sexta-feira, 27 de março de 2020

Surto de lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou vaping



Figura humana translúcida com os pulmões destacados


O CDC, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, os departamentos de saúde estaduais e locais e outros parceiros clínicos e de saúde pública estão investigando um surto nacional de lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou vaping (EVALI).


O CDC, a FDA e as autoridades estaduais de saúde fizeram progressos na identificação da causa do EVALI.

As visitas ao departamento de emergência (ED) relacionadas a produtos de cigarro eletrônico, ou vaping, continuam a declinar, após um aumento acentuado em agosto de 2019 e seu pico em setembro.

Dados nacionais e estaduais de relatórios de pacientes e testes de amostras de produtos mostram produtos de cigarro eletrônico ou vaping contendo tetrahidrocanabinol (THC), particularmente de fontes informais como amigos, familiares ou revendedores pessoais ou online, estão ligados à maioria dos casos EVALI e desempenhar um papel importante no surto.

O acetato de vitamina E está fortemente ligado ao surto EVALI. O acetato de vitamina E foi encontrado em amostras de produtos testadas pelo FDA e em laboratórios estaduais e em amostras de fluidos pulmonares de pacientes testadas pelo CDC de estados geograficamente diversos. O acetato de vitamina E não foi encontrado no fluido pulmonar de pessoas que não têm EVALI.

A evidência não é suficiente para descartar a contribuição de outros produtos químicos preocupantes, incluindo produtos químicos em produtos THC ou não THC, em alguns dos casos EVALI relatados.

O CDC continuará atualizando as orientações relacionadas ao EVALI, conforme apropriado.



Autor: CDC
Fonte: CDC
Sítio Online da Publicação: CDC
Data: 2/03/2020
Publicação Original: https://www.cdc.gov/tobacco/basic_information/e-cigarettes/severe-lung-disease.html#overview

Prevalência de autismo sobe em comunidades monitoradas pelo CDC

Semana de Conscientização do Autismo: quais direitos do Autista ...

Uma em cada 54 crianças de 8 anos de idade foi identificada com autismo segundo uma análise de dados de 2016 publicada hoje no Resumo de Vigilância do Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade (MMWR) do CDC.


Isso é superior à estimativa anterior de 2014, que encontrou uma prevalência de 1 em 59 entre as crianças de 8 anos. Os dados são de 11 comunidades dos EUA na rede de monitoramento de deficiências em desenvolvimento e autismo (ADDM) do CDC. Dados de 2016 também mostram que mais crianças estão sendo avaliadas e identificadas com autismo em idades mais jovens. As últimas descobertas se baseiam em dados de dois relatórios separados em crianças de oito e quatro anos.


"Parte do aumento da prevalência de autismo pode ser devido à maneira como as crianças são identificadas, diagnosticadas e recebendo serviços em suas comunidades", disse Stuart Shapira, MD, Ph.D., diretor associado de ciência do Centro Nacional de Defeitos de Nascimento do CDC. e deficiências de desenvolvimento. “O aumento também pode refletir reduções nas diferenças raciais na identificação do autismo, já que este é o primeiro relatório da Rede ADDM a identificar crianças negras de 8 anos com autismo como tendo as mesmas taxas que crianças brancas.


Diferença racial reduzida, mas diferenças permanecem


Apesar das melhorias na identificação do autismo entre crianças negras, a análise mostra que as diferenças com outros grupos continuam. As crianças hispânicas são identificadas com autismo em taxas mais baixas do que as crianças negras ou brancas. Além disso, crianças negras e hispânicas identificadas com autismo receberam avaliações em idades mais avançadas do que crianças brancas. Isso significa que crianças negras e hispânicas com autismo que não têm deficiência intelectual podem não ser identificadas nas mesmas taxas que as crianças brancas.


Diferenças de genero


Os meninos tinham quatro vezes mais chances de serem identificados com autismo do que as meninas. No entanto, as meninas identificadas com autismo eram mais propensas a ter deficiência intelectual do que os meninos (39% das meninas versus 32% dos meninos).


Diferenças geográficas na prevalência de autismo


A prevalência de autismo nas 11 comunidades variou amplamente, de 1,3% no Colorado a 3,1% em Nova Jersey. Isso pode ser devido a como o autismo está sendo diagnosticado e documentado. Algumas comunidades têm maior concentração de serviços para crianças com autismo e suas famílias. Além disso, algumas comunidades podem revisar os registros educacionais e de saúde das crianças, o que pode levar a mais crianças identificadas com autismo.


Melhorias na identificação precoce do autismo

Um relatório separado, analisando crianças de quatro anos, constatou melhorias substanciais no número de crianças que tiveram sua primeira triagem de desenvolvimento aos 36 meses de idade. Segundo o relatório, 84% das crianças de 4 anos haviam recebido uma primeira triagem de desenvolvimento aos 36 meses de idade, em comparação com 74% no relatório anterior com dados de 2014. Isso é importante porque quanto mais cedo as crianças são identificadas com autismo, mais cedo elas podem ser conectadas a serviços que podem melhorar os resultados e levar a uma melhor qualidade de vida.


Rede ADDM


A Rede ADDM do CDC é um sistema de rastreamento que fornece estimativas da prevalência e características do autismo entre mais de 300.000 crianças de 8 anos em 11 comunidades no Arizona, Arkansas, Colorado, Geórgia, Maryland, Minnesota, Missouri, Nova Jersey, Carolina do Norte , Tennessee e Wisconsin. Os dados de crianças de quatro anos vêm da Early ADDM Network, um subconjunto de comunidades do Arizona, Colorado, Missouri, Nova Jersey, Carolina do Norte e Wisconsin.






Autor: CDC
Fonte: CDC
Sítio Online da Publicação: CDC
Data: 26/03/2020
Publicação Original: https://www.cdc.gov/media/releases/2020/p0326-autism-prevalence-rises.html

quinta-feira, 26 de março de 2020

FAPERJ anuncia a liberação de R$ 30 milhões para pesquisa sobre o Covid-19



Por Ascom Faperj

A direção da FAPERJ anunciou nesta quinta-feira, dia 26 de março, o lançamento de chamada emergencial destinada apoiar a pesquisa de Covid-19. A iniciativa é uma parceria da Secretaria de Estado da Saúde (SES) com a FAPERJ. Poderão participar instituições de Ensino, Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro, startups, micro, pequenas e médias empresas. Intitulada Ação Emergencial Projetos para Combater os Efeitos da Covid-19 – Parceria FAPERJ/SES – 2020, a iniciativa lança simultaneamente (no mesmo documento), três chamadas: Apoio a Rede de Pesquisa em Vírus Emergentes e Reemergentes (Chamada A); Apoio a Projetos já concedidos e contratados em Editais da FAPERJ (Chamada B): e Apoio a Projetos em rede a serem financiados com recursos da FAPERJ em parceria com a SES (Chamada C).

De acordo com o presidente da FAPERJ, Jerson Lima Silva, o objetivo é dar continuidade aos trabalhos das redes de viroses emergentes e reemergentes, e financiar o estudo da Covid-19 e seu agente etiológico, o vírus da SARS-CoV-2 (síndrome respiratória aguda grave 2), abrangendo diversos aspectos: Genômica do vírus, fisiopatologia da doença, aspectos clínicos, diagnóstico da doença, epidemiologia, interação vírus-hospedeiro, desenvolvimento de kits-diagnóstico, controle e enfrentamento da doença, soluções inovadoras para ampliar a obtenção de insumos como máscaras, álcool em gel, respiradores, entre outros.

Os recursos financeiros poderão ser utilizados para o estabelecimento e melhoria de infraestrutura e despesas de custeio previstas em projetos de pesquisa apresentados por pesquisadores com vínculo empregatício ou estatutário em instituições de ensino e pesquisa do Rio de Janeiro e para desenvolvimento de novos equipamentos e insumos por startups, micro, pequenas e médias empresas sediadas no Estado do Rio de Janeiro.

Chamadas contemplam três modalidades de apoio

As chamadas A e B darão continuidade ao financiamento de redes em viroses emergentes e reemergentes, através de projetos em andamento, científicos ou tecnológicos, projetos de startups, micro, pequena e média empresas. A Chamada A contemplará a rede de Arboviroses (que passará a estudar vírus emergentes e reemergentes, como o COVID-19); a Chamada B, para projetos já concedidos, e para o qual poderão ser solicitados novos recursos com a inclusão de novas linhas de pesquisa.

A Chamada C se destinará à formação de até seis redes de pesquisa: 1) Controle da Epidemia no Estado do Rio de Janeiro e Brasil; 2) Diagnóstico molecular e sorológico do SARS-CoV-2/desenvolvimentos de testes; 3) Apoio a adequação e melhoria das instalações de laboratórios nível 3 (NB3) no Estado do Rio de Janeiro; 4) Estudos clínicos prospectivos colaborativos em COVID-19; 5) Epidemiologia da infecção do SARS-CoV-2 no Estado do Rio de Janeiro; e 6) Projetos de startups, micro, pequenas e médias empresas sediadas no Estado do Rio de Janeiro.

São elegíveis como proponentes pesquisadores e/ou equipes formadas por um conjunto de pesquisadores com vínculo empregatício ou estatutário com Instituições de Ensino e Pesquisa e empresas sediadas no Estado do Rio de Janeiro. No caso de Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), os proponentes elegíveis são pessoas físicas, e deverão ser o responsável legal formalmente designado em seu estatuto ou algum outro funcionário da empresa designado pelo responsável legal da MPME ao qual o projeto esteja vinculado. Já no caso de startups que não tenham constituída sua personalidade jurídica, os proponentes elegíveis são pessoas físicas responsáveis pelo projeto.

Serão alocados R$ 25 milhões, assim divididos: R$ 6 milhões para a CHAMADA A; R$ 9 milhões para a CHAMADA B; e R$ 9,8 milhões para a CHAMADA C. R$ 5 milhões são provenientes da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e o restante é proveniente da FAPERJ. Os recursos serão pagos em única parcela na CHAMADA B e 2 (duas) parcelas na CHAMADA C. A critério da diretoria da Fundação, o total concedido pode chegar a R$ 32 milhões.

Prazos:
Lançamento da chamada: 26/03/2020
Submissão de propostas on-line
CHAMADA A – a partir de 26/03/2020 em fluxo contínuo
CHAMADA B – a partir de 26/03/2020 em fluxo contínuo
CHAMADA C – de 26/03/2020 a 14/04/2020
Divulgação dos resultados: a partir de 02/05/2020

Confira a íntegra da chamada abaixo:

Ação Emergencial Projetos para Combater os Efeitos da Covid-19 – Parceria Faperj/Ses – 2020





Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 26/03/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3947.2.3

A COVID-19 é um exemplo a mais de nossa relação tóxica com a natureza

“A COVID-19 é um exemplo a mais de nossa relação tóxica com a natureza”. Entrevista com Pedro Jordano

IHU

Pedro Jordano (Córdoba, 1957) vive a pandemia do SARS–COVID–2 perplexo pelo alcance que está tendo. Como biólogo, constata como estamos desarmados diante do desconhecido. A biodiversidade dos coronavírus é enorme e este (que gera a doença COVID–19) é novo para nós, do mesmo modo que são novas as 18.000 espécies de organismos superiores (plantas, animais…) para as quais damos nome, a cada ano, no planeta.

“Ainda desconhecemos muito da biodiversidade da Terra. Os micro-organismos e vírus estão na fronteira do desconhecido”, destaca o pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas – CSIC [Espanha]. Em ecologia, trabalha com modelos de propagação e dispersão que são a base da dinâmica de infecção e contágio que estamos vivendo.

“O que os modelos de redes complexas nos ensinam é que a limitação de contatos e mobilidade é chave para manter o contágio dentro dos limites controláveis. A pandemia é imparável acima de um limite mínimo do que tecnicamente se conhece como percolação. Por isso, é muito importante insistir em que permaneçamos em casa”, adverte o também professor da Universidade de Sevilha.

A entrevista é de Javier López Rejas, publicada por El Cultural, 24-03-2020. A tradução é do Cepat.
Eis a entrevista.

O que mais chamou a sua atenção a respeito do comportamento deste coronavírus?

A infecção foi muito rápida, provavelmente porque avaliamos mal a proporção real de portadores (a prevalência do vírus) e porque demoramos em reagir estabelecendo as restrições de mobilidade. A essência de um organismo como o SARS–COV–2 é o crescimento exponencial. A melhor forma de interromper um crescimento exponencial é começar muito cedo. Somente um dia de antecipação na ação de contenção pode representar 40% de redução. É a magia das dinâmicas, que obedecem a leis matemáticas bem estabelecidas. Ignorá-las é para insensatos ou pessoas muito, mas muito desinformadas. O comportamento do coronavírus foi e é uma lição do potencial de dispersão no mundo.

O que falhou em sua opinião?

O que ocorreu – e continua ocorrendo, por exemplo, no Brasil, México, Reino Unido, e até alguns dias atrás nos Estados Unidos, mas antes na Espanha, Itália e em grande parte da União Europeia – é que ficamos muito tranquilos ancorados na fase inicial do crescimento exponencial, onde o número de casos parecia progredir lentamente. Mas a dinâmica exponencial é perversa: se você começa com dois casos e seu número dobra a cada semana, terá uns 1.000 após dez semanas; mas ao final de outras dez semanas, já terá um milhão de casos.

Intuitivamente, temos muita dificuldade em considerar esses detalhes e não somos conscientes do que acarretam em termos de expansão de uma doença. Se cada um de nós reduz seu R0 (taxa de contágio potencial) a menos de 1, ou seja, o número de pessoas que cada um de nós poderia infectar se desenvolvêssemos a COVID–19, conseguiríamos achatar a curva de contágio. Isso aconteceu em Hong Kong, por exemplo, onde nos demonstraram muito claramente que uma dinâmica exponencial pode ser freada.

Por trás desses tipos de doenças emergentes está a ação humana. As infecções por patógenos são processos ambientais, ocorrem nos ecossistemas como consequência das interações entre espécies – Pedro Jordano

Sem sairmos da China, onde estaria a origem da pandemia? Pode ser uma transferência de um animal (morcego ou similar) para humanos?

Por trás desses tipos de doenças emergentes está a ação humana. As infecções por patógenos são processos ambientais, ocorrem nos ecossistemas como consequência das interações entre espécies. Se alteramos estas dinâmicas, teremos consequências como as que vivemos agora. A maior parte das epidemias e pandemias recentes (HIV, Ebola, SARS, West Nile, a doença de Lyme, Hendra, Nipah, etc.) tem uma clara base ambiental e de alteração de processos naturais. É o que conhecemos por “ecologia da doença”.

O acesso em grande escala a fontes de alimentação baseadas em animais silvestres e a enorme expansão do comércio de fauna silvestre (não só para consumo, também como animais de estimação, etc.) abre as portas, segundo Jordano, membro do jurado do ‘Prêmio Fundação BBVA Fronteiras do Conhecimento’ de Ecologia e Biologia da Conservação, para expor o nosso organismo a novos patógenos.

“Também o contato de animais domésticos com a fauna selvagem, que causa transmissão nas duas direções”, explica.

“As doenças emergentes nos últimos 30-40 anos estiveram ligadas a alterações de habitats naturais, suburbanização, superpopulação em áreas silvestres e avanço de áreas urbanas em áreas selvagens. Estas condições favorecem ‘saltos’ de espécies silvestres – meros portadores – para humanos. Se a isso acrescentamos a facilidade de dispersão em um mundo globalizado, com transporte aéreo e marítimo, tráfico de animais extensivo e taxas de desmatamento e alteração do meio natural devastadoras, as condições para uma pandemia generalizada estão dadas”.

É uma doença zoonótica a mais (procedente dos animais) ou tem alguma característica especial?

O SARS–COV–2 e seu efeito, COVID–19, é um grande desconhecido. Geneticamente está relacionado com o SARS–COV de 2003, mas a doença que causa e sua dinâmica é muito diferente. O SARS–COV foi mais mortal, mas muito menos infeccioso que o SARS–COV–2, e não houve novos surtos da SARS no mundo, desde 2003. No momento, parece se comportar de forma similar a outros coronavírus, mas não posso opinar com conhecimento.

A maior parte destas pandemias são de base zoonótica e no caso do SARS–COV–2 muito possivelmente também, ainda que isso precisa ser comprovado. Por exemplo, a doença de Lyme (uma borreliose) no leste dos Estados Unidos está associada à alteração das matas e à sobrecaça de grandes predadores (lobos, raposas, águias e corujas) e ao crescimento de populações de roedores, que são reservatórios da bactéria.

Quando alteramos a biodiversidade de ecossistemas naturais derrubamos barreiras para a expansão destes patógenos e, por nossa sociedade hiperconectada, estendemos pontes muito efetivas para a propagação de doenças – Pedro Jordano

Jim Robbins, do New York Times, insistia recentemente em um artigo no protagonismo da “ecologia da doença”…

Quando alteramos a biodiversidade de ecossistemas naturais derrubamos barreiras para a expansão destes patógenos e, por nossa sociedade hiperconectada, estendemos pontes muito efetivas para a propagação de doenças que, de outro modo, se manteriam em seus reservatórios naturais. Há muito poucas espécies que atuam como reservatórios. A maior parte de nossa biodiversidade não abriga patógenos que acarretem perigo neste sentido.

Como Robbins, acredita que as epidemias “não ocorrem”, mas, ao contrário, são “o resultado do que o ser humano faz com a natureza”?

Claro que sim. Talvez não em todos os casos de doenças patogênicas em humanos, mas na maior parte das epidemias e pandemias que vimos emergir nos últimos 30-40 anos.

Como nossa atividade social e econômica influencia nessa alteração da paisagem?

Há múltiplas formas. Talvez a mais ampla é que a alteração da paisagem pelos humanos cria zonas de contato onde se dão características que favorecem a expansão de patógenos. Há vários exemplos disso, como o da borreliose, que mencionei, ou a expansão da malária em áreas desmatadas, onde a abertura e o clarão na mata favorecem a expansão de mosquitos vetores da doença. Além da alteração dos habitats naturais, existem outros efeitos como o aumento da sobrecaça de animais silvestres (e seu consumo ou tráfico para comércio).

Os médicos e os epidemiólogos deveriam se associar aos veterinários e biólogos para encontrar uma solução, para que não volte a ocorrer uma pandemia como essa?

Isso já está acontecendo, com colaborações muito transversais entre o âmbito de saúde, veterinários da vida silvestre, biólogos, matemáticos e físicos (que exploram modelos de propagação e contágio), etc. Há várias iniciativas em escala mundial, entre as quais se destaca a Iniciativa OneHealth, da qual participam mais de 600 especialistas de diferentes âmbitos científicos de todo o mundo. Ou também o projeto PREDICT…

Jordano considera que tanto o projeto PREDICT, como a Iniciativa OneHealth, são muito necessários porque identificam a via pela qual nossas pesquisas futuras deveriam caminhar: estudos interdisciplinares que nos permitam conhecer melhor estes ramos ambientais de doenças que podem ser devastadoras para a humanidade.

“Portanto – compreende – é necessário sair dos laboratórios para entender a ecologia da doença”.

PREDICT e EcoHealth se dedicam a pesquisar a biodiversidade de vírus na fauna silvestre, enfocando grupos concretos como morcegos, roedores, primatas e aves.

É muito urgente conhecer melhor nossa biodiversidade em escala mundial. Estimamos que conhecemos apenas 1% dos vírus dos animais silvestres. Temos um desconhecimento espetacular – Pedro Jordano

“Seria necessário ampliar sua ação – reivindica -, apoiando estas iniciativas cujo objetivo é identificar esses ‘pontos quentes’ de alto risco, onde a ação humana se desfez dessas barreiras naturais. Já conseguiram muito: uma ação coordenada em mais de 20 países para a detecção precoce de surtos de vírus e outros emergentes”.

Considera urgente a criação de um catálogo de vírus potencialmente perigosos?

Sim. É muito urgente conhecer melhor nossa biodiversidade em escala mundial. Estimamos que conhecemos apenas 1% dos vírus dos animais silvestres. Temos um desconhecimento espetacular. A exploração da biodiversidade terrestre é uma das grandes fronteiras do conhecimento humano, assim como é a exploração do Universo.

Pode ter efeitos positivos para os ecossistemas esta paralisação industrial e econômica?

Uma paralisação ou desaceleração da economia obviamente significa uma menor pressão sobre o meio ambiente, e há múltiplos indicadores (qualidade do ar, emissões, etc.) que mostram tal efeito positivo. Sendo assim, deveria se manter a longo prazo. Gostaria que uma crise deste tipo nos ensinasse a nos relacionar melhor com a natureza, como conhecê-la com maior profundidade e como delinear formas de uso de seus enormes recursos de uma maneira realmente sustentável para a saúde humana.

A COVID–19 é um exemplo a mais de nossa relação tóxica com a natureza e deve nos servir para delinear formas mais amigáveis de viver neste planeta.

(EcoDebate, 26/03/2020) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 26/03/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/03/26/a-covid-19-e-um-exemplo-a-mais-de-nossa-relacao-toxica-com-a-natureza/

quarta-feira, 25 de março de 2020

Coronavírus: 8 dicas para se adaptar melhor ao trabalho em casa durante pandemia


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Mova os móveis para testar o que funciona melhor no seu novo canto de trabalho, diz David Barke, da School of Life

A necessidade de distanciamento social para conter a disseminação do novo coronavírus está gerando distúrbios no mercado de trabalho.

Enquanto alguns brasileiros tiveram suas atividades suspensas, outros serão obrigados a trabalhar de casa pela primeira vez.

O chamado home office pode ser um desafio para funcionários e gestores, preocupados em não trabalhar demais nem serem atraídos pelas muitas distrações que seus lares oferecem.

"É uma situação bem extraordinária, que costuma exigir uma capacitação mais demorada nas empresas", diz André Brik, consultor especialista em trabalho remoto do Instituto do Trabalho Portátil.

A BBC News Brasil ouviu especialistas e reuniu dicas para se adaptar mais rápido à nova rotina:

1. Organize seu canto

Encontre um espaço em sua casa que possa servir como escritório nas próximas semanas.

"Nem todo mundo pode ter o privilégio de um cômodo separado para trabalhar, que é o ideal", diz André Brik.

Escolha um lugar que seja sempre seu canto de trabalho e, se dividir a casa com outros, fique o mais longe possível da rotina do lar.


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Home office pode ser um desafio para os trabalhadores, preocupados em não trabalhar demais nem serem atraídos pelas muitas distrações que têm em casa

Isso ajudará a sinalizar para sua mente e para os que estão ao seu redor que, enquanto estiver neste espaço, você está trabalhando.

É preciso também pensar no conforto, tanto para a saúde como para a produtividade. Um assento confortável e um apoio para o computador (mesmo que seja improvisado com livros) são básicos.

David Baker, professor sênior da The School of Life no Brasil e em Londres (Inglaterra), sugere fazer pequenos experimentos para descobrir onde você gosta de estar na sua casa.

"Onde a luz é boa? Onde você se concentra melhor? Mova os móveis para testar — essa é a beleza de estar trabalhando de casa, você pode experimentar. Pode também decidir se gosta de trabalhar com música ou não, por exemplo."

Para quem tem filhos, vale conversar com a família e combinar algumas regras de convivência. Brik diz que é importante mostrar que, embora presente, você não estará disponível em alguns momentos do dia.

"Algumas sinalizações podem ajudar. Dizer, por exemplo: 'Quando estou com os fones de ouvido, ou meu crachá pendurado no pescoço, não posso ser interrompido'", afirma.
2. Vista-se

Uma das vantagens óbvias de trabalhar em casa parece ser o fim da necessidade de se vestir e arrumar para ir ao escritório. O pijama, porém, pode acabar prejudicando a nova rotina, dando a impressão de que não se está, de fato, no trabalho.

"Pijama não dá, vai interferir na sua autoestima, você vai se enxergar como uma pessoa menos profissional", diz Brik.

Mantenha os hábitos que tinha quando era necessário sair de casa: tome banho no horário usual, vista-se apropriadamente, faça o café da manhã como sempre.
3. Estabeleça uma rotina (e alguns limites)

Ajude sua mente a entender a diferença entre estar em casa ou trabalhando. David Baker, da School of Life, sugere que se crie um ritual para começar e terminar as funções do dia. "Nós, humanos, precisamos de rituais para marcar as fronteiras. Em geral, o que faz isso é o transporte até o trabalho — é como se estivéssemos recriando esse deslocamento."

"O que funciona para mim é arrumar o meu espaço antes de começar a trabalhar todos os dias. Eu coloco as coisas no lugar, limpo, tento até aspirar o chão do cômodo", afirma.

"Essas ações me dizem que eu estou começando o meu dia. E no fim do dia, para tirar da minha frente tudo o que tem a ver com trabalho, guardo tudo e também passo o aspirador de pó."

Defina, em conversa com seus gestores, um expediente, para que tenha um horário para iniciar e terminar suas funções todos os dias. Isso também ajudará a demarcar as fronteiras entre trabalho e descanso.
4. Organize seu dia


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Não se alimente na mesa: faça pausas e separe uma hora do dia para fazer suas refeições

Comece o dia organizando uma lista de afazeres.

David Baker sugere utilizar a matriz de Eisenhower — uma conhecida ferramenta de produtividade — para organizar suas prioridades. Ela consiste em dividir o que precisa fazer em quatro grupos:

- Urgente e importante

- Importante, mas não urgente

- Nem importante nem urgente

- Urgente, mas não importante

"Quase nada é urgente e importante. Essa pode ser a nossa sensação inicial, mas com certa análise você percebe que não é bem assim", diz Baker.

O truque é distinguir entre o que é urgente e/ou importante e saber o que fazer com cada coisa.

O modelo sugere as seguintes ações:

- Faça imediatamente o que é urgente e importante

- Programe-se para fazer o que é importante, mas não é urgente

- Postergue o que não é importante nem urgente

- Delegue o que é urgente, mas não é importante

Quando fizer uma de suas tarefas, risque-a de sua lista. De acordo com o especialista, há um prazer e um efeito psicológico positivo em ver as coisas sendo feitas ao longo do dia.

André Brik lembra que a autogestão é essencial no home office, já que ninguém estará sendo monitorado de perto por seus superiores.

"As pessoas precisam parar de ser movidas a chefe. É precisa ter produtividade, saber o que você precisa entregar e em que prazo."

Joana Story, professor-adjunta da Fundação Getúlio Vargas, lembra que também os gestores precisam se lembrar de que os funcionários estão em uma rotina diferente da habitual.

"Em vez de monitorar se as pessoas estão trabalhando, o ideal é monitorar se elas estão conseguindo fazer" o que lhes foi pedido, afirma.
5. Faça pausas

No escritório, pausas ao longo do dia acontecem de forma natural. Coisas como sair para almoçar com os colegas, pegar um café ou fazer uma pausa para comer uma fruta nos ajudam a sair temporariamente da frente do computador.

Em casa, porém, os estímulos externos à pausa cessam. Por isso, é preciso organizar-se para fazer pequenos intervalos ao longo do dia — além de separar uma hora para o almoço ou jantar.

"Nosso cérebro precisa de uma pausa em média a cada 50 minutos de trabalho", diz David Baker. Faça, então, um intervalo de 10 minutos a cada hora. O tempo pode ser usado, por exemplo, para fazer um café e comer algo, para se alongar ou caminhar um pouco dentro de casa.
6. Fuja das distrações


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Sentimentos de solidão e ansiedade podem nos levar a recorrer mais ao celular — por isso, é importante controlar o uso do telefone

Esses intervalos também podem ser usados para utilizar o celular, responder a mensagens no WhatsApp ou acessar redes sociais, o que deve ser evitado durante o horário de trabalho.

A tendência é que, conforme a solidão aumenta, as pessoas passem a recorrer cada vez mais às ferramentas de comunicação virtual.

"Se você quebrar o se fluxo de trabalho não vai ser produtivo, vai levar cinco vezes mais tempo para fazer as coisas", afirma o professor da School of Life.

No final do século 19, [o filósofo] Henry Thoreau afirmou: 'Os homens se tornaram as ferramentas de suas ferramentas'. E acho que é isso que estamos fazendo com os nossos telefones", diz.

"Todos nós temos martelos em casa, mas não ficamos preocupados em achar pedaços de madeira em que usá-lo todos os dias. Use, então, seu telefone deste jeito, quando você precisar dele."
7. Gerencie suas expectativas

Joana Story, da FGV, ressalta que é necessário que funcionários e gestores ajustem suas expectativas.

"É muito importante aceitar o que é possível fazer de casa e o que não é; porque as pessoas tendem a achar que vai ser igual, e não é", diz.

Ela orienta os empregados a se comunicarem melhor e serem mais diretos com os seus empregadores.

Do lado dos gestores, é importante dar o treinamento adequado para que as pessoas se sintam confortáveis no home office, além de rever metas, quando necessário.

Estar em contato frequente com os funcionários também é essencial.

"O gestor tem que aprender a confiar, e o colaborador deve ser proativo para conseguir realizar as atividades sem ninguém cobrando do lado", diz André Brik.
8. Fique atento às emoções

É preciso lembrar ainda que a ansiedade e o estresse aumentam em tempos de incertezas, lembra Joana Story.

Diante de todas as notícias sobre a pandemia, é importante aceitar essas emoções, ela diz. "Tente monitorar o que está sentindo e evite o isolamento virtual."

"Quando pensamos numa ameaça futura, a gente tende se concentrar nas partes boas, tende a ser otimista. Mas haverá momentos em que nos sentiremos sozinhos, ou ansiosos", afirma Baker.

Segundo ele, a filosofia estoica traz boas lições para passar pela crise. "No mundo moderno, quando alguém diz: 'Se X acontecer, não conseguirei lidar com isso', nossa tendência é tranquilizá-lo e afirmar que X não vai acontecer", diz.

"Mas os estoicos diriam que isso é inútil. O que precisamos é dizer: 'Se isso acontecer, você vai sobreviver'."




Autor: Giuliana Vallone
Fonte: BBC News Brasil em São Paulo
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 25/03/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52012296

Coronavírus: por que Nova York teve mais de 6% dos casos de covid-19 no mundo e como tenta contê-los


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Ruas de Manhattan, desertas por conta das medidas restritivas

Paralisada pelo rápido avanço do coronavírus, Nova York deixou de ser "a cidade que nunca dorme" para se tornar um epicentro silencioso e irreconhecível da pandemia nos Estados Unidos, esperando pelo pior.

O número de casos confirmados de covid-19, a doença causada pelo vírus, no Estado de Nova York subiu para 20.885 na última segunda-feira (23 de março), 4 mil a mais do que no dia anterior, quase metade dos registrados nos EUA e 5,6% do total mundial.

Seis em cada dez pessoas infectadas estão na cidade de Nova York, que tem 40% a mais de casos per capita do que a Itália, o país com mais mortes pelo vírus e o segundo com o maior número de infecções registradas após a China.

Até segunda-feira, a pandemia já havia ceifado a vida de 99 pessoas.

O governo do Estado aumentou gradualmente as restrições para diminuir a onda de contágio, com o fechamento de escolas, restaurantes e outras lojas, e pediu à população local que ficasse em casa.


Essas medidas esvaziaram e silenciaram as ruas da cidade dos arranha-céus, mas ainda parecem estar longe de atingir seu objetivo, enquanto as autoridades alertam que as perspectivas são sombrias.


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Andrew Cuomo, el gobernador de Nueva York, pidió ayuda al gobierno federal para enfrentar la crisis.

"Será ruim esta semana, será pior na próxima semana, temos que ser honestos sobre isso: é apenas o começo", disse o prefeito Bill de Blasio à rede de TV CNN na segunda-feira.

Mas por que Nova York chegou a essa situação e como tenta revertê-la?
'O ambiente perfeito'

O aumento repentino de casos confirmados de coronavírus em Nova York se deve tanto à alta taxa de disseminação da infecção quanto a um salto significativo nos testes para detectá-la.

O número de pessoas testadas diariamente para o vírus em Nova York aumentou de mil para 16 mil nos últimos 10 dias, depois que o Estado foi autorizado pelo governo federal a realizar os testes por conta própria, disse o governador Andrew Cuomo na segunda-feira.

Autoridades de Nova York ordenaram o fechamento de lojas não essenciais e pediram a pessoas que evitassem sair de casa.

Ele acrescentou que a atual taxa de testes em Nova York é a mais alta dos Estados Unidos e supera, per capita, a taxa da Coreia do Sul.

O país asiático é considerado um caso bem-sucedido de contenção de vírus por meio de testes maciços, que permitiram a detecção e o isolamento precoces dos infectadas.


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Las autoridades de Nueva York ordenaron cerrar comercios no esenciales y que la gente que evite salir de sus casas.

Por outro lado, especialistas apontam que a cidade de Nova York - com mais de 12.330 casos confirmados na segunda-feira - tem características que promovem uma propagação mais rápida do vírus do que em outras partes do país.

Por exemplo, os 8,6 milhões de nova-iorquinos fazem desta a metrópole dos EUA a maior em termos de densidade populacional: mais de 10 mil pessoas por km².

"Os problemas que enfrentamos não são únicos", mas "são amplificados em Nova York devido à alta densidade populacional: vivemos um sobre o outro", diz Theodora Hatziioannou, professora associada de virologia da Universidade Rockefeller, em Manhattan, à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

"É o ambiente perfeito para um vírus que é muito fácil de espalhar", acrescenta.

Além disso, Nova York é uma cidade diversa e altamente conectada ao mundo, com milhares de pessoas que frequentemente chegam todos os dias de diferentes regiões.

"Nova York está no epicentro porque somos um centro internacional e, obviamente, havia muitas pessoas infectadas que viajaram nas últimas semanas. Essas pessoas infectadas continuavam a vir para cá até que os voos de países fortemente afetados foram proibidos", diz Robyn Gershon, professor de epidemiologia na Escola de Saúde Pública Global da Universidade de Nova York.


Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionDonald Trump: el presidente de EE.UU. dijo que el país "no fue construido para estar cerrado".
A nova batalha

Especialistas acreditam que Nova York também sofreu mais devido a um atraso na detecção da progressão do vírus e à demora na tomada das medidas necessárias a tempo.

De fato, outros Estados dos EUA fecharam suas escolas por causa do vírus antes de Nova York, e o governador Cuomo anunciou as medidas mais severas no último domingo. Ele determinou que trabalhadores não essenciais fiquem em casa e proibiu aglomerações públicas.

O próprio Cuomo admitiu na segunda-feira que essas medidas de "controle de densidade" eram insuficientes e pediu ao prefeito um plano para impor mais limitações, especialmente para jovens e em parques que tiveram um fluxo significativo de visitantes no fim de semana.

A principal autoridade médica dos EUA, o cirurgião-geral Jerome Adams, observou, inclusive, que "Nova York está se aproximando da Itália", um país que reagiu tarde, na opinião de especialistas.

"Os números dos casos que vemos agora refletem o que aconteceu há duas semanas. Muitas pessoas estão esperando demais para tomar medidas sérias nesses próximos 15 dias que interrompam a disseminação", disse Adams na segunda-feira na rede de TV CBS.


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Efectivos de la Guardia nacional se aprestan a instalar un hospital temporal en un centro de conferencias en Manhattan.

O governador e o prefeito de Nova York pediram mais ajuda de Washington, por exemplo, para forçar fábricas a produzir máscaras faciais e respiradores, que estão se tornando escassos.

De Blasio argumentou que, sem esse equipamento crítico, o sistema de saúde será incapaz de manter vivas pessoas que, de outra forma, sobreviveriam.

Cuomo anunciou que determinaria que hospitais estaduais aumentassem sua capacidade para receber pessoas infectadas com coronavírus em 50% , enquanto integrantes do Exército e da Guarda Nacional ajudarão a instalar mais leitos nos hospitais.

No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, vem evitando até agora forçar as fábricas a produzir certos bens como em tempos de guerra e indicou que "em breve" espera que o país retome a atividade econômica.

"Não podemos deixar que o remédio seja pior que a doença", tuitou Trump na segunda-feira, referindo-se ao desgaste causado sobre a economia pelas medidas sanitárias.

Em vez disso, os especialistas recomendam o caminho oposto, especialmente para Nova York.

"A menos que haja acesso a uma enorme quantidade de testes para começar a testar todos ... o distanciamento social é a única medida que temos para tentar conter a epidemia", diz Hatziioannou.

Segundo ela, o vírus provavelmente está em Nova York desde janeiro e a falta de testes disponíveis impedia que ele fosse detectado e que se determinasse a rapidez com que estava se espalhando.

"A lição é limitar o contato com pessoas que potencialmente podem estar infectadas: a melhor maneira de fazer isso é testando rapidamente casos suspeitos e forçando o autoisolamento das pessoas infectadas, se elas não exigirem hospitalizações", diz Gershon.

"Se elas exigirem hospitalização", acrescenta, "devem permanecer isoladas ali".




Autor: Gerardo Lissardy
Fonte: BBC News Mundo em Nova York
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 25/03/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52025734

12 respostas sobre home-office e o que diz a legislação


Foto: EBC

Teletrabalho é opção para empresas durante o isolamento; Governo Federal arca com os primeiros 15 dias em casos de afastamento

Por Thalita Ribeiro

Com a disseminação da COVID-19, causador do Coronavírus, muitos funcionários tiveram de trabalhar em home-office, cumprindo recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde). A medida, também faz parte das orientações do Ministério da Saúde para diminuir o fluxo de pessoas nas ruas, nos transportes públicos, evitando aglomerações e mais chances do vírus se espalhar.

Entretanto, com a velocidade que as empresas tiveram de adotar o home-office, nem todas as dúvidas sobre as regras para este tipo de sistema de trabalho foram esclarecidas a tempo.

Para auxiliar nas principais dúvidas, no que rege a CLT, o escritório Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados, respondem a 12 perguntas abaixo sobre o tema. Confira:

1) As empresas podem promover o teletrabalho? Existe alguma legislação específica para isso?

Sim, após a Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), a CLT passou a regulamentar expressamente o regime de teletrabalho nos artigos 75-A a 75-E, que se caracteriza pela prestação dos serviços preponderantemente fora das dependências do empregador.

2) O que a empresa deve se atentar no caso de teletrabalho?

Para a alteração do regime presencial para a modalidade de teletrabalho, além de ser necessária a concordância de ambas as partes. A empresa deve elaborar aditivo contratual, no qual devem constar as atividades a serem desenvolvidas e as regras a respeito da responsabilidade pelos custos relativos à infraestrutura necessária para a prestação do trabalho remoto.

3) Em caso de afastamento pelo contágio do COVID-19, a empresa deve pagar pelos 15 dias?

A princípio, assim como nos demais casos de doença, a responsabilidade pelo pagamento dos primeiros 15 dias de afastamento do empregado diagnosticado com o COVID-19 seria do empregador, conforme artigo 60, §3º, da Lei 8.213/91.

Contudo, em 19 de março deste ano, o Governo Federal, nos meios de comunicação, declarou que arcará com os 15 primeiros dias de afastamento do trabalhador.

4) O que diz a Lei 13.979/2020?

A Lei 13.979/2020, editada pelo Governo Federal, estabelece medidas que poderão ser tomadas para o enfrentamento do COVID-19, a fim de proteger a coletividade. No que se refere às ausências ao trabalho decorrentes da adoção das referidas medidas, a lei prevê que o período correspondente ao isolamento (casos confirmados) e à quarentena (casos suspeitos) será considerado como falta justificada.

5) Ele pode ser encaminhado ao INSS, após os 15 dias?

Os empregados diagnosticados com o COVID-19 (casos confirmados), após os 15 primeiros dias poderão ser encaminhados ao INSS para passar a receber auxílio-doença, conforme previsão do artigo 59 da Lei 8.213/91.

6) A empresa pode decretar férias?

Sim, a decisão sobre a época de concessão das férias é uma prerrogativa da empresa (artigo 136 da CLT) e, embora a legislação (artigo 135 da CLT) preveja que as férias devem ser comunicadas ao empregado com antecedência mínima de 30 dias, a situação atual de emergência de saúde pública autoriza a relativização da norma, com base no artigo 8º da CLT. Ele estabelece que os interesses particulares ou de classe não poderão prevalecer sobre o interesse público.

7) A empresa pode decretar férias coletivas?

Sim, conforme autoriza o artigo 139 da CLT, o empregador poderá conceder férias coletivas para todos os empregados da empresa ou de determinados setores.

8) Como os sindicatos podem auxiliar empregados em casos de dúvidas ou em que o colaborador possa se sentir prejudicado?

Os empregados podem procurar o sindicato da categoria para denunciar práticas irregulares cometidas pela empresa durante esse período emergencial. As entidades possuem ainda serviços de assessoria jurídica para aqueles que se sentirem lesados e pretenderem buscar seus direitos judicialmente.

9) A empresa pode exigir que o empregado vá trabalhar mesmo diante de riscos como uma pandemia?

A situação atual exige bom senso das empresas. A exigência de comparecimento ao local de trabalho, no caso de inexistência de condições mínimas que garantam um ambiente seguro, pode ensejar a rescisão do contrato de trabalho pelo empregado por justa causa aplicada ao empregador.

10) O empregado pode se recusar a ir trabalhar, caso a empresa não adote medidas seguras? Que tipo de conflito pode se dar?

Embora seja obrigação do empregado a prestação dos serviços, é dever da empresa garantir a proteção da saúde e segurança de seus trabalhadores (artigo 157 da CLT).

Assim, nos casos em que a empresa não adota medidas mínimas de prevenção, é válida a recusa do empregado de trabalhar em área que ofereça risco iminente à sua saúde, sendo possível, inclusive, a justa rescisão do contrato de trabalho por “perigo manifesto de mal considerável”, conforme artigo 483 da CLT.

11) As empresas devem adotar algum termo por escrito, formalizando o home office com os funcionários?

O home office, quando utilizado eventualmente, não necessita de previsão contratual. Contudo, caso seja prolongado e adotado como regime de teletrabalho, é necessária a formalização por aditivo contratual.

12) A empresa pode suspender o vale-transporte no período em que o trabalhador estiver em home-office?

Sim. Como não haverá deslocamento do trabalhador, o vale-transporte pode ser suspenso.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/03/2020






Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/03/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/03/24/12-respostas-sobre-home-office-e-o-que-diz-a-legislacao/