Mostrando postagens com marcador envelhecimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador envelhecimento. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O envelhecimento populacional e os robôs, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Os países e as pessoas estão envelhecendo. São dois fenômenos correlacionados, mas diferentes. O envelhecimento populacional é o aumento da proporção de pessoas com mais de 60 anos (ou 65 anos) no total da população.

O envelhecimento pessoal é um fato normal e natural da vida, mas que tem ficado cada vez mais relevante com o aumento da longevidade. Ou seja, as pessoas estão estendendo o tempo de vida em relação às gerações anteriores (ficando mais longevas) e a pirâmide populacional dos países está ficando mais envelhecida (alargada no topo).

As respostas a esses dois fenômenos são várias, mas uma das novidades que mais chamam a atenção é o uso de robôs nos dois casos: 1) envelhecimento da estrutura etária; 2) longevidade.

No primeiro caso, a utilização dos robôs teria a função de suprir a escassez de mão-de-obra em decorrência da diminuição da população em idade ativa (PIA). O gráfico abaixo mostra que a força de trabalho (20-64 anos) da Coreia do Sul já está diminuindo desde 2015 e, no Brasil, deve começar a diminuir a partir de 2025.

Até meados do atual século, o percentual da PIA (20-64 anos) cairá de 66,9% para 48,7% na Coreia do Sul e, no Brasil, cairá de 62,4% em 2025 para 57,1%, conforme mostra o gráfico abaixo. Particularmente, na Coreia, a diminuição da força de trabalho será enorme, de 18 pontos em apenas 35 anos.





Para manter a economia em funcionamento, a Coreia do Sul poderia recorrer à imigração internacional para repor o tamanho da força de trabalho. Mas o país optou por avançar com a automação da produção para aumentar a produtividade da economia, em função da diminuição do número de trabalhadores.

A Coreia do Sul é a nação do mundo com maior uso de robôs em relação à força de trabalho manufatureira, com 531 robôs para cada 10 mil trabalhadores. Embora avançado na robótica, o país tem uma taxa de desemprego de apenas 3,1%. O Brasil, com baixíssima utilização de robôs, tem uma taxa de desemprego (no conceito amplo) de mais de 20%. A Coreia do Sul aproveitou melhor a fase do bônus demográfico e está se preparando melhor do que o Brasil para a fase do envelhecimento, com a ajuda dos robôs para compensar o declínio da força de trabalho.

No segundo caso, os robôs podem ser usados para ajudar no envelhecimento pessoal e nas tarefas do cuidado. O envelhecimento ativo e saudável é um dos maiores desafios sociais e econômicos do século XXI.

De acordo com o Relatório de Envelhecimento de 2015 da Comissão Europeia, o número de europeus com mais de 65 anos duplicará nos próximos 50 anos, e o número de mais de 80 anos quase triplicará. Enquanto os custos de cuidados profissionais estão aumentando, a razão de suporte vai cair (haverá menos pessoas em idade produtiva para cuidar dos idosos).

O site “Robots at your Service” mostra como o uso da Internet das Coisas (IoT), a Robótica e a Inteligência Artificial (IA) podem contribuir para criar soluções que prolonguem a vida saudável e autônoma do idosos e melhorem o atendimento das pessoas da Terceira Idade dentro de casa.





No Japão – o país mais envelhecido do mundo, com quase 28% de pessoas de 65 anos e mais no total da população – esta tecnologia já está em desenvolvimento e é chamada de Robear. O robô realiza diversas tarefas específicas no cuidado de idosos, tendo realizado demonstrações bem-sucedidas. A máquina tem sensores emborrachados para não machucar o idoso e realizar as tarefas da melhor maneira possível.

O projeto “Robot-Era” propõe desenvolver, implementar e demonstrar a viabilidade geral de uma pluralidade de serviços robotizados avançados e integrados em ambientes inteligentes, para melhorar a qualidade de vida e a eficiência do atendimento dos idosos. Por exemplo, um robô fornece apoio para ajudar o idoso a caminhar dentro de casa, favorecendo a independência e o exercício sem a presença de um cuidador.

Já existem sistemas de inteligência artificial que, usando câmaras e sensores, detectam e alertam para o risco de quedas ou outras disfunções de pacientes em hospitais ou em instituições de longa permanência para idosos.

Enfim, com o avanço do envelhecimento populacional (alargamento do topo da pirâmide etária) e a queda da razão de suporte (diminuição da população em idade ativa – PIA), a presença de robôs para manter a economia e/ou para ajudar nas tarefas do cuidado tende a ser cada vez mais relevante em todo o mundo. Evidentemente, as “tecnologias e robôs assistivos” não substituem o apoio social e familiar aos idosos.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br





Referências:

Robots at your Service. Empowering Healthy Ageing through Robotics, IoT and A.I., Amsterdam, 2016 https://robots.devpost.com/

European Commission. The 2015 Ageing Report Underlying Assumptions and Projection Methodologies, European Economy, Brussels, 8/2014

http://ec.europa.eu/economy_finance/publications/european_economy/2014/pdf/ee8_en.pdf

ROBOT-ERA: implementation and integration of advanced Robotic systems and intelligent environments in real scenarios for the ageing population

http://www.robot-era.eu/robotera/index.php



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/11/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 19/11/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/11/19/o-envelhecimento-populacional-e-os-robos-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O envelhecimento populacional segundo as novas projeções do IBGE, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

O IBGE divulgou as novas projeções da população brasileira, no final de julho, com a população estimada em 208,5 milhões de habitantes em 2018, de 233,2 milhões de pessoas em 2047 (pico populacional) e de 228,3 milhões de habitantes em 2060. Portanto, a população brasileira está a caminho da transição do crescimento para o decrescimento demográfico.

Outra transição confirmada pelas novas projeções é da estrutura etária, com a mudança de uma pirâmide populacional de base larga (rejuvenescida) para uma pirâmide de base estreita e de topo ampliado (envelhecida). O envelhecimento populacional é a transformação da estrutura etária que acontece em decorrência do aumento da proporção de idosos no conjunto da população e a consequente diminuição da proporção de jovens. Durante mais de 500 anos, o Brasil teve uma estrutura etária rejuvenescida. Mas isto vai mudar no decorrer do século XXI.

Uma maneira de medir o envelhecimento populacional é por meio do Índice de Envelhecimento (IE), que é a razão entre o número de pessoas idosas sobre os jovens (crianças e adolescentes). Trata-se de uma razão entre os componentes extremos da pirâmide etária. O IE pode ser medido pelo número de pessoas de 60 anos e mais para cada 100 pessoas menores de 15 anos de idade. Uma população é considerada idosa quando o topo da pirâmide é maior do que a sua base, ou seja, quando o Índice de Envelhecimento (IE) é igual ou superior a 100.

Segundo as projeções anteriores do IBGE (revisão 2013), o Brasil se tornaria um país idoso em 2029, quando haveria 39,7 milhões de jovens (0-14 anos) e 40,3 milhões de idosos (60 anos e mais). Nesta data, o IE seria maior do que 100, ou seja, haveria 101,6 idosos para cada 100 jovens (veja a coluna vermelha no gráfico 1).



Mas com as novas projeções do IBGE (revisão 2018), o envelhecimento vai ocorrer um pouquinho mais tarde, no ano de 2031. No ano 2010, havia 48,1 milhões de jovens de 0 a 14 anos e 20,9 milhões de idosos com 60 anos e mais. O Índice de Envelhecimento (IE) era de 43,4 idosos para cada 100 jovens, conforme mostra o gráfico 2. Em 2018, o número de jovens caiu para 44,5 milhões e o de idosos subiu para 28 milhões, ficando o IE em 63 idosos para cada 100 jovens.

O número de idosos vai ultrapassar o de jovens em 2031, quando haverá 42,3 milhões de jovens (0-14 anos) e 43,3 milhões de idosos (60 anos e mais). Nesta data, pela primeira vez, o IE será maior do que 100, ou seja, haverá 102,3 idosos para cada 100 jovens (veja a coluna vermelha no gráfico). Mas o envelhecimento populacional continuará sua marcha inexorável ao longo do século XXI. No ano de 2055, as projeções do IBGE indicam o montante de 34,8 milhões de jovens (0-14 anos) e de 70,3 milhões de idosos (60 anos e mais). O IE será de 202 idosos para cada 100 jovens. Ou seja, haverá mais do dobro de idosos em relação aos jovens.






Os gráficos de ambas as projeções não deixam dúvidas quanto à diminuição da população jovem (0 a 14 anos) e do aumento da população idosa (60 anos e mais) ao longo do século XXI. O Brasil jovem está ficando para trás e a partir da década de 2030 será um país com uma estrutura etária idosa e a cada dia mais idosa. E não haverá mais volta.
O futuro do Brasil é ser um país com alta proporção de pessoas idosas.

Referências:

IBGE: Projeção da População das Unidades da Federação por sexo e idade: 2000-2030, revisão 2013 http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2013/default.shtm

IBGE: Projeção da População (revisão 2018), Rio de Janeiro, 25/07/2018
https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html?=&t=o-que-e



José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/08/2018





Autor: José Eustáquio Diniz Alves
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 31/08/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/31/o-envelhecimento-populacional-segundo-as-novas-projecoes-do-ibge-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Sexualidade e envelhecimento: dilemas do corpo masculino

O presente estudo é constituído por uma intersecção entre as discussões em torno da sexualidade e do envelhecimento a partir das concepções acerca do corpo masculino. Para isso, tem-se como eixo central os dilemas decorrentes do processo de envelhecimento do corpo do homem a partir das representações sociais. Com isso, apresenta-se relevante o interesse por aprofundar os conhecimentos acerca do tema, tendo em vista as inquietudes apresentadas na prática de estágio na clínica psicológica, em que as demandas advindas do corpo e da sexualidade no homem idoso geravam uma angustia significante nesta fase da vida, demonstrando a importância em discutir a temática escolhida. Evidencia-se tal interesse devido o crescimento populacional de pessoas acima de 60 anos, trazendo inúmeros desafios e consequências de uma população idosa com índices elevados de expectativa de vida.

Desta forma, constitui-se na sociedade uma parcela de pessoas vivendo de forma intensa e ativa o envelhecimento, prolongando suas experiências de cunho sexual ficando suscetível aos riscos de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, ao mercado de estimulantes sexuais e da própria representação simbólica de um ideal de corpo perfeito apresentado pela mídia. Em nível de importância acadêmica, tende-se a destacar os significados que exploram a sexualidade, o corpo e o envelhecimento, tendo em vista a ainda restrita discussão na Psicologia. Um espaço onde as discussões sobre a sexualidade masculina na terceira idade encontram-se silenciadas entre os estudantes e os profissionais inseridos nos sistemas abrangentes da saúde e também nas esferas sociais que têm como público essa população. Para isso, conhecer as particularidades inerentes aos processos de sofrimento, luto e angústia do não reconhecimento e da aceitação da limitação imposta pela velhice será de grande contribuição para o campo acadêmico.

Nesse sentido, esta pesquisa foi desenvolvida tendo como ênfase a busca pelos componentes que cercam a referida temática, trazendo um contexto reflexivo, propicio a compreensão da construção subjetiva e da importância de discutir a interseccionalidade entre corpo, sexualidade, envelhecimento e masculinidade em épocas contemporâneas. Para tanto, problematiza-se neste contexto: quais as influências do envelhecimento do corpo masculino sobre o desempenho da sexualidade na contemporaneidade? Para tal fim, objetiva-se, compreender as representações do corpo envelhecido para os homens idosos em relação à sexualidade e os desafios da manutenção da masculinidade na contemporaneidade.



Autor: Regiane de Oliveira Lima e Francisco Francinete Leite Junior
Fonte: Sustinere
Sítio Online da Publicação: e-publicacoes UERJ
Data de Publicação: Janeiro a Junho de 2018
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/31251/25722

segunda-feira, 4 de junho de 2018

1968 e o envelhecimento, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


“Não confie em ninguém com mais de trinta anos”




Demografia e democracia tem muito mais em comum do que o prefixo. Nas manifestações da juventude revolucionária de 1968, uma das bandeiras era: “Não confie em ninguém com mais de 30 anos”. Existia uma enorme vontade de mudar as rígidas estruturas fordistas, autoritárias e conservadoras da sociedade e um grande anseio de renovação econômica, social e cultural.

Os jovens que tinham entre 15 e 30 anos em 1968, agora, em 2018, têm entre 65 e 80 anos. A juventude de 1968 é a “terceira idade” de 2018 e não estará viva em 2068 para comemorar o centenário do lema “Proibido proibir”.

Alguns analistas dizem que a ideia de contestação e revolta de 1968 morreu. Outros dizem que está viva. O escritor Zuenir Ventura diz que 1968 não terminou. Mas o tempo não para.
Talvez, o mais correto seria dizer que 1968 envelheceu.

Não é somente as pessoas que envelhecem, a estrutura etária da população também fica envelhecida. A diferença é que, enquanto as pessoas morrem, a população continua viva. Só que a população deixará de ter uma estrutura etária jovem e passará a ter, permanentemente, uma estrutura envelhecida. Com a mudança do século XX para o século XXI, no mundo e nos diferentes países, o maior peso proporcional dos jovens vai cedendo lugar, paulatinamente, ao peso proporcionalmente maior dos idosos.

O gráfico acima mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o mundo, a França e o Brasil. Nota-se que, em 1968, no mundo havia 21,5 idosos (com 60 anos e mais) para cada cem jovens (de 0 a 14 anos de idade). Na França havia 71 idosos para cada 100 jovens e no Brasil 12,6 idosos para cada cem jovens. Ou seja, em todos os lugares o número de jovens superava o número de pessoas idosas na população. A estrutura etária era rejuvenescida em todo lugar, alguns países, como a França, era menos rejuvenescida, outros, como o Brasil, era extremamente rejuvenescida.

Em 2018, a realidade demográfica já havia mudado bastante. Na França, o IE chegou a 144, isto é, o número de idosos superou em 44% o número de jovens. No mundo, a proporção de idosos chegou a 50 para cada cem jovens e no Brasil chegou a 61,5 idosos para cada cem jovens. A França já é um país envelhecido, enquanto o Brasil e o mundo ainda possuem uma estrutura etária rejuvenescida.

Mas a inversão entre os grupos etários extremos será bem mais acentuada em 2068. No mundo haverá 121 idosos para cada cem jovens. Na França, serão 204 idosos para cada cem jovens e, no Brasil, serão 270 idosos para cada cem jovens. Ou seja, os idosos serão maioria em todos os lugares, sendo que na França haverá o dobro de idosos em relação aos jovens e no Brasil será quase o triplo de idosos em relação aos jovens.

A idade mediana da população mundial em 1968 era de 22 anos, ou seja, metade da população global tinha menos de 22 anos. Na França a idade mediana era de cerca de 30 anos. No Brasil a idade mediana era de somente 19 anos, ou seja, metade da população brasileira tinha menos de 19 anos. Em 2018, a idade mediana do mundo passou para 30 anos, do Brasil para 32 anos e a França para 42 anos. Para 2068, a idade mediana deve chegar a 38 anos no mundo, 45 anos da França e quase 50 anos no Brasil. Ou seja, metade da população brasileira terá mais de 50 anos, um quadro demográfico de alto envelhecimento populacional, bem diferente do quadro que existia em 1968.

A ciência política costuma dizer que os jovens são mais progressistas e os idosos são mais conservadores. Como diz um velho ditado popular: “Um jovem que não seja revolucionário não tem coração. Um idoso de esquerda não tem razão”. Não há consenso sobre isto e, se assim foi no passado, quando havia uma estrutura etária rejuvenescida, não quer dizer que será no futuro.

Com toda a certeza podemos dizer que o perfil demográfico da população brasileira, francesa e mundial, em 2068, será de predomínio dos idosos. Mas o perfil democrático está aberto, pois não existe uma correlação determinística entre idade das pessoas e das ideias.

Assim como os jovens podem assumir velhas concepções conservadoras, os idosos podem abraçar novas concepções progressistas. O importante é ter cabeça aberta e aceitar, independentemente da idade, como disse Belchior: “Que o novo sempre vem”.

Referências:

ALVES, JED. O eleitorado brasileiro cada vez mais feminino e envelhecido, Ecodebate, 21/05/2018 https://www.ecodebate.com.br/2018/05/21/o-eleitorado-brasileiro-cada-vez-mais-feminino-e-envelhecido-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. Cai a razão de suporte dos idosos no Brasil e no Mundo. Portal do Envelhecimento, 30/06/2017
http://www.portaldoenvelhecimento.com.br/cai-razao-de-suporte-dos-idosos-no-brasil-e-no-mundo/

ALVES, JED. Demografia, Democracia e Direitos Humanos, Textos para discussão, Escola Nacional de Ciências Estatísticas, IBGE, número 18, 2005 http://www.ence.ibge.gov.br/images/ence/doc/publicacoes/textos_para_discussao/texto_18.pdf


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/06/2018



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 01/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/01/1968-e-o-envelhecimento-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Projeto de vida contribui para qualidade no envelhecimento

Todos buscam qualidade de vida para viver mais e melhor na terceira idade. Atividade física, alimentação saudável e convívio social são algumas ações que beneficiam o envelhecimento.

Para o professor Carlos Roberto Bueno Júnior, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP, as atividades físicas trazem benefícios para a circulação sanguínea, além de melhorar a auto-estima e as relações sociais.

Ele conta que estabelecer um projeto de vida contribui para a melhoria da qualidade de vida. Por isso, é importante que a terceira idade tenha contato com experiências prazerosas. “É importante não sobrecarregar os idosos com os quais temos contato. É extremamente comum eles ficarem cuidando dos netos o dia todo, por exemplo”. Ouça a entrevista no link acima.
Por: Giovanna Grepi



Autor: Jornal USP
Fonte: Jornal USP
Sítio Online da Publicação: Jornal USP
Data de Publicação: 16/05/2018
Publicação Original: http://jornal.usp.br/atualidades/projeto-de-vida-contribui-para-qualidade-no-envelhecimento/

terça-feira, 13 de março de 2018

Dietas com poucas calorias e baixa gordura podem retardar envelhecimento do cérebro, diz estudo






A diminuição das calorias e a baixa de gordura afetam células do cérebro positivamente, sugere pesquisa (Foto: Ilustração)



Dietas que combinam restrição de calorias com pouco consumo de gordura podem conter o envelhecimento cerebral e ajudar na prevenção de doenças associadas, como Alzheimer e outras demências, diz estudo publicado nesta segunda-feira (12) na "Frontiers in Molecular Neuroscience".


Os pesquisadores também demonstraram que essas dietas são relativamente mais eficazes na prevenção do envelhecimento que a prática de atividade física.


Cientistas testaram a ação da restrição calórica no cérebro de cobaias e descobriram que a dieta desativa a ação da microglia, um tipo de célula do sistema imune.


Quando ativada, essa célula contribui para inflamações no cérebro que levam ao envelhecimento e a problemas no pleno funcionamento neurológico.


Para chegar a esse resultado, cientistas investigaram o impacto das dietas no cérebro de ratos de 6 meses de idade. A análise foi feita em células da microglia em uma região específica do órgão: o hipotálamo, associado à memória.


Em uma outra etapa, eles também testaram as células de ratos de 2 anos de idade que passaram por um regime de exercícios. Por fim, foram feitos testes em cobaias da mesma idade que passaram por dietas restritivas (redução de 40%).



Com os testes, eles fizeram duas descobertas principais:



Para ter possível efeito protetor, as dietas pobres em gordura precisam ser combinadas com restrição calórica. Não basta seguir só uma delas;
Nesses testes específicos, o exercício foi significativamente menos eficaz que a restrição calórica. No entanto, outros trabalhos demonstraram que a prática de atividade física ajuda a reduzir o risco para doenças neurodegenerativas.




Desse modo, cientistas alertam que mais estudos são necessários para avaliar o impacto dessas descobertas diretamente na prevenção dessas doenças.


Uma questão é que esses ratos tiveram basicamente essas dietas ao longo da vida: outros estudos seriam necessários para avaliar se a adoção dessas dietas mais tarde na idade adulta, por exemplo, poderiam reverter os efeitos de hábitos alimentares anteriores.




Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 12/03/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/dietas-com-poucas-calorias-e-baixa-gordura-podem-retardar-envelhecimento-do-cerebro-sugere-estudo.ghtml

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Ovelha Dolly não teve envelhecimento precoce, diz estudo




Dolly está embalsamada e exposta no Museu Real da Escócia, em Edimburgo (Foto: Domínio público)



Quando a ovelha Dolly foi abatida antes do seu sétimo aniversário, em 2003, disseram que ela sofria de osteoartrite relacionada à idade, levantando preocupações de que os clones podem envelhecer mais rápido que o normal.


Mas cientistas afirmaram, nesta quinta-feira (23), que o medo do envelhecimento precoce relacionado à clonagem parece ter sido equivocado. A doença das articulações de Dolly era, na verdade, bastante normal.


Pesquisadores da Escócia e da Inglaterra basearam sua conclusão em raios X do esqueleto de Dolly, cujo corpo embalsamado está exposto no Museu Real da Escócia (NMS, sigla em inglês), em Edimburgo.


Dolly sofria de osteoartrite no joelho, mas o alcance de sua doença, revelado pelas radiografias, "não é incomum" para uma ovelha concebida naturalmente de entre sete e nove anos de idade.


"As preocupações originais de que a clonagem causou osteoartrite precoce na Dolly foram infundadas", concluíram os pesquisadores, cujo estudo foi publicado na revista Scientific Reports.


Dolly foi abatida aos seis anos e oito meses devido a uma doença pulmonar progressiva. Os exemplares da raça de Dolly, Finn-Dorset, normalmente vivem até os 10-12 anos.


Os pesquisadores disseram que suas descobertas foram apoiadas por raios X dos esqueletos de Bonnie, a filha de Dolly concebida naturalmente, e de Megan e Morag, ovelhas clonadas usando uma técnica diferente, cujos ossos também pertencem à coleção do NMS.


O único registro formal de osteoartrite em Dolly foi uma "breve menção" em um artigo submetido a uma conferência científica, disseram os pesquisadores. Nenhum dos registros de diagnóstico ou exames originais foi preservado.


A mesma equipe publicou um estudo no ano passado em que relatou que quatro cópias geneticamente idênticas de Dolly tinham envelhecido normalmente, sem sintomas de osteoartrite.


Debbie, Denise, Dianna e Daisy - irmãs idênticas de Dolly, nascidas 11 anos depois - foram feitas a partir da mesma linha celular de glândula mamária que produziu a ovelha mais famosa do mundo.





Irmãs saudáveis




Nenhuma delas tinha problemas no joelho nem apresentava osteoartrite incomum para sua idade.


A osteoartrite é uma condição dolorosa causada por um desgaste da cartilagem nas articulações. Pode ser de origem genética, mas os fatores de risco incluem idade avançada, trauma e obesidade.


Aos nove anos, nenhuma das quatro irmãs de Dolly era diabética, e todas tinham pressão arterial normal - pondo em dúvida as preocupações sobre o envelhecimento precoce em clones.


Ratos de laboratório clonados mostraram, anteriormente, uma propensão à obesidade, diabetes e morte prematura.


Os pesquisadores admitiram que havia algumas limitações para sua pesquisa, como o fato de que apenas os ossos das ovelhas estavam disponíveis, enquanto a osteoartrite é uma doença que atinge toda a articulação, incluindo os nervos e a cartilagem.


Além disso, a evidência de osteoartrite em raios X não reflete necessariamente a extensão da doença experimentada por um animal.


Dolly foi criada por transferência nuclear de células somáticas (SCNT), uma técnica que consiste em remover o núcleo contendo DNA de uma célula que não seja um óvulo ou esperma - uma célula da pele, por exemplo - e injetá-lo em um óvulo não fertilizado cujo núcleo foi removido.


Uma vez transferido, o óvulo reprograma o DNA maduro de volta a um estado embrionário, com a ajuda de um choque elétrico. O óvulo começa a se dividir para formar o embrião de um animal quase idêntico ao doador do DNA original.


A clonagem de animais é utilizada na agricultura, principalmente para criar animais reprodutores, e no negócio de "recriar" animais de estimação mortos.




Autora: France Presse
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1
Data de Publicação: 23/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/ovelha-dolly-nao-teve-envelhecimento-precoce-diz-estudo.ghtml