terça-feira, 23 de junho de 2020

Instituto Estadual do Cérebro participa dos esforços de combate à Covid-19


O uso do plasma de pacientes infectados, mas recuperados, foi utilizado contra à gripe espanhola e seu funcionamento é similar ao soro antiofídico (Foto Diver Dave)


Paulo Niemeyer Filho é um dos mais respeitados neurocirurgiões brasileiros. Há seis anos, fundou e dirige o Instituto Estadual do Cérebro (IECPN), que homenageia seu pai, devido as grandes contribuições para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas em neurocirurgia. Hospital público, com tecnologia de ponta, o IEC conquistou reconhecimento internacional com o certificado de centro de referência internacional para pós-graduação em neurocirurgia da Federação Mundial de Sociedades de Neurocirurgia.

Durante a pandemia, o hospital cedeu seus 44 leitos da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para os pacientes com coronavírus. Com 68 anos e atuando como médico em unidade da Rede D’or não destinada à Covid-19, Niemeyer, que integra a Comissão Ciência RJ no Combate à COVID-19 (ComCiênciaRJCOVID), acompanha de perto o desenvolvimento da pandemia e seus tratamentos, criada pelo governo estadual e presidida pela FAPERJ.

“Desde a solicitação da Secretaria Estadual de Saúde (SES), todas nossas equipes se dedicaram a Covid-19, tendo sido necessário o reforço com incorporação de virologista, hematologista e adaptação do laboratório de biologia molecular para diagnóstico do coronavírus”, explica Niemeyer. A expectativa é que com a inauguração dos hospitais de campanha e adaptação de outros hospitais do Estado, o Instituto do Cérebro volte a sua atividade-fim, que é o tratamento de doenças cerebrais, neurocirúrgicas.

Hospital de referência também no tratamento da Covid-19, o Instituto Estadual do Cérebro foi um dos primeiros hospitais brasileiros na pandemia a adotar a transfusão de plasma como medida para recuperação de pacientes. Vista com grande entusiasmo e como alternativa promissora diante de uma vacina que ainda pode demorar, Niemeyer explica que essa técnica foi bastante utilizada contra a gripe espanhola e é adotada com frequência em períodos de crise, mas que nunca foi estudada com grande precisão, apesar de apresentar bons resultados.

“Como sua utilização é sempre feita em momentos de crise, não se tem um estudo randomizado, dentro de padrões científicos rígidos. A transfusão, entretanto, faz sentido como tratamento, e estamos tentando, com o Hemorio e o laboratório de Virologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificar quais os grupos de pacientes que podem se beneficiar. Ao que tudo indica, quanto mais precoce a transfusão de anticorpos, maiores as chances do paciente evoluir bem, sem necessidade de entubação”, detalha o médico membro da Academia Nacional de Medicina (ANM).

O que já está mais claro, de acordo com o neurologista, é a ligação da doença com o sistema circulatório, em que um dos indícios é a maior frequência de pacientes com acidentes vasculares cerebrais. “Está claro que o novo coronavírus provoca distúrbio da coagulação, desencadeado muitas vezes por lesões provocadas nas paredes arteriais. Esses transtornos são sistêmicos e podem provocar todo tipo de sintomas, de uma isquemia de extremidades ao AVC”, diz. Por isso, Niemeyer entende como fundamental a mudança de protocolo feita pelo governo do Rio de Janeiro no atendimento aos pacientes com a inclusão do uso de anticoagulante como forma de amenizar ou prevenir doença trombótica.

Assim como outros pesquisadores e profissionais da área da saúde, ele está surpreso com a capacidade de o vírus provocar diversos sintomas em diferentes partes do corpo. No entanto, em relação à capacidade de atingir o sistema nervoso, as observações realizadas ainda não trazem evidências concretas. “Alguns estudos laboratoriais mostraram que, in vitro, o vírus tem a capacidade de penetrar nos neurônios. Mas ainda não temos manifestações clínicas evidentes desse fenômeno, com exceção dos casos em que há perda do olfato, mas que em geral são transitórias”, diz.


'A flexibilização [da quarentena] é necessária, mas deverá ser feita de acordo com as pesquisas e testagen', diz Paulo Niemeyer Filho (Foto: Divulgação)


Para os que estão ansiosos para a flexibilização da quarentena, Niemeyer se colocar a favor da flexibilização, mas pede que respeitem a ciência. “A flexibilização é necessária, mas não pode ser feita intempestivamente. Deverá ser feita de acordo com as pesquisas e testagens”, diz. O médico também está otimista em relação à saída da crise e acredita que os brasileiros estão bem informados. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, chegou a brincar que teríamos mais de 200 milhões de infectologistas quando a pandemia passar. “Acho que todos os brasileiros minimamente informados já sabem bastante sobre a pandemia. Mesmo os que refutam o isolamento sabem dos riscos que estão correndo. Não acredito que a pandemia vá mudar o ser humano, que persistirá sendo um predador do meio ambiente. Mas por um tempo dará mais valor as coisas mais simples da vida, como um bom abraço”, finaliza.

E para quem estiver interessado em conhecer mais sobre o funcionamento do cérebro em meio a histórias pessoais, Niemeyer adianta que lançará, no pós-pandemia, o livro “No labirinto do cérebro”, pela editora Objetiva.

A FAPERJ, desde a inauguração do Instituto Estadual do Cérebro, vem apoiando, por meio de seus programas de fomento à pesquisa, os estudos realizados no IEC, incluindo uma Rede de Pesquisa em Saúde – uma das 18 apoiadas pela FAPERJ no estado – que tem a coordenação-sede funcionando nas dependências do IEC.





Autor: Juliana Passos
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 05/06/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3990.2.7

Projeto Inova HFA levará tecnologia e comodidade ao país com uso de inteligência artificial

Pandemic War - Projeto Inova HFA incentiva tecnologia ... - DefesaNet

O projeto possibilitará que inovações na área da saúde sejam realizadas com rapidez, neste primeiro momento, no Hospital das Forças Armadas para depois ampliar para o resto do país

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, participou, nesta segunda-feira (22), do lançamento do Inova HFA, no Ministério da Defesa, em Brasília (DF). O projeto interministerial possibilitará que inovações tecnológicas na área da saúde sejam realizadas com maior rapidez. Neste momento, o Hospital das Forças Armadas (HFA), localizado na capital federal, irá abrigar essas novas iniciativas, mas a ideia é que o projeto seja expandido para outros estados. A proposta é que ideias inovadoras, com uso de inteligência artificial, sejam ampliadas para todo o país.

Na ocasião, foi assinada uma portaria que irá viabilizar o projeto com a participação dos Ministérios da Saúde, da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovações. A iniciativa promove a incubação e aceleração de projetos tecnológicos inovadores buscando soluções para todo o sistema de saúde e as necessidades mais estratégicas nessa área. Para tanto, o Inova HFA contará com um Centro conectado ao que existe de mais moderno em produção. O projeto abrigará iniciativas de universidades e “startups”, possibilitando que novos produtos e sistemas possam ser testados e validados no HFA para, posteriormente, serem aplicados a nível nacional.

O Inova HFA é parte de um projeto ainda maior que está em andamento: o HFA 4.0 – Protótipo de Hospital Digital e Inteligente. Trata-se de um novo conceito de organização, em que as mais modernas ferramentas tecnológicas levarão comodidade, rapidez, satisfação e qualidade no atendimento ao paciente.

O primeiro desafio do Inova HFA é enfrentar a pandemia da Covid-19. Por isso, o hospital começou a integrar o uso intensivo de tecnologia e controle, instalando um sistema de inteligência artificial, o Robô Laura, para monitorar a deterioração clínica dos pacientes, tornando possível medidas proativas no tratamento.

Algumas funcionalidades já estão disponíveis e sendo testadas. Uma vez aprovadas, serão expandidas para o restante do Brasil. É o caso do atendimento via telemedicina, uma parceria entre o HFA e o Hospital Albert Einstein. Nesse cenário, o usuário poderá ser atendido 24 horas por dia, sete dias por semana, no Brasil ou no exterior, diretamente de seu tablet, celular ou computador.



Por Natália Monteiro, da Agência Saúde, com informações do Ministério da Defesa 
Atendimento à imprensa(61) 3315-2207 / 2351

Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 22/06/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47103-projeto-inova-hfa-levara-tecnologia-e-comodidade-ao-pais-com-uso-de-inteligencia-artificial

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Hubble fornece visão holística das estrelas desaparecidas

combined image of Butterfly Nebula (left) and NGC 7027 (right) as seen by Hubble

Como motores de fusão nuclear, a maioria das estrelas vive vidas plácidas por centenas de milhões a bilhões de anos. Mas perto do fim de suas vidas, eles podem se transformar em redemoinhos loucos, inflando conchas e jatos de gás quente. Os astrônomos empregaram toda a gama de recursos de imagem do Hubble para dissecar esses fogos de artifício loucos que acontecem em duas jovens nebulosas planetárias próximas. O NGC 6303 é apelidado de Nebulosa da Borboleta por causa de sua aparência de asa. Além disso, o NGC 7027 se assemelha a um inseto de joia, um inseto com uma concha metálica brilhantemente colorida.

Os pesquisadores descobriram níveis sem precedentes de complexidade e rápidas mudanças nos jatos e nas bolhas de gás que explodem nas estrelas, no centro das duas nebulosas. O Hubble está permitindo aos pesquisadores convergir para uma compreensão dos mecanismos subjacentes ao caos.

"Quando olhei no arquivo do Hubble e percebi que ninguém havia observado essas nebulosas com a Wide Field Camera 3 do Hubble em toda a sua faixa de comprimento de onda, fiquei chocado", disse Joel Kastner, do Instituto de Tecnologia de Rochester, Rochester, Nova York, líder da novo estudo. "Essas novas observações do Hubble com vários comprimentos de onda fornecem a visão mais abrangente até o momento dessas duas nebulosas espetaculares. Enquanto eu baixava as imagens resultantes, me senti como uma criança em uma loja de doces".

Examinando esse par de nebulosas com os recursos panquromáticos completos do Hubble - fazendo observações sob luz ultravioleta a infravermelho próximo - a equipe teve vários momentos de "ah". Em particular, as novas imagens do Hubble revelam em detalhes vívidos como as duas nebulosas se dividem em escalas de tempo extremamente curtas - permitindo que os astrônomos vejam mudanças nas últimas décadas. Algumas dessas rápidas mudanças podem ser evidências indiretas da fusão de uma estrela com sua estrela companheira.

"A nebulosa NGC 7027 mostra emissão em um número incrivelmente grande de diferentes comprimentos de onda, cada qual destacando não apenas um elemento químico específico na nebulosa, mas também as mudanças significativas e contínuas em sua estrutura", disse Kastner. A equipe de pesquisa também observou a Nebulosa da Borboleta, que é uma contrapartida à nebulosa "joaninha": ambas estão entre as nebulosas planetárias mais empoeiradas conhecidas e também contêm massas anormalmente grandes de gás porque são formadas de novo. Isso os torna um par muito interessante para estudar em paralelo, dizem os pesquisadores.

As amplas vistas de comprimento de onda de cada nebulosa do Hubble estão ajudando os pesquisadores a rastrear a história de ondas de choque nas nebulosas. Tais choques geralmente são gerados quando ventos estelares frescos e rápidos atingem e varrem mais lentamente gás e poeira ejetados pela estrela em seu passado recente, gerando cavidades semelhantes a bolhas com paredes bem definidas.

Os pesquisadores suspeitam que no coração de ambas as nebulosas existam - ou existam - duas estrelas circulando entre si, como um par de patinadores. A evidência para uma "dupla dinâmica" tão central vem das formas bizarras dessas nebulosas. Cada um tem uma cintura apertada e empoeirada e lóbulos ou saídas polares, além de outros padrões simétricos mais complexos.

Uma teoria importante para a geração de tais estruturas em nebulosas planetárias é que a estrela que perde massa é uma das duas estrelas em um sistema binário. As duas estrelas orbitam uma à outra o suficiente para que eventualmente interajam, produzindo um disco de gás em torno de uma ou de ambas as estrelas. O disco é a fonte do material que sai em direção oposta à estrela central.

Da mesma forma, a estrela menor do par pode se fundir com seu companheiro estelar inchado e em rápida evolução. Isso também pode criar jatos de saída de material que podem oscilar ao longo do tempo. Isso cria um padrão simétrico, talvez como o que dá ao NGC 6302 o apelido de "borboleta". Tais saídas são comumente vistas em nebulosas planetárias.

"As suspeitas estrelas companheiras no NGC 6302 e NGC 7027 não foram detectadas diretamente porque estão próximas ou talvez já tenham sido engolidas por estrelas gigantes vermelhas maiores, um tipo de estrela centenas a milhares de vezes mais brilhante que o Sun ", afirmou Bruce Balick, da Universidade de Washington, em Seattle. "A hipótese de mesclar estrelas parece a melhor e mais simples explicação para as características vistas nas nebulosas planetárias mais ativas e simétricas. É um poderoso conceito unificador, até agora sem rival".




Autor: NASA
Fonte: NASA
Sítio Online da Publicação: NASA
Data: 18/06/2020
Publicação Original: https://www.nasa.gov/feature/goddard/2020/hubble-provides-holistic-view-of-stars-gone-haywire

Instituto Nupem, da UFRJ, avança em testes para diagnóstico de Covid-19 em Macaé

Um projeto desenvolvido no Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nupem/UFRJ), em Macaé, vem oferecendo à população desse município do Norte Fluminense, desde o mês de abril, a realização de testes de RT-PCR (do inglês, Reverse-Transcriptase Polymerase Chain Reaction) em tempo real, para o diagnóstico da doença Covid-19, causada pelo coronavírus (Sars-CoV-2). Os testes são vêm sendo realizados no Laboratório de Microbiologia e Bioprocessos Mario Alberto Neto, do Nupem. O coordenador geral do projeto é o médico e professor Amilcar Tanuri, do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto de Biologia, do Centro de Ciências da Saúde da UFRJ, e a coordenação local é realizada pelo biomédico e professor Rodrigo Nunes da Fonseca, diretor do Nupem. Ambos os coordenadores foram contemplados pela FAPERJ no programa Cientista do Nosso Estado, de apoio à realização de pesquisas científicas.

Tanuri destaca que a realização dos testes em Macaé é uma questão estratégica para o controle da pandemia no estado do Rio de Janeiro. “Macaé é uma cidade portuária com a economia voltada para a indústria do gás e do petróleo, que tem como característica a grande circulação de pessoas que trabalham nas plataformas, inclusive estrangeiros. Por isso, a cidade é uma porta de entrada para o novo coronavírus. A realização dos testes de PCR em tempo real pelo Nupem também pode ajudar nos estudos da prevalência e da incidência da Covid-19 no município”, ponderou.

De acordo com o boletim da Vigilância Epidemiológica de Macaé, atualizado em 2 de junho, havia até aquele momento o registro formal de 936 casos confirmados de Covid-19 no município e 35 óbitos em razão da doença. “Logo no início de março, houve o fechamento completo da cidade com barreiras sanitárias, onde são realizados testes de temperatura, e caso as pessoas tenham febre, são encaminhadas para o Centro de Triagem do Paciente com Coronavírus de Macaé, que centraliza o atendimento aos pacientes de Covid-19 na cidade. Essa política de fechamento da cidade bem no início da pandemia foi positiva, e as taxas de ocupação nos CTIs estão em cerca de 60%”, contextualizou Fonseca.

Trata-se de um projeto amplo, que envolve a participação de diversas instituições públicas, como a Prefeitura de Macaé, o Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Trabalho (MPT), a Associação de Docentes da UFRJ (AdUFRJ), hospitais filantrópicos (Irmandade São João Batista) e instituições privadas (Unimed, Hospital São Lucas), médicos do trabalho, além de empresas da cadeia de óleo e gás. “O projeto é bom um exemplo de interação entre o poder público e o setor produtivo da cidade. No Laboratório de Microbiologia e Bioprocessos, do Nupem, são realizados testes de PCR em tempo real dos pacientes atendidos no Centro de Triagem do Paciente com Coronavírus de Macaé. As amostras são encaminhadas segundo as prioridades da lista de espera estabelecidas pela Secretaria Municipal de Saúde”, explicou Nunes-da-Fonseca. “Já o MPF e o MPT atuam no comitê gestor do projeto, na proposição e fiscalização das ações, bem como na divulgação da importância do projeto para as empresas, principalmente da indústria do petróleo”, completou.

Os testes de RT-PCR em tempo real realizados no Nupem são, segundo ele, o “padrão ouro” seguido por outros países e servem para a detecção da doença em estágio inicial. “O PCR é o teste indicado para pacientes com sintomas iniciais de Covid-19, entre o segundo e o décimo dia de sintomas, em média, e confirma se eles são positivos ou não para a doença. Ele é realizado a partir da retirada de uma amostra de secreção da mucosa nasal pois o coronavírus fica alojado inicialmente no trato respiratório superior, e depois, com a evolução da doença, desce para os pulmões. No laboratório do Nupem, verificamos se os swabs nasais contendo células extraídas da região nasofaríngea apresentam o RNA do coronavírus. O processo, feito de forma manual, leva cerca de quatro horas”, detalhou Nunes-da-Fonseca.


Nunes-da-Fonseca destaca a importância da realização dos testes para diagnósticos no estágio inicial da doença


Ele explicou ainda que os testes de RT-PCR em tempo real têm objetivos totalmente diferentes dos testes imunológicos rápidos oferecidos, por exemplo, em farmácias, que servem para checar se a pessoa que adquiriu a doença recentemente e se desenvolveu anticorpos, indicando assim se ela teve ou não Covid-19. “A importância da realização dos testes de PCR em tempo real é que quando você detecta a infecção no início, a pessoa pode ser isolada imediatamente e deixar de transmitir o coronavírus. Se a pessoa infectada for assintomática ou tiver sintomas leves, por exemplo, não souber o seu diagnóstico e continuar circulando normalmente, o vírus continua a ser transmitido”, justificou.

Atualmente, são realizados cerca de 30 testes diários no laboratório do Nupem, por meio de equipamentos manuais, e já foram realizados mais de 600 testes, ao todo. “O nosso objetivo é conseguir recursos para acelerar esse processo. Se conseguirmos adquirir equipamentos para a automatização dos testes de PCR em tempo real e mais insumos, conseguiremos realizar até 300 testes por dia, totalizando de 4.000 a 6.000 testes por mês até o final do ano. Hoje, temos insumos para continuar trabalhando por mais dois meses e meio, apenas”, destacou Nunes-da-Fonseca. “Por isso, lançamos uma campanha para angariar fundos e contamos com a colaboração de entidades públicas e privadas”, ressaltou.

A Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (Coppetec), voltada para o apoio de projetos de desenvolvimento tecnológico, de pesquisa, de ensino e de extensão, da Coppe e demais unidades da UFRJ, criou um fundo único e exclusivo, cujo acompanhamento financeiro pode ser seguido diariamente no link http://www.coppetec.coppe.ufrj.br/site/transparencia/pesquisa-covid19-macae.php. A utilização destes recursos será acompanhada pelo comitê gestor do projeto, incluindo o MPT e o MPF, sendo esta conta a única forma de doação de recursos financeiros para o projeto. Outra forma de contribuir é por meio da doação dos equipamentos necessários para a automação do processo. Empresas, entidades públicas e privadas e pessoas físicas interessadas em colaborar com a aquisição de equipamentos devem entrar em contato com a direção do Nupem pelo e-mail direcao@nupem.ufrj.br

Os testes vêm sendo coordenados pela professora Natália Martins Feitosa e o tecnólogo Bruno Rodrigues, e contam com a participação de mais 17 voluntários incluindo professores e alunos de pós-graduação do Nupem, pesquisadores contemplados pelo programa Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, além de bolsistas de mestrado e doutorado dos Programas de Pós-Graduação (PPG) Multicêntrico em Fisiologia; em Ciências Ambientais e Conservação do Nupem; em Produtos Bioativos e Biociências do campus Macaé da UFRJ; e em Ciências Morfológicas UFRJ-Sede. Todos esses programas de pós-graduação recebem apoio da FAPERJ, por meio de bolsas de estudo. O número de testes pode ser acompanhado em tempo real no site do Nupem.






Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 12/06/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3991.2.2

Pesquisadores avaliam funcionamento de cadeias de suprimentos durante pandemia

A corrida desesperada aos supermercados por parte dos consumidores passou, os produtos continuam chegando às prateleiras e o período de compras motivadas por pânico parece ter ficado para trás. Do lado das indústrias, muitas fábricas pararam ou trabalham em turno reduzido, e também há aquelas que adaptaram suas linhas de produção. Fábricas de calçados viraram fábricas de máscaras e motivaram contratações; plantas do setor automobilístico passaram a fabricar respiradores, e a indústria de cosméticos virou produtora de álcool em gel. Com menos pânico e a indústria conseguindo se reinventar em alguns casos, os desafios de gerenciar produção, estoque e distribuição em um cenário de pandemia e crise financeira, contudo, permanecem.

“De forma geral, o desafio é que as empresas se mantenham em operação em um contexto de pandemia, considerando as restrições de deslocamentos e necessidade de distanciamento social, e de consequente crise econômica. Com isso, o principal impacto é a ruptura de fornecimento em elos da cadeia de suprimentos, por exemplo, com o fornecedor ou a transportadora”, avalia a professora do departamento de Engenharia Industrial da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Adriana Leiras.

Para o professor Tharcisio Cotta Fontainha, do Programa de Engenharia de Produção do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), o abastecimento de mercados e supermercados, que oferecem alimentos e itens de primeira necessidade, foi o menos afetado pela chegada do novo coronavírus ao País. “O setor de alimentação e de itens considerados básicos sofreram menos impactos no alcance do consumidor, se comparados a outros setores. Todavia, todos os setores estão enfrentando desafios no gerenciamento de estoque ao longo dos elos da cadeia de suprimento. Apesar disso, a produção tem se readequado para atender à nova demanda, como a de álcool em gel e outros equipamentos de proteção individual”.

Ambos os pesquisadores integram o laboratório Humanitarian Assistance and Needs for Disasters (Hands), grupo de pesquisa fundado e coordenado por Leiras, que trabalha com gestão e modelagens de processos para auxiliar no planejamento de estratégias em situações de desastres. O laboratório fica sediado no Departamento de Engenharia Industrial da PUC-Rio. Quando perguntados sobre as necessidades de readequação de produção por parte da indústria e do empresariado, Leiras e Fontainha concordam que o planejamento de estoque é o departamento que merece atenção especial. Eles ressaltam que, com a diversidade de porte e áreas de atuação das empresas, não é possível pensar em modelos únicos, mas este é um momento de readequação de produção. “Ainda que não possamos falar em modelos únicos a serem adotados, esse é certamente o momento em que as empresas precisam repensar sobre seu cálculo de estoque. Mesmo com o aumento de integração de informações nas cadeias de suprimento, muitas empresas subestimaram bastante a possibilidade de desastres dentro de uma estratégia de redução de custos com a redução de estoques”, diz Fontainha.

A questão da distribuição por parte, especialmente, dos produtores rurais, também é sublinhada por Adriana Leiras. A questão de escoamento da produção é um dos gargalos enfrentados não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos, que estão com dificuldades para distribuir a produção de leite. Outro gargalo está no empacotamento, que, de acordo com a pesquisadora, deve ser assumido pelos pequenos produtores, caso essa operação não esteja a cargo de uma grande empresa compradora. Para cadeias globais mais complexas, o planejamento exigirá incluir mais variáveis. “Nas cadeias globais de suprimentos, como no setor automobilístico, há a necessidade de se ter um plano de contingência e identificar dentro dessas cadeias os fornecedores críticos e quais são as soluções para lidar com esses fornecedores em caso de crises como a que estamos vivenciando. E até mesmo pensar em uma reestruturação de cadeia”, comenta Leiras, que entre os financiamentos obtidos para levar adiante a pesquisa contou com o apoio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ.


Professora da PUC-Rio, Adriana Leiras foi orientadora de doutorado de Tharcísio Fontainha, hoje professor na Coppe/UFRJ (Fotos: Arquivos pessoais)


Contemplados em dois editais recentes da FAPERJ, de Apoio a Grupos Emergentes de Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro, por meio de proposta submetida à Fundação em nome de Leiras, e Auxílio ao Pesquisador Recém-contratado (ARC), este em nome de Fontainha, os projetos visam à expansão do Hands. A rede já inclui o Instituto Militar de Engenharia (IME) e, mais recentemente, passou a contar também com Universidade das Forças Armadas (Unifa). Além do trabalho de pesquisa com as Forças Armadas, o grupo também desenvolve trabalhos em parceria com a Defesa Civil, no Estado do Rio de Janeiro. Assim como no âmbito estadual, a partir de um projeto aprovado em edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), eles realizam o mapeamento das redes que agrupam as diversas unidades da Defesa Civil e das Forças Armadas em âmbito nacional, a fim de entender como se formam e atuam em situações de desastre para desenvolver modelos para planejamento da logística. Dentro do trabalho com a Defesa Civil do Estado, o grupo contribuiu na confecção do Manual de Higienização de Cargas.

Dentro do trabalho desenvolvido pelo Hands também está o gerenciamento de doações e o laboratório está produzindo relatórios sobre entregas em 150 comunidades do Estado do Rio de Janeiro para três Organizações Não Governamentais. Em um quadro de tantos necessitados, um primeiro item levado em consideração é a diminuição do valor arrecadado, mesmo com fundos internacionais, que passam a ajudar seus países de origem. Outro ponto é a necessidade de transparência das ações realizadas para que as doações se mantenham.

A pesquisa também estuda a melhor maneira da entrega dessas doações, uma vez que precisamos evitar deslocamentos e contatos. “Agora, estamos avaliando se a entrega de um cartão para que a pessoa possa realizar suas próprias compras não seria mais adequado do que enviar as cestas básicas prontas diante da dificuldade de higienização. Outro ponto levado em conta é onde o beneficiário fará suas compras, se tem acesso a um mercado local ou terá que realizar um deslocamento maior”, explica a pesquisadora da PUC-Rio.





Autor: Juliana Passos
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 12/06/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3997.2.5

O estudo que estima em 36 as civilizações extraterrestres que poderiam ser contatadas


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Os cientistas do estudo tentaram determinar quantas civilizações poderiam contatar os humanos

Quantas civilizações extraterrestres poderiam ser contatadas em nossa galáxia? Provavelmente 36.

Essa é a resposta de um grupo de investigadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, liderados pelo professor de astrofísica Christopher Conselice.

A equipe de Conselice chegou a essa conclusão depois de estudar quantos planetas na Via Láctea têm potencial para abrigar vida inteligente.

Isso partindo da "suposição de que a vida inteligente se forma em outros planetas de maneira semelhante a como aconteceu na Terra", diz o estudo publicado na revista científica The Astrophysical Journal.


Direito de imagemEPAImage captionO estudo está focado em planetas da Via Láctea que poderiam ter vida como na Terra

"A nossa nova investigação sugere que a busca por civilizações inteligentes extraterrestres não só revela a existência de como se forma a vida, como também nos dá pistas sobre quanto tempo a nossa própria civilização continuará existindo", diz Conselice.

"Se descobrirmos que a vida inteligente é comum, isso revelaria que nossa civilização poderia existir muito mais do que apenas algumas centenas de anos; mas se descobrirmos o contrário, que não há civilizações ativas na nossa galáxia, isso é um mau sinal para a nossa própria existência de longo prazo."

Mas como eles chegaram ao número 36?
Princípio da mediocridade

Os cientistas de Conselice dizem que sua teoria parte do princípio da mediocridade de Nicolau Copérnico.

Esse é um conceito filosófico aplicado na astronomia que diz que a Terra não é o único planeta do universo capaz de abrigar vida.

Também lançaram mão da equação de Drake, do astrônomo Frank Drake, que em 1961 estabeleceu sete fatores necessários para que desenvolva vida inteligente - como a conhecemos - em outro planeta.


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Há vários fatores que podem gerar condições como as da Terra, como a distância em relação a uma estrela

Entre os fatores está a existência de uma estrela em distância adequada para que o planeta possa orbitar ao redor dela, dando condições favoráveis para geração de vida.

Os pesquisadores da Universidade de Nottingham começaram analisando quais outros planetas existem na Via Láctea e há quanto tempo eles existem.

O número de civilizações, portanto, "depende em grande medida de quanto tempo elas enviam ativamente sinais de sua existência no espaço".

Depois de realizar complexos cálculos matemáticos, eles determinaram que poderia haver "ao redor de 36 civilizações tecnicamente inteligentes" que viveriam em nossa galáxia.

Conselice ressalta que "tendo em conta que são necessários uns 5 bilhões de anos para que se forme vida inteligente" em outros planetas como a Terra "deve haver, ao menos, umas poucas dezenas de civilizações ativas na nossa galáxia".


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Especialistas dizem que conseguir fazer contato com extraterrestres usando a tecnologia atual pode demorar milhares de anos

A pesquisa indica que 36 é o número mais provável, mas poderia variar de quatro a 211.

O professor Andrew Coates, da University College London, disse no Twitter que se trata de "um trabalho interessante". No entanto, ele considera que não é possível comprovar esse número usando a tecnologia atual.

Qualquer um que esteja esperando um contato com um vizinho de galáxia no curto prazo vai ficar decepcionado. A distância média dessas civilizações é de 17 mil anos-luz.

Para haver uma comunicação bidirecional, seriam necessários 6.120 anos.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 17/06/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-53081941

terça-feira, 16 de junho de 2020

Coronavírus: 412,2 mil curados em todo o Brasil

As informações foram atualizadas às 18h30 desta segunda-feira (15) e foram repassadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde

O Brasil registra nesta segunda-feira (15) o total de 412.252 pessoas curadas do coronavírus, número que representa 46,6% do total de casos confirmados atualmente no país (888.271). As informações estão atualizadas até as 18h30 e foram repassadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde. O Ministério da Saúde recebeu os dados, checou e consolidou todas as informações, que já estão publicadas nos sistemas oficiais e plataformas da pasta.

Clique para ver a apresentação em power point feita na coletiva

O número de pessoas curadas tem crescido dia após dia devido aos esforços que o Governo do Brasil tem empenhado em auxiliar estados e municípios a prepararem suas estruturas de saúde. O objetivo é fortalecer a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) com recursos humanos (médicos e profissionais de saúde), aporte de recursos, envio de insumos, medicamentos, ventiladores pulmonares, testes diagnósticos e habilitação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para casos graves e gravíssimos, melhorando a capacidade de atendimento e resposta às demandas da população. Os profissionais de saúde também estão ganhando mais proteção, com o envio de Equipamentos de Proteção Individual (EPIS).

Acompanhe o registro de casos

A publicação das informações reforça o compromisso do Ministério da Saúde com a total transparência e o compromisso com a sociedade, buscando sempre alinhamento e pactuação com estados e municípios na tomada de decisões para cuidar da saúde de toda a população.

Atualmente, 432.060 pessoas estão em acompanhamento médico em todo o Brasil. Nas últimas 24h, a pasta registrou 20.647 casos novos do coronavírus.

Em relação aos óbitos, são 43.959 confirmações até o momento. Nas últimas 24h, foram registrados 627 casos de mortes nos sistemas oficiais do Governo do Brasil, sendo que a maior parte aconteceu em outros períodos. Do total, 256 óbitos foram confirmados nos últimos três dias e outros 4.070 casos seguem em investigação.

Assista, na íntegra, à coletiva com a atualização das ações de enfrentamento à pandemia - 15.06.2020


Da Agência SaúdeAtendimento à imprensa:(61) 3315.3580


Autor: Ministerio da Saúde
Fonte: Ministerio da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministerio da Saúde
Data: 15/06/2020
Publicação Original: 
https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47057-coronavirus-412-2-mil-curados-em-todo-o-brasil