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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Covid-19: teste a partir de anticorpos de animais



Anticorpos extraídos de diferentes animais serviram de base para o desenvolvimento de mais um kit brasileiro de diagnóstico da covid-19. Anticorpos de cavalos, de camundongos e de coelhos foram utilizados para a obtenção de uma grande quantidade dos biossensores. Os anticorpos são a base dos testes e são muito caros quando adquiridos no mercado. A ideia, além de reduzir custos, é produzir um sensor fácil de manusear, barato e rápido no diagnóstico.

A pesquisadora Célia Machado Ronconi, da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que o grupo purificou o soro de cavalo contendo os anticorpos policlonais equinos doados pelo Instituto Vital Brazil (IVB). Os anticorpos foram produzidos a partir da proteína S (Spike) isolada do vírus pelo Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares da Coppe – Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os bioconjugados fluminense, criados a partir dos anticorpos de cavalos e nanopartículas de ouro, foram capazes de identificar tanto a proteína S (Spike) isolada do vírus como o vírus inativado. Como os anticorpos equinos são produzidos em grandes quantidades no Instituto Vital Brazil, renderá uma produção dos bioconjugados também em grande escala.

Ronconi faz parte de uma rede nacional que inclui ainda cientistas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), UFRJ, Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas gerais (UFMG), Universidade de São Paulo (USP-São Carlos), as universidades federais do Tocantins e de Goiás, o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste, o Instituto Vital Brazil (IVB) e o Instituto Butantan. Segundo ela, já a equipe da UnB, coordenada pelo professor Ricardo Bentes de Azevedo, empregou anticorpos IgG de coelhos. E o sistema desenvolvido em Brasília reconheceu o vírus inativado em diferentes concentrações. Os ensaios iniciais com saliva de pacientes contaminados e não contaminados com o coronavírus foram realizados, com 176 pacientes, pelos cientistas de Brasília. Os testes mostraram que o sistema é seletivo ao vírus SARS-CoV-2.

Se o kit for aprovado pela Anvisa, o custo do teste, que será feito a partir de saliva ao invés do cotonete, ficará em R$ 5 e com o uso de equipamentos simples, o tempo de leitura entre 2 e 5 minutos.

Ronconi ainda destaca a perspectiva da metodologia desenvolvida permitir o acoplamento de anticorpos específicos para outros vírus, como H1N1, zika, dengue e aids. A metodologia também poderá ser utilizada para acoplar anticorpos específicos para a imunoterapia do câncer.

A rede recebeu R$ 608 mil de financiamento da FAPERJ e mais R$ 2,5 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).




Autor: Claudia Jurberg
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 12/08/2021
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4282.2.9

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Pessoas com anticorpos contra a dengue têm menor chance de contrair zika



O surto da zika, ocorrido no período de 2015/2016, representou uma das maiores emergências de saúde pública do Brasil. Um novo estudo liderado por pesquisadores da Fiocruz Bahia, Fiocruz Pernambuco, Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Escola Pública de Yale, além de outros parceiros internacionais, demonstrou que as pessoas que possuíam anticorpos contra a dengue tinham menor probabilidade de serem infectadas pelo zika durante o surto.

A revelação de que a imunidade resultante da infeção gerada pelo vírus da dengue protegeu indivíduos da zika foi obtida a partir do acompanhamento de uma coorte de 1.453 pessoas, formada por moradores do bairro Pau da Lima, em Salvador, Bahia, uma área em que cerca de 73% dos indivíduos tiveram contato com o vírus zika. O estudo que descreve os procedimentos da pesquisa e os mecanismos que geram a proteção foi publicado na revista Science.

Os vírus da zika e da dengue compartilham muitas semelhanças genéticas e circulam nas mesmas regiões. Uma questão-chave em ainda estava em aberto foi se os anticorpos que são gerados a partir de uma infecção por dengue poderiam protegem as pessoas ou as tornam mais suscetíveis a uma infecção por zika. “Este estudo é o primeiro a avaliar esta questão e demonstrar que a imunidade à dengue pode proteger contra uma infecção por zika em populações humanas”, disse Federico Costa, pesquisador visitante da Fiocruz Bahia e professor do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA.

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Mitermayer Galvão dos Reis, destacou que a população de Pau da Lima já é acompanhada há quase 20 anos pelo grupo de pesquisa e defendeu que o fato do trabalho ser multicêntrico contribuiu para o avanço no conhecimento científico. “Estudos anteriores realizados na Fiocruz Bahia já indicaram que a infecção por zika também gerou resposta imune cruzada contra dengue. Mostramos que trabalhando de forma organizada, em parcerias, você pode aumentar o conhecimento científico, gerar evidencia para tomada de decisões políticas futuras e formar e capacitar recursos humanos”, afirmou.

Uma explicação para a relação entre a epidemia e a síndrome congênita associada a zika também foi oferecida pelos pesquisadores. “A taxa de infecção extremamente alta entre as mulheres grávidas de comunidades empobrecidas, como no nosso local de estudo, foi certamente a principal razão pela qual tivemos um grande surto de microcefalia entre as crianças no final de 2015”, disse Albert Ko, professor da Escola de Saúde Pública de Yale e um dos autores principais do estudo.

A pesquisa indicou que, embora a taxa geral de infecção tenha sido alta em Pau da Lima, os pesquisadores descobriram grandes diferenças no risco de infecção pelo zika, em curtas distâncias. Dependendo de onde as pessoas viviam, as taxas de infecção variavam de um mínimo de 29% a um máximo de 83%. Os autores defenderam que, embora houvesse áreas da comunidade que não foram atingidas pelo zika durante o surto, a grande maioria da população estava infectada com o vírus altamente transmissível e por isso desenvolveu imunidade a esse vírus, o que, por sua vez, levou à extinção da transmissão e causou o declínio do surto. “A pandemia de zika criou altos índices gerais de imunidade a esse vírus nas Américas, o que será uma barreira para os surtos nos próximos anos”, disse Isabel Rodriguez-Barraquer, professora assistente da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

O estudo foi apoiado pela Escola de Saúde Pública de Yale, Ministérios da Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia do Brasil e os Institutos Nacionais de Saúde.




Autor: IGM/Fiocruz Bahia
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 11/02/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/pessoas-com-anticorpos-contra-dengue-tem-menor-chance-de-contrair-zika

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Injeções para enxaqueca têm bons resultados em estudos; especialista fala em 'salto no tratamento'





Injeções são feitas de anticorpos monoclonais. Essas drogas clonam células de defesa humana. Na imagem, estrutura tridimensional de um linfócito B (Foto: Blausen Medical - BruceBlaus)



Uma nova classe de drogas contra enxaqueca mostrou resultados promissores em dois estudos publicados nesta quinta-feira (30) no 'The New England Journal of Medicine". Desenvolvidas na forma de injeção, elas são o primeiro tratamento produzido especificamente para a prevenção da condição que, quando crônica, pode ocorrer 15 vezes ao mês, com duração de horas a dias em alguns pacientes.


Hoje, médicos usam medicamentos "emprestados" de outras condições, como o uso de anticonvulsionantes (topiramato e divalproato). Antidepressivos (amitriptilina) e medicamentos contra a hipertensão (propanolol) também pode são usados em alguns casos.



"É uma classe específica de prevenção da enxaqueca que traz uma outra perspectiva para o tratamento. Hoje, há medicamentos específicos, a classe dos triptanos, mas eles são usados para interromper a crise quando ela já ocorreu. Não são preventivos", diz Mário Peres, neurologista e professor do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e da Faculdade de Ciências da Saúde do Hospital Albert Einstein.




Mário Peres, que acompanha os estudos com a molécula, estima que uma das injeções (erenumabe) seja aprovada no primeiro semestre de 2018 no FDA (Food And Drug Administration, órgão que regula medicamentos nos Estados Unidos) e no segundo semestre pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).


Peres destaca que a principal vantagem das novas drogas é a tolerabilidade e a quase ausência de efeitos colaterais. Ele explica que medicamentos usados hoje para a prevenção podem causar perda de peso, problemas de memória (topiramato) ou ganho de peso (amitriptilina), dentre outros efeitos.




Injeção poderá ser aplicada mensalmente ou trimestralmente. Estudos ainda avaliam melhor periodicidade. (Foto: Freeimages)





O achado da molécula CGRP




As injeções foram produzidas tendo em vista um achado da ciência: pesquisas anteriores demonstraram que pacientes com enxaqueca produziam maior quantidade de uma molécula: a CGRP (sigla para 'Calcitonin gene-related peptide').


Essa molécula é formada por 37 aminoácidos e foi descoberta há 30 anos. Localizada no cromossomo 11, ela tem sua produção mediada por um gene homônimo - por isso, o nome faz alusão ao gene (algo como 'peptídeo relacionado ao gene da calcitocina').



"Todas pessoas têm essa molécula, mas ela está presente em maior quantidade em indivíduos com enxaqueca", explica Peres.




Estudo de revisão do "Physiological Review" publicado em 2014 menciona a função vasodilatadora da molécula. Ela aumenta o diâmetro de vasos sanguíneos, mecanismo que também está associado à enxaqueca. Esse alargamento do vaso, junto com outras substâncias químicas, deflagra o circuito de dor. A molécula também é conhecida por mediar outros processos de dor.


O neurologista Mário Peres cita que, hoje, há quatro laboratórios com drogas em teste visando o bloqueio da CGRP.




Como funcionam as injeções




As injeções são anticorpos monoclonais. Essa classe de medicamentos já é usada para o tratamento do câncer e tem um comportamento curioso. Pesquisadores 'clonam' um anticorpo humano, que depois é treinado para reconhecer qualquer estrutura de interesse e eliminá-la -- assim como fazem os anticorpos humanos. A estratégia ganhou o prêmio Nobel de 1984.


Cientistas, então, treinaram anticorpos para reconhecer CGRP e, então, bloquear a ação da molécula, diminuindo a dor. No "New England Journal of Medicine", os estudos testaram duas injeções: o Erenumabe e o Fremanezumabe.




1 - Resultados do erenumabe




Na pesquisa com o erenumabe, foram recrutadas 955 pessoas: 317 receberam uma injeção subcutânea de 70mg; 319 receberam 140mg do medicamento; e 319 receberam placebo (substância sem a droga).


Pacientes que receberam 140mg do medicamento relataram uma redução de 50% ou mais no número médio de dias de crises de enxaqueca por mês. Já o grupo de 70 mg relatou redução de 43,3%, e o grupo placebo relatou redução de 26,6%.



Também pacientes relataram melhora na capacidade de realizar as atividades diárias, redução da intensidade da crise e diminuição no número de medicamentos utilizados para interromper a dor.


De modo geral, pacientes toleraram o medicamento e relataram dor no local da aplicação da injeção.




2 - Resultados do fremanezumabe




Já com o fremanezumabe, cientistas recrutaram 1130 pacientes: 376 receberam o fremanezumabe trimestralmente, 379 receberam o medicamento mensalmente e 375 receberam um medicamento placebo.


Pacientes que tomaram a injeção trimestralmente relataram diminuição de 50% no número médio de crises de enxaqueca por mês. No grupo que tomou uma vez por mês, a redução foi de 41%, e no grupo placebo a redução foi de 18%.


Além de dor no local da injeção, foram observadas anormalidades de função hepática em 5 pacientes em cada grupo que recebeu o medicamento e de 3 pacientes no grupo placebo.




Autora: g1.globo
Fonte: g1.globo
Sítio Online da Publicação: g1.globo
Data de Publicação: 30/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/injecoes-para-enxaqueca-tem-bons-resultados-em-estudos-especialista-fala-em-salto-no-tratamento.ghtml