sábado, 8 de janeiro de 2022

Mudanças climáticas: as nuvens que pairam sobre as promessas feitas na COP26



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O progresso feito na conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a COP26, já está em risco por causa dos desafios de 2022?

2021 foi um ano importante para as mudanças climáticas.

Além de uma série de eventos extremos e destrutivos influenciados pelo aumento das temperaturas, os últimos 12 meses viram um engajamento político sem precedentes sobre o assunto, culminando na cúpula da COP26, em Glasgow, em novembro.

Sem dúvida, houve progresso, e o impulso geral da reunião foi no sentido de uma ação mais rápida em uma série de medidas para reduzir as emissões.

Mas agora existem preocupações crescentes de que esse ímpeto possa se dissipar nos próximos meses.


Próximo passo - China


O potencial fracasso do presidente americano, Joe Biden, em conseguir que sua lei Build Back Better ("reconstruir melhor", em tradução livre) seja aprovada no Congresso afetaria significativamente a capacidade dos Estados Unidos de cumprir as rígidas metas climáticas com as quais a Casa Branca se comprometeu.

Isso também afetaria enormemente a abordagem relativamente unificada das mudanças climáticas exibida entre os líderes mundiais na COP26.


"Tudo o que Biden prometeu levou a esta atmosfera relativamente boa em Glasgow", disse Joanna Depledge, pesquisadora do Centro de Cambridge para Meio Ambiente, Energia e Governança de Recursos Naturais.


"Mas essas eram apenas promessas, ele precisa passar o projeto de lei no Congresso. E isso agora está parecendo cada vez mais arriscado. Ele pode fazer algumas coisas com atos executivos, mas certamente não é uma mudança institucional sustentada da legislação climática como a que estamos almejando."


"Acho que a situação para nós é crítica."


O desespero entre muitos nos Estados Unidos com o possível fracasso do projeto de lei também terá repercussões em todo o mundo. Certamente será o caso na China, um país sobre o qual paira a percepção de que usou sua força política em Glasgow para conseguir o que queria. As dificuldades políticas de Biden são vistas como uma evidência de que "o Ocidente está declinando".

Mudanças climáticas trarão furacões para áreas mais povoadas, indica estudo



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O presidente da COP26, Alok Sharma, durante a cúpula


"Estou preocupado que, em 2022, a tensão geopolítica domine a agenda climática", disse Li Shuo, do Greenpeace no Leste Asiático.


Ele também está preocupado com o fato de que a introdução de impostos de carbono sobre produtos importados para a Europa possa aumentar um sentimento de injustiça e frustração em Pequim.


"O lado chinês verá como eles são tratados em relação aos outros e fará seu julgamento sobre se o jogo é justo e, o mais importante, se é sobre meio ambiente ou apenas geopolítica e comércio", disse ele à BBC News. "No geral, espero um ano mais turbulento pela frente. Os anos anteriores ao acordo de Paris foram um exemplo de geopolítica que ajudou a avançar a agenda climática. O que vem pela frente pode ser o contrário."


Essa visão pessimista encontra eco no fato de a COP do próximo ano ser realizada no Egito, e a seguinte nos Emirados Árabes.


"Nenhum desses países pode ser descrito como líder em termos climáticos", disse o professor J. Timmons Roberts, da Univerisdade Brown, nos Estados Unidos. "O lado bom é que a COP27 será em um país em desenvolvimento, e algumas questões como perdas e danos (quem paga pelo impacto das mudanças climáticas nos países mais afetados e como é pago) podem ter mais força, mas, na questão das reduções de emissões, não está claro se eles conseguirão liderar os debates."

Outra preocupação importante em 2022 é que alguns países podem simplesmente ignorar aspectos dos quais não gostam em relação ao pacto climático de Glasgow.


Uma medida importante no acordo foi o pedido de todos os países para "revisitar e fortalecer" suas promessas climáticas nacionais quando os delegados se reunirem no Egito no final de 2022.


Apesar de concordar com isso, vários países agora dizem que simplesmente não vão atualizar seus planos, entre eles Austrália e Nova Zelândia. O ministro do clima neozelandês, James Shaw, disse que essa disposição realmente se aplica somente a grandes emissores como Índia, China, Rússia e Brasil, que não fortaleceram significativamente seus planos a tempo de Glasgow.



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Um acordo para ajudar a África do Sul a se livrar do carvão pode se tornar um modelo para outros


No entanto, também há alguns desdobramentos positivos iminentes que podem fazer uma diferença significativa no humor geral em relação às mudanças climáticas.


Durante a COP26, o Reino Unido, a União Europeia, os Estados Unidos, a Alemanha e a França concordaram em pagar US$ 8,5 bilhões para ajudar a África do Sul a abandonar o carvão. Agora, aqueles próximos às negociações dizem que dois novos acordos para ajudar a Índia e a Indonésia a fazerem o mesmo estão sendo costurados.


Isso sairá caro, na casa das dezenas de bilhões, mas se acontecer representará um grande passo. Acordos deste tipo, além do compromisso de dobrar o financiamento de ações de adaptação feito pelos países mais ricos, serão a chave para o progresso em 2022, dizem as autoridades.


O presidente da COP26, Alok Sharma, deixou claro que pretende avançar nos próximos meses nos esforços para garantir que os acordos firmados em Glasgow sobre desmatamento, carvão, finanças e automóveis comecem a ser implementados.


"O Reino Unido, como anfitrião da COP26, passou os últimos dois anos trabalhando incansavelmente com os países para construir confiança, o que nos permitiu entregar o pacto climático de Glasgow", disse ele à BBC News. "Continuaremos na mesma linha até 2022 para garantir que os países cumpram suas promessas, revisitem suas metas de redução de emissões, concretizem o fluxo financeiro e cumpram os muitos compromissos assumidos durante as duas semanas da cúpula."


Outro ponto positivo é o fato de a Alemanha presidir o grupo de países do G7. O colíder do Partido Verde alemão é agora o ministro das Relações Exteriores do país, então o clima continuará no topo da agenda diplomática internacional.


O investimento em infraestrutura após a pandemia de covid-19, especialmente em países de renda média, também oferece uma grande chance de realizar ações significativas para limitar as emissões.

A ameaça de um desastre


O acordo final sobre as regras para os mercados de carbono, firmado em Glasgow, coincidiu com um aumento recorde no preço das licenças de carbono na Europa e no Reino Unido.


Embora isso tenha desvantagens, um preço alto e sustentado do carbono poderia acelerar significativamente a transição para fontes de energia mais limpas.


Mas, como sempre, os eventos globais podem ver todos esses potenciais aspectos positivos empalidecerem rapidamente.


Disputas entre a Rússia e a Ucrânia, o não envolvimento da China e uma potencial surra dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos podem atrapalhar ou pelo menos atrasar qualquer progresso futuro em relação às mudanças climáticas.


E parar ou dar pequenos passos agora seria um desastre para os esforços para manter o aumento das temperaturas globais abaixo de 1,5°C neste século. "No momento, etapas incrementais são uma sentença de morte", diz Roberts.



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Inundações na Malásia no final de 2021 tiveram um forte impacto sobre as pessoas e propriedades


No entanto, o processo de negociações sobre o clima é altamente imprevisível - e mesmo quando as coisas parecem estar no seu pior momento, os países muitas vezes são capazes de fazer concessões suficientes para manter as coisas avançando.


O presidente da COP26 diz que está determinado a seguir em frente. "Sair da COP26 com o pacto climático de Glasgow foi um momento histórico, demonstrando o compromisso compartilhado do mundo em tomar ações climáticas reais", disse Alok Sharma.


"Olhando para o futuro, a questão mais urgente é a escala de tempo em que essa ação ocorrerá, e a realidade é que o mundo precisa agir em um ritmo muito mais rápido."





Autor: Matt McGrath
Fonte: Repórter de meio ambiente
Sítio Online da Publicação: BBC NEWS BRASIL
Data: 08/01/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59820727

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Covid-19: A dose de reforço da vacina como aposta contra a variante Ômicron

Pela primeira vez, o mundo registrou mais de um milhão de casos em um único dia: 1,4 milhão, segundo dados divulgados pela plataforma “Our World in Data“, ligada à Universidade de Oxford. Em dezembro, com a variante Ômicron circulando, os registros diários se aproximaram de um milhão, batendo a marca nas últimas 24 horas.

Os países com os maiores números de casos registrados foram os Estados Unidos, com mais de 512.553 casos, 37% do total, o Reino Unido (23%) e a Espanha (15%). Entretanto, é importante lembrar que países como o Reino Unido estão entre os que mais testam no mundo – por isso é possível que haja casos ainda mais casos não rastreados em outros lugares.

É diante desse cenário alarmante que o debate sobre a adoção da dose de reforço da vacina contra a Covid-19 como estratégia de política pública voltou com força total.

Em um boletim divulgado na quinta-feira (23/12), a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou dados atualizados sobre a pandemia de Covid-19.

A compreensão atual da variante continua evoluindo à medida que mais dados se tornam disponíveis, mas há evidências consistentes de que a Ômicron tem uma vantagem de crescimento substancial sobre a Delta.




Transmissão e gravidade da variante

Pesquisadores de diversos países estão conduzindo estudos para entender melhor os aspectos da Ômicron. Mas, por enquanto, ainda não está claro se a variante é mais transmissível em comparação com outras variantes.

Também não está claro se a infecção com Ômicron é mais grave. As primeiras informações vindas da África do Sul, Reino Unido e Dinamarca sugerem um risco reduzido de hospitalização em comparação com a Delta. No entanto, esse risco é apenas um aspecto da gravidade, que pode ser alterado a qualquer momento.
Impacto para as vacinas

Até o momento, os dados disponíveis sobre o impacto da variante Ômicron para a eficácia das vacinas também são limitados.

Um estudo em formato pré-print realizado por pesquisadores sul-africanos, usando dados de seguros de saúde particulares, indicou redução na eficácia da vacina da Pfizer contra infecção e, em menor grau, contra hospitalização. Os resultados estão sendo analisados pela OMS com cautela, pois os estudos podem estar sujeitos a viés de seleção e os resultados são baseados em números relativamente pequenos.
Mais estudos

Estudos sobre os efeitos da dose de reforço e a experiência de alguns países, como Israel, vêm mostrando que há aumento na proteção e redução das chances de infecção e desenvolvimento de quadros graves da doença. Mesmo assim, a OMS ainda questiona a estratégia.

A entidade já tinha declarado ainda não ser possível afirmar que três doses da vacina são suficientes para neutralizar a Ômicron, embora a Pfizer tenha divulgado um estudo mostrando ser possível controlar o vírus com o reforço vacinal.

Já os resultados preliminares da pesquisa sobre a dose de reforço, encomendada pelo Ministério da Saúde, foram apresentados em Oxford, na Inglaterra, no final de outubro. O estudo preliminar concluiu que a dose de reforço realizada com esquema heterólogo, usando imunizantes diferentes, aumenta a imunidade dos vacinados.

“O que podemos observar é que realmente houve um declínio e diminuição de anticorpos encontrados seis meses depois e também dos anticorpos neutralizantes. Com relação à análise da terceira dose, observamos que todas as vacinas apresentaram uma resposta imune maior. Entretanto, as vacinas de plataforma heteróloga apresentaram resposta significativamente mais robusta, que são da Pfizer, Astrazeneca e da Janssen. Entre essas vacinas heterólogas, as vacinas de RNA mensageiro apresentaram uma resposta maior”, disse a pesquisadora e professora da Universidade de Oxford, Sue Ann Cost Clemens, que coordena o estudo.

Os resultados confirmam a estratégia utilizada pelo Ministério da Saúde sobre a vacinação de reforço ser preferencialmente com o imunizante da Pfizer.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED





Autor: Úrsula Neves
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 05/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/covid-19-a-dose-de-reforco-da-vacina-como-aposta-contra-a-variante-omicron/

Covid-19: RJ orienta redução de tempo de isolamento

Nas últimas semanas, temos visto um aumento do número de casos de Covid-19 no Brasil. Para conter a pandemia, é essencial que sejam realizadas as medidas preventivas, como uso de máscaras e isolamento de casos suspeitos e confirmados.

Covid-19: A dose de reforço da vacina como aposta contra a variante Ômicron


Orientações do CDC

Recentemente, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) atualizou suas orientações de isolamento encurtando o tempo recomendado. Segundo o órgão, pessoas com Covid-19 devem isolar-se por cinco dias e, se forem assintomáticos, ou seus sintomas estiverem em remissão (sem febre por 24 horas), seguir por cinco dias usando uma máscara quando estiver perto de outras pessoas para minimizar o risco de infectar pessoas que encontrarem.

Seguindo esta tendência, no dia 5 de janeiro de 2022, a Prefeitura do Rio de Janeiro que acaba de comunicar o cancelamento do Carnaval de rua pelo aumento do número de casos de síndrome gripal, também atualizou suas recomendações de isolamento. Agora, a prefeitura recomenda:
Os casos confirmados de Covid-19 devem ser orientados a realizar isolamento domiciliar pelo período mínimo de sete dias.
Em casos assintomáticos, a critério clínico, o médico poderá orientar um tempo menor de afastamento, de no mínimo cinco dias, desde que o paciente se comprometa com o uso rigoroso e contínuo da máscara pelo período completo de sete dias. A decisão sobre reduzir para cinco dias o período de afastamento deverá levar em consideração também o perfil de contato com outras pessoas fora do isolamento.
Para finalização do isolamento domiciliar, além do cumprimento do período de afastamento indicado, o paciente deve estar obrigatoriamente assintomático. Em caso de persistência dos sintomas o paciente deve se manter isolado. Recomenda-se nova testagem se houver dúvida.
Contactantes que apresentarem sintomas deverão ser conduzidos como casos suspeitos de Covid-19 e submetidos à testagem, contactantes não sintomáticos também devem ser testados e orientados a reforçar o uso de máscara corretamente e redobrar a atenção em relação ao aparecimento de sintomas.





Autor: Dayanna de Oliveira Quintanilha
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 05/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/covid-19-rj-orienta-reducao-de-tempo-de-isolamento/

Quiz: você sabe aplicar a regra ABCDE para identificar o câncer de pele?

Paciente de 30 anos, hígido, apresentava a seguinte lesão de coloração mais escura que os demais sinais. Diâmetro de 4 mm. Relatou aumento da lesão nos últimos meses (figura 1). A médica do posto de saúde aplicou a regra do ABCDE e decidiu encaminhar o caso a um(a) dermatologista.

Quiz

  1. Figura 1

    Qual dos critérios está correto de acordo com essa regra?







Autor: Gabriela Aquino
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data: 05/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/quiz-voce-sabe-aplicar-a-regra-abcde-para-identificar-o-cancer-de-pele/

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Anvisa alerta para segundo caso de Candida auris no Brasil

A emergência de organismos multirresistentes é considerada uma ameaça à saúde global, sendo reconhecida como tal pela Organização Mundial de Saúde. Apesar de bactérias serem a principal preocupação, outros organismos patogênicos também vêm ganhando espaço. Nesse cenário, casos de infecção por Candida auris são de especial importância devido ao seu perfil único de suscetibilidade, que confere resistência a diversas classes de antifúngicos, e seu potencial de causar surtos em ambientes hospitalares.


Em dezembro de 2021, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou o segundo caso de isolamento de C. auris no Brasil. O primeiro caso foi identificado em dezembro de 2020, em cultura de ponta de cateter de um paciente internado em UTI em um hospital de Salvador (BA). Esse caso foi relacionado ao primeiro surto por esse fungo no país, resultando em 15 casos, com 2 óbitos. Agora, novamente C. auris foi identificada em amostra clínica — dessa vez urina — em um paciente de 88 anos internado em um hospital de Salvador.



Candida auris: particularidades

Diferente de outras espécies de Candida, C. auris apresenta algumas características que a tornam um organismo de interesse. Dentre elas, destacam-se:
Produção de biofilmes tolerantes a antifúngicos com resistência às drogas mais frequentemente utilizadas como tratamento para infecções por Candida spp. Estudos mostram que até 90% dos isolados de C. auris apresentam resistência a fluconazol, equinocandinas ou anfotericina B.
Potencial para causar infecções invasivas e de corrente sanguínea, que podem especialmente graves em pacientes imunossuprimidos ou com comorbidades.
Capacidade de sobrevivência em superfícies, permanecendo viável por longos períodos — semanas ou meses — no ambiente. Além disso, apresenta resistência a diversos desinfetantes utilizados em limpeza hospitalar, incluindo os baseados em quaternário de amônio.
Propensão em causar surtos devido à dificuldade de identificação pelos métodos laboratoriais aplicados de rotina e à difícil erradicação de ambientes.
Recomendações para os serviços de saúde

Diante da identificação do segundo caso de C. auris no país, a Anvisa reforça algumas recomendações para os serviços de saúde e para os laboratórios de microbiologia. Para os serviços de saúde, recomenda-se:
Intensificar vigilância laboratorial para identificação de C. auris.
Reforçar medidas gerais de prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS).
Em caso de infecção suspeita ou confirmada por C. auris, notificar à Anvisa em formulário próprio (“NOTIFICAÇÃO NACIONAL DE SURTOS INFECCIOSOS EM SERVIÇOS DE SAÚDE” disponível no link: https://pesquisa.anvisa.gov.br/index.php/359194?lang=pt-BR) e à Coordenação Estadual de Controle de Infecção Hospitalar (CECIH) do estado.
Identificado um caso, o que fazer?

Isolados suspeitos de C. auris devem ser enviados para a Rede Nacional para identificação de C. auris em serviços de saúde brasileiros para confirmação. Preenchem os critérios para envio, isolados de Candida não albicans com identificação fenotípica suspeita (triagem positiva para identificação de C. auris por métodos fenotípicos) ou identificados como C. auris por espectrometria de massa MALDI-TOF.

Devem ser encaminhados os isolados provenientes de sangue, urina, ponta de cateter vascular, lavado broncoalveolar, abscessos intracavitários e secreção de ferida cirúrgica.


Como medidas a serem tomadas na unidade de saúde, medidas de prevenção de IRAS devem ser implementadas e reforçadas, com especial atenção a:
Higienização das mãos.
Capacitação e monitoramento da adesão às precauções.
Adoção de precaução de contato além de precauções-padrão.
Limpeza e desinfecção de ambientes e equipamentos, preferencialmente com água e sabão/detergente seguida de desinfecção com hipoclorito de sódio 0,1% ou outros saneantes. Não se recomenda o uso de desinfetantes à base de quaternário de amônio.





Autor: Isabel Cristina Melo Mendes
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 03/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/anvisa-alerta-para-segundo-caso-de-candida-auris-no-brasil/

Existe associação entre a baixa ingesta de soja e um risco maior de diabetes mellitus gestacional?

Um dos maiores desafios para o pré-natalista é o tratamento da diabetes mellitus gestacional (DMG). De acordo com Reginatto (2016), essa doença tem incidência variável no mundo, chegando a 17,8% das gestações, já no Brasil estima-se que ela ocorra entre 2,4 a 7,2% das gestações. Sendo um problema de saúde pública com gastos importantes para o sistema de saúde e com consequências maternas e fetais desfavoráveis. Segundo Hoff (2015), o objetivo principal do tratamento de DMG é melhorar a glicemia das pacientes para diminuir a ocorrência de macrossomia fetal, pré-eclâmpsia e óbito fetal. Por estes motivos, cada vez mais estudos vêm sendo elaborados com o objetivo de sanar dúvidas relativas a esta patologia. A associação entre o consumo de soja e os resultados adversos da gravidez também permanece obscura, e pode estar relacionada a um fator de proteção em relação à diabetes mellitus gestacional.


O objetivo da pesquisa que trago hoje para discussão foi de investigar o consumo de soja de mulheres grávidas no segundo trimestre, e explorar uma possível associação entre a ingestão de soja e o risco de resultados adversos na gravidez, como a diabetes mellitus gestacional.



Metodologia

Foram recrutadas mulheres grávidas entre 13 a 24 semanas de gestação em um hospital no sudoeste da China, de junho a dezembro de 2019. A ingestão alimentar no meio do trimestre foi avaliada por um questionário semiquantitativo de frequência alimentar. As participantes foram divididas em grupo insuficiente (< 40 g/dia) e o grupo controle (≥ 40 g/dia) de acordo com o consumo diário de soja, sendo acompanhados até o parto. Os resultados da gravidez, incluindo diabetes mellitus gestacional (DMG), cesariana e macrossomia foram obtidos para posterior análise.


Um total de 224 participantes foram incluídas neste estudo prospectivo de coorte, dos quais identificaram 36 (16,1%) casos de DMG, e 120 (53,6%) casos de parto cesáreo. Mais da metade (55,8%) das mulheres grávidas consumiram menos soja do que 40 g/dia. A ingestão diária de soja inferior a 40 g foi associada ao aumento do risco de DMG e cesariana, sem ajuste para fatores de confusão, como idade, índice de massa corporal pré-gravidez, paridade, ingestão diária de vegetais, frutas, frutos do mar e nozes. Depois de ajustar para estes fatores, a ingestão diária de soja de menos de 40 g aumentou 2,16 vezes o risco de DMG, mas não com um risco significativamente aumentado de cesariana.
Conclusão

A ingestão insuficiente de soja pode aumentar o risco de DMG, sugerindo que a ingestão adequada de soja pode ter um papel benéfico na prevenção de DMG. Esta é mais uma possibilidade para orientarmos nossas pacientes grávidas durante o pré-natal, com o objetivo de evitar desfechos obstétricos desfavoráveis devido a DMG.






Autor: Letícia Suzano Lelis Bellusci
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 03/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/existe-associacao-entre-a-baixa-ingesta-de-soja-e-um-risco-maior-de-diabetes-mellitus-gestacional/

Coronavírus: apesar de vacinas e controles, estação na remota Antártida enfrenta surto de covid



CRÉDITO,INTERNATIONAL POLAR FOUNDATION
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Dois terços dos funcionários da estação estão infectados, mas as autoridades dizem que a situação não é grave


Uma estação belga de pesquisa científica na Antártida está enfrentando um surto de covid-19, apesar de os trabalhadores ali estarem totalmente vacinados e de o local estar em uma das regiões mais remotas do mundo.


Desde 14 de dezembro, pelo menos 16 dos 25 trabalhadores da Estação Polar Princesa Elisabeth contraíram o vírus.


Até agora, segundo as autoridades, os casos continuam moderados.


"A situação não é dramática", disse Joseph Cheek, gerente de projeto da International Polar Foundation, à BBC.


"Embora tenha sido um inconveniente colocar em quarentena os membros da equipe que pegaram o vírus, isso não afetou significativamente nosso trabalho na estação em geral", disse Cheek.


"A todos os residentes da estação foi oferecida a opção de partir em voo programado para 12 de janeiro. No entanto, todos manifestaram o desejo de ficar e continuar o seu trabalho", acrescentou.


A notícia do surto foi relatada pela primeira vez no jornal belga Le Soir.

Legenda do vídeo,

Covid: 5 boas notícias sobre a ômicron, variante que mantém pandemia em alta


O primeiro teste positivo foi registrado no dia 14 de dezembro, em uma equipe que havia chegado sete dias antes.


Eles e outros pesquisadores com resultado positivo foram colocados em quarentena, mas o vírus continuou a circular.


Os funcionários que chegam à estação têm que estar vacinados contra o vírus e testados.


Há dois médicos na estação e novas chegadas ao posto avançado foram suspensas até o surto terminar.


A estação Princess Elisabeth é operada pela International Polar Foundation e entrou em serviço em 2009.


Não é a primeira vez que estações de pesquisa na Antártida são afetadas por um surto de coronavírus. No ano passado, vários militares chilenos baseados na estação de pesquisa Bernardo O'Higgins foram infectados depois que os marinheiros de um navio de abastecimento testaram positivo para o vírus.






Autor: BBC News Brasil Saúde
Fonte: BBC News Brasil Saúde
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil Saúde
Data: 03/01/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59857874