segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Albumina na cirrose hepática: usos além da função de coloide

 A albumina é uma solução comumente usada no cuidado de pacientes cirróticos. Há muitos anos, existem evidências que mostram seus efeitos na otimização da volemia, prevenção de distúrbios hemodinâmicos após paracentese, e no tratamento da síndrome hepatorrenal. Apesar de conhecermos a albumina como um coloide, pesquisas mais recentes vêm descobrindo que ela é mais importante do que se imaginava.


Outras ações da albumina

Além do efeito osmótico, a albumina desempenha outras funções no sangue que nem sempre são levadas em consideração. A proteína funciona como carreadora para várias outras moléculas, em especial alguns hormônios, alterando sua biodisponibilidade e modulando funções orgânicas e processos metabólicos. Algumas espécies reativas de oxigênio também passam por esse processo, assim como mediadores inflamatórios como interleucinas e prostaglandinas. Outras evidências apontam ainda para interações albumina-endotélio que podem regular o tônus e a permeabilidade vasculares, explicando shunts e outros efeitos hemodinâmicos da cirrose descompensada.


A deficiência quantitativa ou qualitativa da albumina está envolvida no extravasamento de líquido para o interstício por falta de pressão oncótica sanguínea. Além disso, também interfere no estado pró-inflamatório e pró-oxidante inerente da insuficiência hepática, pelo desbalanço do fluxo sanguíneo entre diferentes órgãos, e pela disfunção da imunidade. A imunossupressão em pacientes cirróticos implica em propensão a infecções e translocações bacterianas do trato gastrointestinal, além de desregulação metabólica global (inclusive com falência energética celular a nível mitocondrial). Essas consequências, por sua vez, esclarecem por que a cirrose frequentemente evolui com outras falências orgânicas, especialmente nos casos de agudização (acute-on-chronic liver failure).

Quantidade versus qualidade da albumina

A importância da albumina na cirrose não envolve apenas déficit em sua quantidade. Além da baixa produção da proteína pelo fígado cirrótico, as moléculas produzidas também costumam ser defeituosas, o que compromete seus efeitos osmóticos e pleiotrópicos. Logo, a quantidade de albumina funcionante na circulação é ainda menor que a medida em exames laboratoriais. Isso é observado mesmo em casos iniciais, em que a dosagem total da albumina ainda não está baixa, mas os defeitos de produção já ocorrem.

Pensando nisso, algumas pesquisas têm sido realizadas para descobrir se a administração de albumina pode ser benéfica a curto e longo prazo para os pacientes cirróticos. Em uma revisão sistemática publicada em 2020 no periódico BMJ (British Medical Journal), foram avaliadas várias pesquisas no assunto, com diferentes protocolos de administração da droga. A maioria envolveu cálculos de dose pelo peso do paciente, administrados ao longo de algumas semanas, com avaliação posterior quanto à incidência de complicações da cirrose e desfecho global.

O que a maioria descobriu foi que a administração regular de albumina, mesmo fora do contexto de uma descompensação, reduziu significantemente a ocorrência de outras disfunções orgânicas e complicações. Além disso, foi demonstrada redução na incidência de descompensação da cirrose e taxas de hospitalização. De acordo com esses achados, a mortalidade dos pacientes que receberam as doses de albumina também foi significativamente menor que a dos pacientes no grupo controle.

A heterogeneidade atrapalha as pesquisas

O maior problema na literatura atual é que, considerando o interesse relativamente recente pelo uso ampliado da albumina, os estudos têm desenhos muito diferentes que dificultam uma conclusão sobre dose e tempo de uso, por exemplo. Algumas pesquisas envolveram o uso de 1,5 g/Kg de albumina, enquanto outras usaram 1 g/kg. Algumas estudaram a administração em dias alternados ao longo de semanas a meses, enquanto outras avaliaram a administração diária por períodos mais curtos de tempo. Algumas estudaram a administração contínua da medicação, enquanto outras tentaram fracionar a administração com intervalos de meses ou semanas entre os ciclos.

Além disso, o principal problema com a administração regular do medicamento é a sua disponibilidade. A fabricação e aquisição da albumina é muito cara, o que inviabiliza tais medidas até o desenvolvimento de alternativas mais econômicas, em termos de saúde pública.

Conclusão

A albumina vem sendo cada vez mais indicada na vigência de descompensação da cirrose, mesmo fora de contextos como lesão renal por hipovolemia, drenagem de ascite volumosa, ou outros distúrbios de volemia. Apesar dos desafios apresentados, essas pesquisas apontam para novas possibilidades no manejo e prevenção de desfechos negativos em pacientes cirróticos. Ainda são necessárias novas pesquisas quanto a alternativas para produção da albumina a custos viáveis para utilização em larga escala, além da determinação de sua melhor dose e tempo de uso....





Autor: Carlos Henrique de Sousa Ribeiro da Silva
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 06/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/albumina-na-cirrose-hepatica-usos-alem-da-funcao-de-coloide/

Monitorização de longo prazo para FA subclínica após AVCi

Todos os pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) devem ser monitorizados para eventos cardíaco por pelo menos as primeiras 24 horas após o início do quadro cerebral para procurar fibrilação atrial (FA) subclínica. Além disso, alguns autores sugerem a monitorização cardíaca ambulatorial por várias semanas (por exemplo, 30 dias) para pacientes com AVCi criptogênico ou ataque isquêmico transitório (AIT). Esses pacientes são caracterizados por isquemia cerebral não atribuível a uma fonte definida de cardioembolismo ou aterosclerose, apesar da extensa avaliação vascular e cardíaca, incluindo nenhuma evidência de FA no eletrocardiograma padrão de 12 derivações (ECG) e no monitor de eventos cardíaco de 24 horas.

A monitorização prolongada de eventos cardíacos aumenta a detecção de FA subclínica em pacientes com AIT ou AVCi agudo que apresentam ritmo sinusal. Em contraste, a FA subclínica, se transitória, infrequente e em grande parte assintomática, pode não ser detectada no na monitorização padrão, como Holter de 24 ou 48 horas. Esta questão é discutida em ensaios de pacientes sem um mecanismo identificado para acidente vascular cerebral ou AIT:

No estudo CRYSTAL AF, 441 pacientes com acidente vascular cerebral criptogênico e nenhuma evidência de FA durante pelo menos 24 horas de monitorização com ECG foram aleatoriamente designados para monitorização ambulatorial prolongada com um monitor cardíaco subcutâneo ou a um grupo controle com acompanhamento convencional. Após seis meses, a detecção de FA foi significativamente maior no grupo com monitorização prolongada (8,9%, contra 1,4 por cento no grupo controle, razão de risco [FC] 6,4, IC 95% 1,9-21,7).

No ensaio EMBRACE, 572 pacientes que tiveram um AVCi criptogênico ou AIT (sem FA após monitorização cardíaca de 24 horas) nos últimos seis meses foram aleatoriamente designados para uma monitorização ambulatorial adicional com um “external loop recorder” de 30 dias (grupo de intervenção) ou um monitor Holter de 24 horas (grupo controle). Ao final do estudo, a taxa de detecção de FA foi significativamente maior no grupo intervenção (16,1%, versus 3,2% no grupo controle, IC 95% 8,0-17,6).

O ensaio PER DIEM randomizou 300 pacientes dentro de seis meses após o AVCi e nenhuma FA conhecida (66%). Um grupo com com um monitor cardíaco subcutâneo (colocado por um ano) e outro com “external loop recorder” (usado por quatro semanas). Após 12 meses, a detecção de nova FA com duração superior a dois minutos foi observada em um número maior de pacientes no grupo monitor cardíaco subcutâneo em comparação com o grupo “external loop recorder” (15,3 versus 4,7%, diferença absoluta 10,7%, IC 95% 4,0-17,3%).

Toda essa monitorização pode então reduzir o risco de AVCi recorrente, levando ao uso adequado de anticoagulação a longo prazo? Faltam evidências rigorosas de que a anticoagulação da FA subclínica melhora os resultados para pacientes inicialmente diagnosticados com AVCi criptogênico. Além disso, a duração mínima de tempo (em minutos) dos episódios de FA que aumenta o risco de formação de trombo nos átrios e, assim, aumenta o risco de AVCi cardioembólico não foi firmemente estabelecida.


Embora faltem evidências, alguns autores sugerem terapia anticoagulante para pacientes com diagnóstico inicial de AVCi criptogênico que apresentam FA de qualquer duração detectada no monitoramento de longo prazo.




Autor: Felipe Resende Nobrega
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 06/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/monitorizacao-de-longo-prazo-para-fa-subclinica-apos-avci/


Uso da ventilação não invasiva no tratamento da bronquiolite: existe melhora do prognóstico?

A bronquiolite é uma das principais doenças na pediatria, acometendo geralmente crianças abaixo de dois anos de idade e sendo uma das maiores causas de hospitalização na faixa etária pediátrica. Na maioria dos indivíduos, se caracteriza como uma doença leve e autolimitada, mas em algumas crianças pode evoluir como uma doença grave, que pode levar à insuficiência respiratória ou mesmo ao óbito.

Apesar do potencial de gravidade do quadro, o tratamento da bronquiolite é basicamente de suporte. Hidratação, lavagem das narinas com soro fisiológico e uso de oxigenioterapia para manter a saturação de oxigênio acima de 90% são partes importantes do tratamento. O uso de medicamentos, como corticoides ou broncodilatadores, não são indicados de rotina, uma vez que não apresentam evidências científicas de benefício para esses pacientes. O palivizumabe, um anticorpo monoclonal, está indicado em algumas situações específicas, como prematuridade e doenças cardiopulmonares, para prevenção do quadro.

Uma das medidas que pode ser necessária em pacientes com bronquiolite é o suporte ventilatório, especialmente nos pacientes que evoluem com insuficiência respiratória. Com relação a esse suporte ventilatório, o uso da ventilação não invasiva (VNI) tem sido cada vez mais indicado nas Unidades de Terapia Intensiva pediátricas. Apesar disso, não existem evidências científicas de qualidade que suportem o uso da VNI em pacientes com bronquiolite grave. Existem dúvidas a respeito da eficácia da VNI para prevenir a evolução para ventilação invasiva, além da preocupação com os custos relacionados a essa medida e das complicações associadas, como broncoaspiração, barotrauma e instabilidade hemodinâmica.


Novo estudo

Um estudo publicado em dezembro no periódico Critical Care Medicine Journal trouxe mais luzes a essa questão. O estudo, de caráter retrospectivo, analisou dados de internações por bronquiolite de 49 centros pediátricos dos Estados Unidos participantes do banco de dados Pediatric Health Information System (PHIS). Crianças previamente hígidas com menos de 12 meses de idade internadas com diagnóstico de bronquiolite entre janeiro de 2010 e dezembro de 2018 foram incluídas no estudo. Os desfechos primários analisados foram o uso de VNI, de ventilação invasiva e a presença de parada cardiorrespiratória (PCR).

Foram incluídos dados de 147.288 hospitalizações, com média de idade de 4 meses. Desse total, 5,8% receberam tratamento com VNI. Houve um aumento no uso da VNI para o tratamento da bronquiolite de 2,9% para 8,7% ao longo dos anos incluídos no estudo (OR 1,17% por ano; IC 95%: 1,16-1,18, aumento de 306,7%). O uso de ventilação invasiva também aumentou no período: de 2,1% para 4% (OR 1,06; IC 95% 1,05-1,07, aumento de 193,2%), assim como as taxas de parada cardiorrespiratória de 0,18% para 0,35% (OR 1,07; IC 95% 1,03-1,11, aumento de 194,4%).

Os hospitais foram classificados como tendo alta utilização de VNI (utilização em 2,3-14% dos casos) ou baixa utilização de VNI (utilização em 0-0,1% dos casos). Ventilação invasiva após o dia de admissão ocorreu em 5% e 1,8% das crianças em hospitais com alta e baixa utilização de VNI, respectivamente, sem diferença estatisticamente significativa (OR ajustado 1,8, IC 95% 0,7-4,6). PCR após o dia de admissão ocorreu em 0,36% e 0,02% das crianças em hospitais com alta e baixa utilização de VNI, respectivamente, com diferença estatisticamente significativa (OR ajustado 25,4, IC 95% 4,9-131%).

Novas perspectivas para o uso da VNI na bronquiolite

De forma geral, os resultados sugerem o aumento dos índices de utilização de VNI como tratamento para a bronquiolite. Apesar disso, não houve associação do nível de uso hospitalar da VNI com redução de evolução para ventilação mecânica, e houve associação do nível de uso hospitalar da VNI com o aumento dos índices de PCR.

Assim como em outros estudos presentes na literatura, os resultados não sugerem um efeito protetor da VNI no tratamento da bronquiolite com relação a evolução para ventilação invasiva ou para PCR. O uso da VNI em crianças com bronquiolite grave pode atrapalhar a avaliação e a intervenção precoce em pacientes com insuficiência respiratória progressiva, podendo aumentar o risco de PCR. Além disso, a VNI pode ter efeitos negativos na hemodinâmica ou mesmo ser causa de complicações, como pneumotórax, que podem predispor a PCR.

A natureza administrativa dos dados atrapalha algumas avaliações, como por exemplo, se a diferença estatística encontrada na evolução para ventilação invasiva ou PCR se deve à diferença da gravidade entre os pacientes, o que não pode ser avaliado adequadamente. Sendo assim, o presente estudo não pode ser utilizado para estabelecimento de protocolos específicos para uso da VNI no tratamento da bronquiolite. Também é importante ressaltar que a casualidade não pode ser avaliada nesse estudo, ou seja, não é possível dizer se o uso da VNI foi o causador do aumento na evolução para ventilação invasiva ou progressão para PCR.

Apesar disso, os dados apresentados são interessantes, principalmente no atual momento em que se utiliza a VNI de forma liberal para o tratamento da bronquiolite. Mais dados são necessários para aprofundar a compreensão dos benefícios potenciais desse tipo de modo ventilatório no tratamento dessa doença. Aguardemos!





Autor: Dolores Henriques
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 06/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/uso-da-ventilacao-nao-invasiva-no-tratamento-da-bronquiolite-existe-melhora-do-prognostico/

Brasil começa a testar soro anti-Covid equino em pacientes transplantados

O primeiro paciente a receber o soro anti-Covid equino no Brasil foi um homem transplantado de 65 anos. Segundo médicos do Hospital do Rim, em São Paulo, ele não teve nenhum efeito colateral e está apresentando resposta adequada. Os médicos continuam selecionando mais voluntários.

Por conta da idade e de uma doença prévia de média gravidade, o voluntário será acompanhado num leito semi-intensivo, onde ficará por 28 dias em observação.

Produzido pelo Instituto Butantan, o soro não substitui a vacina, mas é uma possibilidade de tratamento para pacientes diagnosticados com a enfermidade.

Os testes também serão feitos em 30 pacientes com câncer do Hospital das Clínicas. Na segunda fase, participarão 558 pessoas, entre transplantados de órgãos sólidos e pacientes oncológicos, todos fazendo terapia imunossupressora.


Plasma dos cavalos

O soro promete amenizar os sintomas nos indivíduos já infectados. O Butantan informou que possui três mil frascos prontos para os testes. O objetivo é descobrir qual a dose necessária para obter os efeitos desejados.

Para obter o soro, o novo coronavírus foi isolado de um paciente brasileiro e, na sequência, cultivado, inativado, submetido a diversos testes em camundongos e, por último, aplicado em cavalos. Os animais, após receberem o vírus inativado, produziram anticorpos. O plasma resultante foi coletado e processado nas instalações do Butantan.

Os técnicos do Instituto retiram o plasma do cavalo e levam para a sede, onde os anticorpos foram separados do plasma e se transformam em um soro anti-Covid.

Além de ajudarem a produzir o soro, os cavalos participaram dos testes. O vírus inativo não provoca danos aos animais nem se multiplica no organismo, mas estimula a produção de anticorpos.

Como funciona o soro anti-Covid

O soro é intravenoso, sendo parecido com os utilizados contra a raiva, que também é um vírus. Quando aplicado em pessoas que possivelmente tiveram contato com o novo coronavírus, impede que o agente viral se manifeste no corpo do infectado.

No início de março, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que os testes realizados em animais apontaram que o soro é seguro e efetivo.

“Os animais que foram tratados tiveram seu pulmão protegido, ou seja, não desenvolveram a forma fatal da infecção pelo novo coronavírus, mostrando que os resultados de estudos em animais são extremamente promissores e esperamos que a mesma efetividade seja demonstrada agora nesses estudos clínicos que poderão ser autorizados”.

Na Argentina

A Argentina aprovou o uso de um novo soro anti-Covid no início de novembro. O país já tem mais de 1.500 pacientes tratados com método semelhante ao Brasil, registrando bons resultados até o momento.

Chamado por lá de “CoviFab”, o líquido produzido por um grupo de cientistas argentinos do laboratório da Universidade Nacional de San Martín (Unsam), demonstrou reduzir em até 45% a mortalidade de pacientes com o novo coronavírus, em 24% necessidade de recurso à terapia intensiva e 36% necessidade de assistência respiratória mecânica em doentes com curso moderado a grave da enfermidade.

Países como Costa Rica e México também trabalham com soro equino para combater as complicações da Covid-19, mas nenhum em estágios tão avançados quanto na Argentina.




Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 06/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/brasil-comeca-a-testar-soro-anti-covid-equino-em-pacientes-transplantados/

Uso de pessário associado a progesterona para prevenção de partos prematuros

O parto prematuro refere-se aos casos de nascimentos que ocorrem a partir de 20 semanas até 36 semanas e 6 dias. Apesar de ser relativamente comum, acometendo de 5 a 18% das gestações, 70 a 80% dos casos têm início espontâneo. Os outros 20 a 30% restantes são efetivados por indicações médicas de abreviação do parto.



Existem vários fatores de risco para o parto prematuro:
Fatores Ginecológicos e Obstétricos:
antecedentes de partos prematuros;
procedimentos no colo uterino (curetagens, dilatações, conizações);
anomalias formação uterinas (bicornos, didelfos).
Fatores maternos:
extremos de idade;
baixo nível socioeconômico;
baixo nível educacional;

intervalo interpartal curto (menor 18 meses).

Estado Nutricional materno:

IMC menor que 18,5 kg/m2 ou peso pré-gestacional menor que 50 kg;

desnutrição;

altos regimes trabalho (maior que 80 horas/semana);

regimes trabalhos forçados (maior que 8 horas sem descanso).

Gestação atual:

produto de técnicas reprodução assistida;

gestação múltipla;

distúrbios líquido amniótico;

sangramentos vaginais (1º ou 2º trimestres);

comorbidades maternas (hipertensão, diabetes);

transtornos psicossomáticos (ansiedade, estresse, depressão);

infecções (vaginose, tricomoníase, gonorreia);

uso de drogas (lícitas ou ilícitas);

encurtamento do colo uterino entre 14 e 28 semanas;

fibronectina fetal positiva entre 22 e 34 semanas;

presença de contrações uterinas.

Diante desse quadro de tantos fatores potencialmente preveníveis e/ou tratáveis um artigo publicado neste início de dezembro no Obstetrics & Gynecology apresentou a possibilidade da associação entre pessário e o uso de progesterona na prevenção de partos prematuros em mulheres assintomáticas.

Metodologia do estudo sobre uso de pessário

O estudo randomizado aberto foi desenvolvido entre julho de 2015 e março de 2019 unindo 17 centros de atenção perinatal. Um total de 8.168 mulheres com gestações simples ou gemelares assintomáticas tiveram seus colos medidos e incluídas com valores menores que 30 mm entre 18 e 22 semanas 6 dias. A randomização levou aos seguintes grupos e participantes:

Pessário exclusivo: 475 mulheres;

Progesterona exclusiva: 461 mulheres;

Progesterona com pessário: restante das gestantes.

Os tratamentos foram realizados até 36 semanas ou se acontecesse o parto. O desfecho primário foi avaliação de morbidade e mortalidade perinatal. Os desfechos secundários avaliaram partos antes de 37 semanas ou antes de 34 semanas.

Após as análises estatísticas, o trabalho demonstrou que a associação de pessários à progesterona isolada não melhorou as taxas de morbimortalidade neonatal em comparação com uso de progesterona isolada.


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João Marcelo Martins Coluna

Médico Ginecologista e Obstetra formado pela Universidade Estadual de Londrina • Mestrado em Fisiopatologia pela Unoeste (Universidade Oeste Paulista) • Docente da Unoeste (Presidente Prudente) – departamento materno infantil • Preceptor Residência Médica Hospital Regional Presidente Prudente – SP • Plantonista Ginecologia e Obstetrícia Hospital Regional Presidente Prudente • Plantonista Ginecologia e Obstetrícia Hospital Estadual Dr. Odilo Antunes Siqueira (Presidente Prudente – SP) • Plantonista Ginecologia e Obstetrícia Santa Casa de Misericórdia de Adamantina

Plantonista Socorrista Santa Casa de Misericórdia Presidente Prudente • Médico Regulador ambulatorial município de Dracena – SP • Médico Preceptor ambulatorial UNIFADRA (Dracena – SP) • Ginecologista do serviço ambulatorial de Narandiba (SP) • Ginecologista e Obstetra do serviço ambulatorial de Pirapozinho (SP).


Referências bibliográficas:


Pacagnella RC, Silva TV, Cecatti JG, Passini R Jr, Fanton TF, Borovac-Pinheiro A, Pereira CM, Fernandes KG, França MS, Li W, Mol BW; P5 Working Group. Pessary Plus Progesterone to Prevent Preterm Birth in Women With Short Cervixes: A Randomized Controlled Trial. Obstet Gynecol. 2021 Dec 2. doi: 10.1097/AOG.0000000000004634

Veja mais em - Portal PEBMED: https://pebmed.com.br/uso-de-pessario-associado-a-progesterona-para-prevencao-de-partos-prematuros/






Autor: João Marcelo Martins
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 06/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/uso-de-pessario-associado-a-progesterona-para-prevencao-de-partos-prematuros/

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Novos casos de Covid dobram na África do Sul em um dia



Mulher é submetida a teste de Covid no Lenasia South Hospital, perto de Joanesburgo, na África do Sul, na quarta-feira (1º) — Foto: AP Photo/ Shiraaz Mohamed

Os novos casos de Covid-19 na África do Sul praticamente dobraram em um dia, relataram as autoridades nesta quarta-feira (1º), sinalizando um aumento dramático no país onde os cientistas detectaram a variante ômicron na semana passada.

Os novos casos confirmados aumentaram para 8.561 na quarta-feira, contra 4.373 no dia anterior, de acordo com estatísticas oficiais.

Cientistas na África do Sul disseram que estão se preparando para um rápido aumento nos casos de Covid após a descoberta da nova variante ômicron.

“Há uma possibilidade de que realmente veremos uma séria duplicação ou triplicação dos casos à medida que avançamos ou conforme a semana se desenrola”, disse o Dr. Nicksy Gumede-Moeletsi, virologista regional da Organização Mundial de Saúde, â agência Associated Press.

“Existe a possibilidade de vermos um grande aumento no número de casos identificados na África do Sul”, acrescentou.

A África do Sul viu um período de baixa transmissão no início de novembro, com uma média de cerca de 200 novos casos por dia em 7 dias, mas em meados de novembro os novos casos começaram a aumentar rapidamente.

Os novos casos relatados na quarta-feira representam uma taxa de positividade de 16,5% dos casos testados, ante uma taxa de 1% no início de novembro.

O aumento anterior da África do Sul, impulsionado pela variante delta, em junho e julho, viu novos casos diários atingirem um pico de mais de 20 mil. Com uma população de 60 milhões de pessoas, a África do Sul registrou mais de 2,9 milhões de casos de Covid, e quase 90 mil mortes.

É muito cedo para ter certeza de que a variante ômicron é responsável pelo aumento dos casos, mas é muito possível, dizem os especialistas. Os testes de PCR padrão podem sugerir que um caso positivo é causado por ômicron, mas apenas um sequenciamento genético completo pode confirmá-lo.




Primeira imagem da variante ômicron revela mais que o dobro de mutações que a delta

Laboratórios na África do Sul e Botswana estão fazendo sequenciamento genômico urgente para estudar casos de ômicron, a fim de ver se a variante é significativamente mais transmissível, causa casos mais graves de Covid ou se foge da proteção da vacinação, disse Gumede-Moeletsi.

As hospitalizações por Covid também estão aumentando na África do Sul, mas não como a taxa dramática de novos casos.

A variante ômicron foi detectada em cinco das nove províncias da África do Sul e foi responsável por 74% dos genomas do vírus sequenciados em novembro, anunciou o Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis do país na quarta-feira.

A primeira detecção da variante na África do Sul pode ter sido em 8 de novembro na província de Gauteng, de acordo com dados divulgados pelo instituto. Segundo ele, até o final de outubro, a variante delta respondia pela maioria dos genomas sequenciados no país, mas em novembro a variante ômicron a ultrapassou.








Autor: Por Associated Press
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 01/12/2021
Publicação Original: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/12/01/novos-casos-de-covid-dobram-na-africa-do-sul-em-um-dia.ghtml

Anvisa reforça pedido ao governo para restringir voos e exigir vacinação completa de viajantes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) enviou nesta quarta-feira (1º) um novo parecer à Casa Civil do governo Jair Bolsonaro para pedir a adoção de medidas mais rígidas no acesso de viajantes ao país. A intenção é evitar o aumento dos casos de Covid-19 após a descoberta da variante ômicron.

No documento, a Anvisa reitera a necessidade de:

impedir temporariamente voos com destino ao Brasil vindos de Angola, Malawi, Moçambique e Zâmbia;
exigir certificado de vacinação completa contra a Covid para a entrada de viajantes no Brasil.


A Anvisa aponta que o cenário é preocupante, entre outros motivos, porque os países no sul da África mais atingidos pela ômicron têm baixa cobertura vacinal. Ao não exigir o comprovante de vacinação, o país facilita a entrada de pessoas não vacinadas, e que podem estar carregando o vírus.

"Diante das restrições estabelecidas de forma global pelos demais países, a inexistência de uma política de cobrança dos certificados de vacinação pode propiciar que o Brasil se torne um dos países de escolha para os turistas e viajantes não vacinados, o que é indesejado do ponto de vista do risco que esse grupo representa para a população brasileira e para o Sistema Único de Saúde", diz a nota da Anvisa (veja íntegra abaixo).


Avisos repetidos


No ofício, a Anvisa destaca que a apresentação do comprovante de vacinação "é um importante requisito para ingresso ao país e ainda mais necessário diante da identificação da variante ômicron em território nacional e do consequente esforço para a sua contenção".


Segundo a agência reguladora, a medida foi sugerida ao governo em 12 de novembro, mas afirma que o comitê interministerial responsável por decidir sobre a adoção da exigência ainda não avaliou a recomendação da agência.


"Diante das restrições estabelecidas de forma global pelos demais países, a inexistência de uma política de cobrança dos certificados de vacinação pode propiciar que o Brasil se torne um dos países de escolha para os turistas e viajantes não vacinados, o que é indesejado do ponto de vista do risco que esse grupo representa para a população brasileira e para o Sistema Único de Saúde", diz comunicado da Anvisa.


Na nota técnica, a Anvisa enumera as medidas tomadas por 35 países para impedir que a variante ômicron se espalhe.



Brasil tem terceiro caso confirmado de infecção pela variante ômicron


A agência afirma ainda que há mais de um ano tem "reiteradamente recomendado" a adoção da quarentena ou auto quarentena para viajantes que entrem em território nacional.

"Se cumprida de acordo com as orientações das autoridades de saúde, acrescida de outras medidas sanitárias, [a quarentena] permite a contenção da disseminação da doença pela interrupção da cadeia de transmissão de variantes do vírus, já que visa evitar o contato do viajante com outras pessoas suscetíveis", afirmou o órgão.

A nota técnica


Na nota técnica enviada ao governo, a Anvisa diz ter identificado rotas aéreas que conectam, indiretamente, o Brasil aos países que já foram incluídos nas restrições de voos. Há trajetos conectando o Brasil e essas nações que passam por Etiópia, Catar, Emirados Árabes Unidos e Turquia.

Dessa forma, é possível que os passageiros hoje barrados utilizem essas conexões para saírem dos países sob restrição no sul da África e chegar ao Brasil.

O documento também aponta que um novo pico de casos gerado pela variante ômicron poderia ser freado pelo aumento da população vacinada com a dose de reforço – mas deixa claro que o próprio governo federal tem prejudicado essa possibilidade ao não cobrar o mesmo cuidado dos estrangeiros.

"A utilização da vacinação como camada adicional de proteção fica prejudicada pela ausência de uma política nacional que a considere como requisito para entrada de viajantes no país, apesar da recomendação emitida por esta Agência, e pelas incertezas sobre o cenário epidemiológico", pontua a Anvisa.

Por fim, a nota técnica diz também que a Anvisa não recomenda a realização de quaisquer viagens internacionais – sejam para países que já identificaram a variante ômicron ou não. A exceção, diz a agência, vale para os deslocamentos essenciais e para os transportes de cargas.



OMS relaciona 29 países e territórios que já registraram casos da variante ômicron

Íntegra

Leia abaixo a íntegra da nota à imprensa divulgada pela Anvisa nesta quarta:

A Anvisa enviou à Casa Civil ofício assinado pelos cinco diretores acompanhado da Nota Técnica 208/2021 na qual ratifica as orientações pela adoção de medidas restritivas que impeçam, temporariamente, voos com destino ao Brasil oriundos dos seguintes países: República de Angola, República do Malawi, República de Moçambique e República da Zâmbia.

No mesmo ofício, a Agência reiterou as Notas Técnicas 112 e 113 nas quais recomenda a exigência do certificado de vacinação completa contra a COVID-19 para a entrada de viajantes no Brasil. O ofício destaca que este é um importante requisito para ingresso ao país e ainda mais necessário diante da identificação da variante ômicron em território nacional e do consequente esforço para a sua contenção.

A medida foi sugerida no dia 12 de novembro de 2021 pela Agência, mas ainda não foi avaliada pelo Comitê Interministerial responsável pela tomada de decisão.

Diante das restrições estabelecidas de forma global pelos demais países, a inexistência de uma política de cobrança dos certificados de vacinação pode propiciar que o Brasil se torne um dos países de escolha para os turistas e viajantes não vacinados, o que é indesejado do ponto de vista do risco que esse grupo representa para a população brasileira e para o Sistema Único de Saúde.

A Agência destaca que há mais de um ano a Anvisa tem reiteradamente recomendado ao Comitê Interministerial a adoção da medida de quarentena ou auto quarentena no ingresso de viajantes em território nacional, que se cumprida de acordo com as orientações das autoridades de saúde, acrescida de outras medidas sanitárias, permite a contenção da disseminação da doença pela interrupção da cadeia de transmissão de variantes do vírus, já que visa evitar o contato do viajante com outras pessoas suscetíveis.

A primeira recomendação da Anvisa relativa à quarentena ou auto quarentena ocorreu em novembro de 2020 por meio da Nota Técnica 238/2020/SEI/GIMTV/DIRE5/ANVISA. Essa recomendação foi reiterada, durante o ano de 2021, em outras seis Notas Técnicas da Anvisa.





Autor: Paloma Rodrigues e Pedro Henrique Gomes, TV Globo e g1
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 01/12/2021
Publicação Original: https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/12/01/anvisa-envia-novo-parecer-ao-governo-para-pedir-restricao-de-voos-e-exigencia-de-vacinacao-completa-para-viajantes.ghtml