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terça-feira, 10 de abril de 2018

Conheça o projeto que prevê que farmácias brasileiras prestem assistência avançada



Da revisão da medicação à imunização: conheça o projeto ‘Assistência Farmacêutica Avançada’, que situará as farmácias no mapa como uma das soluções para problemas do setor da saúde

O Ibope revelou em pesquisa recente que estabelecimentos e farmacêuticos podem ser protagonistas na prevenção e manutenção da boa saúde. O estudo conversou com 2.002 pessoas em 143 municípios. De acordo com os resultados, esses novos serviços serão muito bem recebidos pela população.

Para 53% dos entrevistados, a farmácia seria um local ideal para esclarecer dúvidas e se aconselhar sobre os medicamentos que estão utilizando; 51% realizariam exames preventivos para várias doenças e 48% aceitariam receber um programa de tratamento e acompanhamento para parar de fumar. Em relação ao uso de vários medicamentos, 48% dos entrevistados pediriam ajuda do farmacêutico sobre a melhor forma de organizar todo o tratamento.

Diante de dados como este, surge a necessidade de fazer uma evolução no papel nas farmácias. A Abrafarma desenvolveu o projeto de Assistência Farmacêutica Avançada, que situará as farmácias no mapa como uma das soluções para os principais problemas do setor da saúde.

O projeto contempla oito serviços para atender uma ampla gama de necessidades de saúde dos pacientes: hipertensão em dia, diabetes em dia, colesterol em dia, revisão da medicação, autocuidado, imunização, parar de fumar e perda de peso.

A possibilidade para oferta desses novos serviços farmacêuticos, abrangendo testes rápidos de saúde e aplicação de vacinas, estabeleceu-se no ano passado com a publicação da Lei n° 13.021, que ampliou o papel dos estabelecimentos no acesso da população aos cuidados de saúde. Outra abertura dada pela Lei n° 13.021/14 é a atuação do farmacêutico como agente de saúde, ou seja, como prestador de serviços contemplados no projeto da Abrafarma.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Conheça 10 brasileiras pioneiras na ciência

“As meninas precisam ter exemplos”, diz a professora Hildete Pereira de Melo, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense. Ela é, juntamente com a professora Ligia Rodrigues, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, autora da pesquisa “Pioneiras da Ciência no Brasil”.


O estudo levantou mulheres importantes de diversas áreas científicas no país, em diferentes áreas do conhecimento, como física, química, agronomia, história, botânica, entre outras. Hildete conta ao G1 que um dos principais objetivos da publicação era inspirar a “descoberta” das brasileiras na história científica do Brasil.



“Elas [as meninas] não podem olhar para a ciência e achar que é um mundo masculino porque só tem homem, e brancos. A ciência é andrógina e branca, a matriz eurocêntrica. Isso foi o que nos moveu”, afirma.




A partir de entrevistas com pesquisadores, e utilizando dados do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a dupla de autoras montou perfis das cientistas, utilizando como critério as descobertas realizadas por elas, assim como fatos pioneiros de suas carreiras, como, por exemplo, serem as primeiras mulheres a obterem título de doutoras no Brasil.


“A ciência brasileira é muito recente. A criação da Universidade do Brasil (hoje UFRJ), na década de 20, e a USP, em 1934, são os primeiros marcos do desenvolvimento dos estudos de graduação universitários no Brasil”, lembrou.


Hildete Pereira lembra, no entanto, da grande resistência para a entrada das mulheres no mundo acadêmico, antes majoritariamente dominado pelo sexo masculino.



“A partir da década de 20, as mulheres vão dando pontapés nas portas das universidades para entrar, porque não pense que entraram facilmente. Nossas bisavós lutaram por isso”, afirmou.




Publicado em 2006, o livro “Pioneiras da Ciência no Brasil” está disponível online. O G1 reuniu 10 entre os perfis levantados pelas pesquisadoras, resumindo suas carreiras e descobertas.




Alice Piffer Canabrava(1911 - 2003) - Historiadora





Após perder a vaga para outro homem, Alice Piffer Canabrava se tornou a primeira professora catedrática da USP em 1951. (Foto: Divulgação/FEA)



Nascida em Araras (SP), formou-se em Geografia e História pela USP em 1937, e iniciou o doutorado em História em 1942. Quatro anos mais tarde, tentou se tornar professora da cadeira de História da América da USP, e obteve a maior média no conjunto de provas. No entanto, a banca de examinadores deu o cargo a um concorrente homem. Pediu transferência para a Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas (atualmente FEA) e, em 1951, se tornou a primeira professora catedrática da USP, na cadeira de História Econômica Geral do Brasil.




Bertha Lutz (1894 – 1976) - Bióloga, sufragista e ativista feminista





Além de bióloga, Bertha Lutz foi ativista feminista, sufragista e deputada federal (Foto: Wikimedia Commons)


Filha de um cientista e uma enfermeira, se formou no curso de ciências da Universidade de Sorbonne, em Paris, e, em 1919, foi a segunda mulher a se tornar funcionária pública no Brasil, ao ser aprovada em um concurso do Museu Nacional, no RJ. Especializada em anfíbios, Bertha Lutz foi professora por mais de 40 anos da instituição, e também teve grande participação nos movimentos feministas no Brasil no início do século XX, como o Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que liderou a campanha pelo voto das mulheres no país, conquista alcançada em 1932. Quatro anos depois, assumiu mandato de deputada federal.





Carolina Martuscelli Bori (1924 - 2004) - Psicóloga





Carolina Martuscelli Bori teve papel fundamental no estudo da psicologia no Brasil (Foto: Divulgação/USP)


Formou-se em pedagogia pela USP em 1947, entrando na universidade antes da existência dos cursos de psicologia no país. Aprofundou os estudos na área nos EUA, e, aos 30 anos, concluiu o doutorado no Brasil. Carolina Bori foi pioneira do estudo da psicologia no país, e defendeu a regulamentação da profissão nos anos 60. Também participou da fundação da Sociedade Brasileira de Psicologia e do programa de pós-graduação do Instituto de Psicologia da USP, coordenado por ela por 15 anos.




Elza Furtado Gomide (1925 - 2013) Matemática





Elza Furtado Gomide foi a primeira doutora em matemática no Brasil (Foto: Divulgação/CNPq)


Começou a carreira ao se formar em física pela USP, em 1944, em meio à Segunda Guerra Mundial. Porém, pegou gosto pela matemática, e acabou se tornando a primeira brasileira a concluir doutorado na disciplina, defendendo a tese em novembro de 1950 na mesma instituição. Trabalhou na USP por cinco décadas.





Graziela Maciel Barroso (1912-2003) - Botânica





Graziela Maciel Barroso ficou conhecida como a 'primeira grande dama' da botânica no Brasil (Foto: Divulgação/CNPq)


A “primeira grande dama” da botânica brasileira casou-se aos 16, e, educada para ser dona de casa, voltou aos estudos somente aos 30 anos de idade. Começou como estagiária no Jardim Botânico no Rio de Janeiro e foi estudar biologia na Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ) aos 47 anos. Foi professora por mais de 50 anos, e escreveu "Sistemática de angiospermas do Brasil", livro considerado como referência na área da botânica em todo o mundo. Além disso, foi homenageada dezenas de vezes por cientistas, que colocam seu nome em descobertas de vegetais.




Johanna Döbereiner (1924 – 2000) - Agrônoma





Johanna Döbereiner descobriu a relação de uma bactéria e a fixação de nitrogênio em certos tipos de plantas. Foi indicada ao Nobel de Química em 1997. (Foto: Embrapa)



Nascida na antiga Tchecoslováquia, fugiu com a família após o fim da Segunda Guerra e foi naturalizada brasileira em 1956. Formada em Agronomia na Universidade de Munique, foi contratada para trabalhar no Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas do Ministério da Agricultura que, anos mais tarde, se tornaria a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Seu trabalho mais lembrado é a descoberta da associação entre bactérias e alguns tipos de gramíneas, o que permitia a fixação biológica de nitrogênio nas plantas, o que dispensava o uso de fertilizantes químicos, e acabou revolucionando a produção de soja no país. Também foi indicada ao Prêmio Nobel de Química em 1997.




Nise da Silveira (1905 -1999) - Médica Psiquiatra





Nise da Silveira foi um dos símbolos da luta antimanicomial no país (Foto: TV Gazeta)


Maceioense nascida em 1905, foi a única mulher a se formar em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em uma turma de 158 alunos. Em 1936, chegou a ser presa por conta de suas ideias, e, dez anos mais tarde, começou um trabalho pioneiro envolvendo esquizofrenia, utilizando a arte como forma de terapia ocupacional. Reconhecida internacionalmente, também teve grande papel na divulgação da psicologia jungiana no Brasil, e foi um dos símbolos da luta antimanicomial no país.




Ruth Sonntag Nussenzweig - Bióloga





Ruth Sonntag é referência no campo da parasitologia, e fez trabalhos para combate da malária e da doença de Chagas (Foto: Divulgação/CNPq)



Natural de Viena, na Áustria, emigrou para o Brasil ainda menina, e cursou medicina na USP, em 1948. Se destacou por suas pesquisas, inicialmente, envolvendo a transmissão e prevenção da doença de Chagas. Fez pós-doutorado em bioquímica na França no fim dos anos 50, e em 1967, publicou uma descoberta na revista "Nature", a respeito do combate ao parasita causador da malária. Em 1998, foi condecorada com a Ordem Nacional do Mérito Científico classe Grã-Cruz e, atualmente, é pesquisadora do Departamento de Patologia da Universidade de Nova York.




SONJA ASHAUER (1923 – 1948) - Física





Apesar da vida breve, Sonja Ashauer foi a primeira brasileira a concluir o Doutorado em Física (Foto: Wikimedia Commons)


Nasceu em 1923, filha de pais de origem alemã. De inteligência notável desde cedo, se formou em física pela USP em 1942, a segunda mulher a concluir o curso no Brasil. Apenas seis anos depois, se tornaria a primeira brasileira a concluir o doutorado também em física, pela Universidade Cambridge, na Inglaterra. Sua tese estudava problemas em elétrons e radiação eletromagnética, assunto pioneiro para a época. No entanto, teve a carreira encerrada abruptamente, ao morrer aos 25 anos, meses depois de retornar ao Brasil.




Victória Rossetti (1917- 2010) - Engenheira-Agrônoma





Engenheira agrônoma, Victoria Rossetti se tornou conhecida internacionalmente pelas pesquisas sobre doenças em frutas cítricas (Foto: Divulgação/John Simon Guggenheim Memorial Foundation)



Natural de Santa Cruz das Palmeiras, interior de São Paulo, foi a primeira mulher a se formar em agronomia em todo o estado, e segunda no Brasil, em 1939. No Instituto Biológico do Estado de São Paulo, foi pesquisadora e se tornou referência internacional em doenças em plantas cítricas. Foi diretora da Divisão de Patologia Vegetal em no instituto paulista por mais de duas décadas, e continuou trabalhando até 2003.




Autor: Cauê Fabiano
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 08/03/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/conheca-10-brasileiras-pioneiras-na-ciencia.ghtml

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Como cidades brasileiras podem ser afetadas pelo derretimento das geleiras e aumento no nível do mar




Pesquisadores da Nasa descobriram que quanto mais distante uma cidade está de uma massa de gelo, mais ela pode ser afetada por seu derretimento | Foto: Google Earth

O derretimento acelerado de algumas das maiores geleiras do planeta - do Ártico à Antártida - aflige cientistas em todo o mundo há alguns anos. Afinal, a previsão é que o aquecimento global continue desintegrando as grandes massas de gelo do mundo, o que deve elevar o nível dos oceanos e transformar a Terra.

Mas antes que as consequências disso sejam sentidas globalmente, algumas cidades estarão na linha de frente das mudanças. Será que a sua precisa se preocupar?

Uma nova ferramenta desenvolvida por engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa tenta prever como 293 cidades portuárias do mundo - entre elas Rio de Janeiro, Recife e Belém - serão afetadas pelo derretimento de porções diferentes de todas as massas de gelo no mundo.
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"A maioria dos modelos existentes é feita de um ponto de vista de alguém que está em cima do gelo, tentando entender como seu derretimento vai impactar o nível do mar em outro lugar do mundo", explicou à BBC Brasil o físico e engenheiro mecânico Eric Larour, líder do projeto.

"Mas resolvemos pensar do ponto de vista de alguém que está numa cidade costeira, tentando entender como as áreas geladas ao redor do mundo podem mudar o aumento do nível do mar ali. Por isso tivemos que usar computação reversa."

O estudo reafirmou o que os cientistas vêm dizendo há algum tempo - que o aumento do nível dos oceanos não será exatamente igual em todo o mundo.

Mas trouxe também uma informação surpreendente: não é o derretimento da geleira mais próxima de uma cidade que pode oferecer problemas - é justamente a mais distante.

"Quanto mais longe você está de uma massa de gelo, mais tem que se preocupar com ela. Mas as pessoas acham que é o contrário disso", diz Larour.

"Isso tem consequências muito grandes para o planejamento das estratégias das cidades."Image captionComo o Rio de Janeiro será afetado pelo derretimento do gelo em cada região da Antártida; azul significa que a cidade é pouco sensível ao colapso desse trecho | Foto: JPL NasaImage captionComo o derretimento na Antártida afeta Recife - mais vermelho significa que a cidade é mais sensível à dissolução do gelo dessa região | Foto: JPL NasaImage captionBelém, apesar de estar mais longe da Antártida, é sensível ao derretimento em todo o continente gelado | Foto: JPL Nasa
Como o Brasil seria afetado?

As imagens geradas pelo novo modelo, que se chama mapeamento de impressões digitais em gradiente, mostram o nível sensibilidade das cidades brasileiras ao derretimento que ocorre na Antártida, na Groenlândia e em outras 13 massas de gelo - a maiores do mundo, que incluem o Estado americano do Alaska e a cordilheira dos Andes.

Quanto mais vermelha a área do mapa, mais sensível é a cidade ao derretimento naquela parte da massa de gelo. Quanto mais azul, menos impactada ela será.
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No caso da Groenlândia, por exemplo, as três cidades brasileiras serão afetadas pela desintegração de qualquer parte do gelo - principalmente Rio e Recife (veja as imagens abaixo).

Já no caso da Antártida, o Rio, mesmo estando no Sudeste, é pouco afetado pelo derretimento na parte do continente que fica mais próxima da América do Sul - justamente o local que os cientistas dizem estar entrando em colapso mais rapidamente.

A maior preocupação para as cidades brasileiras deve ser justamente a parte da Antártida que fica mais próxima da Austrália e da Nova Zelândia. Essa sim pode causar um aumento no nível do mar nelas.

Larour diz, no entanto, que essa região não parece estar sob risco de derretimento no momento.

"A mensagem é que todos devemos nos importar com as massas de gelo, mesmo as que estão mais distante de nós. Aliás, especialmente as que estão mais distantes", afirma.

Usando imagens do satélite Grace, da Nasa, os engenheiros conseguiram mostrar também quanto as massas de gelo no mundo contribuem para cada milímetro de aumento no nível do mar nas cidades. Veja como a ferramenta funciona aqui.

Segundo os dados do Grace, o mar do Rio de Janeiro aumentou aproximadamente 3,03 mm por ano até 2015, por exemplo. O novo modelo consegue mostrar que 30% desse aumento vem do derretimento da neve da Groenlândia.

Em Recife, por sua vez, esse percentual é um pouco menor, e em Belém, menor ainda - mesmo que a capital do Pará esteja, a rigor, mais perto da Groenlândia.Image captionSe derretesse de uma vez e por completo, a Groenlândia aumentaria em mais de 6 metros o nível do mar no mundo, mas a água se distribui de formas diferentes | Foto: Google Earth
Por que isso acontece?

O derretimento da cobertura de gelo da Groenlândia, por exemplo, poderia aumentar os níveis do mar em 6,09 metros, de maneira geral, caso se liquefizesse por completo e de uma só vez. Mas as regiões da ilha estão derretendo em ritmos diferentes.

Eric Larour explicou à BBC Brasil que há três processos-chave que influem no padrão de mudanças do nível do mar no mundo. O primeiro deles é a gravidade. "Do mesmo jeito que corpos celestes como a Lua e o Sol se atraem, o oceano e o gelo se atraem, porque são massas enormes de água", explica.

"As massas de gelo são tão pesadas que, quando derretem, a gravidade em torno delas se modifica. Por isso, o oceano se afasta, seu nível decresce. O derretimento cria uma espécie de declive no oceano por muitos quilômetros."

Nessa perspectiva, é mais seguro, por exemplo, viver perto de uma grande geleira que esteja derretendo do que mais longe.

O modelo dos cientistas mostra, por exemplo, que cidades como Oslo, na Noruega, e Reykjavík, na Islândia, que estão mais próximas da Groenlândia, terão uma diminuição no nível do mar com o derretimento do gelo, não um aumento.

Além disso, o solo por baixo de uma geleira se comporta, segundo Larour, como um colchão, que se expande depois que seu dono se levanta dele pela manhã.

"O leito de rocha é comprimido pelo gelo, que é bastante pesado. Quando o gelo derrete, ele volta a se expandir verticalmente, ou seja, cresce lentamente. Se você está diante de uma praia, por exemplo, o solo 'sobe' e o mar recua", diz.Image captionApesar de estar no norte do Brasil, Belém é menos afetada pelo derretimento na Groenlândia do que Recife e Rio | Foto: JPL NasaImage captionRecife será apenas um pouco menos afetada pelo derretimento da Groenlândia do que o Rio de Janeiro | Foto: JPL NasaImage captionO nível do mar no Rio seria fortemente modificado pela dissolução das geleiras na Groenlândia | Foto: JPL Nasa

O último fator de mudança é a rotação do planeta. O engenheiro compara o planeta Terra a um pião girando em torno de seu eixo. "Assim como a Terra, o pião não só gira, mas ele também bamboleia, não faz uma rotação perfeita", diz.

"Com o gelo de uma parte da Terra está derretendo, a oscilação do planeta também muda (porque a massa em sua superfície fica distribuída de forma diferente). Isso também redistribui a água dos oceanos."

A novidade do modelo criado pela equipe de Larour é incorporar todos esses elementos no modelo de previsão, para ter mais detalhes sobre como essa redistribuição acontece.

"Outros estudos já haviam mostrado a atuação desses três fatores, mas agora podemos calcular a sensibilidade exata - numa cidade específica - do nível do mar em relação a cada massa de gelo do mundo."

O objetivo principal, diz ele, é ajudar no planejamento das principais cidades do mundo para os próximos cem anos - sabendo quais geleiras apresentam mais risco e em que velocidade elas estão derretendo, governos podem pensar em como diminuir efeitos do aumento do nível do mar.

Larour ressalta que quase todo o gelo da Terra está em algum estado de derretimento. "Algumas áreas específicas estão aumentando, mas são poucas, e também há poucas que estão no meio do caminho. A maioria está derretendo ou quebrando, liberando mais icebergs no oceano."

Autora: Camilla Costa
Fonte: BBC Brasil em São Paulo
Sítio Online da Publicação: BBC
Data de Publicação: 22/11/2017
Publicação Original: http://www.bbc.com/portuguese/geral-42057029