terça-feira, 18 de setembro de 2018

É mais saudável usar toalhas de papel ou jatos de ar para secar as mãos?


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Os secadores a jato de ar não são tão higiênicos quanto parecem, dizem cientistas

Uma boa higiene das mãos é crucial no controle da propagação de infecções. É por isso que há diversas recomendações sobre quando e como lavá-las.

É indicado, por exemplo, que façamos isso sempre que chegamos da rua, depois de usar o banheiro, antes de comer, cozinhar ou de nos aproximarmos de um bebê ou alguém doente.

Menos atenção é dada, no entanto, à importância de secá-las da maneira correta.

Após lavar bem as mãos com água e sabão, ninguém quer sujá-las novamente com uma toalha úmida e malcheirosa, que sabe-se lá há quanto tempo está pendurada.

É por isso que muitos banheiros públicos oferecem toalhas de papel descartáveis ou secadores automáticos a jatos de ar, conhecidos como "mais higiênicos e sustentáveis".



Mas, de acordo com pesquisas realizadas no Reino Unido, França e Itália, os secadores a jato de ar são basicamente "canhões de bactérias".
Os micróbios dos outros

Cientistas da Universidade de Leeds, no Reino Unido, do Hospital Saint-Antoine de Paris, na França, e da Universidade de Udine, na Itália, descobriram que esses dispositivos estão dispersando quantidades alarmantes de bactérias no ar e nas superfícies dos locais onde estão instalados.

Isso acontece porque as pessoas, em geral, não lavam as mãos adequadamente e, ao secá-las com os poderosos jatos de ar, espalham bactérias residuais.


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UNIVERSIDADE DE LEEDS
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Luz ultravioleta mostra, em um dos testes, como as bactérias se espalham com o jato de ar do secador

"Na verdade, o secador vira um aerossol que contamina o banheiro, incluindo o próprio secador e, potencialmente, a pia, o chão e outras superfícies, dependendo do design do dispositivo e de onde está localizado", explicou Mark Wilcox, professor de microbiologia da Universidade de Leeds.

Sendo assim, é muito provável que você esteja entrando em banheiros cheios de micróbios de outras pessoas.

A equipe do professor Wilcox e seus colegas já haviam realizado testes de laboratório para estudar o tema. Mas, agora, fizeram uma pesquisa no mundo real para entender particularmente como diferentes métodos de secagem podem afetar a propagação bacteriana em banheiros de hospitais.
Cem vezes mais bactérias

A pesquisa foi realizada em hospitais de Leeds, Paris e Udine, durante um período de 12 semanas.

Em cada unidade, foram selecionados dois banheiros para o uso de pacientes, funcionários do hospital e visitantes. Em cada um deles, foram instalados um secador e toalhas de papel.


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Nos banheiros com secadores a jatos de ar, havia três vezes mais Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM)

Foram coletadas amostras do ar e das superfícies todos os dias durante quatro semanas. Após um intervalo de duas semanas, houve uma alteração e os banheiros passaram a oferecer apenas uma das duas maneiras de secar as mãos.

As culturas recolhidas das amostras revelaram concentrações de bactérias no ar e nas superfícies muito mais altas nos banheiros onde havia apenas secadores a jato de ar.

A diferença mais acentuada foi identificada entre a superfície do secador e do dispenser de papel toalha. Em Udine, o secador tinha 100 vezes mais bactérias, em Paris 33 vezes mais e em Leeds, 22.

A particularmente virulenta estirpe bacteriana Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM) era três vezes mais predominante nos banheiros de hospitais no Reino Unido durante os períodos em que foram utilizados os secadores de ar.

Bactérias resistentes à penicilina e a outros antibióticos - e, portanto, difíceis de tratar - foram encontradas com mais frequência também.


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O problema é que muita gente não lava bem as mãos, e as bactérias residuais são espalhadas pelo jato de ar

Diante dos resultados, a equipe de Wilcox declarou em artigo publicado na revista especializada Journal of Hospital Infection que há pouca justificativa para o uso de secadores a jato de ar em banheiros públicos - ainda mais em ambientes hospitalares, dados os riscos.

Por outro lado, "as toalhas de papel absorvem a água e os micróbios que permanecem nas mãos e, se descartadas corretamente, têm menos potencial para contaminação", acrescentam.

"As diretrizes de controle de infecção existentes devem ser alteradas e fortalecidas nesse sentido", recomenda o texto.

No Reino Unido, os secadores são proibidos nas alas clínicas de unidades hospitalares, mas sob o argumento de que fazem muito barulho. Nas recepções, no entanto, são liberados. Nos Estados Unidos, não há qualquer restrição.







Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 17/09/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-45519941

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

18% de todos os resíduos produzidos no país ainda são depositados em lixões, sem nenhum tipo de cuidado

Lixões continuam a crescer no Brasil, mostra levantamento

A quantidade de resíduos enviadas para lixões teve um aumento pelo segundo ano consecutivo. Segundo o levantamento divulgado na sexta-feira (14) pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2017 foram enviados para depósitos de lixo, sem nenhum preparo, 12,9 milhões de toneladas de resíduos urbanos, um aumento de 4,2% em relação ao volume verificado em 2016.

A quantidade representa que 18% de todos os resíduos produzidos no país e estão sendo depositados sem nenhum tipo de cuidado. Cresceu também, ligeiramente, o número de municípios que encaminham o lixo para esses locais. Eram 1.559 em 2016 e em 2017 passaram para 1.610.

Para o presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho, o fenômeno é preocupante. Ele lembrou que esse tipo de destinação do lixo é proibida desde 1981 e foi transformada em crime ambiental em 1998. “A pior forma de destinação ainda sobrevive e recebe mais lixo de um ano para o outro”, alertou.



Os lixões ainda são uma realidade no país – Arquivo/Agência Brasil


Em junho, o prefeito de Murutinga do Sul, no interior paulista, Gilson Pimentel, chegou a ser preso por utilizar uma área interditada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) como depósito de resíduos da cidade. Após o episódio, o prefeito decretou emergência sanitária no município por falta de local para depositar o lixo.
Falta de dinheiro

De acordo com Silva Filho, o levantamento analisou as razões dos municípios para recorrerem aos lixões. “Falta de dinheiro no cofre municipal. A hora que o município deixou de ter esse recurso, para não cortar outros serviços que supostamente são mais perceptíveis para a população, cortou o custo com a destinação final”, explicou.

Proporcionalmente, os depósitos de lixo existem em maior quantidade nas regiões Norte, onde representa 56% dos locais de destinação, presente em 252 municípios, e Nordeste, onde 48% das cidades, um total de 861 enviam os resíduos para lixões. No Norte, 35,6% do volume de resíduos, 4,5 mil toneladas por dia vão para lixões. No Nordeste, o percentual é de 31,9%, que representa 14 mil toneladas por dia.

A destinação correta do lixo, segundo a legislação vigente, só atinge 59,1% dos resíduos urbanos no Brasil. Os aterros controlados, que apesar de terem algum cuidado na disposição, ainda são irregulares, recebem 22,9% dos resíduos.
Mais lixo

O estudo também constatou um aumento na quantidade de lixo produzida. Em 2017, foram geradas 214,8 mil toneladas de resíduos urbanos por dia, um crescimento de 1% sobre 2016 e um aumento de 0,48% no volume de lixo per capita.

Sobre a coleta seletiva, o levantamento indicou que cerca de um terço dos municípios brasileiros, 1,6 mil cidades, ainda não tem nenhum tipo de inciativa para separar os resíduos de forma a permitir o reaproveitamento.

Por Daniel Mello, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/09/2018




Autor: Daniel Mello
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 17/09/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/09/17/18-de-todos-os-residuos-produzidos-no-pais-ainda-sao-depositados-em-lixoes-sem-nenhum-tipo-de-cuidado/

Extinta na natureza, reintrodução da ararinha-azul deve começar no ano em 2019

A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), extinta na natureza desde 2000, deve voltar a voar nos céus brasileiros em breve.

A ave, natural da Caatinga nordestina, ainda é criada em cativeiro. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ainda existem cerca de 150 ararinhas mantidas por criadores no Brasil e no exterior.

O processo de reintrodução deve começar em março do ano que vem, quando deverão chegar ao Brasil 50 ararinhas que serão trazidas da Alemanha, por meio de uma parceria do governo federal com criadores europeus.

Para receber as ararinhas-azuis, a União criou em junho deste ano um refúgio de vida silvestre de cerca de 30 mil hectares em Curaçá (BA), que será envolvido por uma área de proteção ambiental de mais cerca de 90 mil hectares.

O processo de reintrodução da ave envolve a readaptação dos indivíduos à natureza, o que leva algum tempo. De acordo com Pedro Develey, diretor executivo da Save Brasil, que colaborou com o projeto de criação da unidade de conservação de Curaçá, as aves deverão ser soltas entre 2020 e 2023.



Ararinha-azul – ICMBio/Direitos reservados


“Tem todo um processo de treinamento, porque você tem que ensinar esses bichos. O ideal é que se soltem esses indivíduos jovens, que têm mais capacidade de aprendizado. Então tem que esperar já nascer uma outra geração. Sendo otimista, em 2020, já poderiam acontecer as primeiras solturas”, estima Develey.

De acordo com o pesquisador, a ararinha-azul desapareceu da natureza principalmente por causa da coleta para a venda como animal doméstico.
Aves extintas

Na semana passada, a organização internacional BirdLife anunciou a extinção de oito espécies de aves em todo o mundo, das quais cinco eram do Brasil, entre elas a ararinha-azul. Segundo Develey, a ararinha ainda pode ser recolocada na natureza, mas as outras quatro aves estão provavelmente perdidas para sempre, já que não foram encontrados mais indivíduos na natureza e não são criadas em cativeiro.

Duas delas, nativas da Mata Atlântica nordestina, foram consideradas extintas por causa da destruição de seu habitat: gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) e limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi).

O caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), uma espécie de coruja, foi classificada como possivelmente extinta, também devido à devastação da Mata Atlântica nordestina. “A Mata Atlântica do Nordeste é a mata atlântica mais deteriorada, a que mais sofreu perdas. Essa extinção nada mais é do que o resultado de anos de desmatamento”, disse Develey.

Outra espécie também possivelmente extinta, a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), que vivia no Sul do país, chegou a essa situação pelo mesmo motivo que sua parente ararinha-azul: o tráfico ilegal de animais silvestres.

Há ainda espécies que correm grande risco de serem extintas nos próximos anos, como a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), que acreditava-se estar extinta há sete décadas até ser redescoberta em 2015 (hoje existem 12 indivíduos vivendo numa reserva florestal) e o entufado-baiano (Merulaxis stresemanni), que também resiste com poucos indivíduos em uma reserva privada em Minas Gerais. “Recentemente, infelizmente, teve um incêndio nessa reserva e provavelmente alguns desses poucos indivíduos foram perdidos”, afirma Develey.

Já o tietê-de-coroa (Caliptura cristata), que vive na região serrana do Rio de Janeiro, já não é avistado há mais de 20 anos. “Tem sido feitas várias buscas [por mais indivíduos] e ninguém tem achado. Provavelmente esse bicho está lá e ninguém está vendo. Mas, se for achado, deve ter poucos indivíduos”, disse.

Por Vitor Abdala, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/09/2018




Autor: Vitor Abdala,
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 17/09/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/09/17/extinta-na-natureza-reintroducao-da-ararinha-azul-deve-comecar-no-ano-em-2019/

Aquíferos – Cenário atual e perspectivas futuras no mundo, por Marco Antonio Ferreira Gomes e Lauro Charlet Pereira

O futuro dos aquíferos no mundo estará seriamente comprometido, com perspectivas de escassez cada vez maiores de água, inclusive para consumo humano

Os aquíferos constituem as únicas reservas estratégicas de água subterrânea para as gerações vindouras, motivo pelo qual a proteção dos mesmos é de fundamental importância para a sobrevivência da humanidade.

O maior desafio é manter as reservas protegidas dentro de um ambiente sustentável, exigência essa que está na contramão dos acontecimentos atuais e no comportamento do homem de forma agressiva ao meio ambiente em diversos locais do Planeta. Some-se a isso, as condições climáticas severas, que interferem negativamente na recarga dos aquíferos.

Estudos realizados pela NASA no período entre 2003 e 2013, de caráter inédito, identificou um cenário preocupante para os principais aquíferos do mundo. Cerca de 21 dos 37 aquíferos mais importantes, em função da sua reserva de água, apresentaram perdas de volume, ou seja, a retirada de água foi maior do que a entrada (recarga). Em 13 deles (dos 21 mais críticos), por exemplo, os níveis de exploração os levaram à condição de grande estresse ou de nível crítico. Este cenário tem se tornado comum em todo o planeta por dois motivos básicos: crescimento populacional em escala expressiva e redução ou desequilíbrio dos regimes de chuva em muitas regiões, não recarregando assim, de forma minimamente satisfatória, os reservatórios subterrâneos.

Os aquíferos mais afetados são aqueles situados em regiões densamente povoadas e pobres como, por exemplo, o noroeste da Índia e o Paquistão (Bacia Aquífera Indu), o norte da África (Bacia Murzuk-Djado), principalmente Líbia e Niger, e o Sistema Aquífero Árabe, que atende 60 milhões de pessoas, considerado o mais crítico de todos. Este aquífero, além de sofrer uma redução drástica no volume de água no período de 2003 a 2013, não apresenta sinais de que está sendo recarregado, até porque o regime de chuvas anual é insignificante. Também em situação crítica está o aquífero da Bacia do Rio Jordão, que é objeto de conflito entre Israel, Palestina, Síria e Jordânia.

Em países desenvolvidos também existem problemas com os aquíferos e os Estados Unidos é um deles. Atualmente, o reservatório mais problemático é o Aquífero do Vale Central da Califórnia, com grande pressão de uso, principalmente agrícola, visando suprir a escassez de chuva. Outro aquífero americano com problemas à vista é o Ogallala, um dos maiores e mais importantes mananciais da América. Ele cobre cerca de 450 mil quilômetros quadrados de extensão, atravessando vários estados americanos, como Dakota do Sul, Nebraska, Wyoming, Colorado, Kansas, Oklahoma, Texas e Novo México.

O aquífero Ogallala, que homenageia uma das sete divisões da grande nação Sioux, já perdeu o equivalente a 18 vezes o volume do rio Colorado, desde que começou a ser explorado para irrigação agrícola. Um quinto das terras irrigadas nos Estados Unidos mantêm-se com as águas do Ogallala que se espalham sob oito estados.

Está localizado sob as Grandes Planícies americanas. Nesses estados, já existe um controle de uso da água subterrânea desde 2012, principalmente para irrigação, cuja demanda é de cerca de um terço de todo o consumo anual de água dos Estados Unidos.

Em situação intermediária de pressão por consumo está o Aquífero Núbia, localizado no norte da África, abrangendo parte do Egito, Líbia, Chade e Sudão. Entre os aquíferos europeus estão, principalmente o Praded na República Tcheca e Polônia, o Digitalwaterway Vechte na Alemanha e Holanda e o Leste Prússia que abrange parte da Rússia, Polônia e Lituânia.
Também na condição intermediária de pressão por consumo está o aquífero North China Plain na China, além do Aquífero Guarani no Brasil.

Em situação mais confortável, atualmente, estão os aquíferos Alter do Chão no Brasil, Kalahari/Karoo na Namíbia/Botsuana/África do Sul e os aquíferos Grande Bacia Artesiana e Bacia Murray-Darling, ambos na Austrália. Isso ocorre porque a densidade populacional ainda não é expressiva sobre tais regiões, aliada ao regime de chuvas que permite, de forma satisfatória, a recarga anual.

Diante do exposto, e no ritmo atual, o futuro dos aquíferos no mundo estará seriamente comprometido, com perspectivas de escassez cada vez maiores de água, inclusive para consumo humano. Para se ter uma dimensão do impacto negativo causado nos aquíferos devido à exploração sem controle, ou inadequada, basta imaginar que 1 século atrás todos eles estavam praticamente intactos, ou seja, inexplorados ou sub-explorados. Diante do cenário atual, se projetarmos então 1 século para o futuro, o que iremos ter de reserva subterrânea?

Consultas:

http://www.mma.gov.br/estruturas/167/_publicacao/167_publicacao28012009044356.pdf

https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2015/06/17/dados-da-nasa-mostram-nivel-critico-nas-aguas-subterraneas-da-terra.htm?cmpid=copiaecola
https://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/dados-da-nasa-revelam-que-mundo-esta-ficando-sem-suas-principais-fontes-de-agua-16467230#ixzz5OvyOPU1t

Marco Antonio Ferreira Gomes* & Lauro Charlet Pereira*
*Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/09/2018




Autor: Marco Antonio Ferreira Gomes & Lauro Charlet Pereira
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 17/09/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/09/17/aquiferos-cenario-atual-e-perspectivas-futuras-no-mundo-por-marco-antonio-ferreira-gomes-e-lauro-charlet-pereira/

Furacão Florence e Tufão Mangkhut: a vulnerabilidade imposta pelo aquecimento global, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“É triste pensar que a natureza fala e que a humanidade não a ouve”
Victor Hugo





A ciência mostra que as tempestades são mais fortes em decorrência do aquecimento global

Os furacões (que acontecem no Atlântico Norte e no Pacífico entre o Havaí e a costa oeste dos EUA), os Tufões (que acontecem no Pacífico entre o Havaí e o leste asiático) e os Ciclones que acontecem no hemisfério sul e no oceano índico) são fenômenos provocados pelo aquecimento da superfície do mar, que faz evaporar a água em ritmo mais acelerado, formando nuvens de chuva. Isto faz cair a pressão atmosférica e favorece a subida do ar, retroalimentando a evaporação. Este fenômeno intensifica as correntes de vento oceânicas que passam a se movimentar em espiral, podendo atingir velocidades muito altas.

Pela escala Saffir-Simpson, o ciclone extratropical tem ventos até 117 km/h. Na categoria 1: os ventos vão de 118 a 152 km/h; na categoria 2: de 153 a 176 km/h; categoria 3: de 177 a 207 km/h; categoria 4: de 208 a 250 km/h e categoria 5: acima de 251 km/h.

Nos últimos anos os Furacões, Tufões e Ciclones têm aumentado de frequência e de intensidade e, obviamente, não dá para ignorar o efeito do aquecimento global, que é intensificado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa, gerados pelo crescimento exponencial das atividades antrópicas, especialmente a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a expansão da pecuária.

Por conta da maior concentração de CO2 e outros gases de efeito estufa (como o metano) na atmosfera, a temperatura do Planeta já subiu cerca de 1°C., em relação às temperaturas pré-industriais. Os desastres naturais aumentam em decorrência dos efeitos da mudança climática. Cientistas da Universidade de Stony Brook consideram que o aumento da temperatura da superfície dos oceanos, eleva a umidade do ar e o calor adicional funciona com catalisador e potencializador dos Furacões, Tufões e Ciclones. No caso do Florence, eles consideram que as chuvas do furacão são 50% mais altas do que seriam sem o aquecimento global e que o tamanho projetado do furacão é cerca de 80 quilômetros maior.

O gráfico abaixo mostra que as perdas econômicas estão aumentando nos Estados Unidos. No século passado, o Furacão Andrew gerou um prejuízo de US$ 49,1 bilhões, em 1992. Isto foi largamente superado pelos prejuízos do Furacão Katrina, em 2005, que gerou custos de US$ 165 bilhões. Mas o ano de 2017 foi recordista com o prejuízo somado dos Furacões Harvey, Irma e Maria totalizando cerca de US$ 250 bilhões.






Ainda é cedo para calcular os prejuízos do Furacão Florence que atingiu a categoria 5 (ventos acima de 251 km/h), mas desacelerou e atingiu a costa da Carolina do Norte como categoria 1 e logo se transformou em tempestade tropical. Mesmo perdendo força e deixando de ser um desastre de grandes proporções como o Katrina, o Furacão Florence ocasionou a ordem de retirada de mais de 1,7 milhão de moradores da costa leste dos EUA, parou a economia, cancelou milhares de voos, gerou blecautes e destruição de patrimônio, provocou a morte de pelo menos 15 pessoas (contagem preliminar) e inundou e paralisou extensas áreas. Mas como disse Kevin Arata, porta-voz da cidade de Fayetteville, na CNN, no domingo: “O pior ainda está por vir”.

Concomitante ao Furacão Florence que se formou e se expandiu no Atlântico Norte, o Tufão Mangkhut (que se formou no Pacífico mais ou menos no mesmo período, na segunda semana de setembro de 2018) atingiu o leste asiático também deixou um rastro de destruição em termos econômicos e humanos, embora em proporção menor do que o estimado anteriormente. O tufão Mangkhu, que também tinha chegado à categoria 5, desacelerou e atingiu o norte das Filipinas (uma região com baixa densidade demográfica) com ventos de 170 km/h e rajadas de até 260 km/h.

Em sua passagem pelo arquipélago, o Mangkhut deixou 54 mortos e 42 pessoas desaparecidas nas Filipinas (contagem preliminar), incluindo um bebê e uma criança. A maioria das mortes foi causada por deslizamentos de terra e destruição de casas pela força dos ventos. Em sua trajetória filipina o tufão deslocou 50 mil pessoas, que tiveram que deixar suas casas e afetou mais de 5,2 milhões de indivíduos que vivem em um raio de 125 km da trajetória do Mangkhut.

Em Hong Kong, o Tufão chegou com ventos de 173 km/h e rajadas de até 223 km/h, paralisando totalmente uma das cidades mais dinâmicas do mundo. Embora tenha havido muita inundação, telhados arrancados, muitas árvores caídas e guindastes derrubados, não houve nenhuma vítima fatal em uma cidade muito bem preparada para enfrentar os desafios da instabilidade climática. Mas os prejuízos econômicos foram enormes e ainda estão sendo contabilizados.

Na China, os danos provocados pelo Tufão Mangkhut foram de grande extensão. A cidade de Macau, famosa pelos seus casinos, parou totalmente e foi tão ou mais afetada do que Hong Kong. A tempestade adentrou pelo continente e assolou a populosa região de Guangdong, onde mais de 2,4 milhões de pessoas foram evacuadas. A tempestade atingiu a cidade de Haiyan por volta das 17h de domingo (segunda-feira na China) e, pelo menos, duas pessoas morreram. As escolas fecharam, as viagens dos trens de alta velocidade foram suspensas, centenas de voos foram cancelados, os barcos de pesca retornaram e as inundações se espalharam, segundo a agência de notícias estatal, Xinhua. Os estragos continuam pelo interior do sul da China.

O fato é que um mundo mais quente traz furacões/tufões/ciclones mais destruidores, pois a combinação de maior temperatura das águas oceânicas e maior umidade do ar funciona como um catalisador destes redemoinhos. A ciência mostra que as tempestades são mais fortes em decorrência do aquecimento global. As leis da termodinâmica não deixam dúvida de que as mudanças climáticas estão aumento a frequência e o poder de destruição dos eventos extremos que trazem chuva, agitam o oceano e provocam inundações.

O escritor Jeff Nesbit tem chamado a atenção para o desafio climático e como o aquecimento global tem impactando as comunidades em todo o mundo: secas mais longas no Oriente Médio, desertificação crescente na China e na África (duas regiões com alta densidade demográfica), temporada de monções encolhendo na Índia e ficando mais instáveis, ondas de calor amplificadas na Austrália, no Irã, Paquistão, etc., furacões/tufões/ciclones mais intensos atingindo a América e a Ásia, guerras por água no Chifre da África, rebeliões, refugiados e crianças famintas em todo o mundo. Nesbit escreveu o livro “This is the way the world ends: how droughts and die-offs, heat waves and hurricanes are converging on America”, onde mostra que a mudança climática não é uma ameaça distante, pois já está impactando comunidades em todo o mundo.







Ele chama a atenção para a possibilidade de surgimento de furacões com categoria 6, com ventos que excedam 200 milhas por hora (mais de 300 km/h). Esta possibilidade é cada vez mais real devido ao aquecimento dos oceanos e ao maior vapor de água circulando pela atmosfera. As super-tempestades podem ter um poder devastador e, junto ao aumento do nível do mar, podem fazer naufragar amplas áreas costeiras, com prejuízos incalculáveis para a agricultura e as cidades.

O que é preciso reconhecer é que esses eventos climáticos extremos estão relacionados ao fato de que, desde 2015, o Planeta já está em torno de 1º C acima da média pré-industrial.

A terra está se tornando um local perigoso. Portanto, a recente onda de eventos catastróficos não é mera anomalia. O sistema climático está cada vez mais desequilibrado, em função do modelo “Extrai-Produz-Descarta”. Os últimos quatro anos (2014-2017) foram os mais quentes já registrados no Holoceno e tudo indica que o mundo assistirá temperaturas mais extremas nos próximos quatro anos.

Infelizmente, em vez de confrontar essa ameaça à espécie humana e às demais espécies vivas da Terra, a humanidade, egoisticamente, reforça o mito do crescimento econômico acreditando no mantra que diz que a qualidade de vida depende do aumento das atividades antrópicas.

Contudo, a economia não pode ser maior do que a ecologia e nem a humanidade pode superar a capacidade de carga da Terra. Ou a civilização muda o rumo que está levando ao aumento da probabilidade de um colapso ambiental ou haverá de lidar com um colapso civilizacional. Esta possibilidade foi abordada em novo estudo científico que indicou que a Terra pode entrar em uma situação com clima tão quente, que pode elevar as temperaturas médias globais a até cinco graus Celsius acima das temperaturas pré-industriais.

O estudo mostra que o aquecimento global causado pelas atividades antrópicas de 2º Celsius pode desencadear outros processos de retroalimentação, podendo desencadear a liberação incontrolável na atmosfera do carbono e do metano armazenado no permafrost, nas calotas polares, etc. Isto provocaria o fenômeno “Terra Estufa”, o que levaria à temperatura ao recorde dos últimos 1,2 milhão de anos.

Ou seja, o cenário da “Terra Estufa”, aumenta a possibilidade de furacões/tufões/ciclones de categoria 6, o que traria grande sofrimento e grande prejuízo para a humanidade e afetaria todos os seres vivos do Planeta. Seria algo parecido com o apocalipse, só que provocado pela crescente interferência humana e pela dimensão da economia que, no conjunto, se transformaram em forças globais de rompimento do equilíbrio homeostático da Terra.

O Furacão Florence e o Tufão Mangkhut são apenas sinais de uma catástrofe de maiores dimensões que está ocorrendo “à prestação”, mas que são um aviso do muito que está por vir.



José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/09/2018]






Autor: José Eustáquio Diniz Alves
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 17/09/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/09/17/furacao-florence-e-tufao-mangkhut-a-vulnerabilidade-imposta-pelo-aquecimento-global-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Bitucas de cigarro, tampas de garrafa, canudinhos: os 10 itens mais encontrados nas praias do Brasil pela ONU



ONU Meio Ambiente recolheu 49.994 bitucas de cigarro no litoral do Brasil — Foto: sulox32/Pixabay


Foram mais de 23,7 toneladas de resíduos recolhidos por 2,8 mil voluntários mobilizados pela Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente no Brasil. Foram 124 km percorridos em praias de 10 estados brasileiros.


O projeto é uma mobilização da organização internacional no país. A campanha se chama #MaresLimpos e cria ações de limpeza no litoral do Brasil. Veja os resíduos recolhidos em maior quantidade na primeira parte da operação, em 2017:


49.994 bitucas de cigarro
9.938 garrafas pet
9.938 canudos
7.041 garrafas plásticas
6.782 sacolas plásticas
5.590 embalagens plásticas
4.840 copos e pratos plásticos
2.409 garrafas de vidro
2.100 pedaços de isopor
1.313 talheres plásticos


O material foi recolhido por grupos de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

O resultado mostra que os produtos encontrados são majoritariamente de plástico. A ONU Meio Ambiente lembra que entre 60% e 90% do lixo encontrado nos mares é composto por diferentes tipos de plásticos, em diferentes tamanhos e estágios de degradação. Algumas estimativas apontam que em 2050 teremos mais plásticos do que peixes e que 99% das aves marinhas terão ingerido o material.

Sobre o produto mais encontrado, as bitucas de cigarro, além de poluir o oceano, é o principal causador do câncer que mais mata no mundo: o de pulmão. Um relatório da Organização Mundial da Saúde mostra que, apenas neste ano, morrerão 9,6 milhões de pessoas devido à doença.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data: 14/09/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2018/09/14/bitucas-de-cigarro-tampas-de-garrafa-canudinhos-os-10-itens-mais-encontrados-nas-praias-do-brasil-pela-onu.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar

Setembro Amarelo: vamos falar sobre suicídio




Várias campanhas ligadas as patologias são identificadas por cores, como o Outubro Rosa, que fala sobre o câncer de mama e o Novembro Azul, que aborda o câncer de próstata. Setembro vem com a cor amarela e se coloca como uma oportunidade de intensificar o debate sobre o suicídio.

O objetivo da campanha Setembro Amarelo é alertar a população sobre o problema e mostrar que vários casos poderiam ser evitados.

O suicídio pode ser definido como um ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a morte de forma consciente e intencional. Esta autodestruição é um fenômeno presente ao longo de toda a história, em todas as culturas. É considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública.

Como identificar

Ainda não há como prever. Mas, há como identificar. São dois os fatores principais de risco:

Tentativa prévia - Pacientes que tentaram suicídio tem de cinco a seis vezes mais chances de tentar novamente e, 50% dos pacientes que se suicidaram já haviam tentado antes;
Transtorno mental - A maioria dos suicidas possuíam transtornos mentais não tratados ou maltratados, os principais são: depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e abuso/dependência de outras drogas, transtornos de personalidade e esquizofrenia. Pacientes com múltiplas comorbidades psiquiátricas tem risco aumentado.

Desmistifique o mito

Existem vários mitos sobre o comportamento suicida que precisam ser derrubados. Exemplos:

• Quem diz que vai se matar não se mata;
• Após uma tentativa de suicídio ou melhora de um quadro depressivo o risco diminui;
• O suicídio é sempre impulsivo;
• Os suicidas querem mesmo morrer e estão decididos, nada muda isso;
• Falar sobre suicídio incita-o.

Não é bem assim. Ao suspeitar que uma pessoa possa estar com pensamentos suicidas, demonstre compreensão e amor. Procure saber o que está acontecendo e quais sentimentos estão relacionados. Não tenha medo de perguntar se ela está pensando em suicídio. Isso é fundamental. Depois, procure a ajude de um profissional qualificado (psicólogo ou psiquiatra). É importante mostrar para a pessoa que há outras saídas que não seja o suicídio.

Uma boa opção de ajuda é ligar para o número 188, onde pode-se conversar com um voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV). O atendimento é 24h. A cartilha Falando Abertamente sobre Suicídio elaborada pelo CVV traz informações interessantes sobre o assunto e vale a pena ser conferida.




Autor: Maritiza Neves
Fonte: Farmanguinhos/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 13/09/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/setembro-amarelo-vamos-falar-sobre-suicidio