quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Coronavírus deve cancelar o Carnaval e outros eventos que atraem multidões?


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Aglomerações típicas do Carnaval, os blocos têm potencial para disseminação de doenças, segundo especialistas

Banzeiro, Lepo-Lepo, Bororó, Dalila, Táquitá e Santinha.

Praticamente todos os anos, as músicas mais tocadas no Carnaval da Bahia batizam as viroses que deixam lotados os postos de saúde, após os sete dias oficiais de folia.

Segundo especialistas, a grande aglomeração de pessoas num espaço restrito, junto com alimentação majoritariamente inadequada, desidratação e falta de sono, criam as condições ideais para o alastramento de doenças.

Poderia ser esse o caso do coronavírus? E mais: as autoridades deveriam cancelar o Carnaval neste ano como precaução — mesmo que, por enquanto, não tenha havido confirmação de infectados no Brasil? E outros eventos que atraem multidões como shows e jogos de futebol, também deveriam ser cancelados?


Essas são algumas das perguntas que muitos brasileiros vêm se fazendo nas últimas semanas de olho na folia, que vai até a Quarta-Feira de Cinzas (26/2) . Na China, uma das medidas para frear o surto que até a publicação desta reportagem tinha provocado a morte de 490 pessoas, foi o adiamento em todo o país de partidas de futebol e outros eventos esportivos.

A resposta que infectologistas ouvidos pela BBC News Brasil têm dado é que, até agora, nada justifica o cancelamento da folia, mas é preciso ficar atento ao avanço da doença, tanto no Brasil quanto nos países de onde sai a maioria dos turistas.

O surto do novo vírus que começou na cidade chinesa de Wuhan, gerou pânico ao redor do mundo. Até o momento, foram relatados casos de infecção pelo coronavírus em 25 países, com o total de contaminados chegando a 25 mil. Na semana passada, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou a doença como emergência de saúde pública global.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que não há "nada específico sobre o Carnaval". Ele garantiu que portos e aeroportos serão monitorados e recomendou "lavar as mãos e evitar compartilhar objetos, como copo e talheres".

Segundo o Ministério de Saúde, "no momento, não há comprovação que o novo coronavírus esteja circulando no Brasil, portanto não há precauções adicionais recomendadas para o público em geral".

De acordo com a pasta, é "fake news" que o "Carnaval será porta de entrada para o novo coronavírus.

Nesta segunda-feira (3), o governo federal anunciou ter decretado situação de emergência, mas disse ter tomado a medida principalmente para lidar com os brasileiros que serão trazidos de Wuhan, epicentro do surto de coronavírus.
Sem decisões precipitadas

Segundo especialistas, qualquer decisão sobre o Carnaval vai depender não apenas da confirmação de casos suspeitos no país — são 13, por enquanto —, mas, principalmente, do alastramento da doença nos países de onde vêm mais turistas ao Brasil para a festa.

"Há uma aglomeração muito grande de pessoas e ao mesmo tempo um afluxo de diferentes localidades, tanto de turismo nacional, quanto internacional. Mas não sabemos qual vai ser esse impacto agora. Tudo vai depender de como a doença vai evoluir", ressalva Alberto Chebabo, infectologista do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP) do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista à BBC News Brasil.

Segundo o Ministério do Turismo, a maioria dos visitantes estrangeiros chega da Argentina, Estados Unidos, Paraguai, Chile, Uruguai, França e Alemanha. A China não está na lista.

Apenas para o Rio de Janeiro, cerca de 1,9 milhão de foliões são esperados. Cerca de 20% deles são estrangeiros.

Nas últimas semanas, países, como Estados Unidos e Austrália, fecharam a fronteiras a estrangeiros que estiveram recentemente na China. O Brasil ainda não tomou decisão a respeito.


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Temor com novo coronavírus, uma doença que afeta o trato respiratório superior, se deve à forma de contágio - e o alto risco associado a ela
Contágio e risco

O temor com o novo coronavírus, uma doença que afeta o trato respiratório superior, se deve à forma de contágio — e o alto risco associado a ela.

Segundo especialistas, o infectado pode transmitir a doença ainda no período de incubação (de 1 a 14 dias), ou seja, antes de apresentar os sintomas. Além disso, assim como uma gripe comum, o vírus é transmitido pelo ar — basta estar a uma distância de em média três metros para estar passível de contraí-lo.

Ele também é muito contagioso. Seu "número reprodutivo" (para quantas pessoas alguém infectado transmite a doença) varia de 2,2 e 3,3, dependendo da metodologia usada. Em comparação, a gripe comum é de 1,3.

Isso sem falar de que se trata de uma doença nova, sobre a qual se conhece muito pouco, e contra a qual a população não tem imunidade. Tampouco há vacina disponível — ainda que testes já tenham começado.

No caso do Carnaval, a grande aglomeração de pessoas num espaço reduzido, inclusive trocando abraços e beijos, acaba por facilitar o alastramento de qualquer doença.

Na Bahia, desde quando os primeiros afoxés surgiram na virada do século XIX para o XX, para relembrar as tradições culturais africanas, surtos como cólera, varíola e tuberculose pontuaram a festa pagã.

Nas últimas décadas, há uma preocupação constante das autoridades e dos profissionais de saúde durante o Carnaval para evitar a transmissão de doenças, com distribuição maciça de camisinhas e cartilhas informativas.

As principais são as chamadas IST, ou Infecções Sexualmente Transmissíveis, como sífilis, gonorreia, infecção pelo HIV e hepatites virais B e C.

Mas há também recomendações de higiene, hidratação e alimentação para evitar também outras doenças, como conjuntivite, mononucleose, herpes e gripe. Alimentar-se corretamente é importante também para impedir infecções intestinais, comuns nesse período do ano.

E as viroses? Em geral, esse termo é usado de modo genérico por profissionais de saúde para tratar de doenças que ainda não foram diagnosticadas por exames no paciente.

A maioria das viroses envolve infecções respiratórias, como os vírus da gripe e aqueles que causam resfriados. E são transmitidas quase sempre por tosses e espirros, capazes de espalhar gotículas com vírus por até 3 e 9 metros de distância, respectivamente. Mesmo a fala é capaz de espalhar doenças para pessoas a 1 metro de distância, por exemplo.
Grande eventos como disseminação de doença

Mas não é apenas no Carnaval que doenças se espalham.


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Surto de meningite é ocorrência comum durante peregrinação a Meca (cidade sagrada para muçulmanos)

"Todos os anos, é sabido que há um surto de meningite durante a peregrinação religiosa à Meca (cidade sagrada para os muçulmanos). No ano passado, estima-se que a cidade recebeu 1,7 milhão de estrangeiros. Por isso, recomenda-se tomar a vacina", diz Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo.

Os especialistas também lembram que havia diferentes hipóteses de como o vírus da zika chegou ao Brasil.

Entre as hipóteses consideradas estava a de que o vírus teria entrado no Brasil durante a Copa do Mundo de 2014, trazido por turistas africanos. Outra era de que a introdução teria ocorrido durante o Campeonato Mundial de Canoagem, realizado em agosto de 2014 no Rio de Janeiro, que recebeu competidores de vários países do Pacífico afetados pelo vírus.

No final, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco traçou a rota de chegada do vírus zika, originário da Polinésia Francesa, ao Brasil. Os pesquisadores descobriram que antes ele migrou para a Oceania, depois para a Ilha de Páscoa — de onde foi para a região da América Central e Caribe — e só então chegou ao Brasil, no final de 2013.

Imigrantes ilegais vindos do Haiti e militares brasileiros em missão de paz naquele país poderiam ter trazido o vírus zika para o Brasil.

O alastramento dessa doença levou, inclusive, algumas prefeituras brasileiras a cancelarem o Carnaval alguns anos atrás.


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Mosquito Aedes aegypti transmite dengue
Quão perigoso é o novo coronavírus?

Ainda que o temor com o coronavírus seja justificado, os especialistas afirmam que, segundo os dados atuais, que ele é menos mortal e contagioso do que outras doenças que circulam no Brasil.

Seu índice de mortalidade é inferior, por exemplo, ao do tipo mais grave da dengue (3,8%) ou da febre amarela silvestre (35%).

Além disso, é quatro vezes menos contagioso do que o sarampo. Uma pessoa com sarampo, por exemplo, pode infectar de 12 a 18 pessoas. No ano passado, 16 mil casos da doença foram registrados no Brasil, principalmente em São Paulo e no Paraná.

Em 2016, o Brasil havia sido declarado livre da doença pela Organização Mundial da Saúde. Especialistas acreditam que o surto, que começou em 2018, está ligado, em grande parte, à desinformação gerada pelo movimento antivacina.


"Temos muitos outros problemas de saúde pública, de doenças infecciosas que são imunopreveníveis, diferente do coronavírus. Mas não necessariamente a população adere à precaução", conclui Richtmann.




Autor: Luis Barrucho e Matheus Magenta
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 05/02/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51377580

Sars, Mers, Ebola, coronavírus – por que há cada vez mais surtos de vírus mortais pelo mundo?


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Pessoas começaram a usar máscaras na Tailândia depois que seis turistas chineses foram diagnosticados com novo coronavírus

Nos últimos 30 anos, os surtos de vírus aumentaram, e doenças que se espalham rapidamente — como o coronavírus, na China, agora — se tornaram mais comuns. Mas por quê?

É fato que há mais gente no planeta do que nunca, a população mundial hoje é de 7,7 bilhões de pessoas. E estamos vivendo cada vez mais próximos uns dos outros.

Uma concentração maior de pessoas em espaços menores significa um risco maior de exposição a patógenos causadores de doenças.

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Site Healthmap.org monitora surtos à medida que são registrados em todo o mundo: todos estes surtos estão acontecendo agora

O coronavírus, que surgiu na cidade chinesa de Wuhan, parece ser transmitido entre os seres humanos por meio de gotículas, quando as pessoas tossem ou espirram. Como o vírus sobrevive por um tempo limitado fora do corpo, as pessoas precisam estar relativamente próximas umas das outras para que se propague.

Em 2014, a epidemia de Ebola se espalhou por meio do contato direto com sangue ou outros fluidos corporais — e só pessoas bem próximas aos pacientes infectados poderiam pegar a doença.

Nem todos os vírus são transmitidos entre seres humanos. Mas, mesmo o vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, se beneficia quando estamos mais próximos. Os mosquitos prosperam em áreas urbanas onde podem se alimentar de sangue humano. E se reproduzem mais rápido em locais densamente povoados, úmidos e quentes.

Desde 2007, há mais gente morando em centros urbanos do que fora deles. Mais de quatro bilhões de pessoas agora vivem em 1% da massa terrestre do planeta.

E muitas das cidades para onde estamos nos mudando não estão preparadas para nos receber. Com isso, muita gente acaba indo para áreas de favelas, onde não há água limpa encanada ou sistema de saneamento básico, o que facilita a propagação de doenças.

Circulação de pessoas


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Funcionários aplicam solução antisséptica em avião na Tailândia, em 2015, como prevenção à síndrome respiratória Mers

As viagens de avião, trem e automóvel permitem que um vírus atravesse meio mundo em menos de um dia. Poucas semanas após o início do surto do coronavírus, havia suspeitas em mais de 16 países.

Em 2019, as companhias aéreas transportaram 4,5 bilhões de passageiros — dez anos antes, apenas 2,4 bilhões.

Wuhan é a principal estação do serviço ferroviário de alta velocidade da China, e o vírus chegou no momento em que o país estava prestes a realizar a maior migração humana da história — mais de três bilhões de viagens são feitas pelo país na época do Ano Novo Chinês.

Uma das piores pandemias já registradas no mundo foi a da gripe espanhola em 1918 — ela eclodiu na Europa durante outro período de migração em massa, no fim da Primeira Guerra Mundial.

A gripe se espalhou enquanto os soldados estavam voltando para casa, em seus respectivos países, levando a doença com eles para comunidades que não tinham resistência ao vírus — o sistema imunológico delas foi pego completamente de surpresa.


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Durante epidemia de gripe espanhola em 1918, depósitos foram usados para manter as pessoas infectadas em quarentena

Um estudo conduzido pelo virologista John Oxford diz que a origem do vírus poderia estar em um acampamento militar, pelo qual cerca de 100 mil soldados passavam todos os dias.

Mesmo antes das viagens aéreas, a epidemia se espalhou por quase todas as partes do mundo. Matou entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas.

Ainda assim, a gripe espanhola levou de seis a nove meses para se propagar ao redor do globo. Em uma época em que somos capazes de atravessar o planeta em um dia, um novo vírus da gripe pode se espalhar muito mais rápido.
Mais carne, mais animais, mais doenças

O Ebola, a síndrome respiratória aguda grave (Sars, na sigla em inglês) e o coronavírus surgido na China são todos vírus zoonóticos — ou seja, foram transmitidos aos seres humanos por animais.

O novo coronavírus parece ter se originado em um mercado em Wuhan, e as informações preliminares indicam que pode ter vindo de cobras.

Atualmente, cerca de três em cada quatro novas doenças são zoonóticas.

Nossa demanda por carne está aumentando a nível mundial, e a produção animal está se expandindo à medida que diferentes partes do mundo enriquecem e desenvolvem o gosto por uma dieta rica em carne.

Os vírus da gripe tendem a chegar aos seres humanos por meio de animais domésticos. Portanto, a probabilidade de animais infectados entrarem em contato com o homem também está aumentando.

O coronavírus é transmitido de animais selvagens para humanos. Na China, os mercados de carne e de animais vivos são comuns em áreas densamente povoadas. Isso poderia explicar por que duas das epidemias mais recentes se originaram lá.

Além disso, à medida que as cidades se expandem, somos empurrados para áreas rurais onde o homem entra em contato com animais selvagens.

A Febre de Lassa é um vírus que se espalha dessa maneira — quando as pessoas desmatam florestas para usar a terra para a agricultura, os ratos que vivem nessas áreas se abrigam em residências e levam o vírus com eles.

Só não estamos preparados


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Quando Ebola atingiu África Ocidental em 2013, equipes médicas demoraram a detectar o vírus

Embora o mundo esteja mais conectado do que nunca, ainda não temos um sistema de saúde global capaz de responder a essas ameaças na origem.

Para conter o surto, dependemos do governo do país onde ele se originou. Se fracassam, o planeta todo está em risco.

Em nenhum lugar isso foi mais evidente do que na África Ocidental durante o surto de Ebola. Quando os sistemas de saúde locais na Guiné, Libéria e Serra Leoa falharam, o vírus se espalhou.

O Ebola matou 11.310 pessoas na África Ocidental.

Para a sorte do resto do planeta, trata-se de um vírus que se propaga relativamente devagar, mas os vírus respiratórios — como influenza ou coronavírus — se disseminam muito mais rápido.

Não ajuda o fato de que é mais provável que haja surtos em lugares pobres, com sistemas de saúde frágeis. A falta de regulamentação e educação sobre higiene e saneamento, assim como a alta densidade populacional, aumentam o risco.

Ao mesmo tempo, muitos destes países estão passando por uma fuga de cérebros de seus melhores profissionais de saúde.

Muito poucos sistemas de saúde estão dispostos a investir seus escassos recursos em surtos extremos de doenças que podem não acontecer. No caso da gripe suína, houve um lançamento global de medicamentos, o que foi criticado como uma reação exagerada porque o vírus acabou sendo muito brando.

Embora tenhamos tecnologia para desenvolver medicamentos capazes de combater alguns destes vírus, muitos não justificam o investimento das empresas farmacêuticas.

Mesmo sabendo que estão chegando, não podemos prever quando e onde a maioria dos surtos vai acontecer — e os surtos de doenças infecciosas quase sempre nos pegam de surpresa.

Boa notícia


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Cientistas desenvolveram vacina contra o Ebola

Embora haja mais surtos do que nunca, menos gente está ficando doente e morrendo por causa deles, de acordo com um estudo da Royal Society, instituição científica britânica.

Quando as economias crescem rapidamente, como vemos na China, o acesso à higiene básica e à saúde melhora. O mesmo acontece com os sistemas de comunicação, que disseminam recomendações sobre como evitar infecções.

Os tratamentos estão mais avançados, mais gente tem acesso a eles, e estamos ficando mais eficientes na prevenção. As vacinas estão sendo desenvolvidas muito mais rápido.

Embora o sistema de resposta global não seja de forma alguma perfeito, estamos ficando melhores em detectar e responder a surtos de doenças.

Um país como a China é capaz de construir um hospital com 1.000 leitos em uma semana, algo que seria inimaginável em 1918.




Autor: Stephanie Hegarty
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 01/02/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51296088

Workshop de Estratégias de Busca



Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 05/02/2020
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/ranking-das-melhores-universidades-com-menos-de-50-anos-inclui-unesp-e-ufabc/32338/#.XiMlkYsEP5M.whatsapp

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Coronavírus: como epidemias chegam ao fim?


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionA Organização Mundial da Saúde decretou uma situação de emergência de saúde pública de interesse internacional por causa do novo vírus

Um novo vírus que já infectou quase 18 mil pessoas em 25 países em 4 continentes é aparentemente menos letal do que aqueles por trás de outros surtos recentes.

Trata-se sem dúvida de uma boa notícia, mas isso representa um desafio maior para o controle do surto atual.

Isso porque um vírus "eficiente" não é aquele que mata seu hospedeiro rapidamente, mas um capaz de estabelecer uma relação de simbiose com o organismo infectado para continuar a se replicar e a ser transmitido.

"Quando um vírus é introduzido em uma espécie, ele costuma causar doenças mais graves no início, mas depois passa por um processo de adaptação e se torna mais brando. Do ponto de vista evolucionário, ele precisa transmitir seus genes adiante. Não adianta matar todos os hospedeiros", diz Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.


Esse tipo de micro-organismo é comumente encontrado em morcegos e costuma infectar outros animais antes de chegar às pessoas.

Mas essa característica também permite que se eles se tornem melhor adaptados ao organismo humano e menos agressivos, aumentando as chances de convivermos com eles.

Um exemplo é o vírus da herpes: estima-se que cerca de 90% da população mundial tenha ao menos uma de suas variantes.

Outro caso é o HTLV, um retrovírus, da mesma família do HIV. Mas, diferentemente do vírus causador da Aids, estima-se que entre 10 a 20 milhões de pessoas do mundo sejam portadoras, mas apenas 5% desenvolvam doenças.

Um vírus ser ou tornar-se menos agressivo não é necessariamente "uma boa notícia em termos epidêmicos", explica Eduardo Sprinz, chefe do serviço de infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, porque ele é mais facilmente transmitido.

"Em compensação, ele mata menos", afirma Sprinz.
Letalidade em queda

Na última quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a epidemia do novo coronavírus como uma situação de emergência de saúde pública de interesse internacional, ao anunciar que se trata de um "surto sem precedentes".

Até agora, houve mais de 360 mortes causadas pelo 2019-nCov, como é chamado oficialmente o vírus descoberto em dezembro, quase todas na China — exceto uma nas Filipinas. Mas o registro de casos de transmissão entre pessoas em outros países acendeu um alerta para a OMS.

"Não sabemos o tipo de dano que esse vírus pode causar se ele se espalhar em um país com um sistema de saúde mais frágil", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da agência.


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Novo coronavírus foi identificado em dezembro na China

Calcula-se que sua taxa de letalidade seja de cerca de 2%, bem abaixo dos índices de outros coronavírus que causaram os surtos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês), que matou 10% dos quase 8,1 mil infectados entre 2002 e 2003, e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), de 2012, em que 35% dos quase 2,5 mil pacientes morreram.

Segundo Spilki, esse surto "parece ter um perfil bastante diferente das de Sars e de Mers em termos de virulência, porque aquelas epidemias provocaram uma alta letalidade. Com a Sars, a letalidade era estimada em 50% no início, mas depois foram descobertos novos casos, e a taxa caiu. O mesmo está acontecendo agora com este coronavírus."
Como uma epidemia chega ao fim?

Então, como é que um surto provocado por um vírus que "mata menos" e tenta se adaptar para ser mais facilmente transmitido chega ao fim? Há basicamente três formas, segundo especialistas.

"A epidemia pode dizimar toda uma população, o que significaria um fracasso para um vírus, porque ele morre junto", afirma Sprinz.

Um surto também pode acabar se as autoridades de saúde tomarem as medidas necessárias para impedir que haja contato entre pacientes infectados e pessoas saudáveis, evitando novos contágios.

"Foi o que aconteceu com o vírus da Sars, que foi contido com medidas de bloqueio da transmissão e simplesmente desapareceu", afirma Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e diretor-médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro.


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Isolar pacientes e casos suspeitos é a melhor forma de controlar a disseminação do vírus, apontam infectologistas

A terceira forma de conter o surto seria com um processo de imunização do hospedeiro. Chebabo diz que isso é uma questão de tempo.

Quanto maior a circulação do vírus, mais pessoas adquirem anticorpos contra ele e ficam imunes, fazendo com que o vírus perca força.

"Um exemplo foi a pandemia de H1N1. No início, ninguém tinha imunidade, e houve uma disseminação enorme, matando muita gente. Mas esse é um processo lento gradual, que pode levar meses ou menos anos", diz o infectologista.
A busca por uma vacina

Uma forma mais eficiente de gerar essa imunização e conseguir erradicar uma doença em seres humanos é ter uma vacina.

A dificuldade diante desta epidemia de coronavírus, em comparação com surtos de gripe, causados pela família de vírus influenza, é que já existiam vacinas para vírus influenza e bastava adaptá-las, mas ainda não há uma vacina para os coronavírus.

O desenvolvimento de uma vacina é um processo longo e demorado e que precisa passar por diferentes fases de estudos com animais e seres humanos para garantir que é segura e eficaz.

"Estão dizendo agora que podem ter uma vacina para o coronavírus daqui a um ano, mas isso não é verdade. Esse processo leva de cinco a dez anos. Olhe, por exemplo, para o caso da epidemia de zika de 2005; até hoje não temos uma vacina. A mesma coisa vai acontecer com este vírus", diz Chebabo.

Por isso, é esperado ao menos por enquanto que o número total de casos confirmados continue a subir, porque a exposição de pessoas ao vírus progride em escala geométrica.

O melhor a fazer no momento é ter ações coordenadas de vigilância epidemiológica e dos serviços de saúde para bloquear a disseminação do novo coronavírus, diz Spilki.


"Isso é fundamental, porque, com o tempo, surgem tratamentos mais eficazes, eliminando o vírus. No longo prazo, se necessário, podemos recorrer à vacinação, mas infelizmente temos que ser pessimistas quanto a essa possibilidade no momento."




Autor: Rafael Barifouse
Fonte: Editora de Saúde na BBC News
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 03/02/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51315759

Coronavírus: o que é pandemia e por que a OMS ainda não declarou uma no caso atual


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O termo 'pandemia' é usado para descrever situações em que uma doença infecciosa ameaça muitas pessoas de forma simultânea no mundo inteiro

Os primeiros casos do novo coronavírus foram confirmados na China cerca de um mês atrás. Com a chegada do vírus a mais de 20 países, médicos e cientistas estão preocupados diante da velocidade de disseminação da doença.

Na quinta-feira (30/01), a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional — o que, oficialmente, significa a ocorrência de um "evento extraordinário que constitui um risco à saúde pública para outros Estados por meio da disseminação internacional de doenças e potencialmente exige uma resposta internacional coordenada".


Um exemplo recente é o da gripe suína, em 2009, à qual é atribuída a morte de centenas de milhares de pessoas, de acordo com a estimativa de especialistas.

As pandemias acontecem, em geral, quando há um vírus novo capaz de infectar seres humanos com facilidade e de ser transmitido de uma pessoa a outra de forma eficiente e continuada.

O novo coronavírus, pelo que se sabe até agora, tem essas características.

Assim, sem uma vacina contra o agente patogênico ou tratamento que possa prevenir a doença, conter a sua disseminação é crucial.


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Isolar pacientes e casos suspeitos é a melhor forma de controlar a disseminação do vírus, apontam infectologistas
Quando uma pandemia é declarada?

De acordo com a descrição da OMS das fases de uma pandemia, o novo coronavírus estaria a um passo de se tornar uma.

Primeiro, porque está se espalhando entre seres humanos e por já ter sido detectado em uma série de países vizinhos da China, além de outros mais distantes.

A pandemia aconteceria se houvesse o aparecimento de surtos localizados em diversas regiões do mundo ao mesmo tempo.
Qual a probabilidade de que isso aconteça?

Ainda não se sabe com precisão a gravidade do novo coronavírus e em que proporção ele irá se propagar.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirma que a disseminação fora da China, no momento, parece ser "mínima e lenta".

Há mais de 17 mil casos confirmados e 360 mortes, a maioria na China.

Fora do país asiático, há mais de 150 casos confirmados e uma morte, nas Filipinas.

"Se investirmos em lutar contra a doença no epicentro (do surto), na fonte, a disseminação para outros países será mínima e lenta", disse Ghebreyesus em uma reunião do Conselho Executivo da OMS nesta segunda-feira (03/02).

Cada pandemia é diferente e, até que o vírus comece de fato a circular globalmente, é impossível prever totalmente seus efeitos.

Especialistas acreditam que o novo coronavírus — que, de acordo com os dados mais recentes, matou cerca de 2% dos infectados — possa ser menos letal do que outras doenças que protagonizaram surtos recentes de vírus da mesma família, como a Síndrome Respiratoria Aguda Grave (9,5%), a Sars, e a Síndrome Respiratória do Oriente Média (de 35%), que ficou conhecida como Mers.

A decisão da OMS de declarar emergência global veio do fato de que a doença tem sido transmitida entre humanos fora da China e a possibilidade de que possa atingir países com sistemas de saúde frágeis.

Apesar de a instituição recomendar aos países que tomem medidas para prevenir o aparecimento da doença ou limitar seu contágio, ela também destacou que, por ora, não avalia que haja necessidade de limitar viagens ou o comércio internacional.




Autor: Michelle Roberts
Fonte: Editora de Saúde na BBC News
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 03/02/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-51363153

Estudo comprova transmissão de Leishmaniose visceral por novo vetor



Por: Diovana Rodrigues (ILMD/Fiocruz Amazônia)


Você sabe o que é leishmaniose? Uma enfermidade antes restrita a zonas rurais, mas que com as alterações ambientais, como desmatamento e queimadas, tornou-se também um problema dos espaços urbanos. A leishmaniose pode ser definida como uma doença infecciosa não contagiosa, causada pelo protozoário do gênero leishmania, essa doença é transmitida pelo inseto hematófago, flebotomíneo. Mas, no dialeto popular, é conhecida como ferida brava ou calazar. “Aquela ferida que não sara nunca, que se você não tomar a medicação correta, não vai ter cura, vai se espalhar pelo corpo ou vísceras. Uma parasitose que pode ocorrer no corpo todo”, explica Eric Marialva, mestre em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro, pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), que abordou a temática durante a realização de sua dissertação de mestrado.

Para compreender mais sobre a leishmaniose visceral, em especial sobre o protozoário Leishmania infantum chagasi e as formas de transmissão da doença, Eric Marialva, sob orientação do pesquisador Felipe Arley Costa Pessoa, desenvolveram o estudo Bionomia de Migonemyia migonei (Diptera, Psychodidae, Phlebotominae) em condições experimentais.

O estudo teve como principais resultados, a comprovação de um novo vetor de Leishmania infantum chagasi, novos métodos de criação em massa de Migonemyia migonei em laboratório e redescrição das fases imaturas desse vetor, que pode está causando preocupações à saúde básica por transmitirem doenças viscerais no Brasil e na Argentina.



As oito espécies de leishmania catalogadas que causam enfermidades à humanos no Brasil são: Leishmania (V) braziliensis, Leishmania (V) guyanensis, Leishmania (V) lainsoni, Leishmania (L) amazonenses, Le.(V) shawi, Le. (V) naiffi e Le. (V) lindenbergi, sendo essas sete causadoras da forma tegumentar e Leishmania (L) chagasi, da forma visceral

Sobre a pesquisa

A pesquisa de Eric Marialva enfatizou mais um vetor para se tomar cuidado no combate, já que o inseto Migonemyia migonei está vivendo ao mesmo tempo com a outra espécie já conhecida das pessoas, o Lutzomyia longipalpis. Então, as duas espécies preocupam e exigem para seu controle, cuidados com a limpeza do ambiente, para evitar a proliferação desses mosquitos.

O estudo definiu características morfológicas das larvas do flebotomíneo, para destacar aspectos como a taxonomia (classificação, descrição e identificação dos organismos), filogenia (relação evolutiva entre grupos de organismos) e a evolução. Outra importante descoberta está relacionada às condições de colonização de Migonemyia migonei em laboratório, com o intuito de verificar informações relevantes sobre o inseto, como ciclo de vida, fertilidade, fecundidade, longevidade e preferência de oviposição (deposição de ovos por fêmeas de animais invertebrados). Essas informações serviram para auxiliar na colonização em massa dessa espécie em condições laboratoriais.

O estudo verificou ainda, o desenvolvimento do modelo de transmissão de Leishmania infantum chagasi, através da picada de indivíduos colonizados. “Um dos experimentos realizados foi a infecção de Migonemyia migonei com Leishmania infantum chagasi. Após sete dias era feita a transmissão para um vertebrado em modelo murino. Conseguimos fazer a transmissão em vivo”, relata Eric Marialva, sobre os métodos e experiências utilizadas no estudo.

Com esse estudo, foi possível incriminar mais um vetor de Leishmania infantum chagasi na América Latina. Essa informação aciona um alerta para a vigilância em saúde, pois mais um vetor é capaz de transmitir a leishmaniose.

Para saber mais sobre a pesquisa, acesse o artigo no Repositório Institucional da Fiocruz (Arca).




Autor: Diovana Rodrigues
Fonte: ILMD/Fiocruz Amazônia
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 03/02/2020
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/estudo-comprova-transmissao-de-leishmaniose-visceral-por-novo-vetor

Fiocruz e OPAS promovem capacitação para diagnóstico do novo coronavírus



Por: Vinícius Ferreira (IOC/Fiocruz)*


A partir desta semana (3/2), o Brasil ganhará um reforço de peso na resposta nacional a uma possível introdução do novo coronavírus (2019-nCoV) no país. Juntamente com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), especialistas do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde, promoveram a capacitação de profissionais do Instituto Evandro Chagas e do Instituto Adolfo Lutz para o diagnóstico laboratorial do patógeno.

Até o momento, duas amostras eram coletadas de cada indivíduo com suspeita de infecção pelo novo coronavírus. Enquanto uma era direcionada ao Laboratório Central de Saúde Pública do estado onde o paciente estava internado, a outra era encaminhada para análise no laboratório da Fiocruz. "Essa capacitação representa um passo importantíssimo na resposta do sistema de vigilância brasileiro diante de uma possível emergência sanitária nacional. O suporte do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde possibilitará a descentralização do diagnóstico e, consequentemente, agilidade na investigação dos casos", sinalizou o virologista Fernando Motta, pesquisador do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC/Fiocruz.

Realizada nas últimas quinta e sexta-feiras (30 e 31/1), a atividade contou com a participação do assessor regional para Doenças Virais da Opas/OMS, Jairo Méndez. O especialista atuou diretamente no estabelecimento de protocolos de diagnóstico da infecção. "O Brasil possui uma das mais sólidas e preparadas redes de vigilância em vírus respiratórios da América Latina. A capacitação da rede brasileira foi o primeiro passo para a implementação do diagnóstico específico nos países latino-americanos", adiantou Jairo, em alusão ao treinamento de equipes técnicas de países do Cone Sul sob representação da Opas que será realizado nos dias 6 e 7 de fevereiro.

Na ocasião, o assessor da Opas repassou ao Laboratório insumos específicos para diagnóstico por RT-PCR em tempo real do novo coronavírus, capaz de detectar o genoma viral.

A capacitação dos Serviços de Referência Regionais foi acompanhada de perto pela Coordenação-Geral de Laboratórios (CGLAB/SVS/MS), por meio da responsável em vírus respiratórios da pasta, Miriam Teresinha Livorati. "A experiência acumulada da rede de referência brasileira é o nosso ponto forte. A troca de experiência é bem grande e os profissionais muito competentes. A CGLAB está dando todo o suporte necessário para que as atividades sejam aprimoradas para o diagnóstico preciso do novo vírus", comentou.

A assistente de pesquisa do Instituto Adolfo Lutz, Margarete Benega, destacou o ponto-chave do treinamento. “O objetivo é termos o alinhamento das informações para uma resposta mais rápida para a sociedade”. A pesquisadora do Instituto Evandro Chagas, Mirleide Santos, ressaltou a experiência da rede. “A nossa troca de conhecimento possibilitará a resposta de casos suspeitos de qualquer lugar do Brasil”.

O Laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo do IOC/Fiocruz integra há mais de 60 anos a rede da Organização Mundial da Saúde (OMS) de centros nacionais de Influenza e desempenhou papel estratégico na busca de respostas em episódios de emergência de saúde pública, como a atuação na linha de frente em surtos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), em 2002 e 2003, de influenza A (H1N1), em 2009, e de ebola, em 2015.




* Edição: Raquel Aguiar


Autor: Vinícius Ferreira (IOC/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 03/02/2020
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-e-opas-promovem-capacitacao-para-diagnostico-do-novo-coronavirus