terça-feira, 7 de junho de 2022

Ministério da Saúde prorroga Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe e Sarampo



- Foto: Myke Sena/MS

Os públicos prioritários da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe e Sarampo podem procurar os postos de vacinação de todo Brasil até o dia 24 de junho. A prorrogação da campanha, divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Ministério da Saúde, tem o objetivo de aumentar as coberturas vacinais para as duas doenças.

A partir do dia 25 de junho, estados e municípios poderão ampliar a campanha contra a gripe para toda a população a partir de 6 meses, enquanto durarem os estoques da vacina Influenza. O Ministério da Saúde já distribuiu quase 80 milhões de doses para todo país.

Já a imunização contra o sarampo faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e os imunizantes estão disponíveis durante todo o ano. A campanha de vacinação começou no dia 4 de abril.
Reforço da vacinação

Mais de 77 milhões de brasileiros estão nos grupos prioritários para a vacinação contra a gripe. Até agora, a cobertura vacinal chegou a 44%. O Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação para evitar os casos graves da doença, principalmente durante os meses mais frios do ano.
Quem pode se vacinar contra gripe

• Idosos acima de 60 anos;
• Trabalhadores da saúde;
• Crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 29 dias);
• Gestantes e puérperas;
• Povos indígenas;
• Professores;
• Pessoas com comorbidades;
• Pessoas com deficiência permanente;
• Forças de segurança e salvamento e Forças Armadas;
• Caminhoneiros e trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso;
• Trabalhadores portuários;
• Funcionários do sistema prisional;
• Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas;
• População privada de liberdade.
Público-alvo da campanha contra o sarampo

• Trabalhadores da saúde;
• Crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 29 dias);

Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária









Autor: gov
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 02/06/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/junho/ministerio-da-saude-prorroga-campanha-nacional-de-vacinacao-contra-gripe-e-sarampo

sábado, 4 de junho de 2022

Na abordagem do status epilepticus, qual a melhor droga: fenitoína ou levetiracetam?

O status epilepticus (SE) convulsivo é uma emergência médica e neurológica que requer avaliação e tratamento imediatos. O diagnóstico é clínico e confirmado pela verificação da presença de uma crise epiléptica generalizada sem remissão com duração superior a cinco minutos ou várias crises sem retorno interictal ao nível basal de consciência.


A Fenitoína:

É usada atualmente e está na prática clínica há muitos anos para tratar pacientes com SE que não apresentam melhora com benzodiazepínicos. Droga tradicional de escolha no tratamento da epilepsia, também ajuda a suprimir crises tônico-clônicas generalizadas e crises parciais. Além disso, esta droga antiepiléptica (DAE) pode servir como profilaxia de crise após lesão cerebral traumática.

A razão mais proeminente pela qual a fenitoína ainda é comumente prescrita é seu custo relativamente baixo.

Embora tenha sido uma DAE eficaz por décadas, seu uso diminuiu gradualmente nos últimos anos, principalmente devido ao seu perfil de efeitos colaterais. Sedação, hirsutismo, hiperplasia gengival, anemia megaloblástica, síndrome de hipersensibilidade lúpus-like, osteomalácia, diminuição do folato sérico, síndrome cerebelar e disfunção locomotora estão entre os efeitos adversos significativos.


Além disso, a fenitoína IV tem efeitos colaterais adicionais, como hipotensão, arritmia cardíaca, complicações hemodinâmicas, síndrome de Stevens-Johnson e necrose cutânea.


Os pacientes em uso de fenitoína requerem monitorização constante de sua dosagem para evitar toxicidade. Ela é metabolizada no fígado pelas enzimas do citocromo P450 (CYP450), e também induz esse sistema enzimático. Essa ação, por sua vez, aumenta a depuração de outras drogas metabolizadas pelas enzimas CYP450, levando a interações com múltiplas drogas, como a varfarina. Estudos também mostraram que polimorfismos genéticos nas enzimas CYP450, especificamente CYP2C, podem aumentar as concentrações séricas de fenitoína e aumentar ainda mais o risco de seus efeitos adversos.


Levetiracetam, uma alternativa à fenitoína no tratamento de pacientes com SE:

Introduzido no mercado pela primeira vez em 1999, é uma DAE de segunda geração. As indicações comuns para o seu uso são crises tônico-clônicas generalizadas, crises parciais e status epilépticus.

O mecanismo de ação do levetiracetam é desconhecido. Apesar dessa incerteza, estudos confirmam que o levetiracetam se liga a uma proteína da vesícula sináptica chamada SV2A, levando os pesquisadores a postular que a atividade antiepiléptica do levetiracetam pode derivar da modulação dessa proteína e suas interações.

Custo mais alto.

Ao contrário da fenitoína, o levetiracetam não tem muitos efeitos adversos graves. Os mais comuns são sonolência, astenia, tontura, dores de cabeça, pirexia, boca seca e alterações comportamentais. Além disso, ele tem farmacocinética favorável e muito poucas interações com outros medicamentos. Comparado com a fenitoína IV, o levetiracetam IV é mais fácil de administrar e tem um espectro mais amplo e menos efeitos colaterais. O sistema enzimático CYP450 não metaboliza o levetiracetam e sua biodisponibilidade é próxima de 100%. Estudos mostram que o levetiracetam tem um melhor perfil de tolerabilidade do paciente, mesmo quando administrado em doses e taxas de infusão mais altas.


Essa revisão de literatura de vários estudos clínicos avaliando a eficácia da fenitoína e do levetiracetam no tratamento de pacientes com SE revela que o levetiracetam é comparável à fenitoína na supressão da atividade convulsiva em pacientes com SE e tem menos efeitos adversos.


A eficácia dos dois medicamentos no tratamento da SE pode ser semelhante, mas o levetiracetam é a DAE mais segura e mais bem tolerada. Portanto, deve substituir a fenitoína e a fosfenitoína para interromper a atividade convulsiva em pacientes com SE resistentes aos benzodiazepínicos.







Autor: Felipe Resende Nobrega
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 03/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/na-abordagem-do-status-epilepticus-qual-a-melhor-droga-fenitoina-ou-levetiracetam/

Fórum de Sepse 2022: diagnóstico biomolecular – aspectos microbiológicos de novas tecnologias

A identificação precoce do agente causador de quadros de sepse ainda é uma das maiores dificuldades no manejo dessa condição, tendo impacto no tempo para estabelecimento de terapia adequada.

Os avanços e possibilidades de novas ferramentas foram discutidas em uma das palestras do XVIII Fórum Internacional de Sepse.


Diagnóstico biomolecular

Veja os destaques a seguir:

 Apesar do avanço das tecnologias, a maior parte dos métodos de identificação microbiológica disponíveis no Brasil são dependentes da presença de culturas positivas. Essa característica já limita o tempo em que os médicos assistentes podem ter os resultados.

Técnicas de diagnóstico molecular constituem-se métodos com alta sensibilidade e especificidade, com possibilidade de identificação do patógeno e detecção de perfil de suscetibilidade, e que permitem menor tempo até liberação dos resultados. Os equipamentos funcionam a partir de kits “fechados” (pacotes).

O uso de painéis sindrômicos moleculares para bacteremias e infecções do trato respiratório inferior e superior vem ganhando espaço, permitindo diferenciação entre infecções bacterianas e virais de forma rápida.

Estudos que avaliaram a performance do uso dessas plataformas em casos de bacteremia mostraram boa correlação com os métodos clássicos de identificação baseados em cultura, com maior concordância para infecções monobacterianas.

De forma semelhante, os painéis sindrômicos podem ser utilizados em outros tipos de amostras clínicas, como lavado broncoalveolar, aspirado traqueal e escarro. Outras amostras, como líquido pleural, têm sido utilizadas de forma off-label. Nesses casos, vale destacar que as análises são semiquantitativas, com os resultados sendo gerados não em UFC, mas em logs de bins. A correspondência aproximada entre as duas unidades foi avaliada em estudos experimentais in vitro somente.

Algumas limitações importantes que devem ser consideradas incluem perda de concordância com testes padrão-ouro em infecções polimicrobianas e limitação do alcance da identificação aos patógenos contidos nos pacotes.

Além disso, vale lembrar que, apesar da possibilidade de detecção da presença de alguns genes de resistência, ainda há necessidade da realização de testes de suscetibilidade a antimicrobianos (TSA), inclusive para determinação de fenótipos.

Por fim, destacam-se as perspectivas futuras: novos fabricantes, com possibilidade de redução de custo, associação com testes de suscetibilidade e a possibilidade de uso em amostras sem incubação prévia.




Autor: Luiz Fernando Fonseca Vieira
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 03/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/forum-de-sepse-2022-diagnostico-biomolecular-aspectos-microbiologicos-de-novas-tecnologias/

ADA 2022: nutrição no diabetes – quebrando paradigmas

Estamos na cobertura in loco do congresso da American Diabetes Association (ADA 2022) para trazer informações fresquinhas sobre o tema. O ADA é o principal congresso de diabetes do mundo e conta com simpósios muito interessantes que sumarizam evidências em temas específicos e também com apresentação de diversos artigos originais, capazes de modificar a prática clínica.

Um dos destaques do dia de hoje, 03, foi a palestra conjunta das doutoras Alison Evert e Maureen Chomko a respeito de tópicos comumente abordados no tratamento do diabetes e cujo corpo de evidências científicas é controverso: a nutrição do paciente.

Vamos direto aos tópicos abordados.


Nutrição no diabetes

Pessoas com diabetes precisam comer várias vezes ao dia?

É muito comum ouvir, mesmo dentro do ambiente universitário, que pessoas com diabetes devem se alimentar de 3/3 horas ou fazer três refeições principais e três lanches. Apesar da recomendação servir para algumas situações como o diabetes gestacional, para o diabetes tipo 2 (DM2) essa teoria não encontra fundamentos científicos.

A dra. Alison aponta que além da falta de estudos embasando essa prática, a medida pode aumentar a ingestão calórica de forma desnecessária, levando a ganho de peso e piora do controle glicêmico.

Lembrando que ninguém deve comer para evitar hipoglicemias. Se isso for necessário é sinal de excesso de insulina ou hipoglicemiantes na grande maioria das vezes.

Pessoas com diabetes devem se alimentar pela manhã

Existem estudos mostrando que pular o café da manhã está associado a maior risco cardiovascular. Com o diabetes não é diferente: não se alimentar pela manhã parece aumentar o risco de desenvolver DM2 e em quem já tem a condição, parece piorar o pico pós-prandial de glicemia, refletindo um pior controle. Logo, parece haver um benefício em se alimentar mais pela manhã e menos ao final do dia.

Atenção com adoçantes

Estudar os adoçantes pode ser muito difícil, uma vez que são uma classe heterogênea de moléculas com vias metabólicas particulares. Também existe um viés de que quem busca bebidas artificialmente açucaradas, tendem a consumir mais alimentos processados e a ter uma pior dieta. Contudo, o que temos de evidência sobre essas substâncias?

Em estudos observacionais, os adoçantes não se associaram a redução de peso, mas aumentaram discretamente o risco de diabetes (RR 1,14; IC 95%, 1,05 – 1,25), por mecanismos não discutidos na palestra. Porém vale ressaltar que são dados observacionais e não demonstrados em ensaios randomizados. Recomendação prática? Se o seu paciente puder tomar água, melhor.

O macronutriente importa?

Não há dados que sustentem a recomendação de se omitir ou reduzir um macronutriente (ex.: carboidratos, proteínas ou lipídios) ou outro. Dados de estudos com dieta very low carb (ingestão de carboidratos entre 10 e 26% das calorias diárias) ou cetogênica (cuja definição muda um pouco, limitando a ingestão de carboidratos a 20-50g/dia – sem grande diferença na prática portanto comparado a very low carb) mostram que de fato, a curto prazo (3 a 6 meses) há melhora do controle glicêmico e da resistência insulínica.

Porém esse benefício não é mantido a longo prazo, muito porque é uma dieta difícil de ser mantida. Logo, o mais importante é a qualidade dos alimentos, evitando carboidratos de baixo valor, como os advindos de farinhas brancas, refinados, sucos e derivados.






Autor: Luiz Fernando Fonseca Vieira
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 03/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/ada-2022-nutricao-no-diabetes-quebrando-paradigmas/

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Pare de fumar: tabagismo pode provocar câncer, tuberculose, doenças respiratórias, impotência e infertilidade



Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina, o tabagismo é um problema mundial de saúde pública que está relacionado ao surgimento de pelo menos 50 doenças como diabetes, hipertensão, AVC, infarto, doenças respiratórias, câncer, tuberculose, impotência e infertilidade. Nesta terça-feira (31), no Dia Mundial Sem Tabaco, o Ministério da Saúde reforça a importância de parar de fumar.

Para tratar as doenças e incapacitações provocadas pelo tabagismo, o Brasil precisa desembolsar anualmente cerca de R$ 125 bilhões. No mundo todo, são registradas aproximadamente 8 milhões de mortes precoces por ano em decorrência do tabaco. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), instituto federal vinculado ao Ministério da Saúde responsável pelo Programa Nacional de Controle do Tabagismo, o tabaco causa a maior parte de todos os cânceres de pulmão no país e é um fator de risco significativo para AVC e ataques cardíacos.

Os produtos de tabaco que não produzem fumaça também estão associados ao desenvolvimento de câncer de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas, assim como muitas outras patologias buco-dentais. Além disso, a fumaça também pode matar: os fumantes passivos, ou seja, aquelas pessoas que não fumam, mas que convivem com pessoas que fazem uso do tabaco, podem desenvolver várias doenças, principalmente nos ambientes domiciliar e de trabalho. No mundo, mais de 1,2 milhão de pessoas morrem em decorrência do fumo passivo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), são oferecidos tratamentos integrais e gratuitos às pessoas que desejam parar de fumar por meio de medicamentos como adesivos, pastilhas, gomas de mascar (terapia de reposição de nicotina) e bupropiona, além do acompanhamento médico necessário para cada caso. Basta procurar atendimento em uma das mais de 48 mil Unidades Básicas de Saúde distribuídas em todo o Brasil, que fornecerão informações sobre locais e horários de tratamento em cada região.
Programa Nacional de Controle do Tabagismo

O Programa Nacional de Controle do Tabagismo tem como objetivo reduzir a prevalência de fumantes e, por consequência, a morbimortalidade relacionada ao consumo do tabaco e seus derivados no Brasil. As iniciativas sempre são focadas na prevenção à iniciação do tabagismo, principalmente entre adolescentes e jovens; promoção da cessação do ato de fumar; e proteção da população da exposição à fumaça do tabaco, com foco na redução do dano individual, social e ambiental do tabaco e seus derivados.

Além disso, a política é responsável por articular e integrar a rede de tratamento do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS), as campanhas e outras ações educativas sobre prevenção e cessação do tabagismo e a promoção de ambientes livres de fumo.
Dia Mundial Sem Tabaco

O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado anualmente em 31 de maio desde 1987, foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. No Brasil, o INCA é o órgão responsável pela divulgação e elaboração do material técnico para subsidiar as comemorações em níveis federal, estadual e municipal.
Mais de 100 motivos para parar de fumar

A OMS listou mais de 100 razões para parar de fumar como forma de mobilizar, motivar, sensibilizar e encorajar os tabagistas a deixarem de fumar. A lista foi organizada por tema e traz vários elementos que reforçam e motivam a cessação do tabagismo, como esses:

=> Quando você usa produtos de tabaco e nicotina, coloca em risco a saúde de seus amigos e familiares - não apenas a sua.
=> Fumar cigarros eletrônicos perto de crianças compromete a saúde e a segurança delas.
=> O uso de tabaco traz consequências sociais negativas.
=> Fumar reduz sua fertilidade.
=> Todas as formas de tabaco são letais.
=> Produtos de tabaco aquecidos são prejudiciais à saúde.
=> Os cigarros eletrônicos são prejudiciais à saúde e não são seguros.
=> O uso de tabaco, principalmente o fumo, tira o fôlego.
=> Tabaco causa mais de 20 tipos de câncer.
=> Os fumantes têm maior probabilidade de perder a visão e a audição.
=> O uso de tabaco e nicotina prejudica seu bebê.
Após parar de fumar, os benefícios aparecem rápido, como:

=> Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.
=> Após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue.
=> Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
=> Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor.
=> Após 2 dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta melhor a comida.
=> Após 3 semanas, a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora.
=> Após 1 ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido à metade.
=> Após 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram.

Outras informações podem ser consultadas na Coordenação de Controle do Tabagismo na sua Secretaria Estadual de Saúde, por telefone, ou no Disque Saúde 136.

Gustavo Frasão
Ministério da Saúde
Categoria
Saúde e Vigilância Sanitária





Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 31/05/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/maio/pare-de-fumar-tabagismo-pode-provocar-cancer-tuberculose-doencas-respiratorias-impotencia-e-infertilidade

Como deve ser introdução alimentar de bebês – e os riscos de dar comida antes do 6º mês




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OMS recomenda aleitamento materno até os 2 anos ou mais e exclusivo até os primeiros seis meses de vida

"Cara, um bebê de 2m (2 meses) morreu pq a mãe dava caldinho de feijão com angu e necrosou o intestino (nem cirurgia adiantou), a "pediatra" mandando mãe tirar o peito e dar ninho + mucilon para bebê de 1m (1 mês) para engordar, vcs não têm noção como é um hospital infantil por conta de vários casos."


A declaração acima, publicada no Twitter há algumas semanas, viralizou, desencadeando uma onda de comentários — e dúvidas — sobre introdução alimentar dos bebês.


A BBC News Brasil conversou com especialistas para esclarecer alguns dos principais questionamentos das mães — até quando a amamentação deve ser feita? Quando o primeiro alimento diferente do leite deve ser dado e como? A complementação com fórmula é necessária? Mamadeira deve ser usada ou não?

Riscos


Segundo a pediatra Rosângela Gomes dos Santos, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), o "aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês e deve continuar até os dois anos ou mais".


Isso é o que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), explica a especialista. A orientação é seguida pelo Ministério da Saúde e consta da cartilha da pasta às mães.



No Brasil, porém, menos da metade (45,7%) dos bebês menores de seis meses se alimenta exclusivamente de leite materno, segundo uma pesquisa financiada pelo próprio órgão (Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, 2020).


"O aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês e, a partir desse período, se pode fazer a introdução alimentar", diz Santos à BBC News Brasil, reforçando que não se deve dar "água ou chá" ao recém-nascido.


Segundo a pediatra, a introdução de alimentos antes do sexto mês, que não seja leite materno ou fórmula prescrita pelo pediatra (para as mães que não puderem amamentar nesse período), pode causar problemas de saúde para o bebê.


"O intestino do recém-nascido não está desenvolvido o suficiente. Em situações extremas, ele pode ter uma infecção intestinal e isso pode gerar complicações generalizadas, levando-o à morte", diz.


Mas, normalmente, o que acontece, diz a pediatra intensivista Cinara Carneiro, é que a introdução de alimentos antes do tempo recomendado gera um quadro de desnutrição no bebê.


"A criança pode ser gordinha, fofinha, mas ela é desnutrida. Porque, na verdade, não tem a proporção adequada dos nutrientes ofertados. Ela pode ter anemia ou sobrecarga da função renal, levando a uma lesão", explica.


"O que temos que estar atentos é que, quando se faz oferta de alimentos num momento inadequado do desenvolvimento da criança, ela vai ter deficiência nutricional. Isso, consequentemente, leva a atraso em seu desenvolvimento", acrescenta.


Santos, da SPSP, acrescenta que o uso de fórmulas lácteas por mães que não conseguem amamentar deve ser parcimonioso — e elas devem ser feitas seguindo as recomendações médicas.


"A mãe, mesmo aquela que tenha dificuldade em amamentar, deve tentar fazê-lo o maior tempo possível. E, quanto às fórmulas lácteas, elas têm que ser feitas seguindo as dosagens corretas", ressalta a especialista.


Carneiro faz uma ressalva, no entanto, sobre os neonatos (até 28 dias de vida).


"Como há maior risco de eles, principalmente os prematuros, desenvolverem uma condição chamada enterocolite necrosante (lesão na superfície interna do intestino), se prioriza o leite materno e se evita dar a fórmula. Daí a importância dos bancos de doação de leite", explica.


Segundo o Ministério da Saúde, "o aleitamento materno reduz em 13% a mortalidade até os cinco anos, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade. Além disso, o ato contribui para o desenvolvimento da cavidade bucal do pequeno e promove o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê".

'Introdução alimentar'


A partir do sexto e até o nono mês, "a criança deve conhecer todos os alimentos", diz Santos.



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A partir do sexto e até o nono mês, "a criança deve conhecer todos os alimentos", diz pediatra Rosângela Gomes dos Santos, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP)


"É uma forma do organismo não criar resistência contra nenhum alimento, para evitar o desenvolvimento de alergias", acrescenta a pediatra.


"A partir dos seis meses, já se recomenda a introdução de outros alimentos porque a própria mama não vai nutrir a criança diante do desenvolvimento dela e de tudo o que ela precisa", completa Carneiro.


Mas como o alimento deve ser introduzido?


"A comida deve ser amassada ou em pedaços (o chamado método BLW, do inglês "Baby-led weaning", ou "desmame guiado pelo bebê"), não pode ser batida no liquidificador ou passada em peneira", assinala Santos.


"Uma proteína, um vegetal, um grão. Tem que ser uma comida saudável, não deve ter conter sal até um ano. Também se deve evitar doces até dois anos".


"A mãe pode começar a ver se o bebê tem aptidão para comer em pedaços. Dar algo na mãe dele para ele levar à boca. É um processo de aprendizado. Mas é preciso ensiná-la", completa.


O objetivo, segundo a pediatra, é estimular a mastigação do recém-nascido.


"O problema é que, muitas vezes, a mãe introduz a mamadeira muito precocemente e a criança perde o hábito da mastigação. Quando o recém-nascido usa o peito, na sução do leite materno, tem uma movimentação da musculatura da face mais completa do que quando suga a mamadeira. Portanto, acabamos vendo muita criança acima de seis meses que tem muita dificuldade para mastigar, mas é importante essa estimulação".


Santos lembra que a criança deve experimentar "de tudo".


"A comida pode ser em pedaços bem pequenos desde que a criança esteja sob supervisão. Ou seja, ela pega com a mão e leva à boca. Às vezes, a mãe dá essas fórmulas mais engrossadas e a criança só deglute, sem mastigar".



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Bater comida no liquidificador ou passá-la na peneira acaba atrasando desenvolvimento da musculatura da face e, por isso, devem ser evitados


Por isso, bater a comida no liquidificador ou passá-la na peneira acaba atrasando o desenvolvimento da musculatura da face, segundo a pediatra.


"O ideal é passar do peito para o copo. Sem mamadeira. Orientamos as mães a não usar mamadeira e chupeta".


Em relação à postura, acrescenta Santos, a criança deve estar sentada.


"A partir dos seis meses, ela já tem capacidade de sentar. Com exceção dos prematuros que tenham atraso no desenvolvimento."



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Andreza Prado (de rosa, à esq.), consultora de lactação e educadora perinatal, assinala que muitas mães — bem como sua rede de apoio, avós, por exemplo — ainda acreditam que o leite materno não supre nutricionalmente as necessidades do bebê

Desinformação


Andreza Prado, consultora de lactação e educadora perinatal, assinala que muitas mães — bem como sua rede de apoio, avós, por exemplo — ainda acreditam que o leite materno não supre nutricionalmente as necessidades do bebê.


"Isso é um mito. O insucesso do aleitamento materno não está ligado à qualidade do leite. Precisamos urgentemente conscientizar as mães de que o leite materno, na sua composição nutricional, é suficiente para o recém-nascido", diz ela, que é mãe de duas crianças, Caio e Elis.


"Infelizmente, muitas mães ainda acreditam que, se o bebê não ganha peso, é porque seu leite é fraco", lamenta.


"Não se deve oferecer ao bebê nenhum líquido senão o leite materno e, nos casos em que isso não é possível, a fórmula láctea prescrita pelo pediatra", reforça.


Em sua conta no Instagram (@manasdopeitoamamentacao), Prado orienta as mães sobre amamentação — isso é, segundo a especialista, vital para derrubar mitos comuns e evitar a desinformação.


Por isso, ela defende que as mães busquem orientação de profissionais especializados desde a gestação.



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Prado (de rosa, à dir.) defende que mães sejam orientadas sobre boas práticas de amamentação durante gestação; 'mamada efetiva' é um dos aprendizados


Entre os erros mais comuns, cita, estão a falta de informação sobre a chamada "mamada efetiva" (quando a criança abocanha toda a aréola — ou a maior parte dela — e não apenas o mamilo), o uso de bicos artificiais e a imposição de horários para a amamentação.


"A pega correta do bebê é muito importante. Como ele está sugando leite? Ele está sugando e se alimentando? Muitas mães acreditam que a dor na amamentação é normal. Mas essa dor acaba aniquilando a amamentação e é um dos principais motivos do desmame precoce. Não deve ser assim e não é para ser assim", diz ela, ressalvando que as mães devem "saber posicionar o bebê no peito".


"Já o uso de bicos artificiais, como chupeta e mamadeira, interfere na sucção. Deve-se evitá-los ao máximo", lembra.


"Por fim, a amamentação tem que ser em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê quiser, seja noite ou dia. E o quanto quiser, até se sentir satisfeito. A mãe não deve impor horários para amamentar", conclui.






Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 01/06/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61654913

Rinite, sinusite e bronquite: as principais diferenças e por que crescem nesta época



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Doenças que aparecem mais no outono e no inverno têm sintomas distintos e exigem tratamentos também diferentes


É muito comum ver pessoas coçando o nariz, com coriza e se queixando da dificuldade em respirar nesta época do ano.


No outono, devido ao tempo seco, aumento de fuligem no ar, quedas bruscas de temperatura e mais poluentes, as alergias tendem a se manifestar de forma frequente e desencadear problemas como rinite, sinusite, bronquite e outras infecções das vias aéreas.


No inverno, o surgimento dessas condições também são comuns, mas são provocadas por quadros virais, que aumentam consideravelmente com o frio. "Uma onda de frio, onde as pessoas já estão previamente sensibilizadas, fecham as janelas e ficam mais confinadas, (isso) aumenta as crises virais e a sintomatologia do paciente acaba sendo maior", destaca Marco Cesar, otorrinolaringologista do Hospital Universitário Cajuru (PR).


Mas como saber a diferença entre todas essas doenças e procurar tratamento adequado? Normalmente, os sintomas são bem distintos e existem sinais que podem ser percebidos logo nos primeiros dias de incômodo.


Abaixo, listamos quais são as principais inflamações e como reconhecer cada uma delas:

Rinite


Considerada uma doença inflamatória no nariz, que leva a sintomas como obstrução nasal, coriza e coceira interna, ela pode ser provocada por diversos fatores. Quando ocorre na forma alérgica, o contato com poeira, pelos de animais e ácaros aumentam o risco da enfermidade.


Em quadros não alérgicos, pode ocorrer a rinite senil ou vasomotora, que se manifesta devido a uma alteração da saliva. Esta é mais comum em idosos e pode fazer com que as narinas escorram de forma frequente.


Também existem as rinites medicamentosas, que são ocasionadas pelo uso frequente de remédios no nariz. "É uma dependência química e psíquica e a pessoa fica pingando aquilo o tempo todo", diz Cesar, que também é cirurgião do nariz e seios da face e membro Internacional da American Rhinologic Society.


Existe ainda uma rinite química, com a presença de bastante secreção. Geralmente, ela vem de um caso gripal e também por variações de temperatura.


Para tratar a inflamação, a melhor maneira é prevenir as causas da doença. No caso das rinites alérgicas, o ideal é o controle e limpeza do ambiente, além de usar antialérgicos e spray nasal com medicamentos, se orientado pelo médico. Quando a doença é provocada por bactérias, é recomendado o uso de antibióticos, sob orientação do profissional de saúde.



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Rinite e sinusite levam à obstrução nasal
Sinusite


É uma inflamação dos seios da face que costuma afetar muito a qualidade de vida da pessoa. Ela pode ser gerada por bactérias, vírus e também por quadros de rinite. "A inflamação da mucosa nasossinusal inibe o movimento de suas células especializadas e responsáveis por empurrar o muco em direção à garganta", destaca Raul Zanini, otorrinolaringologista do Hospital Albert Einstein.


Por causa disso, a sinusite provoca obstrução do nariz, secreção espessa, gotejamento, dor em pressão (que pode irradiar para os dentes), diminuição do paladar e olfato. Nos bebês, desencadeia dificuldades para mamar e má alimentação.


O quadro pode aparecer em qualquer momento da vida, porém, é mais frequente quando ocorrem mudanças bruscas de temperatura e tempo com baixa umidade relativa do ar. O tabagismo ativo e passivo, assim como as partículas no ar devido à poluição, também favorecem a inflamação.


Há, ainda, alterações de anatomia do interior do nariz como desvio do septo nasal, pólipos e o aumento das conchas nasais (que são conhecidas como carnes esponjosas) que aumentam a predisposição da sinusite.


O tratamento recomendado por médicos pode ser com o uso de antibióticos, mas também pode ser feito com soro fisiológico. Este último alivia os sintomas e acelera a recuperação do mucociliar, que age no mecanismo de defesa das vias aéreas. As inalações, também com soro, podem facilitar a saída da secreção dos seios da face.


Em casos mais graves e recorrentes, é necessário procedimento cirúrgico com um profissional especializado.
Bronquite



É uma doença inflamatória dos brônquios do pulmão de caráter viral ou bacteriano. É importante não confundir com a asma, que também é uma condição respiratória, mas que provoca sintomas diferentes e é desencadeada por um processo alérgico.


Na bronquite aguda, o paciente apresenta muito catarro, tosse, peito cheio e são as crianças as mais afetadas. Ela também é mais comum quando ocorrem quedas severas de temperaturas.


Quando o quadro é viral, o recomendado são remédios para febre, nebulizações, fisioterapia respiratória e muita ingestão de líquido. "Quando o quadro é bacteriano, o recomendado é antibiótico", afirma Débora Carla Chong, pneumologista pediátrica e professora da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Faringite




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Faringites podem ter origem viral ou bacteriana


Ela é a famosa dor de garganta e é muito comum em pacientes que têm obstrução nasal ou que dormem de boca aberta. Geralmente, quando acordam pela manhã, sentem muito incômodo. Além deste sintoma, a pessoa pode ter uma dor de cabeça ao acordar. O problema ocorre ainda mais no outono e inverno.


As faringites podem ainda ser de caráter viral, que são frequentes quando dormimos de cabelo molhado, pegamos sereno ou andamos com os pés descalços.


Também podem ser bacterianas, provocadas pela espécie streptococcus pyogenes. Neste caso, é um quadro súbito, comum em crianças mais velhas, que têm dois anos de idade. "Se não tratada, a inflamação pode evoluir para uma febre reumática, uma reação autoimune, que atinge as articulações, podendo acometer o coração e, em casos graves, o cérebro", reforça o pneumologista. O tratamento deve ser feito com antibióticos, sob orientação médica.
Otites


Esse tipo é caracterizado pela dor de ouvido e muito incômodo na região. A infecção pode ser provocada por vírus, após resfriados.


A otite também é recorrente em crianças e pode ser desencadeada na amamentação. Quando o leite regurgita, vai para dentro do ouvido médio e pode provocar inflamação. "É a primeira infecção da criança e ocorre na faixa etária dos seis aos três anos de idade", explica Chong.


Os sintomas mais comuns são muita dor de ouvido, febre, perda de apetite e secreção local. O tratamento mais adequado é com uso de antibióticos e analgésicos, com sob orientação médica.


Por último, ainda há a inflamação provocada pelo aumento da adenoide, órgão linfático que se localiza atrás das cavidades nasais e acima do céu da boca. Ela prejudica a "comunicação" com o ouvido e nariz e faz com que haja muito catarro na região. O tratamento pode ser feito com remédios e, em casos mais graves, com cirurgia para retirada da secreção, conforme orientação do profissional de saúde.







Autor: Priscila Carvalho
Fonte: Rio de Janeiro para a BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 01/06/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61654913