão intermediária das aplicações de sangue total e hemolisado na porcentagem de HbA1c foram de 0,4% – 0,7% e 0,8% – 1,5%, respectivamente. A comparação de HbA1c Gen. 3 no cobas c 513 com o HbA1c Gen. 2 no cobas INTEGRA® 800 CTS* usando 10.052 amostras de sangue total de dois laboratórios combinados mostra elevada concordância (inclinação (IC 95%) = 1,00 (1,00; 1,01); interceptação (IC 95%) = -0,15 (-0,13;-0,18)). Além disso, as concentrações do analito medidas por cobas c 513 e por Tosoh G8 (inclinação (IC 95%) = 0,94 (0,94; 0,95); interceptação (IC 95%) = 0,21 (0,16; 0,26); n=500) e Menarini HA-8180V (inclinação (IC 95%) = 0,96 (0,94; 0,97); interceptação (IC 95%) = 0,29 (0,19; 0,40); n = 249) são comparáveis. O cobas c 513 também provou que fornece resultados confiáveis com desafios de manuseio do sistema, na medida em que eles possam ocorrer no trabalho de rotina. Foram obtidas taxas de recuperação de 98,2% a 102,6% com materiais de referência da IFCC. Além disso, a aplicação de sangue total HbA1c Gen. 3 no cobas c 513 apresentou linearidade na faixa testada de 4,8% – 14,0% de HbA1c. A quantificação do HbA1c Gen. 3 no cobas c 513 não sofreu influência de variantes comuns da Hb, ou seja, HbAS, HbAC, HbAD, HbAE e HbA2. O sistema cobas c 513 foi classificado pelos operadores como “excede as expectativas” em 92,3% dos itens, em termos de praticidade e facilidade de uso.

Conclusão: O cobas c 513 comprovou ser um sistema confiável, com excelente desempenho analítico do ensaio Tina-quant® HbA1c Gen. 3 em laboratórios de alto rendimento. Além disso, os operadores classificaram a facilidade de uso como acima das expectativas.

Este artigo escrito por R. Imdahl, E. Lenters-Westra, R. Röddiger, E. Casis Sáenz e apresentado em formato de pôster na AACC você lê na íntegra na última edição da revista Roche News, clicando na imagem abaixo.


Autora: Labnetwork
Fonte: Labnetwork
Sítio Online da Publicação: Labnetwork
Data de Publicação: 23/10/2017
Publicação Original: http://www.labnetwork.com.br/noticias/avaliacao-multicentrica-de-uma-nova-plataforma-para-testar-hba1c/