segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Saúde reforça assistência a indígenas durante pandemia do coronavírus



Ministério da Saúde investiu cerca de R$ 70 milhões em ações específicas de proteção aos indígenas para enfrentamento da Covid-19. Cerca de 1 milhão de itens entre equipamentos e insumos foram enviados aos 34 DSEI do país

O governo do Brasil tem garantido assistência aos mais de 750 mil indígenas brasileiros aldeados durante a pandemia da Covid-19. O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), reforçou o atendimento desde o início do ano, antes mesmo do decreto de pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessa forma, foram realizadas ações de informação, prevenção e combate ao coronavírus, orientando comunidades indígenas, gestores e colaboradores em todo o Brasil. São mais de 6 mil aldeias de 305 etnias espalhadas pelo país.

Até o momento, cerca de 1 milhão de itens entre Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), insumos e medicamentos foram enviados aos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Foram distribuídos máscaras cirúrgicas e N95, luvas, aventais de proteção, toucas, frascos de álcool em gel, e testes rápidos para Covid-19. Para que a entrega fosse possível, o Ministério da Saúde já investiu mais de R$ 70 milhões em ações específicas para o enfrentamento da Covid-19, incluindo compras realizadas pelos DSEI.

"Estamos trabalhando firme para atender toda a população indígena neste momento com assistência de qualidade, revendo procedimentos, melhorando as questões de saneamento e atendimento à saúde básica de cada indígena brasileiro. Mesmo antes da decretação de pandemia, nós da SESAI já estávamos atuando por reconhecer a fragilidade, a história e o perfil epidemiológico dos povos indígenas. A conduta precoce é a melhor ação, portanto, qualquer indígena que apresentar sintomas, deve procurar o serviço de saúde mais próximo para receber atendimento médico", reforçou o secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Robson Santos da Silva.

A SESAI conta hoje com 14,2 mil profissionais, sendo 60% indígenas, integrando cerca de 800 Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena. As ações durante a pandemia incluem reforço médico em todos os 34 DSEI, um investimento de R$ 1,1 milhão em pesquisas com foco no enfrentamento da Covid-19 entre a população indígena e a distribuição de medicamentos e insumos médicos.
AÇÕES DE ENFRENTAMENTO DA COVID-19

Ao longo do período da pandemia, o Ministério da Saúde tem desenvolvido estratégias para aprimorar o atendimento e uma das mais recentes é a criação da Unidade de Atenção Primária Indígena (UAPI). As unidades vão fortalecer os serviços de atenção primária à saúde indígena no atendimento desta população proporcionando o acolhimento dos casos suspeitos de Síndrome Gripal e identificação precoce de casos de coronavírus.

Também foram instaladas alas indígenas para tratamento da Covid-19. No total, a SESAI criou mais de 150 leitos para indígenas nos estados do Amazonas (Manaus, Atalaia do Norte, Benjamin Constant), Amapá (Macapá), Pará (Belém, Marabá, Santarém) e Roraima (Boa Vista).

Estão sendo realizadas, ainda, missões conjuntas com o Ministério da Defesa para envio de equipamentos, insumos e apoio de pessoal aos Hospitais Militares que atendem também a população civil em São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga, Vale do Javari (AM), Boa Vista (RR), Oriximiná (PA) e na população Xavante (MT).

Foi elaborado um Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo Coronavírus em Povos Indígenas que detalha como as equipes de saúde devem agir conforme cada caso. Os DSEIs também desenvolveram seus respectivos Planos de Contingência Distritais para as diferentes situações de enfrentamento da Covid-19, respeitando as características de cada povo e suas necessidades específicas. Todo esse planejamento e estudo antecipado resultam em atendimentos rápidos e eficientes executados diretamente nas aldeias.
PREPARO DAS EQUIPES

A assistência aos povos indígenas inclui a capacitação de Agentes de Saúde Indígenas durante a pandemia da Covid-19 e a disponibilização de 19 vacinas aos estados e DSEI, abrangendo crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes. A Operação Gota realiza a multivacinação em populações que vivem em áreas de difícil acesso. O Ministério da Saúde também acompanha os indígenas beneficiários do programa Bolsa Família, por meio da Atenção Primária. Hoje, são acompanhados 233.187 indígenas.

Em todos os casos, as equipes dos DSEI têm atuado dentro do previsto no planejamento e realizado o isolamento de infectados, casos suspeitos e a transferência para a rede pública estadual e municipal dos pacientes que necessitem de suporte especializado em hospitais. Para isso, a SESAI emprega uma grande frota de veículos, embarcações e aeronaves para levar os indígenas em segurança até as cidades mais próximas que ofereçam o atendimento necessário.

Para oferecer atendimento em situações de emergência, a Secretaria autorizou a contratação de 34 equipes de resposta rápida para atuar em cada DSEI. As equipes, compostas por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, ficam disponíveis 24h para partir para o território indígena que apresentar, eventualmente, um aumento de casos repentino, reforçando assim o trabalho das equipes multidisciplinares de saúde indígena que já se encontram atuando normalmente nas aldeias.


Da Agência Saúde
Atendimento à imprensa:
(61) 3315.3580



Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 09/08/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47328-saude-reforca-assistencia-a-indigenas-durante-pandemia-do-coronavirus

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

A segunda onda da covid-19 no Irã e um alerta para o Brasil

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

O Irã foi um dos primeiros países fortemente atingidos pela pandemia. Mas ao contrário da China (epicentro original do surto da covid-19), o Irã teve uma segunda onda que tem sido muito maior do que a primeira. O país já vive quase 6 meses de descontrole do número de pessoas infectadas e do número de vidas perdidas.

Os primeiros dois casos do novo coronavírus foram registrados no dia 19 de fevereiro de 2020 na cidade de Qom. E no mesmo dia o Ministério da Saúde do Irã disse que ambos tinham morrido. No dia 20 de fevereiro três novos casos foram relatados. No dia 21/02 foram notificados mais 13 novos casos e dois novos óbitos. A primeira onda cresceu rapidamente e no final de março já tinha chegado a 3 mil casos diários, conforme mostra o gráfico abaixo.

Durante todo o mês de abril o número de casos diminuiu e atingiu o menor valor no dia 02 de maio com 802 novos casos. Mas a partir daí o número de pessoas infectadas voltou a subir e atingiu o pico no dia 04 de junho com 3.574 casos. Durante os meses de junho e julho a média móvel de 7 dias ficou em torno de 2.500 diários e chegou a 2.700 casos diários no início de agosto. Portanto, o Irã continua em um alto platô de morbidade.



Após uma onda de casos, ocorre uma onda de óbitos, conforme mostra o gráfico abaixo. O primeiro pico ocorreu no dia 04 de abril com 158 óbitos e com uma média móvel de 141 mortes no dia 06/04. Nos meses de abril e maio o número de mortes diminuiu muito e chegou a 34 óbitos no dia 25/05. Mas o número de vítimas fatais voltou a subir rapidamente e atingiu o pico de 235 óbitos no dia 28 de julho. A média móvel de 7 dias atingiu 214 óbitos no dia 03/08. Até a data do primeiro pico, o Irã tinha 3.452 óbitos. Mas no dia 05/08 já eram 17.802 óbitos, mais de 5 vezes o valor do primeiro pico.



A tabela abaixo mostra os coeficientes de incidência e de mortalidade para os números acumulados. O Brasil tem um dos maiores coeficientes de incidência com 13,5 mil casos por milhão de habitantes, o Irã tem 3,8 mil casos por milhão e o mundo tem 2,4 mil casos por milhão. No coeficiente de mortalidade, o Brasil é também destaque com 460 mortes por milhão de habitantes, o Irã com 212 óbitos por milhão e o mundo com 91 óbitos por milhão. Em termos proporcionais o Brasil tem sofrido bem mais do que o Irã.



O Brasil realizou proporcionalmente mais testes do que o Irã e tem uma menor taxa de letalidade. Isto pode sugerir que o Irã tem um grande número de casos e de mortes subnotificadas. Matéria da BBC (03/08/2020), afirma que a empresa teve acesso a documentos que se acredita serem registros oficiais iranianos não publicados, sugerem um número muito maior de mortes e que o Irã está omitindo a verdadeira escala do surto. De acordo com esses números, a pandemia pode ter matado até 42.000 iranianos até 21 de julho, em comparação com cerca de 14.000 mortes relatadas pelo Ministério da Saúde naquela época.

O fato é que a pandemia avança no mundo e o Brasil e o Irã são dois países muito impactados pelo novo coronavírus, tanto em termos de saúde quanto em termos econômicos. Já estamos caminhando para o final do ano de 2020 e não existe uma luz no fim do túnel. O Brasil que ainda está navegando na primeira onda, deve ver a situação do Irã como uma possibilidade de uma situação que se pode repetir por aqui.

Enquanto o cenário de saúde se deteriora, a situação econômica se agrava. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), divulgada no dia 06/08, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que houve o fechamento de 8,9 milhões de postos de trabalho em apenas 3 meses em meio aos impactos da pandemia de coronavírus.

Ainda segundo o IBGE, o nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) caiu 5,6 pontos percentuais frente ao trimestre anterior (53,5%), atingindo 47,9% no trimestre de abril a junho de 2020, o menor da série histórica. Frente a igual trimestre do ano anterior (54,6%), a queda foi de 6,7 p.p. A taxa composta de subutilização (29,1%) foi recorde na série, com elevação de 4,8 p.p. em relação ao trimestre anterior (24,4%) e de 4,3 p.p. em relação a 2019 (24,8%). A população subutilizada (31,9 milhões de pessoas) foi mais um recorde na série, crescendo 15,7% (4,3 milhões pessoas a mais) frente ao trimestre anterior (27,6 milhões) e 12,5% (3,5 milhões de pessoas a mais) frente a igual período de 2019 (28,4 milhões). A população fora da força de trabalho (77,8 milhões de pessoas) atingiu o maior contingente da série e teve crescimento recorde em ambas as comparações: 15,6% (mais 10,5 milhões de pessoas) comparada ao trimestre anterior e 20,1% (mais 13,0 milhões de pessoas) frente a igual trimestre de 2019.

Os números da PNAD são preocupantes pois é como se tivesse caído uma “bomba de nêutrons” sobre o mercado de trabalho brasileiro, destruindo postos de trabalho em massa. Evidentemente, a situação brasileira difere da tragédia ocorrida com a explosão do estoque de nitrato de amônio armazenado no porto de Beirute (em 04/08/2020), mas não se pode negar que há um cataclismo ocorrendo em câmera lenta. A reconstrução do mercado de trabalho brasileiro pode ser comparado com uma reconstrução de guerra e deveria ter a prioridade máxima. Ao se gerar emprego, são gerados renda, consumo, impostos, investimentos e riqueza em geral. Fazer apenas transferência de renda é uma política insuficiente. Por conseguinte, o essencial é efetiva políticas, que tem que começar agora na direção do pleno emprego.

O esforço requerido é enorme. Sem embargo, o que há de comum, tanto no Brasil, quanto no Líbano e de certa forma no Irã é que os três países estão passando por uma situação interna de implosão da estrutura produtiva e de esgarçamento do tecido social. O avanço da pandemia da covid-19 é um primeiro obstáculo a vencer, mas a reconstrução nacional e internacional são tarefas colocadas que vão durar mais de uma década. Embora a emergência sanitária seja a prioridade absoluta é preciso articular uma resposta que cubra também as áreas econômica, ambiental e social, articulando soluções de forma holística.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. A pandemia de Coronavírus e o pandemônio na economia internacional, Ecodebate, 09/03/2020

https://www.ecodebate.com.br/2020/03/09/a-pandemia-de-coronavirus-covid-19-e-o-pandemonio-na-economia-internacional-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

Zulfiqar Ali. Coronavirus: How Iran is battling a surge in cases, BBC Reality Check, 3 August 2020

https://www.bbc.com/news/52959756

IBGE. PNAD Contínua: taxa de desocupação é de 13,3% e taxa de subutilização é de 29,1% no trimestre encerrado em junho de 2020, 06/08/2020

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/28478-pnad-continua-taxa-de-desocupacao-e-de-13-3-e-taxa-de-subutilizacao-e-de-29-1-no-trimestre-encerrado-em-junho-de-2020

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/08/2020




Autor: José Eustáquio Diniz Alves
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 07/08/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/08/07/a-segunda-onda-da-covid-19-no-ira-e-um-alerta-para-o-brasil/

Peritos criminais criam projeto para aprimorar investigação de crimes de violência sexual


Priscila Torres, chefe do laboratório, e Arthur Prates, um dos administradores do banco genético do IPPGF, fazem extração de DNA (Fotos: Divulgação)

Se a pandemia pode ter contribuído para agravar a situação de violência contra a mulher no País em razão, principalmente, do isolamento social de casais e familiares, dados do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em setembro de 2019, reforçam que a violência acontece principalmente dentro de casa. Em 2018, foram registradas 263.067 denúncias de violência doméstica, que resultaram em 1.208 vítimas de feminicídio, sendo o autor em 88% dos casos o companheiro ou ex da vítima. Entre as denúncias de violência sexual, foram registrados 66.041 casos, 81,8% vítimas do sexo feminino e 53,8% menores de 13 anos. Um quadro que se similar ao que acontece Estado do Rio de Janeiro. Em 2018 foram registrados 4.543 estupros no Estado, em que 70% das vítimas eram menores de idade e 66% dos agressores não eram conhecidos das vítimas, de acordo com os dados mais recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP). Os números levaram a perita criminal e diretora do Instituto de Pesquisa e Perícia em Genética Forense (IPPGF), Selma Lílian Sallenave Sales, a propor um projeto para acelerar e aprimorar as investigações desses crimes quando não se registra nenhum suspeito.

“A proposta é trabalharmos em duas frentes. A primeira é o aperfeiçoamento de metodologias para melhorar a qualidade do DNA obtido a partir das amostras e também acelerar seu processamento. Queremos fazer com que o processo seja o mais rápido possível através da utilização de plataformas automatizadas. Esses são crimes de difícil caracterização porque não é simples separar o DNA da vítima e do agressor para análise, pois, na maioria das vezes, ocorre mistura dos materiais genéticos de ambos. A segunda frente é alimentar o Banco Estadual de Perfis Genéticos (BEPG) do Rio de Janeiro”, explica a doutora em Biologia Molecular pela Fundação de Oswaldo Cruz (Fiocruz). Contemplada pelo edital Programa de Apoio a Projetos de Inovação no Campo da Ciência Forense, ela utilizou os recursos recebidos da FAPERJ para a compra de insumos de laboratório.

O IPPGF, criado em 2005, e é responsável por realizar todos os exames criminais do Estado e está vinculado ao Departamento Geral de Polícia Técnico-Científica (DGPTC), e pertencente à Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol). No entanto, até 2012 não havia ainda sido estabelecido no Brasil um banco informatizado de perfis genéticos estadual (BEPG) para que as polícias técnicas pudessem fazer um confronto entre materiais de violência sexual de casos abertos (sem indicação de suspeitos) com os perfis de DNA de condenados e evidências criminais depositadas nesse mesmo banco. A metodologia é baseada em pesquisas realizadas nos Estados Unidos em que se identifica um grande reincidência dos agressores que cometem crimes de violência sexual.

Com a parceria firmada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública e o FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) para a utilização do sistema CODIS, o País passou a ter uma Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos e, desde então, a base está sendo alimentada através dos Bancos Estaduais, tanto com informações genéticas de evidências de crimes sexuais e locais de crime e de pessoas desaparecidas (cadáveres não identificados), quanto de condenados que se enquadram no escopo da Lei nº 12.654/12.

O projeto, que conta também com a participação em equipe dos peritos Arthur de Mello Prates, um dos administradores do Banco de DNA no IPPGF, e de Priscila Afonso Torres, a atual chefe do laboratório, visa processar amostras de casos abertos de violência sexual ocorridos sobretudo entre os anos de 2005 e 2012. “A expectativa é de que ainda possamos obter um DNA de qualidade, e que corresponda aos critérios técnicos exigidos para a inserção no banco e, assim, aumentar a possibilidade de identificarmos um agressor e até mesmo um estuprador em série. A maioria dos casos que ainda recebemos é de casos que chamamos de fechados, por já apresentarem um possível agressor. No entanto, o processamento de casos abertos tem aumentado gradativamente desde a implementação do banco, o que reflete os esforços da Perícia do Rio de Janeiro em investir na resolução de crimes desse tipo.”, conta a diretora do IPPGF.


Selma Sallenave enfatiza a necessidade de buscar alternativas para a coleta mais rápida de amostras de DNA das vítimas de violência, de preferência em hospitais


A perita também pondera que um número maior de casos poderia ser levado à investigação se a coleta do material genético das vítimas fosse realizada o mais rápido possível, uma vez que são amostras que não permanecem muito tempo no corpo e não resistem a uma lavagem. Uma possibilidade seria que o próprio hospital no qual a vítima desse entrada fizesse a coleta. “Uma reação natural da vítima é querer se lavar após a agressão ou levar dias para se sentir confortável para realizar a denúncia. Ainda que bastante compreensíveis, essas ações apagam elementos que poderiam provar o crime”, diz Selma.

A busca no Banco de DNA também é utilizada para identificação de corpos em que não é mais possível se identificar por meio de impressão digital, comparações de arcada dentária e dados antropométricos. A identificação pode ser feita pelo confronto entre o material genético da pessoa desaparecida com o de familiares, rotina essa que representa grande parte dos exames realizados no IPPGF e cujo tema foi foco de projeto anterior desenvolvido por Selma Sallenave e financiado pela FAPERJ.



Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 06/08/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4036.2.4

Despertando vocações: livro apresenta o universo da Paleoparasitologia para estudantes


Com linguagem acessível, o livro chama a atenção de crianças e jovens alunos para as carreiras científicas (Foto: Reprodução)

O estudo de seres invisíveis a olho nu, como micróbios, vermes e bactérias, que viveram há milhares de anos e são encontrados preservados em múmias e materiais orgânicos fossilizados, pode explicar detalhes ainda desconhecidos da fauna e da flora do planeta durante a pré-história. Esse microuniverso revelador é o objeto de estudo da Paleoparasitologia. “Trata-se da ciência que estuda os parasitos, sejam eles protozoários, vermes, bactérias, fungos, vírus e outros micro-organismos encontrados em materiais antigos. Esses materiais podem ser múmias, ossos, dentes, o âmbar que se popularizou no filme Jurassic Park, sedimentos ou mesmo as fezes de animais como dinossauros, chamadas pelos cientistas de coprólitos”, definiu a pesquisadora Daniela Leles, que é professora da disciplina de Parasitologia na graduação de diversos cursos da área de Saúde (como Biologia, Nutrição e Enfermagem) e no programa de Pós-Graduação em Microbiologia e Parasitologia Aplicadas, do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Como desdobramento do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, em que foi contemplada e, por consequência, recebeu recursos da Fundação para a realização de suas pesquisas, ela acaba de lançar, junto com a sua orientanda de doutorado na UFF, a também bióloga Fernanda Guimarães, o livro didático Paleoparasitologia na Educação Básica (Rio de Janeiro, Editora Albatroz, 108 p.), disponível para download gratuito no Repositório Institucional da UFF. Escrita em uma linguagem lúdica, de fácil compreensão, e com ilustrações de Leila Guimarães, irmã de Fernanda, a obra tem o objetivo de despertar vocações para a ciência em crianças e jovens em idade escolar. “Fui aprovada por duas vezes no programa Jovem Cientista e uma das exigências do edital é a realização de atividades de divulgação científica nas escolas públicas. Quando entrei em contato com a Secretaria de Educação de Niterói, em 2015, indicaram a Unidade Municipal de Educação Infantil Rosalda Paim, para crianças de até cinco anos. Daí surgiu o desafio de criar uma linguagem sobre Paleoparasitologia acessível para o público infantil, e de produzir materiais paradidáticos de acesso gratuito para esse segmento”, resumiu Daniela. Assim, em 2017, a dupla lançou dois livros infantis (uma história e uma cartilha de atividades), que agora ganhou uma versão em audiodescrição e libras.

Daniela lembrou que a Paleoparasitologia é uma ciência ainda relativamente jovem. O marco para o início das pesquisas nessa área são os estudos do médico patologista anglo-alemão Sir Armand Ruffer (1859-1917), que se basearam na observação dos ovos de um parasito chamado Schistosoma haematobium nos tecidos renais de múmias egípcias na primeira metade do século XX. “Mas foi um pesquisador brasileiro, Luiz Fernando Ferreira da Silva (1936-2018), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), quem criou o nome “Paleoparasitologia” para essa área de estudos, no final da década de 1970, e consolidou, juntamente com Adauto José Gonçalves de Araújo (1951- 2015), que foi meu orientador durante a especialização, mestrado e doutorado na Fiocruz, um dos mais respeitados grupos de pesquisas paleoparasitológicas em todo o mundo”, contou. Em 2011, o livro Fundamentos da Paleoparasitologia, de Ferreira da Silva, Araújo e Karl Reinhard, um pesquisador da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Ciências Naturais. “Mesmo com essa premiação, essa área do conhecimento ainda é pouco conhecida, nas escolas e até mesmo nas universidades”, contextualizou.


A partir da esq.: Fernanda Guimarães, a ilustradora Leila, sua irmã; e Daniela Leles (Foto: Divulgação)


Uma das contribuições da Paleoparasitologia é fornecer subsídios para uma melhor compreensão da história das doenças e de como elas afetaram o homem, há milhares de anos, e ainda podem nos afetar. “Nós identificamos, por exemplo, um parasito intestinal chamado Giardia duodenalis, que acomete humanos atualmente, e já estava presente na preguiça terrícola, animal extinto no final do Pleistoceno (a Era do Gelo, que durou de 2,5 milhões a 11.700 anos atrás). Outro exemplo é o caso da Leishmania tarentolae. Ela sempre foi classificada pelos pesquisadores como não-patogênica para humanos, ou seja, incapaz de causar doenças. Porém, ao estudarmos uma múmia encontrada no porão de uma igreja na cidade mineira de Itacambira, de um indivíduo que viveu ali no final do século XVIII, durante o período colonial, e atualmente está resguardada no acervo da Fiocruz, observamos vestígios desse tipo de Leishmania na sua medula óssea, o que coloca em dúvida a hipótese científica de que esse parasito sempre tenha sido não-patogênico aos humanos, e de que não possa nos infectar”, detalhou Daniela, se referindo ao artigo assinado por ela e colegas (Shênia Novo, Raffaella Bianucci e Adauto Araujo) na revista médica Parasites & Vectors, intitulado Leishmania tarentolae molecular signatures in a 300 hundred-years-old human Brazilian mummy.

Depois de ter realizado mais de 20 visitas às escolas públicas de Niterói nos últimos anos para divulgar seu projeto, e participado de vários eventos sobre Divulgação Científica promovidos pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), UFF e Fiocruz, Daniela afirma que o assunto tem um grande potencial para atrair o interesse de crianças e jovens pela ciência. “Nós, pesquisadores, quando em contato direto com essas crianças, vemos o quão importante é realizar esse trabalho de base. Elas despertam o melhor de nós, nos fazem voltar no tempo e relembrar as coisas boas que vimos na nossa educação básica e que nos trouxeram até aqui. Quem sabe algumas dessas crianças não serão futuros paleoparasitologistas? Que esse incentivo comece desde a primeira infância. Não à toa, a personagem do livro infantil é uma pesquisadora, mulher, para também incentivar a participação das meninas na ciência”, disse. Ela lembrou ainda que os materiais didáticos estão sendo pensados para ajudar a promover a inclusão das crianças com necessidades especiais. “Vimos o potencial do projeto para integração dessas crianças”, completou.

Além de apresentar a história da Paleoparasitologia, seus materiais de estudo e grandes descobertas, cada capítulo do livro traz sugestões de atividades que podem ser realizadas com estudantes de diferentes faixas etárias. “Por se tratar de um material de acesso aberto, ele pode ser usado no contexto da educação remota nesse momento da pandemia causada pelo novo coronavírus, seja em um contexto formal de ensino ou não, mostrando um tema que dificilmente os estudantes teriam acesso na matriz curricular”, sugeriu Daniela, que pretende lançar novos produtos didáticos, dessa vez com enfoque na pré-história do município de Niterói. “Tivemos recentemente um projeto aprovado no edital Programa de Desenvolvimento de Projetos Aplicados, lançado pela Fundação Euclides da Cunha, da UFF, e pela Prefeitura de Niterói. Vamos trabalhar em parceria com o Museu de Arqueologia de Itaipu e outras instituições”, adiantou.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 06/08/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4038.2.5

Pães de Açúcar, formações rochosas típicas do Rio, são berçários de novas espécies

O Rio de Janeiro não tem apenas um Pão de Açúcar, um dos cartões-postais da cidade maravilhosa. Há pelo menos outros quatro pontos turísticos que se enquadram nessa nomenclatura característica desse tipo de formação rochosa: o mundialmente conhecido Corcovado, a Pedra da Gávea e o morro Dois Irmãos. Essas rochas de granito, castigadas e moldadas pelo sol, pela chuva e pelo vento, vão ganhando contornos arredondados que lembram seios femininos. Historiadores atribuem a origem do nome pão de açúcar aos colonizadores portugueses que transportavam o açúcar em fôrmas cônicas, assim como as usadas para produzir pão.

Denominados inselbergs (insel = ilha e berg = montanha) pelo geólogo alemão Wilhelm Bornhardt, são chamados “pão de açúcar” quando apresentam formato arredondado. Posteriormente, geólogos, geógrafos e biólogos estenderam o uso do termo – pães de açúcar – aos afloramentos rochosos arredondados inseridos na Mata Atlântica, geralmente de composição granítica e gnáissica. Distribuídas por diversos biomas, essas ilhas terrestres, por proporcionarem uma limitada presença e intercâmbio de espécies, possuem flora e fauna únicas, adaptadas ao isolamento dessas montanhas.

Desde jovem a pesquisadora Luiza de Paula foi atraída por essas formações, bastantes comuns no Vale do Mucuri, onde está localizada Teófilo Otoni, sua cidade natal, no Nordeste de Minas Gerais. Durante sua graduação, a curiosidade a respeito do tipo de vegetação que poderia existir naquelas formações rochosas além de cactos aumentou. Alguns professores achavam que não haveria nada de interessante; outros a incentivaram a iniciar incursões na Pedra de São Francisco, localizado em uma fazenda de um amigo de seu pai na região. Assim, quando concluiu o curso de Biologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2011, sua monografia foi o inventário florístico daquele inselberg. “Foi uma grande revelação, pois lá descobrimos 10 espécies novas para a ciência e cinco registros novos [quando a espécie já foi descrita, mas não naquele local] para o estado de Minas Gerais”, comemora a botânica.

Segundo Luiza, dessas novas espécies, todas endêmicas de inselbergs de Minas Gerais e Espírito Santo, sete já foram descritas em artigo científicos, das quais três ela participou da descrição: Axonopus graniticola, uma espécie de capim que só ocorre em afloramentos de granito; Anthurium mucuri, planta da família Araceae, uma espécie da mesma família do Imbé, muito ornamental, que ocorre apenas em inselbergs do Vale do Mucuri; e Solanum hydroides, espécie da mesma família do tomate e da batata, que ocorre sempre associada às matas que crescem sobre os inselbergs, cujo nome "hydroides" remete à semelhança de seus espinhos com a hydra, um animal aquático. As quatro demais espécies descritas por outros taxonomistas são a Bradea borrerioides, da família Rubiaceae (a mesma do café); Pleroma marinana, da mesma família da quaresmeira; Serpocaulon demissum, uma espécie de samambaia; e Scleria didina, da família Cyperaceae, uma espécie graminiforme, ou seja, semelhante às gramíneas. Duas outras espécies de Myrtaceae (mesma família da goiaba e jabuticaba) e uma espécie de Apocynaceae, da família da rosa-do-deserto, estão em processo de descrição. 


Várias especies de orquídeas (coluna da esquerda), bromélias como os tapetes (no alto, à dir.) prosperam, como a Apocynaceae (abaixo, à dir.)


Posteriormente, Luiza focou sua dissertação de mestrado nos diversos microhabitats da Pedra de São Francisco, que de tão variados são considerados ilhas em ilhas. Ali foram registradas 88 espécies de plantas, com predominância de bromélias, ervas, orquídeas e capins. A pesquisa mostrou que adaptações morfológicas, anatômicas e reprodutivas foram necessárias para a sobrevivência das plantas nesses ambientes. Entre os microhabitats há as “panelas”, depressões na pedra nas quais o acúmulo de água favorece o crescimento de plantas aquáticas e carnívoras; os “tapetes”, onde espécies como bromélias crescem grudadas à rocha, entre outros. Seu estudo concluiu que eram necessárias abordagens mais amplas, tanto qualitativas quanto quantitativas, para o desenvolvimento de estratégias de conservação e manejo da vegetação única sobre esses afloramentos rochosos.

A escassez de informações sobre os inselbergs levou Luiza a esmiuçar as informações contidas em livro do alemão Stefan Porembski, que esteve no Brasil na década de 1990 para estudar essas formações rochosas. Ao entrar em contato com o botânico, para conhecer o seu trabalho, foi convidada a fazer seu doutorado na Universidade de Rostock, na Alemanha. Luiza passou a trabalhar nos inselbergs da Região Sudeste brasileira inseridos no bioma da Mata Atlântica, incluindo o sul da Bahia, onde sua família possui uma chácara. Nesse período, a botânica alternou seus estudos na Alemanha com a pesquisa de campo no Brasil, e no último ano como pesquisadora visitante na Universidade de Vrije, em Bruxelas (Bélgica).

Durante o período de estudos em solo brasileiro, Luiza colaborou com Rafaela Forzza, pesquisadora no Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Parte do projeto da FAPERJ de Cientista do Nosso Estado, coordenado por Rafaela, financiou as pesquisas de campo e coleta de dados nos inselbergs. Contudo, a conexão das pesquisadoras foi muito além do mundo acadêmico. “Eu também nasci em locais de inselbergs, só que no vale do Rio Doce, no Espírito Santo, e fiz meu doutorado com bromélias de inselbergs. O destino nos uniu pelo amor pelas plantas deste ambiente tão único, apesar de sermos de gerações distintas”, lembra Rafaela. O primeiro artigo que consolidou essa colaboração foi um estudo sobre as bromélias que ocorrem nos inselbergs, com a lista de espécies e seus padrões de distribuição, que foi seguido por outras publicações envolvendo a dupla. “Vimos que os inselbergs são ecossistemas muito importantes para a especiação [processo evolutivo pelo qual as espécies vivas se formam] de bromélias, plantas que são extremamente ornamentais e servem para abrigar uma rica fauna, já que elas acumulam água em seus tanques, onde vivem insetos e anfíbios”, conta Luiza. Além disso, ela relatou que as bromélias grudam na rocha praticamente nua, e depois vão acumulando substrato, permitindo o crescimento de outras plantas. Consideradas plantas pioneiras nos inselbergs, elas formam um microhabitat conhecido como tapete, e por permitirem o crescimento de outras plantas, são também chamadas de plantas enfermeiras. “Sem elas, não teríamos uma flora tão rica nos inselbergs”, esclarece Luiza, “primeira autora” (como é designado o autor principal de um estudo científico) do artigo, publicado no Botanical Journal of the Linnean Society, em 2016.

Como consequência natural, em seguida, a pesquisadora iniciou o levantamento de todas as plantas vasculares dos inselbergs do tipo pão de açúcar do sudeste do Brasil, inseridos da Mata Atlântica. Nesse inventário florístico, foram compiladas 548 espécies de plantas, das quais 115 estão em alguma categoria de ameaça, isso considerando que mais de 70% das plantas catalogadas não tiveram o grau de ameaça avaliado. Em artigo publicado este ano no Biodiversity Data Journal, Luiza trata das plantas raras encontradas, além de mais de 20 novas espécies, que estão em processo de descrição. “Por serem de difícil acesso e estarem, muitas vezes, inseridos em áreas antropizadas, a comunidade botânica negligenciou os inselbergs e sua flora, por isso estamos revelando tantas novidades com as nossas pesquisas”.


A partir da esq., Rafaela, Luísa Oliveira e Luiza de Paula: unidas pela paixão por plantas que crescem em locais pouco acessíveis, como nos pães de açúcar, inselbergs típicos do Rio de Janeiro

Devido às diferentes condições de precipitação e umidade, a pesquisadora observou que os inselbergs do Rio de Janeiro são bem diferentes dos encontrados no interior. E até em uma mesma região, podem apresentar uma flora diversa, já que são isolados e possuem fluxo gênico baixo, ou seja, a dispersão de sementes e a polinização são restritas (feitas pelo vento, insetos ou aves), o que dificulta a conexão das plantas entre os afloramentos. Dessa forma, muitas plantas se tornam endêmicas, ocorrendo em um inselberg ou em uma dada região. Além disso, diversas espécies ocorrem somente nos inselbergs e não estão presentes na vegetação ao redor da rocha. Um exemplo são as chamadas plantas de ressurreição, que chegam a perder 90% de água em suas folhas, mas que ressuscitam com um mínimo de chuva. Muitas são endêmicas da rocha, e usam os inselbergs de trampolins para se espalharem. “O acúmulo de mutações consequente do isolamento e das condições inóspitas fazem dos inselbergs um berçário de novas espécies”, diz a botânica, que explorou mais de 40 afloramentos, com a fundamental ajuda da colega Luísa Azevedo Oliveira, que além de ter participado das publicações, atualmente também fez dos inselbergs, sua geologia e espécies raras, sua tese de doutorado na UFMG.

A fim de contribuir com a aproximação da ciência e sociedade, Luiza e alguns amigos biólogos criaram, há dois meses, o podcast “Papagaio de Primata” 

ttps://biologiadaconservacao.com.br/papagaiodeprimata. Dedicado à divulgação científica, o site apresenta conteúdo baseados em dados científicos e buscam novas possibilidades de comunicação nas temáticas socioambientais.




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 06/08/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4039.2.0

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

PIPE abre nova rodada para apresentação de propostas



Prazo final para submissão de projetos ao 4º ciclo de 2020 é 19 de outubro. Podem se candidatar empresas com até 250 empregados ou quem ainda não tem um empreendimento formalizado (foto: Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP)


A FAPESP lançou a quarta chamada de propostas de 2020 do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). O 4º Ciclo de Análise do ano recebe pedidos de novos projetos até 19 de outubro de 2020.

As propostas de financiamento devem conter projetos de pesquisa que possam ser desenvolvidos em duas etapas:

1) demonstração da viabilidade tecnológica de produto ou processo, com duração máxima de nove meses e recursos de até R$ 200 mil;

2) desenvolvimento do produto ou processo inovador, com duração máxima de 24 meses e recursos de até R$ 1 milhão.

Quando os proponentes já tiverem realizado atividades tecnológicas que demonstrem a viabilidade do projeto podem submeter propostas diretamente à Fase 2.

Estão reservados até R$ 15 milhões para atendimento às propostas selecionadas. A submissão de projetos deve ser feita pelo sistema SAGe da FAPESP.

Podem apresentar propostas pesquisadores vinculados a empresas de pequeno porte (com até 250 empregados) com unidade de pesquisa e desenvolvimento no Estado de São Paulo. Quem não tiver empresa formalizada também pode submeter propostas. A formalização deverá acontecer após a aprovação do projeto e antes da assinatura do auxílio PIPE.

As normas para submissão de propostas estão disponíveis em: www.fapesp.br/pipe/normas.

A FAPESP divulgará o resultado enviando a cada proponente os pareceres técnicos dos avaliadores. Os pareceres podem ser úteis para o aperfeiçoamento da proposta, se aprovada ou não. Em caso de não aprovação, o proponente poderá aperfeiçoar a proposta, corrigindo as falhas apontadas, e submeter nova solicitação no edital subsequente.

A chamada para o 4º ciclo de 2020 está publicada em: www.fapesp.br/pipe/chamada-4-2020.

Para atender aos interessados em participar da chamada, a FAPESP realizará no dia 23 de setembro de 2020, das 9h às 12h, o evento Diálogo sobre Apoio à Pesquisa para Inovação na Pequena Empresa.

O evento é a oportunidade para – empresários ou futuros empreendedores que já apresentaram ou têm interesse em propor um projeto ao Programa FAPESP de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) – resolver dúvidas antes do dia 19 de outubro de 2020, fim do prazo para apresentar propostas ao 4º Ciclo de Análise de Propostas para o Programa PIPE 2020.




Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 22/07/2020
Publicação Original: http://www.fapesp.br/14371

Programa de Pesquisa para o SUS tem nova chamada de propostas

A FAPESP divulga orientações para pesquisadores do Estado de São Paulo interessados em submeter propostas em nova chamada do Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS).

Lançada pela FAPESP em conjunto com o Ministério da Saúde e o CNPq, a chamada tem como objetivo apoiar atividades de pesquisa mediante o aporte de recursos financeiros a projetos que promovam o desenvolvimento científico, tecnológico ou de inovação da área de saúde visando ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado de São Paulo, no contexto da pandemia de COVID-19.

Os projetos selecionados serão apoiados por meio da modalidade de apoio Auxílio à Pesquisa – Regular.



Serão selecionados projetos de pesquisas em linhas prioritárias para o enfrentamento da pandemia de COVID-19 (imagem: Pixabay)

O PPSUS envolve parcerias no âmbito federal e estadual. No nível federal, participam o Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos (Decit/SCTIE/MS), que é o coordenador nacional do Programa, e o CNPq, que é a instituição responsável pelo gerenciamento técnico-administrativo do PPSUS em nível nacional. Na esfera estadual, estão envolvidas as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) e as Secretarias Estaduais de Saúde (SES).

A nova chamada foi concebida para apoiar a realização de projetos de pesquisa em três grandes eixos estratégicos para a SES-SP, que contemplam linhas prioritárias para o enfrentamento da pandemia de COVID-19 e fortalecimento do SUS no estado de São Paulo.

Eixo 1 - Redução da morbimortalidade pela COVID-19 no Estado de São Paulo

Eixo 2 – Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde no contexto da COVID-19

Eixo 3 – Tecnologia e inovação no SUS no contexto da pandemia de COVID-19

As propostas aprovadas serão financiadas, conforme estabelecido no terceiro termo aditivo ao convênio firmado entre a FAPESP e o CNPq, com recursos de capital e de custeio, na proporção de 75% e 25%, respectivamente, no valor global estimado de R$ 1.022.501,43.

Os projetos, com até 24 meses de duração, terão o valor máximo de R$ 200 mil.

As propostas devem ser submetidas à FAPESP e ao Ministério da Saúde até 10 de setembro de 2020.

A chamada de propostas está publicada em: www.fapesp.br/14383.




Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 28/07/2020
Publicação Original: http://www.fapesp.br/14384