quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Aposentadoria é muito mais do que parar de trabalhar

Se você fizer uma busca na internet, a palavra aposentadoria vem acompanhada de imagens de homens e mulheres de cabelos grisalhos, quase sempre esbeltos, fazendo surfe, andando de moto, dançando numa praia deserta e uma série de bobagens difíceis de encontrar no mundo real. Na vida como ela é, de acordo com a professora Teresa Amabile, da Harvard Business School, os primeiros meses fora do ambiente profissional podem envolver uma crise existencial de contornos até dramáticos.


Sob seu comando, um time de pesquisadores entrevistou, durante quatro anos, 120 profissionais de diferentes partes dos Estados Unidos a respeito da sua visão sobre sair de cena. O estudo mostrou que, no começo, havia uma sensação de relaxamento e bem-estar com a nova situação, que logo deixava de existir – o que surpreendia a maioria. “As pessoas que planejam a aposentadoria focam apenas no aspecto financeiro, esquecendo-se de que este é também um exercício psicológico e que envolve seus relacionamentos. Temos que pensar em quem queremos ser quando nossa carreira formal terminar”, afirma a professora, que, aos 69 anos, se encontra nesse período de transição e atualmente tem uma carga horária menor.



A professora Teresa Amabile, da Harvard Business School: “as pessoas que planejam a aposentadoria focam apenas no aspecto financeiro, esquecendo-se de que este é também um exercício psicológico” — Foto: YouTube

Segundo a professora Teresa Amabile, que apresentou os resultados preliminares do levantamento no encontro anual da Academy of Management, é importante construir o que chama de “ponte de identidade”. Entre os entrevistados, muitos que tinham netos passaram a dar mais assistência aos filhos, cuidando das crianças e adolescentes ou ajudando nos deveres de casa. Havia os que redescobrem antigas paixões, como desenhar, pintar, ou fazer marcenaria. Alguns revisitaram sua trajetória em profundidade, concluindo que não sentiam qualquer prazer na antiga ocupação, e dessa forma superaram o “luto” da perda do sobrenome corporativo. Abrir um pequeno negócio ou dedicar-se a trabalho voluntário foram outras alternativas citadas. Ela diz que as empresas poderiam ajudar no processo, criando uma espécie de ritual para a despedida do empregado que mostrasse como seu trabalho foi apreciado: “se a companhia trata as pessoas com dignidade e respeito, indicando que elas são valorizadas, isso tem um efeito positivo na transição”.



Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 25/09/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/09/22/aposentadoria-e-muito-mais-do-que-parar-de-trabalhar.ghtml

O esquecido drama de quem vive com pessoas que sofrem de depressão



Depressão é doença de difícil diagnóstico. — Foto: Getty Images/via BBC

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 11 milhões de brasileiros sofrem com a depressão. Pelo mundo, são quase 300 milhões de pessoas, números que fizeram a OMS chamar a doença de "mal do século".

Tratamentos psiquiátricos e terapias diversas são apresentadas em textos e programas de TV. Famosos e até youtubers têm falado muito mais da doença, mas uma parte importante desta equação toda parece ficar de lado: o cuidador. Por ser um conjunto de sintomas que podem estar presentes em aspectos variáveis em cada pessoa, a depressão não é fácil de ser diagnosticada. E a pessoa que convive com o doente rotineiramente também pouco sabe o que fazer.

Segundo o Ministério da Saúde, um paciente com depressão pode apresentar tristeza profunda, falta de apetite, de ânimo, pessimismo, baixa auto-estima - que aparecem com frequência - e podem combinar-se entre si. De acordo com os especialistas, o crescimento do diagnóstico pode estar ocorrendo por conta de maiores cobranças sociais e pessoais de hoje. Mas também existe mais informação e aos poucos os preconceitos estão sendo combatidos e reduzidos, o que aumenta a quantidade de pedidos de ajuda e, consequentemente, os diagnósticos.

Parceiros

O psiquiatra Roni Cohen, diretor do Centro Brasileiro de Estimulação Magnética (CBREMT), aponta onde normalmente é o calcanhar de Aquiles do parceiro: "Realmente aqueles que cuidam ficam em segundo plano. Cuidar de uma pessoa com depressão requer uma sobrecarga emocional grande, principalmente porque, além de absorver o sentimento do outro, advém uma sensação de impotência quando se percebe que nem sempre a ajuda está sendo efetiva".


O arquiteto S. (que preferiu não se identificar), de 33 anos, conta como aprendeu a se frustrar com a noiva, a médica I.. Ele revela que a maior dificuldade disso é saber como lidar com ela em momentos críticos. "Você sempre quer que a pessoa que você ama se sinta bem, feliz, quer fazer coisas legais juntos e às vezes eu tinha que entender que não conseguiria isso, não importa o que fizesse.


É muito frustrante", explica. "E algo que agrava isso é o fato de que muitas vezes não havia nenhum motivo 'real' pra que ela se sentisse triste. Então não há um problema que você possa resolver e fazer tudo ficar bem". Um outro motivo para agravar o problema foi a negligência da família, algo muito comum no mundo dos depressivos.


"Eles (os familiares) tinham um certo preconceito com tratamento psiquiátrico e medicação. A depressão dela nunca me causou transtornos diretamente, mas sim à ela. Mas como vivemos juntos me atingem de alguma forma. Não procurei ajuda psicológica e tenho certeza que isso traria benefícios."



A perda de compromissos importantes era um dos maiores problemas. "Há dias que ela acaba dormindo o dia todo e perde compromissos".


As dificuldades também são relatadas pelo administrador de empresas Henrique Luiz, de 38 anos, que cuida do pai doente, de 74 anos, que preferiu não ser identificado. Além da depressão, o pai foi diagnosticado com transtorno bipolar.


"A maior dificuldade realmente é se aproximar em tempos de "mania", quando ele acha que está super bem e pode tudo. É neste momento que ele acaba pisando em cima de todos", relata Henrique. "Já colocamos remédios nos sucos e café para tentar conter ele, com orientação médica, até que a internação foi nossa última saída. Minha mãe, hoje falecida, sofria demais com isto, e hoje vejo que meu irmão sofre por morar com ele."


Henrique acabou tendo que fazer um tratamento psiquiátrico, onde foi diagnosticado com Depressão Pós Traumática e ficou um bom tempo com remédios e terapia. "Infelizmente, o meu irmão, apesar de demonstrar claramente desequilíbrio emocional devido a condição do meu pai, não procurou ajuda."



Taxa de suicídios é maior entre homens, diz OMS. — Foto: Pixabay

Um dos grupos mais antigos e atuantes de ajuda a pacientes e familiares é a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), situada atualmente na Vila Clementino, em São Paulo. Os grandes centros universitários pelo país dispõem também de grupos semelhantes. Há os "Neuróticos Anônimos" e grupos de portadores de transtorno bipolar.


O psiquiatra Mauro Aranha, fala sobre a importância de se apoiar neste tipo de pilar: "Esses grupos ajudam portadores e familiares em prevenção e indicam rede de tratamento. Permitem também a expressão de um lugar de fala que dá um sentido mais concreto e compartilhado ao sofrimento e aponta caminhos possíveis de recuperação ou superação."


A psicóloga Melina Ferreira vai além. "O ideal seria que o cuidador tivesse muito claro o que é a depressão, qual seu papel na contribuição do tratamento, quando sair de cena e quando voltar, já que pode existir uma 'contaminação' dos sintomas depressivos, devido ao ambiente, preocupação, atenção demasiada, além de suas próprias frustrações. Os profissionais da saúde precisam estar atentos e abertos para dar este apoio aos cuidadores", afirma.


Há também que se separar um quadro de melancolia e tristeza com a depressão.


Taxa de mortalidade por suicídio aumentou 12% entre jovens e adolescentes negros de 2012 a 2016 — Foto: Pixabay


Isso faz toda a diferença para o doente. Saber diferenciar as patologias e emoções naturais são fundamentais para o tratamento e melhora da pessoa tratada, aponta Melina: "A questão problemática desta relação é que a depressão tem suas peculiaridades como doença e quem ajuda pode acabar cuidando como uma tristeza, frustração ou qualquer outra emoção ruim comum ao ser humano.


Isso gera conflitos e ambos sofrem com esta dinâmica: a pessoa com depressão se sente não entendida ou vista e o cuidador frustrado por não conseguir ajudar como gostaria. A depressão é uma doença muito autocentrada no paciente".


A atriz e professora D., 38 anos, acabou procurando ajuda psicológica justamente para não desistir do seu namorado B., de 45. "Vou a sessões individualizadas com os médicos e analistas do meu namorado. Pedi ajuda da família. O peso é muito grande e você precisa estar preparada para lidar com as frustrações, que são muitas. Ter um grupo de apoio é fundamental".


Já o arquiteto S. conta que leu bastante sobre o assunto e conversou com a psicóloga da noiva algumas vezes, sempre com ela presente, pra ficar claro que lidavam com aquilo juntos. E assim, com o tempo foi aprendendo, meio que na tentativa e erro, os tipos de conduta que poderia tomar quando ela não estava bem.


"Eu tento falar com ela de maneira muito lógica. Uma característica dela é ser extremamente pessimista, ela vê todas as possibilidades das coisas darem errado e vai desdobrando isso até chegar a consequências horríveis e fica extremamente ansiosa. Então eu cito fatos parecidos onde tudo deu certo, converso sobre como seria se algo ruim acontecesse, como iríamos resolver, sempre tentando ser muito claro, pra que apesar da depressão ela veja que está tudo bem. E isso sempre tem que ser feito com muita paciência e carinho, acho que pra ela, estar perto de uma pessoa tranquila ajuda muito".


Mauro Aranha pede atenção especial à depressão que agrega angústia e desinteresse por tudo e todos, isolamento social e desesperança. "São ingredientes que podem levar o enfermo ao suicídio. E não se deve temer perguntar, de maneira acolhedora, ao enfermo se ele deseja ou planeja matar-se. Isso pode salvar uma vida".


Para casos mais agudos, O CVV - Centro de Valorização da Vida - realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e 24 horas todos os dias. A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.




Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 25/09/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/09/23/o-esquecido-drama-de-quem-vive-com-pessoas-que-sofrem-de-depressao.ghtml

Doenças cardiovasculares rondam os cuidadores



No dia 10 de setembro, o “Canadian Journal of Cardiology” publicou pesquisa sobre as evidências científicas que mostram que cuidadores de pacientes com doenças cardiovasculares têm mais chances de eles próprios desenvolverem a enfermidade. Para o levantamento, cuidador é aquele que presta algum tipo de serviço, informal e sem pagamento, para uma pessoa com deficiência ou doença crônica. O estresse dessa ocupação é tão grande que já se pensa numa abordagem que contemple paciente e cuidador.

No Canadá, onde foi feito o estudo, metade da população está envolvida com algum tipo de cuidado, seja de um membro da família ou de um amigo. Este é um índice semelhante ao existente nos Estados Unidos e na Europa. Cerca de 40% dos cuidadores relatam que a atividade se traduz em estresse emocional, psicológico, físico, social e financeiro. São fatores que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, mas praticamente nada é feito para resolver ou reduzir o problema. Pior: a equação vai se tornar cada vez mais complexa nas próximas décadas, com o progressivo envelhecimento da população.



Monica Parry, professora de enfermagem da Universidade de Toronto: “epidemia de cuidadores sobrecarregados” — Foto: Divulgação


“Há evidências abundantes de que os cuidadores precisam de maior apoio, uma vez que seu papel é fundamental, com enorme contribuição para o sistema de saúde”, afirmou Heather Tulloch, diretora do laboratório de saúde psicológica cardiovascular e medicina comportamental da Universidade de Ottawa. O levantamento mostrou que, entre eles, a atividade física era menor e um número significativo fumava. Sua dieta alimentar também deixava a desejar e o sono era de má qualidade. Quem cuidava do cônjuge apresentava mais sintomas de depressão.



Para os pesquisadores, o risco de desenvolver hipertensão e síndrome metabólica pode estar diretamente relacionado ao tempo dedicado a essas tarefas: foi considerado de alta intensidade o trabalho de cuidador por mais de 14 horas por semana, durante período superior a dois anos. A síndrome metabólica descreve um conjunto de fatores que aumentam as chances de o indivíduo desenvolver doenças cardíacas, diabetes e ter um AVC (acidente vascular cerebral): pressão sanguínea, glicose e triglicerídeos elevados, alterações no colesterol, grande quantidade de gordura abdominal.


Para Monica Parry, professora de enfermagem da Universidade de Toronto, estamos enfrentando uma “epidemia de cuidadores sobrecarregados”, principalmente entre pessoas de meia-idade que têm que se dividir entre a função de zelar por entes queridos, ter uma profissão e dar atenção à família. Apesar de um número muito maior de mulheres desempenhando esse papel, vem crescendo o contingente de homens que acaba assumindo esse tipo de responsabilidade. “Por razões culturais, eles podem ter mais dificuldades de pedir ajuda externa, o que vai impactar sua saúde”, explicou.




Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 25/09/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/09/24/doencas-cardiovasculares-rondam-os-cuidadores.ghtml

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Dermatite de fraldas em crianças: como fazer prevenção e tratamento?




Dermatite da fralda ou assadura é um termo não específico usado para descrever qualquer uma das várias reações inflamatórias da pele dentro da área da fralda, incluindo as nádegas, a região perianal, os órgãos genitais, as coxas e a cintura. É um dos distúrbios cutâneos mais comuns em neonatos e lactentes, com uma prevalência entre 7 e 50%. A incidência real pode ser maior, porque nem todos os casos são relatados (geralmente as lesões desaparecem em poucos dias sem a necessidade de tratamento específico).

Embora raramente cause problemas por longos períodos, gera considerável sofrimento aos bebês e aos pais ao mesmo tempo. Os pais costumam referir dor com períodos de choro prolongados, juntamente com agitação, alterações nos padrões de sono e diminuição da frequência de micção e defecação. Há relatos, inclusive, de que os níveis de cortisol salivar também ficam elevados em alguns bebês durante o período de dermatite de fralda.

A assadura leve ocorre frequentemente em crianças antes da conclusão do treinamento para controle de esfíncteres, e não há diferença aparente na prevalência entre os sexos. Alguns estudos mostraram que bebês que são amamentados ao seio podem ter um risco reduzido para a sua ocorrência.
Dermatite de fraldas

Os três tipos mais comuns são: dermatite por atrito, dermatite por irritante primário e candidíase. A forma predominante é por irritante primário, causada por uma combinação de fatores como: longos períodos de umidade e urina na fralda, fricção e abrasão mecânica; presença de sais biliares e outros irritantes nas fezes que quebram os lipídios e proteínas protetores na camada superior da pele; aumento dos níveis de pH da pele por uma mistura de urina e fezes; e, ocasionalmente, a presença de microrganismos.

Em artigo publicado em 2018 no International Journal of Dermatology intitulado Diagnosis and management of diaper dermatitis in infants with emphasis on skin microbiota in the diaper area, Pogacar e colaboradores descreveram o tratamento e a prevenção deste tipo de afecção cutânea. Vejamos as principais recomendações dos autores.

Como tratar assaduras

O tratamento se concentra em dois objetivos principais: aceleração da cicatrização da pele danificada e prevenção de erupções cutâneas recorrentes. No entanto, a chave para o manejo eficiente está na prevenção. A integridade da pele saudável é comprometida pela própria natureza do ambiente da fralda e, portanto, uma pele intacta normal permanece um objetivo ilusório a partir do momento em que o bebê usa fralda.

O tratamento inclui inúmeras abordagens. Contudo, para o diagnóstico correto e o tratamento adequado, o médico deve ter conhecimento sobre a etiologia da dermatite da fralda, da fisiologia e do microbioma da pele. Eliminar as causas da dermatite da fralda e usar cremes de barreira pode ser suficiente para curar casos leves; todavia, para a melhor abordagem terapêutica, a investigação de fungos e bactérias deve ser realizada quando houver suspeita.

Apresentações diferentes de dermatite de fralda podem exigir estratégias de tratamento diferentes. Se o bebê não responder a uma terapia específica, pode ser devido à falta de adesão, falha na correção dos fatores agravantes ou o diagnóstico pode estar incorreto. Devem ser consideradas causas de dermatite não associadas à fralda ou condições subjacentes que predispõem à dermatite de fralda.

Pontos importantes destacados por Pogacar e colaboradores (2018):

– Na maioria dos casos, o tratamento envolve medidas gerais de cuidados com a pele (por exemplo, troca frequente de fraldas, exposição ao ar, limpeza suave), escolha das fraldas e uso de preparações tópicas de barreira;

– A troca frequente de fraldas, a cada 1 a 3 horas, é essencial para o tratamento, pois ajuda a reduzir a quantidade de tempo em que a pele está em contato com a umidade e com substâncias irritantes;

– Deve-se ter cuidado para evitar fricção, limpando, enxaguando e secando suavemente a área da fralda, para minimizar traumas adicionais na pele;

– Idealmente, um bebê com dermatite de fralda deve ter períodos de descanso sem fralda, expondo a pele danificada ao ar, reduzindo o tempo de contato entre a pele e a urina, fezes, umidade e outros irritantes;

– A melhor escolha de fraldas para uso em bebês é uma questão controversa. No entanto, o uso de fraldas descartáveis, super absorventes e respiráveis, em vez de fraldas de pano, está associado à frequência reduzida de dermatite de fraldas;

– A área da fralda deve ser cuidadosamente limpa com água morna e com uma pequena quantidade de produto de limpeza suave com pH levemente ácido a neutro;

– Lenços sem perfume e sem álcool podem ser usados, mas seu uso deve ser descontinuado caso a pele fique irritada. Conservantes como a metilisotiazolinona nos lenços umedecidos podem causar dermatite alérgica de contato;

– Na dermatite de fralda leve a moderada, o uso de preparações tópicas de barreira como terapia de primeira linha é geralmente suficiente. Cremes de barreira contendo óxido de zinco e/ou petrolato formam um filme lipídico na superfície da pele e minimizam o contato da pele com urina e fezes. Estes cremes reparam o estrato córneo e protegem a pele contra a dermatite da fralda. Outros aplicações tópicas úteis incluem pomadas de vitamina A e D, dexpantenol e solução de Burow, uma mistura de acetato de alumínio na água. Cremes usados ​​para o tratamento da dermatite de fralda moderada também costumam conter ingredientes como óleos minerais, Aloe Vera e cera para fornecer uma proteção adequada à pele. Formas mais graves com sinais clínicos de infecções secundárias requerem atenção médica com diagnóstico cuidadoso e tratamento terapêutico;

– Em casos de candidíase, bastante comum em casos mais graves de dermatite de fralda, é sugerido o uso de agentes antifúngicos, como nistatina, clotrimazol, miconazol, cetoconazol e sertaconazol, para serem aplicados a cada troca de fraldas. Além disso, corticosteroides tópicos leves podem ser usados mesmo se a pele estiver infectada com Candida albicans. A recidiva da dermatite da fralda com uma infecção secundária após o tratamento com nistatina é comum devido à falha em erradicar infecções bacterianas concomitantes, recolonização dos locais do reservatório e resistência ocasional a agentes antifúngicos. Além disso, os possíveis efeitos adversos dos antifúngicos incluem irritação, queimação e coceira;

– Se uma infecção bacteriana secundária estiver presente, antibióticos tópicos ou orais podem ser necessários. Se a infecção bacteriana for localizada e leve, a mupirocina tópica aplicada duas vezes ao dia por 5 a 7 dias pode ser suficiente para tratar uma infecção estafilocócica. Já os antibióticos orais são indicados para infecções mais graves, incluindo dermatite estreptocócica perianal. Os bebês com dermatite de fraldas bacteriana podem exigir avaliação adicional para doenças bacterianas graves, principalmente se forem febris e/ou com estado geral comprometido;

– Em geral, o uso de preparações tópicas de barreira dificulta o contato da pele com substâncias irritantes químicas, minimiza a umidade e o atrito e diminui a possibilidade de dermatite da fralda. No entanto, Pogacar e colaboradores (2018) enfatizam que devem ser evitadas barreiras ou medicamentos tópicos que contenham fragrâncias, conservantes e outros ingredientes com potencial irritante ou alérgico. Os produtos que contenham ácido bórico, cânfora, fenol, benzocaína e salicilatos também devem ser evitados devido ao potencial de toxicidade sistêmica e/ou meta-hemoglobinemia. Pastas e pomadas geralmente são melhores barreiras do que cremes e loções, que são pouco aderentes, minimamente oclusivas e podem conter fragrâncias e conservantes;

– Uma curta duração (até 2 semanas) de corticosteroide tópico de baixa potência pode reduzir a inflamação, que persiste apesar das medidas de cuidado da pele e uso de preparações tópicas de barreira. Os autores recomendam que o corticoide mais forte seja a hidrocortisona a 1%, que só deve ser aplicada até a erupção desaparecer. Corticosteroides mais fortes podem causar efeitos colaterais graves, como atrofia da pele, estrias e taquifilaxia, bem como supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, síndrome de Cushing, hipertensão intracraniana, atraso no crescimento e outros efeitos colaterais no paciente pediátrico, devido ao aumento da área da superfície da pele em relação ao peso corporal em comparação com os adultos.


Como prevenir as assaduras

Pogacar e colaboradores (2018) descrevem que um fator crucial, não somente na prevenção da dermatite de fralda como no seu tratamento, é a educação e o apoio dos pais. A dermatite de fralda por irritante primário é uma condição evitável, e é de extrema importância que os pais aprendam maneiras comuns de diminuir a probabilidade da condição, através de higiene adequada, de meios para restaurar uma pele saudável e através da prevenção de dermatite de fralda de repetição.

Os autores destacam as seguintes medidas:

– A exposição das nádegas ao ar pelo maior tempo possível reduz a duração do contato direto da pele com a superfície do tecido úmido e reduz o atrito;

– Uma fralda limpa deve ser preferivelmente colocada após cada micção ou defecação. Para bebês com risco de desenvolver dermatite da fralda, um creme de barreira deve ser aplicado a cada troca. Isso forma um filme lipídico protetor na pele e diminui significativamente a exposição à umidade e a irritantes;

– O ambiente exclusivo da área das fraldas, incluindo a microbiota local da pele, a irritação contínua por bactérias em urina e fezes, o pH (em mudança) da pele na área, bem como a composição de agentes de limpeza e adjuvantes em preparações tópicas, devem ser considerados para desenvolver práticas de limpeza na área das fraldas. Enquanto estes são destinados a auxiliar na manutenção de uma barreira cutânea intacta ou promover a cura de uma barreira comprometida, práticas inadequadas podem piorar as lesões;

– O banho dos bebês deve ser dado com água morna (37 a 40° C) em pequena quantidade. Uma superfície ácida na pele é essencial para a manutenção da microbiota normal, fornecendo proteção antimicrobiana contra invasão por bactérias patogênicas e leveduras.

Autora:

Roberta Esteves Vieira de Castro


Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), do Hospital Caxias D’Or (Duque de Caxias) e do Hospital Getúlio Vargas Filho (Getulinho – Niterói). Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) no Rio de Janeiro. Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro do comitê de filiação da American Delirium Society (ADS). Coordenadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG). Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS).


Referências bibliográficas:
POGACAR, M. S. et al. Diagnosis and management of diaper dermatitis in infants with emphasis on skin microbiota in the diaper area. International Journal of Dermatology, v.57, n.3, p.265-275, 2018.


Autor: PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 23/09/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/dermatite-de-fraldas-em-criancas-como-fazer-prevencao-e-tratamento/

Ebola: insuficiência renal causa morte em sobreviventes do surto




Pesquisadores descobriram que efeitos a longo prazo da infecção pelo vírus do ebola contribuíram para o aumento das mortes subsequentes entre os sobreviventes do surto, acontecido entre os anos de 2013 a 2016, na África Ocidental.

“Na República da Guiné, 59 pacientes que sobreviveram ao ebola morreram mais tarde com insuficiência renal estabelecida como a causa da morte em 37 pacientes”, disse um dos autores do estudo, Lorenzo Subissi, PhD, do Sciensano, Instituto Nacional de Pesquisa de Saúde Pública em Bruxelas, na Bélgica.

“Não é de surpreender que fatores de risco como idade avançada, morar em uma área não urbana e longas estadias em unidades de tratamento de ebola estivessem ligados a um maior risco de mortalidade após a alta”, escreveram os autores no artigo publicado no The Lancet Infectious Diseases.

O coautor do estudo, Mory Keita, MD, epidemiologista da República da Guiné, que atualmente é coordenador de campo da Organização Mundial de Saúde (OMS) na República Democrática do Congo, disse em comunicado para a imprensa que a insuficiência renal é uma “causa de morte biologicamente plausível” em sobreviventes do ebola.


“Anteriormente, o vírus foi detectado em amostras de urina durante a fase aguda da enfermidade, demonstrando que pode infectar o rim. Alguns pacientes com o ebola desenvolvem lesão renal aguda, o que pode levar a insuficiência renal a longo prazo e ao aumento da mortalidade mesmo após a aparente recuperação inicial”, acrescentou Mory Keita.

Os autores disseram ainda que a insuficiência renal se baseava, principalmente, nos relatos de familiares de anúria, com altas concentrações de creatinina em alguns casos. Eles também observaram que outras condições, como malária, tuberculose pulmonar e hipertensão arterial, também poderiam ter contribuído para as mortes.

Os dados mais recentes da OMS indicam que, durante o atual surto de ebola na República do Gongo, que está em andamento desde agosto de 2018, houve 2.997 casos, incluindo quase dois mil óbitos.
Estudo “Primeiro de Seu Tipo”

Os cientistas observaram que a África Ocidental apresenta a maior coorte de sobreviventes da doença, mais de 17 mil pessoas no total.

Segundo dados do programa de monitoramento de sobreviventes nacionais da República da Guiné, o Surveillance Active en Ceinture, de dezembro de 2015 a setembro de 2016, os médicos tentaram entrar em contato ou acompanhar outros sobreviventes do ebola que haviam recebido alta das unidades de tratamento utilizando “autópsias verbais”. Eles solicitaram aos familiares próximos informações sobre sinais, sintomas e evolução clínica dos pacientes, assim como os arquivos médicos disponíveis, que foram revisados por epidemiologistas.

No geral, as informações de acompanhamento estavam disponíveis para 1.130 de 1.270 sobreviventes. A idade mediana na alta dos centros de tratamento foi de 28 anos, e cerca de metade eram mulheres. A duração média de internação foi de 12 dias.

Embora 59 mortes tenham sido relatadas, a data exata da morte era desconhecida para 43 pacientes.

Eles descobriram ainda que, até dezembro de 2015, com cerca de um ano de seguimento após a alta hospitalar, os sobreviventes de ebola possuíam um risco cinco vezes maior de morrer em comparação com a população geral na República da Guiné (taxa de mortalidade padronizada por idade 5,2, IC 95% 4,0-6,8). No entanto, após esse período de um ano, de janeiro a setembro de 2016, não houve diferença na mortalidade entre os sobreviventes e a população geral, o que é concordante com outros estudos realizados com mais de um ano após a alta hospitalar, nos quais também não houve diferença de mortalidade.


Os pesquisadores caracterizaram o estudo como o “primeiro deste tipo a mostrar um aumento significativo na mortalidade de sobreviventes da doença pelo vírus ebola após a alta das unidades de tratamento”.

Os resultados sugerem que o acompanhamento a longo prazo pode ser necessário em sobreviventes de outras febres virais hemorrágicas, incluindo os vírus da febre de Marburg, Crimeia-Congo, Lassa e Nipah.

Os autores sugerirem a realização de estudos de acompanhamento de dois anos para medir reduções na expectativa de vida, assim como intervenções clínicas terapêuticas preventivas e precoces contra infecções agudas graves nesses pacientes.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autor:


Úrsula Neves


Jornalista carioca. Diretora executiva do Digitais do Marketing, colunista de cultura e maternidade dos sites Cabine Cultural e Feminino e Além, respectivamente.


Referências bibliográficas:
https://www.medpagetoday.com/infectiousdisease/ebola/81998;
https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(19)30313-5/fulltext;
https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(19)30429-3/fulltext;
https://www.who.int/csr/don/29-august-2019-ebola-drc/en/


Autor: PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 23/09/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/ebola-insuficiencia-renal-causa-morte-em-sobreviventes-do-surto/

Quando realizar o parto em gravidez complicada por hipertensão?



O momento certo de resolução de uma gravidez é razão para muitas controvérsias. Isso pode tanto acontecer numa gestação de baixo risco que não entra em trabalho de parto espontâneo e atinge a “data provável do parto” com 40 semanas, quanto mais numa gravidez complicada por quaisquer patologias. A gravidez complicada por hipertensão arterial acontece em aproximadamente 10% das gestações, dessas, 2 a 3 % desenvolvem pré-eclampsia.

O momento de resolução da gestação a partir de 37 semanas parece bem acordado pelo mundo científico. Todos guidelines concordam que o risco de continuar a gravidez supera em muito o benefício da resolução nessa idade gestacional.

Nas idades abaixo de 34 semanas também existe bastante concordância na possibilidade de se aguardar um melhor prognóstico fetal próximo de 34 semanas se possível desde que a paciente esteja bem controlada.

As controvérsias de difícil decisão situam-se no período de 34 a 37 semanas. Qual seria a melhor idade para interrupção? Deve-se indicar resolução da gravidez ao alcançar 34 semanas? Ou 37 semanas? Deve-se aguardar o trabalho de parto de forma espontânea ou iniciar indução do parto?

O estudo

Um trabalho recente, envolvendo maternidades inglesas e do País de Gales, selecionou pacientes para o estudo que preenchessem os seguintes critérios:
Idade gestacional entre 34 e 37 semanas;
Gestações únicas ou gemelares dicoriônicas diaminióticas com pelo menos um feto viável;
Idade materna de pelo menos 18 anos.

O único critério de exclusão era a previsão de parto nas próximas 48 horas por alguma indicação médica.

Assim, as pacientes foram randomizadas para o estudo de acordo com a gravidade de sua hipertensão no momento da admissão, cidade de origem, número de fetos, cesárea prévia e idade gestacional (34, 35 ou 36 semanas).

Foram recrutadas 901 pacientes das quais 450 no grupo de parto planejado e 451 no grupo de conduta expectante até 37 semanas.
Quando realizar o parto?

Entre os resultados, neste trabalho que avaliou pacientes com pré-eclâmpsia no final da gravidez, observou-se que o parto programado reduziu a morbidade, mas aumentou a necessidade de assistência ao recém-nascido (com admissões em unidade de UTI neonatal – principalmente pela prematuridade, nem tanto pela necessidade respiratória). Os custos com internação também foram menores neste grupo.


Nas gestações complicadas por pré-eclâmpsia tardia (a partir de 34 semanas) abreviar o parto planejando-o antes das 37 semanas melhora o seguimento puerperal, mas aumenta os índices de admissão em unidades neonatais pela exclusiva prematuridade. Postergar o parto ganhando apenas alguns dias aumentou a morbidade materna de forma desaconselhável.

É importante ressaltar que os dados deste trabalho não podem ser extrapolados para hipertensas crônicas ou aquelas com hipertensão gestacional.


Autor:


João Marcelo Martins Coluna


Médico Ginecologista e Obstetra formado pela Universidade Estadual de Londrina • Mestrado em Fisiopatologia pela Unoeste (Universidade Oeste Paulista) • Docente da Unoeste (Presidente Prudente) – departamento materno infantil • Preceptor Residência Médica Hospital Regional Presidente Prudente – SP • Plantonista Ginecologia e Obstetrícia Hospital Regional Presidente Prudente • Plantonista Ginecologia e Obstetrícia Hospital Estadual Dr. Odilo Antunes Siqueira (Presidente Prudente – SP) • Plantonista Ginecologia e Obstetrícia Santa Casa de Misericórdia de Adamantina
Plantonista Socorrista Santa Casa de Misericórdia Presidente Prudente • Médico Regulador ambulatorial município de Dracena – SP • Médico Preceptor ambulatorial UNIFADRA (Dracena – SP) • Ginecologista do serviço ambulatorial de Narandiba (SP) • Ginecologista e Obstetra do serviço ambulatorial de Pirapozinho (SP).


Referência bibliográfica:

Chappell LC, et al. Planned early delivery or expectant management for late preterm pre-eclampsia (PHOENIX): a randomised controlled trial. The Lancet. Published online August 28, 2019. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(19)31963-4


Autor: PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 23/09/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/quando-realizar-o-parto-em-gravidez-complicada-por-hipertensao/

Antidepressivos podem interferir na perda de peso?

mão segurando medicamentos antidepressivos, com outros ao fundo

Uma das grandes preocupações dos médicos que possuem pacientes em tratamento psiquiátrico e que estão com sobrepeso ou obesidade é a interferência da medicação, principalmente antidepressivos e antipsicóticos, no peso. Por isso, um recente estudo canadense, publicado no Obesity, visou comparar a perda de peso em pacientes que tomam alguma dessas classes de medicamentos, ou ambas, com quem não toma.

O estudo analisou mais de 17 mil pessoas inscritas em um programa de mudança de estilo de vida, supervisionado por médicos da Wharton Medical Clinic, em Ontário, no Canadá. Desses, cerca de 23% estavam em uso de pelo menos um medicamento psiquiátrico: 3457 participantes tomavam antidepressivos, 172 usavam antipsicóticos e 465, ambos.
Medicações psiquiátricas interferem na perda de peso?

Os resultados mostraram que a perda de peso entre os pacientes psiquiátricos e aqueles que não usavam nenhuma medicação do tipo foi bem parecida. Depois de 21 meses, a perda média foi de 3,4 kg (2,9% do peso corporal inicial), com os homens perdendo cerca de 1 kg a mais que as mulheres. Em resumo, cerca de 28% dos participantes do estudo perderam 5% ou mais do peso corporal inicial, e 10% perderam 10% ou mais.

Apesar de todos perderam uma quantidade significativa de peso (P <0,0001), quando foi separado por sexo, os homens tiveram uma diferença maior: aqueles que tomavam antidepressivos perderam um pouco menos de peso que os que usavam as duas classes de medicamentos ou nenhuma delas (3,2 ± 0,3 kg vs. 5,6 ± 0,9 kg e 4,3 ± 0,1 kg; P <0,05). Enquanto isso, as mulheres com uso de uma ou duas das classes de medicamentos psiquiátricos tiveram uma perda de peso semelhante às que não usavam nenhum dos medicamentos (P> 0,05).


Por ser uma preocupação comum que os fármacos antidepressivos e antipsicóticos possam interferir no peso, muitas vezes os médicos não insistem na mudança de hábito de pacientes com sobrepeso ou obesidade. Os resultados do estudo, porém, mostram que, apesar de alguns medicamentos possuírem efeitos adversos relacionados ao peso, se o paciente utilizar estratégias para perda de peso e mudanças para hábitos saudáveis, os medicamentos não possuem tanta interferência.

Assim, os profissionais de saúde não devem ter receio de encorajar esses pacientes a se envolver em programas de emagrecimento, focando sempre na importância do acompanhamento médico. Além disso, como o estudo não se aprofundou nos fármacos, na hora da escolha é importante avaliar de acordo com os efeitos, para que cada paciente possa ter o tratamento correto sem interferir tanto em outras questões da sua saúde.


Referência bibliográfica:
Wharton S, et al. Effectiveness of a Community‐Based Weight Management Program for Patients Taking Antidepressants and/or Antipsychotics. Obesity. V 27, n 9, september 2019. P 1539-1544. https://doi.org/10.1002/oby.22567


Autor: PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 23/09/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/antidepressivos-podem-interferir-na-perda-de-peso/