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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Sexualidade e envelhecimento: dilemas do corpo masculino

O presente estudo é constituído por uma intersecção entre as discussões em torno da sexualidade e do envelhecimento a partir das concepções acerca do corpo masculino. Para isso, tem-se como eixo central os dilemas decorrentes do processo de envelhecimento do corpo do homem a partir das representações sociais. Com isso, apresenta-se relevante o interesse por aprofundar os conhecimentos acerca do tema, tendo em vista as inquietudes apresentadas na prática de estágio na clínica psicológica, em que as demandas advindas do corpo e da sexualidade no homem idoso geravam uma angustia significante nesta fase da vida, demonstrando a importância em discutir a temática escolhida. Evidencia-se tal interesse devido o crescimento populacional de pessoas acima de 60 anos, trazendo inúmeros desafios e consequências de uma população idosa com índices elevados de expectativa de vida.

Desta forma, constitui-se na sociedade uma parcela de pessoas vivendo de forma intensa e ativa o envelhecimento, prolongando suas experiências de cunho sexual ficando suscetível aos riscos de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, ao mercado de estimulantes sexuais e da própria representação simbólica de um ideal de corpo perfeito apresentado pela mídia. Em nível de importância acadêmica, tende-se a destacar os significados que exploram a sexualidade, o corpo e o envelhecimento, tendo em vista a ainda restrita discussão na Psicologia. Um espaço onde as discussões sobre a sexualidade masculina na terceira idade encontram-se silenciadas entre os estudantes e os profissionais inseridos nos sistemas abrangentes da saúde e também nas esferas sociais que têm como público essa população. Para isso, conhecer as particularidades inerentes aos processos de sofrimento, luto e angústia do não reconhecimento e da aceitação da limitação imposta pela velhice será de grande contribuição para o campo acadêmico.

Nesse sentido, esta pesquisa foi desenvolvida tendo como ênfase a busca pelos componentes que cercam a referida temática, trazendo um contexto reflexivo, propicio a compreensão da construção subjetiva e da importância de discutir a interseccionalidade entre corpo, sexualidade, envelhecimento e masculinidade em épocas contemporâneas. Para tanto, problematiza-se neste contexto: quais as influências do envelhecimento do corpo masculino sobre o desempenho da sexualidade na contemporaneidade? Para tal fim, objetiva-se, compreender as representações do corpo envelhecido para os homens idosos em relação à sexualidade e os desafios da manutenção da masculinidade na contemporaneidade.



Autor: Regiane de Oliveira Lima e Francisco Francinete Leite Junior
Fonte: Sustinere
Sítio Online da Publicação: e-publicacoes UERJ
Data de Publicação: Janeiro a Junho de 2018
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/31251/25722

terça-feira, 27 de março de 2018

'Revolução do Viagra' completa 20 anos com mais de 65 milhões de prescrições


Viagra foi aprovado pela FDA nos EUA em 27 de março de 1998 (Foto: HO/AFP)


Há 20 anos uma pequena pílula azul em forma de losango virava uma verdadeira sensação. O Viagra permitiu que milhões de homens voltassem a ter relações sexuais e expôs ao mundo a questão da impotência sexual, um grande tabu. Mas esta revolução sexual ignorou as mulheres que sofrem de disfunção e perda de libido. Estas ainda estão à espera de uma cura milagrosa que também lhes permita retornar a uma vida sexual gratificante, apontam os especialistas.


Cerca de 65 milhões de prescrições de Viagra, fabricado pelo laboratório americano Pfizer, foram emitidas em todo o mundo. O medicamento foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) americana em 27 de março de 1998, tornando-se o primeiro comprimido a ajudar os homens a ter uma ereção. Os benefícios deste blockbuster milagroso foram elogiados nos programas de televisão, nos jornais e revistas. Sua comercialização coincidiu com a ascensão da internet e a explosão da pornografia online. O léxico do marketing também mudou: não é mais uma questão de "impotência masculina", mas de "disfunção erétil", uma condição médica que agora pode ser tratada.


O senador republicano Bob Dole, um veterano e candidato à presidência dos Estados Unidos em 1996, tornou-se seu primeiro embaixador na televisão, admitindo seus próprios medos ao mundo. "É um pouco embaraçoso para mim falar sobre DE ('disfunção erétil'), mas é muito importante para milhões de homens e suas parceiras", explicou.


Uma estratégia que funcionou.


Antes do Viagra, as conversas sobre disfunção erétil eram "embaraçosas" e "difíceis", lembra Elizabeth Kavaler, uma urologista do Hospital Lenox Hill, em Nova York. "Hoje, a sexualidade de um modo geral é um assunto muito presente", explica. "Tornou-se um elemento previsível em nossas vidas à medida que envelhecemos, e tenho certeza que o Viagra desempenhou um grande papel", acrescenta ela.




Versão genérica do medicamento foi liberada e preço despencou (Foto: Liu Jin/AFP)

"Higiene diária"

Para Louis Kavoussi, diretor do Departamento de Urologia do grupo Northwell Health, o Viagra teve um impacto semelhante ao dos antibióticos no tratamento de infecções ou das estatinas na luta contra doenças cardíacas. "Foi a droga perfeita para anunciar aos consumidores - era uma espécie de remédio para o estilo de vida", diz ele.

O Viagra, ou citrato de sildenafil, foi desenvolvido para tratar hipertensão e angina pectoris. Mas a partir dos primeiros testes clínicos, os homens descobriram rapidamente um efeito inesperado: a melhora de suas ereções. De U$S 15 por unidade no início, o preço subiu para mais de U$S 50 dólares. Com o lançamento no ano passado de uma versão genérica, o preço caiu para apenas U$S 1.  Em 2000, o famoso programa de humor Saturday Night Live até encenou um quadro com o ator Christopher Walken parodiando uma propaganda. "Somos uma empresa muito puritana e acho que o Viagra nos relaxou um pouco", acredita Nachum Katlowitz, diretor do Departamento de Urologia e Fertilidade do Staten Island University Hospital.

"Mas as mulheres ficaram de fora da revolução de melhorar a sexualidade".

Em 2015, a FDA aprovou a flansanserina – comercializada nos Estados Unidos sob o nome de Addyi –, qualificada como "viagra feminino" e apresentada como um tratamento para reviver a libido das mulheres. Mas desde o seu lançamento, provoca controvérsia. Como Addyi pertence à família dos antidepressivos, as mulheres são aconselhadas a não consumir álcool ao mesmo tempo. Também custa várias centenas de dólares e pode causar efeitos colaterais significativos (náuseas, vômitos, pensamentos suicidas, etc.). "Não funcionou muito bem", diz Katlowitz.


O problema nas mulheres vem principalmente da secura vaginal no momento da menopausa, o que pode tornar as relações dolorosas. De acordo com Elizabeth Kavaler, tomar hormônios ou até mesmo tratamentos a laser pode fornecer soluções que, apesar de seu custo às vezes alto, são cada vez mais populares.

"Estamos pelo menos vinte anos atrás dos homens", diz ela.


Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data de Publicação: 27/03/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/a-cientista-brasileira-premiada-por-pesquisar-doencas-negligenciadas-pela-industria-farmaceutica.ghtml