terça-feira, 2 de junho de 2020

MPF instaura mais de mil ações por desmatamento ilegal na Amazônia

Em atuação coordenada pela Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR), o Ministério Público Federal (MPF) instaurou, somente no mês de maio, 1.023 ações civis públicas contra 2.262 réus em razão de desmatamentos ilegais na Amazônia. A iniciativa faz parte da 3ª fase do Projeto Amazônia Protege, que mapeou polígonos de 60 hectares ou mais desmatados entre agosto de 2017 e dezembro de 2019. Ao todo, as ações cobram mais de R$ 3,7 bilhões de indenização pelos danos causados, além da reparação de 231.456 hectares de floresta degradados. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (1º).

Baseadas em laudos periciais produzidos a partir da análise de imagens de satélite e do cruzamento das informações com bancos de dados públicos, as ações foram propostas em sete estados da Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. O monitoramento apontou total de 321 mil hectares de floresta devastados ilegalmente no biênio 2017/2019. O estado mais afetado no período foi Mato Grosso, com 95,4 mil hectares de área desmatada, sendo que 63,6 mil já são alvo de ação civil pública. Até agora, o MPF ajuizou 242 ações no estado, mas outras podem ser propostas futuramente.

Em relação ao número de polígonos com área igual ou superior a 60 hectares desmatados ilegalmente entre julho de 2017 e dezembro de 2019, o estado do Pará foi o campeão, com 373 registros. O corte raso de vegetação nativa no estado atingiu 87,9 mil hectares, sendo que 68,7 mil já são alvo das 310 ações ajuizadas até o momento. No Amazonas, foram mapeados 284 polígonos de desmatamento, o que corresponde a cerca de 81 mil hectares. Até agora, foram propostas 215 ações no estado, referentes a 61,5 mil hectares da área destruída. O levantamento do MPF apontou ainda que, entre os polígonos de desmatamento ilegal identificados pelo projeto, 64 estão dentro de Unidades de Conservação (UCs) federais e 41 dentro de Terras Indígenas (Tis).

Vigilância constante – Este é o terceiro ano em que o MPF atua de forma articulada por meio do Projeto Amazônia Protege, lançado em novembro de 2017. Na primeira etapa, foram instauradas 1.125 ações referentes a desmatamentos realizados entre agosto de 2015 e julho de 2016. Na segunda, foram 1.414 ações por supressão ilegal de floresta no período de agosto de 2016 a julho de 2017. Somando esses números às ações ajuizadas este ano, são mais de 3,5 mil processos contra o desmatamento ilegal na Amazônia.

Para o coordenador da Câmara de Meio Ambiente do MPF, Nívio de Freitas, ao promover a responsabilização civil dos infratores, o projeto Amazônia Protege contribui para reduzir a sensação de impunidade em relação a práticas que atentam contra o meio ambiente. “O MPF permanecerá vigilante e firme em relação ao compromisso constitucional de zelar pela preservação do meio ambiente para a presente e futuras gerações”, frisou o subprocurador-geral da República.

Nas ações, o MPF pede indenizações relativas aos danos materiais e morais difusos derivados da remoção da cobertura vegetal e a recomposição da área degradada. Requer, ainda, a reversão dos valores da condenação para Ibama e ICMBio, para fortalecer a fiscalização; e autorização judicial para apreensão, retirada ou destruição, pelos órgãos de fiscalização competentes, de bens móveis ou imóveis presentes na área que estejam impedindo a regeneração da floresta.

Equipe – O projeto contou com a participação de 25 procuradores da República: Álvaro Manzano, Ana Carolina Haliuc, Bernardo Meyer Machado, Bruno Domingos, Daniel Azeredo, Daniel Azevedo Lôbo, Erich Masson, Everton Araújo, Felipe Giardini, Gabriel Dalla Favera, Gisele Cunha, Humberto de Aguiar Junior, Igor Spindola, Igor Lima Goettenauer, Julio Cesar de Almeida, Leandro Musa de Almeida, Milton Tiago Araújo, Rafael Rocha, Raphael Bevilaqua, Reginaldo Pereira da Trindade, Ricardo Negrini, Robert Rigobert Lucht, Tatiana Ribeiro, Thais Araújo Franco e Valdir Monteiro.

Saiba mais sobre o projeto

Resultados da 3ª fase do projeto até agora:




Fonte: Procuradoria-Geral da República

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/06/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/06/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/06/02/mpf-instaura-mais-de-mil-acoes-por-desmatamento-ilegal-na-amazonia/

Comportamento do Consumidor: A Influência da Antropologia Cultural, artigo de José Austerliano Rodrigues

Comportamento do consumidor tornou-se uma das áreas mais estudadas no campo de Marketing e, diante da crescente emissão de gás carbônico, consumo da água e outros problemas ecológicos, a produção e o consumo global estão se tornando, também, áreas cada vez mais urgentes de serem estudadas. Sabe-se que as inovações tecnológicas são exigidas para reduzir estes problemas ecológicos, mas a importância e papel do consumo estão recebendo muita atenção nos anos mais recentes (SMART, 2010; SPAARGAREN; OOSTERVEER, 2010; VAN TRIJP; FISCHER, 2011).

Para Solomon (2016):

O campo de estudo de comportamento do consumidor abrange uma ampla área, sendo conceituado como sendo “o estudo dos processos envolvidos quando indivíduos ou grupos selecionam, compram, usam ou descartam produtos, serviços, ideias ou experiências para satisfazer necessidades e desejos”. Assim sendo, enquanto objeto acadêmico, o comportamento do consumidor é um campo especializado dentro do marketing baseado nas ciências sociais, que tenta descrever, entender e predizer a tomada de decisão do consumidor como uma função de variáveis demográficas, psicológicas e sociológicas, como variáveis independentes.

Na teoria convencional de comportamento do consumidor a ênfase é na relação entre o vendedor e o consumidor através do chamado mix do marketing que eles oferecem ao consumidor. Além do convencional mix “Ps” (produto, preço, praça e promoção), a oferta do mercado embute elementos como marca e reputação associados com o produto e produtor e (dependendo da estrutura do mercado) a marca do distribuidor que oferta o produto.

Todavia, a partir da década de 1980, a pesquisa do consumidor e o discurso gerencial de marketing sofrem os bombardeios da antropologia, quando surge outra corrente paradigmática como alternativa à epistemologia positivista dominante: o interpretativismo. Embora os estudos interpretativistas do consumo tenham sido utilizados desde décadas anteriores, essa abordagem ganhou força nos anos mais recentes, sendo fortemente influenciada pela antropologia cultural, que leva em consideração os fatores culturais (antropologia digital, cultura, subcultura e classe social do consumidor) (KOTLER; KELLER, 2018; KOTLER; KARTAJAYA; STIAWAN, 2017). Assim sendo, o objetivo principal destes autores é aprofundar o entendimento dos fenômenos de consumo e seus significados, questões essas pouco ou nada consideradas pelo positivismo (HOLBROOK; O’SHAUGHNESSY, 1988; KASSARJIAN; GOODSTEIN, 2010).

Neste caso, o estudo de consumo é amplamente realizado dentro do campo da pesquisa do consumidor, enquanto subcampo da teoria de marketing, que consiste de três áreas principais: modelagem econométrica, processamento de informação e a teoria da cultura do consumidor (Consumer Culture Theory – CCT) (ARNOULD; THOMPSON, 2005, 2007). Enquanto escola de pensamento do campo de marketing, esta teoria tem o olhar voltado para a sociedade pós-moderna (BRAUDILLARD, 1998), baseado nas teorias antropológicas e sociológicas, estudando o consumo a partir de um ponto de vista social e cultural. Não se trata de uma teoria unificada, mas de uma família de perspectivas teóricas que tratam das relações dinâmicas entre as ações dos consumidores, o mercado e os significados culturais. Como dito acima, só a partir dos anos de 1980, durante a virada cultural, é que CCT emergiu como um campo distinto dentro da pesquisa de marketing (EKSTROM, 2003).

CCT rejeita a teoria econômica tradicional de consumo como derivada de um sistema de produção sem problemas, baseado em necessidades. Em vez disto, CCT entende consumo como práticas simbólicas na organização das relações sociais. O tradicional modelo econômico de comportamento do consumidor vem sofrendo um forte ataque nos anos mais recentes. Os economistas comportamentais, que conduzem experimentos de laboratórios e realizam simulações de jogos gerados por computadores para testar as suposições básicas sobre o Homo Economicus, têm se deparado com as falhas. Os neuropsicólogos descobriram que as pessoas experimentam prazeres quando agem contra seus autointeresses mal definidos e os antropólogos descobriram que os consumidores comuns têm pouca semelhança com os materialistas que calculam seus autointeresses e fazem parte do mundo imaginado da teoria econômica neoclássica. Portanto, muitas das suposições do modelo econômico-clássico sobre os atores racionais e autointeressados estão sendo desafiadas, já que foram desenhadas para encorajar o egoísmo em oposição ao comportamento cooperativo, num momento em que muitos preferem cooperar. Estes diferentes campos de pesquisas apoiam os sociólogos que há muito tempo exigem que as considerações altruísticas e éticas sejam centrais para o mundo real na troca do mercado.

Infelizmente, mesmo nos dias de hoje, boa parte dos esforços dos governantes em apoiar o consumo sustentável tem se baseado no modelo de escolha racional do comportamento do consumidor, que considera que os consumidores sempre tomam decisões racionais com o objetivo de maximizar seus autointeresses econômicos. As pesquisas mais recentes, contudo, não dão crédito ao modelo de escolha racional, sendo os programas e ações políticas dele originados vistas com sendo incompletas e ingênuas (ALLAWAY; KOCHAM, 2012).

Este tipo de status quo na agenda de pesquisa foi mantido mesmo se durante as últimas décadas muitas disciplinas sociais e humanistas (sociologia, antropologia, psicologia, história, filosofia ou literatura) estejam expressando um interesse claro e uma contribuição profunda em promover o consumo como um tópico interdisciplinar. A economia restringiu suas manifestações em direção ao consumo para a área de marketing, área que, como vimos, estuda o comportamento do consumidor, mas com uma clara orientação sobre o consumidor como um objeto de interesse dos produtores e não como objeto de seu interesse (IANOLE; CORNESCU, 2013).

José Austerliano Rodrigues. Doutor em Marketing Sustentável pela UFRJ, com ênfase em Sustentabilidade e Marketing, com interesse em pesquisa em Marketing Sustentável, Sustentabilidade de Marketing, Responsabilidade Social e Comportamento do Consumidor. E-mail: austerlianorodrigues@bol.com.br.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/06/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/06/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/06/02/comportamento-do-consumidor-a-influencia-da-antropologia-cultural-artigo-de-jose-austerliano-rodrigues/

MT: Em plena pandemia, madeireiros invadem Terra Indígena Urubu Branco



É urgente a desintrusão e proteção do território, para evitar contaminação e garantir os direitos do povo Apyãwa, aponta o Cimi Regional Mato Grosso




Madeira apreendida em operação da Polícia Civil na TI Urubu Branco, em maio de 2020. Foto: povo Tapirapé

Enquanto membros do governo federal sinalizam em reunião que querem aproveitar o momento da pandemia para deixar passar “a boiada” da desregulamentação, fragilizando ainda mais os órgãos que deveriam agir na proteção do meio ambiente e dos direitos, os invasores das terras indígenas seguem efetivando suas ações.

No dia 26 de maio, durante uma operação da Polícia Civil, houve a apreensão de pessoas que estavam extraindo ilegalmente madeira da Terra Indígena (TI) Urubu Branco, município de Confresa, Mato Grosso. Foram encontrados dois barracos de madeira que serviam de moradia e cozinha para os invasores, motosserras e muitas toras de pau-brasil cortadas. Lideranças Apyãwa (Tapirapé) expressaram sua indignação diante do fato de estarem recolhidos em quarentena por causa da pandemia provocada pelo coronavírus e serem surpreendidos com esta nova invasão de seu território.

Esta terra indígena, onde há sete aldeias com cerca de 1000 Apyãwa, foi demarcada e homologada em 1998. Desde 1993, quando os Apyãwa retomaram seu território tradicional, aconteceu um processo de invasão por parte de criadores de gado que se instalaram na parte norte da área, derrubando grandes extensões de mata para implementar pastagens.

Esses ocupantes ilegais permanecem na terra indígena amparados por diversas liminares judiciais. Entretanto, em 4 de março deste ano, uma decisão da Justiça Federal da 1ª. Região determinou a retirada de todos os invasores da TI Urubu Branco, decisão não cumprida até o momento.




Árvore derrubada no interior da TI Urubu Branco, invadida por madeireiros em meio à pandemia de covid-19. Foto: povo Tapirapé

Junto com a presença invasiva de criadores de gado, tem ocorrido invasões sistemáticas de madeireiros que contratam peões para extraírem ilegalmente madeira no interior da terra indígena. No dia 5 de abril de 2019, a Polícia Federal apreendeu quatro pessoas que estavam extraindo madeira na TI Urubu Branco. No dia 3 de maio, menos de um mês depois, o Ibama também realizou uma operação na TI Urubu Branco, na qual aprendeu 12 pessoas, três tratores e três caminhões e destruiu três barracos dos peões. As pessoas estavam armadas. No local havia muitas toras de pau-brasil, jatobá e outras de madeiras de valor.

Porém, o barulho de motosserras continuava e no dia 7 de maio de 2019 os Apyãwa resolveram fazer uma vistoria por eles mesmos. Encontraram um peão, lapidando toras de madeira. Os Apyãwa apreenderam este rapaz e o levaram para a aldeia, entregando-o depois para a Polícia Civil. Observaram muitas madeiras cortadas, encontraram mais dois acampamentos que foram destruídos e observaram cercas separando lotes dentro da terra indígena.

Ainda em 2019, além das invasões, os Apyãwa também sofreram com as queimadas em seu território, e foram a Brasília junto a outros povos da região do Araguaia para cobrar dos órgãos públicos medidas de proteção, fiscalização e combate aos incêndios.

Os peões que são presos em cada operação logo são soltos e nunca se chega aos mandantes dos crimes ambientais e de invasão do território. E agora, em maio de 2020, novamente, se constatam os mesmos crimes sendo praticados, configurando um processo de impunidade que vem desde a década de 1990.

Neste período, em que os casos de contaminação pela covid-19 avançam na região nordeste de Mato Grosso, faz-se urgente a ação dos órgãos federais para a desintrusão e proteção da TI Urubu Branco. É uma ação necessária para reduzir os riscos de contaminação do povo Apyãwa e resguardar o direito originário deste povo ao seu território.


Cuiabá, 29 de maio de 2020
Conselho Indigenista Missionário – Regional Mato Grosso


Ação Civil Pública nº 1002196-43.2019.4.01.3605

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/06/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/06/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/06/02/mt-em-plena-pandemia-madeireiros-invadem-terra-indigena-urubu-branco/

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Para além dos pulmões: os efeitos do coronavírus nos rins




Depois dos pulmões, os rins são o órgão mais afetado pela Covid-19 (Foto: Divulgação/ iStock)


No início da pandemia causada pelo novo coronavírus, na China, pouco se sabia sobre a doença. E certamente ainda há muito a ser revelado pelos cientistas até a produção de vacinas e medicamentos eficazes. Porém, agora já se sabe que a Covid-19, primeiramente descrita apenas como uma infecção respiratória, pode afetar o funcionamento dos rins e outros órgãos do corpo, como o sistema circulatório, favorecendo a formação de coágulos no sangue, além do coração, fígado, intestino e até o cérebro. “Estamos diante de uma doença sistêmica, com diversos aspectos a serem investigados em todo o organismo. Sabemos que, depois da falência do pulmão, a falência renal é a mais comum em pacientes em estado grave de Covid-19”, disse o médico nefrologista José Suassuna, chefe do Setor de Nefrologia do Hospital Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Hupe/Uerj) e professor da Faculdade de Ciências Médicas da instituição.

Suassuna, que ao longo dos últimos anos contou com apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas, tendo sido contemplado nos editais Pensa Rio e Apoio à Pesquisa em Transplante de Órgãos e Tecidos, explica que os pacientes com doenças renais estão entre os grupos de risco para a Covid-19, assim como pessoas portadoras de outras comorbidades, como diabetes, doenças cardíacas, respiratórias e hipertensão – muitas vezes, desconhecidas pelos próprios pacientes, que não dispõem de informação ou recursos para acompanhamento médico regular. “A doença renal crônica pode ser um dos fatores de risco que predispõe a uma evolução mais desfavorável da Covid-19”, disse. “Além da percepção mais comum, de que o rim é o grande filtro do organismo, pessoas com doenças renais também têm outras deficiências. Elas têm deficiência da resposta imunológica e, também, de alguns hormônios essenciais à saúde, como a eritropoietina, que regula a formação das hemácias, células de transporte de oxigênio no sangue”, completou.

No entanto, ele destaca que o mais preocupante é que, além das doenças renais estarem entre os fatores de risco para o agravamento da doença, alguns pacientes que nunca apresentaram doenças renais antes de contraírem a Covid-19 podem sofrer os efeitos do novo coronavírus nos rins. “Muitos pacientes em estado grave, que precisam ir para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), onde são entubados sob ventilação, frequentemente apresentam complicações nos rins. Pela nossa experiência aqui no Hupe, eu diria que entre 30% e 40% dos pacientes nesse estado grave, em CTI, passaram a desenvolver complicações renais. Há artigos publicados internacionalmente que relatam que, em alguns lugares do mundo, esse número chegaria a 50%. Quando a insuficiência respiratória é acompanhada da insuficiência renal, a taxa de mortalidade sobe para 50% a 80%”, ressaltou. “As informações sobre a incidência e gravidade da insuficiência renal aguda na Covid-19, embora preliminares, são muito importantes para planejar a alocação de máquinas, insumos e recursos humanos para enfrentamento da pandemia”, acrescentou.


Suassuna observa que, nesses casos graves, os rins são muito afetados pela Covid-19. Em alguns desses pacientes, é necessário realizar procedimentos de diálise. O médico citou um artigo publicado no The New England Journal of Medicine, intitulado Multiorgan and Renal Tropism of SARS-CoV-2, em que pesquisadores da University Medical Center Hamburg–Eppendorf descrevem a análise do tecido renal após a necropsia de pacientes que faleceram com Covid-19 (ainda não realizada nas instituições de pesquisa fluminenses). “Nas imagens de microscopia do estudo, é possível visualizar os efeitos do coronavírus no tecido renal e notar a ação destrutiva celular, com a necrose bem evidente nas células dos túbulos renais dos pacientes com quadros mais graves de Covid-19”, frisou.

Segundo Suassuna, outro ponto a ser considerado no tratamento da pandemia, do ponto de vista da Nefrologia, e que tem sido abordado em artigos científicos internacionais diversos, inclusive em uma publicação na revista Lancet, de autoria de pesquisadores alemães, é a possibilidade da urina ser uma “vitrine” capaz de revelar aos médicos como será a evolução da gravidade da Covid-19 em pacientes com casos moderados – aqueles que precisam dar entrada nos hospitais pelo menos para utilizar oxigênio. “O estudo mostra que, através do exame de urina, é possível verificar que a associação de alterações simples funciona como ‘marcador’ de maior risco de evolução desfavorável nos dias seguintes à internação de pacientes com casos mais leves e moderados de Covid-19. Essas alterações são, por exemplo, perda de proteína, aparecimento de leucócitos e perda de sangue na urina”, detalhou. “Daí a importância do acompanhamento dos exames de urina nesses pacientes”, justificou.

Até o momento, entende-se que a Covid-19 afeta diversos órgãos do corpo, além dos pulmões, porque a via de entrada do vírus nas células ocorre por meio dos receptores conhecidos como enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2), presentes com alta densidade em diversos sistemas do organismo, incluindo os rins. O médico nefrologista lembra que ainda há muito a ser investigado pelos cientistas sobre os males causados pelo coronavírus, incluindo seus efeitos sobre os rins. “Ainda não temos dados da evolução dos pacientes que tiveram alterações renais graves, mas melhoraram o suficiente para receber alta. Como a doença é muito recente, não sabemos se, no longo prazo, surgirão complicações renais residuais devido ao coronavírus”, concluiu Suassuna.



Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 28/05/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3985.2.8

Pesquisa identifica comportamentos de risco e proteção para a COVID-19

Máscaras: que nível de proteção oferecem contra a transmissão do ...

Distúrbios do sono e de alimentação, além de necessidade de sair de casa foram problemas relatados no segundo ciclo do inquérito

O Ministério da Saúde quer entender como a população está enfrentando a pandemia. Para isso, entrevistou mais de 2 mil pessoas no segundo ciclo da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico COVID-19 (Vigitel). Chamou a atenção o fato de que 41,7% dos entrevistados apontaram distúrbios do sono, como dificuldade para dormir ou dormir mais do que de costume e 38,7% relataram falta ou aumento de apetite. Além disso, 87,1% dos adultos precisaram sair de casa ao menos uma vez na semana anterior à data da entrevista.

De acordo com a Coordenadora-Geral de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis, Luciana Sardinha, os dois ciclos da pesquisa foram muito importantes para o monitoramento do cenário atual. “Essa pesquisa é muito oportuna para o momento que estamos vivendo. Os resultados que obtivemos com ela vão nos ajudar a entender de que forma a população brasileira está enfrentando a pandemia, explicou Luciana.

Entre os principais motivos que levaram as pessoas a saírem de suas residências destacaram-se: compra de alimentos (75,3%), trabalho (45%), procurar serviço de saúde ou farmácia (42,1%), tédio ou cansaço de ficar em casa (20,5%), ajudar um familiar ou amigo (20,2%), visitar familiares e amigos (19,8%), praticar atividades físicas (13,6%) e caminhar com animal de estimação (5,6%). Os moradores com idades entre 35 e 49 anos (89,8%) das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (89%) foram os mais saíram de casa.

A pesquisa também apurou a frequência com que problemas relacionados à saúde mental incomodaram os entrevistados nas duas semanas anteriores à data da entrevista. Entre os que foram ouvidos pelo inquérito, 35,3% falta de interesse em fazer as coisas; 32,6% disseram se sentir para baixo ou deprimido; 30,7% se sentir cansado, com pouca energia; 17,3% descreveram lentidão para se movimentar ou falar ou estar muito agitado ou inquieto; 16,9% relataram sentir dificuldade para se concentrar nas coisas e; 15,9% disseram se sentir mal consigo mesmo ou achar que decepcionou pessoas queridas.

Para o Diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância em Doenças Não Transmissíveis, Eduardo Macário, a questão da saúde mental é muito importante e merece atenção especial. “Eventos relacionados à saúde mental muitas vezes são colocados de lado numa situação como a que estamos vivendo. Mas é fundamental serem monitorados e acompanhados”, afirmou Macário.

Sobre as práticas de higiene recomendadas para a prevenção da contaminação pelo coronavírus, o segundo ciclo da pesquisa apontou que o percentual de adultos que relataram higienizar as mãos e objetos tocados com frequência foi maior em mulheres (88,6%). Esta pergunta foi feita nos dois ciclos da pesquisa e a porcentagem de pessoas que segue as práticas de higiene aumentou de 82,7% no primeiro ciclo para 84,6 no segundo ciclo.

O segundo ciclo da pesquisa Vigitel COVID-19 foi realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre os dias 25 de abril e 5 de maio de 2020, e entrevistou 2.007 pessoas com 18 anos ou mais, em todo o país. O monitoramento sistemático dos riscos em saúde pública auxilia os gestores na adoção de medidas, de modo a reduzir o número de pessoas afetadas.
METODOLOGIA E SEGURANÇA

O Vigitel não pergunta ao cidadão qualquer informação de CPF, RG ou dados bancários. As únicas informações pessoais obtidas por meio da pesquisa dizem respeito à idade, sexo, escolaridade, estado civil e raça/cor e são utilizadas nos procedimentos metodológicos da pesquisa para que seus resultados reflitam a distribuição sociodemográfica da população total. Além disso, o Vigitel não faz contato algum com os entrevistados via aplicativo de mensagens (como o Whatsapp, por exemplo).

Os números de telefone contatados foram obtidos por meio de discagem aleatória de dígitos (RDD), seguida por validação dos números sorteados. Todas as entrevistas foram efetuadas por empresa contratada pelo Ministério da Saúde, com questionário eletrônico.

Por Luísa Schneiders, da Agência Saúde
Atendimento à imprensa(61) 3315-3880 / 2351

Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 31/05/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46984-pesquisa-identifica-comportamentos-de-risco-e-protecao-para-a-covid-19

Coronavírus: mais de 200 mil pessoas estão curadas no Brasil

Mais de 200 mil pessoas já estão curadas do coronavírus

O número representa 40% do total de casos confirmados no país. As informações foram atualizadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde até as 19h deste domingo (31/5)

O Brasil registra 206.555 pessoas curadas da Covid-19. O número representa 40% do total de casos registrados no país (514.849). Outras 278.980 pessoas seguem em acompanhamento médico. As informações foram atualizadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde até as 19h deste domingo (31).

O Governo do Brasil, junto às secretarias de saúde estaduais e municipais, está cuidando de todos e empenhando os esforços necessários para garantir o atendimento médico a quem precisa. São realizados investimentos constantes em aquisição de insumos, respiradores, testes de diagnóstico, remédios e equipamentos de proteção para profissionais de saúde, além da habilitação de leitos de UTI.

Até o momento, o país registra 29.314 óbitos, sendo que 480 foram registrados nos sistemas de informação oficiais do Ministério da Saúde nas últimas 24h, apesar de a maioria ter acontecido em outros dias. Isso porque as notificações ocorrem apenas após a conclusão da investigação dos motivos das mortes. Assim, do total de novos registros, 218 óbitos ocorreram, de fato, nos últimos três dias e outros 4.208 estão em investigação.

Cerca de dois mil municípios do país não possuem casos de coronavírus e 70% das cidades não registram nenhum óbito pela doença.


Veja o detalhamento de casos e óbitos por UF
Da Agência Saúde
Atendimento à imprensa:
(61) 3315 2351/ 3580

Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 31/05/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46987-coronavirus-mais-de-200-mil-pessoas-estao-curadas-no-brasil-2

Governo do Brasil garante atendimento de saúde a indígenas brasileiros




Em mais de 6 mil aldeias, indígenas brasileiros são atendidos por equipes do Ministério da Saúde

Desde janeiro de 2020, mesmo antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), elaborou documentos técnicos para orientar povos indígenas, gestores e colaboradores sobre medidas de prevenção e de primeiros atendimentos à infecção pelo Coronavírus. Os documentos foram fundamentais para planejar as ações que hoje chegam aos indígenas.

O Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus em Povos Indígenas detalha como as equipes de saúde devem agir conforme cada caso. Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIS) também elaboraram seus respectivos Planos de Contingência Distritais, ou seja, cada um dos 34 DSEIs já têm um plano para as diferentes situações de enfrentamento da COVID-19 respeitando as características de cada povo e suas necessidades específicas. Todo esse planejamento e estudo antecipado resultam em atendimentos rápidos e eficientes executados diretamente nas aldeias.

Uma das primeiras ações executadas pela SESAI foi a capacitação dos indígenas e seus profissionais. Para isso, uma série de vídeos educativos direcionados para a população indígena, agentes indígenas de saúde, agentes indígenas de saneamento e outros trabalhadores da saúde sobre enfrentamento da COVID-19 foram disponibilizados no site do Ministério da Saúde. Os profissionais da Saúde Indígena também puderam participar de cursos on-line ofertados pela pasta voltados à prevenção da COVID-19. Tudo para que todos estivessem prontos para atender aos casos de infecção pelo novo coronavírus em indígenas. Atualmente, a SESAI também produz vídeos institucionais toda semana sobre as ações realizadas na pandemia de COVID-19 e os DSEI produzem materiais educativos na lingua de cada povo.

APOIO AOS PROFISSIONAIS

Além de capacitar os profissionais de saúde indígena, o Ministério da Saúde também se preocupa em protegê-los de forma adequada. Para isso, tem reforçado os estoques de Equipamentos de Proteção Individual nos Distritos tendo enviado mais de 500 mil unidades de máscaras, luvas, aventais, toucas, escudos faciais e também testes rápidos que garantem a testagem de todos os profissionais que vão entrar nas terras indígenas para atender a população.

Em todos os casos, as equipes dos DSEI têm agido dentro do previsto no planejamento e realizado o isolamento de infectados, casos suspeitos e a transferência para a rede pública estadual e municipal dos pacientes que necessitem de suporte especializado em hospitais. Para isso, a SESAI emprega uma grande frota de veículos, embarcações e aeronaves para levar os indígenas em segurança até as cidades mais próximas que ofereçam o atendimento necessário.

Para oferecer atendimento rápido em situações de emergência, a Secretaria autorizou a contratação de 34 equipes de resposta rápida para atuar em cada DSEI. As equipes compostas por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem ficam disponíveis 24 horas para partir para o território indígena que apresentar, eventualmente, um aumento de casos repentino, reforçando assim o trabalho das equipes multidisciplinares de saúde indígena que já se encontram atuando normalemente nas aldeias.

Acompanhar de perto tudo o que está sendo feito e como está sendo feito, corrigindo rumos em curto prazo é fundamental em tempos de pandemia. Os Comitês de Crise Nacional e Distritais foram criados exatamente para isso e também para permitir a participação de todos nesse acompanhamento. Participam dos comitês, gestores, usuários e colaboradores da saúde indígena. 

ESTRATÉGIAS

Ao longo do período da pandemia, o Ministério da Saúde tem desenvolvido estratégias para aprimorar o atendimento e uma das mais recentes é a criação da Unidade de Atenção Primária Indígena (UAPI). As unidades vão fortalecer os serviços de atenção primária à saúde indígena no atendimento da população indígena proporcionandoo acolhimento dos casos suspeitos de Síndrome Gripal (SG) e identificação precoce de casos de COVID-19.

“O desafio de levar atendimento a todos os povos indígenas brasileiros não é fácil, mas acreditamos no planejamento e na eficiência como forma de amenizar as dificuldades. É assim, que conseguimos vencer as distâncias, as complicações logísticas e todos os demais obstáculos para cumprir a missão de prestar aos brasileiros indígenas uma saúde digna”, explica Robson Santos da Silva, Secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde.

Robson também explica que a legislação vigente determina que os serviços de Saúde Indígena sejam de atenção básica e prestados aos habitantes de terras indígenas homologadas. “Assim, os indígenas que moram nas cidades são atendidos diretamente na rede pública de saúde como todos os outros cidadãos brasileiros” detalhou o secretário.

De segunda a sábado, o Ministério da Saúde publica o Boletim Epidemiológico com a situação da COVID-19 entre indígenas brasileiros. A edição mais recente indica que 540 indígenas são considerados curados, 1237 foram descartados após testes, 1312 foram confirmados e 51 óbitos.

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Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 31/05/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46986-governo-do-brasil-garante-atendimento-de-saude-a-indigenas-brasileiros