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quarta-feira, 19 de maio de 2021

Ministro da Saúde e presidentes da Fiesp e Firjan visitam Fiocruz

A Fiocruz recebeu, nesta segunda-feira (17/5), a visita do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e dos presidentes das federações das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Os dois líderes da indústria se colocaram à disposição para contribuir no enfrentamento à pandemia e fizeram um reconhecimento da atuação da Fundação, parabenizando a instituição por seus esforços em contribuir decisivamente para o Brasil superar a grave crise sanitária e social que enfrenta devido à Covid-19, em especial na produção da vacina contra o novo coronavírus, entre outras ações que a Fiocruz vem desenvolvendo.


Os dois líderes da indústria se colocaram à disposição para contribuir no enfrentamento à pandemia e fizeram um reconhecimento da atuação da Fiocruz (foto: Peter Ilicciev)

Paulo Skaf, que esteve na Fiocruz pela primeira vez por iniciativa do ministro da Saúde, afirmou que “conhecer as instalações da Fundação foi um privilégio e uma honra, por tudo o que a Fiocruz fez, faz e ainda fará pelo país. Esta instituição é um orgulho para o Brasil”. Ele lembrou que há uma falta de IFA em todo o mundo e disse que está pronto para ajudar a instituição a obter um volume maior de insumos para a fabricação da vacina contra a Covid-19, por meio de contatos internacionais. “Sim, porque com os insumos em mãos, o resto a Fiocruz sabe como fazer”.

O presidente da Fiesp afirmou que pôr toda essa estrutura em movimento é como azeitar uma orquestra. “Mas a Fiocruz, com competência, talento, qualidade e criatividade, tem superado os desafios, mesmo sem ter, na largada, os equipamentos ideais. A Fiocruz conseguiu acertar sua produção e tem feito um bom trabalho”.

O presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, seguindo a mesma linha de Skaf, afirmou que o setor privado também poderá apoiar o enfrentamento à pandemia, por meio de seus contatos, caso seja necessário. Vieira é membro do Conselho Superior da Fiocruz.

No encontro, o ministro Queiroga pediu que os empresários ajudem em relação às medidas não-farmacológicas, com o oferecimento de máscaras e equipamentos de proteção que permitam à população, em especial os mais pobres, se protegerem corretamente, no trabalho, no transporte público e em todos os ambientes.

O secretário-executivo-adjunto do Ministério da Economia (ME), Miguel Ragone, disse que as dificuldades nacionais continuam presentes na vida nacional, agora acrescidas dos problemas trazidos pela pandemia. Segundo Ragone, “o Brasil é um exemplo de como a crise prejudica os mais vulneráveis, tornando o combate às desigualdades ainda mais complicado”, aponta o secretário.


No encontro, o ministro Queiroga pediu que os empresários ajudem em relação às medidas não-farmacológicas (foto: Peter Ilicciev)

Ragone participou de quase todas as 190 reuniões do Comitê de Crise da Pandemia do governo federal e acrescentou que a Secretaria-Executiva do ME também conta com um comitê sobre a questão, formado por 11 pessoas e que atua 24 horas, sete dias por semana. Ao fim, ele parabenizou a Fiocruz por todos os esforços que a instituição tem feito e também pelas entregas que tem realizado. E lembrou que o Ministério tem dado o suporte necessário para a construção do futuro complexo biotecnológico da Fiocruz em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

A reunião de trabalho foi aberta pela presidente da Fiocruz, que fez uma apresentação sobre a origem da Fundação como uma instituição que no início do século 20 contribuiu decisivamente para o Brasil enfrentar as epidemias de varíola, febre amarela e peste bubônica e que teve papel fundamental na formulação das visões de nação e de Estado. Ela também comentou a atuação da Fiocruz nos dez estados brasileiros nos quais têm unidades e a articulação estratégica da instituição em todos os níveis do SUS e destacou as parcerias internacionais.

Em seguida, Nísia ressaltou os seis principais eixos das iniciativas da Fiocruz frente à pandemia: apoio ao diagnóstico; atenção à saúde; ciência, tecnologia e inovação; informação e comunicação; apoio às populações vulnerabilizadas; e educação. A presidente também apresentou as ações em destaque no enfrentamento da pandemia em 2021, com destaque para a produção estimada de 210,4 milhões de doses da vacina contra a Covid-19, o desenvolvimento, a fabricação e a distribuição de kits diagnósticos (RT-PCR, sorológicos e teste de antígenos), a construção da segunda maior UTI dedicada à Covid-19 no país, a criação da Rede Genômica para detecção de variantes do novo coronavírus, os estudos de efetividade da vacina e a formação de recursos humanos, com a capacitação de 371 mil profissionais de saúde.

A presidente abordou ainda o Complexo Econômico e Industrial da Saúde (Ceis), que gera 9% do PIB brasileiro, emprega cerca de 10% da população trabalhadora, é responsável por 30% dos investimentos nacionais em pesquisa e desenvolvimento e tem alto potencial para estimular a economia, já que é uma área-chave para a chamada Quarta Revolução Industrial. Do Ceis saem medicamentos, insumos farmacêuticos ativos, vacinas, hemoderivados, reagentes para diagnósticos, equipamentos mecânicos e eletroeletrônicos, próteses e órteses e dispositivos de diagnóstico. “Para países que já dispõem de capacidade produtiva e tecnológica abre-se uma rápida janela de oportunidade. O tamanho do mercado nacional e a base produtiva prévia tornam o Brasil um candidato dos movimentos globais para o estabelecimento de parcerias tecnológicas, inclusive no processo de inovação”, observou Nísia.

Ela sublinhou ainda a questão das assimetrias globais na saúde, ainda mais evidenciadas na pandemia. “Os países de renda alta têm 16% da população mundial e contam com 54% das doses de vacinas contra a Covid-19”.

Nísia chamou a atenção dos presentes para o Programa Inova Fiocruz, cujo foco é a transferência do conhecimento gerado na instituição para a sociedade. Com o apoio do Ministério da Saúde, entre 2018 e 2020 foram investidos R$ 85,5 milhões em fomento, com 474 projetos aprovados em 32 áreas de pesquisa e 1.558 parceiros externos.

Por fim, ela apresentou os desafios para o futuro, como o reforço e a modernização das estruturas de vigilância em saúde, a integração de ações para saúde pública de precisão (Big Data), o investimento em terapias gênicas, celulares e do sistema imune e a diversificação e ampliação do acesso aos produtos da Fiocruz. “Neste último caso estão a plataforma de vacinas sintéticas, incluindo a de Covid-19 (pré-clínica), e o Centro de Biotecnologia em Saúde, que deve entrar em operação em 2025”.


Os visitantes conheceram a planta de produção da vacina Covid-19 Fiocruz, em Bio-Manguinhos (foto: Peter Ilicciev)

Também estiveram presentes ao encontro, pelo Ministério da Saúde, a nova secretária de Enfrentamento à Covid-19, Luana Araújo, e o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Sergio Okane, e o superintende do órgão no Rio de Janeiro, George da Silva Divério. Pelo Ministério da Economia, o secretário de Desenvolvimento da Infraestrutura, Gustavo Ene, e o secretário Especial de Produtividade, Carlos Alexandre Costa. Pela Fiocruz também participaram o vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional, Mario Moreira, o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Marco Krieger, o diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Maurício Zuma, a diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Valdiléa Veloso, e o chefe de Gabinete da Presidência da Fiocruz, Juliano Lima. Os visitantes conheceram a planta de produção da vacina Covid-19 Fiocruz, em Bio-Manguinhos.




Autor: Ricardo Valverde (Agência Fiocruz de Notícias)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 18/05/2021
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/ministro-da-saude-e-presidentes-da-fiesp-e-firjan-visitam-fiocruz-0

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Série de debates ‘Diálogos da Inovação’ marca início de parceria entre a FAPERJ e a FIRJAN

Emprendedores, investidores, profissionais da iniciativa privada e representantes da academia e do setor público lotaram na tarde desta quarta-feira, 3 de abril, o Auditório da Casa Firjan, em Botafogo, durante o evento “Diálogos da Inovação: Investimento em Empresas Inovadoras”. Resultado da parceria recentemente estabelecida entre a FAPERJ e a FIRJAN, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a série de debates, que será realizada em seis encontros ao longo deste ano, tem o objetivo de discutir as mais importantes temáticas no âmbito da inovação no Brasil e no mundo. O primeiro encontro da série, com o tema Investimento em Empresas Inovadoras, abordou casos de investimentos em empresas que estão inovando e como os ambientes regulatórios podem estimular essa prática.

Intitulado “Como fazer dar certo?”, o primeiro painel do programa levantou questões sobre como impulsionar o desenvolvimento da inovação no estado do Rio de Janeiro e teve como mediadores o diretor de Tecnologia da FAPERJ, Mauricio Guedes, e a jornalista e Especialista de Projetos Especiais da FIRJAN, Julia Zardo. Ao abrir o painel, Guedes disse que a parceria com a FIRJAN para a realização desse evento era um plano antigo e lembrou que a FAPERJ é uma agência de fomento à Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I), com atuação historicamente voltada ao meio acadêmico. "A missão da Fundação, no entanto, é mais ampla. Para caminharmos rumo à inovação, temos que nos relacionar com as empresas. Daí a importância da escolha do tema desse encontro. Inovação se faz com ciência, pesquisa e tecnologia, mas temos que levar em conta outros ingredientes. Sem investidores não há como fazer inovação e gerar riqueza. Minha expectativa é que esses encontros na Casa Firjan tenham um efeito positivo para estimular o nosso ambiente de inovação, aproximando representantes da academia e empresários”, destacou Guedes.

Na primeira mesa de debates foram palestrantes Fernando Silva, gestor do Criatec, fundo de Investimentos de capital destinado à aplicação em empresas emergentes inovadoras; Rafael Duton, o fundador da Movile, holding proprietária de empresas nos segmentos de conteúdo móvel, entre elas o iFood e cofundador da 21212, empresa que surgiu como aceleradora de “startups” – nome dado às empresas nascentes de base tecnológica – e hoje atua na educação online e gestão das startups que ainda estão em seu portfólio; Renato Vieira, gerente de Arquitetura de TI da Petrobras Distribuidora (BR).

O grupo discutiu o papel dos investimentos para a formação de empresas inovadoras e os gargalos para o desenvolvimento da inovação no estado do Rio de Janeiro. Para Rafael Duton, o estado do Rio de Janeiro tem uma forte vocação para o setor de serviços e o desenvolvimento de produtos e processos inovadores, mas é preciso assegurar condições para atrair e manter investidores no mercado fluminense. “Temos uma vocação, mas só ela não basta. Nossos problemas gerais impactam o ambiente de inovação estadual, como a falta de segurança e o alto custo de vida no Rio, com alimentação e aluguéis mais caros que em São Paulo, e o desafios da administração pública”, disse Duton.


Mauricio Guedes e Julia Zardo: ciclo de debates, que ocorrerão ao longo do ano, celebra parceria entre a FAPERJ e a FIRJAN


Renato Vieira lembrou que é preciso estabelecer políticas públicas para fomentar o surgimento de mais startups no estado do Rio de Janeiro. “No edital Desafio de Startups Petrobras Distribuidora, lançado em 2018, que busca soluções inovadoras para os segmentos de atuação da companhia a partir de três vertentes – Mobilidade para Pessoas, Mobilidade para Negócios e Sustentabilidade, das dez startups selecionadas, apenas uma era do Rio”, disse Vieira. Por sua vez, Fernando Silva destacou a importância da realização do evento na Casa Firjan, na contramão do movimento de fuga do capital intelectual do Rio para São Paulo. “Nós, aqui no auditório, somos a resistência, empreendedores e investidores que acreditam no Rio”, completou.

“Temos ambiente para inovar?” foi a questão abordada na segunda mesa, moderada pelo vice-presidente da Firjan, Claudio Tangari. Um bom exemplo de ambiente favorável à inovação foi dado pelo argentino Manuel Tanoira, head de Venture Capital da Tanoira Cassagne Abogados e cofundador e diretor de Políticas Públicas da Associação de Empreendedores da Argentina (ASEA). “Empreender é uma política de Estado”, afirmou Tanoira, lembrando que se não houvesse uma lei federal na Argentina, que apoia tanto o capital empreendedor como o financiamento coletivo, não haveria empreendedorismo. Segundo Tanoira , o Marco Regulatório criou o ambiente propício para os empreendedores e a inovação.

Ele explicou que a política pública criada por lei federal argentina regulamenta três grandes áreas: capacitação, financiamento e o Marco Regulatório. Na regulação societária, por exemplo, para se abrir Sociedade por Ações Simplificada (SAS), o processo é feito online em apenas 15 minutos, ao custo de US$ 200, exemplificou o diretor da ASEA. Entre as modalidades de capital empreendedor disponíveis há o Fondo Semilla (Fundo Semente), formado por incubadoras que prestam assistência técnica e oferecem empréstimos de até US$ 250 mil, sem burocracia e sem cobrança de juros. Mencionou ainda o Fundo Aceleração e o Fundo Expansão, cada qual destinado a estágios diferentes de amadurecimento das empresas. Os três fundos já ajudaram a criar 1.027 projetos e aplicaram US$ 238 milhões. Tanoira também destacou o papel dos benefícios fiscais concedidos pelo governo argentino, que incentivaram grandes empresas como Coca-Cola e Arcor a investirem em empreendedorismo.

Em seguida, o subsecretário de Cooperação com o Setor Tecnológico e Inovativo do Estado do Rio de Janeiro, Filippo Scelza, ressaltou que a nova Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) vem se dedicando a gerar um ambiente propício ao empreendedorismo e à inovação, não sendo um empecilho ao setor produtivo e promovendo um ambiente de troca e escuta de todos os setores envolvidos. De acordo com ele, o objetivo é promover políticas públicas em conjunto, de modo a gerar uma agenda positiva. “Temos ambiente? Talvez. Mas com certeza temos atores dispostos a sentar à mesa e buscar soluções conjuntas para tornar o ambiente mais favorável”, afirmou Scelza. Segundo ele, diversas empresas estão dispostas a promover parcerias para incrementar o ambiente de negócios em tecnologia e inovação no estado.


A partir da esq., Filipo Scelza, Claudio Tangari, Manuel Tanoira e Felipe Hanszmann. Eles participaram da segunda mesa de debates do evento 


Fechando as discussões da mesa, Felipe Hanszmann, cofundador do Nós8 (empresa de assessoria jurídica para startups) e Head do VR1 (Núcleo de Inovação e Venture Capital do escritório Vieira Rezende Advogados), focou sua palestra nos benefícios fiscais e obrigações de investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) pelas empresas, resumindo as quatro leis que permeiam o ambiente regulatório no Brasil. Em sua opinião, a principal preocupação do estado é oferecer segurança jurídica aos empreendedores, mas, devido aos desacertos entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, muitas vezes são criadas incertezas ao longo da jornada. “Entre os benefícios fiscais existentes no Brasil, a lei mais comentada na área de inovação é a Lei do Bem, que cria incentivos fiscais para que as empresas possam deduzir do Imposto de Renda suas despesas operacionais gastas no desenvolvimento de pesquisas, como remuneração do pesquisador e aluguel de sede do projeto. Outros marcos legais são a Lei da Informática, que desde dezembro de 2018 permitiu o investimento em startups, e a Lei da Informática da Zona Franca de Manaus. Ambas criam incentivos, como a redução de IPI para empresas da área de informática, visando o desenvolvimento desse setor industrial”, resumiu.

Hanszmann também destacou a importante garantia dada aos investidores por meio da Lei Complementar “Investimento-Anjo” (Nº 155/2016), que os eximiu de se tornarem sócios da empresa. Com isso, eles não poderão ser acionados para pagar uma dívida trabalhista ou fiscal da startup que recebe seus investimentos. “Nossa fonte de recursos, embora exista, é limitada e muitas vezes precisamos recorrer a investidores estrangeiros, com superávit de capital que pode ser aplicado aqui”, explicou Hanszmann, para quem uma evolução positiva no “ecossistema de inovação” seria, a exemplo do que ocorre na Argentina, que a lei permitisse às grandes empresas também creditarem seus investimentos em startups.

Durante o evento, houve um espaço para esclarecer as dúvidas dos interessados no Edital de Inovação: Desafio de Startups – Enel, Engie e Ternium, lançado pela Firjan para startups, empresas, instituições e outros stakeholders do ecossistema de inovação aberta. As chamadas da Engie e da Ternium se encerram em 15 de abril, e da Enel, em 30 de abril.




Autor: Ascom FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 05/04/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3731.2.0