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terça-feira, 21 de junho de 2022

Peste Negra: DNA em dentes de 6 séculos revela onde epidemia começou, diz estudo



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

A bactéria 'Yersinia pestis' é a causadora da peste bubônica


Pesquisadores acreditam ter descoberto as origens da Peste Negra, mais de 600 anos depois de ela ter matado dezenas de milhões de pessoas na Europa, Ásia e norte da África.


A catástrofe sanitária de meados do século 14 é um dos capítulos mais significativos em termos de pandemia da história humana.

Mas, apesar de anos de pesquisa, os cientistas ainda não haviam sido capazes de identificar onde a peste bubônica começou.

Agora, análises sugerem que foi no Quirguistão, na Ásia central, na década de 1330.

Uma equipe de pesquisa da Universidade de Stirling, na Escócia, e do Instituto Max Planck e da Universidade de Tubingen, na Alemanha, analisaram amostras antigas de DNA de dentes de corpos enterrados em cemitérios perto do Lago Issyk Kul, no Quirguistão.


Eles escolheram essa região depois de notar um aumento significativo nos sepultamentos ocorridos lá em 1338 e 1339.


Maria Spyrou, pesquisadora da Universidade de Tubingen, disse que a equipe sequenciou o DNA de sete esqueletos.

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Eles analisaram os dentes porque, de acordo com Spyrou, contêm muitos vasos sanguíneos e oferecem aos pesquisadores "uma grande chance de detectar patógenos transmitidos pelo sangue que podem ter causado a morte dos indivíduos".


A equipe de pesquisa conseguiu encontrar a bactéria da peste, Yersinia pestis, em três deles.


"Nosso estudo resolve uma das maiores e mais fascinantes questões da história e determina quando e onde o assassino mais notório e infame dos seres humanos começou", afirmou Philip Slavin, historiador da Universidade de Stirling, sobre a descoberta.


A pesquisa tem, no entanto, algumas limitações — incluindo o pequeno tamanho da amostra.


Michael Knapp, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, que não estava envolvido no estudo, elogiou o trabalho como sendo "realmente valioso", mas observou:


"Dados de bem mais indivíduos, épocas e regiões... ajudariam realmente a esclarecer o que os dados apresentados aqui significam de fato."


O trabalho dos pesquisadores foi publicado na revista científica Nature, com o seguinte título: "The source of the Black Death in fourteenth-century central Eurasia" ("A fonte da Peste Negra na Eurásia central do século 14", em tradução literal).

O que é a peste bubônica?


A peste é uma doença infecciosa potencialmente letal, causada por uma bactéria chamada Yersinia pestis que vive em alguns animais — principalmente roedores — e nas pulgas que carregam em seus pelos.


A peste bubônica é a forma mais comum da doença que as pessoas podem contrair. O nome deriva dos sintomas que causa — um inchaço doloroso nos nódulos linfáticos, formando uma espécie de bolha, conhecida como "bubão", na virilha ou axila.


De 2010 a 2015, foram reportados 3.248 casos em todo o mundo, incluindo 584 mortes.


Historicamente, também foi chamada de Peste Negra, em referência ao fato de causar gangrena em certas partes do corpo, como nos dedos das mãos e dos pés, que acabam escurecendo.


- Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-61813064







Autor: Malu Cursino
Fonte: BBC News
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 16/06/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61813064

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Os ratos são inocentes: pesquisa aponta que humanos espalharam a peste negra, epidemia mais mortal da história




Pulgas de roedores têm sido historicamente culpadas pela transmissão da peste bubônica (Foto: Heinz-Peter Bader/Reuters)



Os ratos não foram os culpados pela propagação da peste bubônica na Europa do século 14, no surto que ficou conhecido como peste negra.


Até então, acreditava-se que os roedores e suas pulgas tivessem sido responsáveis pela transmissão da praga, levando a uma série de surtos no Velho Continente dos séculos 14 a 19.


Mas uma equipe das universidades de Oslo, na Noruega, e Ferrara, na Itália, agora diz que o primeiro destes surtos, a peste negra, pode ser "largamente atribuído a pulgas e piolhos humanos".


O estudo, publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Science, utiliza registros sobre os padrões de disseminação e a dimensão da epidemia.


Estima-se que a peste negra tenha matado 25 milhões de pessoas, mais de um terço da população da Europa, entre 1347 e 1351.


"Temos bons dados da mortalidade pelos surtos em nove cidades da Europa", disse Nils Stenseth, da Universidade de Oslo, à BBC.


"Então, fomos capazes de construir modelos da dinâmica da doença (naqueles cenários)."




Explicação mais plausível




Stenseth e seus colegas fizeram simulações de surtos da doença em cada uma dessas cidades, criando três modelos onde a praga era disseminada por:


- Ratos


- Transmissão aérea


- Pulgas e piolhos que vivem em seres humanos e suas roupas


Em sete das nove cidades estudadas, o "modelo do parasita humano" se mostrou uma explicação muito mais adequada para o surto.


O modelo refletiu a rapidez com que a praga se espalhou e o volume de pessoas afetadas.



"A conclusão foi muito clara", diz Stenseth. "O modelo dos piolhos se encaixa melhor."




"Seria improvável que (a doença) tivesse se espalhado tão rápido com a transmissão por ratos", acrescenta.


"Teria que ter passado por ciclos extras nos roedores, em vez de se espalhar de pessoa para pessoa."




Transmissões na atualidade





O professor diz que o interesse prioritário do estudo foi histórico, ou seja, de forma a usar os conhecimentos modernos sobre a doença para entender uma das mais devastadoras pandemias da história humana.


No entanto, ele ressalta, "entender o máximo possível sobre o que se passa durante uma epidemia é sempre bom para reduzir a mortalidade (no futuro)".


A praga ainda é endêmica em alguns países da Ásia, África e Américas, onde persiste em "reservatórios" de roedores infectados.


De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2010 a 2015 houve 3.248 casos da doença registrados em todo o mundo, incluindo 584 óbitos.


Se não for tratada, a doença tem um índice de mortalidade de 30% a 60%. Antibióticos, contudo, são efetivos se há diagnóstico precoce.


O mal pode ser difícil de identificar em seus estágios iniciais, porque os sintomas, que normalmente se desenvolvem após sete dias, parecem com o de uma gripe comum - um teste de laboratório pode confirmar o diagnóstico. A peste afeta os nódulos linfáticos e causa gangrena.


Em 2001, um estudo que decodificou o genoma da peste usou uma bactéria que havia infectado um veterinário nos Estados Unidos.


O homem, morto em 1992, tentava resgatar um gato preso sob a estrutura de uma casa quando o animal espirrou, transmitindo a doença.



"Nosso estudo sugere que, para evitar uma eventual nova transmissão, a higiene é o mais importante", alerta Stenseth.




"Também sugere que, se você está doente, deve evitar ter contato com muitas pessoas. Então, se você está doente, fique em casa."



Autor: BBC
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data de Publicação: 16/01/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/os-ratos-sao-inocentes-pesquisa-aponta-que-humanos-espalharam-a-peste-negra-epidemia-mais-mortal-da-historia.ghtml