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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Mudanças Climáticas: Risco de inundação de chuva sobre neve aumenta em muitas regiões montanhosas dos EUA

As inundações causadas pela chuva que cai na camada de neve poderiam mais do que duplicar até o final deste século em algumas áreas do oeste dos EUA e do Canadá devido às mudanças climáticas, de acordo com novas pesquisas da CU Boulder e do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR).





Por Trent Knoss*

Os maiores aumentos de risco de enchente são projetados para a Sierra Nevada, as cabeceiras do Rio Colorado e as Montanhas Rochosas do Canadá – locais onde os moradores não são estranhos para inundar as preocupações. Por outro lado, as elevações mais baixas nas regiões costeiras da Califórnia, Oregon, Washington e na Columbia Britânica marítima poderiam apresentar reduções no risco de inundação da chuva sobre a neve.

Os resultados foram publicados na revista Nature Climate Change.

Os eventos de chuva sobre neve variam muito em tempo e escala, mas podem causar inundações caras e prejudiciais, à medida que o rápido degelo provocado por chuvas pesadas e prolongadas convergem em uma cascata que pode sobrecarregar rios e reservatórios a jusante. Em 2017, a Represa Oroville, na Califórnia, quase falhou catastroficamente devido a um evento como esse, levando à evacuação de 188 mil pessoas e US $ 1 bilhão em danos de infraestrutura.

“Os eventos de chuva sobre neve podem ser intensos e perigosos em áreas montanhosas, mas ainda são relativamente pouco compreendidos”, disse Keith Musselman, principal autor do estudo e pesquisador associado do Instituto de Pesquisas Árticas e Alpinas de CU Boulder (INSTAAR) . “Podemos inferir um pouco do fluxo de fluxo, mas queremos obter melhores medidas e modelar mais as variáveis envolvidas”.

Para estudar o passado, o presente e o futuro potencial dos eventos de chuva sobre a neve, os pesquisadores recorreram a um conjunto de dados de modelagem climática de última geração desenvolvido no NCAR. Conhecido como CONUS 1, o conjunto de dados contém simulações do clima nos EUA continentais no clima atual e um futuro mais quente com base nas tendências climáticas projetadas. O enorme acervo de dados – que levou mais de um ano para compilar o supercomputador Yellowstone da NCAR – oferece detalhes e resolução sem precedentes.

“Esse conjunto de dados de alta resolução nos permite resolver montanhas de forma granular e examinar os fatores que combinam para derreter a camada de neve quando uma tempestade quente chega e atinge montanhas geladas como a Serra”, disse Musselman.

Os autores descobriram que em um clima mais quente, a cobertura de neve menos freqüente em altitudes mais baixas diminuiria o risco de inundações com chuva sobre a neve em áreas como o noroeste do Pacífico dos EUA. Por outro lado, em altitudes mais elevadas, onde a neve do inverno ainda se acumula apesar do aquecimento climático (como na Serra Alta e grande parte das Montanhas Rochosas), os eventos de chuva sobre neve podem se tornar mais freqüentes devido ao aumento das chuvas que já caíram. neve. Os eventos também se tornarão mais intensos.

Estima-se que a chuva e o derretimento produzidos durante a chuva na neve aumentem para a maioria das bacias ocidentais da América do Norte, pois a chuva afeta mais bacias hidrográficas das montanhas, aumentando o risco de inundação em até 200% em áreas localizadas e potencialmente sobrecarregar a infraestrutura de controle de inundações existente.

“Ficamos surpresos com o tamanho de algumas das mudanças projetadas”, disse Musselman. “Não esperávamos ver grandes aumentos percentuais em lugares que já têm inundações com chuva e neve”.

As descobertas representam um importante primeiro passo para um melhor entendimento do risco de inundação da chuva sobre a neve no contexto de mudanças climáticas antropogênicas, que poderiam mudar significativamente o tempo e a extensão dos regimes de enchentes futuros.

Os pesquisadores esperam que o investimento contínuo em redes de monitoramento de blocos de neve e esforços como o Observatório de Neve Aérea da NASA forneça informações adicionais sobre o solo, permitindo que hidrólogos e cientistas do clima verifiquem seus modelos contra observações e melhor informem a avaliação de risco de inundação agora e no futuro.

O estudo foi co-autoria de pesquisadores do NCAR Flavio Lehner, Kyoko Ikeda, Martyn Clark, Andreas Prein, Changhai Liu, Mike Barlage e Roy Rasmussen. NCAR é patrocinado pela National Science Foundation.


Projected increases and shifts in rain-on-snow flood risk over western North America
Keith N. Musselman, Flavio Lehner, Kyoko Ikeda, Martyn P. Clark, Andreas F. Prein, Changhai Liu, Mike Barlage & Roy Rasmussen
Nature Climate Change (2018) DOI: 10.1038/s41558-018-0236-4
https://www.nature.com/articles/s41558-018-0236-4


* Tradução e edição de Henrique Cortez

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/08/2018





Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 07/08/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/07/mudancas-climaticas-risco-de-inundacao-de-chuva-sobre-neve-aumenta-em-muitas-regioes-montanhosas-dos-eua/

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Aplicativo avisa sobre chuva ou tempestade no local onde está o usuário



SOS Chuva, desenvolvido no Inpe com apoio da FAPESP, faz previsão imediata com precisão de 1 km e pode ser baixado em smartphones. Pesquisadores planejam novos apps, para Defesa Civil, produtores rurais e outros públicos

Com a chegada do verão inicia-se também a temporada de chuvas na região Sudeste. A diferença é que este ano o aplicativo SOS Chuva poderá informar à população sobre a possibilidade de chuva ou de tempestade na localização exata onde a pessoa está.

É a chamada previsão imediata que, diferente da previsão do tempo convencional, consegue informar a incidência de chuva, granizo ou tempestade com precisão de 1 quilômetro e antecedência de 30 minutos a 6 horas. Desde outubro, o aplicativo SOS Chuva pode ser baixado gratuitamente em smartphones e já conta com mais de 60 mil usuários.

A ferramenta foi desenvolvida por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em colaboração com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, os dois últimos da Universidade de São Paulo (USP).

“A previsão de tempo que ouvimos no jornal é uma previsão que está, de certa forma, bem estabelecida. Sua teoria foi desenvolvida nos anos 1950. Já a previsão imediata é um desafio novo, com funções, equipamentos e modelagens matemáticas completamente diferentes. Até porque é diferente dizer que amanhã vai chover ou falar que daqui a duas horas vai chover no ponto exato onde você está”, disse Luiz Augusto Toledo Machado, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) e coordenador do projeto.

Com apoio da FAPESP, o Projeto Temático SOS Chuva, iniciado em 2016, vai desenvolver mais dois aplicativos, um voltado para a agricultura e outro para a Defesa Civil. Os pesquisadores pretendem também aumentar a compreensão da dinâmica das nuvens e melhorar modelos matemáticos usados na previsão climática.

“É um projeto que tem o aspecto científico de melhorar modelos de previsão imediata e também outro aspecto associado à extensão, que é o desenvolvimento do aplicativo e de sistemas de alerta mais sofisticados para a Defesa Civil e para a agricultura”, disse Machado.

Em novembro, a equipe do projeto fez um treinamento para técnicos da Defesa Civil da região de Campinas (SP) e para profissionais do CPTEC que atuam nas regiões do Vale do Paraíba e no Litoral Norte do Estado de São Paulo. O objetivo é que os centros regionais de meteorologia possam fazer a previsão imediata. A iniciativa é inédita no país.

“Estamos desenvolvendo também um aplicativo voltado para o técnico, para que ele possa fazer a previsão imediata e divulgar os alertas com base nos nossos modelos matemáticos. Isso porque, dado o grande detalhamento, a previsão imediata deve ser feita regionalmente. Por isso, estamos desenvolvendo a ferramenta e os modelos matemáticos para que, no futuro, a previsão imediata seja feita nos centros regionais de meteorologia”, disse.

Agrometeorologia de precisão

O grupo formado por pesquisadores do CPTEC/Inpe e da Esalq também está desenvolvendo um terceiro aplicativo, dedicado ao produtor rural.

“O aplicativo de cunho agrícola, além de mostrar onde exatamente está chovendo, também armazenará informações pluviométricas por um período, para que o agricultor possa acompanhar e identificar possíveis variações de produtividade”, disse Felipe Pilau, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq, responsável pela parte agrícola do projeto.

Pilau afirma que com essa ferramenta será possível estipular estratégias para a chamada agrometeorologia de precisão. O termo junta a agricultura de precisão – que analisa a variabilidade da produção a partir de fatores como fertilidade do solo e recursos hídricos – com a parte meteorológica.

“Ao incluir a parte meteorológica na agricultura de precisão, é possível enxergar onde chove mais e se essa variabilidade vai afetar a produtividade agrícola. Até então, a parte meteorológica estava esquecida na agricultura de precisão”, disse Pilau.

Para fazer a previsão imediata, seja para o usuário comum, o agricultor ou para a Defesa Civil, o projeto conta com um radar meteorológico de dupla polarização – adquirido com apoio da FAPESP e instalado no Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas (Cepagri-Unicamp).

A previsão do tempo convencional necessita de dados obtidos a partir de imagens de satélite, estações meteorológicas e também da interpolação desses dados. Já para obter os dados com precisão de 1 quilômetro de distância, o radar de dupla polarização trabalha com a emissão e reflexão de comprimentos de onda.

Ao emitir um feixe de energia, ele obtém a refletividade, uma medida da reflexão do feixe emitido pelo radar ao se chocar com um obstáculo, como uma gota de nuvem, por exemplo. O sinal então retorna para o radar e, dessa forma, é possível mapear o local exato onde vai chover.

Para fazer a previsão imediata de todo o Estado de São Paulo, o projeto SOS Chuva conta ainda com as informações de outros quatro radares instalados em Bauru, Presidente Prudente, São Paulo e no Rio de Janeiro.

Com a ajuda do radar de dupla polarização, os pesquisadores conseguem ter uma visão tridimensional da nuvem e acompanhar a velocidade com que ela se propaga. Assim é possível analisar outros parâmetros, como acúmulo de cristais de gelo dentro da nuvem ou os chamados intrarraios, raios dentro da nuvem que são indicativos da ocorrência de granizo.

“Com o radar de dupla polarização conseguimos saber, por exemplo, quais os cristais de gelo que têm dentro da nuvem e a partir disso fazer cálculos e previsões”, disse Machado.

O pesquisador explica que ao acompanhar a nuvem é possível saber como esses diferentes cristais aumentam e diminuem, indicando a previsão de severidade ou formação de tornados. “Conseguimos também informações a partir do vento, se ele está formando uma circulação fechada, se há descarga elétrica. Tudo isso somado nos ajuda a fazer previsões”, disse.

Entendendo eventos extremos

A experiência dos pesquisadores do SOS Chuva em desenvolver modelos e cálculos matemáticos para a previsão imediata será usada em um novo projeto de colaboração com colegas argentinos, chilenos e norte-americanos.

“Continuaremos a coletar dados em Campinas e a melhorar nossos modelos até agosto de 2018. Depois disso, vamos levar nossa instrumentação para São Borja, no Rio Grande do Sul, para uma nova campanha de medidas de colaboração internacional”, disse Machado.

O pesquisador explica que a região a ser estudada é onde ocorrem as maiores tempestades do planeta. O fenômeno no Sul do Brasil, conhecido como Complexos Convectivos de Média Escala, ocorre em resposta a uma relação entre a região amazônica e a Cordilheira dos Andes.

“A umidade da Amazônia se propaga, encontra os Andes e se canaliza, trazendo a umidade para o Sul. É esse canal de umidade que começa a formar esses sistemas intensos de nuvens na Argentina. A baixa pressão acelera esse fluxo de umidade que vem da Amazônia e forma tempestades muito grandes.”

O projeto nomeado RELAMPAGO é financiado pela National Science Foundation (NSF) e conta com a cooperação da agência espacial Nasa e da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), nos Estados Unidos, do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet) da Argentina, da Comisión Nacional de Investigación Científica y Tecnológica (Conicyt) do Chile, da FAPESP e do Inpe.

“Será um experimento muito grande e o SOS Chuva participará desse esforço que é entender as tempestades severas que entram no Brasil, inclusive com possibilidade de formação de tornados”, disse Machado.

O aplicativo SOS Chuva pode ser baixado na App Store (iOS) e na Google Play Store (Android). Mais informações: http://soschuva.cptec.inpe.br/soschuva.


Autor: Maria Fernanda Ziegler
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: 03/01/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/aplicativo_avisa_sobre_chuva_ou_tempestade_no_local_onde_esta_o_usuario/26928/

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Chuva de meteoros da constelação de Gêmeos ocorre nesta quarta e quinta: 'melhor do ano', diz Nasa





Gemínidas no Hemisfério Norte em 2016; chuva deve ser o mais brilhante do ano (Foto: Jeff Dai/Arizona State University)



A chuva de meteoros da Constelação de Gêmeos (Gemínidas), que ocorre todo mês de dezembro, deve iluminar o céu noite de quarta-feira (13) e vai se estender até o amanhecer na quinta-feira (14).


Segundo a Nasa (Agência Espacial Americana), estão previstos em torno de um meteoro por minuto, com a provável melhor chuva de meteoros do ano.


A chuva poderá ser visualizada no mundo inteiro -- inclusive no Brasil -- a olho nu. O céu mais limpo, com o horizonte aberto, facilita a visualização.



"É a melhor chuva de meteoros para os habitantes do hemisfério sul", diz Gustavo Rojas, astrônomo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). "Ela poderá ser visualizada em todo o Brasil".




A lua fina e crescente não estragará o show, garante a Nasa, que transmitirá a chuva de meteoros ao vivo. Segundo Bill Cooke, do escritório de meteoros da agência americana, com a chuva Perseidas em agosto obscurecida pela lua, gemínedeas deve se destacar em 2017.


A chuva de começar às 21: 30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (13) e será possível observá-la até o amanhecer de quinta-feira (14). Os meteoros serão mais visíveis a partir das 2h da manhã (horário de Brasília).




Sobre os meteoros




Os meteoros são pequenos corpos celestes que se deslocam no espaço e entram na atmosfera da Terra, define o Observatório Nacional.


Ao adentrarem na atmosfera, eles queimam parcial ou totalmente, devido ao atrito e ao contato com o oxigênio. O fenômeno deixa um risco luminoso no céu, popularmente chamado de "estrela cadente".


As chuvas de meteoros, diz o Observatório Nacional, não representam riscos para a Terra e acontecem praticamente todos os meses, mas algumas não têm ampla visibilidade.




Autora: G1
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data de Publicação: 13/12/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/chuva-de-meteoros-da-constelacao-de-gemeos-ocorre-nesta-quarta-e-quinta-melhor-do-ano-diz-nasa.ghtml