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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Sars, Mers, Ebola, coronavírus – por que há cada vez mais surtos de vírus mortais pelo mundo?


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Pessoas começaram a usar máscaras na Tailândia depois que seis turistas chineses foram diagnosticados com novo coronavírus

Nos últimos 30 anos, os surtos de vírus aumentaram, e doenças que se espalham rapidamente — como o coronavírus, na China, agora — se tornaram mais comuns. Mas por quê?

É fato que há mais gente no planeta do que nunca, a população mundial hoje é de 7,7 bilhões de pessoas. E estamos vivendo cada vez mais próximos uns dos outros.

Uma concentração maior de pessoas em espaços menores significa um risco maior de exposição a patógenos causadores de doenças.

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Site Healthmap.org monitora surtos à medida que são registrados em todo o mundo: todos estes surtos estão acontecendo agora

O coronavírus, que surgiu na cidade chinesa de Wuhan, parece ser transmitido entre os seres humanos por meio de gotículas, quando as pessoas tossem ou espirram. Como o vírus sobrevive por um tempo limitado fora do corpo, as pessoas precisam estar relativamente próximas umas das outras para que se propague.

Em 2014, a epidemia de Ebola se espalhou por meio do contato direto com sangue ou outros fluidos corporais — e só pessoas bem próximas aos pacientes infectados poderiam pegar a doença.

Nem todos os vírus são transmitidos entre seres humanos. Mas, mesmo o vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, se beneficia quando estamos mais próximos. Os mosquitos prosperam em áreas urbanas onde podem se alimentar de sangue humano. E se reproduzem mais rápido em locais densamente povoados, úmidos e quentes.

Desde 2007, há mais gente morando em centros urbanos do que fora deles. Mais de quatro bilhões de pessoas agora vivem em 1% da massa terrestre do planeta.

E muitas das cidades para onde estamos nos mudando não estão preparadas para nos receber. Com isso, muita gente acaba indo para áreas de favelas, onde não há água limpa encanada ou sistema de saneamento básico, o que facilita a propagação de doenças.

Circulação de pessoas


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Funcionários aplicam solução antisséptica em avião na Tailândia, em 2015, como prevenção à síndrome respiratória Mers

As viagens de avião, trem e automóvel permitem que um vírus atravesse meio mundo em menos de um dia. Poucas semanas após o início do surto do coronavírus, havia suspeitas em mais de 16 países.

Em 2019, as companhias aéreas transportaram 4,5 bilhões de passageiros — dez anos antes, apenas 2,4 bilhões.

Wuhan é a principal estação do serviço ferroviário de alta velocidade da China, e o vírus chegou no momento em que o país estava prestes a realizar a maior migração humana da história — mais de três bilhões de viagens são feitas pelo país na época do Ano Novo Chinês.

Uma das piores pandemias já registradas no mundo foi a da gripe espanhola em 1918 — ela eclodiu na Europa durante outro período de migração em massa, no fim da Primeira Guerra Mundial.

A gripe se espalhou enquanto os soldados estavam voltando para casa, em seus respectivos países, levando a doença com eles para comunidades que não tinham resistência ao vírus — o sistema imunológico delas foi pego completamente de surpresa.


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Durante epidemia de gripe espanhola em 1918, depósitos foram usados para manter as pessoas infectadas em quarentena

Um estudo conduzido pelo virologista John Oxford diz que a origem do vírus poderia estar em um acampamento militar, pelo qual cerca de 100 mil soldados passavam todos os dias.

Mesmo antes das viagens aéreas, a epidemia se espalhou por quase todas as partes do mundo. Matou entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas.

Ainda assim, a gripe espanhola levou de seis a nove meses para se propagar ao redor do globo. Em uma época em que somos capazes de atravessar o planeta em um dia, um novo vírus da gripe pode se espalhar muito mais rápido.
Mais carne, mais animais, mais doenças

O Ebola, a síndrome respiratória aguda grave (Sars, na sigla em inglês) e o coronavírus surgido na China são todos vírus zoonóticos — ou seja, foram transmitidos aos seres humanos por animais.

O novo coronavírus parece ter se originado em um mercado em Wuhan, e as informações preliminares indicam que pode ter vindo de cobras.

Atualmente, cerca de três em cada quatro novas doenças são zoonóticas.

Nossa demanda por carne está aumentando a nível mundial, e a produção animal está se expandindo à medida que diferentes partes do mundo enriquecem e desenvolvem o gosto por uma dieta rica em carne.

Os vírus da gripe tendem a chegar aos seres humanos por meio de animais domésticos. Portanto, a probabilidade de animais infectados entrarem em contato com o homem também está aumentando.

O coronavírus é transmitido de animais selvagens para humanos. Na China, os mercados de carne e de animais vivos são comuns em áreas densamente povoadas. Isso poderia explicar por que duas das epidemias mais recentes se originaram lá.

Além disso, à medida que as cidades se expandem, somos empurrados para áreas rurais onde o homem entra em contato com animais selvagens.

A Febre de Lassa é um vírus que se espalha dessa maneira — quando as pessoas desmatam florestas para usar a terra para a agricultura, os ratos que vivem nessas áreas se abrigam em residências e levam o vírus com eles.

Só não estamos preparados


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Quando Ebola atingiu África Ocidental em 2013, equipes médicas demoraram a detectar o vírus

Embora o mundo esteja mais conectado do que nunca, ainda não temos um sistema de saúde global capaz de responder a essas ameaças na origem.

Para conter o surto, dependemos do governo do país onde ele se originou. Se fracassam, o planeta todo está em risco.

Em nenhum lugar isso foi mais evidente do que na África Ocidental durante o surto de Ebola. Quando os sistemas de saúde locais na Guiné, Libéria e Serra Leoa falharam, o vírus se espalhou.

O Ebola matou 11.310 pessoas na África Ocidental.

Para a sorte do resto do planeta, trata-se de um vírus que se propaga relativamente devagar, mas os vírus respiratórios — como influenza ou coronavírus — se disseminam muito mais rápido.

Não ajuda o fato de que é mais provável que haja surtos em lugares pobres, com sistemas de saúde frágeis. A falta de regulamentação e educação sobre higiene e saneamento, assim como a alta densidade populacional, aumentam o risco.

Ao mesmo tempo, muitos destes países estão passando por uma fuga de cérebros de seus melhores profissionais de saúde.

Muito poucos sistemas de saúde estão dispostos a investir seus escassos recursos em surtos extremos de doenças que podem não acontecer. No caso da gripe suína, houve um lançamento global de medicamentos, o que foi criticado como uma reação exagerada porque o vírus acabou sendo muito brando.

Embora tenhamos tecnologia para desenvolver medicamentos capazes de combater alguns destes vírus, muitos não justificam o investimento das empresas farmacêuticas.

Mesmo sabendo que estão chegando, não podemos prever quando e onde a maioria dos surtos vai acontecer — e os surtos de doenças infecciosas quase sempre nos pegam de surpresa.

Boa notícia


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Cientistas desenvolveram vacina contra o Ebola

Embora haja mais surtos do que nunca, menos gente está ficando doente e morrendo por causa deles, de acordo com um estudo da Royal Society, instituição científica britânica.

Quando as economias crescem rapidamente, como vemos na China, o acesso à higiene básica e à saúde melhora. O mesmo acontece com os sistemas de comunicação, que disseminam recomendações sobre como evitar infecções.

Os tratamentos estão mais avançados, mais gente tem acesso a eles, e estamos ficando mais eficientes na prevenção. As vacinas estão sendo desenvolvidas muito mais rápido.

Embora o sistema de resposta global não seja de forma alguma perfeito, estamos ficando melhores em detectar e responder a surtos de doenças.

Um país como a China é capaz de construir um hospital com 1.000 leitos em uma semana, algo que seria inimaginável em 1918.




Autor: Stephanie Hegarty
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 01/02/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51296088

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Ebola: insuficiência renal causa morte em sobreviventes do surto




Pesquisadores descobriram que efeitos a longo prazo da infecção pelo vírus do ebola contribuíram para o aumento das mortes subsequentes entre os sobreviventes do surto, acontecido entre os anos de 2013 a 2016, na África Ocidental.

“Na República da Guiné, 59 pacientes que sobreviveram ao ebola morreram mais tarde com insuficiência renal estabelecida como a causa da morte em 37 pacientes”, disse um dos autores do estudo, Lorenzo Subissi, PhD, do Sciensano, Instituto Nacional de Pesquisa de Saúde Pública em Bruxelas, na Bélgica.

“Não é de surpreender que fatores de risco como idade avançada, morar em uma área não urbana e longas estadias em unidades de tratamento de ebola estivessem ligados a um maior risco de mortalidade após a alta”, escreveram os autores no artigo publicado no The Lancet Infectious Diseases.

O coautor do estudo, Mory Keita, MD, epidemiologista da República da Guiné, que atualmente é coordenador de campo da Organização Mundial de Saúde (OMS) na República Democrática do Congo, disse em comunicado para a imprensa que a insuficiência renal é uma “causa de morte biologicamente plausível” em sobreviventes do ebola.


“Anteriormente, o vírus foi detectado em amostras de urina durante a fase aguda da enfermidade, demonstrando que pode infectar o rim. Alguns pacientes com o ebola desenvolvem lesão renal aguda, o que pode levar a insuficiência renal a longo prazo e ao aumento da mortalidade mesmo após a aparente recuperação inicial”, acrescentou Mory Keita.

Os autores disseram ainda que a insuficiência renal se baseava, principalmente, nos relatos de familiares de anúria, com altas concentrações de creatinina em alguns casos. Eles também observaram que outras condições, como malária, tuberculose pulmonar e hipertensão arterial, também poderiam ter contribuído para as mortes.

Os dados mais recentes da OMS indicam que, durante o atual surto de ebola na República do Gongo, que está em andamento desde agosto de 2018, houve 2.997 casos, incluindo quase dois mil óbitos.
Estudo “Primeiro de Seu Tipo”

Os cientistas observaram que a África Ocidental apresenta a maior coorte de sobreviventes da doença, mais de 17 mil pessoas no total.

Segundo dados do programa de monitoramento de sobreviventes nacionais da República da Guiné, o Surveillance Active en Ceinture, de dezembro de 2015 a setembro de 2016, os médicos tentaram entrar em contato ou acompanhar outros sobreviventes do ebola que haviam recebido alta das unidades de tratamento utilizando “autópsias verbais”. Eles solicitaram aos familiares próximos informações sobre sinais, sintomas e evolução clínica dos pacientes, assim como os arquivos médicos disponíveis, que foram revisados por epidemiologistas.

No geral, as informações de acompanhamento estavam disponíveis para 1.130 de 1.270 sobreviventes. A idade mediana na alta dos centros de tratamento foi de 28 anos, e cerca de metade eram mulheres. A duração média de internação foi de 12 dias.

Embora 59 mortes tenham sido relatadas, a data exata da morte era desconhecida para 43 pacientes.

Eles descobriram ainda que, até dezembro de 2015, com cerca de um ano de seguimento após a alta hospitalar, os sobreviventes de ebola possuíam um risco cinco vezes maior de morrer em comparação com a população geral na República da Guiné (taxa de mortalidade padronizada por idade 5,2, IC 95% 4,0-6,8). No entanto, após esse período de um ano, de janeiro a setembro de 2016, não houve diferença na mortalidade entre os sobreviventes e a população geral, o que é concordante com outros estudos realizados com mais de um ano após a alta hospitalar, nos quais também não houve diferença de mortalidade.


Os pesquisadores caracterizaram o estudo como o “primeiro deste tipo a mostrar um aumento significativo na mortalidade de sobreviventes da doença pelo vírus ebola após a alta das unidades de tratamento”.

Os resultados sugerem que o acompanhamento a longo prazo pode ser necessário em sobreviventes de outras febres virais hemorrágicas, incluindo os vírus da febre de Marburg, Crimeia-Congo, Lassa e Nipah.

Os autores sugerirem a realização de estudos de acompanhamento de dois anos para medir reduções na expectativa de vida, assim como intervenções clínicas terapêuticas preventivas e precoces contra infecções agudas graves nesses pacientes.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autor:


Úrsula Neves


Jornalista carioca. Diretora executiva do Digitais do Marketing, colunista de cultura e maternidade dos sites Cabine Cultural e Feminino e Além, respectivamente.


Referências bibliográficas:
https://www.medpagetoday.com/infectiousdisease/ebola/81998;
https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(19)30313-5/fulltext;
https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(19)30429-3/fulltext;
https://www.who.int/csr/don/29-august-2019-ebola-drc/en/


Autor: PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 23/09/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/ebola-insuficiencia-renal-causa-morte-em-sobreviventes-do-surto/

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Os médicos e enfermeiros que sofrem ameaças de morte enquanto combatem o ebola na África


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionQuase 1,8 mil pessoas morreram de ebola na República Democrática do Congo no último ano

"Minha equipe foi atacada por fazer seu trabalho", diz o médico Pascal Vahwere, que combate o ebola na República Democrática do Congo (RDC).

Em março, ele e a pequena equipe de profissionais de saúde que coordenava foram cercados quando tentavam fornecer vacinas em um vilarejo remoto na província de Kivu do Norte.


"De repente, uma multidão se reuniu com armas de fogo e facões", contou à BBC. "Não sabemos por que eles queriam nos atacar. Ficamos com medo, mas conversamos com os líderes da comunidade e conseguimos pacificar o grupo."

Além de vacinar a população contra a doença - que já matou 1,8 mil pessoas no país desde agosto de ano passado, quando foi considerada surto -, os profissionais de saúde que estão no país identificam aqueles que já estão infectados e os encaminham para os centros de tratamento. Também ajudam a enterrar os mortos.

Para muitos, entretanto, essas tarefas têm se tornado cada vez mais arriscadas: pelo menos sete profissionais da saúde foram mortos apenas este ano na República Democrática do Congo e outros 58 ficaram feridos.


Direito de imagemMSFImage captionHomens armados atacaram um centro de tratamento de Ebola em Butembo, no leste da República Democrática do Congo, matando um policial e ferindo um agente de saúde

Boatos

As multidões revoltadas que muitas vezes recebem os profissionais da saúde que tentam conter a rápida disseminação da doença no país não raro são estimuladas por rumores que se espalham, por exemplo, em grupos de WhatsApp.

Teorias da conspiração e a frustração pela falta de uma resposta adequada ao surto da doença estão alimentando ressentimento entre a população vulnerável à epidemia.

"A disseminação de informações falsas levou as pessoas a acreditarem que o ebola é um negócio lucrativo para os políticos", diz Vahwere.

Ele trabalha para o comitê de resgate internacional na cidade de Goma, situada no leste do país. A cidade registrou sua primeira morte relacionada ao ebola há apenas duas semanas. Um segundo caso foi detectado no início desta semana.

"Alguns até chegaram a dizer que o tratamento está, na verdade, matando as pessoas."
Ataques

Segundo Sakuya Oka, gerente de comunicações da OMS, a entidade documentou 198 ataques a instalações de saúde e profissionais de 1º de janeiro a 24 de julho de 2019, com 7 mortos e 58 feridos.


Direito de imagemINSTITUTE OF TROPICAL MEDICINEImage captionRichard Mouzoko (dir.) foi morto durante um ataque ao Hospital Universitário Butembo

A lista de mortos inclui o epidemiologista sênior da OMS, Richard Mouzoko. Ele foi morto durante um ataque ao Hospital Universitário Butembo em 19 de abril. Duas outras pessoas ficaram feridas nesse ataque.

Em maio, moradores do leste da República Democrática do Congo mataram um profissional da saúde e saquearam um centro de tratamento.

Em 15 de julho, dois trabalhadores envolvidos na campanha de prevenção ao ebola foram assassinados dentro de casa na província de Kivu do Norte.
Epidemia

O volume e a letalidade dos ataques estão comprometendo a resposta ao surto, que tem se acelerado: foram necessários 224 dias para que o número de casos chegasse a mil, mas apenas 71 dias para que atingisse 2 mil.

"Após cada interrupção nas atividades, há um aumento nas infecções", diz Amy Daffe, diretora-adjunta do Mercy Corps na República Democrática do Congo.

O ebola é transmitido através de fluidos corporais de uma pessoa infectada, como sangue - ou objetos como cobertores e roupas contaminados com esses fluidos. Não há cura, mas o tratamento precoce de sintomas específicos, bem como o uso de terapia de reidratação oral e intravenosa, podem aumentar as chances de sobrevivência.
Vacinação

Uma vacina recentemente desenvolvida está sendo dada à população da República Democrática do Congo para ajudar a prevenir a propagação da doença.

Cerca de 170 mil pessoas em contato próximo com pacientes infectados receberam a medicação preventiva.

Mas os ataques provocam interrupções na campanha de imunização, o que permite que a doença se espalhe ainda mais.
Conflitos armados

O governo local atribui os ataques às dezenas de grupos rebeldes que atuam na região em que o surto está acontecendo.

"A tragédia é que temos os meios técnicos para frear o ebola, mas, até que todas as partes (em conflito) parem de atacar as equipes de saúde, será muito difícil acabar com este surto", tuitou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em 10 de maio, após uma série de ações contra os profissionais.

Em Kivu do Norte, um grupo miliciano chamado Mai-Mai foi responsabilizado pelas autoridades locais por alguns dos ataques contra centros de saúde e profissionais.


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionDevido aos ataques, alguns profissionais de saúde tinham medo de serem vistos usando suas roupas de proteção

Outro grupo paramilitar, as Forças Aliadas de Defesa (rebeldes ugandenses que operam dentro da República Democrática do Congo) também foram acusados ​​de causar perturbações generalizadas nas unidades médicas.

"O desafio de segurança é duplo: grupos armados que estão presentes na região há décadas e a hostilidade da comunidade. Nossa equipe tem que tomar decisões minuto a minuto sobre quando e onde é seguro operar para fornecer serviços essenciais", diz Amy Daffe.

Em um incidente em maio, membros de uma família agrediram profissionais de saúde que estavam supervisionando o enterro de seus parentes.


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionSoldados foram destacados em algumas áreas para proteger trabalhadores de saúde e instalações
Proteção militar

Para tranquilizar os profissionais de saúde, o governo está fornecendo segurança adicional. Homens armados agora guardam alguns dos centros de tratamento.

"Algumas das clínicas têm proteção armada. Isso não é bom. Precisamos ganhar a confiança das pessoas", diz Vahwere.

Para ele, entretanto, o medo está diminuindo. "Alguns meses atrás, alguns funcionários estavam com muito medo de andar com suas roupas de proteção (e serem identificados como profissionais de saúde)", diz.
Sarampo

Para Kate White, enfermeira que faz parte da equipe de resposta a emergências da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), "a falta de confiança das comunidades vem de mais de 20 anos de conflito militar ativo no leste do país, onde o alcance do sistema geral de saúde diminuiu e as populações em muitas áreas foram esquecidas."


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionPopulação e visitantes agora precisam desinfetar as mãos com cloro antes de entrar em algumas áreas da cidade de Goma

Além disso, "o fato de o ebola receber tanta atenção enquanto cólera, sarampo e malária também matam muitas pessoas contribui para a percepção de que há alguma outra razão subjacente para a resposta", diz ela.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), "pelo menos 1.981 mortes devido ao sarampo foram reportadas na RDC neste ano, mais de dois terços delas de crianças com menos de cinco anos. Até 23 de junho, foram quase 115 mil casos suspeitos registrados, praticamente o dobro dos 65 mil observados em todo o ano de 2018."

Embora o sarampo tenha matado mais que o ebola, ele vinha recebendo pouca atenção. Agora, a ONU está conduzindo uma campanha de vacinação em massa contra a doença na área afetada pelo ebola na província de Kivu do Norte.
Engajamento da comunidade

Os profissionais de saúde estão trabalhando com os líderes da comunidade local para reduzir o "déficit de confiança".


Direito de imagemOMSImage captionPopulações que vivem em zonas remotas estão sendo alcançadas via rádio comunitária, mobilizadores sociais e redes comunitárias

"Precisamos ouvir as preocupações da população com a mesma atenção com a qual queremos ser ouvidos. A resposta médica precisa mudar para se adequar ao feedback que as comunidades nos dão e atender suas outras necessidades de saúde", diz White.

Ela diz que a batalha por "corações e mentes" pode ser vencida.

"A confiança não é obtida ao entrar em uma comunidade uma vez e falar sobre o que é o ebola e como ele é transmitido. É necessário construir relacionamentos ao longo do tempo", diz.

É isso que o agente de saúde Charles Lwanga-Kikwaya está tentando fazer. Sua equipe foi atacada no dia de Ano-Novo em um posto de vacinação.


Direito de imagemOMSImage captionCharles Lwanga-Kikwaya está determinado a lutar contra o ebola até que esteja erradicado

Depois de passar seis dias no hospital, ele recebeu alta. Agora, após alguns meses, está de volta ao trabalho.

"Devo continuar lutando até que a epidemia termine. Não posso deixar meus amigos, meus irmãos e irmãs, morrerem da doença quando eu tenho o conhecimento para freá-la."




Autor: Swaminathan Natarajan
Fonte: Serviço Mundial da BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 03/08/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49221680

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Dikembe Mutombo Ebola PSA

Dikembe Mutombo, que é congolês e estrela esportiva aposentada internacionalmente famosa e filantropo, trabalhou com o CDC para filmar um anúncio de serviço público (PSA) para o Ebola para ajudar a se comunicar com o povo congolês.


Autor: CDC
Fonte: CDC
Sítio Online da Publicação: CDC
Data: 20/06/2019
Publicação Original: https://www.cdc.gov/vhf/ebola/outbreaks/drc/Dikembe-Mutombo-Ebola-PSA.html

terça-feira, 11 de junho de 2019

Por que a OMS diz que grandes surtos de ebola são o 'novo normal'


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionFamiliares colocam plantas sobre o túmulo de um parente que morreu vítima de ebola em Butembo, no Congo

O mundo está entrando em "uma nova fase", em que grandes surtos de doenças mortais como ebola são o "novo normal", adverte a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Historicamente, as ocorrências de ebola afetaram um número relativamente pequeno de pessoas.

Mas, agora, a República Democrática do Congo está enfrentando o segundo maior surto da doença de que se tem notícia, apenas três anos após o maior surto mundial ter terminado.

E a OMS afirma que os países precisam se preparar para novas epidemias mortais.

Já foram registrados 2.025 casos de ebola e 1.357 mortes em decorrência do vírus no atual surto na República Democrática do Congo.

Há pouco tempo atrás, o maior surto de que se tem notícia, que aconteceu na África Ocidental de 2014 a 2016, atingiu 28.616 pessoas, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa. Foram contabilizadas 11.310 mortes.

Em comparação, os 12 surtos registrados entre 2000 e 2010 resultaram em menos de 100 casos em média.

Mas por que os surtos mais recentes são muito maiores?

"Estamos entrando em uma fase muito nova de epidemias de alto impacto, e não apenas de ebola", diz Michael Ryan, diretor-executivo do programa de emergências em saúde da OMS.

Segundo ele, o mundo está "vendo uma convergência de riscos muito preocupante", que faz aumentar a ameaça de doenças como ebola, cólera e febre amarela.

Ele afirma que a mudança climática, a exploração de florestas tropicais, a mobilidade populacional, a fragilidade dos governos e os conflitos estão tornando os surtos cada vez mais prováveis ​​de ocorrer e mais propensos a aumentar de tamanho.


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionSoldados das forças armadas do Congo se preparam para escoltar profissionais de saúde
O que é o ebola?

- O ebola é um vírus que inicialmente causa febre súbita, fraqueza intensa, dor muscular e dor de garganta.

- Os sintomas evoluem para vômito e diarreia, além de hemorragia interna e externa.

- As pessoas são infectadas quando têm contato direto com sangue, vômito, fezes ou fluidos corporais de alguém com ebola.

- Os pacientes costumam morrer de desidratação e falência múltipla de órgãos.
Aprender a lidar

De acordo com Ryan, a OMS está monitorando 160 manifestações de doenças em todo o mundo, sendo que nove eram emergências de terceiro grau (o nível de emergência mais alto da OMS).

"Acho que nunca estivemos em uma situação em que respondemos a tantas emergências ao mesmo tempo. Este é o novo normal, e não acredito que a frequência desses eventos será reduzida."

Como resultado, ele argumenta que os países e outros órgãos precisavam "se familiarizar com a prontidão e estar preparados para essas epidemias".

O surto na República Democrática do Congo continua preocupando as autoridades de saúde.

Demorou 224 dias para o número de casos chegar a 1 mil, mas apenas 71 dias para chegar a 2 mil.

O combate à doença foi dificultado pelos constantes conflitos na região - entre janeiro e maio, houve mais de 40 ataques a instalações de saúde.

Outro problema é a desconfiança em relação aos profissionais de saúde, que leva algumas pessoas a evitar a busca de tratamento, aumentando o risco de espalhar a doença para parentes e vizinhos.

Josie Golding, líder de combate a epidemias na fundação Wellcome Trust, diz que o mundo precisa se preparar melhor para surtos como esse.

"No caso do ebola na África Ocidental, (a propagação da doença foi facilitada pela) mobilidade da população e as fronteiras porosas - que não vai mudar, é agora o mundo em que vivemos", avalia.

Segundo ela, a mudança climática poderia levar a mais surtos, como o de cólera registrado em Moçambique após a passagem do ciclone Idai, em março deste ano. Mas ela espera que doenças resultantes de crises humanitárias não sejam um "novo normal".

"A preparação precisa ser melhor; podemos ver os movimentos demográficos e a mudança climática, e precisamos de mais recursos para planejar e nos preparar."




Autor: James Gallagher
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 07/06/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-48553617

quarta-feira, 27 de março de 2019

Rep. Democrática do Congo tem segundo pior surto de Ebola da história



Funcionários de saúde pulverizam uma sala durante o funeral de Kavugho Cindi Dorcas, suspeito de morrer de Ebola em Beni, na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo — Foto: Goran Tomasevic/Reuters



A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo já ultrapassou mil casos, disse o Ministério da Saúde na segunda-feira (25), com 629 mortos no segundo pior surto da história.


O ebola é uma febre hemorrágica, que causa vômitos, diarreia e sangramento, e mata mais da metade dos que ela infecta.


Os profissionais de saúde estão mais bem preparados do que nunca para esta epidemia mais recente. Novas tecnologias, como uma vacina experimental, tratamentos experimentais e unidades móveis futuristas em forma de cubo para o tratamento de pacientes, ajudaram a conter a disseminação do vírus.


Mas a desconfiança pública e a insegurança desenfreada nas regiões do leste da República Democrática do Congo, onde o Ebola atingiu a região, dificultaram a resposta, e consequentemente o combate à doença.


Cinco centros de Ebola foram atacados desde o mês de fevereiro, às vezes por agressores armados. A violência levou a organização médica francesa Médicos Sem Fronteiras (MSF) a suspender suas atividades no epicentro do surto.


Como resultado, agora é o surto é segundo mais mortal da história, atrás do surto de 2013-16 na África Ocidental, que acredita-se ter matado mais de 11.000 pessoas.


"O total agora é de 1.009 casos", disse o ministério em um comunicado, mas acrescentou: "a resposta, liderada pelo Ministério da Saúde em colaboração com seus parceiros, limitou a expansão geográfica".


Quarta-feira passada, as autoridades confirmaram um caso de Ebola em Bunia, outra cidade de quase 1 milhão de pessoas.


O International Rescue Committee (IRC), um grupo de ajuda humanitária, alertou que o número de casos estava aumentando e que o surto poderia durar mais seis a 12 meses em uma região assolada pela violência e pela pobreza.



Unidade do Médicos Sem Fronteira queimada após ataque na República Democrática do Congo — Foto: Laurie Bonnaud/MSF/Handout via REUTERS




Autor: Por Reuters
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 25/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/03/25/rep-democratica-do-congo-tem-segundo-pior-surto-de-ebola-da-historia.ghtml

terça-feira, 12 de março de 2019

Ebola no Congo: uma rápida revisão e o cenário atual




O Ebola é um filovírus causador de doenças negligenciadas, relacionadas à febre hemorrágica, disfunção de múltiplos órgãos e altas taxas de mortalidade (70%, de acordo com a OMS) e que ocorrem principalmente no continente africano.

O diagnóstico pode ser realizado por ensaio imunoenzimático, PCR ou microscopia eletrônica. O tratamento é de suporte, embora existam drogas experimentais e que são utilizadas atualmente. É recomendado isolamento rigoroso.

O contágio está relacionado ao contato com secreções e, embora não possua alta infectividade, pode estar relacionada a epidemias, sobretudo em locais em que culturalmente haja um maior contato com os mortos, em rituais de despedida. As mulheres são mais afetadas, pois tradicionalmente têm um mais contato com os mortos e também com os doentes.

Até 26 de fevereiro de 2019 foram 879 casos da doença (814 confirmados e 65 prováveis), incluindo 553 mortes (taxa de letalidade 63%), sendo 57% dos casos em mulheres e 30% em menores de 18 anos. Os casos foram relatados em sete zonas de saúde na província de Kivu do Norte (Beni, Butembo, Kalunguta, Mabalako Masereka, Musienene e Oicha) e a Zona de Saúde Mandima na Província de Ituri.

Há uma vacina, porém tal profilaxia é muito prejudicada devido às condições locais, inclusive pela violência atrelada a conflitos de milícias. De acordo com a OMS, a imunização foi utilizada em pesquisas envolvendo mais de 16 mil voluntários na África, Europa e nos Estados Unidos, e se mostrou segura, apresentando resultados muito eficazes na proteção contra a doença.

Nenhum caso da doença foi registrado entre as cerca de seis mil pessoas que receberam o imunizante na Guiné em 2016, contra os 23 casos em pessoas não vacinadas. A vacina, rVSV-ZEBOV, tem eficácia de 100% nos dez dias posteriores à administração de uma dose por injeção intramuscular em uma pessoa não infectada, mas em contato com doentes.

Três tratamentos experimentais também estão sendo usados: mAb114 (13 pessoas), Remdesivir (7 pessoas) e Zmapp (4 pessoas). Vinte e quatro pessoas haviam recebido o tratamento, até dia 04 de setembro de 2018.



Autor: Diego Blanco
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 12/03/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/ebola-no-congo-uma-rapida-revisao-e-o-cenario-atual/

terça-feira, 15 de maio de 2018

Por que o Ebola continua voltando



Surtos de ebola aterrorizaram países como a Libéria (Foto: AFP)

O vírus ebola apareceu de novo, desta vez na República Democrática do Congo. Ainda que seja impossível prever exatamente onde e quando ocorrerá o próximo surto, sabemos atualmente muito mais sobre como prevenir uma crise.

As notícias sobre um novo surto na cidade de Bikoro, no noroeste da República Democrática do Congo, traz à mente o horror da epidemia que custou 11 mil vidas e afetou 22 mil pessoas na África Ocidental entre 2014 e 2016. Foi um pesadelo que ninguém quer reviver.

Desde 4 de abril, houve mais de 30 possíveis casos registrados na República Democrática do Congo, com 18 mortes, ainda que só dois incidentes tenham sido confirmados como ebola.

Então, por que esse vírus continua voltando a atacar e o que está sendo feito para prevenir que se repita a tragédia de alguns anos atrás?


Fora de controle


O ebola pode se espalhar rapidamente, pelo mero contato com pequenas quantidades de fluido corporal de uma pessoa infectada. Seus sintomas iniciais semelhantes ao da gripe, como febre, fraqueza e dores musculares, além de dores de cabeça e garganta, nem sempre são óbvios.

Seu surgimento em Bikoro, cujo mercado atrai gente de cidades e povoados na região, e é ligada a outras partes do país por grandes rios, além de ficar próxima da fronteira, é motivo de preocupação. É uma área de grande movimentação de pessoas e comércio, um lugar ideal para que a doença se espalhe.

A epidemia de 2014-2016 começou em um pequeno vilarejo na fronteira da Guiné. Sua primeira vítima foi um menino de 2 anos que morreu em dezembro em 2013. A doença se espalhou rapidamente pelo país e os vizinhos Serra Leoa e Libéria, saindo do controle ao chegar aos centros urbanos.

A República Democrática do Congo fica a milhares de quilômetros dos países da África Ocidental devastados por aquela epidemia. Mas seu reaparecimento em um local tão distante não é uma surpresa por si só.

O vírus do ebola esteve por trás de dois surtos simultâneos em 1976 - 151 pessoas morreram na região de Nzara, no Sudão do Sul, e 280 na região de Yambuku, na República Democrática do Congo, próximo do rio Ebola, do qual o vírus pegou seu nome.

O surto mais recente é o nono já ocorrido na República Democrática do Congo, onde foram registrados os três surtos que ocorreram desde a crise de 2014-2016.

No total, já foram registrados 24 surtos - fora a epidemia de 2014-2016 - na África Central e Ocidental, além de Uganda e Sudão. O número de mortes variou entre 1 e 280.

Ainda que seja possível identificar as áreas de risco, não é realista esperar que possamos erradicar a doença algum dia, e é impossível saber onde e quando o próximo surto ocorrerá.

Morcegos que se alimentam de frutas estão entre os principais hospedeiros do vírus, mas ele também chega a populações humanas pelo contato com sangue, órgãos e outros fluidos corporais de animais infectados, como gorilas, chimpanzés, antílopes e porcos-espinhos.

A doença é considerada endêmica desta região do planeta, e não é possível erradicar todos os animais que podem ser hospedeiros do ebola. Enquanto seres humanos puderem entrar em contato com esses animais em seus habitats, sempre haverá a possibilidade de o ebola retornar.



Agentes de saúde trabalham para o controle do ebola no Congo; novos casos preocupam OMS (Foto: Media Coulibaly/Reuters)


Em busca do 'paciente zero'


Podemos, no entanto, conter surtos antes que eles se tornem epidemias e, assim, proteger as pessoas. Uma resposta rápida e bem coordenada pode garantir que a doença seja contida logo no início - para que um mínimo possível de pessoas contraia a doença.

Um surto na República Democrática do Congo há quase um ano, por exemplo, foi contido rapidamente em uma área bem remota no norte do país, que fica mais distante das fronteiras e, portanto, com um risco mais baixo do que o surto atual.

Uma resposta imediata foi muito importante para que o impacto fosse limitado a quatro mortes, enquanto outras quatro pessoas sobreviveram.

Equipes de emergência e cientistas da República Democrática do Congo, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de agências de ajuda humanitária estão agora na área do surto atual. Estabelecer a cepa do vírus em ação e rastrear todas as possíveis transmissões ocorridas é sua prioridade, além de identificar o "paciente zero" o mais rápido possível.

Pacientes suspeitos e as pessoas com quem eles tiveram contato receberão os cuidados necessários. Procedimentos de higiene rigorosos serão primordiais, inclusive o uso de proteção no rosto, roupas e luvas especiais para bloquear o contato com fluidos corporais e com outros materiais infectados.

A comunicação com todos aqueles que estiverem sob risco de contaminação será vital, e as equipes de saúde em ação serão essenciais para garantir que todos vivendo em determinada localidade recebam as informações necessárias. Amostras de sangue dos pacientes do surto atual foram enviadas ao laboratório nacional do país em Kinshasa para exames.



Ebola: entenda a doença (Foto: Betta Jaworski/G1)


Estoques de vacina


Há cinco cepas do vírus ebola já identificadas, sendo a mais mortal a cepa Zaire. Foi a que gerou o surto anterior a esse - e para a qual há uma vacina disponível para uso emergencial.

Em dezembro de 2016, os resultados finais dos testes dessa vacina, financiados pelo Wellcome Trust, uma fundação de caridade dedicada ao setor de saúde, e os governos britânico e norueguês, confirmaram que ela fornece um alto grau de proteção.

Ela foi desenvolvida rapidamente durante a epidemia de 2014-16, mas ficou pronta tarde demais para ter um impacto significativo na época. Ainda não foi completamente autorizada para uso, mas, graças a esforços globais, foi provado que é segura para uso humano, e 300 mil doses estão estocadas. Elas serão oferecidas gratuitamente aos pacientes e podem chegar à região em três ou quatro dias.

As regras da OMS recomendam que, caso ocorra um surto de ebola antes da licença final ser conferida, a vacina deve ser dada a todos os pacientes suspeitos, pessoas que tiveram contato com eles e profissionais de saúde em risco. A decisão de distribuir essa vacina deve ser tomada pelo Ministério da Saúde da República Democrática do Congo.

A resposta do país em surtos recentes demonstrou que ele está bem preparado. Mas nenhuma nação é capaz de lidar com isso sozinha, nem se deveria esperar isso. Um apoio global e uma resposta o mais cedo e bem coordenada possível é essencial para garantir que o surto seja contido de forma eficaz.

Esse surto atual será um desafio para as equipes locais, mas também uma oportunidade para que a comunidade global prove que aprendeu as lições deixadas pela epidemia na África Ocidental. Não podemos esperar que o ebola simplesmente desapareça, mas podemos esperar que estejamos preparados para tentar contê-lo antes que cause estragos.

*Essa análise foi encomendada pela BBC a um especialista de uma organização externa; Charlie Weller é chefe de vacinas do Wellcome Trust, que anunciou um aporte de 2 milhões de libras (R$ 9,8 milhões) em ações de resposta rápida à epidemia de ebola; Texto editado por Duncan Walker.


Autor: BBC
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data de Publicação: 15/05/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/por-que-o-ebola-continua-voltando.ghtml

sexta-feira, 11 de maio de 2018

OMS diz que se prepara para o 'pior cenário possível' após casos de ebola no Congo




Agentes de saúde trabalham para o controle do ebola no Congo; novos casos preocupam OMS (Foto: Media Coulibaly/Reuters)


Após declarar fim do surto de ebola em julho de 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (11) em entrevista coletiva que o risco de propagação do vírus na República Democrática do Congo (RDC) é elevado e que se prepara paro "o pior cenário possível". A informação é da agência France Presse.


"Estamos muito preocupados e nos preparamos para todos os cenários, incluindo o pior cenário possível", declarou o diretor do programa de resposta de emergências da OMS, Peter Salama, em uma entrevista coletiva em Genebra.


A OMS registrou 32 casos ebola, incluindo 18 mortes, no país entre 4 de abril e 9 de maio. O último surto de ebola foi em 2017 e deixou quatro mortos. Há algum tempo, no entanto, a África vem sofrendo com o avanço do vírus.


A epidemia mais importante ocorreu no oeste da África entre 2013 e 2016 e deixou 11,3 mil mortos de um total de 29 mil casos, em sua grande maioria na Guiné, Libéria e Serra Leoa.



Ebola: entenda a doença (Foto: Betta Jaworski/G1)


Ebola é transmitido por líquidos corporais


A febre hemorrágica do ebola, que apareceu pela primeira vez em 1976 no que então era Zaire (agora RDC), procede de um vírus que se transmite por contato físico com os líquidos corporais infectados.


O consumo de carne de animais silvestres também é um fator de contágio. A epidemia mais importante ocorreu no oeste da África entre 2013 e 2016 e deixou 11,3 mil mortos de um total de 29 mil casos, em sua grande maioria na Guiné, Libéria e Serra Leoa.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 11/05/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/oms-diz-que-se-prepara-para-o-pior-cenario-possivel-apos-casos-de-ebola-no-congo.ghtml

quarta-feira, 9 de maio de 2018

República Democrática do Congo declara nova epidemia do ebola e confirma 17 mortes




Pessoas passam por outdoor com alerta sobre o ebola na cidade de Freetown, em Serra Leoa (Foto: AP Photo/Aurelie Marrier d'Unienville)

A República Democrática do Congo "enfrenta uma nova epidemia de ebola", que já matou 17 pessoas na província de Equateur, no noroeste do país, informou nesta terça-feira (8) o Ministério da Saúde.

"Vinte e um casos de febre com sinais hemorrágicos e 17 mortes", uma taxa de letalidade de 80%, foram notificados ao Ministério da Saúde em 3 de maio, indicou o comunicado, referindo-se a "uma emergência de saúde pública internacional".

"O plano de resposta adotado pelo Ministério da Saúde foi aprovado pelo governo", indicou um relatório do Conselho de Ministros.

"Desde a notificação dos casos em 3 de maio, nenhuma nova morte foi relatada", aponta o comunicado do ministério, sem especificar a data de início da epidemia.

Uma equipe do Ministério da Saúde, apoiada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelos Médicos Sem Fronteiras, visitou a cidade de Bikoro, epicentro da epidemia.

"Nossa maior prioridade é ir a Bikoro para trabalhar com o governo da República Democrática do Congo e parceiros para reduzir a perda de vidas e sofrimento associados a este novo surto de ebola", indicou o Dr. Peter Salama, diretor-geral adjunto da OMS em um comunicado.

A epidemia na República Democrática do Congo é o nono surto de Ebola no país desde a descoberta deste vírus em seu solo, em 1976.

A doença foi detectada em uma área de floresta equatorial, na fronteira com o Congo-Brazzaville, e localizada a cerca de 600 km a noroeste de Kinshasa.

"Cinco amostras de casos suspeitos foram enviados para análise no Instituto Nacional de Pesquisas Biológicas (INRB) de Kinshasa em 6 de maio. Dois deram positivos", afirmou o ministério em seu comunicado.

A última epidemia de ebola na República Democrática do Congoremonta a 2017. Rapidamente controlada, matou oficialmente quatro pessoas.

Uma terrível epidemia atingiu a África Ocidental entre o final de 2013 e 2016, causando mais de 11,3 mil mortes em cerca de 29 mil casos, mais de 99% na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 08/05/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/ebola/noticia/republica-democratica-do-congo-declara-nova-epidemia-por-ebola-e-confirma-17-mortos.ghtml

Entenda o ebola, vírus de nova epidemia na República Democrática do Congo




Imagem do vírus ebola observado em um microscópio eletrônico (Foto: Frederick Murphy/CDC via AP)

O Ministério da Saúde da República Democrática do Congo anunciou nesta terça-feira (8) uma nova epidemia da doença. Foram 21 casos de febre hemorrágica e 17 mortes. Oficialmente, a doença já havia atingido quatro pessoas em 2017.



Ebola: entenda a doença (Foto: Betta Jaworski/G1)

O que é o ebola?


Causador da febre hemorrágica, o vírus é um dos mais mortais que existem. Ele mata até 90% dos infectados e ainda não há vacina nem medicamento disponível para uso na população.


Qual é o período de incubação? E quais os sintomas?


Após um período de incubação, que pode demorar até 3 semanas, os sintomas começam: febre, dores pelo corpo, cansaço, fraqueza, dores de cabeça e de garganta, diarreia e vômitos. O quadro em geral se agrava com a ocorrência de hemorragias, que levam à falência orgânica e morte. Isso tudo em alguns dias.


Há grupos de risco? Como é o contagio?


Este vírus mortal pode acometer qualquer pessoa. Não há grupos de risco. A contaminação se dá pelo contato direto com sangue, saliva ou secreções de quem estiver contaminado. Por isso, médicos e profissionais de saúde devem tomar muito cuidado, pois ficam altamente expostos à infecção.


Quando ele foi detectado no mundo?


Ele foi registrado nos primeiros seres humanos em 1976, em Yambuku, uma aldeia na República Democrática do Congo, às margens do Rio Ebola. Desde então, mais de 20 surtos da doenças ocorreram em países da África Central e Ocidental.


O Brasil já teve algum caso de ebola?


Não. Existe o registro de um caso suspeito em novembro de 2015, mas exames descartaram a possibilidade de o paciente ter a doença.


Tem tratamento? Tem vacina?


Não há um tratamento específico. Um medicamento já foi experimentalmente utilizado, mas ainda sem comprovação científica confirmada. E também não há vacina.


Por isso, autoridades mundiais tomam todas as medidas sanitárias apropriadas para tentar isolar o trânsito de pessoas em regiões onde há epidemia do vírus.


Posso viajar para a República Democrática do Congo?


O Itamaraty recomenda que sejam evitadas viagens não-essenciais ao país. Essa recomendação leva em consideração o contexto de infraestrutura, segurança e saúde, devido às doenças.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 08/05/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/ebola/noticia/entenda-o-ebola-virus-de-nova-epidemia-na-republica-democratica-do-congo.ghtml