sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Economia circular pode ajudar países a combater mudanças climáticas, diz relatório divulgado no Fórum Econômico Mundial

Economia Circular – Um relatório da Circle Economy, grupo apoiado pela ONU Meio Ambiente, aponta que apenas 9% da economia global é circular, o que significa que o planeta reutiliza menos de 10% das 92,8 bilhões de toneladas de minerais, combustíveis fósseis, metais e biomassa usados todos os anos em processos produtivos.

Divulgado na terça-feira (22) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o documento destaca o potencial do reaproveitamento e da reciclagem para combater as mudanças climáticas e cumprir o Acordo de Paris.




Aterro sanitário em Danbury, Connecticut. Foto: ONU/Evan Schneider

Um relatório da Circle Economy, grupo apoiado pela ONU Meio Ambiente, aponta que apenas 9% da economia global é circular, o que significa que o planeta reutiliza menos de 10% das 92,8 bilhões de toneladas de minerais, combustíveis fósseis, metais e biomassa usados todos os anos em processos produtivos.

Divulgado na terça-feira (22) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o documento destaca o potencial do reaproveitamento e da reciclagem para combater as mudanças climáticas e cumprir o Acordo de Paris.

Uma economia circular é um sistema regenerador, onde o consumo de recursos e os resíduos, as emissões e a perda de energia são minimizados pela desaceleração e pelo encurtamento de ciclos de produção. Esse modelo pode ser alcançado por práticas de manutenção, reparo, reutilização, remanufatura, reciclagem, design de longa duração e reformas.

A pesquisa ressalta as vastas oportunidades para reduzir as emissões de gases do efeito estufa por meio da aplicação de princípios circulares — sobretudo o reuso, a remanufatura e a reciclagem — em setores-chave, como o de construção. A análise, porém, aponta que a maioria dos governos pouco considera medidas de economia circular em suas políticas voltadas para o Acordo de Paris e a meta de conter o aquecimento global, o máximo possível, a 1,5 ºC.

As mudanças climáticas e o uso de materiais estão estreitamente ligados. A Circle Economy calcula que 62% das emissões de gases do efeito estufa (excluindo-se as emissões geradas pelo uso da terra e pela silvicultura) são liberadas na atmosfera durante a extração, processamento e fabricação de bens para atender às necessidades da sociedade. Apenas 38% das emissões são dispersas na entrega e no uso dos produtos e serviços.

A utilização global de materiais está crescendo. Ela mais do que triplicou desde 1970 e poderia dobrar novamente até 2050 sem ações para conter o fenômeno, de acordo com o Painel Internacional de Recursos da ONU.

“Um mundo (mais quente em) 1,5 ºC só pode ser um mundo circular. A reciclagem, uma maior eficiência de recursos e modelos de negócios circulares oferecem uma enorme janela para reduzir emissões. Uma abordagem sistemática para a aplicação dessas estratégias viraria a balança na batalha contra o aquecimento global”, afirma o CEO da Circle Economy, Harald Friedl.

“As estratégias para as mudanças climáticas dos governos focaram em energia renovável, em eficiência energética e em evitar o desmatamento, mas elas ignoraram o vasto potencial da economia circular. Eles deveriam reprojetar as cadeias de suprimentos lá atrás, nos poços, campos, minas e pedreiras, onde está a origem dos nossos recursos, de modo que nós consumamos menos matérias-primas. Isso não apenas reduzirá emissões, como também impulsionará o crescimento, tornando as economias mais eficientes.”

O relatório chama governos a agir para migrar de uma economia linear à base do paradigma “extrair-transformar-descartar” para uma economia circular que maximiza o uso dos recursos existentes. Esse sistema mais sustentável também reduz a dependência de novas matérias-primas e minimiza os resíduos. A publicação defende que a inovação para estender o tempo de vida dos recursos existentes é capaz de diminuir emissões e também de reduzir a desigualdade social e fomentar um crescimento de baixo carbono.

Acesse o relatório na íntegra clicando aqui.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/01/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 25/01/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/01/25/economia-circular-pode-ajudar-paises-a-combater-mudancas-climaticas-diz-relatorio-divulgado-no-forum-economico-mundial/

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Projeto de lei defende venda de antibióticos sem receita médica




O combate à resistência antimicrobiana está entre as 10 prioridades para saúde pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para 2019. Estimativas sugerem que as bactérias multirresistentes matarão 10 milhões de pessoas até 2050. Quem trabalha na área da saúde, tem ciência dos riscos do uso inadequado de antibióticos, que é um dos pilares do aumento de resistência bacteriana.

Em 2010, visando frear este fenômeno, entraram em vigor a resolução RDC 44, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dizia que os antibióticos só poderiam ser vendidos em farmácias e drogarias do país mediante apresentação da receita de controle especial em duas vias pelo consumidor.

Esta semana, foi divulgado um projeto de lei (PSL 545/2018) em tramitação no Senado Federal que defende que pessoas que moram em locais sem serviço regular de saúde pública possam comprar antibióticos sem receita médica.
O projeto, proposto pelo senador Guaracy Silveira (PSL-TO) está em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A intenção é garantir o tratamento em locais com dificuldade de acesso a serviços médicos.

Segue o trecho em que o Senador argumenta sobre sua proposta:

“Trago um exemplo para explicar melhor minha indignação: a Amoxilina, antibiótico muito usado para combater dores simples de garganta, custa dezesseis reais nas farmácias aqui de Brasília. Mas a consulta médica para se conseguir a receita custa duzentos, trezentos reais. Isso está certo? Isso é justo com a população mais pobre? E quem não tem como arcar com esse custo exorbitante da consulta faz o que? Se arrasta na fila do SUS e roga a Deus para não ter seu quadro agravado ou até morrer à espera de uma simples receita? O corporativismo dos farmacêuticos e dos médicos só serve para encarecer um item que é indispensável e urgente, que é o remédio. Isso é um atentado contra a saúde pública! E, como eu disse no início deste discurso: tudo que é caro judia e castiga quem é mais pobre”.

Em outro momento, o Senador defende que “ precisamos, claro, é de saúde com acesso gratuito e universal para que todos tenham diagnóstico e prescrição médica. Mas, enquanto esse sonho não se concretiza, precisamos garantir o acesso da população a esses medicamentos em localidades que não possuam atendimento médico e serviço de saúde”.

No entanto, cabe ressaltar que o diagnóstico e tratamento corretos das infecções bacterianas são de extrema importância e a receita médica auxilia na correta medicação. O projeto segue em tramitação no Senado Federal. Na consulta pública, entretanto, tem alcançado alto índice de rejeição.




Autor: Dayanna de Oliveira Quintanilha
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 24/01/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/projeto-de-lei-defende-venda-de-antibioticos-sem-receita-medica/

Comportamento sexual de risco entre mulheres adolescentes e jovens brasileiras: um estudo de base comunitária




DST – Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis

Comportamento sexual de risco entre mulheres adolescentes e jovens brasileiras: um estudo de base comunitária
Caroline Ferreira dos Anjos, Maria de Fátima Costa Alves, Silvia Helena Rabelo-Santos, Rosane Ribeiro Figueiredo-Alves
Vol 30 N2, 2018 – DOI: 10.5533/DST-2177-8264-201830102
Introdução

Comportamento sexual de risco entre adolescentes resulta em altas taxas de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada.
Objetivo

Estimar a prevalência e identificar os fatores sociodemográficos associados ao início precoce da atividade sexual e ao uso inconsistente do preservativo masculino entre mulheres adolescentes e jovens.
Métodos

Estudo transversal, de base comunitária, com 1.072 mulheres realizado entre 2007 e 2009. As participantes tinham entre 15 e 24 anos, residentes em três cidades de médio porte do estado de Goiás, Região Centro-Oeste do Brasil. Dados sociodemográficos e comportamentais foram coletados por meio de questionário estruturado. Análises de regressão logística com cálculo de e ajustado foram realizadas com intervalo de confiança de 95% (IC95%) e significância estatística de 5% (p<0,05). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética.
Resultados

Das 1.072 entrevistadas, 64,9% eram sexualmente ativas, entre as quais 46,4% reportaram iniciação sexual aos 15 anos ou menos, e 73,2% reportaram uso inconsistente do preservativo masculino. Os fatores associados com a iniciação sexual precoce foram idade menor que 20 anos, ter menos que oito anos de escolaridade e não possuir religião, com de 3,13 (IC95% 2,22-4,40), 6,21 (IC95% 4,41 -9,32) e 2,05 (IC95% 1,17-3,58), respectivamente. O fator associado ao uso inconsistente do preservativo foi o estado civil casada ou união estável, com de 4,63 (IC95% 2,86-7,50).
Conclusão

A prevalência de comportamento sexual de risco entre mulheres adolescentes e jovens brasileiras é elevada em consequência de fatores socioeconômicos e culturais.

Esse é trecho do artigo publicado no Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Para acessar gratuitamente a versão completa, clique aqui.




Autor: DST - Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 24/01/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/comportamento-sexual-de-risco-entre-mulheres-adolescentes-e-jovens-brasileiras-um-estudo-de-base-comunitaria/

Indução do parto x cesariana programada: qual é a mais indicada?




Distúrbios hipertensivos na gestação são uma importante causa de prematuridade iatrogênica. A decisão sobre a via de parto para interrupção de gestações complicadas com pré-eclâmpsia (PE) com sinais de gravidade, PE sobreposta à hipertensão crônica, eclâmpsia e síndrome HELLP no período pré-termo é difícil e nem sempre baseada em evidências consistentes.

Não há nenhum ensaio clínico randomizado controlado até o momento sobre esse assunto e existem poucos estudos retrospectivos que investigam taxas de indução e desfechos neonatais. O ACOG, por exemplo, não se manifesta muito claramente sobre o tema, e diz apenas que a via de parto depende da idade gestacional, apresentação fetal, características do colo uterino e condições materno-fetais.

Essa dificuldade na definição da via de parto motivou o estudo Early preterm preeclampsia outcomes by intended mode of delivery, publicado em janeiro no American Journal of Obstetrics and Gynecology. O objetivo foi analisar o sucesso da indução do trabalho de parto, de acordo com a idade gestacional e índice de Bishop, e comparar desfechos maternos e neonatais na indução do parto ou cesárea programada em mulheres com PE grave/sobreposta, eclâmpsia ou síndrome HELLP com idade gestacional inferior a 34 semanas.

Derivado de uma coorte retrospectiva, o estudo identificou 1306 gestantes com distúrbio hipertensivo associado à prematuridade, das quais 392 tiveram parto vaginal espontâneo, 454 foram submetidas à cesariana programada e 460 à indução do parto; dessas últimas, 214 de fato experimentaram o parto vaginal e 246 foram submetidas à cesariana por outras causas.

Os desfechos maternos avaliados foram morte materna, admissão em UTI materna, tromboembolismo pós-parto, descolamento prematuro de placenta, coagulação intravascular disseminada, corioamnionite, infecção ou deiscência de sutura, hemorragia pós-parto, histerectomia puerperal e necessidade de hemotransfusão. Os desfechos neonatais avaliados foram óbito, asfixia perinatal, hemorragia intraventricular classes III ou IV, complicações respiratórias, enterocolite necrotizante, sepse neonatal, apgar < 7 e necessidade de suporte ventilatório.

Observou-se que a indução do parto foi bem sucedida em 46% das mulheres com PE entre 24 e 33 semanas e seis dias e em mais de um terço das mulheres com idade gestacional entre 24 e 31 semanas e seis dias. O sucesso da indução é associado a um índice de Bishop favorável, porém mais da metade das mulheres com Bishop desfavorável (1-2) tiveram sucesso no parto vaginal.

Mulheres submetidas a indução do parto apresentaram menor incidência de DPP e infecção/deiscência de ferida operatória do que as submetidas a cesariana programada. Não houve significância estatística na avaliação dos demais desfechos maternos. No entanto, as mulheres em indução de parto que necessitaram ser submetidas à cesariana por outras causas apresentaram morbidade maior do que as que obtiveram sucesso com o parto vaginal.

Recém-nascidos de mulheres submetidas à indução do parto apresentaram menores taxas de asfixia quando comparados aos nascidos por cesariana programada. O estudo não encontrou diferença estatística quando comparados os desfechos neonatais de bebês de mulheres submetidas à indução do parto que obtiveram parto vaginal bem sucedido ou foram submetidas à cesariana intraparto.

No entanto, o estudo tem diversas limitações, e os resultados devem ser interpretados com cautela. Com as informações disponíveis até o momento, ainda não é possível afirmar qual a melhor via de parto na PE grave pré-termo. O obstetra deve discutir com a gestante os benefícios e os riscos maternos e fetais tanto da indução do parto quanto da cesárea programada e a decisão deve ser compartilhada.


Autor: Julianna Vasconcelos Gomes
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 23/01/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/inducao-do-parto-x-cesariana-programada-qual-e-a-mais-indicada/

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Hormônio induzido por exercício pode atenuar o Alzheimer

Um hormônio liberado pelos músculos durante o exercício físico pode ser a chave para a reversão das falhas na memória causadas pelo Alzheimer. A doença neurodegenerativa não tem cura e leva ao comprometimento progressivo das atividades e a uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e alterações comportamentais. Testes com camundongos mostraram que a irisina melhora a comunicação entre os neurônios, preservando as sinapses. O hormônio também impede que toxinas responsáveis pelas alterações neurodegenerativas, que levam ao desenvolvimento da doença, se liguem aos neurônios. “Descobrimos que a irisina promove, ainda, alterações químicas dentro dos neurônios que protegem o cérebro contra a perda da capacidade de armazenar informações e também ajuda a restaurar a memória perdida com o avanço da doença”, ressaltou o pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Rudimar Luiz Frozza, um dos autores do estudo. A pesquisa liderada por Fernanda De Felice e Sérgio Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta com a participação de outras instituições brasileiras, além de cientistas do Canadá e Estados Unidos. Os achados foram publicados no periódico científico Nature Medicine.


Pesquisador do IOC, Rudimar Frozza foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do protocolo de exercício físico dos animais, criado com o objetivo de induzir a produção de irisina (Foto: Josué Damacena - IOC/Fiocruz)

Desde a descoberta da irisina em 2012, por um grupo de pesquisa dos Estados Unidos, diversos estudos vêm sendo desenvolvidos com o objetivo de compreender o efeito do hormônio sobre as alterações metabólicas que ocorrem no diabetes tipo 2 e na obesidade. No entanto, seus efeitos no cérebro não haviam sido explorados. O grupo de pesquisa responsável pelas recentes descobertas vem tentando compreender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento do Alzheimer há mais de dez anos. “Nosso interesse em pesquisar o funcionamento da irisina surgiu a partir do conhecimento prévio relacionando diabetes e Alzheimer. Dessa forma, nos perguntamos se a irisina, atuando como um mensageiro químico da atividade física, poderia exercer algum efeito benéfico nas alterações de memória que são observadas na doença de Alzheimer”, explicou Frozza.

Inicialmente, os pesquisadores descobriram que os níveis de irisina estão diminuídos no cérebro de pacientes afetados pelo Alzheimer. Para tentar entender os efeitos do hormônio sobre o funcionamento dos neurônios e alterações da memória, eles utilizaram como modelos experimentais camundongos geneticamente modificados para desenvolver sintomas semelhantes aos do Alzheimer. O neurocientista do Laboratório de Pesquisa sobre o Timo do IOC, Rudimar Frozza, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do protocolo de exercício físico dos animais, criado com o objetivo de induzir a produção de irisina. O protocolo consistia em sessões de nado, de uma hora por dia, cinco dias por semana, durante cinco semanas. A reposição do hormônio também foi feita através da administração de doses manipuladas em laboratório, bem como pela injeção de um vírus que aumenta sua produção. Os animais foram avaliados por meio de testes amplamente utilizados em pesquisas sobre memória e aprendizado.

Testes

No primeiro teste, os camundongos foram colocados em uma caixa e expostos a dois objetos, que puderam ser explorados livremente. Em seguida, os animais eram retirados da caixa e um dos objetos era substituído. Na sequência, os camundongos foram colocados novamente na caixa para explorar os objetos. “Medimos a perda de memória de acordo com o tempo que os animais passavam explorando o objeto antigo e o novo. Enquanto os animais que não receberam irisina passavam mais tempo explorando o objeto antigo, por não conseguir lembrar que já o conheciam, os animais tratados com o hormônio ou que praticavam exercício físico recuperavam a capacidade de lembrar tal qual os camundongos normais”, explicou Frozza.


Os pesquisadores pretendem aprofundar o estudo dos mecanismos que desencadeiam os efeitos benéficos da irisina sobre os processos de memória e no funcionamento das células nervosas (Foto: Josué Damacena - IOC/Fiocruz)

Em outro teste, os camundongos foram colocados em uma estrutura semelhante a um labirinto aquático, onde deveriam encontrar uma plataforma que permitia que ficassem em pé, poupando o esforço físico da natação. A plataforma permanecia escondida com pistas visuais que auxiliavam o caminho. Após alguns treinos, os camundongos normais, sem Alzheimer, conseguiam lembrar o caminho. Entretanto, os animais que desenvolviam a doença demoravam muito mais tempo para localizar a plataforma e, muitas vezes, não a encontravam. Frozza explica que, quando estes camundongos eram tratados com irisina (ou aumentavam sua produção através do exercício), eles conseguiam lembrar o caminho e encontrar a plataforma facilmente, indicando uma reversão da perda de memória.

O terceiro teste é chamado de medo condicionado ao contexto: os animais eram colocados em uma caixa onde recebiam um breve estímulo de choque e, em seguida, eram retirados da caixa. Após um período de 24 horas, os camundongos eram colocados na caixa novamente. Os que lembravam que haviam recebido o choque permaneciam imóveis (com medo) por mais tempo, enquanto os que desenvolviam Alzheimer não apresentavam esse comportamento. Nesse teste, camundongos tratados com irisina ou que haviam praticado exercício físico anteriormente conseguiam reter a memória da mesma forma que camundongos normais. “Todos os testes forneceram evidências que sustentam o efeito da irisina, hormônio produzido pelo músculo em resposta ao exercício, na prevenção da perda de memória e na recuperação da memória perdida. Nosso próximo passo é compreender melhor a função da irisina no cérebro. É preciso descobrir mais detalhadamente como este hormônio desencadeia seus efeitos benéficos sobre os processos de memória e no funcionamento das células nervosas”, concluiu.




Autor: Lucas Rocha
Fonte: IOC/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 22/01/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/hormonio-induzido-por-exercicio-pode-atenuar-o-alzheimer

Como prevenir a dengue e combater a doença?




O verão chegou quente este ano e com ele muitas preocupações, incluindo as doenças do Aedes: dengue, zika e chikungunya. Vamos fazer uma série de publicações sobre estas arboviroses, que já começaram a invadir nossas emergências, para que vocês estejam preparados para receber os pacientes. Iremos começar por uma velha conhecida, a dengue, que atinge mais de 400 milhões de pessoas anualmente.

Com mais de um terço da população mundial vivendo em áreas de risco de infecção, o vírus da dengue é uma das principais causas da doença e morte nos trópicos e subtrópicos. A dengue é causada por qualquer um dos quatro vírus : dengue 1-4. A infecção com um sorotipo não protege contra os outros, e infecções sequenciais colocam as pessoas em maior risco de casos graves de dengue.
Como podemos prevenir a dengue?

As medidas de prevenção são essencialmente evitar picadas de mosquitos. No Brasil, só existe uma vacina contra dengue registrada na Anvisa, que está disponível na rede privada. Ela é usada em três doses no intervalo de um ano e só deve ser aplicada, segundo o fabricante, a OMS e a ANVISA, em pessoas que já tiveram pelo menos uma infecção por dengue.
Transmissão do vírus da Dengue

A dengue é transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, encontrados em todo o mundo. Os sintomas da infecção geralmente começam de quatro a sete dias após a picada do mosquito e geralmente duram de três a 10 dias. Para que a transmissão ocorra, o mosquito deve se alimentar de uma pessoa durante um período de cinco dias, quando grandes quantidades de vírus estão no sangue; esse período geralmente começa um pouco antes de a pessoa se tornar sintomática. Na maioria dos casos, esta é a história da doença, porém, raramente, a dengue pode ser transmitida em transplantes de órgãos ou transfusões de sangue de doadores infectados, e há evidências de transmissão de uma mãe grávida infectada para o feto.
Abordagem ao paciente com dengue

Quando infectado, o reconhecimento precoce e o tratamento de suporte imediato podem reduzir substancialmente o risco de complicações médicas e morte. Por isso, temos que ter em mente a importância de diagnosticarmos a doença precocemente e sabermos quem são os pacientes que merecem melhor atenção. Aqui no portal, iremos propor um fluxograma, que traz informações tanto do Ministério da Saúde quanto do Centers for Disease Control and Prevention:



O Ministério da Saúde traz uma classificação de risco em quatro grupos, como vocês podem observar na imagem. A seguir, iremos pontuar a caracterização de cada uma e detalhes do manejo destes pacientes:
Grupo A

Paciente com ausência de sinais de alarme, sem comorbidades, grupo de risco ou condições clínicas especiais.

Conduta
Exames laboratoriais complementares a critério médico.
Prescrever paracetamol e/ou dipirona em caso de dor ou febre.
Não utilizar salicilatos ou anti-inflamatórios não esteroides.
Orientar repouso e prescrever dieta e hidratação oral.

Orientar o paciente para:
Não se automedicar.
Procurar imediatamente o serviço de urgência em caso de sangramentos ou sinais/sintomas de alarme.
Agendar o retorno para reavaliação clínica no dia de melhora da febre (possível início da fase crítica); caso não haja defervescência, retornar no quinto dia de doença.
Os exames específicos para confirmação não são necessários para condução clínica. Sua realização deve ser orientada de acordo com a situação epidemiológica.
Grupo B

Caso suspeito de dengue, com ausência de sinais de alarme, apresentando sangramento espontâneo de pele (petéquias) ou induzido (prova do laço positiva).


Outras questões que enquadram os pacientes no grupo B: condições clínicas especiais e/ou de risco social ou comorbidades (lactentes – menores de dois anos –, gestantes, adultos com idade acima de 65 anos, hipertensão arterial ou outras doenças cardiovasculares graves, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc), doenças hematológicas crônicas (principalmente anemia falciforme e púrpuras), doença renal crônica, doença ácido péptica, hepatopatias e doenças autoimunes).

Conduta

Solicitar exames complementares:
Hemograma completo, obrigatório para todos os pacientes.
Colher amostra no momento do atendimento.
Liberar o resultado em até duas horas, ou no máximo quatro horas.
Avaliar a hemoconcentração.
Outros exames deverão ser solicitados de acordo com a condição clínica associada ou a critério médico.
O paciente deve permanecer em acompanhamento e observação até o resultado dos exames.
Prescrever hidratação oral, até o resultado dos exames.
Prescrever paracetamol e/ou dipirona conforme.
Seguir conduta conforme reavaliação clínica e resultados laboratoriais.
Grupo C

Caso suspeito de dengue, com presença de algum sinal de alarme.



Conduta

O mais importante é iniciar a reposição volêmica imediata, em qualquer ponto de atenção, independentemente do nível de complexidade, inclusive durante eventual transferência para uma unidade de referência, mesmo na ausência de exames complementares conforme segue: Reposição volêmica com 10 ml/kg de soro fisiológico na primeira hora.
Realizar exames complementares obrigatórios:
Hemograma completo.
Dosagem de albumina sérica e transaminases.
Os exames de imagem recomendados são radiografia de tórax (PA, perfil e incidência de Laurell) e ultrassonografia de abdome. O exame ultrassonográfico é mais sensível para diagnosticar derrames cavitários, quando comparados à radiografia.
Outros exames poderão ser realizados conforme necessidade: glicemia, ureia, creatinina, eletrólitos, gasometria, TPAE e ecocardiograma.
Proceder a reavaliação clínica (sinais vitais, PA, avaliar diurese: desejável 1 ml/kg/h) após uma hora, manter a hidratação de 10 ml/kg/hora, na segunda hora, até a avaliação do hematócrito que deverá ocorrer em duas horas (após a etapa de reposição volêmica). Sendo o total máximo de cada fase de expansão 20 ml/kg em duas horas, para garantir administração gradativa e monitorada.
Se não houver melhora do hematócrito ou dos sinais hemodinâmicos, repetir a fase de expansão até três vezes. Seguir a orientação de reavaliação clínica (sinais vitais, PA, avaliar diurese) após uma hora, e de hematócrito em duas horas (após conclusão de cada etapa).

Se houver melhora clínica e laboratorial após a(s) fase(s) de expansão, iniciar a fase de manutenção:
• Primeira fase: 25 ml/kg em 6 horas. Se houver melhora iniciar segunda fase.
• Segunda fase: 25 ml/kg em 8 horas, sendo 1/3 com soro fisiológico e 2/3 com soro glicosado. Se não houver melhora clínica e laboratorial conduzir como grupo D.

Pacientes do grupo C precisam de avaliação contínua, se necessário pela equipe de enfermagem. Na presença de qualquer sinal de agravamento ou choque a reavaliação médica deve ser imediata.
Exames para confirmação de dengue são obrigatórios para os pacientes do grupo C, mas não são essenciais para conduta clínica. Na primeira coleta de sangue, solicitar realização destes exames, atentando para a necessidade de acondicionamento adequado: -20ºC para realização da sorologia (após o quinto dia) e -70ºC para realização do isolamento viral ou PCR (até o quinto dia de doença).
Prescrever paracetamol e/ou dipirona
Após preencher critérios de alta, o retorno para reavaliação clínica e laboratorial segue orientação conforme grupo B.
Os pacientes do Grupo C devem permanecer em leito de internação até estabilização e critérios de alta, por um período mínimo de 48 horas.
Grupo D

Caso suspeito de dengue com presença de sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgãos.

Sinais de choque
Taquicardia.
Extremidades distais frias.
Pulso fraco e filiforme.
Enchimento capilar lento (>2 segundos).
Pressão arterial convergente (<20 mmHg).
Taquipneia.
Oliguria (< 1,5 ml/kg/h ).
Hipotensão arterial (fase tardia do choque).

Conduta:

Reposição volêmica (adultos e crianças):
Iniciar imediatamente fase de expansão rápida parenteral, com solução salina isotônica: 20 ml/kg em até 20 minutos, em qualquer nível de complexidade, inclusive durante eventual transferência para uma unidade de referência, mesmo na ausência de exames complementares. Caso necessário, repetir por até três vezes, de acordo com avaliação clínica.
Reavaliação clínica a cada 15-30 minutos e de hematócrito em duas horas. Estes pacientes necessitam ser continuamente monitorados. Repetir fase de expansão até três vezes. Se houver melhora clínica e laboratorial após fases de expansão, retornar para a fase de expansão do grupo C e seguir a conduta recomendada para o grupo.
Estes pacientes devem permanecer em acompanhamento em leito de UTI até estabilização (mínimo 48 horas), e após estabilização permanecer em leito de internação.
Os exames complementares são os mesmos do grupo C. Os exames para a confirmação e dengue também seguem os mesmos princípios do grupo C.
Após preencher critérios de alta, o retorno para reavaliação clínica e laboratorial segue orientação conforme grupo B.

Para todos os grupos:
Lembre-se sempre de notificar os casos e de orientar ao seu paciente medidas de combate ao vetor e foco da nossa série: o Aedes.




Autor: Dayanna de Oliveira Quintanilha
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 22/01/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/como-prevenir-a-dengue-e-combater-a-doenca/

Terapia com estatinas deve ser continuada em pacientes que começam diálise?




As diretrizes americanas mais atuais recomendam a continuação da terapia com estatina em pacientes que precisam iniciar a diálise para doença renal crônica avançada. Mas essa prática realmente oferece proteção cardiovascular e melhora os desfechos? Foi o que investigou um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) em outubro.

Para isso, pesquisadores realizaram um estudo de coorte retrospectivo com idosos norte-americanos (idade média de 71 anos; 96,7% do sexo masculino) em transição para diálise para doença renal crônica avançada, entre 2007 e 2014. No total, 14.298 indivíduos que estavam recebendo estatinas durante o período de 12 meses antes da diálise foram selecionados para esse ensaio.

Diálise e estatinas

Características dos grupos:
Continuar as estatinas foi caracterizado como se a terapia com estatinas fosse mantida por, pelo menos, 6 meses durante o primeiro ano após o início da diálise (n = 11.936).
Descontinuar as estatinas foi caracterizado como se a terapia com estatinas tivesse sido interrompida no mesmo ano do início da diálise (n = 2.362).

O desfecho analisado foi mortalidade pós-diálise.

Resultados

A mortalidade e as taxas de mortalidade por doença cardiovascular um ano pós-diálise foram menores nos indivíduos que continuaram utilizando estatinas:
Óbitos por 100 pessoas-anos: 21,9 (IC de 95%: 20,9 a 22,8) e 8,1 (IC de 95%: 7,5 a 8,6) com o uso de estatina vs. 30,3 (IC de 95%: 27,8 a 32,8) e 9,8 (IC de 95%: 8,3 a 11,2) sem o uso de estatina.

As associações foram semelhantes entre os subgrupos, incluindo idade, raça e presença de diabetes.

Conclusões

Pelos achados, os autores concluíram que manter a terapia com estatina após a transição para diálise pode reduzir a mortalidade por todas as causas e a mortalidade por doença cardiovascular.

Referências:
Association of Continuation of Statin Therapy Initiated Before Transition to Chronic Dialysis Therapy With Mortality After Dialysis Initiation. JAMA Network Open 2018;1:e182311.


Autor: Vanessa Thees
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 22/01/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/terapia-com-estatinas-deve-ser-continuada-em-pacientes-que-comecam-dialise/