segunda-feira, 23 de setembro de 2019

TOP 5: probióticos, bacteriúria assintomática, caxumba e mais!


No TOP 5 de hoje, o editor-chefe médico do Portal, Ronaldo Gismondi, fala sobre os artigos mais acessados da semana: o que o médico precisa saber sobre probióticos, tratamento para bacteriúria assintomática, diagnóstico e tratamento da caxumba, nova resolução do CFM sobre recusa terapêutica e o que há de novo na taquicardia supraventricular. Confira no player abaixo:
Leia na íntegra os artigos mencionados no episódio de hoje:
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Autor: PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 23/09/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/top-5-probioticos-bacteriuria-assintomatica-caxumba-e-mais/

Dia Mundial do Alzheimer alertou para impacto da doença

O dia 21 setembro reforçou a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado com o paciente da Doença de Alzheimer

Por Cecília Arra

O dia 21 de setembro marcou o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, que visa aumentar a conscientização sobre a demência e diminuir o estigma associado a essa condição. Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que provoca a diminuição das funções cognitivas e se agrava ao longo do tempo – a progressão da doença acarreta problemas como esquecimento de fatos mais antigos, desorientação no espaço e irritabilidade.

No mundo, estima-se que 50 milhões de pessoas sofram de demência. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a DA é responsável por 60% a 70% dos casos de demência1, representando perda de qualidade de vida para os pacientes e familiares. No Brasil, a expectativa é de que o cenário se torne ainda mais dramático, uma vez que, em 2060, o percentual da população com 65 anos ou mais ultrapassará os 58 milhões, segundo relatório do IBGE2. O número de pacientes diagnosticados com Alzheimer deve crescer em proporção semelhante.

O preconceito pode ser um obstáculo considerável no trato com os problemas relacionados à doença de Alzheimer e outras demências, incluindo os baixos índices de diagnóstico além da disponibilidade e utilização de serviços de saúde. “A ampliação do acesso aos tratamentos via Sistema Público de Saúde contribui para minimizar a progressão da doença, melhorando a qualidade de vida dos pacientes, familiares e cuidadores”, comenta o presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), o neurologista Rodrigo Rizek Schultz.


Entre as terapias medicamentosas para tratamento da Doença de Alzheimer disponíveis o SUS, estão: cápsulas, comprimidos e cápsulas de liberação prolongada. Há um ano, o Ministério da Saúde também disponibiliza o medicamento Rivastigmina em formato de adesivo transdérmico. Ele age inibindo uma enzima responsável por degradar a acetilcolina, um neurotransmissor essencial nos processos cognitivos, principalmente a memória3.

De acordo com a Constituição Federal, o Sistema Público de Saúde deve fornecer o acesso gratuito ao tratamento completo para a doença, envolvendo a medicação indicada. Para isso, o paciente deverá procurar seu médico para orientá-lo no processo de obtenção do medicamento. O Protocolo Clínico de Diretriz de Tratamento (PCDT) do Ministério da Saúde prevê que geriatras, neurologistas, psiquiatras ou qualquer médico especialista no tratamento de demências podem prescrever medicações para o tratamento de Alzheimer.

5 cuidados para o paciente com Alzheimer

Para ajudar a lidar com os desafios do paciente, o neurologista e presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, Rodrigo Schultz, relaciona cuidados essenciais aos quais familiares e cuidadores precisam estar atentos.

1. Estímulo para o cérebro. Exercícios como montar um quebra-cabeça estimulam as funções cerebrais e auxiliam a treinar a linguagem, a memória e a fazer pequenas tarefas.

2. Incentivar a atividade física. Programas individualizados de atividade física são benéficos para a função motora de pessoas com DA leve a moderada. Além de prevenir dores e quedas, melhora a disposição e o humor.

3. Medicação, tratamento adequado e orientação. Como dito anteriormente, a doença de Alzheimer não tem cura. Porém, se diagnosticada no início, o tratamento adequado retarda o avanço e ameniza os sintomas.

4. Segurança. As confusões mentais e lapsos de memória decorrentes do Alzheimer podem colocar a segurança do paciente em risco. Minimize os contratempos com medidas simples: informe vizinhos e amigos do estado do paciente para que, se necessário, eles o ajudem.

5. Alimentação. A nutrição adequada a cada paciente deve ser orientada por um especialista. Os idosos podem necessitar de uma maior oferta de proteínas: carnes brancas, como peixe e aves; carnes vermelhas magras; leite desnatado; carboidratos e reguladores, fontes de vitaminas e minerais (vegetais, frutas e legumes).4,5

Referências:

1. Demência: número de pessoas afetadas triplicará nos próximos 30 anos; disponível em:https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5560:demencia-numero-de-pessoas-afetadas-triplicara-nos-proximos-30-anos&Itemid=839 (acessado em junho de 2019)

2. Projeção da População 2018; disponível em https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/21837-projecao-da-populacao-2018-numero-de-habitantes-do-pais-deve-parar-de-crescer-em-2047 (acessado em junho de 2019)

3. Bula do medicamento; disponível em http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmVisualizarBula.asp?pNuTransacao=23574372016&pIdAnexo=3933177 (acessado em junho de 2019)
4. World Health Organization. 2004 Global strategy on diet, physical activity and health. WHO Library Cataloguing-in-Publication Data.

5. Nettina SM. Manual of Nursing Practice 8ª edição, cap 9, pp 166-184.Lippincott Williams & Wilkins USA, 2006.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/09/2019


Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 23/09/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/09/23/dia-mundial-do-alzheimer-alertou-para-impacto-da-doenca/

As 7 etapas para a instalação de um sistema de energia solar



Por: Ruy Fontes – Agência #movidos

Economizar até 95% no valor da conta de luz, valorizar o imóvel e ainda ficar livre dos aumentos na energia por mais de 25 anos.

São muitas as vantagens em se gerar a própria energia solar e que puxam o número de sistemas fotovoltaicos a cada ano mais no Brasil.

Foram 51.262 conexões até agosto deste ano e um total de mais de 110 mil sistemas desde 2012, ano em que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) criou as regras que permitiram a geração pelos próprios consumidores.

Com o contínuo aumento no preço da energia da rede e, por outro lado, os incentivos disponíveis para a energia solar, estima-se que o número de sistemas chegue a 886.700 até 2024.

A aquisição da tecnologia é muito simples e feita através de empresas de energia solar.

Confira os 7 passos para ter um sistema de energia solar residencial ou comercial:

#1 Simulação

O primeiro passo é utilizar um simulador de energia solar para calcular gratuitamente o tamanho e valor do sistema a ser instalado no imóvel.

Basta informar o CEP para localização e o valor mensal gasto com energia para que a ferramenta calcule rapidamente o projeto solar.

#2 Orçamento

Depois de conhecer o valor do sistema, é hora de solicitar o orçamento final junto a empresa de energia solar, o que também é sem custo.

Realizado pela equipe técnica, o orçamento apresenta o valor final do projeto e as marcas e modelos dos equipamentos que serão instalados.

#3 Fechamento

Após receber o orçamento e negociar as formas de pagamento ou financiamento, é hora de realizar o fechamento do negócio.

Essa etapa envolve a entrega da documentação necessária e a assinatura do contrato de prestação de serviços.

#4 Visita Técnica

A próxima etapa é a visita técnica no imóvel feita pela equipe da empresa, na qual são coletadas as informações que serão usadas para a realização do projeto.

A direção e inclinação do telhado, local para a instalação do inversor e condições da fiação elétrica são alguns dos itens averiguados nessa hora.

#5 Projeto

Com a posse dessas informações, a empresa irá realizar o projeto executivo do sistema fotovoltaico que deverá ser entregue à distribuidora que atende o imóvel.

Nessa hora são utilizados softwares específicos para a análise de sombreamentos e outras condições que possam afetar a geração do painel solar.

#6 Instalação

Com o projeto pronto e todos os equipamentos já enviados, a equipe de instaladores irá até o local para realizar a instalação do sistema.

Essa etapa é a mais rápida de todo processo (até 2 dias para uma casa pequena) e envolve toda a instalação mecânica e elétrica do sistema.

#7 Conexão

Por fim, a última parte é feita pela equipe da distribuidora, que irá até o imóvel para averiguar se a instalação está de acordo ao projeto apresentado.

Com tudo em ordem, eles irão realizar a troca do relógio medidor pelo modelo bidirecional e a conexão do sistema junto à rede elétrica.

Feito isso, o sistema já está pronto para gerar energia e créditos ao seu proprietário.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/09/2019
As 7 etapas para a instalação de um sistema de energia solar, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/09/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/09/23/as-7-etapas-para-a-instalacao-de-um-sistema-de-energia-solar/.


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Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 23/09/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/09/23/as-7-etapas-para-a-instalacao-de-um-sistema-de-energia-solar/

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Geração de novas células ganglionares da retina pode tratar o glaucoma


Retinas dos grupos controle e KLF4 39 h, 4 dias (4D) e 10 dias (10D) após eletroporação in vitro, imunomarcadas para GFP (verde) e KLF4 (magenta); marcação nuclear (DAPI) em azul (Imagem: UFRJ)


O glaucoma é uma doença causada, frequentemente, pela elevação da pressão intraocular que provoca lesões no nervo óptico e, como consequência, comprometimento visual que se inicia na visão periférica. Quando não diagnosticado e tratado adequadamente, pode levar à cegueira. Segundo projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020 o glaucoma afetará 80 milhões de pessoas no mundo, dos quais dois milhões no Brasil.

A fim de investigar terapias regenerativas para doenças da retina, um grupo de pesquisadores na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liderado pela neurocientista Mariana Silveira, descobriu que é possível reprogramar células endógenas da retina. O fator de transcrição Klf4, que se tornou notório por seu papel na reprogramação de células somáticas em direção à pluripotência, é suficiente para alterar a potência de células progenitoras retinianas para gerar células ganglionares da retina. O biólogo Mauricio Rocha-Martins é o primeiro autor do artigo, que recebeu destaque quando publicado na revista científica Development em 9 de julho passado (https://dev.biologists.org/content/early/2019/08/08/dev.176586). A equipe também contou com a colaboração da pesquisadora Caren Norden, do Instituto Max Planck de Biologia Celular e Genética Molecular, em Dresden (Alemanha), dos professores Rafael Linden e Rodrigo Martins, ambos também da UFRJ, e de mais seis estudantes. Linden recebe apoio da FAPERJ para suas pesquisas por meio do programa Cientista do Nosso Estado. Martins também já contou com recursos da Fundação, tendo sido selecionado no programa Jovem Cientista do Nosso Estado.

Mariana Silveira explica que as células ganglionares da retina com suas projeções formam o nervo óptico, vital para que as mensagens da retina cheguem ao cérebro. A degeneração destas células e do nervo são características do glaucoma, que pode, em estágio avançado, causar cegueira irreversível. Segundo a pesquisadora, acredita-se que em países em desenvolvimento, nos quais grande parte da população não tem acesso a revisões periódicas no oftalmologista, muitas vezes o glaucoma só é diagnosticado quando já está em estágio avançado e a visão comprometida. Outra dificuldade, segundo ela, é que no glaucoma a perda de visão é progressiva, dificultando a rápida identificação do distúrbio pelo doente. O tratamento à base de colírios quando a doença ainda é inicial evita a sua evolução, mas é vitalício, o que dificulta a adesão do paciente. Diante de todas essas dificuldades, a pesquisadora acredita que a descoberta pode abrir caminho a estratégias terapêuticas, não voltadas para proteger esses neurônios de projeção, mas para promover a regeneração das células e seus axônios.

A pesquisa, que contou com apoio da FAPERJ por meio dos programas Auxílio Básico à Pesquisa (APQ 1), Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos para o Estado do Rio de Janeiro, e Apoio a Projetos Temáticos no Estado do Rio de Janeiro, demonstrou em camundongos e peixes-zebra que o fator Klf4 não é essencial para geração ou diferenciação de células ganglionares da retina durante a retinogênese. No entanto, quando Klf4 é superexpresso, as células ganglionares são geradas, migram para a camada adequada da retina e projetam os axônios alinhados com os fascículos endógenos que atingem a cabeça do nervo óptico. “Notavelmente, as células ganglionares induzidas (iRGCs) sobrevivem por pelo menos 30 dias após a geração in vivo. Por isso, identificamos Klf4 como um candidato promissor para reprogramação de células da retina e regeneração de células ganglionares”, esclarece Mariana.


Maurício e Mariana: colaboração e publicação de artigo que aponta para novas terapias regenerativas (Foto: UFRJ)


A equipe acredita que há um longo caminho em direção à terapia real, mas os resultados indicam que o programa para gerar células ganglionares pode ser reativado, o que pode abrir novas direções para terapias regenerativas. O próximo passo da pesquisa será a aplicação de modelos experimentais que mimetizem a doença para que seja tentada a reposição das células ganglionares na retina adulta. Os pesquisadores vão se concentrar tanto na melhoria do protocolo, a fim de garantir que as células ganglionares induzidas adquiram propriedades maduras, quanto direcionar essa estratégia para as células gliais da retina, cuja capacidade de regenerar células ganglionares foi perdida em mamíferos através da evolução, mas é observada em peixes.

A pesquisadora conta que ela e o pesquisador Maurício Rocha-Martins ficaram muito animados quando viram o primeiro resultado da superexpressão de Klf4 nos progenitores retinianos tardios – que têm um potencial neurogênico restrito –, que mostrava a reaquisição da potência para gerar células ganglionares da retina. Ocorreu que em vez de se posicionar na camada de fotorreceptores, onde a maioria dessas células deveria estar em condições normais, esse fator de transcrição levou a progênie das células progenitoras a se moverem para a região das células ganglionares da retina e projetar axônios em direção ao nervo óptico, explica ela.

Mariana iniciou sua carreira como técnica em Biotecnologia, antes da graduação na UFRJ. Embora sua graduação tenha sido em Microbiologia e Imunologia, a neurociência despertou seu interesse durante o doutorado no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF/UFRJ). Ali, passou a investigar a neuroquímica e neurobiologia molecular da retina e iniciou seus estudos sobre a o papel de neuropeptídeos na retina em desenvolvimento e madura. Em seu pós-doutorado na Universidade de Vermont (EUA), ela foi atraída pela família Klf de fatores de transcrição antes mesmo de Klf4 se tornar famoso como um dos fatores Yamanaka. Esta nomenclatura homenageia o professor Shinya Yamanaka, que descobriu a capacidade da célula adulta recuperar sua capacidade pluripotente embrionária, através da expressão de quatro fatores de transcrição, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Fisiologia do ano de 2012. A descoberta abriu de vez o caminho para pesquisas com células-tronco.

Com mestrado e doutorado em Ciências Biológicas-Biofísica, o biólogo Mauricio Rocha-Martins estava certo de seguir carreira de entomologista, mas com o tempo seu interesse pela biologia do desenvolvimento foi aumentando, em particular em como as diferentes etapas da formação de embriões e órgãos são coordenadas no tempo. “A ideia de um relógio interno que determina quando diferentes tipos de células são gerados realmente me fascinou”, revela o pesquisador. Mas foi no Instituto de Biofísica da UFRJ, quando conheceu Mariana, que descobriu um ótimo sistema para estudar o controle temporal do desenvolvimento: a retina de vertebrados. “Os neurônios da retina se encaixam em seis categorias distintas e são gerados em uma ordem padronizada. A ordem e as janelas predefinidas da especificação de cada tipo de célula fazem da retina um excelente sistema para estudar os mecanismos subjacentes à progressão temporal”, diz Rocha-Martins.

Há cinco meses em missão científica em Portugal, Mariana Silveira confessa estar preocupada com as dificuldades por que passa o Brasil e com a falta de investimento em ciência e tecnologia. Da equipe de dez pessoas envolvidas neste trabalho, dos quais três pesquisadores e seis alunos, apenas uma aluna – a mais jovem – continua no País. “Está sendo muito difícil darmos continuidade às pesquisas no Brasil”, desabafa. Em Portugal, seus esforços em diversificar sua pesquisa, obter novas fontes de financiamento e reciclar conhecimentos começam a dar resultados. Em recente congresso na cidade do Porto, sua investigação despertou o interesse de uma pesquisadora americana e, de acordo com Mariana, há possibilidade de elas trabalharem em conjunto.




Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 19/09/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3841.2.3

Pesquisadores da Uenf desenvolvem repelente contra Aedes aegypti



Um repelente em barra de baixo custo desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Norte Fluminense (Uenf) poderá ser uma alternativa ao combate do Aedes Aegypti no próximo verão, estação em que o número de casos das doenças transmitidas pelo mosquito aumenta. De solução artesanal, o produto, chamado de Barrepel, está em fase avançada de testes em laboratórios independentes, certificadores para a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), e em negociação com a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Campos dos Goytacazes, visando a sua distribuição à população.


A ideia do desenvolvimento do repelente em barra surgiu através de um projeto de extensão do Laboratório de Ciências Químicas, em 2008, voltado para coleta e reutilização do óleo de fritura usado em estabelecimentos comerciais e residências, para suprir uma planta de Biodiesel da universidade e produzir materiais de limpeza. “Como naquela época o Estado do Rio de Janeiro estava passando por uma epidemia de dengue, idealizamos a possibilidade de incorporar óleos essenciais ao sabonete produzido com reaproveitamento do óleo de fritura, primeiramente para lavagem de roupas e posteriormente para o banho”, conta o coordenador da equipe, Edmilson José Maria. Depois de outros testes, ele e o também pesquisador Rodrigo Rodrigues de Oliveira perceberam que um repelente em forma de sabonete teria sua eficácia diminuída após o banho.

Para Edmilson, a principal vantagem da distribuição do repelente é a redução do custo em comparação às internações realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O repelente tem custo entre 8 e 10 reais por barra. Já uma pessoa com dengue clássica internada para tomar soro custa R$ 750 por dia para o sistema de saúde. Em caso de dengue hemorrágica, o custo sobe para R$ 1.800. Isso sem contar as horas não trabalhadas”, avalia. Atualmente, a capacidade de produção do laboratório é de 1.200 unidades por semana.

Neste ano, o Barrepel passou por uma série de testes. Em fevereiro, foi realizado um estudo de comparação do preço versus durabilidade em dias, envolvendo as formulações de repelentes comerciais em creme, aerossol e o Barrepel. O resultado deste estudo demonstrou o tempo de duração em dias de uso total de cada embalagem de repelente, com os seguintes resultados: a formulação em creme teve duração de 14 dias de uso, a formulação em aerossol, 12 dias de uso; e o Barrepel, 29 dias de uso. O estudo mostrou que o Barrepel dura, em média, duas vezes mais que as formulações comerciais, sendo assim viável economicamente a sua produção.

Em junho, 25 amostras foram doadas para a Organização Não-Governamental Ecoanzol para ações experimentais na bacia do Rio Paraíba do Sul, em pesquisas sobre peixes ameaçados de extinção em lugares com grande incidência de dengue e chikungunya, e foram bem avaliadas pela equipe. Nesta mesma época, 30 amostras do Barrepel foram doadas ao professor Richard Ian Samuels do Laboratório de Entomologia e Fitopatologia da Uenf para testes contra o mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como mosquito pólvora ou maruins, que são vetores do vírus Oropouche (causa febre aguda, eventualmente meningite e meningoencefalite), presente no Sul Capixaba em regiões de produção agrícola de banana. Os resultados se mostraram promissores contra este tipo de mosquito, que resiste bem aos repelentes comerciais.

Os testes realizados em laboratórios particulares certificadores da Anvisa demonstraram que o Barrepel foi classificado como "dermatologicamente testado", "hipoalergênico" e com repelência mínima de 4 horas para os mosquitos Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus. Os pesquisadores aguardam, ainda em 2019, o teste de tempo de prateleira para avaliação final do Barrepel.

Conscientização e criação de armadilhas


Os pesquisadores Edmilson Maria (centro) e Rodrigo Oliveira em reunião com o diretor do Centro de Controle de Zoonoses da prefeitura de Campos dos Goytacazes, Marcelos Sales (dir.)

Financiado pela Rede Zika por meio de edital lançado em 2015 pela FAPERJ, o trabalho do químico também incluiu novas formas de controle e monitoramento do Aedes Aegypti. A GrudAedes é um protótipo de armadilha para mosquitos, que foi elaborada em uma base de papelão, pintada na cor preta na parte central. Sobre esta área pintada foi adicionada uma camada espessa de uma cola de longa duração e, sobre essa cola, foi adicionado um pequeno disco de espuma vinílica acetinada (EVA) contendo semioquímicos, substâncias químicas envolvidas na comunicação entre seres vivos, neste caso, sinais químicos que os mosquitos utilizam para localizar suas presas. Os melhores semioquímicos para as armadilhas GrudAedes foram as substâncias 1-octen-3-ol, ácido lático e nonanal.

Para realizar testes de captura e de aceitação quanto à utilização das armadilhas pelos agentes públicos de endemia, foram produzidas pela Uenf 2.500 armadilhas, sendo 1.800 distribuídas pela parceria estabelecida com a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, através do Centro de Controle de Zoonoses, nos bairros periféricos do município, em Beira do Taí, São Sebastião e Bela Vista, que apresentaram um alto índice de infestação do Aedes aegypti. A armadilha diminuiu em 10 minutos o tempo médio de visita aos domicílios. Este tempo é contabilizado desde o momento em que o agente de endemia entra no recinto para fazer a inspeção, colocar larvicida e anotar dados da sua presença na ficha sanitária, onde o tempo gasto é em média de 20 minutos por residência.

Além da armadilha está sendo desenvolvido o aplicativo Rede Zika, já disponível para o sistema Android. O objetivo deste aplicativo é permitir aos usuários cadastrados acessar a rede e visualizar os registros sobre monitoramento dos mosquitos capturados pelas armadilhas. Esses dados serão transmitidos em tempo real mostrando as áreas de alta incidência do Aedes aegypti e as medidas para sua mitigação.

Para além de soluções pontuais como o repelente, o pesquisador também associa a persistência das doenças provocadas pelo mosquito à gestão governamental. “A conscientização da população e a grande adesão dos órgãos governamentais nas três esferas do poder são fundamentais para o sucesso na diminuição do número de casos das arboviroses transmitidas por mosquitos. Em caso específico, o Aedes aegypti se aproveita da falta de políticas públicas associadas ao saneamento básico, a coleta de lixo, a crise hídrica e a diminuição de investimentos em pesquisa básica”, avalia.




Autor: Juliana Passos
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 19/09/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3842.2.9

Tabagismo materno no período de amamentação aumenta as chances do bebê se tornar um adulto obeso


Thamara, na Uerj, junto ao bioamplificador, que faz leitura do tecido adiposo marrom (Fotos: Divulgação)

Os malefícios do cigarro e da obesidade já são amplamente conhecidos. Mas o que poucos sabem é que o tabagismo das mães durante o período da amamentação, após o término da gravidez, aumenta a probabilidade da criança apresentar obesidade na vida adulta. É o que demonstrou um estudo desenvolvido na Universidade do Estado do Rio Janeiro (Uerj), pela nutricionista Thamara Cherem Peixoto, que cursa o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biociências com apoio da FAPERJ, por meio do programa Bolsa Nota 10. Ela é orientada na pesquisa pela bióloga Patrícia Cristina Lisboa, contemplada, por sua vez, pelo programa Cientista do Nosso Estado, também da Fundação, e conta com co-orientação do professor Egberto Gaspar de Moura, sub-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da Uerj.

O estudo foi realizado em um modelo animal, de ratos Wistar – incluindo mães e filhotes –, no Laboratório de Fisiologia Endócrina da Uerj. De acordo com os resultados obtidos com a pesquisa, um dos fatores que explicam essa obesidade é a redução da capacidade termogênica do tecido adiposo marrom dos filhotes. “Vimos que uma disfunção no tecido adiposo marrom dos filhotes, relacionada à redução da atividade simpática do nervo que vai para esse tecido, compromete a atividade termogênica, favorecendo o acúmulo de gordura corporal”, explicou Thamara.

Ela lembrou que o tecido adiposo, além de ser o principal reservatório energético do organismo, é um centro regulador do metabolismo. “Uma das funções do tecido adiposo marrom é a termogênese, que é a regulação da temperatura corporal, relacionada ao gasto diário de energia do indivíduo. Quando reduzida, o metabolismo basal fica mais lento e a tendência é engordar”, detalhou. “Outra alteração que explica a obesidade é a inflamação hipotalâmica e alteração de neuropeptídios importantes na regulação da fome e do gasto de energia”, completou.

Foram realizados, simultaneamente, experimentos para observar os efeitos da exposição direta e indireta à fumaça do cigarro (mães e filhos). A exposição direta simulou a criança lactente no ambiente tabagista, exposta à fumaça. Já a exposição indireta, a criança que mama em uma mãe fumante, absorvendo a nicotina pelo leite materno. “Cada experimento durou cerca de oito meses dentro do biotério e envolveu etapas de acasalamento, gestação (três semanas), lactação (três semanas), programação, que foi o período de submissão dos filhotes à fumaça (26 semanas), além do período dedicado as análises (seis meses)”, contou. No trabalho, a exposição à fumaça correspondeu àquela gerada por fumantes humanos moderados, que consomem em torno de 20 cigarros por dia, sendo que cada cigarro contém 0.73 mg de nicotina.


Os cigarros usados na pesquisa têm uma concentração de nicotina de 0.73 mg cada. Nos testes, a exposição à fumaça correspondeu àquela gerada por fumantes humanos moderados (Foto: Divulgação)


Diante da atual epidemia de obesidade, que atinge tanto a população de países desenvolvidos como de países em desenvolvimento, e dos prejuízos globais causados pelo tabagismo, a pesquisa pode ser um ponto de apoio para a formulação de políticas públicas para conscientizar a população. “Muitas mães param de fumar durante a gestação, mas voltam durante a lactação, sem saber dos riscos que podem causar. Esse é o ponto que queremos mostrar. A exposição ao metabólito da nicotina via leite materno acarreta problemas futuros para os filhos”, alertou.

O estudo, que é o tema da tese de doutorado de Thamara, a ser defendida em agosto de 2020, resultou até o momento na publicação de dois artigos em periódicos científicos internacionais. O primeiro artigo, Neonatal tobacco smoke reduces thermogenesis capacity in brown adipose tissue in adult rats, saiu em janeiro de 2018 no Brazilian Journal of Medical and Biological Research. E o segundo, intitulado Hypothalamic neuropeptides expression and hypothalamic inflammation in adult rats that were exposed to tobacco smoke during breastfeeding: sex-related differences, foi publicado em setembro de 2019 na revista Neuroscience, da International Brain Research Organization (IBRO).




Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 19/09/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3839.2.0v

O que é a úlcera de Lipschutz e como identificá-la




Durante as consultas do consultório de ginecologia, ou até mesmo em ambulatórios da saúde primária, é comum encontrarmos uma paciente queixando aparecimento de uma “ferida” na vulva ou na vagina. Em se tratando de úlceras genitais, vários diagnósticos diferenciais devem ser feitos, desde causas infecciosas a causas não infecciosas.

Agora, imagine se deparar com uma paciente infanto-puberal com essa mesma queixa. Imagine os efeitos psicossociais que isso deve causar nessa família. Descartando-se as causas infecciosas mais comuns (herpes genital, sífilis primária, cancro mole, linfogranuloma venéreo e donovanose), acredito ser de suma importância ter em mente o diagnóstico diferencial com úlcera de Lipschutz, algo pouco falado nas faculdades de medicina.
Afinal, o que é úlcera de Lipschutz?

A úlcera de Lipschutz é uma condição autolimitada e não transmitida sexualmente, caracterizada pelo rápido início de ulcerações dolorosas na vulva ou na vagina. Geralmente ocorre em meninas ou mulheres jovens sexualmente inativas e tem sido associada à infecção aguda pelo vírus Epstein-Barr (EBV) ou outras inúmeras infecções virais (como citomegalovírus e influenza) e bacterianas (como Salmonella e Mycoplasma). No entanto, em muitos casos, uma causa específica não pode ser determinada.

A fisiopatologia exata desta ulcera ainda não é clara. Uma hipótese sugere que ela seja a manifestação clínica de uma reação de hipersensibilidade a uma infecção viral ou bacteriana, com deposição de complexo imune nos vasos dérmicos, ativação do complemento, microtrombose e subsequente necrose tecidual.

Como identificar esse tipo de úlcera?

Como dito, as pacientes são tipicamente adolescentes ou mulheres jovens que ainda não iniciaram sua vida sexual. Elas relatam o início súbito de uma ou várias úlceras vulvares, geralmente grandes (> 1 cm) e profundas, com uma borda vermelho-violácea e uma base necrótica coberta com um exsudado. Na maioria das vezes, as úlceras se encontram nos pequenos lábios, mas podem se estender aos grandes lábios, períneo, vestíbulo e parte inferior da vagina. Geralmente possuem uma distribuição parcialmente simétrica (“lesões em espelho”).

Outros sintomas associados são dor intensa na região e disúria. A maioria das pacientes relata sintomas prodrômicos semelhantes a influenza ou mononucleose, incluindo febre, mal-estar, amigdalite e linfadenopatia. Além disso, algumas referem aparecimento de aftas e/ou lesões orais concomitantes. A doença é autolimitada, ocorrendo cura espontânea entre duas a seis semanas.

O diagnóstico é clínico e de exclusão. Deve-se realizar uma anamnese completa, incluindo informações sobre possíveis doenças sistêmicas, com especial atenção a sintomas oculares, neurológicos, gastrointestinais e geniturinários. Também deve ser feita uma cuidadosa investigação da história sexual da paciente, com perguntas sobre início da atividade sexual e possíveis abusos sexuais. Em adolescentes, a garantia da confidencialidade é um aspecto importante para obtenção de informações precisas. Um exame físico minucioso deve ser realizado, observando-se a pele, as mucosas genital, oral e ocular, e a presença de linfonodos para excluir ulcerações genitais secundárias a outras doenças.
Critérios diagnósticos da úlcera de Lipschutz

Alguns critérios propostos para o diagnóstico são:
Mulheres jovens (principalmente menores de 20 anos);
Suspeita de infecção recente por influenza ou mononucleose;
Presença de úlceras profundas, bem delimitadas, dolorosas, com base necrótica, nos pequenos ou grandes lábios;
Padrão em espelho;
Não ter iniciado atividade sexual ou estar sem contato sexual nos últimos três meses;
Ausência de imunodeficiência;
Início agudo e cicatrização em até 6 semanas.
Preciso tratar?

Por ter um curso autolimitado, o tratamento é de suporte, incluindo orientações sobre higiene local e analgésicos para controle da dor. Abordar a possibilidade de abuso sexual é de suma importância para exclusão deste diagnóstico, e um ambiente de confiança deve ser oferecido às pacientes. Também torna-se sempre necessário excluir as causas infecciosas, entretanto, a abordagem exige o conhecimento de que esses não são os únicos diagnósticos possíveis.
Take-home message

Assim, podemos concluir que as úlceras genitais na infância e adolescência são um desafio no atendimento médico, seja pelo médico de família ou por pediatras e ginecologistas, principalmente no caso de pacientes virgens. Conhecer o diagnóstico diferencial é de suma importância para uma abordagem efetiva e não traumática para a família.



Autor: Fernando Barros
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 19/09/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/o-que-e-a-ulcera-de-lipschutz-e-como-identifica-la/