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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Fiocruz será coanfitriã de conferência internacional sobre ciência, tecnologia e inovação

A Fiocruz vai sediar, de 13 a 15 de fevereiro, no Rio de Janeiro, a reunião anual da Comunidade Global de Tecnologia Sustentável e Inovação (G-Stic), que pela primeira vez será realizada nas Américas. Nomes como os do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, do diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Qu Dongyu (ambos online), e da ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima (presencialmente), vão se reunir na ExpoMag para discutir o tema Por um futuro equitativo e sustentável: soluções tecnológicas inovadoras para uma melhor recuperação pós-pandemia. E como a Fundação é a principal coanfitriã, a saúde ganhará um grande destaque na G-Stic Rio.



“A Fiocruz, como principal organizadora desta edição, reforça sua participação em âmbito global na discussão de tecnologias e inovações sustentáveis, com uma visão de destaque para a saúde”, explicou o presidente interino da Fundação, Mario Moreira. Para ele, a realização da conferência no continente confere uma ênfase especial à questão das desigualdades globais e regionais em ciência, tecnologia e inovação (CT&I). “Essa tem se revelado uma das fragilidades da capacidade internacional de articulação de resposta e preparação para emergências sanitárias. Equidade e sustentabilidade apresentam-se, nesse aspecto, como outros elementos definidores dessa capacidade”, acrescentou.

A lista de participantes reúne outros nomes de peso, como Macharia Kamau, diplomata queniano que foi o enviado especial da ONU para Implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a serem alcançados até 2030; Amandeep Singh Gill, enviado especial do secretário-geral da ONU para Tecnologia; e Maria Van Kerkhove, líder técnica da OMS para Covid-19. A lista segue com a ativista indígena Samela Sateré Mawé e a princesa belga Marie-Esmeralda, presidente do Fundo Leopoldo III para a Conservação da Natureza, entre outros. A Fiocruz participa ainda com integrantes como o próprio Moreira; o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Marco Krieger; e o diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Mauricio Zuma.

“O mundo está diante de um grande desafio: a reconstrução pós-pandemia em bases sustentáveis, respeitando a equidade e a inclusão. E para fazer frente a esse processo, o grande referencial é a Agenda 2030, com os ODS”, explicou o coordenador da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA 2030) e à frente da organização da G-Stic Rio, Paulo Gadelha. A conferência lida justamente com essa questão: pensar em como garantir tecnologias eficazes e sustentáveis visando os ODS. Gadelha lembrou que, apesar da proximidade de 2030, a grande maioria desses objetivos está longe de ser cumprida. “O desafio que temos é como CT&I podem modificar esse cenário, quebrar assimetrias, garantir o acesso às tecnologias, em processos inclusivos. A pandemia nos deu exemplos disso, como nas vacinas contra Covid-19, que foram produzidas rapidamente, mas que ficaram inacessíveis à maioria da população”.

Inicialmente capitaneado pelo instituto de tecnologia belga Vito, que mantém peso significativo no evento, a G-Stic reúne um conjunto de instituições com representações em todas as regiões do mundo. A entrada do Brasil em 2018, por meio da Fiocruz, deu uma relevância ainda maior para o tema da saúde, o que fica claro na programação de fevereiro.

“Um dos ativos únicos da G-STIC é sua perspectiva multissetorial e orientada para o futuro em CT&I. A G-Stic analisa clusters de tecnologia e identifica soluções que contribuem substancialmente para alcançar os princípios da Agenda 2030 e os ODS. Ela reúne partes interessadas de organizações multilaterais, governos, indústria, atores privados, sociedade civil e academia”, disse Dirk Fransaer, diretor-geral da VITO. “Em sintonia com essa abordagem, a G-Stic Rio reconhece os princípios de solidariedade e ‘trabalho conjunto’ do relatório do secretário-geral da ONU Nossa Agenda Comum como fundamentais para acelerar a implementação dos ODS. A CT&I têm o potencial de catalisar o envolvimento da comunidade nesse processo. A próxima edição do G-STIC no Rio de Janeiro trará esse conceito de integração, solidariedade e multilateralismo entre setores, partes interessadas e países em um interesse comum”, acrescentou.

Sessão especial sobre vacinas

As sessões do evento se dividem em seis temas: Saúde, Educação, Água, Energia, Clima e Oceanos. Em Saúde, Bio-Manguinhos está organizando mesas sobre vacinas e imunização. O painel Desafios e Perspectivas para a produção local, nos dias 14 e 15, será dividido em quatro sessões que trarão especialistas como James Fitzgerald, diretor do Departamento de Sistemas e Serviços de Saúde da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas); Lieve Fransen, consultora sênior do Centro Europeu de Políticas em Saúde; Carla Vizzotti, ministra da Saúde da Argentina; e Tiago Rocca, vice-presidente do Conselho de Membros de Fabricantes de Vacinas para Países em Desenvolvimento (DCVMN); além de representantes de instituições internacionais de renome na área como Wellcome, CEPI e Medicines Patent Pool, OXFAM e MSF, entre outros.

Essa agenda tem como objetivo discutir fatores críticos de sucesso para produção local de vacinas em países em desenvolvimento, endereçando os desafios e perspectivas em relação a demanda e fornecimento, financiamento e perspectiva global em relação à propriedade intelectual e acesso. As discussões envolverão os desafios sistemáticos de pesquisa & desenvolvimento e produção local de vacinas, abrangendo: desafios de saúde tendo em conta o cenário epidemiológico, doenças emergentes e reemergentes, experiências de financiamento da inovação e prontidão para respostas a emergências, os desafios de desenvolvimento de capacidades e financiamento da produção local, e equidade e acesso para assegurar a vacina e a vacinação para todos.

Também participarão do evento de Bio-Manguinhos Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde; Hugo Gomes da Silva, líder médico Global para Vacinas da Astrazeneca; Júlia Spinardi, diretora sênior da Pfizer para Assuntos Médicos e Científicos; e Cristiano Pereira, de Desenvolvimentos de Negócios do Butantan; além de integrantes da Fiocruz, como o assessor sênior científico Akira Homma, Mario Moreira, Mauricio Zuma, Rosane Cuber e Sotiris Missailidis.

A conferência

Esta é a sexta edição da G-Stic. Considerada a maior conferência global de ciência, tecnologia e inovação para aceleração da Agenda 2030, ela ocorria na Bélgica desde seu início, em 2017. Para aumentar a sua capilaridade, passou a ser realizada em outros países, acontecendo em 2022 durante a Expo Dubai. A Fiocruz, que participa como coanfitriã desde 2018, sugeriu então que a edição de 2023 ocorresse no Brasil.

A G-Stic é organizada em conjunto pela Vito (organização belga de pesquisa, tecnologia e desenvolvimento sustentável) e sete outros institutos de pesquisa sem fins lucrativos: Fiocruz, CSIR (Conselho de Pesquisa Científica e Industrial, África do Sul), Giec (Instituto de Conversão de Energia de Guangzhou, China), Gist (Instituto de Ciência e Tecnologia de Gwangju, Coreia do Sul), Nacetem (Centro Nacional de Gestão de Tecnologia, Nigéria), Teri (Instituto de Energia e Recursos, Índia) e SDSN (Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas).

No Brasil a G-Stic Rio conta com o patrocínio master da Petrobras, Pfizer e Fiotec e com o patrocínio das empresas Aegea, IBMP, Instituto Helda Gerdau, Klabin, Sanofi, GSK, Enel, Engie, The Rockefeller Foundation, RaiaDrogasil e Firjan, além do apoio do Instituto Clima e Sociedade.

Credenciamento

O evento ocorrerá de 13 a 15 de fevereiro no Expo MAG (Rua Beatriz Larragoiti Lucas - Cidade Nova, Rio de Janeiro), em quatro auditórios e também será transmitido online. Jornalistas podem se credenciar online.

A área destinada a cinegrafistas e fotógrafos ficará a uma distância de 25 metros do palco do auditório principal (Auditório Manguinhos). A programação pode ser conferida no site da G-Stic Rio. Mais informações podem ser obtidas pelo email ccs@fiocruz.br.






Autor: Cristina Azevedo
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 07/02/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-sera-coanfitria-de-conferencia-internacional-sobre-ct-i

terça-feira, 31 de maio de 2022

Secretaria Municipal abre mais de sete mil vagas para cursos de tecnologia, informática e empreendedorismo


Foto: Prefeitura do Rio


A Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia (SMCT), por meio das Naves do Conhecimento, abriu inscrições para sete mil vagas em diversos cursos gratuitos nas áreas de tecnologia, informática e empreendedorismo. Os cursos serão realizados no formato presencial e online.

Palestras e oficinas gratuitas também estão disponíveis na programação oferecida para o mês de junho.

O secretário municipal de Ciência e Tecnologia, Willian Coelho, afirma que a tecnologia é uma realidade do cotidiano, por isso os cursos são necessários. “Vivemos uma nova cultura estabelecida pela tecnologia. Ela está cada vez mais efetiva em nossa rotina diária. Independente da área de atuação, quem não acompanha os avanços tecnológicos, acaba ficando em desvantagem no mercado de trabalho. As Naves atuam como núcleos fundamentais de capacitação e inclusão para a população”, completa Coelho.

Entre os temas oferecidos pelas Naves estão: Excel para Iniciantes, Informática Básica Kids, Code Club (Scratch), Excel para Ambiente Empresarial, Canva: O Design para seu empreendimento, Aprendendo Excel em VBA, Game Design, Retrato em Estúdio, Informática Básica Teens, Informática Básica Senior, Edite Imagens com Photoshop, Introdução ao Marketing Digital, Manutenção Preventiva (Desktops e Notebooks), Edição de Vìdeo em Lightworks, Software Livre (Linux mint), Mercado de Trabalho e Tecnologia, Tecnologias 5G e 6G, entre outros.






Autor: Estéfane de Magalhães
Fonte: diariodorio
Sítio Online da Publicação: diariodorio
Data: 26/05/2022
Publicação Original: https://diariodorio.com/secretaria-municipal-abre-mais-de-sete-mil-vagas-para-cursos-de-tecnologia-informatica-e-empreendedorismo/

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Bolsonaro anuncia astronauta Marcos Pontes como ministro da Ciência e Tecnologia

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou no Twitter nesta quarta-feira (31) que o astronauta Marcos Pontes será o ministro da Ciência e Tecnologia em seu governo.


"Comunico que o Tenente-Coronel e Astronauta Marcos Pontes, engenheiro formado no ITA, será indicado para o Ministério da Ciência e Tecnologia. É o quarto Ministro confirmado!", escreveu.


Além de Pontes, Bolsonaro já havia anunciado o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) para a Casa Civil; Paulo Guedes, para o futuro Ministério da Economia; e o general Augusto Heleno, para o Ministério da Defesa.


Na segunda-feira (29), Pontes já havia se manifestado sobre o convite de Bolsonaro. Em um vídeo publicado no Facebook, ele disse que está "muito feliz" pela "oportunidade de participar deste novo governo em uma área que tem sido a minha vida por 41 anos".


Jair Bolsonaro confirma Marcos Pontes como ministro da Ciência e Tecnologia
Jornal Hoje




Jair Bolsonaro confirma Marcos Pontes como ministro da Ciência e Tecnologia


Ele também afirmou que as áreas de ciência e tecnologia devem buscar inovações específicas para a realidade brasileira.


"Como sempre digo, educação para formar cidadãos qualificados; ciência, para desenvolver ideias e soluções específicas para o Brasil; tecnologia, para transformar essas ideias em inovações, que vão se transformar em novos produtos. Estes vão se transformar em novas empresas, que vão gerar novos empregos. Esse ciclo virtuoso é o que a gente quer criar aqui no Brasil", disse.



Astronauta Marcos Pontes fala sobre convite para ser ministro da Ciência e Tecnologia
TEM Notícias 1ª Edição – Bauru/Marília





Astronauta Marcos Pontes fala sobre convite para ser ministro da Ciência e Tecnologia

Carreira

Marcos Pontes ficou conhecido no Brasil e no mundo como o primeiro e único astronauta brasileiro a ir para o espaço. Durante 40 anos de carreira, Pontes foi aviador, piloto de caça e seguiu carreira militar, chegando ao posto de tenente-coronel.


Às 23h30 do dia 29 de março de 2006 (no horário de Brasília), Pontes entrou para a história como o primeiro brasileiro a voar para o espaço. Acompanhado do russo Pavel Vinogradov e do norte-americano Jeffrey Williams, ele decolou da base de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo da nave russa Soyuz-TMA 8, com destino à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).



Astronautas (Marcos Pontes à esquerda) que participaram da Missão Centenário, em 2006 — Foto: NASA/Divulgação
Atualmente, é Embaixador da Boa Vontade na Organização das Nações Unidas (ONU), dá palestras e trabalha na Nasa, a agência espacial norte-americana.

Segundo o perfil publicado no site de Pontes, ele é engenheiro aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e mestre em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, Califórnia, EUA.

Pontes entrou na Força Aérea Brasileira em 1981 e foi instrutor, líder de esquadrilha de caça e piloto de testes, com mais de 2 mil horas de voo em 25 tipos de aeronave.

O currículo do futuro ministro registra que suas funções militares se encerraram em 1998, quando ele foi selecionado por concurso público da Agência Espacial Brasileira para representar o Brasil na NASA na função de astronauta, uma carreira civil.




Autor: Guilherme Mazui, G1
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 31/10/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/10/31/bolsonaro-anuncia-astronauta-marcos-pontes-como-ministro-da-ciencia-e-tecnologia.ghtml

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Inscrições abertas para o Mestrado Profissional em Tecnologia de Imunobiológicos



Fonte: Bio-Manguinhos/Fiocruz


O Mestrado Profissional em Tecnologia de Imunobiológicos - MPTI, do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) visa à formação de profissionais qualificados para desenvolver novas tecnologias e aperfeiçoar processos de produção de imunobiológicos. Capacitar gestores voltados para a otimização dos processos produtivos, o controle e garantia da qualidade, a redução de custos e a implantação de processos de melhoria contínua. A formação é direcionada para que o mestrando adquira conhecimentos de diversas áreas e tenha uma visão multidisciplinar.

Descrição do curso

Há aulas teóricas, práticas, trabalhos de pesquisa e seminários, o que possibilita a atualização em relação aos avanços tecnológicos. O principal objetivo do MPTI é a integração da teoria com a prática, repensando técnicas e processos para conduzir os discentes à análise, ao planejamento e à implantação de novos produtos e soluções.

Público alvo

Profissionais com diploma de curso superior em farmácia, ciências biológicas, biomedicina, ciências da saúde, biotecnologia e áreas afins.

Linhas de pesquisa

- Controle de Processos e Qualidade;
- Desenvolvimento Tecnológico de Produtos e Processos;
- Gestão.

Regime didático e disciplinas

O Mestrado Profissional é bienal e oferece 20 vagas. O curso é matinal e tem duração máxima de dois anos e sua conclusão depende da freqüência e do aproveitamento nas disciplinas, além da aprovação do trabalho de dissertação pela banca examinadora. A estrutura curricular é compatível com os objetivos do curso, perfazendo um total de 1440 horas, sendo 30 créditos acadêmicos (450 horas) e 66 créditos para a pesquisa e elaboração da dissertação (990 horas). São aprovados os alunos que alcançam conceitos de A a C e frequência mínima de 75%.

Inscrição
O período de inscrição para a Turma 2019 é de 15 de agosto a 14 de outubro de 2018. As inscrições para o curso são efetuadas mediante a apresentação dos seguintes documentos:

- ficha de inscrição preenchida e assinada;
- original e cópia do certificado de conclusão do curso de graduação;
- original e cópia do histórico escolar;
- curriculum vitae (Lattes) com comprovação;
- carta de apresentação pessoal;
- carta de apresentação do departamento, da unidade, instituição ou empregador;
- original e cópia do documento de identidade e do CPF
- dois retratos 3x4.

Processo de seleção

Os critérios do processo seletivo obedecem às normas definidas e periodicamente revisadas pela Comissão de Pós-graduação do MPTI.

Matrícula

Os candidatos aprovados devem se matricular logo após a divulgação do resultado.

Titulação

Mestre em Ciências (Tecnologia de Imunobiológicos).

Informações
Secretaria Acadêmica do MPTI (Bio-Manguinhos/Fiocruz)
Av. Brasil, 4365 – Manguinhos
CTV – DEPFI
Sala 118
Tel.: (21) 3882-9455 / 3882-7129
Fax: (21) 2260-1945 CEP: 21045-900 – Rio de Janeiro – RJ
E-mail: mpti@bio.fiocruz.br




Autor: Bio-Manguinhos/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 15/08/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/inscricoes-abertas-para-o-mestrado-profissional-em-tecnologia-de-imunobiologicos

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Tecnologia pode ajudar a combater crise alimentar prevista pela FAO


Pesquisas buscam análises mais rápidas e assertivas – Foto: Rodrigo Trevisan

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou o alerta alguns anos atrás: para alimentar uma população mundial estimada em 9 bilhões de pessoas em 2050, seria necessário duplicar a produção agrícola. Desde então, uma geração de jovens pesquisadores vem se capacitando para produzir mais ocupando menor área, em tempo mais curto e de forma sustentável, mitigando os impactos ambientais. Eles utilizam técnicas de análise genômica e bioinformática para gerar novos cultivares e subsidiar com dados precisos as decisões dos agricultores.

Uma dessas pesquisadoras é a melhorista e geneticista Júlia Silva Morosini, doutoranda no programa de Genética e Melhoramento de Plantas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. Ela trabalha com ferramentas como a predição genômica para fazer o melhoramento genético de milho. No segundo semestre, deve realizar uma série de análises focadas em tornar mais eficiente o uso de nitrogênio.

“Na minha pesquisa, temos informações dos marcadores para estimar quanto uma planta ou população vai produzir ou qual será o desempenho de uma dada característica com base em dados moleculares, antes mesmo da planta ir para o campo”, conta Júlia. “Nosso objetivo é selecionar uma planta que seja capaz de demandar a metade do nitrogênio para ter o mesmo rendimento”, completa ela.

Júlia é orientada pelo professor Roberto Fritsche Neto, do Departamento de Genética da Esalq. O docente coordena o Laboratório de Melhoramento de Plantas Alógamas. As pesquisas do laboratório tem dois objetivos: compreender a genética e o melhoramento de plantas em condições de estresse abiótico – ligado principalmente às condições ambientais – e desenvolver um banco de material genético de milho tropical que seja mais eficiente no uso de nitrogênio.

“Buscamos desenvolver modelos e métodos de predição genética, os quais irão auxiliar no desenvolvimento de cultivares mais adaptados (produtivos e estáveis) aos ambientes atuais e futuros. Consequentemente, aumentar seguridade alimentar e reduzir custos de produção”, detalha Fritsche Neto.
Agricultura de precisão

Durante o mestrado em Engenharia de Sistemas Agrícolas na Esalq, o engenheiro agrônomo Rodrigo Gonçalves Trevisan atuou com a eficiência de nitrogênio no cultivo do algodão. Agora, no doutorado na University of Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos, ele se aproxima das técnicas de seleção genômica, buscando aprimorar o conhecimento sobre doses, momentos e ferramentas adequadas para aplicar o nitrogênio à planta. Tudo isso com ajuda da bioinformática.


Rodrigo Trevisan e Julia Morosini em campo experimental do Departamento de Genética – Foto: Cristiano Ferrari

Ele trabalha com experimentos instalados direto nas fazendas e utiliza sensores acoplados em drones que simulam a demanda de um insumo em cada planta. “Após a colheita, tenho a resposta com relação à dose aplicada, ao rendimento da planta, com informações que podem ser cruzadas de acordo com fatores diversos como clima, por exemplo”, explica Trevisan.

Dispor de informações sobre cada planta significa trabalhar em uma escala de análise mais refinada, que permite aos engenheiros agrônomos abandonarem as recomendações genéricas e oferecerem indicações personalizadas para os produtores agrícolas. “Com a agricultura de precisão, passamos a desenhar um mapa de produtividade de maneira que conseguimos construir um banco de dados robusto e obter algoritmos especificamente calibrados para aquele talhão, considerando cada condição”, diz o pesquisador. “Isso possibilita que cada produtor tenha em mãos as reais condições da sua fazenda”, acrescenta.
Inovações já são realidade?

Para trabalhar com informações na escala da planta, é essencial possuir equipamentos e contar com a ajuda da bioinformática. A produção científica registra ganhos sensíveis com o investimento em tecnologia. “Como um experimento ocupa uma grande área, o trabalho que antes era realizado por oito pesquisadores aqui do laboratório, durante uma semana, hoje resolvemos com o drone em apenas uma tarde. E o resultado obtido não é subjetivo, pelo contrário”, diz a geneticista Júlia.

Segundo Trevisan, tecnologias de melhoramento genético como a fenotipagem de alto rendimento já são o presente em pesquisas envolvendo culturas de alto valor agregado, a exemplo dos citros, do café e do milho. Ele entende que há oportunidades para o desenvolvimento de novas ferramentas que atendam a demanda de individualização por planta. Entretanto, a transferência de tecnologia ao campo ainda é um obstáculo a ser vencido.


As decisões serão tomadas a partir de uma escala individualizada – Foto: Rodrigo Trevisan

O próprio engenheiro agrônomo tem trabalhado dentro dessa perspectiva. Ele é sócio-proprietário de uma startup chamada Smartagri, que utiliza técnicas de inteligência artificial para tomada de decisões. Ele afirma que a automatização diminuiu os custos com repetições de análise em até 100 vezes.

“Temos um projeto de controle de plantas daninhas. Sensores instalados a cada metro de barra do pulverizador detectam a presença das daninhas a cada 20 cm e tomam a decisão de aplicar ou não insumos. Isso tem proporcionado economia de até 95%, já que, se não temos plantas daninhas em toda a extensão, não temos porque desperdiçar fertilizantes”, conta Trevisan.
A produção em 2050

Os jovens cientistas da Esalq divergem quando o assunto são suas previsões a respeito do desafio colocado pela FAO: será possível alimentar toda a população mundial em 2050?

Trevisan acredita que as novidades tecnológicas nos campos da geração de energia, do melhoramento genético e do manejo não apenas serão capazes de garantia a segurança alimentar de 9 bilhões de pessoas em 2050, como também trarão alimentos com melhor qualidade nutricional. “Eu acredito que com o tipo de tecnologia que hoje estamos desenvolvendo, tão disruptiva, permite projetar um cenário de expansão exponencial da produção agrícola. Ao invés de pensarmos em um aumento de 5% a cada ano, quem sabe podemos imaginar dobrar a cada ano ou algo nessa dimensão”, projeta o engenheiro agrônomo.

Já Júlia é mais conservadora quando imagina o futuro. “O problema não vai deixar de existir, mas acredito que em uma escala muito mais branda. Identificamos o problema, provavelmente uma crise de abastecimento deve ocorrer, mas a comunidade científica começou a tomar decisões para que ele seja o mais mitigado possível. Aumentar a produção em uma mesma área, deixando de impactar outras, já é uma realidade possível. Estamos nos preparando bem para que o cenário não seja tão assustador quanto imaginávamos”, diz a geneticista.

Com informações de Caio Albuquerque/Divisão de Comunicação da Esalq




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data de Publicação: 25/07/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-agrarias/tecnologia-pode-ajudar-a-combater-crise-alimentar-prevista-pela-fao/

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Cientistas dizem ter inventado tecnologia 'barata' que promete tirar CO2 da atmosfera


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CARBON ENGINEERING

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Usina da Carbon Engineering no Canadá; empresa busca investidores para expandir sua atuação

Uma empresa canadense financiada pelo bilionário americano Bill Gates afirma ter inventado uma tecnologia capaz de remover o CO2 do ar a preços acessíveis, o que pode se converter em uma forma eficiente de conter os efeitos das emissões de gás carbônico responsáveis pelas mudanças climáticas.

A Carbon Engineering publicou no periódico Joule um estudo - revisado por colegas cientistas - dizendo que seu equipamento é capaz de capturar o CO2 por menos de US$ 100 a tonelada.

A tecnologia de remoção de gás CO2 já existe, mas o faz a preços muito mais altos: cerca de US$ 600 a tonelada.

Além disso, a empresa quer inovar na forma como usa o gás retirado do ar, produzindo combustíveis líquidos sintéticos.
Ceticismo

Cientistas costumam ver com ceticismo técnicas de capturar emissões de CO2.

Para muitos deles, os planos de construir escudos solares no espaço ou de lançar ao mar materiais que absorvam o carbono são uma distração à tarefa mais mundana - e difícil - de fazer com que indivíduos e empresas reduzam suas emissões de CO2.

Mas a tecnologia de capturar o CO2 diretamente do ar - basicamente, imitando a ação das árvores - é vista, nesse cenário, como a técnica mais robusta de lidar com o problema.

A ideia foi desenvolvida inicialmente pelo pesquisador Klaus Lackner, nos anos 1990, e desde então algumas empresas de tecnologia construíram protótipos de remoção de carbono.

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CARBON ENGINEERING

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Ilustração da futura usina energética da empresa, que diz ter baixado os custos da extração de carbono do ar

Os projetos mais recentes são de uma usina de energia na Islândia, que testa uma forma de capturar o CO2 e injetá-lo em formações de basalto (transformando o gás em pedra), e o de uma empresa suíça, a Climeworks, que filtra o gás do ar e armazena-o, para oferecê-lo a estufas, onde vão estimular o crescimento de plantas. Mas o faz a US$ 600 a tonelada, ainda que tenha a meta de baixar esse preço a US$ 100.

A Carbon Enginering afirma já ter alcançado esse limiar de preço.

"Isso é um grande passo adiante", afirma à BBC News David Keith, professor da Universidade Harvard e cofundador da Carbon Engineering. "Espero que isso mude as visões sobre essa tecnologia - de ser um salvador mágico, que não é, ou de ser absurdamente cara, que tampouco é, para uma tecnologia industrial que é factível e pode ser desenvolvida de modo útil."

Fundada em 2009, a empresa canadense tem uma planta em funcionamento desde 2015, que captura cerca de uma tonelada de CO2 por dia, em um processo que funciona pela sucção do ar por uma torre refrigeradora com ventiladores.

O gás extraído é usado como matéria-prima para um combustível sintético líquido. A empresa produz atualmente cerca de um barril por dia, combinando o CO2 puro com hidrogênio derivado da água, usando energia renovável.

Segundo Keith, "o plano de longo prazo é de (produzir) cerca de 2 mil barris por dia". A empresa agora busca investidores para construir sua próxima usina, que é onde serão levados a cabo os planos de expansão comercial.


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CARBON ENGINEERING

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Empresa produz combustível líquido a partir do carbono capturado no ar
Melhor que biocombustível?

A empresa afirma ainda que seu combustível de carbono pode trazer vantagens em relação aos biocombustíveis, por usar menos espaço e água em sua produção.

Observadores do setor elogiaram o fato de a Carbon Engineering estar reduzindo o patamar de custos, mas acreditam que muitos subsídios e incentivos governamentais serão necessários para que deslanche a indústria de captura, armazenamento e utilização de carbono.

"As soluções técnicas para (combater) as mudanças climáticas já estão disponíveis, mas as legislações dos países não oferecem incentivos ou obrigações suficientes para que eles sejam usados em larga escala", diz à BBC Edda Sif Aradóttir, da empresa Reykjavik Energy, responsável pelo projeto islandês de transformar CO2 em rochas.

A Carbon Engineering admite que ainda tem muitos desafios pela frente - Keith diz que existem "centenas de maneiras pelas quais podemos fracassar" na empreitada. Mas ele acrescenta que a estratégia da empresa ajudará a "descarbonizar" meios de transporte que ainda não foram beneficiados pela tecnologia de veículos elétricos, como a aviação.

"Para combustíveis líquidos, o caminho é essa abordagem, de CO2 do ar mais hidrogênio obtido de fontes renováveis", defende.




Autor: Matt McGrath
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data de Publicação: 08/06/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44400382

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Chamada pública para preenchimento dos cargos de diretor Científico e diretor de Tecnologia

O Conselho Superior da FAPERJ, no uso de suas atribuições, abre esta chamada pública, seguindo a Instrução Normativa nº 01, de 25 de abril de 2018, para preenchimento dos cargos de Diretor Científico e Diretor de Tecnologia da FAPERJ para o triênio 2018-2021. Os proponentes devem encaminhar, no período de 21 de maio a 14 de junho de 2018, um plano de trabalho de propostas para o triênio com no máximo duas laudas, incluindo o link do currículo Lattes, para Katia Martins, Secretária do Conselho Superior, no email katia@faperj.br. É solicitado que no corpo do email seja informado se a proposta é apresentada para a Diretoria Científica ou para a Diretoria de Tecnologia. A reunião do Conselho Superior da FAPERJ para decisão da lista tríplice está prevista para o dia 28 de junho de 2018.


Veja a íntegra da Instrução Normativa que regulamenta o procedimento de elaboração da lista tríplice para indicação dos diretores Científico e de Tecnologia da FAPERJ: INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 1 de 25 DE ABRIL DE 2018




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data de Publicação: 22/05/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3574.2.7

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Investir em tecnologia de baixo carbono agora economizará dinheiro no futuro



Imperial College London*

Esperando por uma ‘tecnologia unicórnio’ que fornece energia verde a baixo custo? Isto pode ser mais caro do que adotar tecnologias de baixo carbono agora.

Pesquisadores do Imperial College London dizem que, se a Grã-Bretanha investisse mais nas tecnologias de energia de baixo carbono de hoje, economizaria mais dinheiro a longo prazo do que esperar por uma tecnologia futura e mítica que talvez nunca se materialize.

Em um estudo publicado na Nature Energy, eles dizem que usar tecnologias existentes agora, mesmo imperfeitas, poderia economizar 61 por cento dos custos futuros.

Tecnologias de energia renovável, como painéis solares e parques eólicos, estão crescendo em uso. Eles são uma parte fundamental dos planos para atingir as metas climáticas até 2050 e até agora se beneficiaram de um apoio substancial para ajudar na sua implantação.

No entanto, a energia produzida usando outras tecnologias de baixo teor de carbono atualmente custa mais para produzir do que as fontes tradicionais de combustíveis fósseis. Estes incluem captura e armazenamento de carbono (CCS), que remove o dióxido de carbono das emissões das usinas de combustíveis fósseis. Como resultado, aqueles que planejam novos sistemas de energia freqüentemente citam o custo dessas tecnologias como uma razão contra uma maior adoção e investimento nelas.

Pesquisadores temem que, ao planejar o futuro, alguns tomadores de decisão prefiram esperar por uma ‘tecnologia unicórnio’ que gera eletricidade a zero emissões de carbono, baixo custo e alta flexibilidade, em vez de investir em tecnologias atuais imperfeitas.

Para descobrir o impacto dessa estratégia, pesquisadores do Centro de Política Ambiental e do Departamento de Engenharia Química da Imperial modelaram uma série de cenários futuros entre dois extremos. O chamado “Agora” seria a opção de investimentos em tecnologias renováveis atualmente viáveis. A ‘Espera’ seria a opção defende que as tecnologias energéticas de baixo carbono, mais baratas e mais avançadas, eventualmente venham a existir, justificando a espera.

A equipe modelou a expansão da rede elétrica da Grã-Bretanha sob esses cenários, incluindo o investimento do governo em tecnologias como sequestro de carbono e energia nuclear, para o surgimento de uma tecnologia inovadora de unicórnio e sua absorção imediata.

Eles descobriram que, independentemente do ‘unicórnio’ se materializar ou não, atrasar o investimento nas tecnologias de hoje pode ter grandes implicações no custo e nas emissões. Por exemplo, esperar por uma tecnologia que não se materializa aumentaria os custos em 61% sobre a implantação de tecnologias existentes agora.

Mesmo que um ‘unicórnio’ se materialize, a espera ainda aumentaria os custos, porque muita infraestrutura de combustível fóssil ainda seria construída, mas não mais usada. Por exemplo, poderiam ser construídas novas usinas de gás natural e oleodutos que simplesmente não seriam usados quando a nova tecnologia surgisse, significando que o custo de construí-los seria desperdiçado.


Referência:

Impact of myopic decision-making and disruptive events in power systems planning
Clara F. Heuberger, Iain Staffell, Nilay Shah & Niall Mac Dowell
Nature Energy (2018)
doi:10.1038/s41560-018-0159-3
https://www.nature.com/articles/s41560-018-0159-3

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 24/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/24/investir-em-tecnologia-de-baixo-carbono-agora-economizara-dinheiro-no-futuro/

quinta-feira, 22 de março de 2018

Abrascão 2018: ciência, tecnologia, ensino e saúde são temas de seminário

O Rio de Janeiro receberá o próximo Seminário Preparatório do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. O encontro terá como tema Ciência e Tecnologia, Universidade Pública e Saúde, acontecerá em abril e está sendo organizado pelo Comitê de C&T da Abrasco, através de seu coordenador Luis Eugenio Souza.

O seminário preparatório é aberto ao público e acontecerá nos dias 5 e 6 de abril de 2018 no Salão Internacional da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).

Confira a programação.


Serviço

Seminário Ciência e Tecnologia, Universidade Pública e Saúde
Data: 5 e 6 de abril de 2018
Local: Salão internacional da Ensp. Rua Leopoldo Bulhões, 1480, Manguinhos – Rio de Janeiro.
Para mais informações sobre eventos preparatórios, acesse o site da Abrasco.







Autor: Abrasco
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 21/03/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/abrascao-2018-ciencia-tecnologia-ensino-e-saude-sao-temas-de-seminario

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

FameLab Brasil

Participe da maior competição de comunicação científica do mundo

Você consegue explicar um conceito científico para o público em geral em apenas três minutos? Então, o FameLab é perfeito para você!

Em 2018, a competição acontece pela terceira vez no Brasil, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o CNPq, a Confap, a Fapesp e o Museu do Amanhã.

Autor: British Council
Fonte: British Council
Sítio Online da Publicação: British Council
Data de Publicação: 02/02/2017
Publicação Original: https://www.britishcouncil.org.br/famelab

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Fiocruz avança em transferência de tecnologia contra tuberculose


O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) acaba de concluir mais uma etapa da transferência de tecnologia do medicamento tuberculostático (TB) 4 em 1, considerado o mais eficaz no tratamento da tuberculose. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a doença é um sério problema de saúde pública no Brasil, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil novos casos e ocorrem 4,5 mil mortes em sua decorrência.


Resultado de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) firmada entre Brasil e Índia, a tecnologia empregada no 4 em 1 permite que o medicamento seja administrado em dose única, já que é composto por quatro ativos em um único comprimido (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol).

As PDPs são acordos firmados entre indústrias farmacêuticas para transferir a tecnologia de um laboratório para outro. O objetivo é ampliar o acesso a medicamentos e produtos para saúde considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Com o financiamento do desenvolvimento nacional, há redução dos custos com a aquisição, visto que atualmente são importados ou representam um alto custo para o sistema.

Atualmente, Farmanguinhos/Fiocruz já alcançou a etapa de realizar o controle de qualidade totalmente nas suas dependências. Em dezembro, nove lotes foram analisados pela equipe do Instituto e mais dez serão concluídos em janeiro de 2018. Ao todo, serão 7 milhões de medicamentos colocados à disposição do Ministério da Saúde para distribuição na rede pública.

Para realizar a nova etapa internalizada, a equipe do controle de qualidade do Instituto teve um extenso trabalho de validação da metodologia analítica antes de iniciar a realização das análises. Esta importante etapa representa um avanço significativo na transferência e agregou conhecimento e inovação para o laboratório da unidade.

A líder do Controle da Qualidade de Farmanguinhos/Fiocruz, Karina Rocha, destacou a oportunidade das análises como um desafio do laboratório. Para ela, analisar uma quantidade de lotes expressivos, baseado em uma nova metodologia, em um curto espaço de tempo demandou o empenho de toda equipe envolvida para abastecer os usuários do SUS o quanto antes.

Ao final da transferência, o Brasil estará apto a produzir e distribuir o 4 em 1 para os usuários do SUS, garantindo independência e autonomia na produção de medicamentos. A nacionalização da tecnologia vai gerar uma economia expressiva aos cofres públicos.

O diretor de Farmanguinhos/Fiocruz, Jorge Mendonça, ressalta a importância desta PDP: “Estamos indo ao encontro da nossa missão, que é fornecer medicamentos para população mais carente. Mesmo com os desafios de vigilância, por serem quatro medicamentos em um, conseguimos aprovar os nove lotes, que devem chegar para o MS na primeira quinzena de janeiro e em seguida, faremos os próximos dez”, frisou. Além disso, estão previstas duas novas parcelas para os meses de abril e setembro, com mais de oito milhões de unidades em cada.

Tecnologia a serviço da população brasileira

Fundado em 1976, Farmanguinhos é uma instituição pública integrante do complexo técnico-científico da Fundação Oswaldo Cruz e ocupa posição estratégica como laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde do Brasil.

Com capacidade de produção de cerca de 50 tipos de medicamentos diferentes, o Instituto tem atualmente dez parcerias de desenvolvimento produtivo em andamento, além de outras cinco já aprovadas pelo MS em dezembro de 2017. Farmanguinhos se destaca ainda na luta pela redução de custos, permitindo o acesso de mais brasileiros aos programas de saúde pública.




Autor: Viviane Oliveira
Fonte: Farmanguinhos/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 15/01/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/fiocruz-avanca-em-transferencia-de-tecnologia-contra-tuberculose

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Física, biologia e tecnologia se unem para desvendar ritmos circadianos de roedor subterrâneo

Na natureza, as condições são um tanto inconstantes. Alimentos podem estar disponíveis ou não, predadores são mais abundantes em determinadas situações, os elementos climáticos são, por vezes, um desafio. Convém antecipar algumas dessas condições para entrar em ação quando é mais produtivo ou seguro. Aí entra o relógio biológico, um mecanismo interno para regulação de atividade cujo controle genético vem sendo desvendado nos últimos 30 anos – feito reconhecido pelo Prêmio Nobel de Medicina deste ano. Essa capacidade de previsão é especialmente preciosa para animais que não têm acesso fácil às indicações ambientais, como é o caso dos roedores subterrâneos conhecidos como tuco-tucos. Trata-se de um ambiente extremo do ponto de vista da luz, também uma realidade para animais polares, abissais ou cavernícolas, e por isso precioso para estudos de cronobiologia. “Estamos comparando os ritmos biológicos na natureza e no laboratório”, conta a física Gisele Oda, coordenadora do Laboratório de Cronobiologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP). “A linha de campo é pouco usual na cronobiologia, tradicionalmente estudada em ambientes controlados”, afirma ela, que chegou à biologia pelo caminho da física, estudando oscilações em sistemas dinâmicos.



A comparação entre as duas situações logo acrescentou elementos a serem desvendados quando os tuco-tucos, diurnos na natureza, no laboratório passaram a ser noturnos. Essa mudança já tinha sido observada em outros animais, entre eles os parentes chilenos dos tuco-tucos conhecidos como coruros. A bióloga Patricia Tachinardi, do grupo de Gisele, concentrou-se nesse aspecto e concluiu que traz o benefício de economizar energia, conforme relata em artigo publicado no ano passado na revista científica Physiological and Biochemical Zoology.

Como parte de seu doutorado, defendido este ano, Patricia pôs tuco-tucos em câmaras que medem a atividade metabólica por meio do consumo de oxigênio na respiração. Nesses experimentos foi possível definir que temperaturas entre 23 graus Celsius (°C) e 33 °C são ideais para esses animais e estimar quanta energia eles economizam sendo diurnos ou noturnos. O estudo contou com a parceria do fisiologista norte-americano Loren Buck, da Universidade do Norte do Arizona, especialista em balanço energético nas condições naturais. Um percalço surpreendente foi que três dos nove animais sujeitos ao experimento, notívagos no laboratório, instantaneamente passaram à atividade diurna nessas caixas. “A umidade aumenta e a concentração de oxigênio é menor do que nas condições normais do laboratório, precisamos controlar essas condições para investigar o que incita a mudança no padrão de atividade.”

Acontece que no inverno, quando o aconchego do ninho subterrâneo seria bem-vindo, os tuco-tucos na natureza precisam estar mais ativos. Eles têm que comer mais para obter a energia suficiente para enfrentar o frio e o alimento, nessa época, é mais escasso. Torna-se então crucial restringir a atividade às horas em que o Sol ameniza a temperatura. Para estudar em detalhe o consumo energético em campo, o grupo de Gisele esbarra em limitações técnicas. “Os acelerômetros que temos ainda são muito grandes para serem acoplados aos animais livres”, diz a física. Ela se refere a aparelhos que, presos a coleiras ou implantados, poderiam registrar com precisão o movimento e o dispêndio de energia dos animais.

Orçamento energético
É curioso constatar a capacidade adaptativa do horário de atividade como se as condições ambientais acionassem um interruptor que instantaneamente muda o padrão. “Ser noturno ou diurno costuma ser associado à identidade de cada espécie, como um rótulo imutável”, comenta Gisele. As observações se encaixam no modelo “trabalhando por comida” do cronobiólogo holandês Roelof Hut, da Universidade de Groningen, onde Patricia passou um período durante o doutorado. Ele mostrou, em camundongos, que o aumento da dificuldade para obter comida os transforma de noturnos em diurnos. “Quanto mais eles precisam fazer esforço para comer, mais diurnos ficam”, explica a bióloga. Seria, de acordo com a hipótese, o que acontece com os tuco-tucos quando precisam cavar túneis para encontrar escassas folhagens. “O orçamento energético na natureza é bem justo, enquanto no laboratório eles têm alimento à vontade.” Na mordomia calórica do cativeiro, esses animais reverteriam ao modo noturno – supostamente o padrão nos ancestrais dessa espécie.

Desde o início, avaliar a atividade dos tuco-tucos não foi uma tarefa trivial. Um problema é eles passarem boa parte do tempo em galerias subterrâneas no solo desértico na região de Anillaco, na Argentina, um povoado de 1.400 habitantes mais conhecido por abrigar a casa do ex-presidente Carlos Menem, que nasceu ali. Ainda durante seu governo, em 1998, foi inaugurado na cidade o Centro Regional de Pesquisas Científicas e Transferência Tecnológica (Crilar), como parte de uma iniciativa para estabelecer polos científicos em áreas distantes. É o cenário ideal para estudar esses roedores, talvez uma espécie ainda não descrita. Enquanto sua taxonomia está indefinida, os pesquisadores os identificam como Ctenomys knighti, a espécie conhecida na região. “Está cheio deles no jardim do Menem e são considerados pragas pelos vinicultores na propriedade vizinha ao centro de pesquisa”, conta Gisele. Mesmo assim, o maior indício do período ativo dos tuco-tucos eram as vocalizações que emitem o dia inteiro, de dentro de suas tocas.

Gisele começou a estudar esses animais há oito anos em parceria com a bióloga argentina Verónica Valentinuzzi, do Crilar, que conheceu durante estágio de pós-doutorado no IB-USP. Desde o começo, contou com a ajuda de Patricia, Danilo Flôres e Barbara Tomotani, à época estudantes de graduação em biologia. Para monitorar os tuco-tucos era preciso capturar os animais, conseguir sensores que os acompanhassem sem perturbar suas atividades, além de desenvolver arenas seminaturais para experimentos de onde eles não conseguissem fugir cavando, entre outros desafios. Depois de várias tentativas e erros, conseguiram construir muros subterrâneos de concreto abaixo das cercas, instalar coleiras com sensores de luz e movimento nos animais e implantar sensores de temperatura em seu corpo.

Com esses equipamentos em oito animais durante os invernos de 2014 e 2015, foi possível verificar que todos se expunham à luz solar por breves períodos, quando jogam terra para fora durante escavações de túneis, quando buscam folhas das plantas que comem ou ficam parados à entrada, talvez se aquecendo. A exposição à luz acontece pelo menos uma vez por dia, mas em geral várias vezes, como mostrou artigo publicado em 2016 na Scientific Reports como parte do doutorado de Danilo, encerrado em 2016.


© PATRÍCIA TACHINARDI/USP



Cercas instaladas junto ao centro de pesquisa permitem experimentos em condições seminaturais

Dia no laboratório

O grupo então buscou entender como se dá a regulação do ciclo circadiano. Se deixados em escuro permanente no laboratório, com a atividade registrada pelo uso de uma daquelas rodas comuns em gaiolas de roedores de estimação, os tuco-tucos mantêm um ritmo de atividade que corresponde a 25 horas, um desvio comum em outros animais. Para sincronizar o relógio biológico às 24 horas de rotação da Terra bastaria um pulso de luz de poucos segundos por dia, mesmo que em horário variável, de acordo com um modelo computacional elaborado pelo grupo da USP simulando um oscilador circadiano: o mecanismo central que controla o relógio biológico. Surpreso com a previsão, Danilo fez o teste na realidade. Com apenas uma hora de luz acesa por dia, o tempo de executar tarefas como alimentar os animais e limpar suas instalações no laboratório, nove tuco-tucos passaram a exibir atividade coerente com um dia de 24 horas. Isso acontecia quando a luz era acesa em horários aleatórios (dentro dos limites das horas em que é dia fora do laboratório) ou predeterminados.

Reunindo experimentos em laboratório, no ambiente natural e medições em campo, os resultados estão contribuindo para definir os fatores mais centrais para o ciclo circadiano. Também arbitram a discussão teórica sobre como se daria essa regulação. No modelo conhecido como paramétrico, a luz teria um efeito contínuo na sua sincronização. “É como se um balanço fosse impulsionado continuamente”, compara Gisele. No modelo não paramétrico, o balanço se mantém em movimento graças a pancadas periódicas. Essas pancadas, no caso do relógio biológico, seriam as mudanças abruptas no aporte de luz que acontecem na alvorada e no crepúsculo. Os tuco-tucos contam outra história, híbrida entre os dois modelos, na qual as pancadas podem acontecer em qualquer ponto da trajetória do balanço.

O enfoque de modelagem matemática também foi o que guiou a descoberta dos mecanismos moleculares por trás dos ritmos circadianos, que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina este ano aos norte-americanos Jeffrey Hall, Michael Rosbash e Michael Young. “O feito importante para o prêmio foi identificar quais elementos participam da regulação do ritmo de 24 horas”, explica Gisele. A proteína PER, produzida pelo gene period, identificado nos anos 1980, acumula-se no núcleo das células, inibindo a ação do gene. “Mas o modelo indicava que as etapas bioquímicas desse processo não chegavam a 24 horas, assim foi matematicamente previsto que deveria haver algum elemento de atraso.” Isso acontece graças a outra proteína que degrada a PER, retardando o acúmulo. Pulsos de luz também atuam na degradação de outra proteína do relógio, levando a uma sincronização explicada por modelagem matemática.

“O sistema que oscila tem a dinâmica regida por equações diferenciais”, afirma Gisele, prevendo que o sistema revelado pelo modelo subterrâneo deve valer para ratos e até para pessoas. “O oscilador é o mesmo para todos”, conclui, com seu olhar de física.

Projeto
Cronobiologia de roedores subterrâneos sul-americanos, em laboratório e em campo(nº 14/20671-0); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisadora responsável Gisele Akemi Oda (USP); Investimento R$ 162.935,51.

Artigos científicos
FLÔRES, D. E. F. L. et al. Entrainment of circadian rhythms to irregular light/dark cycles: A subterranean perspective. Scientific Reports. v. 6, 34264. 4 out. 2016.
TACHINARDI, P. et al. The interplay of energy balance and daily timing of activity in a subterranean rodent: A laboratory and field approach. Physiological and Biochemical Zoology. v. 90, n. 5, p. 546-52. set.-out. 2017.
TACHINARDI, P. et al. Nocturnal to diurnal switches with spontaneous suppression of wheel-running behavior in a subterranean rodent. PLOS ONE. v. 10, n. 10, e0140500. 13 out. 2015.




Autor: MARIA GUIMARÃES | ED. 261 |
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: NOVEMBRO 2017
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/11/24/um-relogio-que-funciona-no-escuro/?cat=ciencia

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Campo investe em tecnologia e já tem até rebanho em nuvem na internet

O agronegócio brasileiro aumenta a cada ano sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) graças, sobretudo, à pesquisa e aos investimentos em tecnologia. De uma participação de 21% no PIB de 2014, a fatia cresceu para 23% em 2015 e deve aumentar 2% este ano, com um Valor Bruto de Produção de R$ 548 bilhões.


O agronegócio já corresponde a 48% do total de exportações brasileiras. No cenário interno, tem produzido grandes safras, o que tem ajudado a derrubar os índices de inflação. Hoje, o campo utiliza pesquisas avançadas como o emprego da nanotecnologia no controle de alimentos, redes de satélites e drones para levantamento de dados de solo e clima e até o rastreamento de rebanhos já é feito em tempo real, com informações disponibilizadas na nuvem da internet.

Para falar sobre os avanços em tecnologia, a Sputnik Brasil conversou com exclusividade com o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, nesta segunda-feira, quando foi aberto, em São Paulo, o Agronegócio Brasil 2017, um dos maiores eventos do setor. Segundo Lopes, nas últimas quatro décadas, o Brasil teve um avanço extraordinário do agronegócio.

"Em quatro décadas fomos capazes de sair de uma situação de dependência e insegurança alimentar para conseguir alimentar nossa população e projetar o Brasil como um grande provedor de alimentos para o mundo. Vivemos agora o início de outra revolução: o avanço tecnológico em áreas como a transformação digital, em tecnologias novas como a internet de alta velocidade e drones. Daqui a pouco, virá a inteligência artificial e a era dos big daters com a possibilidade de acumularmos volumes extraordinários de dados e informações", exemplifica Lopes.

O presidente da Embrapa prevê que o uso de novas tecnologias vai impactar a produção, permitir a oferta de alimentos de forma cada vez mais segura a custos mais baixos de forma sustentável com atenção cada vez maior ao meio ambiente. Segundo ele, as novas tecnologias dos sensores estão mudando a capacidade de monitorar os sistemas de produção. Ele exemplifica com o trabalho dos tratores, que podem receber sensores avançados que permitem acompanhar em tempo real como as lavouras estão produzindo, ajudar a monitorar pragas e doenças, além de instalar chips em um drone com algoritmos muito sofisticados que podem capturar informações precisas nas plantações, reduzindo o emprego de defensivos.


© SPUTNIK/ A. SOLOMONOV
Projeto russo de nanotecnologia é considerado melhor na Europa



Outros aplicativos são capazes de reunir dados de até 1.600 estações meteorológicas no país, apontando a melhor época de plantio para cada espécie, aumentado a produtividade das colheitas. Outros programas preveem índices de secas e geadas, bem como a quantidade de água no solo e até outros que recomendam o volume de capim oferecido aos bois por hectare.

O presidente da Embrapa cita a nanotecnologia como outro aspecto importante no desenvolvimento de novos projetos. Em 2018, deve chegar ao mercado um desses produtos desenvolvidos pela Embrapa, os nanobiosnacks de frutas, uma espécie de chip de batata frita, embora sem fritura, e também filmes biodegradáveis feitos de alimentos. Nanosensores colocados em tintas de impressão podem ser colocados em etiquetas de frutas, medindo a concentração de gás etileno, permitindo assim o consumidor saber o ponto de maturação do produto.

"Esses novos materiais vão nos permitir produzir moléculas que podem ser usadas para proteger a superfície dos alimentos, aumentado a vida de prateleira. Com o surgimento de aplicativos que podem ser usados através dos celulares, hoje acessamos programas sofisticados de computadores na nuvem com informações sobre clima, mercado, acionamos equipamentos a distância, na chamada internet das coisa, que combina equipamentos e estratégias de monitoramento com a internet”, detalha o dirigente. O presidente da Embrapa diz que um dos desafios é fazer que as novas tecnologias gerem produtos a custos acessíveis. Segundo ele, o custo de equipamentos e sensores tende a cair. 


JONAS OLIVEIRA/AEPR/FOTOS PÚBLICAS
Campo fértil para o agronegócio brasileiro em 2017


"A Embrapa está desenvolvendo o conceito de sensores vestíveis. Por exemplo, um cabresto que você pode colocar na cabeça do animal. Ali existem sensores que permitem o monitoramento das condições fisiológicas do animal, batimentos cardíacos, movimentação, se ele está indo frequentemente beber água ou se alimentar.”

Lopes observa que a Embrapa, como empresa pública, tem feito nos últimos anos um grande esforço para reduzir sua dependência dos recursos do Tesouro Nacional e para isso vem procurando ampliar suas parcerias tanto com entidades do governo quanto da iniciativa privada, totalizando hoje cerca de 400 acordos nacionais e internacionais. Além disso, tramita no Congresso projeto de lei para a criação de um braço da Embrapa no mercado de inovações tecnológicas chamado Embrapa Tec. Essa empresa poderia receber o grande acervo de ativos e conhecimentos da Embrapa e se preparar para ir ao mercado buscar mais associações e parcerias no setor privado.


Autora: sputniknews
Fonte: sputniknews
Sítio Online da Publicação: sputniknews
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: https://br.sputniknews.com/noticias/201711279941224-agronegocio-investimento-nanotecnologia-drones-alimentos-sociedade/

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

MALDI-TOF: nova tecnologia no laboratório de microbiologia clínica

O MALDI-TOF é uma tecnologia recente empregada nos setores de Microbiologia, cujo nome significa Matrix-Assisted Laser Desorption Ionization – Time of Flight. Trata-se de um método de identificação bastante rápido e preciso em relação a outros métodos de automação tradicionais que se tem no mercado.




Muitas das técnicas convencionais se baseiam na identificação dos microrganismos através de provas bioquímicas, analisando o seu fenótipo. O resultado destes métodos se dá entre 12 e 24 horas, o que atrasa a liberação do laudo e terapia antimicrobiana dos pacientes.

O MALDI-TOF é uma técnica de espectrofotometria de massa nova, que detecta moléculas de massa maior, como as proteínas. O teste então baseia-se na detecção de um grande espectro de proteínas, podendo então discriminar melhor as espécies. A espectrofotometria de massa é largamente utilizada em outras áreas, como a toxicologia, mas até então não era uma realidade na rotina dos laboratórios de microbiologia. “A evolução ocorreu quando a matriz utilizada para ionizar as proteínas foi mudada para que pudesse ionizar as proteínas ribossomais – estas bem mais conservadas do que as proteínas de superfície – o que levou à identificação de espécies e até subespécies de muitos microrganismos”. 

Koichi Tanaka (Shimadzu Corporation - Kyoto/Japão) ganhou o Prêmio Nobel 2002 em Química por desenvolver o método de ionização/dessorção para análises de espectrometria de massa em macromoléculas biológicas. O princípio tornou-se fundamental nos métodos padrões (MALDI, SELDI e DIOS) para análise estrutural de peptídeos, proteínas e carboidratos que torna possível a determinação rápida do conteúdo da proteína da célula intacta e do tecido vivo.

No teste, é necessário escolher a colônia a ser analisada, e posteriormente a amostra é dissolvida e colocada em uma placa contendo uma matriz polimérica. A placa é então irradiada com um laser de nitrogênio que vaporiza a amostra ionizando as moléculas que serão aspiradas e elevadas a um detector. Dependendo da molécula, o tempo de chegada será diferente (time of flight). Os dados obtidos através de gráficos que representam estas leituras serão comparados a uma base algorítmica de um site que contém um grande número de espécies de relevância clínica – incluindo microrganismos aeróbios, anaeróbios, microbactérias, leveduras e fungos filamentosos.


Preparação da amostra até a apresentação do gráfico. 



Maldi-Tof: como ocorre a espectrofotometria no aparelho. 

O procedimento é muito rápido, e diferente dos métodos convencionais, os resultados são dados em minutos, o que agiliza a liberação do laudo. Embora um dos pontos negativos seja o fato de o MALDI-TOF não obter parâmetros para antibiograma e este deva ser feito manualmente ou por outro método automatizado, o novo método de espectrofotometria dá indicações e diretrizes ao microbiologista referentes a resistências intrínsecas da bactéria.


Fontes:
Richet Laboratório.
Faculdade de Ciência e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa.
Schimatzu.
Biomériux.


Autora: biomedicinaemacao
Fonte: biomedicinaemacao
Sítio Online da Publicação: biomedicinaemacao
Publicação Original: http://www.biomedicinaemacao.com.br/2013/11/maldi-tof-nova-tecnologia-no.html

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Fapemig participa da FINIT 2017

Começou a Finit 2017 – Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia, considerada a maior do gênero na América Latina. O evento, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), tem a parceria da FAPEMIG. Até o dia 4 de novembro, a Feira vai reunir renomados profissionais da área da inovação e tecnologia em mais de 70 palestras diárias que, somadas, ultrapassarão 500 horas de conteúdo. A programação inclui atividades gratuitas e para todas as idades.



A solenidade de abertura aconteceu nesta terça (31), e marcou também a abertura da 16ª Conferência de Inovação da Anpei. Na ocasião, o titular da Sedectes Miguel Corrêa destacou a importância de reunir os principais eventos do país no setor em um mesmo local - além da Conferência da Anpei, diversas outras ações estão programadas para acontecer ao longo da Finit, como o 100 Open Startups e a Campus Party MG.

A Feira é dividida em quatro grandes áreas. Na arena de negócios acontecem atividades voltadas para empresas, startups e investidores. Diálogos, networking e palestras com grandes atores do ecossistema da inovação e tecnologia fazem parte da programação. A arena criativa é o espaço dedicado à criatividade e à cultura maker, com atrações para diversos tipos de público, desde crianças até adultos.

arena experience traz estandes de instituições ligadas à CT&I, como a FAPEMIG. Além de apresentar os programas da instituição e atender ao público, a equipe trouxe para a Finit o jogo de realidade virtual “Uma aventura no Rio Doce”, que busca divulgar as ações da Fundação em prol da recuperação do rio. Finalmente, a Campus Party MG irá receber cerca de 4 mil campuseiros para mais de 250 horas de atividades.

Lugar certo para inovar
Neste primeiro dia, o presidente da FAPEMIG, Evaldo Vilela, participou do painel “Por que Minas é o lugar certo para inovar”. Ele dividiu o palco com o secretário da Sedectes, Miguel Corrêa, e o presidente do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) do Senai, José Policarpo Gonçalves de Abreu. Os palestrantes destacaram o ecossistema de inovação favorável encontrado em Minas Gerais, com destaque para a participação do governo como indutor do processo. Para Evaldo Vilela, para manter esse crescimento, é necessário investir na manutenção da articulação entre os atores, com uma inteligência que vise ao futuro. “Temos que pensar os desafios de amanhã e buscar as soluções hoje”, conclui.

Para consultar a programação da Finit 2017 acesse: http://finitmg.com.br

Autora: Vanessa Fagundes
Fonte: Fapemig
Sítio Online da Publicação: Fapemig
Data de Publicação: 02/11/2017
Publicação Original: http://www.fapemig.br/visualizacao-de-noticias/ler/1152/fapemig-participa-da-finit-2017

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Embrapa Cocais, UEMA e IFMA fecham texto de acordo de cooperação técnica para pesquisa e transferência de tecnologia


Neste mês, foi definido texto do acordo de cooperação técnico-científico e operacional entre Embrapa Cocais, Universidade Estadual do Maranhão – UEMA e instituto Federal do Maranhão - IFMA sobre o termo de cooperação técnico-científico e operacional entre as instituições para criação de Unidade de Pesquisa e Transferência de Tecnologia – UMIPTT em Balsas-MA. O texto irá para as respectivas áreas jurídicas para aprovação. A expectativa é de assinatura do acordo e inauguração da Unidade ainda este ano.
- Foto: Flávia Bessa


Nessa articulação da Embrapa, a escolha pelos parceiros iniciais IFMA e UEMA foi feita em função de já haver ações em conjunto consolidadas com essas instituições. Posteriormente, serão recepcionadas adesões de novas instituições do Maranhão.
A Unidade de Pesquisa e Transferência de Tecnologia – UMIPTT é a união de esforços entre a Embrapa e uma ou mais instituições parceiras de pesquisa, ensino, extensão e representação da sociedade, públicas ou privadas, nacionais ou internacionais, com reconhecida atuação no interesse do desenvolvimento regional de um determinado território. O objetivo é o desenvolvimento regional sustentável de determinada região, uma aliança estratégica para o fortalecimento de arranjos produtivos locais e a delimitação territorial, de recursos humanos, financeiros e infraestrutura.
Segundo o Assessor da Diretoria Executiva de Transferência de Tecnologia – DETT, Apes Perera, “esse arranjo em rede promove a atuação da Embrapa e parceiros onde não estão presentes pela distância, sendo a Embrapa articuladora do processo. Além disso, traz simplicidade operacional e capacidade de adaptação a diferentes situações em diferentes regiões, com o benefício da conjugação de esforços e otimização de recursos financeiros e humanos e de infraestrutura. A demanda vem da articulação da sociedade local interessada e suas instituições regionais. No momento em que o País passa por uma crise econômica, não dá para esperar soluções, temos de ser criativos e apresentá-las”.
O acordo de parceria para a estruturação da UMIPTT é de simples cooperação, no qual cada uma das instituições envolvidas diz o que tem condições de aportar. Não há repasse financeiro. Os recursos são captados nas agências de fomento. “Como em todo acordo, cada um leva o que aportou. A gestão é feita por projeto, sendo a entidade máxima o Comitê de Gestão Estratégica e o Comitê Técnico Executivo, ambos formados por um membro de cada instituição parceira. O Regimento Interno, a ser criado, regerá as demais regras”, complementa Apes.
Para a chefe-geral da Embrapa Cocais, Maria de Lourdes Mendonça Santos Brefin, esse modelo de arranjo institucional amplia e fortalece a capacidade de atuação regional da Embrapa e parceiros. “No caso específico de Balsas, é uma aliança estratégica para o fortalecimento de arranjos produtivos e desenvolvimento territorial sustentável com inclusão produtiva e agregação de valor à agricultura familiar e ao agronegócio, promovendo a atuação em regiões onde a ciência e a tecnologia precisam estar mais fortemente presentes.
Os primeiros parceiros estão confiantes no sucesso da empreitada. Serão feitos portfólios dos especialistas das instituições envolvidas a partir dos projetos aprovados no âmbito do acordo. A professora da UEMA Rita Seabra tem a  expectativa de atender, junto com Embrapa e IFMA e de acordo com a expertise de cada uma, demandas locais no campo de conhecimento de cada uma. O diretor de inovação do IFMA, Rafael Mendonça, aposta que a iniciativa vai trazer desenvolvimento regional aliado ao fortalecimento da agricultura familiar.
Áreas de interesse – Segundo prospecção de pesquisadores da Embrapa, a UMIPTT deverá abarcar estudos em diversas áreas da agropecuária, passando pelos pequenos, médios e grandes produtores. Além da soja, que é o principal produto agrícola local, há potencial de crescimento para o cultivo de milho (especialmente o de safrinha) e algodão, além de desafios para a produção de arroz de terras altas, feijão-caupi e mandioca. Há, ainda, outras necessidades, como de boas práticas de manejo, de zoneamento/inteligência territorial e certificação ambiental, informações sobre risco climático, entre outras.
Mais sobre UMIPTT - Modelagem inovadora de arranjo territorial em rede com atuação em pesquisa e transferência de tecnologia que amplia e fortalece a capacidade de atuação regional da Embrapa. Esse compartilhamento pode ocorrer tanto nas dependências da Embrapa, recebendo os parceiros externos de outras Instituições, como nas dependências de outras instituições, recebendo pesquisadores da Embrapa, ampliando a capacidade de a Empresa desenvolver novas tecnologia e soluções. O objetivo é viabilizar soluções de pesquisa, aporte tecnológico e organização da produção, visando o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e nutricional, a geração de renda e bem-estar às famílias dos agricultores - especialmente os familiares -, indígenas, pescadores, comunidades remanescentes de quilombos e extrativistas da região.
Atualmente existem dois desses arranjos em funcionamento na Embrapa. Uma é a Unidade Mista de Pesquisa em Genômica Aplicada a Mudanças Climáticas - UMiP GenClima, fruto de parceria entre a Embrapa e a Universidade Estadual de Campinas - Unicamp. A outra é a UMIPTT, fruto de acordo de cooperação técnica entre a Embrapa, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR e o Instituto Agronômico do Paraná - Iapar.
Flávia Bessa (MTb 4469/DF) 

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DADOS DA NOTÍCIA

Autora: EmbrapaFonte: EmbrapaSítio Online da Publicação: Embrapa
Data de Publicação: 20/10/2017Publicação Original: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/29234667/embrapa-cocais-uema-e-ifma-fecham-texto-de-acordo-de-cooperacao-tecnica-para-pesquisa-e-transferencia-de-tecnologia