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sexta-feira, 6 de março de 2020

Governo do RJ se mobiliza para apoiar municípios atingidos pelas chuvas



Por Ascom Faperj

O governador Wilson Witzel mobilizou, na manhã desta segunda-feira (02/03), o gabinete de crise para acompanhar as ações do Governo do Estado no atendimento às cidades afetadas pela forte chuva do fim de semana. A partir de determinação do governador, todos os helicópteros do Estado estão à disposição para levar mantimentos e atender a emergências nos locais atingidos. De acordo com o Governo, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos possui um estoque de cestas básicas, kits limpeza e água para abastecer as áreas mais necessitadas. O Rio Solidário está recebendo doações em sua sede, na Travessa Euricles de Matos, 17, em Laranjeiras.

- Quero me solidarizar com a população fluminense afetada por esta forte chuva no Rio de Janeiro. Há pessoas desabrigadas e, infelizmente, vivenciamos isso recentemente nas regiões Norte e Noroeste do estado. Tanto a Defesa Civil quanto as demais secretarias estaduais estão de prontidão para atender às cidades e aos moradores das áreas atingidas. Já iniciamos os trabalhos e seguiremos durante os próximos dias para minimizar os estragos causados pelas enchentes – afirmou o governador Wilson Witzel.

Confira mais detalhes aqui: http://www.rj.gov.br/NoticiaDetalhe.aspx?id_noticia=5267&pl=governador:-gabinete-de-crise-acompanha-aux%C3%ADlio-a-munic%C3%ADpios-




Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 03/03/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3930.2.9

sexta-feira, 13 de abril de 2018

SP, BA e RJ têm vacinação contra febre amarela 'bem abaixo da meta' da campanha, diz ministério



Moradores de Itu, no interior de São Paulo, esperam por vacina contra a febre amarela; para o Ministério da Saúde, é necessário aumentar a procura (Foto: TV TEM/Reprodução)


O Rio de Janeiro atingiu meta de 40,9% dos vacinados contra a febre amarela durante a campanha de vacinação; São Paulo chegou a 52,4% da população-alvo e Bahia vacinou 55%. Esses dados estão "bem abaixo" da vacinação ideal para o controle da doença em áreas que historicamente não tinham a circulação do vírus, mas que agora estão sob maior risco, diz o Ministério da Saúde. Segundo dados da literatura científica sobre o tema, é necessário vacinar 95% da população-alvo para se ter um maior controle sob o surto.


Os números são do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde e de nota de alerta da pasta sobre a baixa imunização contra a febre amarela. A pasta disse ainda que, nesses três estados, 10 milhões de pessoas ainda precisam ser vacinadas contra a doença. A meta de imunização é de 23,8 milhões nessas regiões. O Brasil tem 331 mortes por febre amarela desde julho de 2017 e 1.127 casos confirmados.


Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde (PNI), explica que o principal gargalo está na vacinação do adulto. "Na criança, a mãe leva para o posto e vacina". Ela afirma que o ministério está em diversas reuniões com os estados e municípios para tentar coordenar uma "vacinação ativa", com profissionais de saúde disponíveis em terminais de transporte público, por exemplo.



"Para atingir a meta, talvez seja necessário uma vacinação extra-muro, fora dos serviços de saúde. Estamos tentando coordenar isso com os estados e municípios em reuniões estratégicas. Minas Gerais fez isso e as metas melhoraram muito. Espírito Santo vacinou em campo de futebol", explica Carla.


Os estados de Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo possuem uma circulação emergente do vírus e, por isso, foram alvos de campanhas de vacinação contra a doença esse ano. Embora a ideia do governo seja expandir a vacinação para todo o país e nesses três estados; a prioridade nesse momento são áreas de maior circulação do vírus.


Por esse motivo, os dados apresentados se referem às 77 cidades que fizeram parte da estratégia de fracionamento da dose da vacina (quando uma vacina "inteira" é dividida em cinco) e aos 52 municípios de São Paulo que posteriormente foram integrados à campanha. Quando o ministério fala de população-alvo, assim, a referência é aos residentes dessas regiões.


Segundo o infectologista e pediatra Renato Kfouri, o ideal para a febre amarela ainda é que 100% da população-alvo seja vacinada. "A febre amarela tem um perfil diferente de outras doenças. Não é como outras infecções que, se muitas pessoas estão vacinadas, você impede a circulação do vírus porque há uma imunização na maioria", diz.



"Se alguém que não tomou a vacina for para a mata, ela está sim com risco de infecção; então, há uma proteção aí que é individual e independente das metas nacionais", completa o especialista.




De fato, Carla Domingues explica que a meta para a população sem contraindicação para a vacina (alergia a ovo, por exemplo) é de 100%. "O dado de 95% conta com o fato de que algumas pessoas não podem tomar o imunizante", diz. Afora as pessoas que não podem tomar a vacina, a dose é indicada para todos entre 9 meses e 59 anos.


"A febre amarela não tem o que chamamos de imunidade de rebanho, uma proteção indireta que ocorre quando a doença é transmitida de pessoa para a pessoa. Cada um tem que tomar a vacina", explica Carla.



A coordenadora do Programa de Imunização do ministério explica que cada estado também terá que olhar no seu "microdado" para ver quais regiões ou bairros estão com baixa cobertura vacinal. "Não é possível saber, em nível nacional, qual bairro não aderiu à ação", diz.


Estratégias para imunização nacional e situação atual


Até abril de 2019, o Ministério da Saúde espera ter a vacina disponível em todos os municípios brasileiros. Hoje, 65% do Brasil tem a vacina com aplicação de rotina. Atualmente, diz a pasta, a vacina só não está disponível em alguns estados do Nordeste e da região Sul. Em julho, devem entrar os estados do Sul e em janeiro as regiões do Nordeste.


"A vacina da febre amarela ficará disponível o ano inteiro em todos os postos de saúde do Brasil. Não é uma vacina sazonal, como a da gripe, que entra e sai do calendário. As campanhas são apenas de mobilização", explica.






Febre amarela circula com mais força até maio



O ministério diz ainda que a alta de transmissão da febre amarela deve ir até maio. A febre amarela, como dengue, zika e chikungunya -- outras doenças também transmitidas por mosquito --possuem uma característica de sazonalidade e são mais frequentes no verão.


A pasta informa que, nessa temporada, o vírus da febre atinge 35,6 milhões de pessoas em áreas que anteriormente não pertenciam ao ciclo de recomendação da vacina. No verão passado, o surto atingiu 11,2 milhões de pessoas. Portanto, há um aumento de mais de 200% nas pessoas que hoje estão mais suscetíveis à febre amarela.



"A vacinação é a única proteção contra a doença. O Ministério da Saúde chama a população para se proteger contra a febre amarela indo aos postos de vacinação e garantir a sua imunização", disse a pasta.



A vacina é direcionada a todas as pessoas entre nove meses de idade e 59 anos. Há algumas restrições, como pessoas com doenças relacionadas à imunidade e com alergia a ovo.


Passada a alta da febre amarela (mais frequente no verão), o próximo-alvo do Ministério da Saúde será a vacina da gripe, com campanha nacional que deve começar ainda esse mês para população específica (idosos, gestantes, entre outros). A circulação do vírus influenza começa a ser mais frequente em junho, durante o inverno.



Autor: Monique Oliveira
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 13/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/sp-ba-e-rj-tem-vacinacao-contra-febre-amarela-bem-abaixo-da-meta-diz-ministerio.ghtml

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Disque Denúncia do RJ faz campanha contra contra o ataque a macacos



Banner da campanha do Disque Denúncia alerta que matar macacos é crime ambiental

ABr

O Linha Verde, programa do Disque-Denúncia específico para delatar crimes ambientais, lançou uma campanha contra o ataque a macacos no Rio de Janeiro, depois da morte de 118 primatas apenas este ano. Os animais são hospedeiros da febre amarela silvestre, e apesar de não transmitirem a doença, estão sendo atacados pela população.

Quem souber de algum episódio de morte ou agressão a macacos deve entrar em contato pelos telefones 2253-1177 (para chamadas na capital), 0300-253-1177 (interior do estado, custo de ligação local) ou pelo aplicativo para celulares do Disque-Denúncia RJ, onde é possível enviar fotos e vídeos, sempre com a garantia do anonimato.

As denúncias recebidas pelo Linha Verde serão encaminhadas ao Comando de Polícia Ambiental e à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.

Dos 118 macacos mortos este ano no Rio de Janeiro, mais da metade sofreram espancamento ou envenenamento, segundo a Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde.

Por Douglas Corrêa, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/01/2018

Autor: Douglas Corrêa
Fonte: Agência Brasil
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 26/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/26/disque-denuncia-do-rj-faz-campanha-contra-contra-o-ataque-macacos/

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Surto de vírus provocou morte de botos na Baía de Sepetiba, RJ, diz laudo





Mortandade de botos assusta pesquisadores em Sepetiba (Foto: Instituto Boto Cinza)



Um boletim técnico indicou que um surto de mobilivírus provocou a mortandade de cerca de 170 botos cinza na Baía de Sepetiba desde o fim de novembro. O documento foi preparado por pesquisadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (MAQUA/UERJ) e do Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (LAPCOM/FMVZ/USP).


Segundo o documento, os vírus dessa família não costumam ser transmitidos dos animais para os humanos, ou seja, cada um tem seu grupo próprio de hospedeiros. É a primeira vez que um surto causado por morbilivírus dos cetáceos é detectado na América do Sul.


Ainda de acordo com o boletim, não se sabe quanto tempo o surto pode durar. Tipicamente os surtos duram enquanto houver animais suscetíveis. Os fatores que contribuíram para o início do surto ainda são desconhecidos e estão sendo investigados.


Morbilivírus (Morbillivirus) é o gênero de um vírus da família Paramyxoviridae. Algumas espécies de morbilivírus são muito estudadas por causar doenças conhecidas, como o sarampo (nos humanos), a cinomose (nos cães e focas) e a peste dos pequenos ruminantes (em cabras e ovelhas). Recentemente, o morbilivírus também foi associado à doença renal em gatos. O morbilivírus dos cetáceos afeta botos, golfinhos e baleias. No Brasil, o vírus foi detectado em golfinhos da espécie boto-cinza (Sotalia guianensis).



Autor: G1 Rio
Fonte: G1 Rio
Sítio Online da Publicação: G1 Rio
Data de Publicação: 10/01/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/surto-de-virus-provocou-morte-de-botos-na-baia-de-sepetiba-rj-diz-laudo.ghtml

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Cientistas investigam morte de dezenas de botos-cinza na Baía de Sepetiba, RJ


Mãe boto-cinza com cria. Foto: Wikipedia

A morte de dezenas de botos-cinza na Baía de Sepetiba, no litoral do estado do Rio de Janeiro, vem preocupando cientistas e grupos engajados na proteção da espécie, que é ameaçada de extinção. Diariamente estão sendo avistadas carcaças com lesões na pele, mas as causas da mortandade até o momento são desconhecidas. Exames estão sendo realizados em laboratórios especializados na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e na Universidade de São Paulo (USP).

O Instituto Boto Cinza, criado em 2009 com o objetivo de contribuir para a preservação da espécie, informou em nota ter encontrado 78 carcaças em apenas 17 dias. “A partir do dia 16 de dezembro, começamos a recolher quatro a cinco botos mortos todos dias, quantidade que era mensal. A mortalidade, que era de cinco por mês, já era insustentável para essa população”, registra o texto. A nota também destaca que, entre os animais vivos, foram observados que alguns estão magros e também possuem lesões na pele.

O boto-cinza é um dos menores golfinhos da família dos Delphinidae e vive entre 30 e 35 anos. Listado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) como espécie ameaçada, habita áreas abrigadas, como enseadas e baías, especialmente próximas a manguezais. Como não têm o hábito de migrar, são extremamente dependentes do equilíbrio ambiental de onde vivem.

Investigação

De acordo com a entidade, os principais motivos para mortes de botos na região são o avanço do desenvolvimento portuário e industrial no entorno da baía e a pesca predatória que acaba com os peixes dos quais eles se alimentam. No entanto, houve uma mudança no padrão dos casos, o que pode indicar uma causa distinta. Até então, as vítimas mais frequentes eram adultos machos, mas a maioria dos episódios recentes envolvem filhotes e fêmeas.

No Brasil, os botos-cinzas podem ser encontrados em diversas localidades desde o Pará até Santa Catarina. A maior população do mundo fica justamente na Baía de Sepetiba, que banha a zona oeste do Rio de Janeiro e os municípios de Itaguaí e Mangaratiba. A baía se forma por meio de uma barreira parcial imposta ao Oceano Atlântico pela restinga de Marambaia. Estima-se que 800 botos vivam no local. Com isso, de acordo com a contabilidade do Instituto Boto Cinza, a mortandade já teria afetado até o momento quase 10% da população.

Em análise preliminar, a organização suspeita que alguma enfermidade esteja afetando a população. “A pesca em larga escala industrial pode capturar os golfinhos. No entanto, não observamos nada de anormal na pesca dentro da Baía de Sepetiba. A maré vermelha [aglomeração de micro-plânctons] e a poluição por derramamento de óleos e substâncias químicas causaria também a mortalidade em peixes, crustáceos, tartarugas e aves marinhas. Como não há evidencias até o momento da pesca industrial, da poluição aguda e da maré vermelha, a mais provável causa está ligada a doença específica dos golfinhos”.

A entidade cobra ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para diminuir as ameaças à espécie. Uma solução apresentada é a criação de uma Unidade de Conservação Marinha que assegure um refúgio saudável para os botos outros animais.

Procurado pela Agência Brasil, o Inea ainda não deu retorno. Por sua vez, o Ibama disse que realiza operações regulares de fiscalização na Baía de Sepetiba em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo o órgão, não há suspeita de que as mortes tenham ocorrido por pesca predatória e também não houve registro de nenhuma alteração recente no habitat que possa ter provocado a situação.

Hipóteses

O oceanógrafo e pesquisador da Uerj, David Zee, levanta outras hipóteses. Para ele, é preciso estudar possíveis efeitos do ciclo lunar. “Estamos em uma época em que a lua está próxima do perigeu. A lua está mais próxima da Terra. Com isso, as flutuações da maré são mais intensas”, explica.

Segundo ele, o fenômeno pode estar promovendo a entrada e o acúmulo de água poluída na Baía de Sepetiba, o que explicaria a grande quantidade de filhotes entre as vítimas, já que os animais mais novos são mais suscetíveis à contaminação da água. Outra hipótese levantada pelo pesquisador está relacionada à proliferação de algas nocivas, o que poderia estar ocorrendo por influência do calor intenso e de outros fatores.

*Colaborou Carol Barreto- Repórter da Rádio Nacional

Por Léo Rodrigues, da Agência Brasil*, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/01/2018



Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data de Publicação: 04/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/04/cientistas-investigam-morte-de-dezenas-de-botos-cinza-na-baia-de-sepetiba-rj/

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Royalties do petróleo não ajudam municípios do RJ a crescer, revela estudo

Dependência dos royalties tem efeitos negativos tanto para o município que recebe o recurso, quanto para os que o circunscrevem

Jornal da USP

Na literatura econômica existe um paradoxo conhecido por “a maldição dos recursos naturais”. Ele é identificado quando países ou regiões abundantes em recursos naturais não renováveis (mineral e combustível) tendem a ter menos crescimento econômico em relação a países ou regiões com escassez desses recursos. Foi o que ocorreu com os municípios fluminenses beneficiados por royalties do petróleo, no período de 2007-2012.

A conclusão está no estudo acadêmico Uma análise dos impactos dos royalties do petróleo no PIB per capita dos municípios da região Sudeste: uma abordagem por economia espacial, de autoria de Felipe de Sá Tavares, Alexandre Nunes de Almeida e Augusto Seabra Santos, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.

O trabalho, que embasa a dissertação de mestrado de Felipe de Sá Tavares, foi apresentado no XV Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos (Enaber) e o Primeiro Congresso da Associação Latino Americana e Caribenha da Regional Science Association International, realizado entre os dias 11 a 13 de outubro, na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

Os resultados desse trabalho indicam que a dependência dos royalties do petróleo afeta de forma não linear os municípios da região Sudeste mas, no Rio de Janeiro, a dependência possui efeitos negativos tanto para o município que recebe o recurso, quanto para os municípios que o circunscrevem.

Principal região brasileira produtora de petróleo, o Sudeste recebe 80% dos royalties pagos aos municípios. Entre 2007 e 2012, enquanto os municípios brasileiros receberam R$ 25,4 bilhões em royalties, o Sudeste recebeu R$ 20,2 bilhões. Os altos valores pagos às prefeituras geram oportunidades de investimentos para essas localidades. Mas, ao contrário do que se esperava, as rendas do petróleo não tiveram resultados expressivos no crescimento econômico dos municípios fluminenses.

A “maldição dos recursos naturais” já havia sido constatada no artigo do professor Fernando Postali, da FEA, Petroleum royalties and regional development in Brazil: The economic growth of recipient towns, publicado em 2009, que comprovou que, para cada R$ 1,00 recebido de royalties, o crescimento econômico diminui em 0,022%. Postali verificou que dos 63 municípios com mais de 1% de royalties em relação ao PIB em 2007, apenas seis tiveram crescimento maior do que 13% ao ano e 57 municípios cresceram abaixo desse patamar, sendo que 13 tiveram crescimento até 10% negativo.

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Plataforma P-51 – Foto: Felipe Dana via Fotos Públicas
Impacto no município vizinho

A contribuição do estudo do economista Felipe Tavares foi analisar o impacto da dependência dos royalties sob a luz de modelos econométricos espaciais. O uso desses modelos possibilitou não apenas controlar os efeitos espaciais nas estimativas, mas também gerar estimativas para os impactos que as receitas do petróleo possuem no PIB per capita dos municípios vizinhos ao município que recebe os royalties. “O objetivo era captar o efeito no município vizinho. Como a fronteira municipal não limita a atividade econômica, quando o município X recebe o royalty, será que o município Y, ao lado, está sendo impactado? Então a nossa contribuição foi o efeito indireto”, justificou Tavares.

Ao considerar os efeitos diretos, indiretos e totais das receitas petrolíferas, o estudo concluiu que “a dependência aos royalties é nociva ao Estado do Rio de Janeiro, pois o componente linear dos efeitos ‘indireto e total’ foram negativos e estatisticamente significativos”. Desse modo, o resultado possibilitou concluir que “há indícios da presença de uma maldição regional-fluminense dos recursos naturais”. No caso da região Sudeste, a dependência dos royalties afeta o PIB de forma não linear, mas devido ao nível de dependência média, há indícios de que os efeitos negativos são mais presentes do que os positivos.

Tavares afirmou que sempre estudou royalties, mas que na atual conjuntura do País o tema tornou-se bastante relevante em decorrência da crise financeira que atinge o Rio de Janeiro, Estado que, mesmo sendo beneficiado com altos valores dos royalties do petróleo, não conseguiu evitar sua falência.


Do Jornal da USP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/11/2017




Autora: Jornal da USP
Fonte: Ecodebate
Sítio Online da Publicação: Ecodebate
Data de Publicação: 14/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/14/royalties-do-petroleo-nao-ajudam-municipios-do-rj-crescer-revela-estudo/