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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Ministério da Saúde inicia campanha de vacinação contra o HPV

Mais de 20 milhões de adolescentes brasileiros devem buscar os postos de saúde para receber a vacina HPV. A convocação é do Ministério da Saúde, que lança nesta terça-feira (4/9) uma Campanha Publicitária de Mobilização e Comunicação para a Vacinação do Adolescente contra a doença. A expectativa é de vacinar 9,7 milhões de meninas de 9 a 14 anos e 10,8 milhões de meninos de 11 a 14 anos. Para garantir a vacinação deste público, o Ministério da Saúde investiu R$ 567 milhões na aquisição de 14 milhões de vacinas. A vacina HPV é eficaz e protege contra vários tipos de cânceres em mulheres e homens.

Desde a incorporação da vacina HPV no Calendário Nacional de Vacinação, 4 milhões de meninas de 9 a 14 anos procuraram as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) para completar o esquema com a segunda dose, totalizando 41,8% das crianças a serem vacinadas. Com a primeira dose, foram imunizadas 4 milhões de meninas nesta mesma faixa, o que corresponde a 63,4%. “É importante alertar que cobertura vacinal só está completa com as duas doses, por isso quem tomou a primeira dose deve voltar aos postos após seis meses”, explicou a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, Carla Domingues.

Entre os meninos, que foram incluídos na vacinação contra HPV no ano passado, 2,6 milhões foram vacinados com a primeira dose, o que representa 35,7% do público alvo. Em relação à segunda dose, foram aplicadas 911 mil vacinas em meninos de 11 a 14 anos, completando, desta forma, o esquema de vacinação.

Campanha HPV

Com o slogan “Não perca a nova temporada de Vacinação contra o HPV”, a campanha publicitária envolve várias peças e será veiculada no período de 4 a 28 de setembro. O filme mistura imagens reais e animação e traz dois jovens, um menino e uma menina, fugindo de um vírus em um cenário com inspiração nos seriados famosos que são de identificação do público jovem e dos pais. A fuga termina no momento em que os jovens entram em uma unidade de saúde e se vacinam. Trata-se de uma campanha publicitária para mobilizar a população. A vacina contra o HPV faz parte do calendário de rotina disponível nas unidades do SUS, lembra Carla Domingues. “A campanha é importante para lembrar as pessoas sobre a necessidade da vacinação, esclarecendo o que é mito e boato, e informações verdadeiras, baseadas em estudos científicos”, observou a coordenadora.

HPV no Brasil

Segundo estudo realizado pelo projeto POP-Brasil em 2017, a prevalência estimada do HPV no Brasil é de 54,3 %. O estudo entrevistou 7.586 pessoas nas capitais do país. Os dados da pesquisa mostram que 37,6 % dos participantes apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

O estudo indica ainda que 16,1% dos jovens tem uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis. Os dados finais deste projeto serão disponibilizados no relatório a ser apresentado ao Ministério da Saúde até o final do ano.

O projeto POP-Brasil é uma parceria do Ministério da Saúde, o Hospital Moinhos de Vento (RS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade de São Paulo (Faculdade de Medicina (FMUSP) – Centro de Investigação Translacional em Oncologia), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Secretarias Municipais de Saúde das capitais brasileiras e Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal.

Estudos internacionais também apontam o impacto da vacinação na redução do HPV. Nos EUA, dados mostram uma diminuição de 88% nas taxas de infeção oral por HPV. Na Austrália, redução da prevalência de HPV de 22.7% (2005) para 1.5% (2015) entre mulheres de 18–24 anos. Outro estudo internacional mostra que nos EUA, México e Brasil entre homens de 18 a 70 anos: brasileiros (72%) têm mais infecção por HPV que os mexicanos (62%) e norte-americanos (61%).
Câncer

A vacina HPV previne vários tipos de cânceres contribuindo com a redução da incidência de cânceres nas mulheres e homens. No mundo, dos 2,2 milhões de tumores provocados por vírus e outros agentes infecciosos, 640 mil são causados pelo HPV. A vacina utilizada no país previne 70% cânceres do colo útero, 90% câncer anal, 63% do câncer de pênis, 70% dos cânceres de vagina, 72% dos cânceres de orofaringe e 90% das verrugas genitais. Além disso, as vacinas HPV protegem contra o pré-câncer cervical em mulheres de 15 a 26 anos, associadas ao HPV16 /18. As vacinas é segura e não aumenta o risco de eventos adversos graves, aborto ou interrupção da gravidez.
Vacinação nas escolas

O Ministério da Saúde enviou ao Ministério da Educação material informativo sobre as doenças. A ideia é estimular os professores a conversem com os alunos e familiares sobre o tema. O Brasil é o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina HPV para meninos em programas nacionais de imunizações. “A participação das escolas é imprescindível para reforçar a adesão dos jovens à vacinação e, consequentemente atingir o objetivo de redução futura do câncer de colo de útero, terceiro tipo de câncer mais comum em mulheres e a quarta causa de óbito por câncer no país”, completou Carla Domingues.

Para mais informações, acesse a página especializada sobre HPV no portal do Ministério da Saúde.








Autor: Nivaldo Coelho
Fonte: Agência Saúde
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 04/09/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/ministerio-da-saude-inicia-campanha-de-vacinacao-contra-o-hpv

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Nova edição da revista ‘Memórias do IOC’ está online

A edição de agosto da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz está disponível para acesso gratuito online. O periódico reúne dez artigos sobre temas de importância para a saúde pública. Entre os destaques está um estudo sobre os fatores de risco para a mortalidade de pacientes hospitalizados em decorrência da infecção pelo vírus da dengue. No estudo de coorte retrospectivo, os pesquisadores utilizaram dados de 2008 a 2015, disponíveis no Sistema de Informação Hospitalar do Sistema Único de Saúde. No período analisado, foram registrados, no Brasil, mais de 326 mil casos de internação por dengue de indivíduos de 9 a 45 anos. Destes, 971 evoluíram para óbito. O risco de morte em pacientes que apresentaram comorbidades, como doenças infecciosas e pulmonares, insuficiência renal e diabetes, foi 11 vezes maior – índice semelhante ao risco de morte por dengue grave.

Outro estudo investiga fatores de risco para a infecção, em humanos, pela tuberculose zoonótica em área urbana. A doença causada pela bactéria Mycobacterium bovis pode ser transmitida de vertebrados, especialmente bovinos, diretamente, pelo ar, ou indiretamente, pelo consumo de leite e derivados. O periódico traz, ainda, uma pesquisa que destaca a importância da vacina contra o HPV (vírus do papiloma humano) para a redução da incidência de infecções que levam ao câncer do colo do útero. O estudo chama a atenção para a baixa aceitação global da vacina e para a necessidade de investigação de efeitos adversos provocados pelo imunizante. O artigo apresenta, ainda, diferentes abordagens sobre as políticas de vacinação contra o vírus em países como o Japão e a Colômbia, em comparação com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Conheça a edição.



Autor: Lucas Rocha
Fonte: IOC/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 08/08/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/nova-edicao-da-revista-memorias-do-ioc-esta-online

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Conhecimento sobre a vacinação contra o HPV em estudantes de medicina no Rio de Janeiro


Assunto de tamanho interesse da ginecologia, atual, de abrangência médica, econômica e mundial, o papiloma vírus humano (HPV) é um vírus de DNA extremamente prevalente em todo o mundo (SILVAet al., 2012; RODRIGUES et al., 2014). Atualmente existem mais de 200 tipos identificados, dos quais cerca de 45 acometem a área anogenital e são divididos principalmente em dois grandes grupos, o de baixo (6 e 11) e o de alto risco oncogênico (16 e 18) (ANGUIANO et al., 2013). Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), destacam que mais de 630 milhões de homens e mulheres (1:10 pessoas) estão infectados por este vírus no mundo (BAKOGIANNI , 2010). 



O estudo, tratamento e prevenção do HPV é de vultosa importância, pois o mesmo é identificado em mais de 99% dos carcinomas do colo uterino e além disso, a infecção está também potencialmente associada carcinomas de outros territórios anatômicos como orofaringe, ânus, pênis e região vaginal (GIULIANO et al., 2011). O câncer cervical corresponde a aproximadamente 10% de todos os casos de câncer em mulheres no mundo e é a segunda causa mais comum de morte por neoplasia, depois do câncer de mama.



Atualmente é um importante problema de saúde pública, em especial nos países menos desenvolvidos como no Brasil onde ocorrem cerca de 20.000 novos casos e 4.000 mortes por ano (FREGNANI et al., 2013; COELHO et al., 2015). O principal elemento para desenvolvimento de lesões precursoras e do câncer do colo do útero é a infecção pelo HPV e dentre os fatores de risco considerados para infecção pelo vírus e possível evolução neoplásica estão principalmente a idade, maior prevalência entre adolescentes e adultas jovens, início precoce de vida sexual, múltiplos parceiros sexuais e presença outras doenças sexualmente transmissíveis.



Desde a década de 1940, a colpocitologia oncótica ou exame de Papanicolau constitui o método de triagem e prevenção para as lesões precursoras do câncer do colo uterino. Exame este sensível, seguro, barato e de especificidade relativamente boa (GIULIANO et al., 2011). Além dos exames preventivos, a vacinação contra o HPV tem ganhado espaço como ferramenta na prevenção, sendo a possibilidade de redução do câncer de colo uterino com a utilização da vacina profilática contra o HPV uma grande perspectiva médica mundial (GIRALDO et al., 2008). Em 2006, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (ANVISA) regulamentou a comercialização da vacina quadrivalente recombinante contra o Papilomavírus Humano (6, 11, 16 e 18). Mais recentemente também foi aprovada a vacina bivalente contra HPV16 e HPV18, considerados os dois tipos mais comuns nos cânceres cervicais; ambas são semelhantes e apresentam alta eficácia (LINHARES e VILLA, 2006).



Muitos estudos apontam com entusiasmo o papel das vacinas profiláticas na redução do câncer de colo uterino, sugerindo a incorporação desta nova tecnologia ao serviço público de saúde (MEDEIROS, 2009). Uma das principais barreiras à informação sobre a detecção precoce e prevenção da infecção por HPV são a disponibilidade, precisão das informações dadas e incentivo dos profissionais de saúde para a prática dos exames de prevenção e vacinação por parte da população (COSTA et al., 2017). A estratégia requer um aumento das ações para fortalecer programas através de um pacote de serviços integrados: informação e educação em saúde; rastreamento e tratamento pré-câncer; tratamento para câncer cervical invasivo e cuidados paliativos; além de decisões políticas baseadas em evidência sobre como se introduzir a vacina contra o vírus HPV (GIRALDO et al., 2008). 






Autor: Gilda Maria Sales Barbosa, Daniel Pereira Barbosa, Elizabeth Zaroni Megale, Eduarda Karenn Ferreira da Silva, Elaine Alves dos Santos e Cassio do Nascimento Florêncio
Fonte: SUSTINERE
Sítio Online da Publicação: e-publicacoes UERJ
Data de Publicação: Janeiro a Junho de 2018
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/33130/25717

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Finalistas do Prêmio Péter Murányi são selecionados
















Três trabalhos foram indicados pela FAPESP, CNPq e Fiocruz. Os vencedores receberão prêmios de até R$ 200 mil e serão anunciados em 8 de fevereiro.

Os três trabalhos finalistas da 17ª edição do Prêmio Péter Murányi foram indicados por representantes da FAPESP, CNPq e Fiocruz. Com foco em Saúde, os trabalhos concorrerão a premiação total de R$ 250 mil, distribuídos entre o primeiro colocado (R$ 200 mil), o segundo (R$ 30 mil) e o terceiro (R$ 20 mil).

O júri escolherá entre os três trabalhos, cujos temas têm como ponto em comum o cuidado com o bem-estar das próximas gerações. Dentre os três trabalhos selecionados para a votação final, um deles foi indicado pela FAPESP e é de autoria da professora Luisa Lina Villa, da Faculdade de Medicina da USP, que foi responsável pela comprovação da eficácia da vacina contra o papilomavírus humano (HPV), um dos principais causadores do câncer de colo de útero. A vacina está em aplicação no sistema público e privado brasileiro, fazendo parte, inclusive, do calendário nacional de vacinação.

Outro finalista é o trabalho coordenado pela médica e pesquisadora Celina Turchi, indicado pela Fiocruz. O estudo mostra a associação entre a ocorrência de microcefalia em crianças cujas mães foram contaminadas pelo vírus Zika durante a gestação.

O terceiro finalista refere-se à importância da amamentação e aos impactos que essa prática tem na redução da mortalidade infantil, diminuição de infecções e melhora no desenvolvimento cognitivo das crianças, em países de alta renda, assim como nos menos desenvolvidos. O projeto, indicado pelo CNPq, é de autoria do professor e médico Cesar Victora.

O estudo vitorioso será indicado por um júri composto por representantes de entidades nacionais e internacionais ligadas à área da saúde, representantes de universidades federais, estaduais e privadas, personalidades de renome e membros da sociedade.

O vencedor será anunciado no dia 8 de fevereiro de 2018 e a cerimônia de entrega das premiações ocorrerá em abril.

O Prêmio Péter Murányi é realizado anualmente pela Fundação Péter Murányi, com temas que se alternam a cada edição: Saúde, Ciência & Tecnologia, Alimentação e Educação. Os temas são revisitados a cada quatro anos. Para a edição de 2018, a fundação recebeu 225 trabalhos, vindos de toda a América Latina.

A premiação conta com o apoio das seguintes entidades: Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Associação dos Cônsules no Brasil (Aconbras) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Mais informações: www.fundacaopetermuranyi.org.br.

Autor: Agência FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data de Publicação: 01/02/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/finalistas_do_premio_peter_muranyi_sao_selecionados__/27073/

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Infecção pode causar verrugas genitais em seis meses ou lesão pré-tumoral em dois anos

O sistema público de saúde brasileiro iniciou em janeiro deste ano a imunização de garotos com 12 e 13 anos de idade contra o vírus do papiloma humano, o HPV. Até o início de junho, porém, apenas 595 mil adolescentes (16,5% da população nessa faixa etária) haviam recebido a primeira das duas doses de uma vacina importada que protege contra a infecção por quatro tipos desse vírus. Transmitido pelo contato de pele e mucosas durante o sexo, o HPV está associado nos homens ao desenvolvimento de verrugas genitais e anais, além de tumores de pênis, ânus, boca e garganta. Como o uso de preservativos nem sempre evita a transmissão do vírus, especialistas em saúde afirmam que a melhor forma de combater a disseminação é vacinar a população não contaminada. No final de junho, o ministério recomendou a imunização de meninos de uma faixa etária mais ampla, dos 11 aos 14 anos, o que torna mais desafiadora a meta de terminar 2017 com 80% deles imunizados – a vacina está disponível há mais tempo para as meninas, mas nem entre elas esse índice tem sido alcançado.


Os sinais de que será preciso redobrar os esforços para proteger os meninos surgem pouco após a publicação de estudos que começam a desvendar como e por quanto tempo a infecção pelo vírus progride até gerar verrugas genitais e lesões precursoras do câncer no sexo masculino. “Há muito se sabe que o HPV leva ao desenvolvimento de verrugas e tumores também na região genital masculina, mas não havia trabalhos que medissem a probabilidade de a infecção gerar lesões nem o tempo que demora para isso acontecer”, conta a bioquímica Luisa Lina Villa, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). Ela foi uma das primeiras pesquisadoras brasileiras a identificar a presença do HPV em tumores de pênis, ainda nos anos 1980, e há quase uma década coordena a parte nacional do estudo epidemiológico “HPV infection in men (HIM)”. Financiado pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, pela FAPESP e pela empresa farmacêutica Merck Sharp & Dohme, fabricante da vacina tetravalente Gardasil, o estudo acompanhou por quase cinco anos a saúde sexual de 4,1 mil homens com idade entre 18 e 73 anos no Brasil, no México e nos Estados Unidos.

O HIM já gerou dezenas de artigos científicos. Três deles, publicados entre 2015 e 2017, trazem uma análise mais detalhada da história natural da infecção por HPV. Em dois papers, o grupo da epidemiologista Anna Giuliano, do Moffitt Cancer Center, na Flórida, coordenadora geral do HIM, relata os resultados da avaliação de cerca de 3 mil desses homens.

No início da pesquisa, nenhum deles tinha doença sexualmente transmissível nem infecção por HPV. Com o tempo, uma parte contraiu o vírus, identificado a partir de testes genéticos feitos no material coletado do pênis e da bolsa escrotal. Aproximadamente 72% dos brasileiros estiveram infectados com HPV em algum momento do estudo, uma proporção significativamente maior do que a de mexicanos (62%) e a de norte-americanos (61%). Dos 37 tipos de HPV investigados, foram encontrados com mais frequência quatro: dois considerados de baixo risco para causar tumores (HPV6 e HPV11) e dois de alto risco (HPV16 e HPV18), os mesmos contra os quais a vacina disponível gratuitamente no sistema de saúde brasileiro produz imunidade.

Uma das avaliações levou em consideração os dados de 3.033 participantes dos três países. Desse total, 1.788 apresentaram infecção por ao menos um tipo de HPV e 86 deles (5% dos infectados) desenvolveram verrugas genitais (condiloma). Só 9 dos homens com HPV tiveram lesões pré-tumorais: as neoplasias intraepiteliais penianas.

Um em cada quatro casos de infecção por HPV6 ou por HPV11 gerou condilomas contendo os mesmos vírus. O tempo entre a infecção e o surgimento da verruga foi de quase oito meses para o primeiro vírus e de quatro para o segundo. Quase 60% das lesões pré-cancerígenas continham o HPV16, de alto risco. Na maioria das vezes, quase dois anos se passaram entre a infecção e o desenvolvimento da neoplasia, segundo artigo publicado em 2015 na revista European Urology.

A análise dos dados brasileiros foi publicada em abril deste ano na revista Brazilian Journal of Infectious Diseases. Dos 1.118 participantes de São Paulo, 815 tiveram HPV e 35 desenvolveram lesão nos genitais. Durante o acompanhamento, 16% das pessoas com HPV6 e 16% das infectadas pelo HPV11 desenvolveram verrugas genitais, respectivamente, em nove meses e em sete meses, em um ritmo mais lento do que o identificado no estudo com mexicanos e norte-americanos. Na amostra brasileira, 1% dos indivíduos com HPV16 desenvolveram lesão pré-tumoral em 25 meses.

Em sua conclusão, o estudo brasileiro chama a atenção para o fato de que os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, contra os quais a vacina tetravalente oferece proteção, foram encontrados em 80% dos condilomas e das lesões pré-tumorais. E indica que seria recomendável adotar uma política ampla de vacinação para os meninos, uma vez que os homens continuam a se infectar com o vírus ao longo da vida e a transmiti-lo para seus parceiros – homens ou mulheres. Em um dos artigos do HIM, os pesquisadores lembram o caso bem-sucedido da Austrália, o primeiro país a implantar um programa nacional de imunização contra o HPV. Lá, a cobertura vacinal supera os 80% e houve uma redução de 70% a 90% na frequência de verrugas genitais entre as mulheres.


© FERNANDO PEREIRA / SECOM - PMSP



Adolescente recebe vacina contra o HPV em unidade básica de saúde da cidade de São Paulo

Redução na cobertura
No Brasil, essa parece uma meta distante. A vacina contra o HPV é cara – a dose sai por cerca de R$ 40 para o ministério e R$ 400 nas clínicas particulares. Ela se tornou disponível para as meninas em 2014 e, desde então, 72,5% das garotas com idade entre 9 e 15 anos tomaram a primeira dose e 43%, a segunda. Houve uma queda nesse índice depois que o imunizante deixou de ser oferecido nas escolas. Parte da redução talvez se explique pela circulação de notícias sobre efeitos colaterais associados à vacina, que, apesar de raros, existem. Os mais frequentes são dor, coceira e inchaço local, além de náuseas, dores de cabeça ou nos braços e nas pernas. Mas houve relatos esparsos de desmaios, convulsão e perda passageira de sensibilidade nos braços e nas pernas – depois de investigados, esses casos foram classificados como reação psicogênica pós-vacinação, um fenômeno psicológico já documentado em outras campanhas de vacinação.

“Trabalhamos para aumentar essa cobertura”, conta Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. “O ministério recomenda que os municípios façam a vacinação nas escolas, mas isso exige uma logística complexa.” Para atingir a meta de 80%, planeja-se iniciar em julho campanhas publicitárias para estimular os pais a levarem os filhos adolescentes aos postos de saúde para completar o calendário de vacinação, inclusive contra o HPV.

Luisa Villa, da USP, defende a volta da vacinação nas escolas. Para ela, a redução do risco de contrair o HPV depende de educar os jovens para a prática de sexo seguro e de vacinar a população ainda não exposta ao vírus. “Para mudar essa história, será preciso vacinar toda essa meninada”, afirma. “As pessoas ainda não entenderam essa mensagem.”

Projeto
Instituto de Ciência e Tecnologia para o estudo das doenças associadas ao papilomavírus (nº 08/57889-1); Modalidade Projeto Temático; ProgramaInstitutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT); Pesquisadora responsávelLuisa Lina Villa (FM-USP); Investimento R$ 4.990.411,77.

Artigos científicos
SILVA, R. J. C. et al. HPV-related external genital lesions among men residing in Brazil. Brazilian Journal of Infectious Diseases. 8 abr. 2017.
SUDENGA, S. L. et al. Genital Human Papillomavirus infection progression to external genital lesions: The HIM Study. European Urology. v. 69 (1), p. 166-73. 6 jun. 2015.

Autor: RICARDO ZORZETTO | ED. 257 |
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: JULHO 2017
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/07/18/hpv-e-cancer-masculino/?cat=ciencia

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Pesquisa preliminar aponta que 54,6% dos brasileiros de 16 a 25 anos têm HPV


Dados preliminares de um estudo divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério da Saúde apontam uma prevalência de 54,6% de casos de HPV entre a população brasileira de 16 a 25 anos, sendo que 38,4% são de tipos de alto risco para o desenvolvimento de câncer.


A infecção por HPV (papilomavírus humano) é associada a vários tipos de câncer, principalmente ao de colo de útero, mas também de pênis, de vulva, de canal anal e de orofaringe, e é de tratamento complicado.


As relações sexuais são a principal forma de transmissão do vírus, mas ele também pode ser disseminado pelo sangue, por roupas ou objetos contaminados (como toalhas, roupas íntimas ou sabonetes), pelo beijo e durante o parto.


A doença causa feridas principalmente na região genital, mas também em outras partes do corpo, como pernas e braços. O maior perigo está nas verrugas que aparecem internamente, perto do útero, que não são visíveis e, sem tratamento, podem levar ao câncer.


Em junho deste ano, o governo federal anunciou a ampliação do público-alvo para a vacinação contra a doença: meninos de 11 a 15 anos agora podem receber uma dose.




Vacina de HPV está disponível na rede pública de saúde (Foto: Ascom Sespa)




Estudo




A amostra do estudo é composta por 5.812 mulheres e 1.774 homens com 16 a 25 anos, sendo a média de idade de 20,6 anos. O grupo foi entrevistado e fez exames. Foram incluídos dados de 119 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e um Centro de Testagem e Aconselhamento das 26 capitais e do Distrito Federal.



O ministério contou com o apoio do Hospital Moinhos do Vento, em Porto Alegre, para planejar a pesquisa.


Por enquanto, os resultados são preliminares e produzidos por meio de estimativa. O resultado laboratorial foi dado para 35,2% das amostras para o HPV – de onde se extraiu a informação de que 54,6% dos participantes têm a doença. Como alguns municípios ainda não encerraram as coletas, essa porcentagem pode mudar até o fim do estudo. O relatório deve ser totalmente encerrado e divulgado em março de 2018.



"Todo mundo passou pela coleta, mas uma parte ainda não foi analisada. Esse dado pode ter uma pequena variação não maior que 2 pontos percentuais, é isso que a gente estima. De qualquer maneira, é um número muito alto, mesmo se for de 54% para 52%", disse a coordenadora do estudo, a médica Eliana Wendland.



Como foi feito




Os pesquisadores coletaram amostras genitais e orais para determinar a prevalência do HPV, objetivo principal do estudo. Também foram analisadas variáveis sociodemográficas, consumo de drogas lícitas e ilícitas, comportamento sexual e saúde reprodutiva e infecções sexualmente transmissíveis, como HIV e sífilis, por meio das entrevistas.


"Fizeram teste rápido de HIV e sífilis, isso foi feito no mesmo momento da entrevista nas unidades de saúde", explicou Wendland. O estudo apontou que 16,1% da população avaliada já tinha alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível) prévia ou apresentou resultado positivo para HIV e sífilis.



Estavam namorando 41,9% e 33,1% eram casados no momento da coleta. Eram solteiros 24,2% e apenas 0,7% eram divorciados. Em média, os participantes fizeram sexo pela primeira vez aos 15,3 anos – mulheres aos 15,4 anos e homens aos 15 anos.


Metade dos indivíduos (51,5%) disse usar camisinha na rotina sexual. Apenas 41,1% usou na última vez que fez sexo. O comportamento sexual de risco foi observado em 83,4% dos entrevistados.


A pesquisa é uma parceria com várias instituições: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Universidade de São Paulo, Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, secretarias municipais de saúde de todas as capitais do Brasil e Unidades Básicas de Saúde. Mais de 250 profissionais de saúde colaboraram.



Autora: Carolina Dantas
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/pesquisa-preliminar-aponta-que-546-dos-brasileiros-de-16-a-25-anos-tem-hpv.ghtml