quarta-feira, 7 de abril de 2021

Como produtos químicos tóxicos ameaçam espermatozóides e reprodução



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Uma concentração menor de espermatozoides se traduz em uma maior dificuldade de concepção


A taxa de fertilidade mundial está em declínio há décadas e o chamado 'relógio biológico' das mulheres é frequentemente apontado como um dos principais obstáculos para reverter essa queda.


Mais educação, maior participação no mercado de trabalho, a decisão de casar e de ter filhos mais tarde, maior acesso a métodos contraceptivos, entre outros fatores, estão entre as explicações comuns para o fato de as mulheres engravidarem menos vezes hoje em dia.


Mas a epidemiologista americana Shanna Swan sugere que os homens são também fonte de preocupação.

Ela diz em seu novo livro, Countdown (Contagem Regressiva, em tradução literal), que a situação atual da saúde reprodutiva não poderá se manter por muito tempo sem ameaçar a sobrevivência humana.


"É uma crise existencial global", ressalta Swan, uma cientista especializada em fertilidade que trabalha na Escola de Medicina Icahn no Hospital Mount Sinai, em Nova York.

No livro, Swan aponta que, em média, uma mulher hoje com 20 anos é menos fértil do que sua avó era aos 35.


E ela acrescenta que, também em média, um homem atual tem metade da quantidade de esperma que seu avô tinha na mesma idade.


A pesquisadora atribui grande parte dessa deterioração a produtos químicos tóxicos, especificamente os ftalatos, substâncias sintéticas usadas para tornar os plásticos mais flexíveis e difíceis de quebrar.


Esses componentes estão em objetos comuns: recipientes, xampus, cosméticos, móveis, agrotóxicos ou alimentos enlatados, entre outros produtos.


Vários estudos nos últimos 20 anos mostraram que eles alteram os hormônios masculinos, como a testosterona, e causam problemas congênitos genitais em bebês do sexo masculino.



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Cientista Shanna Swan publicou em fevereiro o livro "Contagem regressiva: como nosso mundo moderno ameaça a contagem de esperma, alterando o desenvolvimento reprodutivo masculino e feminino e colocando em risco o futuro da raça humana".


Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão ligado ao Departamento de Saúde dos Estados Unidos (equivalente ao Ministério da Saúde no Brasil), declaram em seu site que os efeitos da exposição moderada a ftalatos são desconhecidos, mas reconhecem que alguns tipos dessas substâncias afetaram o sistema reprodutivo de animais em laboratório.


Swan concedeu a entrevista a seguir à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.


BBC News Mundo: Em seu livro, a senhora diz que a fertilidade caiu mais de 50% nos últimos 50 anos e que a contagem de espermatozóides pode cair para zero até 2045, ou seja, em pouco menos de 25 anos. De onde vêm esses dados?


Swan: Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que os dados de fertilidade não vêm da minha própria pesquisa, mas do Banco Mundial.


Na instituição, pode-se pesquisar a taxa de fertilidade - isto é, o número médio de filhos que uma mulher tem - para cada ano e país desde 1960.


Dito isso, de 1960 até agora, essa taxa caiu para mais da metade, de cinco filhos por mulher ou casal para 2,4 filhos por mulher ou casal, uma queda de mais de 50%.



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Capa do livro de Shanna Swan


Já o declínio na contagem e concentração de espermatozóides é muito mais difícil de estabelecer. Para isso, fizemos uma grande meta-análise de estudos já publicados, e revisamos todos aqueles publicados nos últimos 40 anos para ver os dados sobre espermatozoides relatados por pesquisadores em seus respectivos países ou estudos.


O que descobrimos foi que a concentração caiu de 99 milhões de espermatozoides por mililitro - quase 100, o que é muito - em 1973 para 47 milhões em 2011.


É uma queda preocupante por vários motivos, sendo o principal deles o fato de ser muito íngreme.


Isso em países ocidentais, na Europa, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia, porque países não ocidentais têm poucos estudos publicados e pesquisamos em inglês, portanto, trabalhos em outros idiomas não estão incluídos no livro.


Se você olhar os dados dos últimos 30, 20, 10 anos, perceberá que o declínio não se tornou mais lento, portanto não há indicação de que esteja diminuindo.


Já 47 milhões é um número baixo e continuará diminuindo. Abaixo dos 40 milhões, entramos no ponto em que é cada vez mais difícil ter um filho, digamos, da forma tradicional, o que traz a necessidade de reprodução assistida.


BBC News Mundo: A senhora fala de uma crise existencial global. Como a situação ficou tão ruim e por que isso não é tão discutido?


Swan: Sim, o que estávamos fazendo quando isso estava acontecendo? Estávamos mais preocupados com outras crises. Não podemos esquecer a mudança climática, que está ofuscando outras crises, e, mais recentemente, a pandemia da covid-19.


Mas isso é muito anterior à pandemia e, na verdade, remonta ao fim da 2ª Guerra Mundial, quando a produção de derivados de petróleo aumentou.


O plástico e muitos dos produtos químicos que nos preocupam, e que penso estarem relacionados a este declínio, começaram a ser produzidos em grandes quantidades em todo o mundo. Eles são produtos químicos feitos com petróleo e derivados de petróleo.



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Reprodução assistida tem demanda cada vez maior em todo o mundo


A crise climática global e a crise da saúde reprodutiva cresceram juntas porque estão ligadas a produtos semelhantes.


Outra razão pela qual não estamos tão cientes da crise de fertilidade é que as pessoas não falam sobre saúde reprodutiva.


Em primeiro lugar, as mulheres são frequentemente responsabilizadas por falhas na saúde reprodutiva. Presume-se que, se um casal não consegue conceber, a mulher é a responsável.

As pessoas não querem falar sobre coisas pelas quais se sentem mal ou culpadas, e os homens definitivamente não querem considerar a possibilidade de serem inférteis ou ter pouco esperma, porque sentem que isso ataca sua masculinidade.


Portanto, é uma espécie de zona secreta que se tenta evitar.


Mesmo muitos dos casais que têm problemas para conceber e vão aos programas de reprodução assistida não contam aos amigos, é algo escondido.


Problemas relacionados à menstruação ou sexo, como falta de libido ou disfunção erétil, também não são discutidos. Todos são assuntos constrangedores.



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Uma concentração menor de espermatozoides se traduz em uma maior dificuldade de concepção


Acredito que há um fator aí que não vemos, por exemplo, quando falamos sobre problemas cardíacos ou diabetes.


As pessoas não têm vergonha de falar sobre sua diabetes da mesma forma que falam sobre infertilidade.


Acho que essa é outra razão pela qual não temos prestado tanta atenção: estamos ocupados com outras coisas e não queremos falar sobre isso.


BBC News Mundo: Lembro de um caso próximo a mim, uma mulher que deu à luz um filho natimorto. Tudo estava indo bem, mas de repente os médicos constataram que o bebê não tinha batimentos cardíacos. Muitas pessoas ficaram surpresas que algo assim pudesse acontecer nos Estados Unidos, como se fosse algo que só acontece em países em desenvolvimento…


Swan: Exatamente, não se trata, portanto, de um problema de primeiro mundo. É mais um motivo pelo qual as pessoas não querem abordar esse assunto; "é algo que acontece com os outros", são "eles" que têm um problema. Ou mesmo dentro dos Estados Unidos, "algo que acontece com não brancos".


De fato, aqui (EUA) há uma questão de justiça, que os não-brancos têm mais problemas reprodutivos.



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Em 23 países, incluindo Espanha, Itália, Japão e Tailândia, população será reduzida pela metade até 2100, de acordo com projeções atuais


Isso está relacionado, acredito, a uma maior exposição a produtos químicos que podem causar esses danos e também há outros fatores de saúde, como estresse, dieta pobre e outras coisas que se cruzam e agravam seus problemas de fertilidade.


Não estamos expostos a esses problemas da mesma maneira.


BBC News Mundo: Quando pensamos em produtos químicos, tendemos a achar que a ameaça está na comida e na água, mas, de acordo com suas pesquisas, ela é mais ampla.


Swan: É maior, sim, embora eu diria que é muito bom pensarmos em comida, água e ar, porque os produtos químicos que mais investiguei são os que estão no plástico e são chamados de ftalatos.



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Considerados tóxicos e perigosos, os ftalatos entram nos alimentos pelo contato com plástico


Nossa principal exposição a esses produtos químicos acontece por meio dos alimentos.


Quando os alimentos entram em contato com o plástico, os ftalatos presentes no plástico macio penetram nos alimentos e de lá chegam até nós. Isso pode acontecer quando o alimento é processado ou mesmo antes, na embalagem, ao armazenar alimentos em recipientes ou ao comê-los.


Quando as pessoas me perguntam o que fazer, eu digo: "Tente tirar o plástico da sua cozinha". Tento usar recipientes de vidro, cerâmica e metal.


Há também o bisfenol A (geralmente abreviado como BPA), que endurece o plástico e entra em nossa comida por contato com latas ou garrafas de plástico.


Qualquer plástico rígido que você possa imaginar tem BPA, ou bisfenol S ou bisfenol F, que são usados como alternativa porque as pessoas querem comprar produtos sem BPA.




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Empresas dizem produzir produtos sem BPA, mas adicionar outros bisfenóis que também são prejudiciais ao nosso organismo, diz Shanna Swan


Ao falar sobre comida, devo mencionar que os recipientes também são uma preocupação para que os alimentos não grudem em panelas ou embalagens que dizem ser resistentes à água e contêm produtos químicos perigosos.


Se formos além da comida, devemos falar sobre poliéster nas roupas, retardadores de chama em móveis, PVC (cloreto de polivinila), que é usado especialmente na Europa para pisos e revestimentos de parede etc.


São produtos químicos que podem afetar nossos hormônios e são os mais preocupantes por causa de seus efeitos sobre a testosterona, o estrogênio. São produtos químicos conhecidos como desreguladores endócrinos ou hormonais.


O que acontece é que, quando entram no corpo, podem afetar nossos próprios hormônios e o momento mais perigoso para que isso aconteça é nos primeiros meses de gravidez.


O embrião está se desenvolvendo muito rapidamente, muitas células estão se dividindo e girando, e seu desenvolvimento foi programado para usar hormônios como indicadores dos processos que devem ocorrer.


Se esses hormônios são alterados de uma maneira que, por assim dizer, eles não entendem a mensagem, então esse desenvolvimento é alterado e isso é algo que medimos em nossos estudos.



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Empresas americanas não são obrigadas a provar que produtos químicos em seus produtos são seguros antes de serem lançados no mercado


Observamos casos de crianças do sexo masculino que são, como dizemos, "sub-masculinizadas" pela falta de testosterona durante o desenvolvimento no útero e pelo efeito em seu sistema reprodutivo.


Lá podemos ver que esses produtos químicos podem afetar o número de espermatozoides por meio de alterações hormonais, seja durante a gravidez ou na vida adulta.


O fumante tem baixo número de espermatozoides, sabemos disso, e a diferença é que um adulto que fuma pode tomar a decisão de parar e sua contagem de espermatozoides se recupera, mas não podemos fazer nada com a alteração que ocorreu quando ele estava no útero materno.


Isso é permanente, é uma alteração para toda a vida.


BBC News Mundo: A senhora também fala de "produtos químicos eternos". Quais são eles, especificamente?


Swan: São produtos químicos como o DDT (dicloro difenil tricloroetano), dioxinas ou PCDs e são chamados de eternos porque não se dissolvem na água e não saem do corpo rapidamente.


Os ftalatos são o oposto, são solúveis em água, como o BPA, chegam à urina e o corpo os expele, então em cerca de quatro horas metade deles sai, muito rapidamente.


Mas os produtos químicos eternos permanecem por anos e às vezes décadas, e eles não estão apenas em nós, armazenados na gordura, mas também no meio ambiente, na gordura dos animais como os peixes que comemos, e no solo que chega até a nossa água e este é como os recebemos.


O perigo dos produtos químicos eternos é literalmente eterno.



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Produtos químicos eternos foram detectados na água nas escolas de Massachusetts


O bom dos produtos químicos não persistentes, como ftalatos e BPA, é que, uma vez que os expulsamos do corpo, eles não permanecem por perto. O problema é que eles sempre chegam até nós.


Neste momento, temos em nosso corpo, com 90% de certeza, ftalatos e bisfenóis.


E a propósito, não temos consciência disso, não sabemos quais são os níveis, não sabemos de onde os estamos tirando, a maioria das pessoas não sabe o que procurar e é por isso que digo que somos cobaias.


As empresas nos Estados Unidos não precisam provar que os produtos químicos são seguros antes de colocá-los no mercado. Na Europa, é diferente. Existe uma norma melhor na União Europeia que estabelece que um produto químico deve ser testado para ser seguro antes de ser colocado no mercado.


É uma legislação chamada "Reach" e que realmente mudou a forma como esses produtos químicos são encarados pelo público.


Mas nos Estados Unidos, e eu diria que na maioria dos países do mundo, não é esse o caso.


Precisamos mudar o sistema para que os produtos químicos sejam comprovadamente seguros antes de serem colocados no mercado. Isso pode ser feito por meio de testes e tentativas.


E precisamos explicar que mesmo uma pequena dose é importante.



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Plásticos que nos cercam, denuncia Shanna Swan, podem estar alterando nossos hormônios


É muito surpreendente ver que a maioria das pessoas pensa "ah, é tão pequeno que não pode me machucar". Isso não é verdade.


Quando se trata do sistema endócrino, os humanos foram projetados para serem sensíveis a mudanças hormonais muito pequenas.


Até mesmo o sexo de um gêmeo afeta o desenvolvimento dos hormônios e do sistema reprodutivo do outro gêmeo.


Estamos falando de exposições de menos de uma gota em uma piscina. Essa leve exposição é suficiente para alterar o desenvolvimento e isso porque nosso corpo é extremamente sensível a pequenas mudanças hormonais.


BBC News Mundo: Houve casos notórios de escândalos com produtos químicos, como os da Monsanto, Dupont, Johnson & Johnson, mas não parecem ser tantos diante da gravidade do problema que a senhora apresenta. Por quê?


Swan: São casos jurídicos e no campo do direito é extremamente difícil comprovar os malefícios que pequenas doses e efeitos brandos causam, pois não afetam ninguém de forma dramática, exceto em casos de exposição no ambiente de trabalho.


Assim, os casos de alta exposição no trabalho podem estar relacionados a certos defeitos congênitos ou problemas de saúde específicos, mas não quando as pessoas experimentam pequenas mudanças.


Tome-se como exemplo o chumbo. A exposição de crianças ao chumbo reduz seu QI (Quociente de Inteligência), mas em pequena quantidade. Por isso, se você tem uma criança com um QI levemente inferior, não pode comprovar que o chumbo da tinta usada na pintura da casa quando sua mãe estava grávida é responsável por isso.



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Alguns casos contra gigantes corporativas, como Monsanto, tiveram grande notoriedade


É a mesma situação com esses produtos químicos. Pequenas doses afetam milhões de pessoas em pequenos números e têm um grande impacto econômico e de saúde em nossas populações, mas estabelecer a ligação entre causa e efeito é muito difícil.


Acho que temos que fazer da maneira que eu faço: investigando minuciosamente um determinado produto químico e uma consequência específica.


Concentro-me em ftalatos e saúde reprodutiva e tenho sido capaz de relacioná-los de forma bastante convincente, especialmente porque demonstro sua correspondência com estudos em animais e sua correspondência com estudos de laboratório que mostram a ação desses produtos químicos sobre os hormônios.

Quando você junta tudo isso, você tem o que é chamado de ônus da prova que leva a uma decisão.

Foi o que aconteceu em 2008 com a Lei de Proteção ao Consumidor, que fez o recall de alguns brinquedos infantis nos Estados Unidos.

A ação exige um trabalho longo e caro de cientistas, reguladores e ativistas.


Se os fabricantes fizessem seus testes mais cedo, não precisaríamos disso.

Essa é a situação em que estamos.





Autor: Beatriz Díez (@bbc_diez)
Fonte: BBC News Mundo
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 07/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56652081

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Como animais encontram remédios na natureza



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Pesquisas sobre automedicação animal começaram há 35 anos, quando cientista se surpreendeu ao encontrar um chimpanzé mastigando uma planta amarga


Algo estranho aconteceu há 35 anos, quando o primatologista Mike Huffman estava estudando um grupo de chimpanzés no oeste da Tanzânia.


Chausiku, uma das fêmeas, deixou seus filhotes com outros animais da espécie, subiu em uma árvore e deitou-se em um ninho.


"É incomum que chimpanzés durmam durante o dia", explica Huffman.


Então aconteceu algo extraordinário.


Chausiku desceu da árvore, pegou seu filho, caminhou devagar e com dificuldade, seguida pelo grupo, até que se sentou em frente a um arbusto.

"O nome do arbusto é mjonso", explicou Mohamedi Seifu Kalunde, assistente de pesquisa de Huffman.


Kalunde é um renomado especialista na selva local. Ele foi treinado por seus pais e avós na arte da fitoterapia, estudo das plantas medicinais. "É um medicamento muito poderoso e importante para nós", ele diz.


A planta, que em português é chamada de vernonia (Vernonia amygdalina), é usada na Tanzânia para tratar malária, parasitas intestinais, diarreia e dores de estômago.


Muitos outros grupos na África tropical e na América Central — que conhecem a erva por vários nomes, mas geralmente como "folha amarga" — também a usam para tratar doenças como malária, esquistossomose, disenteria amebiana e outros parasitas intestinais e dores de estômago.


A chimpanzé Chausiku arrancou alguns galhos e removeu a casca e as folhas, que se ingeridas em grandes quantidades podem ser letais.



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A Vernonia amygdalina pode ser tóxica, mas alguns chimpanzés da Tanzânia sabem que ela pode ter efeitos curativos


O interessante — além de não ser uma planta que faça parte da alimentação desses primatas — é que Chausiku mastigou o miolo e depois cuspiu as fibras.


Será que a chimpanzé fazia isso não para se alimentar, mas para se sentir melhor?


Em outras palavras, Chausiku estava usando a erva deliberadamente como um medicamento?

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Quindim, o cão de rua ferido que 'buscou ajuda' em clínica e ganhou vida nova no Ceará

Mjonso


Chausiku foi dormir em seu ninho mais cedo do que de costume.


No dia seguinte, Huffman e Kalunde notaram que ela continuava se sentindo mal: ela precisava descansar com frequência, movia-se devagar e comia pouco.


Mas tudo mudou cerca de 24 horas após a ingestão da seiva amarga de mjonso. A chimpanzé correu pela floresta até chegar a um prado pantanoso, onde devorou ​​grandes quantidades de figos, tutano de gengibre e capim elefante.



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Chausiku com seu filho Chopin


As observações que Huffman e Kalunde fizeram durante aqueles dois dias em novembro de 1987 se tornaram a primeira evidência documentada de um animal consumindo uma planta com propriedades medicinais e se recuperando posteriormente.


Eles teriam descoberto a medicina animal?

Conexão profunda


Embora seja verdade que esta foi a primeira evidência científica de automedicação em animais, Huffman enfatiza que não é uma descoberta, mas uma "redescoberta" de algo que algumas culturas deixaram cair no esquecimento.


Mas nem todas.


Na Tanzânia, por exemplo, aquela profunda conexão com a natureza ainda estava viva.


"Sabemos por nossa tradição que animais doentes procuram plantas para melhorarem, então usamos essas plantas para tratar nossas doenças também", explicou Kalunde.


O episódio com os chimpanzés não foi a primeira vez que cientistas observaram o que parecia ser automedicação no reino animal.


Mais de uma década antes, o primatologista Richard Wrangham e seus colegas viram que os chimpanzés muitas vezes engoliam folhas inteiras sem mastigar. Na época, os cientistas se perguntaram se os animais faziam isso para curar infecções parasitárias.


A equipe até cunhou o termo zoofarmacognosia — do grego zoo ("animal"), farmaco ("droga ou remédio") e gnosy ("conhecimento") — para descrever o comportamento.



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Mike Huffman (à dir.) descreve seu relacionamento com Mohamedi Seifu Kalunde (à esq.) como 'uma parceria intelectual mútua'


Mas eles não conseguiram provar que essas folhas continham produtos químicos tóxicos para os parasitas, ou que os chimpanzés estavam doentes antes ou que foram curados após se automedicar. Ou seja, ainda não havia elementos para provar a automedicação.


Sabendo disso, Huffman conseguiu que seus colegas bioquímicos analisassem a Vernonia amygdalina. Eles descobriram mais de uma dúzia de novos compostos com propriedades antiparasitárias.


Além disso, o primatologista coletou amostras fecais do grupo Chausiku e descobriu que, depois de mastigar a planta, os ovos do parasita nas fezes diminuíram em até 90% em um dia.


E mais, observações subsequentes mostraram que eles tendiam a mastigar folhas mais amargas durante a estação chuvosa, quando os parasitas eram mais abundantes.

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Covid-19: Brasil tem quase 30 fábricas de vacina para gado e só 2 para humanos


"Esse foi o início desta jornada que embarquei há 35 anos ou mais", diz Huffman, professor da Universidade de Kyoto, no Japão. Ele acabou se tornando um dos maiores especialistas em automedicação animal.


Chowsiku e sua planta de folha amarga foram a chave para estudos posteriores, que mostraram que o evento estava longe de ser único.


Na verdade, agora sabemos que esse tipo de comportamento vai muito além dos chimpanzés. Outros mamíferos, pássaros e até insetos tratam suas próprias doenças de maneiras diferentes.



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Huffman precisava provar que os chimpanzés sabiam o que estavam fazendo ao consumir remédios naturais

Hábito estranho


O próprio Huffman começou a investigar relatos de outro lugar na Tanzânia, onde macacos tinham "o estranho hábito de pegar folhas ásperas, dobrá-las na boca e engoli-las".


"Durante anos procurei um sistema para estudar adequadamente esse tipo de comportamento", até que descobri "que na verdade eles estavam expulsando parasitas".


Como as folhas são difíceis de digerir, elas "diminuem a quantidade de tempo que o alimento leva para passar pelo trato intestinal".


Eles estavam limpando seu sistema digestivo. "Em exatamente seis horas, eles expulsaram os parasitas."


Depois de discutir o assunto com os colegas, um grupo de cientistas começou a investigar. Hoje se sabe que existem 40 espécies diferentes de folhas que 17 populações diferentes de chimpanzés, bonobos e gorilas usam para se livrar de parasitas.


E os primatas não são os únicos a usar essa técnica.


"Agora sabemos que pequenos mamíferos como a civeta também dobram e engolem folhas e expelem parasitas, e grandes mamíferos como o urso pardo e o urso preto fazem parecido", diz o cientista.



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Algumas araras e papagaios usam argila para tratar dores de estômago; a argila se liga às toxinas e as remove do corpo


"Também os gansos da neve canadenses, geralmente os mais jovens, se automedicam antes de migrar no inverno, quando vão para o sul e têm um longo caminho a percorrer. Eles limpam seus sistemas antes de passar por esse longo e estressante período sem poder se alimentar".

As borboletas usam remédios?


"No ano passado, uma observação realmente interessante foi feita em Bornéu (ilha no sudeste asiático): orangotangos estavam mastigando certas plantas, mas sem engoli-las, apenas triturando-as com os dentes até formar uma pasta que depois era esfregada por 15 a 45 minutos", disse Kim Walker, do Royal Botanic Gardens, em Londres.


"O que é realmente interessante é que era a mesma planta que a população humana local usava para dores nas articulações."


"Há muitos, muitos animais que usam todos os tipos de drogas para tratar seus próprios patógenos e infecções", diz Jaap De Rhoda, biólogo da Emory University, em Atlanta, nos Estados Unidos.


"Mas eu estava interessado em entender se animais com cérebros menores e mais diferentes do ser humano também poderiam usar formas de medicação."



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Quando está doente, a borboleta-monarca protege seus filhotes com compostos químicos


Os insetos são um grupo de animais que desenvolveram uma ampla gama de diferentes estratégias de medicação.


Um exemplo é a borboleta-monarca que, quando ainda é lagarta, só pode comer erva-leiteira ou as plantas leiteiras. Essas plantas tóxicas contêm substâncias químicas chamadas cardenólidos.


As borboletas são imunes a esses compostos tóxicos, que se acumulam em seu sistema e as protegem de predadores. Mas, além disso, as espécies de erva-leiteira que apresentam maiores concentrações desses elementos acabam defendendo esses insetos de um parasita mortal: Ophrycocystis Electroscirrha.


A questão a se descobrir é se a borboleta-monarca procura especificamente essas espécies medicinais de erva-leiteira quando já estão doentes.


"Para nossa grande surpresa, descobrimos uma forte preferência entre as borboletas-monarca infectadas em colocar seus ovos nessas plantas medicinais que reduzirão a infecção em seus descendentes futuros. Já aquelas que não estão infectadas, escolheram plantas ao acaso."


E há outra criatura frágil e pequena que tem conhecimento médico.



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As abelhas espalham um remédio na colmeia, mas o composto também é usado na alimentação

O remédio das abelhas


"As abelhas têm maneiras diferentes de tratar suas infecções", diz De Rhoda.


"Por exemplo, elas coletam resinas das árvores, a substância pegajosa que as árvores produzem como defesa. As abelhas misturam a resina com sua cera, usam em suas colmeias e está comprovado que esse composto reduz o crescimento de todos os tipos de patógenos", explica.


Não apenas serve como uma defesa em suas casas, mas "agora elas também podem consumi-lo, para reduzir as doenças em seu próprio corpo".


Para De Rhoda, "uma das coisas interessantes sobre isso é pensar que a medicina é uma profissão que pode evoluir com o tempo, mas que também pode se perder. E é isso o que estamos vendo com as abelhas".


"A viscosidade é irritante, então, ao longo dos anos, os apicultores eliminaram inadvertidamente essa droga, selecionando as abelhas que usavam menos resina."


"Agora devemos repensar as coisas e deixar as abelhas escolherem os próprios remédios, medicamentos que elas usam há milhões de anos, porque isso pode realmente beneficiar as colônias e, portanto, os apicultores".





Autor: Série 'CrowdScience'
Fonte: BBBC News
Sítio Online da Publicação: BBBC News
Data: 05/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56635608

Como eram as relações sexuais dos neandertais



CRÉDITO,RM FLAVIO MASSARI/ALAMY
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Uma coisa que os achados arqueológicos não podem nos dizer é se os neandertais e os humanos modernos primitivos eram fisicamente atraídos um pelo outro


Seus olhares se encontraram em meio à paisagem montanhosa da Romênia pré-histórica.


Ele era um neandertal e estava completamente nu, exceto por uma capa de pele de animal. Tinha boa postura e pele clara, talvez ligeiramente avermelhada pelo Sol. Ao redor do bíceps musculoso, usava um bracelete de garras de águia.

Ela era uma humana moderna primitiva, vestida com um casaco de pele com acabamento em pele de lobo. Tinha a pele escura, pernas longas e usava tranças no cabelo.


Ele pigarreou, olhou para ela de cima a baixo e — com uma voz anasalada e estridente — lançou sua melhor cantada.


Ela olhou de volta fixamente. Para sorte dele, eles não falavam a mesma língua. Deram uma risada meio sem jeito e, a partir daí, podemos adivinhar o que aconteceu a seguir.


Claro, pode não ter sido uma cena de romance tórrido. Talvez a mulher fosse, na verdade, neandertal, e o homem pertencesse à nossa própria espécie. Talvez o relacionamento deles fosse do tipo casual e pragmático, simplesmente porque não havia muitas pessoas por perto na época. E há quem sugira que tais relações não eram consensuais.


Embora nunca saibamos o que realmente aconteceu no encontro acima — ou em outros como este —, o que podemos ter certeza é que esse casal ficou junto.


Cerca de 37 mil a 42 mil anos depois, em fevereiro de 2002, dois exploradores fizeram uma descoberta extraordinária em um sistema de cavernas subterrâneas nas montanhas ao sudoeste dos Cárpatos, perto da cidade romena de Anina.


Chegar até lá não foi uma tarefa fácil. Primeiro, eles atravessaram um rio subterrâneo com água até o pescoço por 200 metros.



CRÉDITO,NPL/ALAMY
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Um encontro amoroso entre nossos ancestrais humanos modernos e os Neandertais poderia ter ocorrido nas montanhas dos Cárpatos


Depois, mergulharam 30 metros ao longo de uma passagem subaquática, e subiram 300 metros até a poarta ou "buraco de rato" — uma abertura pela qual eles entraram em uma câmara até então desconhecida.


Dentro da Peştera cu Oase ou "Caverna com Ossos", eles encontraram milhares de ossos de mamíferos. Ao longo da história, acredita-se que a caverna tenha sido habitada sobretudo por ursos-das-cavernas machos — parentes extintos do urso-pardo — aos quais os ossos pertenciam em grande parte.


Entre eles, estava uma mandíbula humana, cuja datação por radiocarbono revelou ser de um dos mais antigos humanos modernos primitivos conhecidos na Europa.


Acredita-se que os restos mortais tenham sido levados naturalmente pela água para dentro da caverna e permanecido intactos desde então.


Na época, os cientistas notaram que embora a mandíbula fosse inconfundivelmente moderna em sua aparência, ela também continha algumas características incomuns, semelhantes aos neandertais. Anos depois, a suspeita foi confirmada.


Quando os cientistas analisaram o DNA extraído da descoberta em 2015, eles descobriram que o indivíduo era do sexo masculino e provavelmente de 6 a 9% neandertal.


Esta é a maior concentração já encontrada em um ser humano moderno, e cerca de três vezes a quantidade encontrada nos europeus e asiáticos atuais, cuja composição genética é de aproximadamente 1 a 3% neandertal.


Como o genoma continha grandes trechos de sequências ininterruptas de neandertal, os pesquisadores calcularam que o dono da mandíbula provavelmente teve um ancestral neandertal quatro ou seis gerações antes.


E determinaram que o cruzamento provavelmente ocorreu menos de 200 anos antes da época em que ele vivia.


Além da mandíbula, a equipe encontrou fragmentos de crânio de outro indivíduo em Peştera cu Oase, que possuía uma mistura de características semelhantes.


Os cientistas ainda não foram capazes de extrair o DNA desses restos mortais, mas, assim como a mandíbula, acredita-se que possam ter pertencido a alguém com ascendência neandertal recente.


Desde então, as evidências de que o sexo entre os humanos modernos primitivos e os neandertais não era um evento raro têm se acumulado.



CRÉDITO,STR/AFP/GETTY IMAGES
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Há cerca de 130 mil anos, um neandertal onde hoje é a Croácia cortou a garra de uma águia — possivelmente para fazer joias


Nos genomas das populações atuais, há indícios de que isso aconteceu em muitas ocasiões diferentes e em uma ampla área geográfica.


Até hoje, há pessoas carregando material genético de pelo menos duas populações diferentes de neandertais, o que uma análise sugere que eles procriaram com humanos várias vezes na Europa e na Ásia.


Na verdade, o DNA neandertal pode ser encontrado em todas as pessoas vivas hoje, incluindo naquelas de ascendência africana, cujos ancestrais não teriam tido contato direto com esse grupo. E a transferência também aconteceu no caminho inverso.


Em 2016, os cientistas descobriram que os neandertais das montanhas Altai, na Sibéria, podem ter compartilhado de 1 a 7% de sua genética com os ancestrais dos humanos modernos, que viveram cerca de 100 mil anos atrás.


Embora você possa pensar que os detalhes sórdidos dessas antigas relações se perderam na pré-história, há indícios ainda hoje por aí sobre como poderiam ter sido. A seguir, tudo o que você sempre quis saber sobre este excitante episódio da história humana.

O beijo


Em 2017, a antropóloga Laura Weyrich, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriu a marca fantasmagórica de um parasita microscópico de 48 mil anos agarrado a um dente pré-histórico.


"Vejo os micróbios antigos como uma forma de aprender mais sobre o passado, e o tártaro é realmente a única maneira confiável de reconstruir os microrganismos que viveram dentro dos humanos antigos", diz Weyrich.


Ela estava particularmente interessada no que os neandertais comiam e como interagiam com o ambiente. Para descobrir, sequenciou o DNA da placa dentária de dentes encontrados em três cavernas diferentes.


Duas das amostras foram retiradas de 13 neandertais encontrados em El Sidrón, no noroeste da Espanha.


O local foi recentemente alvo de intrigas, quando foi revelado que muitos desses indivíduos parecem ter sofrido de anomalias congênitas, como rótulas e vértebras deformadas e dentes de leite que permaneceram por muito tempo depois da infância.


Suspeita-se que o grupo seja composto por parentes próximos, que acumularam genes recessivos após uma longa história de endogamia.


A família não teve um final feliz — seus ossos estão gravados com sinais de que foram canibalizados. Acredita-se que estavam entre os últimos neandertais a andar na Terra.


Para a surpresa de Weyrich, um dos dentes de El Sidrón continha a assinatura genética de um microrganismo semelhante a uma bactéria, Methanobrevibacter oralis, que ainda hoje se encontra na nossa boca.


Ao comparar a versão neandertal com a versão humana moderna, ela foi capaz de estimar que as duas se separaram há cerca de 120 mil anos.


Se os neandertais e os humanos atuais sempre compartilharam os mesmos "companheiros" bucais, seria de se esperar que isso tivesse acontecido bem antes — há pelo menos 450 mil anos, quando as duas subespécies seguiram caminhos diferentes.


"O que isso significa é que o microrganismo foi transferido desde então", diz Weyrich.


É impossível saber com certeza como isso aconteceu, mas pode estar relacionado a outra coisa que ocorreu há 120 mil anos.


"Para mim, o que é fascinante é que este também é um dos primeiros períodos em que descrevemos o cruzamento entre humanos e neandertais", revela. "É maravilhoso ver um micróbio envolvido nessa interação."


Segundo ela, uma possível rota para essa transferência é o beijo. "Quando você beija alguém, os micróbios orais vão e vêm entre as bocas", explica.


"Pode ter acontecido uma vez, mas de alguma forma propagado magicamente, se o grupo de pessoas infectadas acabou sendo bem-sucedido. Mas também pode ser algo que ocorria com mais regularidade."


Outra maneira de transferir os micróbios orais é compartilhando alimentos. E embora não haja nenhuma evidência direta de um neandertal preparando uma refeição para um humano moderno primitivo, um jantar romântico poderia ter sido uma fonte alternativa de M. oralis.


Para Weyrich, a descoberta é emocionante porque sugere que nossas interações com outros tipos de humanos, há muito tempo, moldaram as comunidades de microrganismos que carregamos hoje.



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Os neandertais (à direita) tinham rostos projetados, testas baixas com sobrancelhas pronunciadas, maçãs do rosto largas e queixos retraídos em comparação com o Homo sapiens


Isso levanta uma questão para Weyrich: "Nosso microbioma estaria funcionando corretamente porque coletamos microorganismos dos neandertais?"


Por exemplo, embora a M. oralis tenda a ser associada a doenças da gengiva em humanos modernos, Weyrich diz que ela foi encontrada em muitos indivíduos pré-históricos que tinham dentes perfeitamente saudáveis.


No futuro, ela pretende usar os dados coletados das placas dentárias antigas para reconstruir microbiomas orais mais saudáveis ​​para as pessoas que vivem no mundo moderno.

Neandertais do sexo masculino ou feminino?


É impossível dizer com certeza se eram particularmente mulheres neandertais se relacionando com homens modernos primitivos, ou o contrário — mas há algumas pistas.


Em 2008, arqueólogos descobriram um osso de dedo quebrado e um único dente molar na caverna Denisova nas montanhas Altai da Rússia, de onde se revelou uma nova subespécie humana.


Durante anos, os denisovanos foram conhecidos apenas por um punhado de amostras descobertas neste local, junto com seu DNA, a partir do qual os cientistas descobriram que seu legado continua até hoje nos genomas de pessoas descendentes do leste asiático e da Melanésia.


Os denisovanos eram muito mais próximos dos neandertais do que os humanos de hoje; as duas subespécies podem ter tido linhagens que coexistiram na Ásia por centenas de milhares de anos.


Isso se tornou particularmente evidente em 2018, com a descoberta de um fragmento ósseo que pertencia a uma jovem — apelidada de Denny —, filha de mãe neandertal e pai denisovano.


Consequentemente, faria sentido se os cromossomos sexuais masculinos dos neandertais fossem semelhantes aos dos denisovanos.


Mas quando os cientistas sequenciaram o DNA de três neandertais, que viveram entre 38 mil e 53 mil anos atrás, ficaram surpresos ao descobrir que seus cromossomos Y tinham mais em comum com os dos humanos atuais.


Segundo os pesquisadores, isso é evidência de um "forte fluxo gênico" entre os neandertais e os humanos modernos primitivos — eles estavam procriando bastante entre si.


Com tanta frequência, na verdade, que conforme o número de neandertais diminuía no final de sua existência, seus cromossomos Y podem ter se extinguido e sido substituídos inteiramente pelos nossos.


Isso sugere que um número significativo de ancestrais homens dos humanos estava fazendo sexo com mulheres neandertais.


Mas a história não termina por aí. Outra pesquisa mostrou que quase exatamente o mesmo destino se abateu sobre as mitocôndrias dos neandertais — maquinário celular que ajuda a transformar açúcares em energia útil.


Elas são passadas ​​exclusivamente das mães para os filhos, então, quando as primeiras mitocôndrias humanas modernas foram encontradas em restos mortais neandertais em 2017, deu a entender que nossas ancestrais também estavam fazendo sexo com homens neandertais.


Neste caso, é provável que o cruzamento tenha acontecido entre 270 mil e 100 mil anos atrás, quando os humanos estavam confinados principalmente à África.

Infecções sexualmente transmissíveis


Há alguns anos, Ville Pimenoff estava estudando a infecção sexualmente transmissível pelo papilomavírus humano (HPV) quando percebeu algo estranho.


Os papilomavírus são onipresentes entre os animais, incluindo ursos, golfinhos, tartarugas, cobras e pássaros — na verdade, eles foram encontrados em quase todas as espécies que foram estudadas quanto à sua presença.


Somente entre os humanos, há mais de cem cepas diferentes em circulação, que são responsáveis ​​por 99,7% dos cânceres cervicais em todo o mundo. Destes, um dos mais letais é o HPV-16, que pode permanecer no corpo por anos, uma vez que corrompe silenciosamente as células que infecta.


Mas existe uma divisão global clara entre onde certas variantes desse vírus são encontradas. Na maior parte do planeta, é mais provável que você encontre o tipo A, enquanto na África subsaariana a maioria das pessoas está infectada com os tipos B e C.


Curiosamente, o padrão corresponde exatamente à distribuição do DNA neandertal em todo o mundo — não apenas as pessoas na África subsaariana são portadoras de cepas incomuns de HPV, como carregam relativamente pouco material genético neandertal.


Para descobrir o que estava acontecendo, Pimenoff usou a diversidade genética do tipo A hoje para calcular que surgiu há cerca de 60 mil a 120 mil anos.


Isso o torna muito mais jovem do que os outros tipos de HPV-16 — e, mais importante, foi por volta dessa época que os humanos modernos primitivos saíram da África e entraram em contato com os neandertais.


Embora seja difícil obter uma prova cabal, Pimenoff acredita que eles começaram a trocar imediatamente infecções sexualmente transmissíveis — e que a divisão das variantes do HPV-16 reflete o fato de que adquirimos o tipo A de seus ancestrais.


"Testei milhares de vezes usando técnicas computacionais, e o resultado foi sempre o mesmo — que este é o cenário mais plausível", diz Pimenoff.


Com base na forma como os vírus do HPV se propagam hoje, ele suspeita que o vírus não foi transferido para os humanos apenas uma vez, mas em muitas ocasiões diferentes.


"Esses encontros sexuais devem ter sido bastante comuns na Eurásia, em áreas onde ambas as populações humanas estavam presentes."


Pimenoff também acredita que a aquisição do tipo A dos neandertais explica por que ele é tão cancerígeno em humanos — como o encontramos pela primeira vez há relativamente pouco tempo, nosso sistema imunológico ainda não evoluiu para ser capaz de curar a infecção.



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Ambos os homens e mulheres de neandertal parecem ter cruzado com nossa própria espécie, de acordo com registros genéticos


Na verdade, o sexo com os neandertais pode ter nos deixado com vários outros vírus, incluindo um antigo primo do HIV. Mas não há necessidade de ficar ressentido com nossos parentes há muito tempo perdidos, porque também há evidências de que passamos infecções sexualmente transmissíveis a eles — incluindo herpes.

Órgãos sexuais


Embora possa parecer grosseiro imaginar como eram os pênis e as vaginas dos neandertais, os órgãos genitais de diferentes organismos têm sido objeto de um vasto corpo de pesquisas científicas.


No momento em que este artigo foi escrito, a procura por "evolução do pênis" na ferramenta de busca de artigos acadêmicos Google Scholar retornou 98 mil resultados, enquanto "evolução da vagina" resultou em 87 mil.


O fato é que os órgãos sexuais de um animal podem revelar muito sobre seu estilo de vida, estratégia de acasalamento e história evolutiva — portanto, fazer perguntas sobre suas genitálias é apenas outro caminho para entendê-los.


O reino animal contém uma variedade caleidoscópica de designs criativos.


Isso inclui o polvo argonauta e seu pênis destacável parecido com uma minhoca, que pode nadar sozinho para acasalar com as fêmeas — uma característica prática que acredita-se ter evoluído porque os machos têm apenas cerca de 10% do tamanho das fêmeas; e as vaginas triplas dos cangurus, que possibilitam que as fêmeas fiquem perpetuamente grávidas.


Uma maneira pela qual o pênis humano é incomum é que ele tem a superfície lisa. Nossos parentes vivos mais próximos, os chimpanzés-comum e bonobos — com quem compartilhamos cerca de 99% do nosso DNA — têm "espinhos penianos".


Acredita-se que essas pequenas farpas, que são feitas da mesma substância da pele e do cabelo (queratina), tenham evoluído para limpar o sêmen de machos concorrentes ou para irritar levemente a vagina da mulher e impedi-la de fazer sexo novamente por um tempo.


Em 2013, cientistas descobriram que o código genético para os espinhos penianos não está presente nos genomas dos neandertais e denisovanos, assim como nos humanos modernos, sugerindo que ele desapareceu de nossos ancestrais coletivos há pelo menos 800 mil anos.


Os espinhos penianos são considerados mais úteis em espécies promíscuas uma vez que podem ajudar os machos a competir com outros e maximizar as chances de reprodução.


Isso levou à especulação de que — assim como nós — os neandertais e denisovanos eram em sua maioria monogâmicos.

Pulando a cerca


No entanto, há alguns indícios que sugerem que os neandertais pulavam mais a cerca do que os humanos modernos.


Estudos em fetos mostraram que a presença de andrógenos, como a testosterona no útero, pode afetar a "proporção dos dedos" de uma pessoa na idade adulta — medida de comparação entre os comprimentos dos dedos indicador e anelar, que é calculada dividindo o primeiro pelo segundo.


Em um ambiente com níveis elevados de testosterona, as pessoas tendem a ter proporções menores. Isso é verdade independentemente do sexo biológico.


Desde esta descoberta, foram encontradas associações entre a "proporção dos dedos" e atratividade facial, orientação sexual, apetite pelo risco, desempenho acadêmico, como as mulheres são empáticas, como os homens parecem dominantes e até mesmo o tamanho de seus testículos — embora alguns estudos nessa área sejam controversos.


Em 2010, uma equipe de cientistas notou também um padrão entre os parentes mais próximos dos humanos.


Chimpanzés, gorilas e orangotangos — que geralmente são mais promíscuos — apresentaram uma "proporção de dedos" mais baixa em média, enquanto um humano moderno primitivo encontrado em uma caverna israelense e os humanos atuais tinham uma proporção mais alta (0,935 e 0,957, respectivamente).


Os humanos são geralmente monogâmicos, então, os pesquisadores sugeriram que pode haver uma ligação entre a proporção dos dedos de uma espécie e a estratégia sexual.


Se eles estiverem certos, os neandertais — cuja proporção estava entre os dois grupos acima (0,928) — eram ligeiramente menos monogâmicos do que os humanos modernos primitivos e os atuais.

Família


Depois que o casal neandertal-humano-moderno-primitivo do início deste artigo se formou, os dois podem ter se estabelecido perto de onde o homem vivia, com cada geração seguindo o mesmo padrão.


Evidências genéticas de neandertais sugerem que as famílias eram compostas pelos homens, suas parceiras e os filhos. As mulheres pareciam sair da casa da família quando encontravam um parceiro.


Outro indício sobre a vida amorosa entre os humanos modernos primitivos e os neandertais vem de um estudo dos genes que eles deixaram para trás no povo islandês hoje.


No ano passado, uma análise dos genomas de 27.566 desses indivíduos revelou as idades em que os neandertais costumava ter filhos: embora as mulheres fossem geralmente mais velhas do que suas homólogas humanas modernas primitivas, os homens geralmente eram pais jovens.


Se nosso casal tivesse um bebê, talvez — como outros neandertais —, a mãe o teria amamentado por cerca de nove meses e o desmamado completamente por volta dos 14 meses, mais cedo do que os humanos nas sociedades não industriais modernas.


A curiosidade em relação a esses relacionamentos antigos está revelando novas informações sobre como os neandertais viviam em geral — e por que desapareceram.


Mesmo que você não tenha interesse em humanos antigos, acredita-se que essas uniões tenham contribuído para uma série de características que os humanos modernos carregam hoje, desde o tom da pele, altura e cor do cabelo até nossos padrões de sono, humor e sistema imunológico.


Aprender sobre eles já está levando a possíveis tratamentos para doenças modernas, como medicamentos que têm como alvo um gene neandertal que pode contribuir para casos graves de covid-19.


Atualmente, acredita-se que a extinção dos neandertais, há cerca de 40 mil anos, pode ter sido em parte causada por nossa atração mútua, assim como por fatores como mudanças climáticas repentinas e endogamia.


Uma teoria emergente é que as doenças transmitidas pelas duas subespécies — como o HPV e herpes — inicialmente formaram uma barreira invisível, que os impedia de expandir seu território e, potencialmente, entrar em contato.


Nas poucas áreas em que coexistiram, eles procriaram, e os humanos modernos primitivos adquiriram genes de imunidade úteis que de repente tornaram possível se aventurar mais longe.


Mas os neandertais não tiveram essa sorte — a modelagem computacional sugere que se eles tivessem uma carga maior de doenças para começar, podem ter permanecido vulneráveis ​​a essas novas cepas exóticas por mais tempo, independentemente do cruzamento — e isso significa que eles ficaram presos.


Posteriormente, os ancestrais dos humanos atuais chegaram a seus territórios e os exterminaram.


Outra teoria é que sua população relativamente pequena foi gradualmente absorvida pelos humanos modernos primitivos. Afinal, eles já haviam adotado amplamente nossos cromossomos Y e mitocôndrias, e pelo menos 20% de seu DNA ainda existe em pessoas vivas hoje.


Talvez o casal que ficou junto na Romênia pré-histórica viva em alguém que está lendo este artigo agora.


Autor: Zaria Gorvett
Fonte: BBC Future
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 04/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-55936968

Vitamina D e covid-19: as falhas que levaram estudo a ser tirado do ar por revista científica



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A vitamina D está sendo estudada — mas evidências até agora não são robustas o suficiente para sugerir tratamento com ela para a covid-19.


Na medida em que a covid-19 se espalhava pelo mundo ao longo do último ano, outro perigo também se disseminava: a desinformação sobre como tratá-la. Às vezes, a desinformação é criada até mesmo em torno de ideias que contêm algum fundo de verdade — e esse pode ser o tipo de "fake news" mais difícil de combater.

É o caso da vitamina D, alvo de intensos debates sobre um potencial uso como tratamento para a covid-19.

Como se verá mais para frente nesta reportagem, o estudo original que havia mostrado um suposto sucesso da vitamina D tornou-se alvo de críticas porque não seguiu métodos robustos o suficiente para apontar para aquelas conclusões.

Em outras palavras, este estudo, feito na Espanha, não respeitava critérios científicos importantes para que seus resultados pudessem ser indicados com segurança para a população. Ele foi retirado de circulação pela publicação e agora é alvo de uma investigação.

Enquanto isso, no momento, outro estudo mais rigoroso está sendo conduzido na Inglaterra.


Foi a partir dessa controvérsia que informações falsas começaram a se difundir sobre a suposta eficácia da vitamina D contra a covid-19.

Por que vitamina D?



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Peixes gordurosos e derivados do leite estão entre as principais fontes de vitamina D na alimentação — até agora, não há evidências científicas de que suplementação com a vitamina ajude no combate à covid-19


Muitos tratamentos bastante conhecidos pelos brasileiros foram sugeridos para a covid-19.


Hidroxicloroquina, ivermectina e vitamina D — todos esses medicamentos são ou foram, em algum momento, estudados.


É importante lembrar que sugerir que um tratamento possa ser eficaz e depois descobrir que isso não é verdade faz parte do processo científico normal.


O problema é que, hoje em dia, pesquisas online, em fases iniciais ou de baixa qualidade têm sido compartilhadas fora do contexto. E a confusão que isso cria pode ser explorada por pessoas que promovem teorias da conspiração.


Há alguma lógica por trás do motivo pelo qual a vitamina D pode ser útil no tratamento ou prevenção de covid-19.


Ela desempenha um papel na imunidade e já é recomendada, por exemplo, no Reino Unido - onde todos devem tomar o suplemento no inverno (sendo que aqueles com maior risco de deficiência de vitamina D são aconselhados a tomá-la durante todo o ano).


Até agora, porém, nenhuma pesquisa mostrou um efeito suficientemente convincente para apoiar o uso de doses mais altas da vitamina D para prevenir ou tratar doenças, o que pode vir a mudar no futuro.


Assim, é compreensível que o uso de vitamina D para prevenir a covid-19 tenha se espalhado pela internet como conselho de saúde. No entanto, alguns foram muito mais longe, sugerindo em fóruns online como o Reddit que os governos "mal mencionam" a eficácia da vitamina D e, em vez disso se concentram em "vacinas e rastreamento do estado policial".



Ou alegando que a vitamina estaria sendo ignorada porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) é "paga pela grande indústria farmacêutica".


Os argumentos podem ser facilmente derrubados — a começar pelo fato de as próprias vitaminas serem uma indústria que movimenta bilhões de dólares.

O que dizem os estudos?



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Conclusões de estudos associando vitamina D e coronavírus não são robustas o suficiente, dizem cientistas


Muitos estudos mostraram uma associação entre a vitamina D e a covid-19, mas a evidência é meramente empírica — o que significa que outros fatores não estão sendo controlados e monitorados para se determinar com precisão uma relação de causa e efeito.


Ou seja, as conclusões desses estudos não são robustas o suficiente: para isso acontecer seria necessário, por exemplo, um ensaio clínico conhecido como randomizado, no qual pessoas recebem um tratamento ou uma versão simulada, ou placebo, para que os cientistas possam ter certeza de que o resultado é causado pelo tratamento.


Estudos observacionais mostram que certos grupos são mais propensos a ter deficiências de vitamina D e a pegar covid-19 — em geral, pessoas mais velhas, pessoas com obesidade e pessoas com pele mais escura (incluindo pessoas negras e do sul da Ásia).


Pode ser que uma deficiência seja o motivo pelo qual esses grupos correm maior risco, ou pode haver outros fatores de saúde e ambientais que levam à queda nos níveis de vitamina D e maior suscetibilidade ao vírus.


Os níveis da vitamina também podem cair como consequência da doença, em vez de serem a sua causa.


Só seremos capazes de isolar a vitamina D como causa realizando testes controlados randomizados conduzidos adequadamente, como o que está sendo executado no momento na Queen Mary's University, no Reino Unido.

Estudos na Espanha


Um artigo da Universidade de Barcelona chamou atenção, alegando ter conduzido exatamente esse tipo de estudo.


Ele sugere que a vitamina D tem um sucesso impressionante, com uma redução de 80% nas admissões em terapia intensiva e uma redução de 60% nas mortes de covid.


Esse resultado foi amplamente compartilhado pela internet.


Mas, desde então, o estudo foi retirado do ar por "preocupações sobre a descrição da pesquisa". O periódico científico The Lancet, que o publicou originalmente, está agora conduzindo uma investigação sobre o artigo.


O problema é que essa retratação não foi compartilhada da mesma forma que o artigo original.


No estudo, a vitamina D foi administrada a todos os paciente em enfermarias, em vez de aleatoriamente para indivíduos, como deveria ter sido feito em uma pesqusa rigorosa.

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Chefes de UTIs ligam ‘kit covid’ a maior risco de morte no Brasil


E os pacientes de covid-19 estudaos que morreram já tinham níveis radicalmente diferentes da vitamina antes do tratamento, sugerindo que eles estavam mais gravemente doentes antes mesmo de tomar a vitamina.


Ainda assim, a ideia de que a vitamina D pode ser um tratamento eficaz contra a covid-19 ganhou inúmeros adeptos.


O parlamentar conservador David Davis, que convocou o Parlamento para que a suplementação de vitamina D seja introduzida nos hospitais, disse à BBC que, apesar da retração, ele acreditava que o estudo ainda mostrava que a vitamina D era importante e argumentou que o governo deveria financiar mais pesquisas sobre o assunto.


Aurora Baluja, uma anestesiologista e médica de cuidados intensivos na Espanha, que revisou o estudo de Barcelona para o The Lancet, disse que o tipo de efeito "extremo" encontrado no artigo "nunca foi encontrado" em um ensaio clínico randomizado.


Ela disse que, embora a deficiência de vitamina D fosse um "fator de risco bem estabelecido" entre as pessoas que morrem na terapia intensiva, "a suplementação de vitamina D sozinha sempre falhou em reduzir o risco desses pacientes".


Baluja explica que a deficiência é frequentemente causada por algo muito mais profundo, como desnutrição ou insuficiência renal.


Assim, não seria a deficiência de vitamina D que estaria causando a morte dos pacientes.

Qual é o problema?


Quando algumas descobertas se encaixam na visão de mundo das pessoas — por exemplo, que "as coisas da natureza não podem fazer mal", explicou o professor Sander Van der Linden, psicólogo social da Universidade de Cambridge —, a probabilidade de serem compartilhadas tende a ser maior.


Na internet, há diversos grupos debatendo sobre a covid-19. Alguns advogam medicamentos naturais e medicina alternativa; outros são ideologicamente contra a vacinação. Algumas vezes esses grupos distintos acabam se unindo em torno de uma ideia que se encaixa em ambas crenças.


As pessoas antivacinas estão "profundamente conectadas a outros tópicos — religião, ervas e medicina alternativa, a comunidade natural", disse o professor Van der Linden. Com isso, mensagens do tipo "você não precisa de uma vacina, você pode apenas tomar vitamina D" acabam se espalhando por esses grupos, sem que sejam claramente identificadas como partes de uma campanha contra vacinas.


A vitamina D é relativamente segura (embora altas doses possam causar cálculos renais), portanto, esse tipo de conselho pode não parecer o mais nocivo entre as informações incorretas que circulam pela internet.


O perigo, explica o professor Van der Linden, é quando as pessoas sugerem que o suplemento é uma cura milagrosa e deve ser usado como alternativa a vacinas, máscaras e distanciamento social.







Autor: Rachel Schraer
Repórter de SaúdeFonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 05/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56639392

Por que sono dos adolescentes é importante para a saúde mental



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Garantir que os adolescentes durmam o suficiente pode ter efeitos positivos na vida adulta, apontam especialistas


A manhã já está terminando e os adolescentes da casa ainda estão dormindo profundamente, muito tempo depois de você ter se levantado. Será que você deveria correr até o quarto deles e tirá-los da cama?


Pode ser tentador, mas a resposta possivelmente é não.


Há cada vez mais evidências de que o sono na adolescência é importante para a saúde mental não só atual, mas também futura dos jovens.

Assim, não é de se admirar que a insônia grave, ou distúrbios sérios de sono, estejam entre os sintomas mais comuns de depressão entre adolescentes.


Afinal, por mais cansado que você possa se sentir, é difícil pegar no sono se estiver cheio de dúvidas ou preocupações. Isso também vale para os adultos: 92% das pessoas com depressão reclamam de dificuldade para dormir.


O que talvez seja menos claro é que, para alguns, os distúrbios do sono podem começar antes da depressão, o que aumenta o risco de problemas de saúde mental no futuro.


Isso significa que o sono dos adolescentes deve ser levado mais a sério? E que pode diminuir o risco de depressão mais tarde?


Em um estudo publicado em 2020, Faith Orchard, psicóloga da Universidade de Sussex, no Reino Unido, analisou dados de um grupo grande de adolescentes que foram acompanhados dos 15 aos 24 anos.



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Distúrbios persistentes de sono em adolescentes devem ser diagnosticados o mais cedo possível


Aqueles que relataram dormir mal aos 15 anos, mas não tinham depressão ou ansiedade na época, eram mais propensos do que seus colegas a sentir ansiedade ou depressão aos 17, 21 ou 24 anos.


No caso dos adultos, problemas de sono também podem ser um indicador de depressão futura.


Uma análise de 34 estudos, que acompanharam no total 150 mil pessoas por um período de três meses a 34 anos, mostrou que, se as pessoas tivessem problemas de sono, o risco relativo de sofrer depressão no decorrer da vida dobrava.


Claro, isso não significa que todo mundo com insônia vai desenvolver depressão mais adiante. A maioria das pessoas não vai. E é bom lembrar que a última coisa que as pessoas com insônia precisam, sem dúvida, é se preocupar com o que pode acontecer com elas no futuro.


Mas a ciência mostra por que, em alguns casos, a falta de sono é capaz de contribuir para uma saúde mental debilitada.


O déficit de sono tem efeitos negativos bem conhecidos sobre nós, incluindo uma tendência a se afastar de amigos e familiares, falta de motivação e aumento da irritabilidade — tudo que pode afetar a qualidade dos relacionamentos de uma pessoa, colocando-a em maior risco de depressão.


Além disso, devemos considerar os fatores biológicos. A falta de sono pode levar ao aumento da inflamação no corpo, o que tem sido relacionado com problemas de saúde mental.


Pesquisadores estão analisando agora a relação entre os distúrbios do sono e outras condições de saúde mental.


O neurocientista Russell Foster, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, descobriu que essa ligação não ocorre apenas na depressão.


A interrupção dos ritmos circadianos — o ciclo natural de sono-vigília do nosso corpo — não é incomum entre pessoas com transtorno bipolar ou esquizofrenia.



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O déficit de sono tem efeitos negativos bem conhecidos, incluindo a tendência a se afastar de amigos e familiares


Em alguns casos, o relógio biológico pode ficar tão fora de sincronia que as pessoas ficam acordadas a noite toda e dormem durante o dia.


Colega de Foster, o psicólogo clínico Daniel Freeman fez um apelo para que os distúrbios do sono tenham uma prioridade maior nos serviços de atendimento à saúde mental.


Por serem comuns em diferentes diagnósticos, eles não tendem a ser vistos como centrais para uma condição específica. E Freeman sente que às vezes são negligenciados, quando poderiam ser combatidos.


Mesmo quando os problemas de saúde mental precedem os distúrbios no sono, a falta de sono pode agravar as dificuldades de uma pessoa. Afinal, uma única noite de privação de sono tem um impacto negativo bem conhecido no humor e no raciocínio.


A complexa relação entre o sono e a saúde mental é reforçada ainda mais pela descoberta de que, se você trata a depressão, os problemas para dormir não desaparecem totalmente.


É fácil entender como os tratamentos psicológicos que ajudam as pessoas a reduzir a ruminação de pensamentos negativos também podem fazer com que elas adormeçam com mais facilidade.


Mas, em 2020, Shirley Reynolds, psicóloga clínica da Universidade de Reading, no Reino Unido, e sua equipe testaram três tratamentos psicológicos diferentes para a depressão.


Eles funcionaram igualmente bem na redução da depressão, mas só resolveram os problemas de sono de metade dos participantes.


Para a outra metade, a insônia persistia, sugerindo que era independente da depressão e precisava ser tratada separadamente.

Assim, os distúrbios de sono e os problemas de saúde mental podem derivar das mesmas causas. Eventos traumáticos ou negativos, por exemplo. Ou ruminação mental excessiva, além de vários fatores genéticos.


Os genes envolvidos nos caminhos da serotonina e no funcionamento da dopamina mostraram ser fatores relacionados tanto à falta de sono quanto à depressão, assim como os genes que influenciam o ritmo circadiano de uma pessoa.


E, como já vimos, é provável que a insônia e os problemas de saúde mental se agravem mutuamente, tornando as duas condições ainda piores.


Você está angustiado e não consegue dormir; você não consegue dormir, então fica mais angustiado — e assim por diante, como uma bola de neve.


Também é possível que a falta de sono não seja tanto uma causa da depressão posterior, mas mais um sinal de alerta precoce.


A preocupação que impede uma pessoa de pegar no sono pode, em alguns casos, ser o primeiro sintoma de problemas de saúde mental mais sérios que estão por vir.


Foster está convencido de que, sob uma perspectiva biológica, a melhor maneira de desvendar essa intrincada rede de correlação e causalidade é estudando o impacto que a interrupção dos ritmos circadianos pode ter no cérebro.


Ele diz que precisamos analisar as complexas interações entre vários genes, regiões do cérebro e neurotransmissores para entender o que está acontecendo.



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Problemas de insônia e saúde mental podem se agravar mutuamente


Portanto, talvez os problemas persistentes de sono precisem ser levados mais a sério em adolescentes e adultos. E os tratamentos para distúrbios no sono são simples e, em muitos casos, bem-sucedidos.


O que já está claro, a partir de uma análise de 49 estudos, é que combater a falta de sono entre aqueles com insônia, que já apresentam sintomas de depressão, não apenas os ajuda a dormir melhor, como também reduz a depressão.


O amplo estudo Oasis, liderado por Daniel Freeman em 26 universidades no Reino Unido, descobriu que a terapia comportamental cognitiva digital para estudantes com insônia não apenas os ajudou a dormir, como reduziu a ocorrência de alucinações e paranoia, que são sintomas de psicose.


A pergunta de um milhão de dólares é se as terapias para o sono poderiam até mesmo prevenir problemas de saúde mental no futuro.


Para responder, seriam necessários testes em larga escala e de longo prazo.


Uma vantagem das intervenções precoces para impedir a falta de sono — tanto para o distúrbio em si, quanto para reduzir potencialmente problemas de saúde mental mais amplos — é que há menos estigma em torno da insônia, então pode ser mais fácil convencer as pessoas a procurarem tratamento.


Entretanto, qualquer pessoa que tenha problemas para dormir pode testar as técnicas que se revelaram mais eficazes:


- Garantir que obtenha luz suficiente durante o dia (de manhã para a maioria das pessoas);


- Não cochilar por mais de 20 minutos;


- Não comer, fazer exercícios ou tomar café tarde da noite;


- Evitar ler e-mails ou discutir temas estressantes na cama;


- Manter o quarto fresco, silencioso e escuro;


- Tentar levantar e ir para a cama no mesmo horário todos os dias.


É claro que dormir melhor não vai resolver por si só a crise de saúde mental. Mas poderia fazer diferença no longo prazo? Mesmo que não faça, como os adolescentes sonolentos sabem, não há nada melhor que uma boa noite de sono.






Autor: Sara Rigby
Fonte: BBC Science Focus
Sítio Online da Publicação: BBBC News
Data: 05/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56639392

Buraco negro recém-descoberto pode ter se formado antes das estrelas e das galáxias



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Os buracos negros podem ser detectados por ondas gravitacionais


Nossa galáxia, a Via Láctea, é cercada por buracos negros, mas uma descoberta recente indicou que um deles é muito mais especial que os demais.


Ele tem cerca de 55 mil vezes a massa do Sol. Mas o que o torna tão peculiar, segundo a comunidade científica, é que ele pode ter se formado antes das primeiras estrelas e galáxias.


Eles acreditam que esse buraco negro específico pode ser a semente dos buracos negros supermassivos de hoje e pode ajudar os cientistas a estimar o número total desses objetos no universo, disseram os pesquisadores.


A descoberta dessa "massa intermediária" ou buraco negro do tipo Cachinhos Dourados (que, como na história infantil, não seria nem grande demais, nem pequeno demais) foi publicada na revista especializada Nature Astronomy.


Ele seria diferente dos pequenos buracos negros feitos de estrelas e dos gigantes supermassivos encontrados no centro da maioria das galáxias,


Os pesquisadores estimam que existam cerca de 46 mil buracos negros de massa intermediária nas proximidades da Via Láctea.


O novo buraco negro foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Melbourne e da Universidade Monash, por meio de lentes gravitacionais que captaram uma explosão de raios gama.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Antenas móveis, conhecidas como Very Large Array (VLA), recebem sinais de rádio, alguns extremamente fracos, de todo o cosmos


"Este buraco negro recém-descoberto pode ser uma relíquia antiga, um buraco negro primordial, criado no início do universo antes da formação das primeiras estrelas e galáxias", disse o co-autor do estudo, Professor Eric Thrane, da Monash University.


"Esses primeiros buracos negros podem ser as sementes dos buracos negros supermassivos que vivem hoje no coração das galáxias."



O que é um buraco negro?

Um buraco negro é uma região do espaço onde a matéria entrou em colapso sobre si mesma.
A atração gravitacional é tão forte que nada, nem mesmo a luz, pode escapar dele.
Os buracos negros surgem após o desaparecimento explosivo de certas estrelas grandes.
Mas alguns são realmente gigantescos e têm bilhões de vezes a massa do nosso Sol.
Os buracos negros são detectados pela forma como influenciam seu ambiente.





CRÉDITO,ALMA (ESO/NAOJ/NRAO
Legenda da foto,

Os buracos negros emitem jatos de luz polarizada

Como foi observado?


A explosão, um flash de meio segundo de luz de alta energia emitida por um par de estrelas em fusão, teve um "eco", causado pelo buraco negro de massa intermediária, que desviou o caminho da luz em seu caminho para a Terra, de modo que os astrônomos viram o mesmo flash duas vezes.


O software desenvolvido para detectar buracos negros a partir de ondas gravitacionais foi adaptado para mostrar que as duas chamas eram imagens do mesmo objeto.


Coautora do artigo, a professora Rachel Webster, da Universidade de Melbourne, descreve as descobertas como "empolgantes".


"Usando este novo candidato a buraco negro, podemos estimar o número total desses objetos no universo", disse ela.


"Previmos que isso poderia ser possível há 30 anos e é emocionante ter descoberto um exemplo forte", acrescentou.




Autor: Sara Rigby
Fonte: BBC Science Focus
Sítio Online da Publicação: BBBC News
Data: 05/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56639392

sábado, 3 de abril de 2021

Seminário Intercontinental Paulo Freire: Um século ensinando, resistindo e emancipando - ProDEd-TS/UERJ

 



ProDEd-TS apresenta:

Seminário Intercontinental Paulo Freire

Um século ensinando, resistindo e emancipando.

Dias 05, 12, 19, 26/05 e 02/06 | 14h as 17h e às 19h

 

 

Em comemoração ao centenário do educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, o Programa Desenvolvimento e Educação – Theotonio dos Santos apresenta o Seminário Intercontinental Paulo Freire - Um século ensinando, resistindo e emancipando.

 

 

         PROGRAMAÇÃO

 

05/05. Abertura Solene

Ana Maria Freire - Escritora e Editora Legal das Obras de Paulo Freire

Componentes:

Ricardo Lodi – Reitor

Lincoln Tavares Silva - Pró-reitor de Graduação – PR1

Luís Antônio Campinho Pereira da Mota – Pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa – PR2

Cláudia Gonçalves de Lima- Pró-reitora de Extensão e Cultura – PR3

Catia Antonia da Silva - Pró-reitora de Políticas e Assistência Estudantis – PR4

Bruno Deusdará – Diretor do CEH

Dirce Eleonora Nigro Solis – Diretor do CCS

Washington Denner – Diretor da EDU

Eloiza Oliveira – Diretora do IFHT

Bruno Miranda – Coord. Executivo do ProDEd-TS

Emir Sader – Coordenador do LPP

Zacarias Gama – Organizador do Seminário

 

12/05. O homem e a obra    

Rita Gomes do Nascimento - liderança do Povo Potyguara do Ceará.

Kamila Karine – MST

Ines Moujan – Universidad de Mar del Plata.

Maria Celi Vasconcelos – UERJ/PROPED

Coordenador: Alberto Mendes

Comentarista: Washington Denner

 

 

19/05. Há um método Paulo Freire que possa ser usado nas escolas de educação básica?

Selma Rocha - Instituto Paulo Freire/USP

Nima Spigolon - FE-UNICAMP

André Ferreira – UFPE/GE Paulo Freire

Coordenação: Andréa Fernandes

Comentarista: Lincoln Tavares da Silva – UERJ/Pró-reitor de Graduação

 

26/05. Qual a utopia freireana? Qual emancipação?        

Jones Manoel – Escritor, Historiador e educador popular

Karin Wilkins (University Miami)

Maria Verdeja Muñiz (Univ. Oviedo)

Marilia Tozoni - Reis - Unesp

Coordenação: Leonardo Kaplan

Comentarista: André Malina – UFRJ –PPGTDS

 

02/06. A pedagogia freireana e suas contribuições para os desafios de hoje. Em que pode ajudar?

Linje Manyozo, RMIT University, Melbourne, Austrália

Socorro Calhau – UERJ

Li Yuwen – Universidade de Pequim.

Emir Sader – Laboratório de Políticas Públicas (LPP)

Coordenação: José Carlos Lima de Souza

Comentarista: Carlos Soares - UERJ

 

 

 

 

                       CONVOCATÓRIA DE APRESENTAÇÃO DE ARTIGOS

 

Dias 12, 19, 26/05 e 02/06 | de 14h as 17h

Inscrições para apresentação: https://forms.gle/WStbWyZKmXpGNmDT7

Envio de artigos, de acordo com os temas e regras abaixo, até dia 20/04:

 

Temas:

12/05: O homem e a obra

19/05: Há um método Paulo Freire que possa ser usado nas escolas de educação básica?

26/05: Qual a utopia freireana? Qual a emancipação?    

02/06: A pedagogia freireana e suas contribuições para os desafios de hoje. Em que pode ajudar?



Regras para submissão de artigos:

https://drive.google.com/file/d/1AbkXGYCQJD2v4O6IZ2KPQ9RnnKhY3ZmU/view?usp=sharing

 

 

Transmissão: Canal ProDed-TS UERJ Extensão no YouTube      

 

Haverá declaração de horas para ouvintes, inscrições em:

https://forms.gle/37cfH6wrEF9Egjm27

 

 

 

 

 

 

Realização

ProDEd-TS/UERJ

Apoio

PR3

IFHT

LPP          

Coordenador Geral

ZACARIAS GAMA







Autor: ProDEd-TS/UERJ
Fonte: ProDEd-TS/UERJ
Sítio Online da Publicação: ProDEd-TS/UERJ
Data: Dias 12, 19, 26/05 e 02/06 | de 14h as 17h
Publicação Original: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf48bQd8zhQZvR-o5lCEgBz3LDP2uLcIq8xmIe1KN040oEsRw/viewform