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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

'Se matarem macacos, mosquitos vão atrás de sangue humano': como massacre de primatas é tiro no pé contra febre amarela




Ao contrário de evitar a propagação da febre amarela, matar macacos pode expor mais os seres humanos à doença (Foto: Vigilância Sanitária do RJ)

Fotos de corpos de macacos têm se espalhado pela internet desde o aumento, nos últimos meses, dos casos de febre amarela em regiões dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. E muitos desses animais não morreram por causa do vírus: foram executados com pedras, pauladas ou envenenamento. Além de cruel, a medida tem efeito contrário ao imaginado por muitas pessoas: prejudica o combate à doença.

Classificados por pesquisadores ouvidos pela BBC Brasil como "sentinelas" e "mártires", os macacos são o alvo preferido dos mosquitos silvestres que transmitem a febre amarela, que costumam voar na altura da copa das árvores.

Muitos primatas acabam desenvolvendo a doença e morrem. Ao verificar um volume expressivo de corpos deles em determinada região, autoridades sanitárias e pesquisadores conseguem identificar a presença da febre amarela, traçar o possível trajeto do vírus – conforme os corredores da floresta existente – e planejar ações de imunização das pessoas.




Febre amarela é transmitida no Brasil principalmente por mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes (Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz)
A doença tem tido um impacto tão expressivo na população de macacos da Mata Atlântica que existe o temor, por exemplo, de que todos os bugios desapareçam das florestas do Rio de Janeiro.

Para piorar, os poucos macacos que sobreviveram à febre amarela ou escaparam do vírus estão sendo vítimas da desinformação. Muitas pessoas matam esses animais por acharem que eles são responsáveis pela propagação da doença.

Só este ano, dos 144 macacos mortos recolhidos pela Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro para testes de febre amarela, 69% foram executados - apresentavam várias fraturas ou veneno no organismo.

Em todo o ano passado, dos 602 animais mortos, 42% foram assassinados, segundo dados do órgão.

Nem o mico-leão-dourado escapou. Corpos de animais dessa espécie, ameaçada de extinção, também foram localizados com sinais de execução.

Morte de macacos traz risco para humanos

Mas o que os "caçadores" de macacos não sabem é que, ao contrário de evitar a propagação da febre amarela, matar os bichos expõe os seres humanos a riscos maiores de contrair esse mal grave, que pode matar.

A febre amarela é uma doença infecciosa que é transmitida, no Brasil, principalmente por mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que moram na copa das árvores e têm predileção pelo sangue de primatas.

O Aedes aegypti, que vive em áreas urbanas, também é capaz de transmitir febre amarela, mas até agora não houve contaminação e transmissão por essa espécie de mosquito - desde 1942 que não há epidemia urbana de febre amarela. As pessoas infectadas até o momento teriam contraído a doença em alguma região com mata.



Dos 144 macacos mortos recolhidos pela Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro, cerca de 100 foram executados (Foto: Vigilância Sanitária do RJ)


Segundo o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz, tanto o homem quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela em quantidades suficientes para infectar outros mosquitos por cerca de três dias.


Depois disso, o organismo passa a produzir anticorpos e a concentração do vírus diminui. Em cerca de dez dias, macacos e seres humanos terão morrido ou se curado da doença, ficando imunes a ela.


Já o mosquito permanece com as moléculas da febre amarela para sempre. Eles podem até passar o vírus para os ovos e, consequentemente, para os filhotes que nascerem.

Se muitos macacos começarem a morrer, a tendência é aumentar a chance de contaminação de humanos. Sem ter primatas para picar na copa das árvores, os mosquitos buscarão alimento em outras localidades - e o homem vira a próxima opção como fonte de sangue.


"Mesmo que acabem todos os macacos de uma aérea, durante algumas gerações o vírus vai ficar ali. E o mosquito vai procurar o ser humano para se alimentar", diz Lourenço, autor de pesquisas sobre mosquitos transmissores.


O médico epidemiologista Eduardo Massad, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da britânica London School of Tropical Diseases, reforça esse argumento.


"Suponha que desaparecessem todos os macacos da serra da Cantareira. O mosquito picaria pessoas. Se você diminui a população de macacos, mais gente será picada", disse à BBC Brasil.

'Sentinelas' da doença

Além de servirem de isca para mosquitos, evitando com isso que mais humanos sejam picados, os macacos alertam para o "trajeto" do vírus pelo país.

Após campanhas de erradicação do Aedes aegypti, o Brasil se livrou da febre amarela urbana na década de 1942 - a doença acabou se concentrando na região amazônica. Nos anos 2000, porém, o vírus começou a "descer" para o leste, alcançado regiões de mata de Minas Gerais, Espírito Santo e, mais recentemente, São Paulo e Rio de Janeiro.




Sem ter macaco para picar na copa das árvores, os mosquitos buscarão alimento nos humanos (Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz)

O pesquisador Aloisio Falqueto, professor do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) acredita que o vírus migrou para a Mata Atlântica por meio do ser humano.

"A minha teoria é o elemento urbano. Muitas pessoas migram para a Amazônia sem tomar vacina. Uma pessoa pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlântica depois, na altura de Montes Claros (MG), e aqui é um barril de pólvora, pela presença de macacos sem anticorpos e seres humanos. A força de transmissão é muito maior", diz.

Já Ricardo Lourenço acredita que os mosquitos acabaram migrando naturalmente para o Sudeste, por corredores de mata e rios. Conforme foram picando macacos e esses animais morreram, teriam descido cada vez mais para o sul do país em busca de alimento.

"Mosquitos se dispersam por dois motivos: para achar lugar para colocar ovo e para achar fonte de alimentação sanguínea. Se começa a morrer macaco, ele começa a buscar sangue em outro lugar", diz o pesquisador, que explica que o mosquito pode voar 3 km por dia.


A única forma de perceber a chegada de mosquitos infectados é pela morte dos macacos. Desde o início dos anos 2000 que pesquisadores alertam o governo federal e governos estaduais para a necessidade de ampliar ações de imunização em cidades com mata onde foram localizados animais mortos.


"Os macacos nos avisam da iminência do vírus. Quando começam a morrer, sabemos da existência e intensidade do vírus naquela região. Podemos calcular por onde ele vai se alastrar e quem devemos imunizar", afirma Aloísio Falqueto.


"A morte do macaco é um aviso de que devemos imunizar as populações nas áreas de risco", explica.


Ricardo Lourenço compara o animal a um "soldado" que atua como vigia da chegada da febre amarela. "O macaco é quase um mártir. É uma vítima e um instrumento de vigilância e de alerta. É uma sentinela do quartel. Eles nos indicam onde há infecção."




Áreas com recomendação para a vacina da febre amarela (Foto: Infográfico: Juliane Monteiro/G1)
Autor: Nathalia Passarinho
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: G1
Data de Publicação: 01/02/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/febre-amarela/noticia/se-matarem-macacos-mosquitos-vao-atras-de-sangue-humano-como-massacre-de-primatas-e-tiro-no-pe-contra-febre-amarela.ghtml

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Pesquisa preliminar aponta que 54,6% dos brasileiros de 16 a 25 anos têm HPV


Dados preliminares de um estudo divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério da Saúde apontam uma prevalência de 54,6% de casos de HPV entre a população brasileira de 16 a 25 anos, sendo que 38,4% são de tipos de alto risco para o desenvolvimento de câncer.


A infecção por HPV (papilomavírus humano) é associada a vários tipos de câncer, principalmente ao de colo de útero, mas também de pênis, de vulva, de canal anal e de orofaringe, e é de tratamento complicado.


As relações sexuais são a principal forma de transmissão do vírus, mas ele também pode ser disseminado pelo sangue, por roupas ou objetos contaminados (como toalhas, roupas íntimas ou sabonetes), pelo beijo e durante o parto.


A doença causa feridas principalmente na região genital, mas também em outras partes do corpo, como pernas e braços. O maior perigo está nas verrugas que aparecem internamente, perto do útero, que não são visíveis e, sem tratamento, podem levar ao câncer.


Em junho deste ano, o governo federal anunciou a ampliação do público-alvo para a vacinação contra a doença: meninos de 11 a 15 anos agora podem receber uma dose.




Vacina de HPV está disponível na rede pública de saúde (Foto: Ascom Sespa)




Estudo




A amostra do estudo é composta por 5.812 mulheres e 1.774 homens com 16 a 25 anos, sendo a média de idade de 20,6 anos. O grupo foi entrevistado e fez exames. Foram incluídos dados de 119 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e um Centro de Testagem e Aconselhamento das 26 capitais e do Distrito Federal.



O ministério contou com o apoio do Hospital Moinhos do Vento, em Porto Alegre, para planejar a pesquisa.


Por enquanto, os resultados são preliminares e produzidos por meio de estimativa. O resultado laboratorial foi dado para 35,2% das amostras para o HPV – de onde se extraiu a informação de que 54,6% dos participantes têm a doença. Como alguns municípios ainda não encerraram as coletas, essa porcentagem pode mudar até o fim do estudo. O relatório deve ser totalmente encerrado e divulgado em março de 2018.



"Todo mundo passou pela coleta, mas uma parte ainda não foi analisada. Esse dado pode ter uma pequena variação não maior que 2 pontos percentuais, é isso que a gente estima. De qualquer maneira, é um número muito alto, mesmo se for de 54% para 52%", disse a coordenadora do estudo, a médica Eliana Wendland.



Como foi feito




Os pesquisadores coletaram amostras genitais e orais para determinar a prevalência do HPV, objetivo principal do estudo. Também foram analisadas variáveis sociodemográficas, consumo de drogas lícitas e ilícitas, comportamento sexual e saúde reprodutiva e infecções sexualmente transmissíveis, como HIV e sífilis, por meio das entrevistas.


"Fizeram teste rápido de HIV e sífilis, isso foi feito no mesmo momento da entrevista nas unidades de saúde", explicou Wendland. O estudo apontou que 16,1% da população avaliada já tinha alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível) prévia ou apresentou resultado positivo para HIV e sífilis.



Estavam namorando 41,9% e 33,1% eram casados no momento da coleta. Eram solteiros 24,2% e apenas 0,7% eram divorciados. Em média, os participantes fizeram sexo pela primeira vez aos 15,3 anos – mulheres aos 15,4 anos e homens aos 15 anos.


Metade dos indivíduos (51,5%) disse usar camisinha na rotina sexual. Apenas 41,1% usou na última vez que fez sexo. O comportamento sexual de risco foi observado em 83,4% dos entrevistados.


A pesquisa é uma parceria com várias instituições: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Universidade de São Paulo, Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, secretarias municipais de saúde de todas as capitais do Brasil e Unidades Básicas de Saúde. Mais de 250 profissionais de saúde colaboraram.



Autora: Carolina Dantas
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/pesquisa-preliminar-aponta-que-546-dos-brasileiros-de-16-a-25-anos-tem-hpv.ghtml

Fiocruz realiza encontro de Bancos de Leite Humano




Por: Roberta Raupp (rBLH/ Fiocruz)


Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro de 2017, os coordenadores dos 28 Centros de Referências Estaduais de Bancos de Leite Humano (BLHs) e a Comissão Nacional de BLHs estarão reunidos na cidade do Rio de Janeiro para avaliar o desempenho da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) no decorrer deste ano e planejar as estratégias a serem executadas em 2018. A ocasião marcará o início do processo de implantação do Programa de Certificação de BLHs para o SUS, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno (CGSCAM) do Ministério da Saúde (MS).

O evento é uma iniciativa da Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH), da CGSCAM/ MS e da Fiocruz, por meio de três unidades: o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).

O Encontro Nacional de Referências Estaduais para Bancos de Leite Humano / Fiocruz/ CGSCAM - 2017 acontecerá em cinco sessões: Abertura; Certificação da Qualidade de BLH I: Aspectos Teóricos e Oportunidade de melhorias; Certificação da Qualidade de BLH II: Aspectos Práticos - Parque Tecnológico; Leite Humano e Prematuridade; e Avaliação e Planejamento.

A solenidade de abertura será realizada das 19h30 às 22h e contará com a presença de autoridades do Ministério da Saúde e da Fiocruz. Na sequência, serão apresentadas as inovações da rBLH desenvolvidas em 2017, dentre elas, a publicação Série Documentos sobre a criação da rBLH na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP); o lançamento do Monitoramento da rBLH: Agenda 2030; o pré-lançamento do Aplicativo para Certificação do Parque Tecnológico da rBLH - equipamentos e instalações; e a apresentação da Portaria que define critérios de habilitação de BLHs e e Postos de Coleta de Leite Humano (PCLH).

No dia 30 de novembro, os coordenadores estaduais de BLHs participarão de três sessões. A primeira contemplará os aspectos teóricos e as oportunidades de melhorias da Certificação da Qualidade de BLH - Fiocruz / CGSCAM / MS, perpassando pela apresentação do Programa, que envolve a Certificação em Recursos Humanos, Informação – Credenciamento, Parque Tecnológico, e Produtos e Processos. Além disso, a rBLH apresentará os Ensaios de Proficiência. O período da tarde será destinado ao treinamento para utilização do Aplicativo para Certificação do Parque Tecnológico da rBLH - equipamentos e instalações.

A terceira parte do encontro no dia 30 de novembro será composta pela sessão científica Leite Humano e Prematuridade, que tratará dos desafios de garantir o leite da mãe para o prematuro e do BLH como rede de apoio, com ênfase no compromisso de todos.

A manhã seguinte (1º de dezembro) será dedicada a avaliação e planejamento da rBLH. Temas como as atribuições e responsabilidades institucionais das referências da rBLH, as estratégias para a implementação do Programa de Certificação da Qualidade, workshop estaduais sobre a Qualidade em BLH estarão presentes neste dia, além da avaliação pela Coordenação da rBLH-BR das demandas locais.

Ao final do evento, serão apresentados os resultados do Credenciamento 2017 e a entrega dos certificados dos BLHs credenciados.

As atividades dos três dias ocorrerão no Copacabana Mar Hotel (Rua Ministro Viveiros de Castro, 155 – Copacabana, Rio de Janeiro-RJ). As sessões noturnas serão transmitidas em tempo real pela equipe do Laboratório de Telessaúde da rBLH.

Confira a programação.




Autora: Roberta Raupp
Fonte: rBLH 
Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/fiocruz-realiza-encontro-de-bancos-de-leite-humano