segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

FAPERJ atualiza sua política de Propriedade Intelectual

As discussões sobre propriedade intelectual têm crescido no Brasil, desde 2004, quando foi aprovada a Lei de Inovação Federal (Lei 10.973). Mas, ainda hoje, o tema gera interpretações diferentes por parte dos entes envolvidos. Para se posicionar de forma clara em relação à questão, a FAPERJ acaba de lançar a sua Política de Propriedade Intelectual. As diretrizes estão reunidas em uma Portaria publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, dia 2 de dezembro.

O objetivo da Política é definir as regras do Direito de Propriedade Intelectual aplicadas às pessoas físicas e jurídicas que recebam algum tipo de auxílio, bolsa ou outra modalidade de fomento oferecida pela Fundação. As criações intelectuais passíveis de proteção abrangem invenções, programas de computador, desenhos industriais, marcas e novas variedades vegetais, entre outras.

O debate acerca do assunto envolve duas questões fundamentais: a titularidade ou cotitularidade da propriedade intelectual das criações e a participação em possíveis ganhos econômicos resultantes da exploração comercial dos desenvolvimentos protegidos apoiados pela FAPERJ.



Ao longo dos últimos anos, a FAPERJ chegou a alterar, por mais de uma vez, as suas diretrizes em relação ao tema. De acordo com um levantamento, que considerou como ponto de partida o ano de 2001, o percentual de participação em ganhos econômicos nunca havia sido definido até 2007. Em 2008, ele foi fixado em 5%, sendo reduzido para 1%, a partir de 2015.

“O Termo de Outorga, assinado por aqueles que recebem recursos da FAPERJ em programas de fomento, fala na destinação de 1% dos resultados econômicos obtidos. Mas, na verdade, nunca ficou muito bem definido o que vinha a ser esse resultado econômico e como ele deveria ser calculado. Na prática, esse percentual nunca foi cobrado e nada foi pago, ou seja, em todos esses anos a FAPERJ nunca recebeu nada”, explica o diretor de Tecnologia da Fundação, Maurício Guedes, que coordenou o grupo de trabalho criado para elaborar a Política da PI.

Ao longo de quatro meses, a equipe fez um minucioso levantamento acerca da legislação relacionada à questão e sobre os procedimentos adotados por agências de fomento com atividades similares às da FAPERJ, incluindo outras fundações estaduais de amparo à pesquisa.

Baseado na legislação em vigor e na finalidade de um órgão de fomento à pesquisa que tem, entre suas missões, a de estimular a inovação tecnológica, a FAPERJ decidiu abrir mão da cotitularidade da propriedade intelectual das criações desenvolvidas por seus parceiros, bem como da participação em possíveis ganhos econômicos.

Segundo o diretor de Tecnologia, a participação do estado ou da FAPERJ como cotitular nos projetos de criação poderia se tornar um obstáculo ao desenvolvimento desses projetos. “Ao abrir mão da titularidade e de possíveis retornos, a FAPERJ está contribuindo para estimular o processo de inovação da economia fluminense”, afirmou Maurício Guedes.

Para o presidente da FAPERJ, Jerson Lima, a questão da propriedade intelectual precisa ser tratada de forma clara. Caso contrário, poderia até mesmo inibir possíveis investimentos nos projetos. “Essas novas diretrizes são uma forma de a FAPERJ se ajustar às leis de inovação e ao Marco Legal federal e estadual no que diz respeito à propriedade intelectual”, afirmou Jerson. “Era preciso aperfeiçoar o tratamento dado a esse assunto. Portanto, é importante não amarrarmos esses projetos a nenhum tipo de retorno. Na verdade, a gente espera, sim, que os investimentos feitos pela Fundação retornem como benefícios para a sociedade e que resultem em mais emprego e aumento de renda”, explicou.

A demanda para elaboração de uma Política de Propriedade Intelectual nasceu nas reuniões do Conselho Superior da FAPERJ e, de certa forma, reflete as preocupações dos diferentes segmentos do setor de ciência, tecnologia e inovação nele representados.

Veja o conteúdo do Manual de Política de Propriedade Intelectual da FAPERJ no endereço abaixo:



Portaria FAPERJ Nº 535 – Publicada no D.O. em 1º/12/2021




Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: jornal.usp
Data: 02/12/2021
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4386.2.8

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Genética ajuda a demonstrar colapso populacional de povos indígenas no Brasil após chegada de europeus

A história das ameaças de extermínio dos povos indígenas, que na América Latina permeia o passado e segue de outras formas no presente, também pode ser contada com ajuda das ciências genômicas. As estimativas de um estudo genético inédito sugerem que houve um colapso populacional de indígenas desde o período da invasão europeia à América do Sul. A maior redução aconteceu entre os Tupis (98.99%), seguida dos Andinos (95.6%) e os Jês (83,1%). Os povos da costa do Oceano Pacífico (Chile, Peru, Equador e Colômbia) sofreram redução em torno de 60%.

O estudo se baseou em dados genômicos coletados de 383 nativos de 58 grupos diferentes que habitavam o Brasil (região amazônica, o sul do Brasil e costa brasileira) e outras regiões da América Latina (México, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru – costa do Pacífico), contidos em um banco de dados produzidos pelos pesquisadores da USP e bancos públicos. Um artigo descrevendo a pesquisa, intitulado Population Histories and Genomic Diversity of South American Natives, foi publicado no periódico Oxford Academic Molecular Biology and Evolution no último dia 7. O primeiro autor é o biólogo e pesquisador Marcos Araújo Castro e Silva, orientando da professora Tábita Hunemeier, do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva, do Instituto de Biociências (IB) da USP.


A maior redução aconteceu entre os Tupis (98.99%), seguida dos Andinos (95.6%) e os Jês (83,1%) – Foto: USP Imagens


Dizimação dos índios brasileiros


Tábita Hunemeier, coordenadora do grupo de pesquisa. Professora/pesquisadora do Instituto de Biociências da USP – Foto: Arquivo pessoal

Analisando a herança genética que esses povos deixaram na população atual, é possível reconstruir a história demográfica dos nativos, diz Tábita. Segundo a pesquisadora, no decorrer do estudo da diversidade genética dos antepassados indígenas, os pesquisadores se surpreendiam com os números que iam sendo compilados com relação ao declínio populacional indígena no Brasil. A violência dos colonizadores, sobretudo na época das expedições bandeirantes, dizimou cerca de 99% dos indígenas da costa brasileira e 83% da região central do País, relata.

A sociedade indígena foi desestabilizada com a chegada dos europeus. Eles tinham um modo de vida que foi totalmente corrompido pelas expedições exploratórias. “Os bandeirantes eram homens extremamente rudes, violentos e ambiciosos. Há relatos de que, nas primeiras décadas do século 17, eles mataram ou escravizaram milhares de indígenas, assassinados em confrontos ou tornados vítimas das péssimas condições de vida, pela fome e pelas doenças inseridas na comunidade pelos colonizadores europeus”, diz ela.

Com relação à população amazônica, a pesquisadora relata que era bem numerosa. Há cerca de mil anos, somente os índios pertencentes ao tronco Tupi (tamoios, guaranis, tupiniquins, tabajaras, entre outros) eram estimados entre um e cinco milhões de pessoas. No Brasil, por volta do ano de 1500, as estimativas baseadas em dados históricos eram de aproximadamente 3 milhões, sendo que um terço desses habitava a costa brasileira. Atualmente, o último censo demográfico brasileiro (2010) notificou um número de 800 mil indígenas em todo o território brasileiro, sobretudo na Amazônia. “Como o censo é de 2010, provavelmente esse número está bem abaixo, talvez próximo da metade”, lamenta a professora.

Nos períodos anteriores à colonização, por não haver relatos escritos, a história do Brasil só pode ser acessada por meio da arqueologia, de relatos etnográficos, da botânica e agora pela genética. “Todos esses conhecimentos integrados trazem uma visão mais completa do que aconteceu naquela época”, diz Tábita.

Demografia: ancestralidade genética



Marcos Araújo Castro e Silva, autor da pesquisa e orientando da professora Tábita Hunemeier – Foto: Arquivo pessoal

Castro explicou ao Jornal da USP como foi possível resgatar as informações demográficas do passado e trazê-las para o presente, ou seja, como usar a genética para estimar essa drástica redução populacional entre os indígenas na América do Sul. Segundo o pesquisador, “por meio do estudo dos dados genômicos de populações nativas contemporâneas é possível inferir a diversidade genética de seus ancestrais a cada geração no passado”, diz.

A metodologia da pesquisa consistiu na identificação de sequências idênticas do genoma entre indivíduos de uma mesma população, que são os chamados segmentos idênticos por descendência, ou seja, são idênticos por terem sido herdados de um ancestral comum. Tais segmentos idênticos aumentam em frequência na população em períodos nos quais o tamanho da população é pequeno (muitos indivíduos descendentes dos mesmos ancestrais), resultando em diminuição da diversidade genética da população, explica Castro.

Segundo Tábita, atualmente a variabilidade genética dos indígenas (que é uma fração da variabilidade genética do passado) tem sido muito pequena. Por meio do estudo dessa variabilidade genética atual é possível quantificar a diversidade genética de uma população em um determinado período, com base no número de sequências idênticas que foram formadas no passado.

Outro conceito importante para entender essa inferência, diz o pesquisador, é a recombinação genética, que é aleatória e reduz o comprimento dessas sequências idênticas entre indivíduos na população em um ritmo previsível ao longo das gerações. Desse modo, a partir do comprimento de um segmento idêntico por descendência é possível deduzir quando ele foi formado no passado. Assim, de acordo com o número de segmentos idênticos por descendência em cada faixa de comprimento, é possível inferir qual seria o tamanho (número de indivíduos) da população no período em que aqueles segmentos foram formados, isto porque em populações menores espera-se que o número de segmentos idênticos formados seja maior e vice-versa.

Como exemplo, Castro explica que segmentos com comprimento de aproximadamente 8.4 cM (centimorgan é uma medida de distância genética) foram formados aproximadamente há 18 gerações (500 anos atrás considerando um tempo de geração de 28 anos), e portanto é possível inferir o tamanho da população nessa época de acordo com o número de segmentos idênticos por descendência com esse comprimento identificados na população, conclui.

Mais informações: hunemeier@gmail.com, com Tábita Hunemeier, e marcosaraujocastro@gmail.com, com Marcos Araújo Castro e Silva








Autor: Ivanir Ferreira
Fonte: jornal.usp
Sítio Online da Publicação: jornal.usp
Data: 09/12/2021
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/genetica-ajuda-a-demonstrar-colapso-populacional-de-povos-indigenas-no-brasil-apos-chegada-de-europeus/

Diarreia do viajante no pós-pandemia: abordagem clínica e probióticos

A Organização Mundial do Turismo calcula que, devido à pandemia de Covid-19, as viagens internacionais registraram uma queda de 700 milhões de turistas no mundo, apenas no ano de 2020. No Brasil, o número de viagens também foi reduzido drasticamente desde o início da Pandemia em março de 2020. Porém, com a crescente imunização da população, vários destinos já estão disponíveis para serem visitados, o que certamente levará a um aumento do trânsito de turistas. É justamente neste momento devemos estar atentos ao retorno dos casos de diarreia do viajante, a qual apresenta uma incidência estimada em 10-40% dependendo do destino. 

Conheça agora

O que é diarreia do viajante? 

É a diarreia (≥3 evacuações de fezes não formadas em 24 horas), acompanhada por, pelo menos, um dos seguintes sintomas: febre, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, tenesmo ou disenteria, que ocorre durante uma viagem ou até 10 dias após o regresso à cidade de origem. Pode ser causada por parasitas, vírus ou bactérias, sendo as últimas as mais frequentes, representando até 80-90% dos casos.  Os patógenos mais prevalentes são Escherichia coli enterotoxigênica e enteroagregativa, seguida por Campylobacter jejuni e Shigella spp. Já a Giardia lamblia, por outro lado, é o principal patógeno protozoário. Os destinos que oferecem maior risco são: Américas do Sul e Central, África, México e Oriente Médio.  

Principais agentes etiológicos da diarreia do Viajante na América Latina e Caribe




Como diagnosticar esta diarreia? 

Em geral, o diagnóstico é fornecido pelo histórico do próprio paciente, que está viajando ou acaba de retornar de algum destino, em geral com baixa condição econômica. Os fatores de maior risco são: falta de saneamento, de água potável ou queda frequente de energia elétrica, interferindo no adequado armazenamento de alimentos. Outros fatores de riscos relatados na literatura e que devem ser observados são: pacientes que já apresentaram diarreia do viajante e jovens até 30 anos. Na maioria dos casos não é necessária a realização de exames, como parasitológico de fezes, coprocultura ou mesmo reação em cadeia da polimerase (PCR). O quadro é autolimitado, e , geralmente, o viajante não procura assistência médica. 

 Classificação de gravidade da diarreia do viajante:

Como tratar a diarreia do viajante? 

O mais importante é a reidratação do paciente. Agentes antimotilidade proporcionam alívio sintomático e poderão ser úteis no tratamento. A loperamida pode ser usada em adultos e crianças, exceto se houver disenteria.  

Nas etiologias bacterianas, os antibióticos são eficazes na redução da duração da diarreia em cerca de um dia.  O tratamento com antibióticos não é recomendado em pacientes com diarreia do viajante leve, mas está indicado nos casos graves. Exemplos de antibióticos a serem prescritos: fluoroquinolonas, azitromicina e  rifaximina. 

Nos casos em que a diarreia já está estabelecida, os probióticos (“organismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, trazem benefício a saúde do hospedeiro”) reduzem a duração dos sintomas. Bae realizou metanálise que incluiu onze artigos que teve como objetivo avaliar a eficácia dos probióticos e concluiu que os probióticos mostraram eficácia estatisticamente significativa na prevenção da diarreia do viajante. Estudos demonstraram que o Lactobacillus rhamnosus GG (LGG®) protege contra esse tipo de diarreia quando comparado ao placebo. O benefício da administração de LGG® é maior em pacientes com história prévia de diarreia do viajante. Essas pesquisas indicaram que colonizar o intestino com LGG® antes e durante a viagem pode reduzir a incidência de diarreia do viajante. Outros trabalhos demonstram ainda que o LGG® atua contra a bactéria E. coli, por meio da redução de toxina Shiga, inibição de adesão, proteção contra lesões de junções firmes e modulação imune.  

Como prevenir a diarreia? 

Escolha adequadamente o que for alimentar, evite alimentos in natura, frutos do mar, beba apenas água mineral engarrafada e use-a para escovar os dentes. Procure lavar as mãos com água e sabão frequentemente ou use álcool gel (≥60% de álcool) se não for possível lavá-las, especialmente após uso de sanitários ou antes de preparar alimentos. Não há vacinas disponíveis para a maioria dos patógenos. 

Estudo no México mostrou que o subsalicilato de bismuto pode reduzir em até 50% o risco de diarreia do viajante. O uso profilático de antibióticos deve ser avaliado com cautela devido ao risco de resistência bacteriana. 

Segundo o CDC, o uso de probióticos, como Lactobacillus GG e Saccharomyces boulardii pode ser avaliado individualmente (em especial nos grupos de risco), mas ainda não está indicado de rotina para todos os viajantes.  




Autor: Larissa Pires Marquite da Silva.
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/diarreia-do-viajante-no-pos-pandemia-abordagem-clinica-e-probioticos/

Hipertensão arterial pulmonar associada à broncodisplasia em RNs prematuros extremos

Sabemos de longa data que a hipertensão arterial pulmonar (HAP) continua sendo um grande desafio na vida dos neonatologistas, principalmente quando essa surge como complicação da broncodisplasia pulmonar (BDP).

Um estudo de coorte-retrospectivo publicado esse ano teve como objetivo determinar a sobrevida e evolução da HAP em recém-nascidos (RN) prematuros extremos com idade gestacional (IG) corrigida maior que 36 semanas.

Metodologia

Para tal estudo, foram selecionados 28 RN prematuros extremos menores que 30 semanas ou peso ao nascer < 1.000 g que evoluíram com HAP acima de 36 semanas de IG. O diagnóstico da HAP foi feito através de ecocardiografia. Os principais desfechos foram sobrevivência, taxa de mortalidade e resolução da HAP.

Todos os pacientes selecionados para esse estudo tinham o diagnóstico de BDP, sendo 82% graves. Onze crianças (39%) evoluíram para óbito durante o acompanhamento, devido à combinação de BDP e HAP em oito crianças, à BDP em duas e à sepse em uma.


As taxas de sobrevivência em 1, 3 e 7 meses a partir de 36 semanas de IG corrigida foram 89%, 70% e 58%, respectivamente. Em 16 dos 17 bebês sobreviventes, a HAP foi resolvida ao longo do tempo, com uma taxa de resolução entre 1 e 2 anos de idade corrigida (IC) de 47% e 79%, respectivamente. Aos 2 anos e meio de IC, a taxa de resolução foi de 94%.

Conclusão

As conclusões desse estudo foram: RN prematuros extremos com HAP e BDP tiveram uma taxa de sobrevivência de 58% aos 6 meses de idade corrigida IC. A pressão supra sistêmica da artéria pulmonar foi associada a um desfecho desfavorável. E RN que sobreviveram além da IC de 6 meses apresentaram excelente sobrevida e resolução da hipertensão arterial pulmonar em quase todos os casos. Ainda são necessários estudos prospectivos de acompanhamento para investigar se a resolução da HAP nesses bebês pode ser melhorada por terapias multimodais, incluindo tratamentos respiratórios, nutricionais e cardiovasculares.





Autor: Larissa Pires Marquite da Silva.
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/hipertensao-arterial-pulmonar-associada-a-broncodisplasia-em-rns-prematuros-extremos/

Escolha de sofia: se faltam leitos, a idade deve ser fator de escolha? Avaliar.

Com o surgimento da pandemia de Covid-19 e com o grande fluxo de pacientes graves com necessidade de tratamento intensivo e acometimento de muitos pacientes idosos, diversos centros hospitalares de todo o mundo ficaram com seus CTIs superlotados e com déficit de leitos disponíveis para todos os pacientes, o que gerou uma grande preocupação com a real e efetiva capacidade de acomodação em situações parecidas. Nesse contexto, não houve outra saída, a não ser definir emergencialmente critérios de escolha de ocupação para esses pacientes nos leitos.

Dentro desses critérios, discussões acerca da idade de cada paciente como fator de corte para a escolha de ocupação do leito foram lançadas. Quem deveria ser escolhido para ocupar o último leito do CTI? Pacientes mais jovens deveriam ser priorizados em relação aos mais velhos nesse cenário assustador? Esta questão tornou-se demasiadamente discriminatória e a conduta em relação a idade permanece sem solução. O que é considerado ético ou não, difere entre diferentes culturas, como por exemplo a permissão em alguns países da escolha do paciente em determinar até onde ir com o seu tratamento e a regularização da realização da eutanásia em pacientes terminais.



Estudo

Os autores de uma carta encaminhada ao Intensive Care Med, em final de novembro de 2021, questionam a ocorrência de limitação de tratamento e pressão sofrida pelos pacientes mais velhos em unidades de tratamento intensivo durante a pandemia por Covid-19. com isso, desenvolveram um estudo com 2.984 pacientes, prospectivo e observacional, abrangendo 35 países do mundo denominado “The Corona Virus disease in Very Elderly Intensive care Patients” (Covid em pacientes muito idosos em unidades de terapia intensiva).

Nesse estudo onde foi analisado a relação de limitações na conduta, definidas como alta ou permanência no leito, entre a idade e o aumento do número de pacientes acometidos, evidenciou-se que essas limitações ocorriam mais em direção aos pacientes mais jovens a medida que a população de pacientes ia aumentando. Além da idade, fatores epidemiológicos como sexo e fatores como fragilidade do paciente e grau de severidade da doença também influenciaram nas limitações de conduta nos pacientes graves que necessitam de tratamento intensivo.

Conclusão

Portanto, apesar de algumas limitações encontradas, concluiu-se que nesse cenário de pandemia, o grande aumento do número de pacientes infectados necessitando de tratamento intensivo em um sistema de saúde extremamente pressionado, exerceu importante papel nas decisões das condutas clínicas na população mais idosa de pacientes internados.





Autor: Gabriela Queiroz
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/escolha-de-sofia-se-faltam-leitos-a-idade-deve-ser-fator-de-escolha/

Atualizações epidemiológicas da Covid-19: a nova variante Ômicron do Sars-CoV-2

A Organização Mundial de Saúde fez declarações sobre o surgimento da variante Ômicron, emitindo um alerta sobre a nova variante do Sars-CoV-2, identificada pela primeira vez na África do Sul.

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), a variante Ômicron já foi detectada em todos os continentes: EUA, Austrália, Brasil, Canadá, Hong Kong, Israel, Japão, Nigéria, Noruega, Suécia, Reino Unido. Entretanto, o maior número de infecções confirmadas concentra-se na África do Sul.

No Brasil, segundo as Secretarias de Saúde Estaduais, foram confirmados 6 casos da variante Ômicron em brasileiros que fizeram desembarques internacionais.


Ouça também: Check-up Semanal: variante Ômicron, programa para combate do Aedes Aegypti, inibidor de P2Y12 no infarto e mais!



Onde surgiu?

Em 26 de novembro, um grupo de cientistas que avalia e monitora regularmente a evolução do Sars-CoV-2, foi convocado para estudar uma nova variante denominada B.1.1.529 do Sars-CoV-2. Esta variante foi notificada pela primeira vez em 24 de novembro de 2021 pela África do Sul, com três picos de casos notificados, tendo o primeiro confirmado por amostra coletada em 9 de novembro de 2021, denominada variante Ômicron pela Organização Mundial de Saúde.

Quais informações temos?

Segundo o grupo consultivo técnico sobre a evolução do vírus Sars-CoV-2 (WHO), as primeiras informações sobre esta variante falam sobre seu elevado potencial para mutações, e o risco aumentado de reinfecção quando comparada às outras variantes classificadas como preocupantes.

Baseado nas primeiras evidências científicas, a variante Ômicron traz diversas mudanças prejudiciais na epidemiologia da Covid-19, e por isso pesquisadores sugeriram que fosse classificada também como uma variante preocupante.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as variantes de preocupação (VOC), além de atenderem os critérios das variantes de interesse, estão associadas a uma ou mais alterações seguintes:

Aumento da transmissibilidade ou mudança prejudicial na epidemiologia da Covid-19; ou

Aumento da virulência ou variação da apresentação clínica da doença; ou

Diminuição da eficácia das medidas sociais e de saúde pública ou dos diagnósticos, vacinas e tratamentos disponíveis.

Em relação à transmissibilidade da variante Ômicron, ainda não está claro se é mais transmissível quando comparada à variante Delta, por exemplo. O número de casos confirmados no Sul da África tem aumentado, no entanto, ainda precisam de novos estudos para determinar se o aumento se deve à variante Ômicron ou a outros fatores.

Saiba mais: Avaliação ergoespirométrica em pacientes pós-Covid-19 com dispneia inexplicada

Quanto aos achados sobre a gravidade da doença, ainda é desconhecido o quadro clínico da infecção pela variante Ômicron e se os sintomas associados são diferentes dos sintomas das outras variantes.

O teste RT-PCR permanece o teste padrão ouro para diagnosticar a infecção pelas diversas variantes do novo coronavírus, incluindo a Ômicron, assim como os tratamentos farmacológicos existentes para Covid-19.

As vacinas desenvolvidas e autorizadas até o momento, possuem eficácia para prevenção dos desfechos clínicos graves, incluindo morte e hospitalizações pela Covid-19.

Segundo a Organização Mundial de Saúde não há informações sobre caso de morte pela variante Ômicron.

O que fazer?

É necessário que todos os países continuem implementando as medidas de prevenção comprovadas para diminuir a circulação do vírus, além de aumentar a vigilância e a capacidade de resposta através de recursos de saúde pública para enfrentar as chances de aumento dos casos por Covid-19.

A vacinação continua sendo eficaz e primordial para combater os casos graves e morte por Covid-19, inclusive para variante Delta, que é responsável por 99% das infecções.

Os órgãos sanitários precisam trabalhar cada vez mais para reduzir as desigualdades entre os países em relação ao acesso dos recursos de saúde nesta pandemia.

Diversos países, assim como a África do Sul, apresentam dificuldades no acesso as vacinas, testes diagnósticos, tratamentos, o que pode influenciar diretamente no aumento de casos e mortes pela Covid-19 à nível global.

Desta forma, cabe aos órgãos públicos garantirem, no mínimo, a distribuição equitativa da vacina para administração em todos os grupos etários vulneráveis da população.

Conclusão

Pesquisadores do grupo consultivo técnico sobre a evolução do vírus Sars-CoV-2 (WHO) e instituições científicas dos diversos países estão realizando investigações para compreender melhor os aspectos desta nova variante e assim que possível relatar novas conclusões.

Ainda há poucas evidências científicas para comprovar a gravidade e o impacto epidemiológico, ao passo que ainda é primordial a continuidade das medidas de proteção como uso da máscara, higiene das mãos, distanciamento social, evitar aglomerações e aumento da imunização da população.




Autor: Brenda Almeida
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/atualizacoes-epidemiologicas-da-covid-19-a-nova-variante-omicron-do-sars-cov-2/

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Decisão do STF proíbe produção, comercialização e consumo de três emagrecedores

O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, por sete votos a três, a lei que permitia a produção, a comercialização e o consumo de três medicamentos emagrecedores: mazindol, femproporex e anfepramona (ou dietilpropiona).

Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) declarou que não há novos dados que apoiem o uso dessas substâncias como medicamentos emagrecedores.

“São medicações que podem gerar complicações no sistema cardiovascular e dependência psíquica. Há risco tanto para o paciente quanto para o prescritor. No primeiro, pode desencadear crise hipertensiva, enxaqueca, arritmias, edema agudo de pulmão, depressão e quadros psicóticos. Para o prescritor há risco de implicações jurídicas, caso se prove negligência em prescrever tais medicações”, esclareceu a médica Ana Cristina Belsito, chefe do serviço de endocrinologia do Hospital São Vicente de Paulo, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.



A lei citava ainda o inibidor de apetite sibutramina, também entre os mais consumidos e vendidos comercialmente sob nomes de Reductil, Plenty e Sibutral. Entretanto, como trata-se de um fármaco de classe diferente terá apenas um controle mais rigoroso, pois pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares, segundo a Anvisa.


A substância sibutramina, proibida nos países da União Europeia, além do Canadá, Argentina, Paraguai e México, está liberada no Brasil com restrições. Além do receituário azul, obrigatório desde 2010, para comprá-la, o paciente deve mostrar na farmácia um termo de compromisso, assinado pelo médico e por ele, assumindo os riscos do tratamento.

Estudos clínicos

Em nota divulgada, a agência federal reforçou que nenhum laboratório apresentou estudos clínicos que indicassem alguma relação favorável ao uso da anfepramona, do femproporex e do mazindol desde 2011.

Essas três medicações já haviam sido retiradas do mercado em 2011, e sob protestos de usuários, retornaram a ser comercializadas, em 2017, na forma de manipulação, pois os laboratórios oficiais não queriam investir em insumos que poderiam vir a sair do mercado novamente.


“Ultimamente, já eram medicações com prescrição reduzida por haver outras opções no mercado, mas era uma opção para o tratamento da obesidade, indicada para alguns poucos pacientes”, pontuou a infectologista Ana Cristina Belsito.

Sibutramina

Em 2011, quando foi analisado o trio de drogas anfetamínicas, a Anvisa também reavaliou o antidepressivo sibutramina. Na época, foi concluído que o benefício da substância era maior que o seu risco, desde que utilizada adequadamente e para determinados perfis de pacientes.


Para controlar a sua utilização, foi criada uma receita especial para prescrição e comercialização do produto. Além disso, a agência federal também estabeleceu que a substância não deve ser utilizada por mais de dois anos seguidos.


Uma curiosidade é que a sibutramina é o medicamento emagrecedor com registro válido mais antigo no país, desde março de 1998. Vale ressaltar que esse é o único medicamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar a obesidade.


“A sibutramina é uma medicação que tem demonstrado segurança há mais de 25 anos no mercado e de custo acessível e baixo risco, desde que seja obedecido os seus critérios de prescrição. É uma boa medicação para tratar a obesidade. Além disso, hoje existe um termo de responsabilidade para o paciente e prescritor”, ressaltou a chefe do serviço de endocrinologia do Hospital São Vicente de Paulo.


Confira: Dia Mundial da Obesidade: o que não pode passar na abordagem endocrinológica? [podcast]


Orientações aos médicos sobre emagrecedores

É importante ressaltar que antes de indicar qualquer substância para ajudar no tratamento da obesidade, o médico precisa conhecer o paciente e sua história, patologias, checar seus exames recentes e avaliar qual melhor medicação se encaixa com o perfil do paciente. A idade também conta em relação à prescrição da sibutramina, por exemplo.


“Deve ser sempre avaliado o risco cardiovascular e a presença de distúrbios psiquiátricos (ansiedade, depressão ou esquizofrenia e psicoses podem se agravar com a sibutramina), além de desordens gastrointestinais na hora de escolher a medicação”, concluiu a endocrinologista Ana Cristina Belsito....




Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 08/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/decisao-do-stf-proibe-producao-comercializacao-e-consumo-de-tres-emagrecedores/