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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

América Latina e Caribe despejam 30% de seu lixo em locais inadequados

ONU


A geração diária de resíduos sólidos urbanos nos países da América Latina e do Caribe atingiu cerca de 540 mil toneladas, e a expectativa é de que, até 2050, o lixo gerado na região alcançará 671 mil toneladas por dia. É o que revelam dados apresentados pela ONU Meio Ambiente em evento realizado esta semana (21) pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em São Paulo.

De acordo com a agência das Nações Unidas, mais de 145 mil toneladas de lixo, ou cerca de 30% do total, são destinadas a locais inadequados diariamente na região.




Foto: Flickr/João Guilherme de Carvalho (Creative Commons)

A geração diária de resíduos sólidos urbanos nos países da América Latina e do Caribe atingiu cerca de 540 mil toneladas, e a expectativa é de que, até 2050, o lixo gerado na região alcançará 671 mil toneladas por dia. É o que revelam dados apresentados pela ONU Meio Ambiente em evento realizado esta semana (21) pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em São Paulo.

O levantamento, que faz parte do Atlas de Resíduos da América Latina, relatório da ONU Meio Ambiente que será lançado em breve, mostra que, em média, a cobertura da coleta na região da América Latina e Caribe supera 90%, mas pode variar de acordo com o país, e diminui sensivelmente nas periferias e áreas rurais.

De acordo com Jordi Pon, coordenador regional de resíduos e químicos da ONU Meio Ambiente e coordenador do estudo, “a região tem apresentado vários avanços na gestão de resíduos sólidos, porém, em relação à disposição final, ainda existe um déficit considerável, com mais de 145 mil toneladas de lixo, cerca de 30% do total, destinados para locais inadequados diariamente.

O tema da poluição, incluindo a causada pelos resíduos, faz parte de uma agenda mundial e é o principal tópico da Terceira Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, que acontecerá em Nairóbi, no Quênia, de 4 a 6 de dezembro. Como fórum decisório mundial de mais alto nível sobre questões ambientais, a assembleia reunirá governos, líderes empresariais, sociedade civil e outras partes interessadas em compartilhar ideias e se comprometer com ações contra a poluição.

Na ocasião, o novo relatório “Rumo a um planeta sem poluição“, do diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, que traz um panorama atual de todos os continentes, permitirá examinar o que sabemos sobre a poluição e delinear elementos-chave de um quadro abrangente de ações para combatê-la.




Evento foi organizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em São Paulo. Foto: ONU Meio Ambiente

“Os dados apresentados pela ONU Meio Ambiente mostram que, mesmo com algumas melhorias alcançadas nos últimos anos, cerca de 170 milhões de pessoas ainda estão expostas às consequências desse problema em decorrência dos graves impactos causados ao meio ambiente (solo, ar e água) e à saúde da população”, disse Carlos Silva Filho, diretor-presidente da ABRELPE e membro do Comitê Diretivo do Atlas de Resíduos.

Na apresentação dos dados, Jordi Pon também destacou que o relatório faz uma análise sobre a composição dos resíduos sólidos urbanos. A fração orgânica, por exemplo, representa mais da metade de todo resíduo descartado nas cidades latino-americanas, índice que varia bastante de acordo com a renda do país. “Enquanto em países de baixa renda, 75% do lixo descartado é proveniente de matéria orgânica, em países com renda mais elevada esse índice é de 36%”, comentou Pon.

As informações apresentadas mostram ainda que é comum encontrar resíduos perigosos no lixo doméstico, como baterias, equipamentos elétricos e eletrônicos, remédios vencidos, entre outros. Já a fração restante é composta pelos chamados resíduos secos, como metais, papéis, papelão, plásticos, vidro e têxteis. De modo geral, as iniciativas de reciclagem atingem o índice de 20% em determinadas regiões da América Latina, em grande parte graças à contribuição do setor informal.

Pon também observa que praticamente todos os países da região contam com disposições e normas legais para serem cumpridas pelos geradores e manipuladores de resíduos, bem como penalidades por descumprimento, mas o quadro institucional é fraco. “Isso cria um vácuo de responsabilidades governamentais, com poucas ações de acompanhamento e monitoramento, resultando, entre outras coisas, em uma aplicação deficiente da lei tanto no setor público quanto no privado”, explicou o coordenador da ONU Meio Ambiente.

Outro tópico abordado pelo estudo diz respeito aos níveis de investimento público e privado em gestão de resíduos, apontando que os mesmos não são suficientes para financiar a infraestrutura necessária para mitigar as principais deficiências, como ampliação da cobertura de coleta, baixas taxas de reciclagem e disposição final inadequada.

“O estudo mostra que o financiamento é uma questão fundamental para a melhoria e sustentabilidade dos mecanismos de gestão de resíduos, especialmente na América Latina e no Caribe, onde os modelos financiados por recursos municipais prevalecem e, em muitos casos, os custos dos serviços não são recuperados em sua totalidade”, disse Carlos Silva Filho, concluindo que “ainda não há uma consciência clara do fato de que o custo econômico dos impactos negativos causados pela gestão inadequada dos resíduos (o custo da inação) é maior do que o custo de investimento em um sistema adequado”.

Os dados apresentados fazem parte de um projeto da ONU Meio Ambiente, originado a partir do lançamento do Altas Global de Gestão de Resíduos em 2016, e incluem relatórios sobre a situação dos resíduos sólidos na América Latina e Caribe, Ásia, Ásia Central, África, Regiões Montanhosas e Pequenas Ilhas-estado (SIDS).



Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/11/2017




Autora: ecodebate
Fonte: ONU
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data de Publicação: 24/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/24/america-latina-e-caribe-despejam-30-de-seu-lixo-em-locais-inadequados/

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

'2017 será um dos anos mais quentes da história', diz ONU

O ano de 2017 será um dos anos mais quentes já registrados, disse Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, braço das Nações Unidas para o clima. O anúncio foi feito na abertura da COP 23, a conferência da ONU para o clima que começou nesta segunda-feira (6) em Bonn, na Alemanha.




Esse ano, continuou Taalas, deve figurar entre os três anos mais quentes da história, desde que se começaram os registros, no século XIX. "Os últimos três anos estiveram entre os três primeiros lugares em termos de registros de temperatura. Isso faz parte de uma tendência de aquecimento de longo prazo ", disse.


"Tivemos um clima fora do comum, incluindo temperaturas superiores a 50ºC na Ásia, furacões recorde no Caribe e no Atlântico e uma seca implacável na África Oriental", disse.


O ano de 2017 será o ano mais quente sem a influência do El Niño. As temperaturas em 2016 e, até certo ponto, 2015, também foram muito altas, mas foram impulsionadas por um El Niño excepcionalmente forte, diz a ONU.


Segundo a OMM, a temperatura média global de janeiro a setembro de 2017 foi de aproximadamente 1,1 °C acima da era pré-industrial. A entidade diz ainda que, embora os dados globais sobre a emissão de CO2 esse ano só vão estar disponíveis até o final de 2018, informações em tempo real indicam que os níveis de CO2, metano e óxido nitroso continuaram a aumentar em 2017.


Já o nível médio global do mar (GMSL), um dos melhores indicadores de mudanças climáticas, tem se mantido relativamente estável em 2017, semelhante aos níveis alcançados no final de 2015, diz a ONU. Essa mesma estabilidade não tem sido registrada com a temperatura, no entanto: segundo a OMM, elas estão a caminho de estar entre as três maiores registradas.




Pressão para novo acordo



A entidade espera que o anúncio sirva de incentivo para que se acelerem as negociações sobre a redução dos níveis de emissões de gases na COP 23.



"Essas descobertas destacam os riscos crescentes para as pessoas, as economias e o próprio tecido da vida na Terra se não conseguimos seguir os objetivos e as ambições do Acordo de Paris ", diz Patricia Espinosa, secretária executiva da ONU sobre Mudanças Climáticas.




Patrícia salienta que uma das missões da COP será aumentar o nível de ambições para que novas metas sejam acordadas, para além do Acordo de Paris, acordado na COP 21, em 2015. Na ocasião, 195 países ratificaram o acordo para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. O objetivo é que o aumento da temperatura não chegue a 2ºC em 2030, com esforços para que não se ultrapasse 1,5°C.


O desafio agora, no entanto, é o estabelecimento de medidas concretas para chegar até as metas; por isso, um dos objetivos da COP será finalizar o "Livro de Regras", com maiores detalhamentos sobre como países podem orquestrar maiores comprometimentos para reduzir as emissões de gases.


Também o primeiro-ministro do arquipélago Fiji, Frank Bainimarama, país que preside a conferência, disse à Reuters que vai pressionar para que países se comprometam com metas mais ambiciosas para combater o aquecimento global.





Os efeitos do aquecimento




De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), pesquisas recentes mostram que o risco geral de doença ou morte relacionada ao calor subiu de forma constante desde 1980, com cerca de 30% da população mundial vivendo agora em condições climáticas que produzem ondas de calor extremas prolongadas.


Entre 2000 e 2016, o número de pessoas vulneráveis expostas a eventos de ondas de calor aumentou aproximadamente 125 milhões, diz a entidade.


Em 2016, 23,5 milhões de pessoas foram deslocadas durante desastres relacionados ao clima. Em consonância com os anos anteriores, a maioria desses deslocamentos internos foi associada a inundações ou tempestades e ocorreu na região da Ásia-Pacífico.


Na Somália, foram relatados mais de 760 mil deslocamentos internos, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados e Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Autora: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 06/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2017-sera-um-dos-anos-mais-quentes-da-historia-diz-onu.ghtml