terça-feira, 2 de outubro de 2018

Realidade virtual ajuda a criar novos materiais


Nas simulações, o uso de óculos 3-D e controles manuais, já adotados em jogos eletrônicos, faz com que os pesquisadores possam percorrer.
o interior da estrutura dos materiais, a fim de compreender melhor as suas propriedades – Foto: Rafael Simões/ Reprodução .


Arealidade virtual é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento de novos materiais em pesquisas realizadas no Instituto de Física (IF) da USP. Simulações feitas em computador criam a possibilidade de percorrer o interior de um material e visualizar em escala nanométrica como suas moléculas se organizam. Entre as aplicações do sistema, está a criação de compostos para facilitar a extração de petróleo na camada do pré-sal.

“As simulações buscam entender como seria o comportamento dos materiais sob determinadas condições de interesse, como níveis específicos de temperatura e pressão”, conta o professor Caetano Rodrigues Miranda, do grupo Simulação Aplicada a Materiais: Propriedades Atomísticas (Sampa) do IF. “Tudo isso é feito do ponto de vista atomístico, simulando os materiais a partir de átomos e moléculas, e se nessa escala enormemente reduzida as simulações reproduzem as propriedades macroscópicas, para uso em aplicações.”

Entre as aplicações que são pesquisadas com auxílio da realidade virtual estão materiais para baterias e células de combustível (que produzem energia a partir do hidrogênio e oxigênio). “Também são estudadas aplicações em infraestrutura, como novos tipos de cimento”, aponta Miranda. “Na indústria de petróleo e gás, as simulações auxiliam na criação de nanopartículas para controlar a interface entre a rocha, o óleo e a salmoura (água com sais) e melhorar a extração.”


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O professor explica que nas camadas mais profundas do solo, abaixo do leito oceânico (pré-sal), o petróleo está impregnado nos poros das rochas, como a calcita, uma rocha sedimentar formada por esqueletos de animais que viveram há milhares de anos. “Durante a perfuração, a diferença de pressão faz com que o óleo percorra os poros da calcita e chegue à superfície”, relata. Com o tempo, porém, a diferença diminui e a extração fica mais difícil. “Assim, é feita uma injeção de salmoura para empurrar o óleo. Recentemente descobriu-se que reduzindo a salinidade havia um aumento da produção, entretanto os motivos não estão completamente entendidos. Portanto, entender e otimizar a composição da salmoura permitiria aumentar a produtividade da extração.”

Para estudar a interação entre a calcita (CaCO3) e a água com os sais cloreto de sódio (NaCl) e cloreto de cálcio (CaCl2), dentre outros íons, a estrutura molecular da rocha e dos compostos é reconstruída em computador. “O ambiente virtual é montado a partir da dinâmica molecular, ou seja, a partir da posição dos átomos e moléculas em função do tempo”, observa Miranda. Com o uso de óculos 3-D e controles manuais, os pesquisadores podem refazer o percurso da água pelos poros da calcita e outros sistemas. “Desse modo, é possível saber, por exemplo, se o poro é hidrofóbico ou hidrofílico, ou seja, se favorece a passagem da água ou não, e como os sais podem facilitar esse processo.”

De acordo com o professor, os avanços na parte computacional tornaram a realidade virtual mais acessível para as pesquisas. “A capacidade de processamento dos computadores aumentou, favorecendo a produção de ambientes virtuais, e ao mesmo tempo os óculos e controles já são largamente usados em jogos eletrônicos, com custo acessível”, destaca. “A percepção em escala nanométrica é mais difícil, pois ela foge do cotidiano. A importância da realidade virtual é oferecer uma experiência imersiva que favoreça a intuição dos cientistas.”


Professor Caetano Rodrigues Miranda: grupo de pesquisa desenvolveu ferramentas computacionais que convertem os dados das propriedades e estruturas das moléculas em sons, para facilitar os estudos sobre desenvolvimento de novos materiais – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Sonificação das moléculas

Um dos experimentos com realidade virtual envolve a sonificação. “O grupo desenvolveu ferramentas computacionais que convertem os dados das propriedades e estruturas das moléculas em sons”, explica Miranda. “Para entender como os átomos de hidrogênio se combinam nas moléculas de água que ficam próximas à calcita, para cada tipo de ligação de hidrogênio foi atribuído o som de um instrumento musical, de modo que o ouvinte possa perceber a diferença”. Além de ampliar a percepção dos pesquisadores, a sonificação pode ser usada na composição musical e para divulgação científica.

Para estender os estudos aos engenheiros de petróleo, o grupo Sampa utiliza uma impressora 3-D e técnicas de microfluídica para reproduzir os poros das rochas. “As simulações em realidade virtual demonstram o comportamento dos elementos em escala atomística, enquanto as reproduções dos poros permitem verificar se esse comportamento se repete no reservatório de óleo”, diz o professor. “Em uma etapa mais avançada das pesquisas, serão desenvolvidos aditivos químicos que modifiquem a interação entre o óleo e a salmoura, melhorando a extração.”




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 01/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-exatas-e-da-terra/realidade-virtual-ajuda-a-criar-novos-materiais/

Pesquisa da Fiocruz aponta que 75% dos idosos usam apenas o SUS

Pesquisa da Fiocruz traça pela primeira vez o perfil da saúde do idoso, o uso dos serviços de saúde, as limitações funcionais, as causas de hospitalizações, entre outras condições sociais que vão permitir aprimorar as políticas públicas

Por Alexandre Penido (Agência Saúde / AFN)


Idosos, em maio, durante vacinação no Distrito Federal em maio. Foto EBC


No Dia Nacional e Internacional do Idoso, celebrado na segunda-feira (1º/10), o Ministério da Saúde divulgou estudo com dados inéditos sobre o perfil de envelhecimento desta população no Brasil. O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil) faz parte de uma rede internacional de grandes estudos longitudinais sobre o envelhecimento e traz informações sobre como a população está envelhecendo e os principais determinantes sociais e de saúde. A ideia é que esse estudo traga subsídios para a construção e adequação de novas políticas públicas para fortalecer a saúde do idoso.

O Elsi- Brasil apontou que 75,3% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde, sendo que 83,1% realizaram pelo menos uma consulta médica nos últimos 12 meses. Nesse período, foi identificado ainda 10,2% dos idosos foram hospitalizados uma ou mais vezes. Quase 40% dos idosos possuem uma doença crônica e 29,8% possuem duas ou mais como diabetes, hipertensão ou artrite. Ou seja, ao todo, cerca de 70% dos idosos possuem alguma doença crônica.

“Nós temos que cuidar da saúde dos brasileiros desde a infância para que eles tenham uma vida cada vez mais saudável. Isso significa voltar nossas ações para uma alimentação saudável, para a promoção de atividades físicas, inibir o consumo do álcool e do tabaco, e ainda para as pessoas com idade acima de 60 anos, oportunizar o diagnóstico de doenças de forma cada vez mais precoce. É dessa maneira que podemos oferecer à nossa população um envelhecimento saudável”, afirmou o ministro da Saúde, Giberto Occhi.

O estudo apontou também que 85% da população com 50 anos ou mais vivem em área urbanas. E entre os relatos sobre os hábitos de comportamento, 43% dos idosos acompanhados pelo estudo disseram ter medo de cair na rua.

“Mais de 80% da população se diz satisfeita com a atenção que ela recebe. Então ter um sistema público de saúde universal é extremamente importante. O SUS possui bons indicadores de resolutividade, então é necessário que se preserve o sistema que é modelo para o mundo. Se você melhora a condição de saúde da população você também aumenta a longevidade no trabalho”, ressaltou a pesquisadora Maria Fernanda Lima-Costa, da Fiocruz Minas, que coordenou o estudo.

Para a realização do Elsi-Brasil foram investidos R$ 7,3 milhões. Deste total, R$ 4,2 milhões são do Ministério da Saúde e R$ 3,1 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Na primeira etapa participaram da pesquisa pessoas com 50 anos ou mais entre os anos 2015 e 2016 em 70 municípios nas cinco regiões do país. A idade de 50 anos foi utilizada devido ao interesse em analisar o período de transição do momento produtivo para o início da aposentadoria dos idosos (60 anos ou mais).

Atualmente, os idosos representam 14,3% dos brasileiros, ou seja, 29,3 milhões de pessoas. E, em 2030, o número de idosos deve superar o de crianças e adolescentes de zero a quatorze anos. Em sete décadas, a média de vida do brasileiro aumentou 30 anos saindo de 45,4 anos, em 1940, para 75,4 anos, em 2015. O envelhecimento da população tem impactos importantes na saúde, apontando para a importância de organização da rede de atenção à saúde para a oferta de cuidados longitudinais.

As doenças crônicas não transmissíveis atualmente afetam boa parte da população idosa. De acordo com pesquisas anteriores promovidas pelo Ministério da Saúde, 25,1% dos idosos tem diabetes, 18,7% são obesos, 57,1% tem hipertensão e 66,8% tem excesso de peso. Também são responsáveis por mais de 70% das mortes do país.

Linha de cuidado do idoso

O Ministério da Saúde lançou pela primeira vez documento para orientar a implementação de linha de cuidado integral às pessoas idosas no SUS. O documento colocado em consulta pública em 2017 e finalizado em 2018 contribui para a garantia do bem-estar desta população. O objetivo é que o profissional de saúde deixe de olhar somente para o cuidado da doença e invista na necessidade dos idosos, a partir do diagnóstico de vulnerabilidades sociais, nível de independência e autonomia e estilo de vida, considerando alimentação, prática de exercícios e prevenção de quedas, hábitos de saúde e histórico clínico.

“Para melhorar a saúde do idoso temos focado muito na qualificação da atenção primária com a capacitação e atualização dos profissionais. Principalmente para que eles tenham um olhar diferenciado voltado às necessidades da população idosa, uma vez que o processo de envelhecimento é rápido e ainda temos desafios a serem superados. Estamos preparando o sistemapúblico de saúde para as causas que geram maior vulnerabilidade dessa população”, ressaltou a coordenadora da Saúde do Idoso do Ministério da Saúde, Cristina Hoffmann.

Com esse novo olhar mais humanizado o Ministério da Saúde elaborou este documento com orientações técnicas para que os gestores municipais e estaduais possam construir e implementar essa linha de cuidado da pessoa idosa. Essa iniciativa deve organizar a Rede de Atenção à Saúde, o que significa qualificar o acolhimento, evitar internações desnecessárias e preservar a capacidade funcional do paciente. Além disso, a linha de cuidado vai possibilitar que o profissional de saúde identifique precocemente e monitore os casos de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e melhore também o controle e o rastreio de doenças e agravos como depressão, demência e quedas.

Caderneta da Pessoa Idosa

O Ministério da Saúde também oferta gratuitamente a nova Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, que após passar por atualização permite conhecer as necessidades de saúde dessa população atendida na Atenção Básica. As informações contidas nesse documento passarão a ser inseridas no Prontuário Eletrônico. Pela Caderneta é possível identificar o comprometimento da capacidade funcional, condições de saúde, hábitos de vida, vulnerabilidades, além de apresentar orientações para o autocuidado como alimentação saudável, atividade física, prevenção de quedas, sexualidade e armazenamento de medicamentos. Em 2017 foram distribuídos 3,9 milhões de exemplares aos municípios, com um investimento de R$ 2,9 milhões. Em 2018, mais 3 milhões de unidades devem ser entregues.

Também é ofertado gratuitamente no Google Play, pelo Ministério da Saúde, um aplicativo desenvolvido em parceria com a Fiocruz Brasília chamado Saúde da Pessoa Idosa. Este aplicativo reúne três ferramentas para ajudar na avaliação dos idosos identificando os mais vulneráveis.

Da AFN, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/10/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/02/pesquisa-da-fiocruz-aponta-que-75-dos-idosos-usam-apenas-o-sus/

As perdas econômicas causadas pela seca na China podem dobrar, com o aquecimento global

As perdas econômicas causadas pela seca na China podem dobrar, se a temperatura global subir 1,5°C para 2,0°C acima dos níveis pré-industriais, com o aumento da intensidade da seca e da expansão de áreas áridas na China. E o que indica um novo estudo de avaliação econômica realizado por cientistas chineses.





O estudo, baseado em 30 anos de estatísticas de perda de 31 províncias e cidades ,desde 1986, identifica a intensidade, área e duração dos eventos de seca na China, e avalia as vias socioeconômicas futuras e as relacionadas com a capacidade de adaptação.

Nos últimos anos, houve um aumento significativo nas perdas por seca em todo o mundo. Cerca de 20% das perdas econômicas diretas da China por desastres climáticos são causados pela seca.

A área de cultivo afetada pela seca tem média de 2.090.000 km2 por ano para o período de 1949 a 2017, equivalente a 1/6 do total das terras aráveis. As perdas econômicas diretas anuais atingem mais de sete bilhões de dólares dos EUA entre 1984 e 2017, de acordo com o nível de preços de 2015.

Em seu estudo, cientistas projetaram perdas por seca na China, sob aumento de temperatura global de 1,5°C e 2,0°C. O produto interno bruto regional sob várias vias socioeconômicas compartilhadas mostrou resultados diferentes, mas todos apontando para um mesmo fato.

“A perda estimada em um caminho de desenvolvimento sustentável no nível de aquecimento de 1,5°C aumenta dez vezes em comparação com o período de referência 1986-2005 e quase três vezes, em relação ao intervalo 2006-2015”, disse o primeiro autor Prof. SU Buda, pesquisador do Instituto Xinjiang de Ecologia e Geografia (XIEG) da Academia Chinesa de Ciências.

Estima-se que a perda média anual de seca para o nível de aquecimento de 2,0°C em uma via de desenvolvimento orientada para o crescimento, seja aproximadamente duas vezes maior do que no aquecimento de 1,5°C, de acordo com o estudo.

O Acordo de Paris propõe manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2,0°C acima dos níveis pré-industriais, e buscar esforços para limitar o aquecimento a 1,5°C, a fim de reduzir o risco e os impactos do aquecimento do clima.

“Manter o aumento da temperatura média global abaixo ou igual a 1,5°C acima do nível pré-industrial pode reduzir as perdas anuais com a seca em várias dezenas de bilhões de dólares”, disse o professor JIANG Tong, autor correspondente do estudo do Centro Nacional do Clima. da Administração Meteorológica da China.

A quota de perda de seca do PIB nacional da China diminuiu de 0,23% em 1986-2005 para 0,16% em 2006-2015 devido ao rápido aumento do PIB nacional. No entanto, a tendência foi projetada para reverter no futuro, com a parcela de perda aumentando gradualmente sob o cenário de aquecimento, mesmo tendo em conta a capacidade de adaptação melhorada, de acordo com o estudo.

“Mais esforços em mitigação são necessários, para que o limite de aquecimento de 1,5°C não seja excedido”, disse o Dr. SU.

O estudo foi concluído em conjunto por pesquisadores de instituições como XIEG, Centro Nacional de Clima da Administração Meteorológica da China, Instituto de Agricultura e Meio Ambiente da Academia Polonesa de Ciências, Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Nanjing, Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong e Universitaet Tuebingen. Na Alemanha.

Os resultados do estudo foram publicados nos Anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América (PNAS), intitulado “Drought losses in China might double between the 1.5°C and 2.0°C warming”.


Referência:

Buda Su el al., Drought losses in China might double between the 1.5 °C and 2.0 °C warming, PNAS (2018)
www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1802129115


Fonte: Chinese Academy of Sciences

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/10/2018





Autor: EcoDebate
Fonte: Chinese Academy of Sciences
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/02/as-perdas-economicas-causadas-pela-seca-na-china-podem-dobrar-com-o-aquecimento-global/

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

As menores 12 coberturas anuais do gelo do Ártico ocorreram nos últimos 12 anos

O gelo marinho do Ártico provavelmente atingiu seu mínimo anual para 2018, de acordo com o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo (NSIDC). A extensão do gelo marinho baixou para 1,77 milhão de milhas quadradas (4,59 milhões de quilômetros quadrados) em 19 de setembro, e novamente em 23 de setembro. Depois disso, a extensão do gelo começou a subir, sinalizando o fim da temporada de derretimento do verão.

O mínimo de 2018 não chegava nem perto do recorde de baixa extensão de 3,39 milhões de quilômetros quadrados registrado em 17 de setembro de 2012, mas também não estava nem perto da média de 1981-2010. Ele foi empatado com 2008 e 2010 pela sexta menor participação no recorde mundial de quase 40 anos.

Setembro de 2018 observações continuam uma tendência mais longa do declínio do gelo do mar Ártico. Este mapa mostra as tendências da concentração de gelo do mar em setembro para 1979-2017. (Os números de setembro de 2018 não estarão disponíveis até outubro). As águas oceânicas são cinza-claro. As massas de terra são cinza escuro, assim como a área ao redor do polo, onde os sensores de satélite não adquirem dados todos os anos.

Áreas de tendências crescentes por década aparecem em tons de azul, e áreas de tendências decrescentes aparecem em laranja e vermelho. Tendências decrescentes dominam o bloco de gelo, e essas tendências são especialmente fortes ao longo do perímetro da plataforma de gelo ao norte do oeste do Canadá, Alasca e leste da Sibéria – nos mares Beaufort, Chukchi e East Siberian.

A água morna do Pacífico Norte entra no Oceano Ártico através do Estreito de Bering e, nas últimas décadas, essa água quente exerceu uma influência crescente sobre o gelo do Ártico. Décadas atrás, o Beaufort Gyre, ao norte das costas do Alasca e da Sibéria, funcionava como viveiro de gelo marinho. O gelo poderia permanecer nesse giro por anos, aumentando com o tempo, mas no final dos anos 90, o gelo começou a diminuir no braço sul do giro.

O gelo multianual começou a derreter ou ser transportado para fora do Ártico, levando a um gelo mais jovem e mais fino, mais propenso a derreter. O gelo do primeiro ano que não sobreviveu a uma única estação de derretimento que agora domina o Ártico.

A extensão do gelo marinho no Ártico está diminuindo em todos os meses, mas o declínio é maior em setembro, que é historicamente o fim da temporada de verão. Mas esses declínios acentuados na extensão do gelo no verão estão começando a se estender para o congelamento da queda. Em novembro de 2017, cientistas do gelo marinho notaram uma escassez de gelo marinho no Mar de Chukchi , bem como o Mar de Bering, ao sul .

Tal ausência generalizada de gelo marinho tem implicações para os caçadores indígenas que dependem de animais que dependem do gelo do mar, e a perda de gelo do mar combinada com o degelo do permafrost contribui para a erosão costeira . Quando o gelo do mar está lento para se reformar no outono, as comunidades costeiras do Ártico são especialmente vulneráveis a ondas de assalto e inundações que acompanham as tempestades de inverno.




Referências

NSIDC. Arctic sea ice at minimum extent for 2018. Accessed September 27, 2018.

NSIDC. Arctic Sea Ice News and Analysis. Accessed September 20, 2018.

NSIDC. Charctic. Accessed September 20, 2018.

NSIDC. State of the Cryosphere: Sea Ice. Accessed September 20, 2018.

Perovich, D., Meier, W., Tschudi, M., Farrell, S., Hendricks, S., Gerland, S., Haas, C., Krumpen, T., Polashenski, C., Ricker, R., Webster, M. 2017. Sea Ice. Arctic Report Card: Update for 2017.

Fonte: World Meteorological Organization (WMO)



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/10/2018


Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 01/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/01/as-menores-12-coberturas-anuais-do-gelo-do-artico-ocorreram-nos-ultimos-12-anos/

Das funções do museu para a sociedade, artigo de Marcos Dias de Araújo


MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: EBC



Um museu custa caro: são especialistas no tema da coleção, conservacionistas e museólogos, administradores, sistema de segurança, limpeza, sistema contra incêndio e roubos, marketing. Muitas vezes, o acervo está num prédio histórico que, de antigo, começa a ficar estragado a ponto de ameaçar a integridade do acervo. Aos custos com prédio e pessoal junta-se o custo de preservar e digitalizar o acervo, o que toma tempo e dinheiro.

Poucas empresas brasileiras querem gastar seu dinheiro com museus – e quando o fazem, é com museus específicos, com peças atrativas ao grande público. Para a ciência, uma ossada de dinossauro e o fóssil de um ser unicelular tem igual importância, mas, para o público, somente a grande peça chama a atenção. Nem sempre o povo sabe a importância que está na pequena peça. Um documento, uma foto, uma série de insetos aparentemente sem importância podem ser estudadas no futuro graças a museus que atraem poucas pessoas, mas cientistas e especialistas.

Museus podem e devem cobrar entrada e ter lojas com materiais à venda. Ele deve se tornar fonte de propagação do conhecimento. Ocorre que a função primária dos museus é gerar conhecimento, curiosidade, ensino, pesquisa – que não têm efeito imediato e não geram, necessariamente, lucro. O Museu do Louvre, em Paris, é gerido por dinheiro público, por pagamento de visitantes com ingressos, por arrecadação junto a empresas e com mecenas que ajudam as artes. Ele nos mostra que, a despeito das flutuações de mercado, do gosto popular, de obras mais famosas ou menos e da opinião de grupos sociais, mantém todas as peças – e o faz com a certeza de que aquele museu vai se manter aberto por sustento principal da instituição mais duradoura: o Estado.

Assumindo essa tese de que a principal função do museu não é gerar lucro, sua monetização excessiva é mais nociva que benéfica. Sem o Estado, somente as peças caras, famosas e atrativas ficarão sendo cobiçadas pela iniciativa privada, provocando o desmonte da estrutura cultural do país, restando aos acervos menores e sem atrativo desaparecerem ou serem saqueados pelos ricos para suas coleções privadas.

Se o debate for marcado pelo preconceito ideológico entre o privado e o público, ele será um debate pobre, marcado pela ideologia cega do anti-estatismo atual e pela manutenção de um Estado isolado das questões econômicas da administração contemporânea. Talvez o que o Estado precise é de uma visão ampla dos museus, com investimentos pesados na área. Tire-se a pensão das filhas dos militares solteiras, os privilégios dos juízes ou a isenção de cobranças de impostos de grandes instituições financeiras e temos amplos recursos para a cultura e arte.

O que não podemos deixar é a rapinagem dos fundos públicos para museus privados; ou a apropriação de materiais artísticos públicos por empresários que acham que os lucros devem ser seus, mas, quando os problemas aparecem, o Estado deve financiar as mudanças estruturais. Isso seria manter o patrimônio em perigo e isentar grandes empresas de impostos, selecionando onde e quando investir, de acordo com interesses que não são artísticos ou científicos.

*Marcos Dias de Araújo, historiador e mestre em História pela UFPR, professor de História da Arte e de História das Relações Internacionais da Universidade Positivo (UP).



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/10/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 01/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/01/das-funcoes-do-museu-para-a-sociedade-artigo-de-marcos-dias-de-araujo/

Toneladas de alimentos das feiras livres de São Paulo vão para o lixo





Do total de desperdício de frutas, verduras e legumes que acontece nas feiras livres de São Paulo, as maiores perdas estão relacionadas às folhas. Além dos alimentos, também há perdas de recursos naturais. A pesquisa de Sylmara Lopes, da EACH, avalia o impacto ambiental e apresenta informações sobre o quanto se perde em nutrientes, água, energia e área agricultável. Confira no segundo vídeo:
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Das 33 mil toneladas de alimentos descartadas anualmente nas feiras livres de São Paulo, uma grande parcela, que tem ótima qualidade, poderia ser reaproveitada e ter uma finalidade social como o suprimento de alimentos em instituições que atendem pessoas em vulnerabilidade. Além do consumo humano, pesquisa da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP propõe outras rotas de reaproveitamento: ração animal, geração de energia e compostagem. Veja neste terceiro vídeo:
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Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 25/09/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-ambientais/toneladas-de-alimentos-das-feiras-de-sp-vao-para-o-lixo/

Galáxia “gêmea” traz pistas sobre o passado da Via Láctea

NGC 6744 – Créditos: ESO

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Uma nova análise da galáxia NGC 6744, “gêmea” da nossa Via Láctea, trouxe mais informações sobre seu núcleo e sobre a evolução dessas estruturas. O trabalho foi desenvolvido pela astrônoma Patrícia da Silva no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, com a colaboração de seu orientador João Steiner e do astrônomo Roberto Menezes, atualmente pesquisador de pós-doutorado na Universidade Federal do ABC (UFABC). O estudo da NGC 6744 revela que a galáxia possui um núcleo ativo de baixa luminosidade, que pode ter existido no local onde hoje se encontra o buraco negro no núcleo da Via Láctea.

O artigo, publicado no periódico especializado The Astrophysical Journal, também foi destacado na AAS Nova, um site que seleciona os principais artigos publicados em periódicos da área. Galáxias “gêmeas” da Via Láctea, neste estudo, são aquelas que possuem o mesmo tipo morfológico da Via Láctea. Ou seja: são galáxias espirais com uma barra central e relações similares entre núcleo e os braços. “É interessante estudar ‘gêmeas’ da Via Láctea para estudar a evolução da nossa galáxia. Queremos conhecer informações como a frequência com que tais objetos apresentam núcleos ativos (AGN, na sigla em inglês), as idades das populações estelares, a composição do gás, e onde a Via Láctea se enquadra nesse conjunto”, explica a astrônoma.

NGC 6744 é uma galáxia relativamente próxima da Via Láctea (cerca de 25 milhões de anos luz de distância) que foi descoberta no século 19 e apresenta baixa luminosidade em seu núcleo. “Não tínhamos muita informação na literatura sobre o núcleo dela. Sabíamos apenas que a emissão era compatível com um AGN de baixa luminosidade, que chamamos de Liner (acrônimo em inglês para região de emissão nuclear de baixa ionização)”, conta Patrícia.
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Cubo de dados

A análise começou com um cubo de dados – um conjunto de informações espaciais e espectrais coletadas com instrumentos observacionais do telescópio Gemini Sul. Patrícia trabalha em sua pesquisa com um mapeamento chamado DIVING3D (Deep Integral Field Spectroscopy View of Nuclei of Galaxies), que é coordenado por Steiner e tem como objetivo estudar todas as galáxias mais brilhantes do Hemisfério Sul. Os cubos de dados do DIVING3D mostram a região central do bojo de cada galáxia estudada e permitem investigar características como emissão de gases, cinemática do gás e composição e cinemática estelar.

A partir dessa análise, os autores do artigo identificaram uma emissão muito fraca vinda do bojo da galáxia. Assim, a primeira pergunta que eles precisaram responder era se havia mesmo a presença de um AGN, já que a emissão era tão baixa que poderia ser causada por outros objetos, como estrelas jovens. Para dar continuidade, a astrônoma utilizou dados do telescópio espacial Hubble e identificou uma emissão azul compacta que poderia indicar um AGN ou a presença de estrelas jovens. “A pergunta então foi: existem estrelas jovens nesse núcleo?”, explica.

Por meio de uma síntese espectral, os astrônomos identificaram dois eventos de formação de estrelas no núcleo de NGC 6744: um durante a formação da galáxia, há cerca de 10 bilhões de anos, e outro há 1 bilhão de anos. Os autores do artigo acreditam que esse segundo grupo se formou durante um “merger” – uma fusão entre NGC 6744 e, muito provavelmente, uma galáxia menor. “A síntese espectral mostrou a ausência de estrelas jovens, confirmando a presença de um núcleo ativo de galáxia de baixa luminosidade (Liner)”, conclui a astrônoma.


Imagens das principais linhas de emissão do cubo de dados de NGC 6744 obtido com o cubo de 
dados do telescópio Gemini Sul. Essas imagens revelam as principais regiões de emissão do núcleo de NGC 6744. As regiões 1 e 2 aparecem em todas as imagens das linhas de emissão, sendo, portanto, duas regiões relevantes de emissão do núcleo de NGC 6744. Já a região 3 aparece claramente apenas na imagem da linha [OIII]λ5007, uma linha de alta ionização, e sua morfologia sugere alguma relação com a região 1, sendo um possível cone de ionização do AGN da região 1. Por fim, a região 4 aparece claramente apenas na imagem de [OI] λ6300, uma linha de baixa ionização, revelando portanto que esta região é de baixa ionização
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Mudanças recentes

A Via Láctea não é classificada como uma galáxia com núcleo ativo atualmente, e estudar galáxias como a NGC 6744 pode mostrar como ela se comportou em outros períodos. “Se no passado o buraco negro no núcleo da Via Láctea foi ativo, ele muito provavelmente foi do tipo Liner antes de chegar ao que é hoje”, avalia a pesquisadora. A partir do estudo das linhas de emissão do cubo de dados, os astrônomos também identificaram quatro regiões com características de emissão distintas. A região 1, a principal região emissora do núcleo de NGC 6744, é o centro do bojo estelar e onde está localizado o AGN e, consequentemente, o buraco negro supermassivo.

Duas regiões mostraram-se mais ionizadas do que o buraco negro – uma característica pouco usual. A hipótese dos astrônomos é que a região 1 apresentava mais atividade e mais brilho até pouquíssimo tempo atrás, e as regiões 2 e 3 estão ainda recebendo a luz dessa antiga atividade. Essa hipótese é conhecida como eco do AGN. NGC 6744 foi a segunda galáxia gêmea da Via Láctea estudada por Patrícia, quando ela estava no mestrado. Atualmente realizando sua pesquisa de doutorado com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Patrícia da Silva já está em sua sétima análise. O artigo NGC 6744: A Nearby Milky Way Twin with a Very Low-luminosity, pode ser lido aqui.

Com informações da Assessoria de Comunicação do IAG

Mais informações: e-mail patricia2.silva@usp.br, com Patrícia da Silva




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 28/09/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-exatas-e-da-terra/galaxia-gemea-traz-pistas-sobre-o-passado-da-via-lactea/