Quer queira ou não, as mortes autoprovocadas são um problema de saúde pública mundial (mais de 800 mil mortes por suicídio e mais de 16 milhões de tentativas todos os anos no mundo), que invade os mais diversos ambientes, atingindo desde o colega distante do trabalho, ao frequentador da mesma igreja, ao parente nem tão próximo, esvaecendo até mesmo seu amigo, cônjuge, filho, pai, mãe… ou paciente!
Enquanto os números caem no mundo, o Brasil não para de crescer nessa sombria estatística. Brasil, México e Estados Unidos são responsáveis por um aumento de 35% no número de suicídios mundiais no século XXI, enquanto, neste mesmo período, o mundo encolheu 30%. E, acredita-se que o número seja ainda mais preocupante, visto que as subnotificações são uma realidade que permeiam muitos países e acabam por interferir na qualidade do gerenciamento dos registros oficiais, incluindo no próprio Brasil.
Haja vista a proporção alarmante de tentativas de autoextermínio, devemos estar aptos a reconhecer os sinais de alerta. Processos de introspecção, com retraimento social, perda de prazer por atividades outrora interessantes, descuido com aparência, piora do desempenho nas atividades laborais ou nos estudos, alterações no sono e no apetite, diminuição da energia, além de pensamentos de morte podem dar fortes indícios de que é hora de cuidar.
Pessoas mais acometidas
Um outro ponto de importante ressalva é o impacto do suicídio nas minorias. Cada vez mais negros, indígenas, gays, transexuais, e mulheres, tentam suicídio todos os anos. Algo precisa ser feito. Como diz a grande socióloga Michelle Alexander em seu livro “Responsibility for Justice”, quando o problema não é de ninguém, ele é de todos. E sim, de todos nós!
Além da necessidade de pôr-se em prática o conceito de integralidade no contexto de prevenção do suicídio, com a atuação dos profissionais de saúde de forma articulada e multidisciplinar diante do indivíduo em situação de vulnerabilidade, também devemos repensar o quão poderoso é o exercício de uma boa escuta, oferecendo um verdadeiro acolhimento do sujeito em sofrimento. Não menos importante, é de extrema relevância a articulação com outros setores na sociedade, promovendo ações preventivas educacionais, sedimentando a luta contra o preconceito, como o bullying, além de campanhas contra o porte e posse de armas, que matam mais e mais pessoas por suicídio em todo o mundo.
Gostaríamos de encerrar com essa frase, que resume o ato de prevenir o suicídio em todas as esferas:
O cuidado é a essência da vida, e o amor é a essência do cuidado.
"Na maioria das vezes, a gente não está muito atento ao que está acontecendo ao nosso redor. Mas todo mundo tem a capacidade de observar", diz Adriana Rizzo, voluntária do CVV (Centro de Valorização da Vida), que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio.
No caso, observar sinais de pessoas que possam estar pensando em tirar a própria vida. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), quase 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, e essa é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas de acidentes de trânsito.
Os sintomas nem sempre são visíveis, muitas vezes são silenciosos, mas há alguns sinais para os quais podemos prestar atenção.
No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e neste Setembro Amarelo - campanha brasileira de prevenção ao suicídio -, listamos os sinais que podem indicar se alguém está cogitando suicídio.
Segundo Rizzo, "são um conjunto de coisas", e é preciso observar os sintomas associados a outros sinais. Karen Scavacini, psicóloga e fundadora do instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, lista alguns: Sintomas Verbais Quando a pessoa diz "quero me matar, quero morrer, vou cometer suicídio". "Muita gente não dá atenção para isso porque acha que a pessoa não está falando a verdade, que quem fala não faz", diz Rizzo; Quando diz "estou muito cansada, não quero continuar". "É algo que, isoladamente, não recebe muita atenção das pessoas. Mas junto com outros sintomas, tem de ser visto com um olhar mais diferenciado", explica a psicóloga. Sinais Comportamentais Isolamento: se a pessoa deixa de ir à escola ou falta ao trabalho com regularidade, por exemplo; Desinteresse: de repente, a pessoa deixa de fazer as atividades de que gosta; Alimentação: a pessoa come mais ou come menos que o usual; Mudança no sono: se tem insônia ou dorme demais; Agressividade: no caso de jovens, às vezes a depressão se confunde com agressividade.
No geral, de acordo com Scavacini, "sintomas de depressão associados a sinais verbais pode mostrar que pessoa está em risco".
"Mas tudo depende de muita coisa. Às vezes a pessoa está com risco baixo de suicídio e tem um desencadeante forte, como ser mandada embora do emprego, perder alguém importante. Pode ser a gota d'água. Esses períodos de estresse demandam maior atenção", afirma.
O CVV oferece apoio emocional e prevenção do suicídio durante 24 horas por meio de chats online, ligações ou mesmo e-mail. Não é necessário se identificar e a pessoa pode ligar quantas vezes quiser.
Em seu trabalho, diz Rizzo, voluntários se dispõem a atendimentos durante 4 horas por semana, ficando à disposição para atendimentos virtuais ou por telefone.
"As pessoas falam de assuntos diversos, de algo que aconteceu em seu dia, o que lhe deixou bem, o que lhe deixou mal, o pensamento de morrer", conta. "A maioria fala que se sente sozinha. Damos espaço e oportunidade para falarem."
"Uma grande coisa que a gente pode fazer é estar mais atento às pessoas ao nosso redor", diz Rizzo. "Ter esse olhar, essa percepção de que alguém não está bem, se aproximar, perguntar como ela está e realmente ouvir."
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionCVV oferece apoio 24 horas por diversos meios Nas redes sociais
Também é preciso ficar atento aos sinais nas redes sociais.
Para Scavacini, é preciso monitorar as "mudanças na forma de uso" das redes. "Quando a pessoa começar a usar mais as redes, ficando mais isolada", por exemplo, ou quando ela começa a "seguir páginas com conteúdo que tenham mais relação com depressão ou questões ligadas à morte" - esses são possíveis sintomas de depressão ou tendência de suicídio.
"Muita gente vai fazer essa comunicação nas redes. O difícil é conseguir entender até que ponto é um pedido de ajuda ou uma comunicação de que vai fazer alguma coisa naquele momento."
As pessoas se expressam de maneira diferente em redes diferentes - com menos sinceridade em posts do Facebook, por exemplo, e mais abertura em comentários de vídeos no YouTube, que não aparecem para as redes de contato -, e plataformas também têm tomado medidas para monitorar o conteúdo.
Usuários que identificarem conteúdo impróprio, como vídeos ou mensagens incitando o suicídio ou mensagens de pessoas que pareçam inclinadas a tentar isso, também podem agir, usando canais de denúncias das plataformas (no Facebook, clicando nos três pontinhos no canto superior direito da publicação; no YouTube, nos três pontinhos localizados no canto inferior direito de cada vídeo; no Twitter, na lateral direita superior do tuíte; no Instagram, nos três pontinhos do lado superior direito).
O Facebook, por exemplo, envia uma mensagem dizendo "Um de seus amigos está preocupado com você", oferecendo opções de ajuda ao usuário.
Direito de imagemNETFLIXImage captionA série do Netflix '13 Reasons Why' aborda o tema do suicídio Identifiquei os sinais. E agora, o que faço?
Se você desconfiar que alguém próximo está pensando em suicídio, não fique parado, tome uma atitude.
A primeira atitude pode ser começar uma conversa com a pessoa. Aborde com uma "postura acolhedora", diz Scavacini.
É preciso "segurar o julgamento" e começar uma conversa dizendo, por exemplo: "Estou preocupado com você, percebi que você está assim [diga como]. Está acontecendo alguma coisa? Estou aqui para te ajudar" ou então: "Como você está se sentindo hoje?"
Escute. Depois que perguntar como ela está, o importante é deixar a pessoa falar. "Muitas vezes, a pessoa colocar em palavras o que ela está sentindo pode ser relevante. Ela pode sentir que é importante para alguém, e isso pode lhe dar um bom apoio", afirma a psicóloga.
Escolha um lugar calmo e converse com tempo, dando total atenção à pessoa e ao que ela tem para falar. Ela pode demorar um pouco para se abrir, então seja paciente. Esse link traz mais dicas de como conduzir a conversa.
Na conversa, é importante perguntar se a pessoa está pensando em fazer alguma coisa com ela mesma.
"Se ela disser que sim, você deve tentar conectá-la a um serviço de saúde mental. Pode se oferecer para ir junto, garantindo que ela receba algum tipo de ajuda e checando depois se ela realmente chegou a ir e se conseguiu a ajuda de que precisva. A pessoa com sofrimento emocional intenso precisa ser guiada", afirma Scavacini.
Ela lembra que há vários caminhos: faculdades, clínicas, escolas, CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).
Se a pessoa disser que não está pensando em fazer algo, você deve se colocar à disposição para conversar com ela. Dizer: "Estou preocupado, estou aqui para o que você precisar", continuar oferecendo ajuda e, de tempos em tempos, voltar a ter essa conversa. "Já se for um jovem e você for pai ou mãe, você vai tentar conversar mais vezes, marcar uma consulta para o jovem", diz Scavacini.
Se o adulto disser que está pensando em se matar e disser concretamente que tem uma arma em casa ou que já pensou a maneira como vai fazer isso, é recomendável procurar a família e procurar a orientação de profissionais da saúde mental.
Cada caso é diferente de outro e caso os sinais sejam identificados, o importante é agir. Onde buscar ajuda? CAPS e Unidades Básicas de Saúde (saúde da família, postos e centros de saúde) UPA 24h Samu 192 Hospitais Pronto-socorro
CVV - Centro de Valorização da Vida (apoio emocional e prevenção do suicídio) 188 (ligação gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular) www.cvv.org.br (Chat, Skype ou e-mail)
Talvez seja necessário mais de uma conversa para que a pessoa se abra
A cada 40 segundos, alguém, em algum lugar do mundo, tira sua própria vida.
Quase 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), e essa é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas de acidentes de trânsito.
São estatísticas alarmantes – no entanto, é um assunto pouco discutido, segundo a própria OMS.
Por mais solitário que esse ato extremo possa parecer, ele afeta filhos, pais, maridos e mulheres, amigos e colegas.
Um estudo americano publicado no ano passado diz que, para cada pessoa que se mata, o efeito pode chegar a impactar 135 outras.
A professora Julie Cerel, da Universidade do Kentucky, também percebeu que impacto não depende só de laços familiares, mas da proximidade com a pessoa que se matou.
Falar sobre o assunto é sempre um desafio. No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio – e neste Setembro Amarelo – a BBC fala sobre as melhores formas de conversar com alguém que está pensando em suicídio.
Comece a conversa
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Em primeiro lugar é preciso reconhecer que é uma conversa difícil
Não há certo ou errado ao conversar sobre pensamentos suicidas, o importante é começar a conversa, diz à BBC Emma Carrington, porta-voz da entidade de combate à doenças mentais Rethink UK.
"Em primeiro lugar é preciso reconhecer que é uma conversa difícil. Não é uma conversa que temos todos os dias. Então, você vai ficar nervoso e isso é normal."
"O importante é ouvir e não julgar."
Conselhos para conversar com alguém com pensamentos suicidas: Escolha um lugar calmo onde a pessoa sinta-se confortável Garanta que vocês dois terão tempo suficiente para conversar Se você disser a coisa errada, não entre em pânico; não seja duro demais consigo mesmo Foque na outra pessoa, faça contato visual, ponha o telefone de lado – dê sua atenção total à outra pessoa Seja paciente, podem ser necessárias várias tentativas até a pessoa estar pronta para se abrir Use perguntas abertas que precisam de respostas que sejam mais do que um sim ou um não Não sinta que precisa preencher todos os silêncios com conselhos e com palavras: às vezes a pessoa está tomando coragem para falar e precisa de um tempo Não interrompa ou ofereça uma solução para todos os problemas, o importante é ouvir Não empurre suas próprias ideias sobre como a pessoa deve estar se sentindo Verifique se a pessoa sabe onde e como obter ajuda profissional
Fontes: Samaritans, entidade britânica de apoio à saúde mental
Quem está em risco?
O suicídio afeta pessoas de todas as idades e de ambos os sexos, mas globalmente o índice de suicídio entre homens é mais alto.
Em 2016, a taxa e suicídio entre homens era de 13,5 a cada 100 mil, enquanto entre mulheres era de 7,7 por 100 mil.
A proporção entre homens e mulheres, no entanto, varia de país para país.
A Rússia tem o índice mais alto de suicídio entre homens (48 a cada 100 mil em 2016), seis vezes maior do que a taxa entre as mulheres.
A ligação entre o suicídio e doenças mentais (principalmente depressão e alcoolismo) é bem documentada.
Mas muitos casos acontecem impulsivamente em momentos de crise, quando as pessoas têm surtos diante de estresses, problemas financeiros, separações, dores ou doenças.
Os indíces são altos entre populações rurais e entre grupos que sofrem discriminação, como refugiados e migrantes, indígenas, pessoas LGBT e presidiários.
De acordo com a OMS, pessoas que passaram por conflitos armados, desastres, sofreram abusos, perdas, violências ou sentem isolamento também estão em risco.
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O importante é ouvir sem julgar
"Uma pessoa pode se sentir isolada mesmo que esteja cercada de pessoas. A pessoa pode estar passando por dificuldades financeiras. Todas essas coisas podem se acumular", diz Carrington, da Rethink UK.
"A não ser que tenhamos o apoio das pessoas ao nosso redor, pode se tornar opressivo" O que a sociedade pode fazer?
A OMS diz que os governos podem tomar diversas medidas para prevenir o suicídio, incluindo: Quebrar o tabu e falar sobre o assunto Ajudar jovens a desenolver habilidades úteis para lidar com as pressões da vida, especialmente nas escolas Treinar profissionais de saúde para lidar com comportamento suicida Identificar e apoiar pessoar em risco e manter contato com elas no longo prazo Restringir o acesso a instrumentos letais Destruindo mitos
Organizações de saúde mental tentam acabar com o que dizem ser um mito comum: o de que conversar com as pessoas sobre suicídio vai incentivá-las a tirar suas próprias vidas.
De acordo com a organização australiana Beyond Blue, da ex-primeira-ministra Julia Gillard, ter a liberdade de conversar sobre o assunto pode ajudar a restaurar a esperança das pessoas que estão tendo pensamentos suicidas.
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Grupos sociais vulneráveis têm maior risco de suicídio
"Você não precisa ser um profissional de saúde para apoiar alguém que está em risco. Só precisa ser alguém que está preparado para ter a conversa", diz Gillard.
Embora a ajuda profissional seja essencial, e o único método seguro para que a pessoa faça terapia e consiga remédios, Carrington diz que conversar sobre a morte e sobre os pensamentos suicidas com alguém próximo pode ajudar a pessoa a se sentir segura no curto prazo.
Ela afirma que é importa mostrar que você não está julgando e conversar sobre o presente. Fale sobre hoje
"Se você está preocupado com alguém, pergunte sobre como a pessoa está se sentindo hoje, insista nisso. Ajuda usar a palavra 'hoje', porque se a pessoa está se sentindo muito sobrecarregada por suas emoções, não parece uma pergunta muito assustadora", diz Carrington.
"Com frequência leva mais de uma conversa para alguém se abrir sobre suicídio. Você precisa construir construir confiança com a pessoa, para que ela sinta que você não vai julgar." Ajuda e rede de apoio
Se ao fim da conversa você sentir que a pessoa ainda está muito mal, tendo dificuldade para lidar com sua situação, provavelmente é uma boa ideia checar se a pessoa sabe como conseguir ajuda, quer seja através de uma conversa com outra pessoa ou com um profissional.
Algumas perguntas perguntas úteis podem ser: Você já conversou com mais alguém sobre isso? Você gostaria de procurar ajuda? Gostaria que eu fosse com você? Há alguém em quem você confia que possa procurar? Se ajudar, você pode falar comigo quando precisar.
É importante que, se você também estiver se sentindo sobrecarregado com a situação de estar oferecendo apoio para alguém com pensamentos suicidas, que também procure ajuda e apoio. E se, algo por acaso acontecer com a pessoa, lembre de que não é culpa sua.
Você pode indicar para a pessoa que ligue para o Centro de Valorização da Vida (188) quando precisar de mais apoio - e também pode ligar caso precise.
Este terceiro número da Reciis – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), é dedicado à campanha brasileira pela prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo. A pesquisadora Mariana Bteshe reflete sobre a complexidade e a multicausalidade da questão, nos mostrando que não basta falar sobre o assunto. Com foco na perspectiva do cuidado em saúde mental, a autora discute aspectos fundamentais para a compreensão dos processos comunicacionais, psíquicos e sociais que envolvem o fenômeno.
Para Bteshe, não será por meio da racionalidade ou da responsabilização das vítimas que reduziremos os índices de suicídios e tentativas. "Ao contrário, nossa melhor chance é um olhar atento e compassivo para o sofrimento profundo vivenciado por quem procurou alívio nesse gesto extremo e também por seus familiares e amigos. É preciso investir na criação e manutenção de espaços de acolhimento, sobretudo, no Sistema Único de Saúde (SUS)".
A edição foi lançada ainda sob o impacto do incêndio que no dia 2 de setembro destruiu grande parte do acervo do Museu Nacional no Rio de Janeiro. Num dos editoriais, Rosany Bochner, editora científica da Reciis, relaciona a nossa curta memória brasileira com as cinzas do nosso patrimônio ao listar uma série de incêndios que vêm queimando nossa cultura. "A verba que faltava para a preservação aparece em grandes somas para a reconstrução do que foi destruído. Uma conta que nunca vai fechar e só nos deixa mais pobres no sentido mais humano possível".
Este número traz também quatro artigos originais que têm em comum abordagens produzidas a partir das práticas de saúde que envolvem o uso de tecnologias de informação e comunicação. Além de uma análise acerca do papel da mídia na construção da agenda governamental para o SUS, outro destaque é o estudo comparativo entre o estado nutricional de crianças que frequentam três creches no município de Carapicuíba (SP) com o estado nutricional de seus pais, a partir de dados referentes ao consumo alimentar, à classe econômica e à escolaridade.
Já o ensaio intitulado A (in)formação científica e humanizada dos profissionais da área de saúde: a literatura nas humanidades médicas nos oferece uma reflexão sobre o diálogo entre literatura e ciência. O relato de experiência nos apresenta um interessante projeto que propõe o envolvimento de alunos de três escolas públicas estaduais em Belo Horizonte na construção de questões relacionadas à saúde.
Várias campanhas ligadas as patologias são identificadas por cores, como o Outubro Rosa, que fala sobre o câncer de mama e o Novembro Azul, que aborda o câncer de próstata. Setembro vem com a cor amarela e se coloca como uma oportunidade de intensificar o debate sobre o suicídio.
O objetivo da campanha Setembro Amarelo é alertar a população sobre o problema e mostrar que vários casos poderiam ser evitados.
O suicídio pode ser definido como um ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a morte de forma consciente e intencional. Esta autodestruição é um fenômeno presente ao longo de toda a história, em todas as culturas. É considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública.
Como identificar
Ainda não há como prever. Mas, há como identificar. São dois os fatores principais de risco:
Tentativa prévia - Pacientes que tentaram suicídio tem de cinco a seis vezes mais chances de tentar novamente e, 50% dos pacientes que se suicidaram já haviam tentado antes; Transtorno mental - A maioria dos suicidas possuíam transtornos mentais não tratados ou maltratados, os principais são: depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e abuso/dependência de outras drogas, transtornos de personalidade e esquizofrenia. Pacientes com múltiplas comorbidades psiquiátricas tem risco aumentado.
Desmistifique o mito
Existem vários mitos sobre o comportamento suicida que precisam ser derrubados. Exemplos:
• Quem diz que vai se matar não se mata; • Após uma tentativa de suicídio ou melhora de um quadro depressivo o risco diminui; • O suicídio é sempre impulsivo; • Os suicidas querem mesmo morrer e estão decididos, nada muda isso; • Falar sobre suicídio incita-o.
Não é bem assim. Ao suspeitar que uma pessoa possa estar com pensamentos suicidas, demonstre compreensão e amor. Procure saber o que está acontecendo e quais sentimentos estão relacionados. Não tenha medo de perguntar se ela está pensando em suicídio. Isso é fundamental. Depois, procure a ajude de um profissional qualificado (psicólogo ou psiquiatra). É importante mostrar para a pessoa que há outras saídas que não seja o suicídio.
Uma boa opção de ajuda é ligar para o número 188, onde pode-se conversar com um voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV). O atendimento é 24h. A cartilha Falando Abertamente sobre Suicídio elaborada pelo CVV traz informações interessantes sobre o assunto e vale a pena ser conferida.