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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Agronegócio é foco do Diálogos da Inovação, na Casa Firjan

Em parceria com a FAPERJ, a Casa Firjan promoveu nesta quarta-feira, dia 27 de novembro, o último encontro de 2019 da série Diálogos da Inovação, que desta vez teve como tema o Agronegócio. Uma das palestrantes convidadas pela organização do evento, a chefe geral da Embrapa Solos, Petula Nascimento, aproveitou para anunciar o acordo assinado entre a Embrapa e a FAPERJ na parte da manhã (veja mais detalhes na seção Notas nesta edição do Boletim FAPERJ), para a criação do Polo Tecnológico de Inovação Agropecuária (PitecAgro), um novo hub de inovação tecnológica do agronegócio no Rio de Janeiro, fruto de acordo de cooperação técnica entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro (Secti), que repassará, por meio de editais da FAPERJ, R$ 1,5 milhão na estruturação do polo na sede da Embrapa Solos, que entrará em atividade em 2020. Outro palestrante da programação, Francisco Jardim, cofundador e diretor da SP Ventures, mostrou como a empresa assumiu a liderança em empreendimentos agrotecnológicos na América Latina. A última apresentação do programa foi de Amanda Pinto, nova geração do Grupo Mantiqueira, que contou como se inspirou a criar o N.ovo, o primeiro ovo vegano lançado no país.

Antes de passar a palavra aos palestrantes, a gerente de Ambientes de Inovação da Casa Firjan, Julia Zardo, explicou aos novatos na plateia os objetivos da Casa Firjan e dos Diálogos da Inovação: pensar o futuro nos dias de hoje com parceiros que tenham motivações diferentes – como é o caso da FAPERJ, frisou – que traz para as empresas a visão da academia. “A intenção é que consigamos montar um grupo de pessoas que pensem em estratégias para aumentar a competitividade e a inovação das empresas, e o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro”, esclareceu Julia.

Mediador do debate, o diretor de Tecnologia da FAPERJ, Mauricio Guedes, ressaltou a importância do início da parceria entre a Fundação e a Firjan este ano. “O desafio da diretoria de Tecnologia da FAPERJ é o desafio da inovação, de transformar o conhecimento em riqueza, empregos, renda”, disse Guedes, explicando que a série Diálogos da Inovação foi organizada no modelo de encontros mensais, sempre nas últimas quartas-feiras de cada mês, abordando diversos temas. Para ele, o tema agronegócio é especial porque apesar de não fazer parte do cotidiano do Rio de Janeiro, a cadeia agrega diversas áreas como a da robótica, processamento de imagens e internet das coisas, entre outras.


Pizza farta: produção do alimentos no País (Fonte: imagem/Embrapa)


Doutora em Políticas Públicas, Estratégia e Desenvolvimento do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Petula Nascimento iniciou sua palestra lembrando que o “agro” é hoje o setor que mais sustenta o Produto Interno Bruto (PIB) do País, respondendo por 23%. Destacou os surpreendentes volumes de produção no Brasil – 219,14 milhões de toneladas de grãos, 26,35 milhões de t. de carnes, 35,17 bilhões de litros de leite e 43,8 milhões de t. de frutas –, decorrente de uma grande evolução da pesquisa em diversas áreas, em especial, nos ganhos de produtividade. Petula ressaltou a participação da agricultura familiar na produção de alimentos, que responde por 88% dos estabelecimentos rurais do País (5,2 milhões de estabelecimentos rurais) e 74% da mão-de-obra no campo. A pesquisadora discorreu sobre a evolução da agricultura moderna, traçando uma linha do tempo desde a “Revolução Verde”, na década de 1960, passando pela “Segunda Onda”, nos anos 1990, com sistemas integrados multidisciplinares de pesquisa e produção, como a integração entre Lavoura, Pecuária e Floresta, e, a partir de agora, o início da “Terceira Onda”, que se baseia na agricultura de base biológica, em um mundo em constante mudança e contextos cada vez mais complexos.

“Nessa era da complexidade temos um nexo entre água, energia e alimento, que é a base de tudo. Além disso, o setor precisa atender à Agenda 2030 da ONU, com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e, principalmente, estar atento às tendências de consumo, que valorizam cada vez mais produtos saudáveis e produção sustentável, e que reduzam perdas e aproveitem os resíduos”, disse a chefe da Embrapa Solos. Ela deu o exemplo do algodão orgânico colorido produzido na Paraíba. Em sua opinião, a agricultura será cada vez mais pressionada pela multifuncionalidade, aspecto que considera, entre outros, serviços ambientais e ecossistêmicos, química verde e biomateriais, inclusão e qualidade de vida no meio rural, cultura, tradição, gastronomia e turismo, numa visão sistêmica do setor. Para Petula, o desafio é integrar ao “agro” as tecnologias disruptivas, como a agricultura digital (Agro 4.0), baseada em conteúdo customizado, já que sete a cada 10 moradores do campo têm acesso à internet. A pesquisadora disse que a Inteligência Artificial não serve apenas às grandes commodities, mas permeia todo o setor. Finalizando, Petula garantiu que as startups são a grande solução para agregar mais dinamismo ao “agro”, e que a Embrapa vem promovendo arranjos institucionais para viabilizar isso. Deu o exemplo do Ideas for Milk, o primeiro desafio lançado pela Embrapa para startups desenvolverem soluções para o setor leiteiro; o InovaPork, promovido este ano para o setor da suinocultura, e o InovaAvi, que buscará soluções para o setor da avicultura e será lançado em 2020, assim como um Ideas voltado especificamente para o Rio de Janeiro, a fim de dinamizar a interação entre universidades e produtores fluminenses.

Francisco Jardim cofundador e diretor da São Paulo Ventures (SPV), empresa líder em empreendimentos exclusivamente focados na cadeia de agroalimentos na América Latina, contou que a gestora de venture capital foi fundada em 2007, um período difícil, carente de cases de sucesso de empreendedorismo de alto impacto. Ele lembrou que dos oito primeiros investimentos feitos pela SPV, quatro eram no setor da agricultura. Em 2013, a empresa levantou os cinco maiores fundos de venture capital em estágio inicial, mas com diversificada base de investidores. No ano seguinte, focou no agfoodtech e desde então consolidou o maior e mais diversificado portfólio da América Latina. Com patrimônio de R$ 105 milhões, o fundo aplica 80% dos recursos em startups que desenvolvem tecnologias agropecuárias. Para Jardim, todo o ecossistema favorável, que vem sendo construído há décadas por diversos atores, agora “explode” no Brasil e abre enormes oportunidades de investimento no setor. Ele chama atenção para o fato de que períodos de grandes transformações sempre foram acompanhados por grandes safras de fundos de investimentos. “Pela primeira vez o Brasil está protagonizando e liderando uma grande transformação tecnológica, que é a 4ª Revolução Agrícola, baseada num modelo muito mais colaborativo do que as primeiras”, acredita o CEO da SP Ventures. “O agro é o único setor da economia no qual o Brasil é líder inquestionável na produção e/ou exportação da maior parte dos produtos dinâmicos”, lembra Jardim.


A partir da esquerda, o diretor de Tecnologia da FAPERJ, Maurício Guedes, moderador do encontro, e os convidados Francisco Jardim, Amanda Pinto e Petula Nascimento (Foto: Fabiano Veneza/Casa Firjan)


O administrador explicou que os fundos de investimento substituem as empresas devido ao seu apetite por riscos, por projetos ousados. Ou seja, enquanto as empresas fazem inovação incremental, e perdem muitas oportunidade de inovações disruptivas, os fundos arriscam e contam com um índice de 30 a 50% de mortalidade entre suas apostas. Jardim destacou as vantagens competitivas do agronegócio, como a grande disponibilidade de terra ainda não explorada, a possibilidade de utilização de áreas de pastagem para agricultura, os altos índices de produtividade das principais culturas, a disponibilidade de água e as condições meteorológicas, que favorecem duas a três safras por ano. Destacou, também, a variedade de solos, a enorme biodiversidade, microclimas, e fotoperiodismo característicos do clima tropical. Jardim alega que o Brasil é o único país do mundo a poder atender ao aumento de 60% a 80% na demanda de alimentos até 2050, segundo previsão de diversas organizações internacionais. O CEO da SPV discorreu sobre a liderança do País em ciência agrícola, com as universidades e institutos de pesquisa complementando o trabalho da Embrapa. Ele explicou que baseado na experiência apreendida no ecossistema do setor, a SPV criou uma tese dividida em seis estágios, que incluem etapas “dentro da porteira e depois da porteira”, a partir do perfil da tecnologia, estágio da cadeia do agro e a verticalização alcançada, na qual todo o qualquer investimento feito, seja em pecuária ou agricultura, deveria se enquadrar em pelo menos três dos seis estágios, ciências da vida ou transformações digitais. “A agricultura é uma linha de manufatura a céu aberto, permeada por agentes biológicos e com um ciclo de capital de giro muito longo”, diz Jardim, lembrando que o aquecimento global demandará a agregação de ainda mais inovação e tecnologia para ao setor.

Amanda Pinto, head de Inovação do Grupo Mantiqueira, maior produtor de ovos da América Latina e o 12º do mundo, apresentou a grande novidade da empresa, o N.ovo, o primeiro ovo vegano do País, lançado em 2017. Fundado em 1987 pelas famílias Pinto e Cunha, o Grupo Mantiqueira atua em cinco segmentos do agronegócio, todos correlatos à produção de aves de postura, e possui quatro unidades produtivas em três estados brasileiros com capacidade para abrigar 11,5 milhões de galinhas e produzir dois bilhões de ovos por ano. “Sempre em sintonia com as necessidades do consumidor, desenvolvemos o maior portfolio de produtos do mercado”, diz Amanda, destacando os ovos enriquecidos de ômega 3, a linha gourmet, o caipira orgânico e os ovos solidários, cuja parte da renda é revertida para projetos sociais. Representante da nova geração de gestores do Grupo Mantiqueira, Amanda também idealizou a granja de galinhas livres de gaiolas, instalada em Paraíba do Sul, município da Região Serrana fluminense, quase na divisa com Minas Gerais. Ela conta que em suas conversas com ONGs dedicadas ao bem-estar animal, muitas pessoas sugeriam que a empresa aumentasse as instalações de galinhas criadas fora de gaiolas. Mas como achar espaço suficiente para acomodar 11 milhões de galinhas livres?

Para chegar ao N.ovo, Amanda pesquisou as tendências de mercado e descobriu no DrawDown, bestseller publicado pelo New York Times, que uma dieta à base de plantas é a quarta melhor forma de ajudar na redução do aquecimento global. Identificou também o consumidor flexitariano, aquele que não é tão radical quanto o vegano e o vegetariano, pois come principalmente alimentos de origem vegetal, mas ainda não excluiu de vez as carnes do cardápio, o que seria o mais efetivo para reduzir os gases de efeito estufa. Após tomar conhecimento de pesquisa da Nielsen que aponta a América Latina como o principal mercado de proteínas alternativas, ela decidiu investir no produto. Além disso, previsão da Lux Research aponta que até 2054 as proteínas alternativas representarão 33% do market share global. “Usamos menos de 1% das 300 mil espécies vegetais comestíveis disponíveis no mundo na alimentação”, informa Amanda. Após dois anos conhecendo inovações no Vale do Silício voltadas para o desenvolvimento de proteínas alternativas, equivalentes a proteínas animais, Amanda convenceu o Conselho do Grupo Mantiqueira a desenvolver e lançar o produto. Esse substituto de ovos é 100% vegetal, produzido a partir de proteína e amido de ervilha, linhaça dourada e uma combinação de três tipos de fermentos, e pode ser usado em diversas receitas, como bolos, pudins, panquecas, entre outros.




Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 28/11/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3887.2.1

segunda-feira, 15 de abril de 2019

O que o agrotóxico do agronegócio está matando, por Jacques Távora Alfonsin

“Já foram liberados pela atual administração pública da União 121 agrotóxicos, ou seja, até ali, um por dia. 28 deles classificados como ‘extremamente tóxicos’. Outros 30 produtos já se encontram na fila para registro. A notícia arrola um número significativo de empresas multinacionais e brasileiras que se habilitam à permissão de venda para esse tipo de veneno“, escreve Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos.

IHU





Eis o artigo.

Quanto mais sérias e preocupantes são as advertências das pesquisas e das iniciativas urgentes a serem tomadas em defesa do meio ambiente, em nível nacional e internacional, sobre os prejuízos que, no mundo todo, os agrotóxicos vêm causando às pessoas, à terra, à flora, à fauna, à natureza toda enfim, tanto maior é o esforço do novo (des)governo brasileiro em liberar as licenças para a sua utilização predadora.

De acordo com o site IHU notícias de 3 deste abril, baseado em informação do “De olho nos ruralistas”, já foram liberados pela atual administração pública da União 121 agrotóxicos, ou seja, até ali, um por dia. 28 deles classificados como “extremamente tóxicos”. Outros 30 produtos já se encontram na fila para registro. A notícia arrola um número significativo de empresas multinacionais e brasileiras que se habilitam à permissão de venda para esse tipo de veneno, não só para quem lida com ele, como a publicação revela: “O aumento progressivo no registro de pesticidas no Brasil vem acompanhado de impactos severos para a saúde pública. Entre 2007 e 2017, foram notificados cerca de 1.900 mortes relacionadas ao uso de agrotóxicos, além de 40 mil casos de intoxicação aguda.”

Da gravidade desses números e das providências imediatas que devem ser tomadas para a proteção e defesa de quantas/os sofrem os efeitos diretos e indiretos desse mal – que conta em seu favor com todo o poderoso agronegócio brasileiro, presente em todos os poderes do Estado, bancada ruralista e Ministério da Agricultura especialmente – dão sinal algumas iniciativas acadêmicas e populares que, felizmente, começam a se verificar no país.

Dia 28 de março passado, por exemplo um simpósio internacional foi realizado em Mata-RS, sobre a crescente mortandade de abelhas que se está verificando no mundo todo, por força do emprego de agrotóxicos sobre a terra. Promovido pela APISBio (Articulação Para a Preservação da Integridade dos Seres e da Biodiversidade) e pela APISMA (Associação dos Apicultores e Meliponicultures de Mata), contou com a participação com mais de duas dezenas de entidades e organizações parceiras, além de assessorias jurídicas como a do advogado José Renato de Oliveira Barcelos. O promotor de justiça Éder Fernan do Kegler também se fez presente.

Aquilo que toma por referência um simples “nicho ecológico” como a mortandade de abelhas, poderia ser desconsiderado por sua aparente fragilidade frente ao poderio econômico de sustentação dos venenos agrícolas. Esse pessimismo pode ser enfrentado pelas consequências político-jurídicas que já estão sendo tomadas como resultado do evento. Como publicou o “Sul 21”, em sua edição de 30 de março, dos debates entre conferencistas e participantes do Simpósio, algumas conclusões empoderam o combate contra agrotóxicos, pelo fato de já não restarem algumas dúvidas sobre o porque , onde, quando e como eles nascem, se desenvolvem e agridem o meio ambiente:

“A mortandade de abelhas já tem sido há tempos um alerta quanto a utilização indiscriminada de substâncias nocivas à vida nos cultivos agrícolas. {…} Os agrotóxicos utilizados nos monocultivos de grãos – em especial a soja – são apontados como responsáveis. O fato novo registrado agora é o resultado de laudos científicos que confirmam essa informação e já servem de amparo para uma representação coletiva apresentada junto ao Ministério Público Estadual (MPE/RS) pedindo a abertura de inquérito civil público e propondo ação civil pública e ação penal junto à toda cadeia de responsabilidade que envolve utilizadores, aplicadores, revendedores, distribuidores, importadores e fabricantes.”

Não há de faltar apoio jurídico qualificado ao Ministério Púbico do Estado, para levar adiante o ajuizamento dessas ações em defesa da vida da terra, e de toda a vida que dela depende. O jurista Carlos Frederico Marés, conhecido no Brasil por sua defesa corajosa das/os índias, da terra, do direito socioambiental, tem chamado a atenção, em mais de um dos seus estudos, para as disposições da Constituição Federal sobre a função social da terra, as condições obrigatórias que a/o proprietária/o desse bem deve cumprir, sob pena de seu uso ser julgado como prejudicial, inclusive ao meio-ambiente e, por isso, barrado e punido. Em 2003, o Instituto socioambiental publicou um dos seus trabalhos (“Direito agrário e meio ambiente”), na coletânea “Reforma agrária e meio ambiente”, onde ele adverte:

“Ninguém mais nega que a propriedade deve ter uma função social, mas alguns intransigentes defensores da propriedade absoluta dizem que seu cumprimento se dá com a tão só alta produtividade da terra, são os economistas que reduzem tudo a uma equação de mercado. {…} Esta corrente vê as áreas de proteção ambiental como inimigos da produção e subordinam o direito agrário e a função social da propriedade à produção, não importa do quê, desde que gere lucro, vantagem econômica imediata, não importa, tampouco, nem o futuro nem a felicidade humana.”

Se ninguém mais negava a função social, as políticas públicas agora implementadas pelo Poder Executivo da União mostram que este abre uma grande exceção àquilo que Marés dá como pacífico, e deixa a efetividade prática da função social da propriedade privada, como prevista na Constituição Federal e em muitas outras leis, a mercê do que o jurista aponta como a causa redutiva do seu comando à letra morta: lucro acima de tudo, vantagem econômica imediata, indiferente aos seus efeitos antissociais e ambientais.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul, todavia – essa é a esperança, não só das abelhas como de toda a terra e gente deste Estado – pode e deve exercer o seu poder de agir contra as mortes que o agronegócio agrotóxico está causando, com o explícito apoio da administração pública da República Federativa do Brasil, como a Constituição denomina o nosso país. Será que ele ainda pode ser chamado assim?

(EcoDebate, 15/04/2019) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/04/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/04/15/o-que-o-agrotoxico-do-agronegocio-esta-matando-por-jacques-tavora-alfonsin/

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Campo investe em tecnologia e já tem até rebanho em nuvem na internet

O agronegócio brasileiro aumenta a cada ano sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) graças, sobretudo, à pesquisa e aos investimentos em tecnologia. De uma participação de 21% no PIB de 2014, a fatia cresceu para 23% em 2015 e deve aumentar 2% este ano, com um Valor Bruto de Produção de R$ 548 bilhões.


O agronegócio já corresponde a 48% do total de exportações brasileiras. No cenário interno, tem produzido grandes safras, o que tem ajudado a derrubar os índices de inflação. Hoje, o campo utiliza pesquisas avançadas como o emprego da nanotecnologia no controle de alimentos, redes de satélites e drones para levantamento de dados de solo e clima e até o rastreamento de rebanhos já é feito em tempo real, com informações disponibilizadas na nuvem da internet.

Para falar sobre os avanços em tecnologia, a Sputnik Brasil conversou com exclusividade com o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, nesta segunda-feira, quando foi aberto, em São Paulo, o Agronegócio Brasil 2017, um dos maiores eventos do setor. Segundo Lopes, nas últimas quatro décadas, o Brasil teve um avanço extraordinário do agronegócio.

"Em quatro décadas fomos capazes de sair de uma situação de dependência e insegurança alimentar para conseguir alimentar nossa população e projetar o Brasil como um grande provedor de alimentos para o mundo. Vivemos agora o início de outra revolução: o avanço tecnológico em áreas como a transformação digital, em tecnologias novas como a internet de alta velocidade e drones. Daqui a pouco, virá a inteligência artificial e a era dos big daters com a possibilidade de acumularmos volumes extraordinários de dados e informações", exemplifica Lopes.

O presidente da Embrapa prevê que o uso de novas tecnologias vai impactar a produção, permitir a oferta de alimentos de forma cada vez mais segura a custos mais baixos de forma sustentável com atenção cada vez maior ao meio ambiente. Segundo ele, as novas tecnologias dos sensores estão mudando a capacidade de monitorar os sistemas de produção. Ele exemplifica com o trabalho dos tratores, que podem receber sensores avançados que permitem acompanhar em tempo real como as lavouras estão produzindo, ajudar a monitorar pragas e doenças, além de instalar chips em um drone com algoritmos muito sofisticados que podem capturar informações precisas nas plantações, reduzindo o emprego de defensivos.


© SPUTNIK/ A. SOLOMONOV
Projeto russo de nanotecnologia é considerado melhor na Europa



Outros aplicativos são capazes de reunir dados de até 1.600 estações meteorológicas no país, apontando a melhor época de plantio para cada espécie, aumentado a produtividade das colheitas. Outros programas preveem índices de secas e geadas, bem como a quantidade de água no solo e até outros que recomendam o volume de capim oferecido aos bois por hectare.

O presidente da Embrapa cita a nanotecnologia como outro aspecto importante no desenvolvimento de novos projetos. Em 2018, deve chegar ao mercado um desses produtos desenvolvidos pela Embrapa, os nanobiosnacks de frutas, uma espécie de chip de batata frita, embora sem fritura, e também filmes biodegradáveis feitos de alimentos. Nanosensores colocados em tintas de impressão podem ser colocados em etiquetas de frutas, medindo a concentração de gás etileno, permitindo assim o consumidor saber o ponto de maturação do produto.

"Esses novos materiais vão nos permitir produzir moléculas que podem ser usadas para proteger a superfície dos alimentos, aumentado a vida de prateleira. Com o surgimento de aplicativos que podem ser usados através dos celulares, hoje acessamos programas sofisticados de computadores na nuvem com informações sobre clima, mercado, acionamos equipamentos a distância, na chamada internet das coisa, que combina equipamentos e estratégias de monitoramento com a internet”, detalha o dirigente. O presidente da Embrapa diz que um dos desafios é fazer que as novas tecnologias gerem produtos a custos acessíveis. Segundo ele, o custo de equipamentos e sensores tende a cair. 


JONAS OLIVEIRA/AEPR/FOTOS PÚBLICAS
Campo fértil para o agronegócio brasileiro em 2017


"A Embrapa está desenvolvendo o conceito de sensores vestíveis. Por exemplo, um cabresto que você pode colocar na cabeça do animal. Ali existem sensores que permitem o monitoramento das condições fisiológicas do animal, batimentos cardíacos, movimentação, se ele está indo frequentemente beber água ou se alimentar.”

Lopes observa que a Embrapa, como empresa pública, tem feito nos últimos anos um grande esforço para reduzir sua dependência dos recursos do Tesouro Nacional e para isso vem procurando ampliar suas parcerias tanto com entidades do governo quanto da iniciativa privada, totalizando hoje cerca de 400 acordos nacionais e internacionais. Além disso, tramita no Congresso projeto de lei para a criação de um braço da Embrapa no mercado de inovações tecnológicas chamado Embrapa Tec. Essa empresa poderia receber o grande acervo de ativos e conhecimentos da Embrapa e se preparar para ir ao mercado buscar mais associações e parcerias no setor privado.


Autora: sputniknews
Fonte: sputniknews
Sítio Online da Publicação: sputniknews
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: https://br.sputniknews.com/noticias/201711279941224-agronegocio-investimento-nanotecnologia-drones-alimentos-sociedade/

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Embrapa Cocais, UEMA e IFMA fecham texto de acordo de cooperação técnica para pesquisa e transferência de tecnologia


Neste mês, foi definido texto do acordo de cooperação técnico-científico e operacional entre Embrapa Cocais, Universidade Estadual do Maranhão – UEMA e instituto Federal do Maranhão - IFMA sobre o termo de cooperação técnico-científico e operacional entre as instituições para criação de Unidade de Pesquisa e Transferência de Tecnologia – UMIPTT em Balsas-MA. O texto irá para as respectivas áreas jurídicas para aprovação. A expectativa é de assinatura do acordo e inauguração da Unidade ainda este ano.
- Foto: Flávia Bessa


Nessa articulação da Embrapa, a escolha pelos parceiros iniciais IFMA e UEMA foi feita em função de já haver ações em conjunto consolidadas com essas instituições. Posteriormente, serão recepcionadas adesões de novas instituições do Maranhão.
A Unidade de Pesquisa e Transferência de Tecnologia – UMIPTT é a união de esforços entre a Embrapa e uma ou mais instituições parceiras de pesquisa, ensino, extensão e representação da sociedade, públicas ou privadas, nacionais ou internacionais, com reconhecida atuação no interesse do desenvolvimento regional de um determinado território. O objetivo é o desenvolvimento regional sustentável de determinada região, uma aliança estratégica para o fortalecimento de arranjos produtivos locais e a delimitação territorial, de recursos humanos, financeiros e infraestrutura.
Segundo o Assessor da Diretoria Executiva de Transferência de Tecnologia – DETT, Apes Perera, “esse arranjo em rede promove a atuação da Embrapa e parceiros onde não estão presentes pela distância, sendo a Embrapa articuladora do processo. Além disso, traz simplicidade operacional e capacidade de adaptação a diferentes situações em diferentes regiões, com o benefício da conjugação de esforços e otimização de recursos financeiros e humanos e de infraestrutura. A demanda vem da articulação da sociedade local interessada e suas instituições regionais. No momento em que o País passa por uma crise econômica, não dá para esperar soluções, temos de ser criativos e apresentá-las”.
O acordo de parceria para a estruturação da UMIPTT é de simples cooperação, no qual cada uma das instituições envolvidas diz o que tem condições de aportar. Não há repasse financeiro. Os recursos são captados nas agências de fomento. “Como em todo acordo, cada um leva o que aportou. A gestão é feita por projeto, sendo a entidade máxima o Comitê de Gestão Estratégica e o Comitê Técnico Executivo, ambos formados por um membro de cada instituição parceira. O Regimento Interno, a ser criado, regerá as demais regras”, complementa Apes.
Para a chefe-geral da Embrapa Cocais, Maria de Lourdes Mendonça Santos Brefin, esse modelo de arranjo institucional amplia e fortalece a capacidade de atuação regional da Embrapa e parceiros. “No caso específico de Balsas, é uma aliança estratégica para o fortalecimento de arranjos produtivos e desenvolvimento territorial sustentável com inclusão produtiva e agregação de valor à agricultura familiar e ao agronegócio, promovendo a atuação em regiões onde a ciência e a tecnologia precisam estar mais fortemente presentes.
Os primeiros parceiros estão confiantes no sucesso da empreitada. Serão feitos portfólios dos especialistas das instituições envolvidas a partir dos projetos aprovados no âmbito do acordo. A professora da UEMA Rita Seabra tem a  expectativa de atender, junto com Embrapa e IFMA e de acordo com a expertise de cada uma, demandas locais no campo de conhecimento de cada uma. O diretor de inovação do IFMA, Rafael Mendonça, aposta que a iniciativa vai trazer desenvolvimento regional aliado ao fortalecimento da agricultura familiar.
Áreas de interesse – Segundo prospecção de pesquisadores da Embrapa, a UMIPTT deverá abarcar estudos em diversas áreas da agropecuária, passando pelos pequenos, médios e grandes produtores. Além da soja, que é o principal produto agrícola local, há potencial de crescimento para o cultivo de milho (especialmente o de safrinha) e algodão, além de desafios para a produção de arroz de terras altas, feijão-caupi e mandioca. Há, ainda, outras necessidades, como de boas práticas de manejo, de zoneamento/inteligência territorial e certificação ambiental, informações sobre risco climático, entre outras.
Mais sobre UMIPTT - Modelagem inovadora de arranjo territorial em rede com atuação em pesquisa e transferência de tecnologia que amplia e fortalece a capacidade de atuação regional da Embrapa. Esse compartilhamento pode ocorrer tanto nas dependências da Embrapa, recebendo os parceiros externos de outras Instituições, como nas dependências de outras instituições, recebendo pesquisadores da Embrapa, ampliando a capacidade de a Empresa desenvolver novas tecnologia e soluções. O objetivo é viabilizar soluções de pesquisa, aporte tecnológico e organização da produção, visando o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e nutricional, a geração de renda e bem-estar às famílias dos agricultores - especialmente os familiares -, indígenas, pescadores, comunidades remanescentes de quilombos e extrativistas da região.
Atualmente existem dois desses arranjos em funcionamento na Embrapa. Uma é a Unidade Mista de Pesquisa em Genômica Aplicada a Mudanças Climáticas - UMiP GenClima, fruto de parceria entre a Embrapa e a Universidade Estadual de Campinas - Unicamp. A outra é a UMIPTT, fruto de acordo de cooperação técnica entre a Embrapa, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR e o Instituto Agronômico do Paraná - Iapar.
Flávia Bessa (MTb 4469/DF) 

Mais informações sobre o tema
Embrapa Cocais  Telefone: 98 3878-2222Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

DADOS DA NOTÍCIA

Autora: EmbrapaFonte: EmbrapaSítio Online da Publicação: Embrapa
Data de Publicação: 20/10/2017Publicação Original: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/29234667/embrapa-cocais-uema-e-ifma-fecham-texto-de-acordo-de-cooperacao-tecnica-para-pesquisa-e-transferencia-de-tecnologia