quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O que funciona para tratar resfriados em crianças - e o que não funciona

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O resfriado comum pode causar dor de garganta, torsse congestão nasal, aumento da temperatura corporal e espirros

Crianças têm de seis a oito resfriados por ano - duas vezes mais que adultos, mas há poucas evidências sobre o que ajuda a tratar seus sintomas, como nariz entupido, coriza e espirros.

O resfriado comum afeta as vias respiratórias e pode causar dor de garganta, tosse, congestão nasal, aumento da temperatura corporal e espirros, mas, após uma semana, esses efeitos costumam desaparecer.

Farmácias oferecem muitos remédios contra o resfriado comum que afirmam aliviar estes sintomas. Mas não há muitas provas científicas de que eles funcionam, segundo uma revisão de estudos feitos com medicamentos vendidos sem receita médica feita pela publicação científica BMJ.


E alguns, como descongestionantes, não são adequados para bebês, crianças ou grávidas.

A verdade é que não há uma cura mágica.
O que funciona para descongestionar o nariz?


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Descongestionantes não são recomendados para crianças com menos de 12 anos

O médico Rahul Chodhari, porta-voz do Royal College of Paediatrics and Child Health, órgão que reúne pediatras do Reino Unido, diz que pai devem fazer uma lavagem do interior do nariz com uma solução salina, como o soro fisiológico, também chamada de irrigação nasal.

Estas soluções são vendidas da farmácia em gotas ou sprays e ajudam a limpar o muco nasal e a reduzir a sensação de congestão.

"Não há efeitos colaterais, e elas podem ser usadas muitas vezes ao dia. É provado que reduzem o inchaço na região do nariz", afirma Chodhari.

Medicamentos à base de paracetamol, úteis para tratar febre, não ajudam a aliviar a congestão nasal.
O que não é recomendado?

Descongestionantes não são recomendados para crianças com menos de 12 anos, segundo o NHS, principal autoridade em saúde pública do Reino Unido, por causa dos efeitos colaterais, como sonolência e problemas estomacais.

Adultos devem usar esses produtos no máximo por três a sete dias, mas o estudo do BMJ diz que eles têm "um pequeno efeito sobre sintomas nasais".

Eles podem ajudar a aliviar a congestão nasal ao reduzir o inchaço de vasos sanguíneos do nariz, o que contribui para desobstruir as vias aéreas.

No entanto, também aumentam os riscos de se ter dor de cabeça e insônia, entre outros efeitos colaterais, e usá-los por muito tempo pode levar a uma congestão nasal crônica.




O que são os resfriados?

Chodhari diz que xaropes para tosse não são recomendados, porque fazem com que as crianças parem de tossir e expelir o muco acumulado.

E antibióticos só funcionam contra infecções bacterianas, então, não adiantam para resfriados, que são causados por vírus.

O uso de pomadas mentoladas e inalação de vapor também não são recomendados, diz o médico.
E quanto a remédios caseiros?

Faltam estudos sobre estes recursos. O estudo da BMJ aponta que não são eficazes ou não foram testados em crianças métodos como ar quente umidificado, equinácea, probióticos e óleo de eucalipto.

Segundo o NHS, há poucas evidências de que suplementos como vitamina C, zinco ou compostos feitos com alho previnam resfriados ou acelerem a recuperação.


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Uma vez resfriada, a pessoa deve se manter hidratada e aquecida
Quando devo ir ao médico?

É importante ir ao pediatra ou ao pronto-socorro quando a criança tiver uma febre de mais de 38,5 graus, erupções cutâneas persistentes e os sintomas não melhorarem após alguns dias.

Quando a pessoa está resfriada, ela deve se manter hidratada e aquecida. O resfriado comum é causado por vírus que são facilmente transmitidos entre as pessoas, especialmente por meio de tosse e espirros.

Então, para evitar o contágio, é recomendado lavar as mãos regularmente com água quente e sabão, e não tocar nos olhos e nariz de quem esteja resfriado.

Também é importante usar lenços de papel ao tossir e espirrar para evitar que o vírus se espalhe - e jogá-los no lixo o quanto antes após o uso.


Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 19/10/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-45909128

Rio Pinheiros ganhará teste com nanobolhas para combater poluição


Teste na zona sul de São Paulo não terá uso de produto químico nem geração de resíduos – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP irá analisar a eficiência da aplicação da tecnologia de nanobolhas para a melhoria da qualidade da água do Rio Pinheiros, em São Paulo. Os testes serão realizados em dois canais da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) localizados junto à Usina Elevatória de Traição e devem começar em cerca de dois meses, quando a montagem do equipamento estará completa.

“As nanobolhas já vêm sendo utilizadas em outros países com muito sucesso na despoluição de águas superficiais”, diz a engenheira Paula Vilela, citando o caso do lago El Cascajo, em Chancay, no Peru. “Ela (a tecnologia) pode ser utilizada em qualquer sistema de aeração artificial de meios aquáticos”, completa.


Mau gerenciamento é o principal vilão da questão hídrica


Pesquisadores desenvolvem sensor que mede poluição de rios urbanos

Paula realiza a pesquisa no pós-doutorado junto ao Departamento de Saúde Ambiental da FSP, sob orientação do professor Pedro Caetano Mancuso. Ela utilizará um gerador que produz nanobolhas em dimensões inferiores a 50 nanômetros – o que equivale a 0,00005 milímetros. Além do tamanho diminuto, as nanobolhas se comportam de maneira diferente das bolhas visíveis a olho nu. Elas não flutuam em direção à superfície nem se rompem rapidamente. Podem durar por várias horas ou até alguns meses. Deslocam-se com menor velocidade e são mais estáveis do que as bolhas maiores.


Para realização dos testes, o gerador de nanobolhas será integrado a uma bomba centrífuga, uma cápsula geradora de ozônio e um painel de comandos elétricos. “Não existe uso de produto químico nem geração de resíduos”, afirma Paula. As nanobolhas produzidas por esse tipo de sistema costumam ser feitas de ar, gás oxigênio ou ozônio. A engenheira espera observar a depuração dos contaminantes como próprio resultado do movimento das nanobolhas.

Antes de ligar o gerador de nanobolhas, os pesquisadores irão coletar a água do rio para fazer novas análises laboratoriais. Uma vez que o equipamento estiver em funcionamento, essas análises serão feitas semanalmente nos canais, para monitorar mudanças nas condições da água. Paula também quer verificar detalhadamente o efeito da tecnologia sobre as máquinas do sistema de bombeamento da usina, que são prejudicadas pelo lodo e os materiais sólidos. A ideia é verificar se o uso das nanobolhas é capaz de melhorar as condições de operação das máquinas.

Segundo a engenheira, testes preliminares realizados em abril de 2017 superaram as expectativas dos pesquisadores. Após o uso do gerador de nanobolhas, a água antes carregada de poluição ficou sem odor e sem cor. As análises laboratoriais revelaram, ainda, outros resultados positivos, com significativa redução de contaminantes.




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 24/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/rio-pinheiros-ganhara-teste-com-nanobolhas-para-combater-poluic/

Livro faz críticas às práticas midiáticas em contexto de desigualdade social

Foi lançado em setembro o livro Emergências periféricas em práticas midiáticas, organizado por Rosana de Lima Soares, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, e Gislene Silva, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).


O e-book é resultado de um trabalho de estudos em Cultura Midiática – Metacrítica de pesquisadores da USP, Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e da UFSC. Os treze artigos propõem o pensar das emergências periféricas – como urgência e como insurgência – em múltiplas práticas midiáticas e contextos de desigualdades. Em suas “ausências e emergências”, busca-se responder a esses desafios e agregar a potência crítica das práticas midiáticas, seja para ressaltar as narrativas comumente ausentes nas mídias corporativas, seja para consolidar as alternativas que a ela se colocam em ações emergentes cada vez mais visibilizadas e ouvidas.

O livro, publicado pelo selo Kritikos, do grupo de pesquisa MidiAto, da ECA, está disponível para download gratuito no site da MidiAto.




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 24/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/livro-faz-criticas-as-praticas-midiaticas-em-contexto-de-desigualdade-social/

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Lançamento da segunda fase do projeto #Zikalab será na Fiocruz Brasília

Durantes os dias 26 e 27 de outubro, no auditório interno da Fiocruz Brasília, será realizado o Lançamento Nacional da Segunda Fase do Projeto #Zikalab.

Promovido pelo Instituto de Pesquisa e Apoio ao Desenvolvimento Social (Ipads), com apoio da Fiocruz Brasília, o #Zikalab nasceu para capacitar profissionais da saúde que atuam na linha de frente das emergências causadas pelo vírus zika, focando na população mais vulnerável ao vírus: gestantes, mães e bebês. Desde o seu início, o projeto já capacitou mais de seis mil profissionais em suas oficinas.

A mesa de abertura do evento terá presença de representantes da Fiocruz, Ministério da Saúde, Ipads, Conselho Nacional de Secretárias Municipais de Saúde (Conasems), Fundo das Nações Unidas para a Infância – Movimento abraço a Microcefalia e Johnson & Johnson.

Confira a programação:

26 de outubro

8h – Recepção

9h – Mesa de abertura

10h – Assinatura do termo de parceria

10h15 – Apresentação Projeto Zikalab: Fase 2
Dr.Thiago Lavras Trape (Projeto Zikalab)

10h30 – Zika vírus no Brasil
Dr. André Ribas (Sociedade Brasileira de dengue e arboviroses)

11h – Zika vírus na atenção primária à saúde: práticas da prevenção ao cuidado
Dr. Giuliano Dimarzio (Sociedade brasileira de medicina de família e comunidade)

11h30 – Família e microcefalia: desafios e superações
Joana Damásio (Fundadora ONG Abraco a microcefalia)

12h – Almoço

13h – Oficina de formação docentes: divisão grupos de trabalho

18h – Encerramento

27 de outubro

8h30 – Grupos de trabalho formação docentes

12h – Fechamento


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Autor: Gabriel Ellan Lobato
Fonte: Fiocruz Brasília
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 23/10/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/lancamento-da-segunda-fase-do-projeto-zikalab-sera-na-fiocruz-brasilia

Tragédia de Mariana próxima de completar 3 anos e da prescrição do crime ambiental

Tragédia de Mariana – Às vésperas da prescrição, cronograma de indenizações perde força e deixa mais de 7 mil pescadores atingidos em situação vulnerável


O distrito de Bento Rodrigues, dois anos após o rompimento da barragem – José Cruz/Arquivo/Agência Brasil



Por Mariana Pupo

No próximo dia 5 de novembro, a maior tragédia ambiental de que se tem notícia no Brasil, o caso Mariana/MG, completa três anos. Em 2015, cerca de 70 mil pessoas foram atingidas direta ou indiretamente por um tsunami de lama gerado pelo rompimento da barragem do Fundão, da empresa Samarco, controlada pela Vale e BHP. Milhões de metros cúbicos de lama ferrosa varreram distritos e bairros e inundaram 650 km do Rio Doce até sua foz, no litoral do Espírito Santo.

Três anos depois, o trágico episódio pode se tornar um retrato do descaso das empresas. Além da possível saída da sociedade por parte da australiana BHP – o que fragiliza ainda mais as chances de indenizações aos moradores –, o cronograma de acordos com os cerca de 9 mil pescadores foi praticamente interrompido às vésperas do crime ambiental prescrever.

Representante da Federação e das Colônias de Pescadores e de 4.500 mil pescadores afetados, o advogado Leonardo Amarante explica que até o meio do ano, os acordos vinham avançando. Nos últimos 60 dias esse planejamento começou a ficar intermitente, quase parando, dando um total de cerca de 20% das indenizações pagas (ou 1800 pescadores), gente que perdeu a sua principal fonte de renda para uma vida inteira.

Um dos esforços dos representantes é mostrar que a extensão de áreas afetadas pela lama é maior do que eles alegam, tornando-as elegíveis às indenizações. “Essas vítimas são as mais vulneráveis. A Renova quer escolher a quem indenizar. Por esse motivo, decidimos interromper as intermediações com as empresas, pois não podemos confiar em ‘entendimentos’, ainda que respeitáveis, diante da regra objetiva da lei”, argumenta Dr. Amarante, lembrando ainda que o prazo de prescrição no Código Civil Brasileiro é de 3 anos, “o que pode deixar quase cerca de 7 mil pescadores em situação ainda mais vulnerável do que estão, já que irão depender da boa vontade das empresas em fechar os demais acordos de indenização”, finaliza.



Colaboração de Mariana Pupo, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/10/2018





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/24/tragedia-de-mariana-proxima-de-completar-3-anos-e-da-prescricao-do-crime-ambiental/

Estudo revela que a disponibilidade de nitrogênio para as plantas está diminuindo com o aquecimento do clima

Disponibilidade de nitrogênio – A maioria dos ecossistemas terrestres, como florestas e terras que não foram tratadas com fertilizantes, estão se tornando mais oligotróficos

University of Maryland Center for Environmental Science*


Foto: EBC


Pesquisadores descobriram que as mudanças globais, incluindo o aquecimento das temperaturas e aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera, estão causando uma diminuição na disponibilidade de um nutriente fundamental para as plantas terrestres. Isso pode afetar a capacidade das florestas de absorver dióxido de carbono da atmosfera e reduzir a quantidade de nutrientes disponíveis para as criaturas que as comem.

“Mesmo que o dióxido de carbono atmosférico seja estabilizado em níveis baixos o suficiente para mitigar os impactos mais sérios da mudança climática, muitos ecossistemas terrestres exibirão cada vez mais sinais de redução de nitrogênio”, disse Andrew Elmore, co-autor do estudo. do Centro de Maryland para a ciência ambiental. “Evitar estes declínios na disponibilidade de nitrogênio enfatiza ainda mais a necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono causadas pelo homem.”

Embora o foco na disponibilidade de nitrogênio seja frequentemente desenvolvido em regiões costeiras, como a Baía de Chesapeake, que luta contra a eutrofização – escoamento da poluição por nitrogênio de fazendas fechadas e gramados que alimentam as algas e leva à redução do oxigênio nas águas – A história é muito diferente em terras menos desenvolvidas, como as montanhas do oeste de Maryland.

“Essa ideia de que o mundo está inundado de nitrogênio e que a poluição por nitrogênio está causando todos esses efeitos ambientais tem sido o foco de conversas na literatura científica e na imprensa popular há décadas”, disse Elmore. “O que estamos descobrindo é que ele escondeu essa tendência de longo prazo em sistemas sem mudanças causadas pelo aumento do dióxido de carbono e por períodos de crescimento mais longos”.

Pesquisadores estudaram um banco de dados de química de folhas de centenas de espécies que foram coletadas em todo o mundo entre 1980-2017 e descobriram uma tendência global na diminuição da disponibilidade de nitrogênio. Eles descobriram que a maioria dos ecossistemas terrestres, como florestas e terras que não foram tratadas com fertilizantes, estão se tornando mais oligotróficos, o que significa que há poucos nutrientes disponíveis.

“Se o nitrogênio está menos disponível, tem o potencial de diminuir a produtividade da floresta. Chamamos isso de oligotrofização”, disse Elmore. “Na bacia florestal, não é uma palavra muito usada para sistemas terrestres, mas indica a direção em que as coisas estão indo.”

O nitrogênio é essencial para o crescimento e desenvolvimento das plantas. No chão da floresta, os micróbios quebram matéria orgânica, como folhas caídas e liberam nitrogênio no solo. A árvore recupera esse nitrogênio para construir proteínas e crescer. No entanto, como as árvores têm acesso a mais carbono, mais e mais micróbios estão se tornando nitrogênio e liberando menos nutrientes para as árvores.

“Este novo estudo acrescenta a um crescente conhecimento que as florestas não conseguirão sequestrar tanto carbono da atmosfera, como muitos modelos preveem, porque o crescimento da floresta é limitado pelo nitrogênio”, disse Eric Davidson, diretor da Universidade de Maryland. Laboratório Appalachian da Environmental Science. “Esses novos insights usando novas análises isotópicas fornecem uma nova linha de evidências de que diminuições nas emissões de carbono são urgentemente necessárias”.

Nos EUA e na Europa, as regulamentações sobre usinas termoelétricas a carvão reduziram a quantidade de deposição de nitrogênio como consequência das regulamentações do ar limpo que tentam combater a chuva ácida. Ao mesmo tempo, o aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera e as estações de crescimento mais longas estão aumentando a demanda de nitrogênio para o crescimento das plantas.

“Há agora várias linhas de evidência que apoiam a hipótese da oligotrofização”, disse o co-autor do estudo, Joseph Craine, um ecologista da Jonah Ventures. “Além do declínio na química das folhas, estamos vendo o gado pastando se tornando mais limitado pelas proteínas, as concentrações de proteína do pólen diminuindo e as reduções de nitrogênio em muitos riachos. Esses pontos estão começando a se conectar a um quadro abrangente de carbono circulando pelos ecossistemas.”


O artigo, “Isotopic evidence for oligotrophication of terrestrial ecosystems“, foi publicado na revista Nature Ecology & Evolution por Andrew Elmore e David Nelson, do Centro de Ciências Ambientais da Universidade de Maryland, e Joseph Craine, da Jonah Ventures.
https://doi.org/10.1038/s41559-018-0694-0



Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/10/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/24/estudo-revela-que-a-disponibilidade-de-nitrogenio-para-as-plantas-esta-diminuindo-com-o-aquecimento-do-clima/

Por que minha saúde tem a ver com meio ambiente? artigo de Flávia Damaceno

Cuidar da saúde também envolve cuidado com o ambiente


Parque Nacional da Tijuca e a cidade do Rio de Janeiro. Foto: EBC


A saúde humana é um tema amplo e complexo, que envolve diversos fatores como variáveis a se considerar acerca de sua qualidade ou deficiência. Quando se fala em casos de saúde pública global, uma série de questões se relacionam a ocorrência de determinada doença, desde condições ambientais propícias à transmissão, aspectos socioeconômicos e de saneamento, até hábitos culturais. Contudo, mesmo que saúde implique considerações em diversos campos do conhecimento, a predominância de foco sobre a espécie humana e as perspectivas de compreensão sobre o que é saúde a partir desse foco, são características comuns associadas a mais disseminada noção de saúde.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde é o estado completo de bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. É importante que caiba a essa definição levar em conta não só a ausência de doenças, mas também a qualidade da condição em que um ser se encontra. Porém, considerar qualidade dos indivíduos inclui a necessidade de um olhar mais além, que observe e analise a saúde do ambiente a que esses indivíduos estão expostos. Ou seja, a ideia de saúde não deve ser associada exclusivamente sob a ótica de organismos, e sim expandir-se para as teias nas quais esses organismos estão inseridos. Tampouco, os organismos são necessariamente humanos, sendo todas as espécies existentes em um local componentes de um quadro saudável ou não.

Condições ambientais como o clima, podem influenciar ciclos de vida de patógenos e sua relação com seus hospedeiros, por exemplo. No meio silvestre, é aceitável esperar que em ambientes mais úmidos e quentes a transmissão de determinadas doenças seja acelerada, por favorecer a reprodução de muitos vírus, bactérias e protozoários. A distribuição e ocorrência de surtos de malária na África é um exemplo de menor incidência de transmissão da doença em regiões mais desérticas. No ambiente urbano, além da poluição, dinâmicas de temperatura e precipitação também podem corroborar para surtos de infecção como, para citar duas, a dengue e a febre amarela.

Em 2017, regiões de São Paulo passaram por surtos de febre amarela, a partir dos quais houveram campanhas de vacinação e um movimento de conscientização a respeito da proteção aos bugios. Também do grupo dos primatas como os humanos, os bugios são espécies reservatório para o arbovírus (família Flaviridae) da febre amarela. Isso implica pensar a conservação dos bugios e de seu habitat, evitando o desmatamento e não afetando a manutenção natural dos recursos cujos bugios usam para sobreviver, de modo a não gerar estresse para a espécie e impactos que possam afetar negativamente sua imunidade ao patógeno, tornando-os potencialmente mais vulneráveis.

Essa interação que pode propiciar maior incidência de infecção em primatas não humanos é um exemplo de como as alterações antrópicas no ambiente silvestre, como a fragmentação de habitats através da construção de rodovias, uso agrícola ou áreas residenciais e de centros urbanos favorece o contato entre humanos e doenças recorrentes no meio silvestre. O impacto sobre áreas florestais aumenta riscos de veiculação de zoonoses, além do comprometimento de recursos naturais e bens e serviços ecossistêmicos importantes à vida.

Esse e tantos outros casos de doenças infecciosas exemplificam como os processos naturais e a alteração antrópica desses processos se relacionam a cenários mais ou menos favoráveis a ocorrência de doenças e, por conseguinte, a saúde da vida local mais suscetível à infecção. Tendo em vista que mais de 50% dos patógenos que acometem humanos são zoonóticos, isto é, transmitidos por meio de outros animais, quando o número de casos de pessoas buscando atendimento e assistência a saúde aumenta, para quadros de doenças emergentes como a dengue, em certa medida é um reflexo de fatores que elevam a reprodução de patógenos ou a redução da imunidade de hospedeiros, entre outras relações, que acabam por atingir também a população humana.

A Vigilância Epizoótica, que investiga a ocorrência e distribuição de doenças em animais não humanos, identificou os bugios como espécies indicadoras da existência e transmissão do patógeno da febre amarela em uma determinada área, quando ocorrem mortes de indivíduos infectados e é possível reconhecer a causa associada à infecção, servindo-se desse mapeamento como uma ferramenta para identificar áreas de maior risco de transmissão para humanos. Nesse sentido, tem-se um passo inicial na direção de compreender a saúde ambiental, para além da saúde humana somente, apesar de ainda com o viés do fim último de prevenção da febre amarela em humanos.

Os avanços de investigações com essa natureza são extremamente importantes e tornam possíveis várias aplicações do conceito de saúde ambiental e de saúde única (“Onde Health”) para pensar o bem estar da população humana, e também do ambiente silvestre como um todo. A partir da concepção de um meio antrópico interagindo com ecossistemas naturais uma perspectiva abrangente pode desenhar o ambiente e a circulação das doenças de modo integrado, permitindo pensar estratégias para qualidade de vida e para conservação das espécies.

Por essa razão, as áreas protegidas e as unidades de conservação, assim como os parques urbanos, são elementos contribuintes positivos para, além de questões climáticas e de preservação da biodiversidade, a saúde de todos. Cuidar da saúde também envolve cuidado com o ambiente.

Flávia Damaceno
Graduanda em Ciências Ambientais
Unifesp Diadema

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/10/2018




Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/24/por-que-minha-saude-tem-a-ver-com-meio-ambiente-artigo-de-flavia-damaceno/