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quarta-feira, 14 de julho de 2021

SOFI 2021: Relatório da ONU destaca os impactos da pandemia no aumento da fome no mundo


A fome mundial passou por um agravamento dramático em 2020, é o que destacam as Nações Unidas hoje –e provavelmente, o aumento está relacionado às consequências da COVID-19. Embora o impacto da pandemia ainda não tenha sido totalmente mapeado, o relatório O Estado da Insegurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI) 2021, construído através do esforço de várias agências das Nações Unidas, estima que cerca de um décimo da população global –até 811 milhões de pessoas– estava subalimentada no ano passado. O número sugere que será necessário um grande esforço para o mundo honrar sua promessa de acabar com a fome até 2030.

O SOFI 2021 é a primeira avaliação global desse tipo em tempos de pandemia. O relatório é publicado em conjunto pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

As edições anteriores já haviam alertado o mundo de que a segurança alimentar de milhões –muitas crianças entre elas– estava em jogo. “Infelizmente, a pandemia continua expondo fraquezas em nossos sistemas alimentares, que ameaçam a vida e o sustento de pessoas em todo o mundo”, escrevem os chefes das cinco agências da ONU no Prefácio deste ano.

Eles alertam sobre uma “conjuntura crítica”, ao mesmo tempo que depositam novas esperanças no aumento do ímpeto diplomático. “Este ano oferece uma oportunidade única para o avanço da segurança alimentar e nutrição por meio da transformação dos sistemas alimentares com a próxima Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, a Cúpula Nutrição para o Crescimento e a COP26 sobre mudança climática.” “O resultado desses eventos”, acrescentam os cinco, “dará forma à [...] segunda metade da Década de Ação para Nutrição das Nações Unidas” –um compromisso de política global que ainda não atingiu seu objetivo.

Os números em detalhes

Já em meados da década de 2010, a fome havia começado a subir, diminuindo as esperanças de um declínio irreversível. Perturbadoramente, em 2020 a fome disparou em termos absolutos e proporcionais, ultrapassando o crescimento populacional: estima-se que cerca de 9,9% entre todas as pessoas tenham sofrido de desnutrição no ano passado, ante 8,4% em 2019.

Mais da metade de todas as pessoas subalimentadas (418 milhões) vivem na Ásia; mais de um terço (282 milhões) na África; e uma proporção menor (60 milhões) na América Latina e no Caribe. Mas o aumento mais acentuado da fome foi na África, onde a prevalência estimada de desnutrição –em 21% da população– é mais do que o dobro de qualquer outra região. 

Em outras análises, o ano de 2020 também foi devastador. No geral, mais de 2,3 bilhões de pessoas (ou 30% da população global) não tinham acesso a alimentação adequada durante todo o ano: este indicador –conhecido como prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave– saltou em um ano tanto quanto nos cinco anteriores combinados. A desigualdade de gênero se aprofundou: para cada 10 homens com insegurança alimentar, havia 11 mulheres com insegurança alimentar em 2020 (de 10,6 em 2019).

A má nutrição persistiu em todas as suas formas, com as crianças pagando um preço alto: em 2020, estima-se que mais de 149 milhões de menores de cinco anos sofriam de atraso de crescimento ou eram muito baixos para sua idade; mais de 45 milhões –debilitadas ou muito magras para sua altura; e quase 39 milhões –acima do peso. Três bilhões de adultos e crianças permaneceram excluídos de dietas saudáveis, em grande parte devido aos custos excessivos. Quase um terço das mulheres em idade reprodutiva sofre de anemia. Globalmente, apesar do progresso em algumas áreas –mais bebês, por exemplo, estão sendo alimentados exclusivamente com leite materno –o mundo não está a caminho de atingir as metas de nenhum indicador nutricional até 2030. 

Outros fatores do aumento da fome e da desnutrição 

Em muitas partes do mundo, a pandemia provocou recessões brutais e prejudicou o acesso aos alimentos. No entanto, mesmo antes da pandemia, a fome estava se espalhando; o progresso na má nutrição foi lento. Isso foi ainda mais impactante em nações afetadas por conflitos, mudanças climáticos ou outras crises econômicas, ou lutando contra a alta desigualdade –todos os quais o relatório identifica como os principais motores da insegurança alimentar, que por sua vez interagem entre si –quanto mais fatores um país tem, pior é a subalimentação e a má nutrição, maior a insegurança alimentar e mais proibitivo o custo de alimentações saudáveis para seus cidadãos.

Seguindo as tendências atuais, o Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo estima que a Meta 2 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (Fome Zero até 2030) não será alcançada por uma margem de quase 660 milhões de pessoas. Destes 660 milhões, cerca de 30 milhões podem estar ligados aos efeitos duradouros da pandemia.

O que pode (ainda) ser feito 

Conforme descrito no relatório do ano passado, transformar os sistemas alimentares é essencial para alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e colocar alimentações saudáveis ao alcance de todos. A edição deste ano vai além, delineando seis “caminhos de transformação”. Estes, dizem os autores, contam com um “conjunto coerente de políticas e carteiras de investimento” para combater os impulsionadores da fome e da má nutrição. 

Dependendo do fator específico (ou combinação de fatores) que cada país enfrenta, o relatório insta os formuladores de políticas a: 

  • Integrar políticas humanitárias, de desenvolvimento e de construção da paz em áreas de conflito –por exemplo, por meio de medidas de proteção social para evitar que as famílias vendam bens escassos em troca de alimentos;
  • Ampliar a resiliência climática em todos os sistemas alimentares –por exemplo, oferecendo aos pequenos agricultores amplo acesso a seguro contra riscos climáticos e financiamento baseado em previsões;
  • Fortalecer a resiliência dos mais vulneráveis à adversidade econômica –por exemplo, por meio de programas em campo ou de apoio em dinheiro para diminuir o impacto de choques do tipo pandêmico ou volatilidade dos preços dos alimentos; 
  • Intervir ao longo das cadeias de abastecimento para reduzir o custo de alimentos nutritivos –por exemplo, incentivando o plantio de safras biofortificadas ou facilitando o acesso dos produtores de frutas, legumes e verduras aos mercados;
  • Combater a pobreza e as desigualdades estruturais –por exemplo, estimulando cadeias de valor de alimentos em comunidades pobres por meio de transferências de tecnologia e programas de certificação;
  • Fortalecer os ambientes alimentares e mudar o comportamento do consumidor –por exemplo, eliminando as gorduras trans industriais e reduzindo o teor de sal e açúcar no abastecimento alimentar, ou protegendo as crianças do impacto negativo do marketing alimentar.

O relatório também pede um “ambiente propício para mecanismos e instituições de governança” para tornar a transformação possível. Ele recomenda que os formuladores de políticas consultem amplamente; para empoderar mulheres e jovens; e expandir a disponibilidade de dados e novas tecnologias. Acima de tudo, insistem os autores, o mundo deve agir agora –ou assistir os fatores de impulsionamento da fome e da má nutrição se repetirem com intensidade crescente nos próximos anos, mesmo depois de passado o choque da pandemia. 

GLOSSÁRIO

Fome: uma sensação desconfortável ou dolorosa causada por energia insuficiente da alimentação. Privação de alimentos; não comer calorias suficientes. Usado aqui de forma intercambiável com subalimentação (crônica). Medido pela prevalência de subalimentação (Prevalence of Undernourishment – PoU).

Insegurança alimentar moderada: um estado de incerteza sobre a capacidade de obter alimentos; risco de pular refeições ou ver comida acabar; sendo forçado a comprometer a qualidade nutricional e/ou quantidade dos alimentos consumidos.

Insegurança alimentar grave: ficar sem comida; fome experimentada; no extremo, ficar sem comer por um dia ou mais.

Má nutrição: condição associada a deficiências, excessos ou desequilíbrios no consumo de macro e/ou micronutrientes. Por exemplo, desnutrição e obesidade são formas de má nutrição. O atrofiamento ou o atraso no crescimento infantil são indicadores de subnutrição. 







Autor: OMS
Fonte: OMS
Sítio Online da Publicação: paho
Data: 12/07/2021
Publicação Original: https://www.paho.org/pt/noticias/12-7-2021-sofi-2021-relatorio-da-onu-destaca-os-impactos-da-pandemia-no-aumento-da-fome-no

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Folha informativa - Depressão

Folha informativa atualizada em março de 2018

Principais informações 
 
A depressão é um transtorno mental frequente. Em todo o mundo, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram com esse transtorno.
A depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma importante para a carga global de doenças.
Mulheres são mais afetadas que homens.
No pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio.
Existem vários tratamentos medicamentosos e psicológicos eficazes para depressão.


A depressão é um transtorno comum em todo o mundo: estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram com ele. A condição é diferente das flutuações usuais de humor e das respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou grave, a depressão pode se tornar uma crítica condição de saúde. Ela pode causar à pessoa afetada um grande sofrimento e disfunção no trabalho, na escola ou no meio familiar. Na pior das hipóteses, a depressão pode levar ao suicídio. Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano - sendo essa a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

Embora existam tratamentos eficazes conhecidos para depressão, menos da metade das pessoas afetadas no mundo (em muitos países, menos de 10%) recebe tais tratamentos. Os obstáculos ao tratamento eficaz incluem a falta de recursos, a falta de profissionais treinados e o estigma social associado aos transtornos mentais. Outra barreira ao atendimento é a avaliação imprecisa. Em países de todos os níveis de renda, pessoas com depressão frequentemente não são diagnosticadas corretamente e outras que não têm o transtorno são muitas vezes diagnosticadas de forma inadequada, com intervenções desnecessárias.

A carga da depressão e de outras condições de saúde mental está em ascensão no mundo. Uma resolução da Assembleia Mundial da Saúde, aprovada em maio de 2013, exigiu uma resposta integral e coordenada aos transtornos mentais em nível nacional.

Tipos e sintomas

Um episódio depressivo pode ser categorizado como leve, moderado ou grave, a depender da intensidade dos sintomas. Um indivíduo com um episódio depressivo leve terá alguma dificuldade em continuar um trabalho simples e atividades sociais, mas sem grande prejuízo ao funcionamento global. Durante um episódio depressivo grave, é improvável que a pessoa afetada possa continuar com atividades sociais, de trabalho ou domésticas.

Uma distinção fundamental também é feita entre depressão em pessoas que têm ou não um histórico de episódios de mania. Ambos os tipos de depressão podem ser crônicos (isto é, acontecem durante um período prolongado de tempo), com recaídas, especialmente se não forem tratados.

Transtorno depressivo recorrente: esse distúrbio envolve repetidos episódios depressivos. Durante esses episódios, a pessoa experimenta um humor deprimido, perda de interesse e prazer e energia reduzida, levando a uma diminuição das atividades em geral por pelo menos duas semanas. Muitas pessoas com depressão também sofrem com sintomas como ansiedade, distúrbios do sono e de apetite e podem ter sentimentos de culpa ou baixa autoestima, falta de concentração e até mesmo aqueles que são clinicamente inexplicáveis.

Transtorno afetivo bipolar: esse tipo de depressão consiste tipicamente na alternância entre episódios de mania e de depressão, separados por períodos de humor normal. Episódios de mania envolvem humor exaltado ou irritado, excesso de atividades, pressão de fala, autoestima inflada e uma menor necessidade de sono, bem como a aceleração do pensamento.

Fatores que contribuem e prevenção

A depressão é resultado de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida (desemprego, luto, trauma psicológico) são mais propensas a desenvolver depressão. A depressão pode, por sua vez, levar a mais estresse e disfunção e piorar a situação de vida da pessoa afetada e o transtorno em si.

Há relação entre a depressão e a saúde física; doenças cardiovasculares, por exemplo, podem levar à depressão e vice e versa.

Diagnóstico e tratamento

Existem tratamentos eficazes para depressão moderada e grave. Profissionais de saúde podem oferecer tratamentos psicológicos, como ativação comportamental, terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia interpessoal ou medicamentos antidepressivos. Os provedores de saúde devem ter em mente a possibilidade de efeitos adversos associados aos antidepressivos, a possibilidade de oferecer um outro tipo de intervenção (por disponibilidade de conhecimentos técnicos ou do tratamento em questão) e preferências individuais. Entre os diferentes tratamentos psicológicos a serem considerados estão os individuais ou em grupo, realizados por profissionais ou terapeutas leigos supervisionados.



Os tratamentos psicossociais também são efetivos para depressão leve. Os antidepressivos podem ser eficazes no caso de depressão moderada-grave, mas não são a primeira linha de tratamento para os casos mais brandos. Esses medicamentos não devem ser usados para tratar depressão em crianças e não são, também, a primeira linha de tratamento para adolescentes. É preciso utilizá-los com cautela.

Resposta da OMS

A depressão é uma das condições prioritárias cobertas pelo Mental Health Gap Action Programme (mhGAP) da Organização Mundial da Saúde (OMS). O programa visa ajudar os países a aumentar os serviços prestados às pessoas com transtornos mentais, neurológicos e de uso de substâncias, por meio de cuidados providos por profissionais de saúde que não são especialistas em saúde mental. A iniciativa defende que, com cuidados adequados, assistência psicossocial e medicação, dezenas de milhões de pessoas com transtornos mentais, incluindo depressão, poderiam começar a levar uma vida normal - mesmo quando os recursos são escassos.

Conteúdo também disponível em inglês e espanhol.

Outros links:

Notícias sobre saúde mental

Depressão: o que você precisa saber

Vídeo: Eu tenho um cachorro preto e seu nome é depressão

Mental health action plan 2013 - 2020







Autor: Paho
Fonte: Paho
Sítio Online da Publicação: paho.org
Data: 03/2018
Publicação Original: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5635:folha-informativa-depressao&Itemid=1095