sábado, 15 de janeiro de 2022

Abramed alerta para ameaça de desabastecimento de insumos para testes de Covid-19

Através da publicação de uma nota técnica nesta quarta-feira (12/1), o Comitê de Análises Clínicas da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) orientou sobre a utilização criteriosa de testes para evitar risco de redução de oferta de exames para detecção da Covid-19.



Alerta

O alerta vem no momento em que a alta transmissibilidade da nova variante Ômicron causou aumento exponencial de casos no Brasil, sobrecarregando o setor de medicina diagnóstica brasileira e revelando a preocupação da Abramed com a possibilidade da falta de insumos necessários para a realização de exames, tanto de PCR como de antígeno.

“Quando avaliamos as notícias que vêm de outros países, de que eles já estão sem insumos, é certo que o problema chegará ao Brasil. Não é possível mensurar nesse momento até quando poderemos atender, pois os estoques são variados dependendo do laboratório e da região, mas há um risco real de desabastecimento”, alertou o presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik.
Pacientes assintomáticos e com sintomas leves não devem ser testadas no momento, orienta Abramed

O executivo complementou que o ideal seria seguir testando todas as pessoas que se expôs de alguma forma, porém, com o cenário que se abre no país a curto prazo, a recomendação é que sejam submetidos a testes apenas os pacientes que tenham maior gravidade de sintomas, pacientes hospitalizados e cirúrgicos, pessoas no grupo de risco, gestantes, trabalhadores assistenciais da área da saúde, e colaboradores de serviços essenciais.

A orientação é que a testagem de pessoas assintomáticas e com sintomas leves seja interrompida temporariamente e que estas devem permanecer em isolamento até que o cenário seja normalizado, deixando a possibilidade de teste para os pacientes mais críticos.

Com o risco real de desabastecimento, a associação de laboratórios recomenda aos laboratórios associados a priorização de pacientes para efetuarem os testes, segundo uma escala de gravidade a seguir:
Pacientes que tenham maior gravidade de sintomas;
Pacientes hospitalizados e cirúrgicos;
Pessoas no grupo de risco;
Gestantes;
Trabalhadores assistenciais da área da saúde;
Colaboradores de serviços essenciais

Segundo a nota técnica, outras entidades do setor de saúde também serão contatadas pela Abramed, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Ministério da Saúde, Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Associação Médica Brasileira (AMB), e outras entidades congêneres, para que haja a sensibilização sobre a importância de otimizar o uso dos testes disponíveis até que a situação seja normalizada.

Faltam insumos para exames em clínicas e farmácias do RJ

Enquanto o registro de novos casos de Covid-19 no Rio de Janeiro bate recorde, muitas pessoas procuram onde se testar para saber se está com a doença. Mas nos centros de testagem do Governo do Estado está difícil conseguir marcação. Nos postos da Prefeitura do Rio, há muitas filas. Além disso, faltam testes na rede particular.

O Conselho Regional de Farmácia do Rio de Janeiro informou que as unidades no Rio de Janeiro não estão dando conta da alta procura. É que o cenário epidemiológico atual pegou o setor de surpresa.

“Algumas grandes redes ainda têm. São testes por agendamento, uma vez que há todo um protocolo a seguir dentro das farmácias. Mas há outras que, mesmo sendo grandes, não têm teste nenhum. Hoje, os testes apresentam mais da metade dos resultados positivos”, explicou a vice-presidente do conselho, Luzimar Gualter, em entrevista ao Portal G1.





Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 14/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/abramed-alerta-para-ameaca-de-desabastecimento-de-insumos-para-testes-de-covid-19/

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Antirretroviral de dose única diária mostrou-se eficaz na supressão do HIV em crianças

Crianças com infecção pelo vírus da imunodeficiência humana tipo 1 (HIV-1) têm opções limitadas para um tratamento antirretroviral (TARV) eficaz. Em um ensaio clínico envolvendo crianças e adolescentes com infecção por HIV-1 e que estavam iniciando tratamento de primeira ou segunda linha, a TARV à base do medicamento dolutegravir foi superior ao tratamento padrão. O estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine.

No ensaio denominado ODYSSEY, o objetivo dos pesquisadores foi comparar a eficácia e a segurança da TARV baseada em dolutegravir com aquelas do tratamento padrão em crianças e adolescentes que estavam iniciando a TARV de primeira ou segunda linha em ambientes com recursos limitados e com muitos recursos.



Metodologia

Foi conduzido um ensaio clínico aberto, randomizado, de não inferioridade, comparando a TARV com dolutegravir, um inibidor da integrase do HIV, com o tratamento padrão (TARV não baseada em dolutegravir) em crianças e adolescentes iniciando TARV de primeira ou segunda linha. O desfecho primário foi a proporção de participantes com falha do tratamento virológico ou clínico em 96 semanas, conforme estimado pelo método Kaplan-Meier. A segurança foi avaliada. Crianças e adolescentes com idade ≥ 4 semanas a < 18 anos com infecção por HIV-1 que pesavam, pelo menos, 14 kg foram recrutados.

Resultados

De setembro de 2016 a junho de 2018, um total de 707 crianças e adolescentes que pesavam pelo menos 14 kg foram aleatoriamente designados para receber TARV à base de dolutegravir (350 participantes) ou tratamento padrão (357). Um total de 331 participantes foi inscrito em Uganda, 146 no Zimbábue, 144 na África do Sul, 61 na Tailândia e 25 na Europa (Reino Unido, Espanha, Portugal e Alemanha).

A idade mediana foi de 12,2 anos, o peso médio foi de 30,7 kg e 49% dos participantes eram meninas. Por definição, 311 participantes (44%) começaram a TARV de primeira linha (com 92% daqueles no grupo de tratamento padrão recebendo TARV à base de efavirenz), e 396 (56%) começaram a TARV de segunda linha (com 98% daqueles no grupo de tratamento padrão que recebeu TARV à base de inibidor de protease potenciado).

O acompanhamento médio foi de 142 semanas. Em 96 semanas, 47 participantes no “grupo dolutegravir” e 75 no “grupo tratamento padrão” tiveram falha do tratamento (probabilidade estimada, 0,14 vs. 0,22; diferença, -0,08; intervalo de confiança de 95%, -0,14 a -0,03; P = 0,004). Isso significa que 14% das crianças que receberam dolutegravir tiveram falha do tratamento ao longo de dois anos, em comparação com 22% das crianças que receberam o tratamento padrão.

Os efeitos do tratamento foram semelhantes com as terapias de primeira e segunda linha (P = 0,16 para heterogeneidade). Um total de 35 participantes (10%) no “grupo dolutegravir” e 40 (11%) no “grupo tratamento padrão” tiveram pelo menos um evento adverso sério (P = 0,53), e 73 (21%) e 86 (24%), respectivamente, tiveram pelo menos um evento adverso de grau 3 ou superior (P = 0,24) Pelo menos um evento adverso modificador de TARV ocorreu em cinco participantes (1%) no “grupo dolutegravir” e em 17 no “grupo tratamento padrão” (5%) (P = 0,01).
Conclusão

Este relevante ensaio randomizado mostrou eficácia superior da TARV à base de dolutegravir sobre o tratamento padrão em crianças e adolescentes com peso mínimo de 14 kg. A eficácia da terapia também foi avaliada entre crianças pequenas e bebês com peso inferior a 14 kg, inscritos como um grupo separado no estudo; os resultados ainda não foram publicados.
Comentários

Muitos medicamentos antirretrovirais usados atualmente em crianças apresentam desafios associados ao uso. Por exemplo, a nevirapina foi descontinuada devido ao aumento da resistência primária aos inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa (NNRTI). O efavirenz não é recomendado para crianças menores de 3 anos de idade, devido à grande variação na exposição ao medicamento. O raltegravir requer tratamento duas vezes ao dia e tem um baixo limiar de resistência e o lopinavir-ritonavir pediátrico é intragável, requer tratamento duas vezes ao dia e é complexo para administração conjunta com medicamentos antituberculose.

De acordo com os pesquisadores, as formulações de dolutegravir são fáceis de serem administradas. O comprimido de 50 mg é pequeno e os comprimidos de 5 mg dispersam-se rapidamente e são palatáveis. A administração uma vez ao dia e o ajuste mais fácil da dose com o tratamento antituberculose significam que a transição para o dolutegravir como terapia de primeira e segunda linha simplifica o tratamento em crianças e adolescentes. A necessidade de apenas dois tipos de formulação de dolutegravir em todas as faixas de peso em crianças e a disponibilidade de ambas as formulações de empresas de medicamentos genéricos permitirão que programas nacionais alinhem o tratamento para crianças com o tratamento para adultos, simplificando a aquisição de medicamentos.







Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 12/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/antirretroviral-de-dose-unica-diaria-mostrou-se-eficaz-na-supressao-do-hiv-em-criancas/

Hemotransfusão nas cirurgias ortopédicas

A transfusão alogênica de concentrados de hemácias é um recurso limitado e de elevado custo. Da mesma maneira que podem salvar vidas, também estão associadas a reações transfusionais alérgicas ou não alérgicas, infecção e desregulação do sistema imunológico. Tempo prolongado de internação, elevada morbidade e complexidade cirúrgica também estão geralmente relacionadas aos pacientes que necessitam esse tipo de abordagem.

As cirurgias ortopédicas vêm se tornando cada vez mais frequentes com o envelhecimento da população. Nas últimas décadas, a necessidade de transfusão nas cirurgias ortopédicas comuns como artroplastias de joelho e quadril tem variado entre 19 a 57%. Entretanto, é importante lembrar que nos últimos anos foram desenvolvidos inúmeros esforços com o objetivo de reduzir a necessidade de transfusão como correção da anemia pré-operatória e mudanças de técnica cirúrgica, além de medidas farmacológicas como a utilização de ácido tranexâmico.



O estudo

Um estudo de coorte retrospectivo com 14.584 pacientes foi publicado recentemente na revista Bone and Joint Open. Foi desenvolvido em 4 hospitais canadenses com o objetivo de descrever a prática de hemotransfusão contemporânea nas cirurgias ortopédicas para facilitar o planejamento operatório, utilização consciente dos bancos de sangue e até mesmo discutir os termos de consentimento oferecidos aos pacientes quando se trata do tema. Foram selecionados pacientes maiores de 18 anos que foram submetidos a procedimentos ortopédicos articulares não artroscópicos, amputações e fraturas (exceto coluna). Para cada subgrupo cirúrgico foi relatada a proporção de pacientes que receberam concentrados de hemácias, a média e mediana do número de unidades recebidas e o intervalo de tempo da transfusão em relação à cirurgia.

No total, 10,3% (1.496) dos pacientes foram transfundidos. Pacientes submetidos a hemiartroplastia de ombro, osteossíntese de rádio distal e artroplastia de tornozelo raramente necessitaram hemotransfusão, enquanto houve altas taxas em fraturas do quadril (25%), osteossíntese de fêmur (25,3%) ou pelve (31,3%) e amputação (33,1%). Artroplastias primárias de joelho e quadril tiveram taxas de 2,8 e 4,5% respectivamente enquanto suas revisões chegaram a 6,3% e 29,7%. Dos pacientes que receberam concentrados de hemácias, a média foi de 3,3 unidades (desvio padrão DP de 3,1).


A proporção de pacientes que receberam transfusões foi maior nos casos operados em urgência e emergência (18,2%) que nos de cirurgias eletivas (4,4%). A grande maioria (68,5%) das transfusões ocorreu de forma pós-operatória, com 17,2% administradas no pré-operatório e 14,3% no intraoperatório. Além disso, 76,4% das transfusões ocorreram nos primeiros 7 dias de internação hospitalar.
Conclusões

As taxas de transfusão encontradas no estudo foram menores que as demonstradas em trabalhos mais antigos na literatura. Um fato é que, apesar de dentro da ortopedia, não podemos excluir a condição clínica do paciente como causa importante para necessidade de transfusão, talvez justificando os altos índices em cirurgias de fraturas do quadril, onde temos como alvo pacientes mais frágeis na maioria das vezes.

Além disso, os procedimentos realizados em fêmur, pelve ou amputaçōes mais proximais encontram vasos de maior calibre e são realizadas sem isquemia. Pela grande heterogeneidade das cirurgias ortopédicas, o mais prudente com o intuito de definir protocolos com relação à solicitação de reserva de concentrados de hemácias seria uma análise individual para cada tipo de cirurgia.






Autor: Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 12/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/hemotransfusao-nas-cirurgias-ortopedicas/

Início e Desfecho do Tratamento da ILTB em migrantes

A infecção latente por Mycobacterium tuberculosis (ILTB) consiste em uma das infecções mais prevalentes em todo o mundo e consiste em um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da tuberculose ativa. Estima-se que cerca de 25% da população global apresente ILTB e aproximadamente 5-15% daqueles infectados evoluem para a tuberculose ativa. Em diversos países com baixa carga da doença, a ILTB é predominante concentrada na população de migrantes, geralmente relacionada aos países de origem que apresentam índices altos de tuberculose. Muitos desses países, geralmente categorizados como “desenvolvidos”, desenvolveram programas governamentais de rastreio e tratamento da ILTB em migrantes de forma a prevenir o desenvolvimentos de casos futuros de tuberculose. Porém, não é claro o quanto esses programas são efetivos. De forma a tentar esclarecer essas dúvidas, Rustage et al. (2021) desenvolveram um estudo do tipo revisão sistêmica e meta-análise para a avaliação do início e desfecho do tratamento de ILBT entre migrantes, e os fatores que influenciam esses aspectos.



Metodologia do estudo

Para tal proposta, foram usados como banco de dados os artigos publicados acessíveis na Embase, Medline, Global Health ou manualmente selecionados entre 1 de janeiro de 2000 a 21 de abril de 2020. Foram incluídos artigos que incluíam dados sobre o início e/ou conclusão do tratamento de ILBT em populações de migrantes, sem restrição de linguagem ou região geográfica. Seguiu-se a metodologia Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and MetaAnalyses (PRISMA) para o desenvolvimento do estudo.

De 2.199 publicações inicialmente rastreadas, foram criteriosamente selecionadas 39 publicações de estudos realizados em 13 países com baixa carga de tuberculose (Alemanha, Áustria, Canadá, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Israel, Japão, Noruega, Reino Unido, Suíça e Suécia) com dados sobre início do tratamento e/ou conclusão totalizando 31.598 migrantes positivos para ILTB. Em 25 estudos agrupados, a proporção geral de migrantes com início de tratamento e resultado positivo para o rastreio de ILTB foi de 69% (IC 95% 51-84, 4.409 de um total de 8.764). As origens dos imigrantes variaram entre a origem na África Subsaariana, norte da África ou Oriente Médio. Dentre os 35 estudos com detalhes sobre o desfecho, observou-se que pacientes que iniciaram o tratamento e concluíram a proposta terapêutica correspondiam a 74% (IC 95% 66-81, 15.516 de 25.629). Dentre os dados possíveis de serem extraídos com maior precisão em 25 estudos, a proporção de migrantes positivos que iniciaram e completaram o tratamento adequadamente consistiu de apenas 52% (IC 95% 40-64, 3289 de 6652). As análises de meta-regressão indicaram que os programas de tratamento de ILTB estão em desenvolvimento progressivo com dados melhor documentados no período de 2020 em diante, associado a melhores taxas de iniciação e conclusão adequada do tratamento. As propostas terapêuticas variaram de uso de isoniazida por 6 ou 9 meses, rifampicina por 4 meses ou uso de isoniazida associada à rifampicina por 3 meses.

Diversos fatores afetam a adesão e o melhor desfecho do tratamento dos migrantes, positivamente incluiu-se o contato com pacientes com tuberculose ativa reconhecida, local de nascimento na África, e desemprego. Negativamente observou-se o baixo nível educacional, ausência de suporte familiar, o prolongado tempo de tratamento, efeitos adversos do tratamento e outros. Um dos estudos inclusive indica maior sucesso na adesão ao tratamento para ILTB entre migrantes do que na população local. Verificou-se também que o uso do teste Quantiferon permitiu resultados superiores àqueles obtidos no teste tuberculínico (Teste de Mantoux). Os migrantes tratados na região europeia associada à Organização Mundial de Saúde apresentaram melhores resultados quanto à adesão e conclusão do tratamento para ILTB.
Conclusão

Tais dados indicam que a implementação de programas governamentais de diagnóstico, vigilância e tratamento de ILTB são possíveis e apresentam um elevado grau de sucesso para migrantes e podem evoluir para números de sucesso no combate à tuberculose conforme a estruturação e estímulo aos recém-migrados. Esses resultados consistem em um estímulo na caminhada rumo ao controle das infecções por M. tuberculosis em todo o mundo.




Autor: Rafael Duarte
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 12/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/inicio-e-desfecho-do-tratamento-da-iltb-em-migrantes/

Variante ômicron prevaleceu em 98,7% das amostras analisadas no Brasil, aponta levantamento



Monitoramento da variante ômicron entre 1 de dezembro e 8 de janeiro — Foto: Instituto Todos pela Saúde/Divulgação


Uma nova análise feita pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS), em parceria com os laboratórios Dasa e DB Molecular, constatou SARS-CoV-2 em 3.212 amostras, sendo que em 3.171 (98,7%) há indicação de infecção pela variante ômicron. Os pesquisadores analisaram 8.121 amostras coletadas entre 2 e 8 de janeiro de 2022.

Desde o dia 1º de dezembro de 2021, os pesquisadores testaram um total de 58.304 amostras em 478 municípios de 24 estados e do Distrito Federal. A ômicron foi identificada em 191 municípios de 17 estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e também no Distrito Federal.

Segundo o instituto, entre a última semana de 2021 e a primeira de 2022, a positividade para SARS-CoV-2 nos testes foi de 13,7% para 39,5%.

Esse é o quarto levantamento dos laboratórios. A prevalência da ômicron foi de:


9% (em 21 de dezembro)
31,7% (em 29 de dezembro)
92,6% (em 6 de janeiro)


Para detectar a nova variante, os laboratórios utilizaram o teste RT-PCR e não fizeram o sequenciamento genético. "A ômicron possui diversas mutações e deleções (remoções de fragmentos de genes). Uma deleção em particular afeta os códons 69 e 70 do gene S (na linhagem Ômicron BA.1). Alguns testes RT-PCR falham na detecção da região deletada, e assim podemos detectar a ômicron".

"Com os levantamentos, conseguimos acompanhar o avanço da Ômicron quase em tempo real, alertando o poder público e a população para a importância de não se abandonar as máscaras, como se chegou a cogitar, e do perigo de se planejar o carnaval nesta fase da pandemia. A experiência internacional com essa variante mostra que a doença se apresenta mais branda entre os vacinados, tendo os não vacinados 15 vezes mais possibilidade de forma grave e morte", afirma o imunologista Jorge Kalil, diretor-presidente do ITpS.

Segundo o último boletim do Ministério da Saúde, divulgado na terça-feira (11), o país tem 425 casos confirmados de ômicron e há outros 838 em análise.







Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 12/01/2022
Publicação Original: https://g1.globo.com/saude/coronavirus/noticia/2022/01/12/variante-omicron-prevaleceu-em-987percent-das-amostras-analisadas-no-brasil-aponta-levantamento.ghtml

sábado, 8 de janeiro de 2022

Novas características clínicas na síndrome Covid-19 nas infecções pela variante Ômicron

Após a descrição da nova variante de SARS-CoV-2 publicada em 24 de novembro de 2021, denominada Ômicron (B.1.1.529), durante a quarta onda de casos da síndrome Covid-19 na África do Sul, o mundo entrou em novo alerta sobre os novos riscos para a população mundial frente ao surgimento de novas estirpes virais no coronavírus pandêmico, mesmo para os indivíduos vacinados. O alto número de mutações na espícula viral elevou as preocupações quanto ao potencial capacidade dessa nova variante em escapar dos alvos vacinais e elevada propriedade de disseminação.

Desconhecidos também ainda são os efeitos clínicos das infecções pela variante ômicron. Alguns dados publicados até o momento esclarecem alguns aspectos relacionados aos aspectos clínicos observados na infecção pela nova variante de SARS-CoV-2. Descrevemos abaixo alguns dos principais achados divulgados até o momento.



Ômicron no Reino Unido

O governo do Reino Unido têm descrito inúmeros casos de infecção pela estirpe ômicron no território inglês. E os estudos baseados nas observações até o momento descrevem os sinais e sintomas abaixo como mais comuns na nova síndrome Covid-19 associada a essa nova variante (Iacobucci, 2021). Em sua maioria correspondem a um quadro influenza-like. São eles:

Coriza;
Cefaleia intensa holocraniana;
Fadiga (leve ou moderada);
Mialgia;
Congestão nasal;
Odinofagia.

O quadro de febre, tosse, anosmia/disgeusia, comumente descrito nas infecções pela variante alfa de SARS-CoV-2 não foi frequente, mas permanecem na lista de sinais e

sintomas que sugerem síndrome Covid-19 de forma geral. Por outro lado, não há distinção significativa no quadro clínico que permita diferenciar as infecções pela variante delta das infecções pela ômicron. Adicionalmente, o governo inglês ressalta que qualquer sintomático respiratório, frente ao cenário epidemiológico que enfrentamos atualmente, deve-se descartar infecção por SARS-CoV-2 até que se prove o contrário. É importante lembrar que outros sinais e sintomas adicionais também já foram descritos e podem ser verificados em conteúdo específico no Whitebook.

A África do Sul apresenta um histórico atual de quatro ondas de casos de Covid-19:
Junho a agosto de 2020: Variante ancestral;
Novembro de 2020 a janeiro de 2021: Variante beta;
Maio a setembro de 2021: Variante delta;
Novembro de 2021 até a data atual: Coincidente com a descrição da variante ômicron.
Estudo sobre síndrome Covid-19

Em estudo publicado recentemente, Maslo et al. (2021) avaliaram pacientes assistidos em 49 hospitais (> 10.000 leitos) na África do Sul rastreados por teste laboratorial (PCR ou rápido) à detecção de SARS-CoV-2 em nasofaringe e com resultado positivo (média de 26% de positividade dentre os avaliados) até 20 de dezembro de 2021. Tais casos positivos foram incluídos para a comparação de características clínicas apresentadas entre os indivíduos nas quatro ondas de Covid-19 descritas, baseado em dados obtidos dos prontuários. O resumo das características podem ser vistos na tabela abaixo:

Tabela 1. Resumo das características dos pacientes admitidos com Covid-19 confirmada por teste laboratorial nas quatro ondas na África do Sul.

 

No.(%) de pacientes 

Pacientes Covid-19 tratados Onda 1  

3875  

Onda 2  

4632  

Onda 3  

6342  

Onda 4  

2351 

Pacientes Covid-19 admitidos 2628 (67,8%)  3198 (69,0%)  4400 (69,3%)  971 (41,3%) 
Idade em anos  

(mediana – IQR) 

53 (21,75)  54 (21)  59 (24)  36 (32) 

 

Sexo F/M  1337/1291  1657/1541  2035/2365  590/381 
Pacientes com  

comorbidades 

1472 (56,0%)  1868 (58,4%)  2311 (52,5%)  227 (23,3%) 
Síndrome respiratória aguda na admissão 1909 (72,6%)  2783 (87,0%)  4013 (91,2%)  307 (31,6%) 
Oxigenioterapia  

implementada 

2119 (80,3%)  2624 (82,0%)  3260 (74,0%)  171 (17,6%) 
Ventilação mecânica necessária 431 (16,4%)  259 (8,0%)  548 (12,4%)  16 (1,6%) 
  • Admissão aos cuidados intensivos: 1104 (42%) 1172 (36,6%) 1318 (29,9%) 180 (18,5%)  
  • Duração da internação em dias (mediana – IQR)  :  8,9 (9) 7,8 (8) 7 (9) 3 (3)  
  • Óbitos: 520 (19,7%) 790 (25,5%) 1284 (29,1%) 27 (2,7%) Status vacinal  
  • Vacina não disponível (VND)
  • VND sem registros: 235 (24,2%)  
  • Não vacinados VND VND Sem registros 645 (66,4%) 
  • Desconhecido  
VND  VND  Sem registros  91 (9,4%) 

Como pode-se observar nos dados apresentados, na onda 4 de infecções por SARS-CoV-2 os pacientes foram caracteristicamente mais jovens, com maior proporção de mulheres, com menor número de comorbidades e menor incidência de síndrome respiratória aguda na admissão. A maior proporção dos admitidos foi de pacientes não vacinados (66,4%).

Sugere-se que há um padrão clínico distinto entre os pacientes infectados nessa fase precoce da onda 4, quando comparado com aqueles assistidos em ondas anteriores. Estima-se que a variante ômicron corresponda a 81% das variantes isoladas em novembro de 2021 e 95% daquelas obtidas em dezembro do mesmo ano. Com base nesses achados, antes de concluir que a variante ômicron apresenta menor patogenicidade, deve-se considerar ressalvas quanto a existência atual de imunidade natural adquirida em ondas anteriores por grande parte dos expostos (> 50% da população) em nova infecção por SARS-CoV-2 e o status vacinal como favorável (44,3% da população estava vacinada na África do Sul.

Detalhes adicionais sobre esses resultados podem ser vistos nas referências abaixo.



Autor: Rafael Duarte
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 07/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/novas-caracteristicas-clinicas-na-sindrome-covid-19-nas-infeccoes-pela-variante-omicron/

Ômicron é mortal e não deve ser chamada de variante branda, diz OMS



CRÉDITO,AFP
Legenda da foto,

A OMS afirma que a ômicron está colocando hospitais em todo o mundo sob pressão

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a variante ômicron não deve ser descrita como branda, já que ela está matando pessoas em todo o mundo.

Estudos recentes sugerem que a ômicron tem menos probabilidade de deixar as pessoas gravemente doentes do que as variantes anteriores de covid. Mas o número recorde de pessoas infectadas vem deixando os sistemas de saúde sobrecarregados, disse o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Nesta semana, os EUA registraram mais de um milhão de casos de covid em 24 horas.

A OMS disse que o número de casos globais aumentou em 71% na última semana - e, nas Américas, subiu 100%. A entidade afirma que, entre os casos graves em todo o mundo, 90% são em pessoas que não foram vacinadas.

"Embora a ômicron pareça ser menos grave em comparação com a delta, especialmente entre os vacinados, isso não significa que ela deva ser classificada como branda", disse Tedros em entrevista coletiva na quinta-feira (6/1).

"Assim como as variantes anteriores, a ômicron está hospitalizando e matando pessoas. Na verdade, o tsunami de casos é tão grande e rápido que está sobrecarregando os sistemas de saúde em todo o mundo."

A ômicron é altamente contagiosa e pode infectar pessoas, mesmo as que estão totalmente vacinadas. No entanto, as vacinas são essenciais, pois ajudam a proteger contra casos graves que podem levar a hospitalização ou até morte.

O número de casos segue alto, sobretudo na Europa. Na quinta-feira (6/1), o Reino Unido relatou 179.756 novos casos e 231 mortes relacionadas à covid. Vários hospitais declararam ter chegado a pontos críticos devido à ausência de funcionários e pressões crescentes.

Na França, o ministro da Saúde, Olivier Veran, alertou esta semana que janeiro seria difícil para os hospitais. Ele acrescentou que os pacientes com ômicron ocupavam leitos "convencionais" em hospitais, enquanto a delta colocava pressão nos departamentos de UTI. A França relatou na quinta-feira 261 mil novos casos.



CRÉDITO,REUTERS
Legenda da foto,

A França viu um aumento recorde de casos da covid nas últimas semanas


O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, disse que o sistema de saúde do país está atualmente sob grande pressão. O país registrou mais de 9 mil casos na quinta-feira, segundo a imprensa local.


Em seus comentários mais recentes, o diretor da OMS repetiu seus apelos por uma melhor distribuição de vacinas para ajudar os países mais pobres a vacinarem suas populações.


Ele disse que, com base no quadro atual, 109 países não cumprirão a meta da OMS de que 70% do mundo esteja totalmente vacinado até julho.


No ano passado, o chefe da OMS havia dito que o mundo teria doses suficientes da vacina em 2022 para vacinar toda a população adulta global, se os países ocidentais não acumulassem vacinas para usar em seus programas de reforço.





Autor: BBC NEWS BRASIL
Fonte: BBC NEWS BRASIL
Sítio Online da Publicação: BBC NEWS BRASIL
Data: 08/01/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59906515