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terça-feira, 25 de outubro de 2022

ID Week 2022: Novos estudos sobre pneumonia, bacteremia e tuberculose

Durante o congresso IDWeek 2022, promovido pela Infectuous Diseases Society of America (IDSA), em Washington D.C, foram apresentados resultados de estudos recém-publicados na área da infectologia. Aqui reunimos os novos estudos sobre doenças provocadas por bactérias que têm o potencial de influenciar a prática médica.

Os principais temas apresentados foram penumonia, bacteremia por Gram-negativos, Staphylococcus aureus e tuerculose. Confira abaixo.


GRACE-VAP

O estudo GRACE-VAP avaliou o impacto de terapia guiada por bacterioscopia pela técnica de Gram em pacientes com diagnóstico de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV). Trata-se de um estudo de não inferioridade, multicêntrico, aberto e randomizado, conduzido em 12 hospitais terciários no Japão.

Participantes com 15 anos de idade ou mais, com diagnóstico de PAV, foram randomizados para receber terapia com antibióticos de acordo com as recomendações dos guidelines para tratamento empírico ou para receber tratamento conforme os resultados de bacterioscopia de amostras de aspirado traqueal.


O desfecho primário foi taxa de resposta clínica, definida como término de antibioticoterapia dentro de 14 dias, melhora ou ausência de progressão dos achados radiológicos iniciais, resolução dos sinais e sintomas de pneumonia, e ausência de necessidade de readministração de antibióticos.


No total, foram incluídos 206 pacientes no estudo, com 103 em cada braço. Terapia guiada por bacterioscopia foi não inferior para o desfecho primário e esteve associada a menor uso de agentes com atividade contra Pseudomonas sp. e contra MRSA. Não houve diferença entre os grupos na incidência cumulativa de mortalidade com 28 dias, dias livres de ventilação mecânica, dias livres de internação em CTI ou eventos adversos. Entretanto, o grupo que recebeu terapia baseada em Gram apresentou maior incidência de escalonamento de terapia após resultados de culturas.


Impacto da coleta de hemoculturas de controle em bacteremia por Gram-negativos

Nessa revisão sistemática com meta-análise, os autores buscaram evidências em relação ao impacto clínico da prática de coleta de hemoculturas de controle em pacientes com bacteremia por organismos Gram-negativos.


Os estudos incluídos deveriam ter ajuste pela gravidade inicial dos pacientes. Nenhum ensaio clínico randomizado foi encontrado, e a maioria dos trabalhos foram com estudos observacionais de coorte. Os autores buscaram avaliar a associação da coleta de hemoculturas seus resultados com mortalidade em 30 dias.


Foram incluídos 15 estudos, dos quais 5 avaliaram a relação de coleta de hemoculturas e mortalidade, o que correspondeu a dados de 4.378 pacientes. A coleta de hemoculturas de controle esteve associada à redução de mortalidade (HR = 0,56; IC 95% = 0,45 – 0,71). Não foi possível realizar uma meta-análise para avaliar relação entre os resultados das hemoculturas e mortalidade devido ao pequeno número de estudos encontrados, mas parece haver uma tendência de maior mortalidade naqueles com hemocultura positiva.


Mais estudos para avaliar quais pacientes se beneficiam ou não dessa prática, assim como maior sistematização de coletas de controle nessa população são necessários.


SABATO trial

O SABATO é um estudo de não inferioridade, aberto e randomizado que avaliou paciente adultos hospitalizados com bacteremia de baixo risco por Staphylococcus aureus, comparando troca precoce para terapia oral com terapia IV.


Para serem incluídos, os indivíduos deveriam ter características de baixo risco: hemoculturas de controle (após 24 a 96 horas) negativas, sem sinais de infecção à distância, remoção de cateteres intravasculares em até 4 dias, sem imunossupressão grave, e sem história de doença valvar protética ou enxertos vasculares.


Os participantes receberam antibioticoterapia IV por cinco a sete dias e depois foram randomizados para receber mais 7 – 9 dias de antibiótico oral ou intravenoso. O desfecho primário foram complicações relacionadas à bacteremia por S. aureus em 90 dias (desfecho composto de relapso de bacteremia, mortalidade atribuída e infecções profundas).


Foram 213 pacientes incluídos. Somente 5% das infecções foram causadas por MRSA e os focos mais frequentes foram infecções de pele e partes moles e cateteres venosos. Sulfametoxazol-trimetoprim foi a opção oral mais frequentemente prescrita, tanto nas infecções por MSSA quanto nas por MRSA.


A troca para terapia oral foi considerada não inferior à terapia intravenosa para o desfecho de complicações por S. aureus e esteve associada à redução na duração de hospitalização em uma mediana de 4 dias. Não houve diferença na mortalidade em 90 dias, complicações relacionadas à terapia IV e nem na incidência de diarreia relacionada a Clostridioides difficile.


Os resultados do SABATO foram divulgados no ECCMID 2022 e ainda não foram publicados.


ZeNix trial

O ZeNix é um estudo randomizado que procurou comparar o uso de linezolida na dose de 600mg com a dose usual de 1200mg, como parte do esquema terapêutico de bedaquilina, pretomanida e linezolida para tuberculose resistente. Embora eficaz, a dose de 1200mg de linezolida está associada a elevada frequência de eventos adversos e, por esse motivo, doses menores podem ter benefício potencial.


Foram incluídos 181 indivíduos com mais de 14 anos de idade e diagnóstico de tuberculose resistente, que foram randomizados para receber tratamento com baixa dose ou dose padrão de linezolida por 26 semanas.


A eficácia foi semelhante entre os grupos, com 91% de desfecho favorável no grupo de baixa dose e 93% no de dose padrão. Entretanto, a incidência de neuropatia periférica (24% vs. 38%) e de mielotoxicidade (2% vs. 22%) foi menor no grupo de baixa dose.


Baseada nesses resultados, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou a adoção de dose baixa de linezolida nos esquemas de tratamento para tuberculose resistente.


SHINE trial


O SHINE é um ensaio clínico de não-inferioridade, multicêntrico, aberto e randomizado que incluiu 1204 crianças com menos de 16 anos de idade com tuberculose sensível, sintomática e sem gravidade. Os participantes foram randomizados para receber o esquema básico de tratamento pelo tempo padrão de seis meses ou por tempo reduzido de quatro meses.


O tratamento por 4 meses foi considerado não-inferior ao por 6 meses no desfecho primário de status desfavorável (desfecho combinado de falha terapêutica, perda de seguimento durante o tratamento ou óbito) em 72 semanas. A incidência de eventos adversos moderados a graves foi semelhante entre os grupos.


A OMS alterou suas recomendações e tratamento por 4 meses é o regime de preferência em crianças de 3 meses a 14 anos com tuberculose sensível sem sinais de gravidade.






Autor: Isabel Cristina Melo Mendes
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 24/10/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/id-week-2022-novos-estudos-sobre-pneumonia-bacteremia-e-tuberculose/

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Pneumonia: prevenção em crianças com comprometimento neurológico



Crianças com comprometimento neurológico (CN) constituem um subconjunto crescente da população pediátrica e representam 5,3% de todas as hospitalizações, 22% das despesas hospitalares e 40% das readmissões nos Estados Unidos. Essas crianças são mais suscetíveis à pneumonia adquiridana comunidade e por aspiração e, quando hospitalizadas, são mais propensas a necessitar de Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) e a readmissões.

Crianças com CN enfrentam alto risco de pneumonia grave recorrente, com estratégias de prevenção de eficácia desconhecida. Pneumonia é a causa de óbito em 39% das crianças com paralisia cerebral, o tipo mais comum de CN em crianças.

Com o objetivo de avaliar a eficácia comparativa das estratégias de prevenção secundária para pneumonia grave em crianças com CN, Lin e colaboradores (2019) conduziram o estudo Pneumonia Prevention Strategies for Children With Neurologic Impairment, publicado na edição de outubro da revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria.
Pneumonia com CN: estratégias de prevenção

Foi realizado um estudo retrospectivo, comparativo de eficácia em uma coorte de pacientes pediátricos de 0 a 21 anos de idade, matriculados nos Serviços Infantis da Califórnia (California Children’s Services) entre 1º de julho de 2009 e 30 de junho de 2014. Esses pacientes apresentavam CN e histórico de, no mínimo, uma internação por pneumonia.

Os autores avaliaram as associações entre hospitalização por pneumonia subsequente e estratégias de prevenção recomendadas por especialistas. Essas estratégias incluíam:
Atendimento odontológico;
Controle de secreção oral;
Supressão de ácido gástrico;
Colocação de sonda de gastrostomia (GTT);
Fisioterapia respiratória;
Antibióticos ambulatoriais antes da primeira internação;
Consulta clínica antes ou após a primeira internação.

Lin e colaboradores (2019) utilizaram um modelo correspondente ao escore de propensão de 1: 2 para ajustar as covariáveis, incluindo dados sociodemográficos, complexidade médica e gravidade da hospitalização por índices.


Resultados
Entre 3632 crianças com CN e primeira internação por pneumonia, 1362 (37,5%) tiveram subsequente readmissão por pneumonia;
Somente o atendimento odontológico foi associado à diminuição do risco de hospitalização subsequente por pneumonia [odds ratio ajustada (aOR): 0,64; intervalo de confiança de 95% (IC): 0,49-0,85];
As exposições associadas ao aumento do risco incluíram:
Colocação de sonda de GTT (aOR: 2,15; IC95%: 1,63-2,85);
Fisioterapia respiratória (aOR: 2,03; IC95%: 1,29–3,20);
Antibióticos ambulatoriais antes da hospitalização (aOR: 1,42; 95% IC: 1,06–1,92);
Consulta clínica antes (aOR: 1,30; IC95%: 1,11–1,52) e após a primeira internação (aOR: 1,72; IC95%: 1,35–2,20);
O manejo da secreção oral e a supressão de ácido gástrico foram associadas a um risco aumentado, mas em menor grau.
Conclusões

Lin e colaboradores (2019) concluíram que, das muitas estratégias de prevenção de pneumonia recomendadas pelas orientações de especialistas, apenas o atendimento odontológico parece ter efeitos potencialmente protetores contra pneumonia grave em crianças com CN: esses pacientes apresentaram menores taxas de pneumonia grave recorrente se recebiam atendimento odontológico como medida preventiva.

Notavelmente, a colocação de GTT esteve, neste estudo, associada a um risco aumentado de pneumonia grave, mas os autores destacam que estes resultados devem ser interpretados com cautela. Os autores enfatizam que este estudo apoia a realização de um ensaio clínico com atendimento odontológico para prevenção de pneumonia grave em crianças com CN e não suporta o uso generalizado de GTT com este objetivo.

Portanto, estes resultados sugerem que mais atenção deve ser dada à saúde bucal de crianças com CN. Infelizmente, de acordo inclusive com os próprios pesquisadores, o atendimento odontológico continua sendo a necessidade não atendida mais comum para crianças com necessidades especiais.

No Rio de Janeiro, o programa Mais Sorriso atende pacientes com necessidades especiais. Para mais informações, acesse este link.



Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: Pebmed
Sítio Online da Publicação: Pebmed
Data: 05/11/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/pneumonia-prevencao-em-criancas-com-comprometimento-neurologico/

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Novo guideline para diagnóstico e tratamento da pneumonia

médica examinando paciente com pneumonia


Pneumonia é uma das maiores causas de morte por doença infecciosa no país. A American Thoracic Society (ATS) publicou recentemente um novo guideline sobre essa condição de suma importância para o clínico, com recomendações sobre seu diagnóstico e tratamento.

Pneumonia: diagnóstico e tratamento

Além da avaliação clínica, o guideline recomenda a utilização de escores clínicos validados para predição de prognóstico e auxílio na determinação do melhor local de tratamento. Os autores recomendam preferencialmente o uso do Pneumonia Severity Index (PSI) em relação ao CURB-65, uma vez que o primeiro tem maior poder discriminatório para predizer mortalidade.
Destaca-se que o PSI pode subestimar a gravidade do quadro clínico em pacientes mais jovens e simplificar a interpretação de variáveis clínicas contínuas (como pressão arterial), uma vez que não considera as características individuais do paciente (como a pressão arterial basal). Além disso, outros fatores podem interferir com a capacidade e segurança do tratamento ambulatorial, como fatores socioeconômicos, incapacidade de terapia oral, presença de déficit cognitivo, comorbidades, história de uso de substâncias ilícitas, entre outros. Por esse motivo, tanto PSI como o CURB-65 devem ser utilizados em conjunto com o julgamento clínico para determinar se há indicação de hospitalização ou não.
O painel da ATS recomenda que pacientes com necessidade de vasopressores ou de ventilação mecânica sejam admitidos diretamente em unidades de terapia intensiva. Para os demais pacientes, recomenda-se que pacientes classificados como tendo pneumonia grave sejam internados em UTI. Essa classificação considera a presença de critérios maiores e menores. Assim, são considerados quadros graves de pneumonia os que se apresentam com pelo menos um critério maior ou três ou mais critérios menores:
Critérios menores
Frequência respiratória ≥ 30 irpm ou P/F ≤ 250
Infiltrados multilobares
Confusão mental/desorientação
Uremia (U ≥ 40)
Leucopenia (leucócitos < 4000 células/mm³)
Plaquetopenia (plaquetas < 100.000/mm³)
Hipotermia (T < 36°C)
Hipotensão com necessidade de reposição volêmica agressiva
Critérios maiores
Choque séptico com necessidade de vasopressores
Insuficiência respiratória com necessidade de ventilação mecânica

Diagnóstico etiológico

Para pacientes ambulatoriais, o painel não recomenda a coleta de amostras biológicas para cultura, tanto amostras de escarro quanto hemoculturas. Essa recomendação é baseada na falta de evidências demonstrando melhora no desfecho individual de pacientes nesse contexto quando coleta de escarro e hemoculturas são feitos de rotina.
Por outro lado, há recomendação de coleta de amostras de escarro para realização de bacterioscopia e cultura e de hemoculturas pré-tratamento em pacientes internados com quadro de pneumonia grave, que estão sendo tratados empiricamente para MRSA ou Pseudomonas aeruginosa ou que tenham história prévia de infecção do trato respiratório inferior por essas bactérias, ou em pacientes que tenham sido hospitalizados ou que tenham recebido antibioticoterapia parenteral nos últimos 90 dias.
Durante períodos de circulação de Influenza, recomenda-se a realização de testes moleculares, como PCR, no lugar de testes rápidos, os quais detectam antígenos, em pacientes com suspeita de gripe. Essa recomendação está alinhada com as recomendações para pacientes com suspeita de Influenza na população geral. Entretanto, o painel faz a ressalva de que não foram encontrados estudos que avaliassem o impacto da realização de testes diagnósticos para Influenza no desfecho de pacientes com pneumonia comunitária.
Outro ponto abordado no guideline é o uso de procalcitonina como marcador para definição de início ou atraso de antibioticoterapia empírica. Os autores recomendam que o tratamento empírico seja iniciado em pacientes com suspeita clínica de pneumonia ou com pneumonia radiologicamente confirmada independente dos valores séricos iniciais de procalcitonina. Essa recomendação é baseada no fato de que, apesar de valores mais elevados de procalcitonina estarem mais associados à infecção bacteriana, um estudo recente em pacientes hospitalizados com pneumonia comunitária não foi capaz de identificar um ponto de corte de procalcitonina que adequadamente diferenciasse entre etiologias virais e bacterianas.
Além disso, a sensibilidade da procalcitonina para detectar infecções bacterianas é amplamente variável entre os estudos (38-91%), o que impossibilita seu uso isolado como ferramenta para justificar o adiamento do início de antibióticos.

Tratamento

guideline considera que os patógenos mais comumente associados à pneumonia comunitária são Streptococcus penumoniaeHaemophilus influenzaeMycoplasma pneumoniaeStaphylococcus aureusLegionella spp., Chlamydia penumoniae e Moraxella catarrhalis, semelhante ao que é encontrado no Brasil.
Entretanto, é importante lembrar que os perfis de sensibilidade aos antimicrobianos são diferentes e que nem todas as recomendações podem ser prontamente extrapoladas para o contexto brasileiro. O exemplo mais prático talvez seja o S. pneumoniae, o agente mais prevalente de pneumonia em ambos os países, mas com maior resistência a macrolídeos no Brasil. A sensibilidade às penicilinas, por outro lado, permite o uso de amoxicilina em seu tratamento na maioria das situações.
As recomendações de tratamento são baseadas na gravidade (e por consequência o local de tratamento), na presença de comorbidades e na presença de fatores de risco para patógenos específicos.
Característica clínicaTratamento recomendado
Pacientes saudáveis ambulatoriaisAmoxicilina 1 g 8/8h ou doxiciclina 100 mg 12/12h ou azitromicina 500 mg no 1º dia e 250 mg nos dias seguintes
Pacientes ambulatoriais com comorbidades como: doenças cardíacas, pulmonares, renais ou hepáticas, DM, alcoolismo, neoplasias ou aspleniaAmoxicilina/clavulanato 500 mg/125 mg 8/8h + azitromicina 500 mg ou fluoroquinolona respiratória (levofloxacino 750 mg 1x/dia ou moxifloxacino 400 mg 1x/dia)
Pacientes hospitalizados sem fatores de risco para MRSA ou P. aeruginosaAmpicilina/sulbactam 1,5-3 g 6/6h/ ceftriaxone 2 g 1x/dia + azitromicina 500 mg 1x/dia ou fluoroquinolona respiratória
Pacientes hospitalizados com pneumonia grave sem fatores de risco para MRSA ou P. aeruginosaTerapia combinada com betalactâmico + macrolídeo (como as opções acima) ou betalactâmico + fluoroquinolona respiratória
Pacientes hospitalizados com fatores de risco para MRSAAssociar vancomicina 15 mg/kg 12/12h ou linezolida 600 mg 12/12h aos esquemas anteriores
Pacientes hospitalizados com fatores de risco para P. aeruginosaPiperacilina/tazobactam 4,5 g 6/6h/ cefepime 2 g 8/8h/ceftazidima 2 g 8/8h/meropenem 1 g 8/8h + azitromicina 500 mg 1x/dia
guideline não recomenda cobertura adicional para anaeróbios em casos suspeitos de pneumonia associada à broncoaspiração, exceto se houver suspeita de abscesso pulmonar ou empiema, já que estudos recentes sugerem pouca participação dessas bactérias na etiologia de pneumonias mesmo após eventos de broncoaspiração. Da mesma forma, não há recomendação para uso de corticoides, exceto em casos de choque séptico.
Para pacientes com teste positivo para Influenza, a ATS recomenda terapia específica com oseltamivir, independente do tempo de doença e do local de tratamento. O uso de antivirais está associado com redução na duração dos sintomas e na probabilidade de complicações do trato respiratório inferior, principalmente se iniciados nas primeiras 48h de sintomatologia. Entretanto, os autores ressaltam que, mesmo esses pacientes, devem receber tratamento antibiótico, já que coinfecções virais e bacterianas são comuns. Se não houver evidências de infecção bacteriana, se o paciente apresentar um teste de Influenza positivo e houver melhora clínica precoce, antibioticoterapia poderia ser suspensa em 48 a 72 horas.
Em relação ao tempo de tratamento, recomenda-se que a terapia seja mantida por no mínimo 5 dias e até que o paciente apresente estabilidade clínica. A ausência de melhora em cinco dias deve levar à investigação de patógenos resistentes, complicações ou de fontes alternativas de infecção. Para casos de pneumonia por MRSA ou P. aeruginosa, a recomendação é de manter antibioticoterapia por sete dias. Por fim, pacientes com evolução clínica favorável com cinco a sete dias de tratamento não necessitam de imagens radiográficas de controle.


Autor: Isabel Cristina Melo Mendes
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 09/10/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/novo-guideline-para-diagnostico-e-tratamento-da-pneumonia/

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Vacina contra pneumonia é eficiente, mas precisa ser atualizada

Em tempos de desconfiança sobre a eficácia das vacinas, estudos realizados no Instituto de Microbiologia Paulo de Goés da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) surgem como aliados para o alerta da necessidade de vacinação e da continuidade das pesquisas. A professora e pesquisadora Tatiana de Castro Abreu Pinto, em conjunto com Lucia Martins Teixeira e Felipe Piedade Gonçalves Neves, acompanham a evolução da bactéria Streptococcus pneumoniae no Rio de Janeiro durante uma década, desde que a vacina para combatê-la foi incluída no calendário de vacinação no Sistema Único de Saúde (SUS), em 2010. O levantamento traz boas e más notícias. Embora a vacina funcione, reduzindo em até 90% o número de casos de doença pneumocócica, novos tipos da bactéria estão ganhando força e se tornando resistentes a antibióticos. Longe de ser uma situação de alarme, este é mais um indício de que é preciso manter a ciência em desenvolvimento constante. Tatiana recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado.

A principal característica que desafia os cientistas é a grande capacidade de variação da espécie: são 90 tipos diferentes, alguns deles mais ou menos presentes. A primeira vacina contra sete dos tipos mais frequentes foi lançada em 2002. Com o passar do tempo, pesquisas mostraram que esses tipos escolhidos inicialmente como alvos foram desaparecendo e outros começaram a emergir. Assim, em 2010, foram lançadas duas novas vacinas: uma que incorporava três novos tipos aos sete anteriores; e outra que adicionava seis novos tipos. A primeira foi adotada pelo SUS e a segunda está disponível apenas em clínicas particulares. A campanha de vacinação pública foi considerada bem-sucedida e 95% do público-alvo dessa vacina, crianças até cinco anos, foi imunizado.

O efeito da vacina distribuída pelo SUS, a primeira distribuída no Brasil para esta bactéria, é uma das frentes de pesquisa da equipe coordenada por Tatiana. As amostras chegam de hospitais públicos e privados com os quais o grupo firmou parceria, e são colhidas de crianças com até cinco anos, consideradas reservatórios dessas bactérias por ser uma fase de mais contato com outras crianças, mas que geralmente não apresentam sintomas. “O que nós fazemos é determinar quais são os tipos prevalentes em pacientes assintomáticos, que são o principal reservatório da bactéria. E tudo indicava que a vacina seria um sucesso porque os tipos incluídos na vacina também eram os mais comuns no Rio. De fato, isso aconteceu e alguns anos depois do início da vacinação, os tipos vacinais praticamente desapareceram, mas ganharam espaço outros dois tipos, um deles coberto pela vacina que cobre 13 tipos da espécie”, diz a bióloga. As evidências encontradas pela equipe, corroboradas por outras pesquisas, são de que a presença dos tipos alvo da vacina praticamente não existem mais e, como ocorreu com a primeira vacina, novos tipos estão ganhando força, ainda que não apresentem riscos significativos no momento.

O que os pesquisadores buscam agora são características comuns a todos ou à maioria dos tipos para desenvolver uma vacina mais eficiente. A coordenadora do estudo destaca a importância da pesquisa básica, que não desenvolverá diretamente nenhuma vacina, mas descreverá características anteriormente inéditas sobre estas bactérias. “A bactéria consegue subverter os tratamentos. Elas têm uma capacidade de evolução muito mais rápida do que nós temos de pesquisar”, explica. Por conta dessa característica, a Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou o organismo como ameaça em potencial (moderada) de superbactéria. No entanto, a pesquisadora garante que não há motivo para alarde. Há inúmeras pesquisas pelo mundo para o desenvolvimento de novas vacinas e a melhoria dos antibióticos. Outro problema detectado pelo grupo de pesquisadores é que a bactéria também está mais resistente aos remédios.

Solução de baixo custo para identificação dos tipos mais comuns

Atualmente, a identificação dos tipos só é possível de ser realizada com a compra de reagentes caros e o uso de mão de obra bastante especializada. Para tornar essa tarefa mais simples e barata, a equipe está trabalhando na caracterização dos tipos a partir de um equipamento disponível atualmente na maioria dos laboratórios de identificação bacteriana: o Maldi-tof MS. O equipamento se assemelha a um frigobar, com o propósito de conservar as amostras, guardadas em baixas temperaturas, e está conectado a um computador. A descrição de cada bactéria é feita por ondas que lembram um exame de batimentos cardíacos. Com isso, os pesquisadores passaram a olhar mais detalhadamente para o padrão descrito e a identificar outras variações que indicam o tipo de Streptococcus pneumoniae. A precisão conseguida até agora foi de 70% e um primeiro artigo foi publicado em 2018 e outro está a caminho.

“A determinação desse tipo de bactéria não é algo trivial. A maioria dos laboratórios não consegue fazer isso. O material reagente é caro e geralmente são centros de referência que estão aptos a fazer esse tipo de caracterização. E, por conta disso, acabamos perdendo muita informação”, lamenta Tatiana. Ela acrescenta que o Maldi-tof não é um equipamento barato, sendo utilizado de forma compartilhada entre os laboratórios do Instituto de Microbiologia da UFRJ, com um custo anual de manutenção de R$ 32 mil.

Divulgação Científica


Tatiana: destaque para a importância da comunicação para o público não especializado (Foto: Arquivo pessoal)


Desde que ingressou como jovem embaixadora brasileira na Sociedade Americana de Microbiologia (ASM, na sigla em inglês), em 2017, Tatiana tem se dedicado a um trabalho extra: a Divulgação Científica. Como coordenadora do projeto de DivulgaMicro, no último verão ela passou os finais de semana na praia do Leme, extensão de Copacabana, na Zona Sul do Rio, com a exposição Outbreak: Epidemias em um mundo conectado, para a qual teve apoio da ASM. Na exposição, formada por pôsteres, o visitante era informado sobre como as epidemias surgem e as formas de combatê-las, seja por programas governamentais de grande porte até pequenas ações individuais: tomar antibiótico corretamente e se vacinar. De acordo com a pesquisadora, a primeira providência é para evitar a interrupção de tratamento após sentir-se melhor, pois se abre uma oportunidade para o surgimento de bactérias resistentes aos antibióticos. Em relação à vacina, ela lembra que a imunização funciona por agrupamento e é por isso que quando poucos não estão vacinados, esta pessoa também está protegida – é o chamado “efeito rebanho”. “O retorno de doenças consideradas anteriormente raras ou extinguidas, como o sarampo, se deve principalmente ao fato de que o número de pessoas vacinadas dentro da população total hoje foi muito reduzido e já não atinge o mínimo de cobertura para garantir essa imunidade em rebanho”, comenta.

Em um fim de semana de julho, ela voltou a ocupar locais inusitados para falar de ciência, desta vez com a edição brasileira do “Soapbox Science”, evento criado no Reino Unido para valorizar o trabalho das mulheres cientistas. Além da Praça Mauá, as oito pesquisadoras de diversas áreas do conhecimento permaneceram uma manhã no Supermercado Carrefour, na Barra da Tijuca. “Desde o momento em que me tornei professora, passei a me interessar e a atuar na área de Divulgação Científica, estimulada por minha aproximação com a Sociedade Americana de Microbiologia. E depois dessa aproximação eu tenho certeza de que nós dependemos disso para continuar. Eu acompanho isso de perto, até com familiares e amigos, a distância do mundo em que nós, pesquisadores, vivemos, fazendo ciência, daquele do dia a dia de grande parte da população. Uma parcela significativa da sociedade não consegue compreender a importância do que produzimos aqui, que não tem uma aplicação imediata. É realmente muito difícil fazer com que as pessoas entendam o quão importante isso é, ou pode vir a ser, no futuro, para a vida de todos”, avalia.




Autor: Juliana Passos
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 12/09/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3827.2.3

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Do nariz para o pulmão: pesquisa esclarece mecanismos associados à pneumonia


Streptococcus pneumoniae, conhecido como pneumococo, uma das bactérias causadoras de pneumonia – Imagem: Wikimedia Commons

Um grupo de cientistas integrado por profissionais da USP e de centros de pesquisa do Reino Unido e da Holanda deu um importante passo para entender uma doença que mata 1,6 milhão de pessoas por ano no mundo: a pneumonia. Estudo publicado no periódico Nature Immunology elucida processo envolvido na proliferação e no transporte do pneumococo (uma das bactérias que causam a doença) do nariz para o pulmão do paciente. Além disso, o trabalho mostra que a inflamação causada pela gripe prejudica os mecanismos de defesa contra o pneumococo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, três em cada dez casos de pneumonia são fruto da ação dessa bactéria. Estima-se que 40% a 95% das crianças e 10% a 25% dos adultos sejam colonizados naturalmente pelo pneumococo, que se aloja na nasofaringe, região do sistema respiratório localizada atrás do nariz e acima do palato mole (parte de trás do céu da boca).

Grande parte dos casos de pneumonia ocorre após uma gripe, principalmente entre idosos e crianças, que têm uma imunidade menor em relação às outras pessoas. “Muita gente morre não por causa da gripe em si, mas da pneumonia que vem depois. Se a imunidade já está comprometida e ocorre uma gripe, ela diminui ainda mais e essa colonização pelo pneumococo se transforma em pneumonia, o que acaba matando o indivíduo”, explica um dos autores do estudo, Helder Nakaya. Ele é docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP e pesquisador do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (Cepid CRID), sediado em Ribeirão Preto.
Pesquisa clínica

Estudos epidemiológicos e experimentos em animais já indicavam um papel importante do vírus da gripe na vulnerabilidade à pneumonia, mas ainda não havia um estudo detalhado feito em humanos, pois esse tipo de infecção é bastante rápido. Por isso, os pesquisadores recrutaram 117 voluntários no Royal Liverpool University Hospital e criaram um modelo novo para estudo.

Para que o sistema imunológico dos voluntários pudesse desenvolver os efeitos de uma gripe, eles receberam a vacina feita com vírus atenuado, que, mesmo estando vivo, não consegue causar a doença. O ensaio clínico foi feito utilizando-se a metodologia duplo-cego, quando nem os médicos que o aplicam e nem os voluntários sabem se a substância que estão usando é a vacina ou um placebo. “O vírus é atenuado porque só consegue se reproduzir bem em temperaturas baixas, o que está associado com a mucosa nasal. Portanto, ele não consegue se espalhar pelo corpo, ficando restrito ao nariz”, diz Nakaya.

Após três dias, todos os voluntários foram infectados com pneumococos. Porém, segundo Nakaya, apesar de receberem a bactéria, apenas uma parte deles desenvolvia a colonização. Ao final, os voluntários foram divididos nos seguintes grupos: vacinados, não vacinados, colonizados e não colonizados. Nos quatro grupos, os pesquisadores coletaram o líquido resultante da lavagem do nariz com soro fisiológico. Dessas amostras, foram extraídas células, citocinas (moléculas marcadoras de inflamação) e RNA para análise.

“Embora as evidências epidemiológicas já mostrassem que a gripe interfere no desenvolvimento da pneumonia, faltava saber os genes afetados, as vias, as citocinas e os tipos de células envolvidos na infecção de gripe que vem antes da infecção pela bactéria. Como tínhamos um modelo em que sabíamos exatamente quando a pessoa foi infectada pelo vírus e pela bactéria, foi possível estudar tudo de uma forma simétrica”, conta o pesquisador.
Bioinformática

As análises geraram uma quantidade muito grande de dados, por isso a bioinformática teve um papel fundamental no estudo. Por meio de uma ferramenta inédita desenvolvida pela equipe de Nakaya chamada CEMiTool, ou, em português, Ferramenta de Identificação de Módulos de Co-expressão, os pesquisadores observaram, por exemplo, a atividade da citocina CXCL10, também conhecida como IP10, que pode ser um marcador para identificar alta suscetibilidade ao pneumococo e até mesmo um alvo terapêutico para infecções bacterianas associadas a infecções virais. Em estudos anteriores do grupo, crianças com pneumonia e coinfecções virais ou bacterianas (predominantemente pneumocócicas) apresentaram altas concentrações de CXCL10 quando comparadas a crianças apenas com pneumonia bacteriana ou viral.

“Ela é uma peça-chave na promoção da infecção viral e está relacionada até mesmo com os níveis de pneumococos na cavidade nasal. A partir da observação dessa citocina, descrevemos várias vias envolvidas na infecção e na colonização. Entender o comportamento dos genes responsáveis pela expressão dessa citocina ajuda a entender melhor o que está acontecendo e a complexidade da resposta imune”, explica.

De acordo com o pesquisador, os resultados obtidos neste trabalho serão importantes para desenvolver terapias específicas e assim evitar que a pneumonia leve à morte. “O que acontece é que geralmente o tratamento é feito quando a pneumonia já está acontecendo. Este trabalho está olhando para um momento anterior, para entender por que isso se torna uma pneumonia. Saber as citocinas e os tipos celulares envolvidos na infecção secundária por pneumococos vai ajudar a pensar novas opções de terapêuticas e até de vacinação”, diz Nakaya.

O artigo Inflammation induced by influenza virus impairs human innate immune control of pneumococcus tem autoria de Simon P. Jochems, Fernando Marcon, Beatriz F. Carniel, Mark Holloway, Elena Mitsi, Emma Smith, Jenna F. Gritzfeld, Carla Solórzano, Jesús Reiné, Sherin Pojar, Elissavet Nikolaou, Esther L. German, Angie Hyder-Wright, Helen Hill, Caz Hales, Wouter A.A de Steenhuijsen Piters, Debby Bogaert, Hugh Adler, Seher Zaidi, Victoria Connor, Jamie Rylance, Helder I. Nakaya e Daniela M. Ferreira.





Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 30/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/do-nariz-para-o-pulmao-pesquisa-esclarece-mecanismos-associados-a-pneumonia/

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

De infecções a pneumonia, estudo mostra que moscas podem transmitir mais doenças do que se imaginava

Mosca varejeira
Image captionMosca doméstica e varejeira carregam, cada uma, cerca de 300 tipos de bactérias | Fotos: Raul Santana/Fiocruz
Cientistas descobriram que dois tipos de moscas muito comuns em ambientes urbanos podem transmitir mais doenças do que se imaginava.

A mosca doméstica (Musca domestica) e a mosca varejeira (Chrysomya megacephala) carregam, cada uma, mais de 300 tipos de bactérias, mostra um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia (PennState University), nos Estados Unidos.

Muitas dessas bactérias são causadoras de doenças que afetam os seres humanos, incluindo infecções no estômago, intoxicações e até pneumonia.

Os micróbios se concentram nas pernas e nas asas dos insetos e se espalham pelo ambiente, por exemplo, cada vez que a mosca pousa sobre a comida. Cada movimento dos insetos pode espalhar as bactérias, afirmam os especialistas.

"As pessoas tinham alguma noção de que as moscas transportavam agentes patogênicos, mas não tinham ideia da dimensão desse fato e da escala em que essas bactérias podem ser transportadas", ressalta Donald Bryant, professor de bioquímica e biologia molecular da PennState University e um dos autores do estudo.
Surtos de doenças

Os pesquisadores analisaram 116 moscas de diversos habitats de três continentes e utilizaram técnicas de sequenciamento de DNA para identificar as bactérias que estavam sobre o corpo dos insetos.

A mosca doméstica, encontrada em todo o planeta, carrega 351 tipos de bactérias. A varejeira, mais comum em climas quentes, 316 tipos. Muitos dos microorganismos foram encontrados em ambas as espécies.

Os cientistas, que publicaram o trabalho no periódico Scientific Reports, destacam que as moscas podem estar sendo subestimadas pelas autoridades de saúde pública como fontes de surtos de uma série de doenças.

"Acreditamos que isso possa demonstrar um mecanismo de transmissão patogênica que tem sido negligenciado pelas autoridades de saúde pública, que as moscas podem contribuir para a transmissão de agentes patogênicos em situações de surtos", destacou Bryant.

"Vai fazer você pensar duas vezes antes de comer aquela salada de batata que está há horas sem tampa no seu próximo piquenique", ele acrescenta.

Image captionMosca varejeira vista com microscópio eletrônico | Foto: Ana Junqueira e Stephan Schuster

Alguns pesquisadores acreditam, contudo, que as moscas podem ser úteis e funcionar como sistemas de alerta para determinadas doenças ou como "drones vivos" capazes de entrar em espaços reduzidos para procurar por micróbios.

"As moscas poderiam ser intencionalmente lançadas como drones biônicos autônomos aos menores espaços e fendas e, depois de recapturadas, prover informações sobre todo o material biológico que encontraram", ilustra Stephan Schuster, diretor de pesquisa na Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura.

Moscas domésticas são conhecidas por seus péssimos hábitos de higiene - entre frequentar aterros sanitários e se alimentar de todo tipo de comida em decomposição, animais mortos e matéria fecal. Elas são potenciais vetores de doenças para humanos, animais e plantas.

As varejeiras são as moscas mais comuns vistas sobre animais mortos. Elas são típicas de áreas urbanas e são frequentemente encontradas próximo a fábricas de processamento de carne, abatedouros e lixeiras.

Autora: Helen Briggs
Fonte: bbc
Sítio Online da Publicação: bbc
Data de Publicação: 25/11/2017
Publicação Original: http://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-42122588